18 maio, 2007

O UMBIGO DO MUNDO três


Se pedirmos a uma criança para desenhar as pedras de um muro, a grande maioria desenha-as tal qual os muros da Fortaleza de Sacsayhuaman. Desenham-nas como um puzzle que tem que preencher um determinado espaço, despreocupadas em relação a técnicas construtivas, dando primazia apenas e exclusivamente à questão formal. O desenho resulta de um impulso genuíno e completamente ingénuo, em que as peças se articulam, com ângulos côncavos e convexos sem problema nenhum. Os incas também faziam assim os seus muros e não utilizavam qualquer ligante, nas juntas entre peças.
Isto é fenomenal!



Quando se constrói uma parede de alvenaria, pode-se fazê-lo de várias formas: alvenaria gorda utiliza uma argamassa rica em cal ou cimento, alvenaria magra, tal como o nome indica, com pouca cal e a chamada alvenaria “insossa”, aquela em que as pedras se sobrepõem sem argamassa de ligação, justamente sobre o que ando a pensar.


A argamassa é um aglomerante com propriedades plásticas capaz de se moldar a espaços, de os preencher, e ao endurecer ganham grande resistência e durabilidade, servindo de meio de coesão entre diversos elementos.

(Daí a prof de Geografia terminar o seu penteado esférico com laca que desempenhava funções idênticas às da argamassa, óbvio! Lololol… em certos dias mais ventosos, argamassa bem gorda!)

Na alvenaria insossa ou de junta seca, para que as paredes fiquem bem travadas, com uma boa coesão entre as pedras, é absolutamente necessário que haja um trabalho muito cuidado no encaixe das mesmas, recorrendo-se normalmente, à utilização de escassilhos (pequenas pedras sobrantes das construções, que permitem regularizar planos, funcionando como cunhas, e que ajudam o travamento das pedras).

Ora bem, os muros da Fortaleza de Sacsayhuaman não possuem escassilhos, nem argamassas! e...
... espantem-se, a dimensão das suas juntas, é tão mínima, que não cabe lá uma folha de papel. Segundo parece uma folha de papel vulgar tem a espessura aproximada de 0,074 milímetros.

Vou pausar, para respirar e apanhar o fio condutor. Cadê ele?

OOOHHHHH FIO COOONNNDUTOOORRRR!!!



Muro de alvenaria insossa

(cont)

1 comentário:

Poliedro disse...

Anabela:
Desculpa a demora, mas ando a acabar o livro que, simpaticamente, me emprestaste e que estou a adorar. Tens bom gosto!
Por outro lado estou a fazer a acta da OUTRA. Coitada, até ficou a tremer. Sei que compreendes.
Olha, descreves e articulas palavras com sobriedade, bom-senso e perfeitas.´
Eu tinha razão a respeito dos muros. Pensas e, constróies ideias de pura e deslumbrante Arquitecta que conhece e revela conhecimentos profundos sobre o assunto.
Quanto à argamassa?
Sabes lá o que se passava com a professora de Geografia?
Quanto a esse assunto tenho que te dizer que não é por acaso que ela existe nela. Tenho respeito e consideração pela argamassa. Pode esconder nas pedras que a ligam um grave problema capilar inestético ou um grava problema grave de saúde.
Já pensaste nas pessoas que fazem quimioterapia?
Já pesaste como sofrem com isso?
Dá que pensar.
Olha, estou a falar-te com muita seriedade. Não voltes a falar nisso. Sei que as pedras murais são assim. Mas, nas pessoas é completamente diferente, podes crer? Há sofrimento. Um sofrimento que respeito e não provoca riso. Eu não me rio, nem pelos murais e, muito menos, pelas pessoas. E, tu tens tão bons sentimentos!
Com muito respeito e estima
Beijos Grandes
pena

Obrigado pelos "mails" e pelo livro.