19 junho, 2019

FESTAS JUNINAS


Festas Juninas
“Parece que o tempo voa;
Balões, o baile, a folia;
A fogueira ainda está boa:
Mais um pulo e já é dia.               (anónimo)



                Sto. António, S. João e S. Pedro são santos com sorte, pois, estão sempre associados a festança, alegria e folia. Colaram-se aos festejos pagãos do solstício de verão e tornaram-se populares, libertando-se dos martírios, sacrifícios e dor, do cristianismo e assumiram o lado festivo de celebração da vida. Já os Romanos, utilizavam estes dias próximos do maior dia do ano, para realizar um grande festival em honra ao seu deus Summanus.
                Nós que vivemos num país agnóstico, dá-nos um jeitaço estas sagradas festas juninas, com os seus feriados municipais, permitindo-nos uma pausa laboral, para apanhar sol, picnicar, abraçar as farturas e os carrosséis, deitar tarde e sobretudo conviver com os amigos. As ruas animam-se com bandeirinhas coloridas que as atravessam no céu, em várias direções.             A maioria sabe que o S. Pedro é o meteorologista lá no céu, o S. João está ligado ao baptismo de alguém, aos martelos e ao alho-porro, e o Sto. António é calvo e carrega sempre um menino ao colo, e que todos levam a malta à rua para comer umas sardinholas, uns pimentos assados, umas bifanas, comprar um manjerico com uma quadra bem brejeira, saltar uma pequena fogueira, soltar um balão iluminado de ar quente e dançar uma música pimba quase à meia- noite, com o orvalho a cair. Os mais habilidosos na dança e na paciência, ainda arriscam a marcha popular, os tolerantes oferecem a cabeça à martelada, e os mais organizados na economia doméstica investem na feira da cueca. Provar a ginjinha, a broa com a sardinha, e esperar pelo foguetório que se inicia por volta da meia-noite, ao som da banda de música ou dos bombos animam os foliões cada vez mais alcoolizados e transpirados.
                Os significados da fogueira e do rosmaninho, poucos conhecem. Solstício? Ah? Porra, até para escrever é difícil! São festas juninas ou sanjoaninas? Dahh! Agradecimento em relação às colheitas… colheitas? Camponeses? Então os produtos que consumimos não nascem nos armazéns dos supermercados? Fertilidade?  
                Bora lá prás sardinhas, que é tempo delas! Assadas na brasa e a escorrer gordura. Shlep! 
“Às pedras da nossa rua
Ouvi dizer, já de dia,
Que a melhor brasa era a tua:
Queimou toda a freguesia!..” (anónimo) 
AQ
Publicado em NVR  

10 junho, 2019

ÓPERA DE GARNIER - Paris


            Ópera de Garnier
            Há sítios inesquecíveis, e que mesmo antes de os visitar, me sinto próxima, já tenho um desejo enorme de os descobrir, ver e sentir. Ópera de Garnier é um desses sítios. Vi-a algumas vezes passando no exterior, estudei-a quando era jovem, como exemplo arquitectónico de um espaço para espectáculos, projectado no séc. XIX (1862) por Charles Garnier,  em estilo neo-barroco.
            Este edifício não faz parte dos edifícios que todos desejam visitar na primeira visita a Paris, por mero desconhecimento, porque todos pensamos que uma casa de ópera será um edifício vulgar, com alguma imponência no exterior. 
            Ao meu desejo de visita, juntava-se a memória de um sketch publicitário dos anos setenta sobre um sabonete, creio que ao sabonete Cadum, com uma diva descendo aquela escada interior glamourosa, com a pele supostamente hidratada e sedosa.
            Hoje foi o dia, às 11h da manhã entrei para o visitar. Superou as minhas expectativas. Tive uma visita guiada para que me permitisse visitar todo o interior. Fiquei deslumbrada. Superou as minhas expectativas e já começa a ser difícil eu sentir esta emoção. Pouca atenção prestei à guia, que desfiava a história, as peças, os artistas. Dou sempre prioridade à arquitectura, observar cada detalhe, interligar a planta com os alçados e sentir a tridimensionalidade do edifício objecto, a criatividade do autor e a dificuldade de execução… e claro fotografar. Fotografar muito para registar aquilo que a memória não consegue. Para além da referida escada glamourosa, enriquecida agora com as novas tecnologias da luz, descobri um foyer deslumbrante, imitação do palácio de Versailles. Apeteceu-me sentar-me por ali e ficar. Percebi que amava aquele edifício desde sempre, agora revivendo um amor de adolescente, amando-o novamente e com maturidade, com a certeza e a sensibilidade ao rubro. Um edifício majestoso
            Não gostei do tecto da sala principal pintada por Chagall. Percebi que foi uma atitude politicamente correcta. Apesar de gostar de Chagall acho que ali está desenquadrado. Opinão minha. O resto…. Chagall era russo, judeu, francês... foi-lhe entregue nos anos 60 um novo tecto para substituir o original, que tal como o edificio atravessou a 2º guerra e foi martirizado. 

            Estou tão mais rica! Muito mais rica. Obrigada Garnier.

in Diário de Viagem