17 dezembro, 2017

NATURALIS

NATURALIS é uma mostra de pintura executada em suportes de vidro, sobre temas da natureza.
           A natureza andou sempre arredada do percurso artístico da autora e agora expressa-se excepcionalmente nesta exposição, como reflexo de uma acção investigativa sobre a utilização dos elementos naturais nas obras de arte e nas artes que se converteram em decorativas, por vezes muito próximas do saber popular.
Van Gogh, M. C. Escher assim como o movimento Arts & Crafts são inimitáveis, porém, neste caso, foram a alavanca para a descoberta da obra de outros artistas plásticos e para a reflexão que deu suporte a este acto de pintar quase clandestino, por ser divergente à formação da autora, transportando-a para outros saberes por vezes tão femininos e tão associados às românticas “fadas do lar”. Tapeçarias, rendas, bordados, arte gráfica de consumo doméstico, estampagem de tecidos e tatuagens foram alguns dos caminhos explorados nesta obra em tinta dourada sobre fundo negro, sóbria e delicada, como delicada é a natureza.
A técnica e a composição de cada Naturalis recusam o excesso, não admitindo erros nem insegurança na gestualidade do traço, implicando assim um grande rigor.  A economia da cor e a riqueza das texturas complementam-se na construção da simplicidade e delicadeza, num enquadramento estético proposto pela autora, convidando cada observador a dialogar serenamente com o seu mundo interior.

13 novembro, 2017

só falta fazer um desenho

Só falta fazer um desenho
         Agora percebo a polémica de quem tem direito a ir passar o resto dos dias até à eternidade no Panteão Nacional.
         Finalmente fez-se-me luz. A morte tem muito que se lhe diga. Uma coisa é morrer e ir para o cemitério, ficar lá eternamente sempre em filinha e em esquadria e ser visitado pelas viúvas e viúvos chorosos, a tresandar a naftalina e a crisântemos, outra coisa é morrer e ir ocupar  espaços alternativos e comerciais da DGPC (Direcção Geral do Património Cultural). Pode-se morrer e ser tumulado (acabei  de inventar a palavra), num espaço onde vão os turistas mórbidos e as visitas de estudo de adolescente endiabrados – nesta situação a qualidade de morte é mais elevada, menos monótona que a primeira.     Mas bom, bom é morrer e ser tumulado em espaço com vista para salão de festas, por onde passam as ladies de vestidos cheios de brilhos e transparências e  os mens com asa de grilo e muito gel na repa, perfumando o espaço, com perfume “Já cheguei”. Estes últimos podem deliciar-se em visualizar verdadeiros manjares de rei, sentir os odores da alta gastronomia. Uma coisa é cheirar o chicharro frito que salta a parede do reles cemitério, outra coisa é sentir o aroma da lagosta em vapor e do caviar. Uma coisa é sentir o pisar dos sapatos ortopédicos que se moldam aos calos da terceira idade, outra coisa é sentir o pisar delicado de um tacão de 10cm da Diamond Shoe. Uma coisa é ouvir o fru fru da meia calça comprada no Jumbo. Outra coisa é ouvir o fru fru da meia de fio fino de seda adquirido em Londres na Pantyhose. Uma coisa é um cuecão que rola há varias décadas já sem etiqueta, outra coisa são uns boxers anatómicos Calvin Klein. Uma coisa são os perfumes de marca branca comprados nas parafarmácias, outra coisa são os perfumes originais Dior. Uma coisa é ouvir um reles Fiat a estacionar à porta do cemitério, outra coisa é ouvir o ronrorar de um Ferrari. Uma coisa é uma carraspana de tinto carrascão outro coisa é um alegrete no final de vários Moet Chandons. Uma coisa é teres um coveiro desdentado a ordenar as campas rasas, outra coisa é teres a sra diretora do Panteão a rentabilizar e a seleccionar a clientela.
         Quem teve  a sorte de estar no Panteão, saiu-lhe a sorte grande, pois segundo parece (Isabel Melo), muitos jantares se organizam por ali.
         "Demitir-me? Nem pensar" diz a senhora directora. E eu concordo com ela, reanimar os mortos é uma boa acção e faz-se muito dinheiro para suportar a manutenção destes edifícios. É preciso lixívia para os sanitários, palha d’aço para os cromados, naftalina para os túmulos, óleo para as dobradiças, … 
         “Aqui não há corpos. Há sempre essa confusão. Sempre que há algum evento aqui no corpo central, as salas tumulares estão todas fechadas” – essa parte é que eu acho mal, já me parece do tipo estraga-prazeres. Então só o corpo central pode assistir  à comerzaina e os outros corpos? Assim, os que lá estão já nem se podem organizar para socializar:
- Oh people passem para cá uns tournedos de Rossini,
         eu quero uma Vichyssoise,
                   que saudades de um croquete,
                            raisparta o gourmet eu quero comida bem portuguesa, sardinhas, peixinhos da horta, favas com chouriço.
         Acho mal, fecharem-lhes a porta.
         Comigo, a partir de agora, já vou avisando, é assim: Jantar especial tem de ser em Paris junto do Napoleão. O resto é um deja vu.

         Escrevendo a sério, esta não novidade foi hilariante. A corrida desenfreada ao lucro dá nisto.
         Fui ler o despacho 8356/2014, as minhas gargalhadas duplicaram.
Artigo 3.º
Princípios Gerais
1. Todas as atividades e eventos a desenvolver terão que respeitar o posicionamento associado ao prestígio histórico e cultural do espaço cedido.
2. Serão rejeitados os pedidos de carácter político ou sindical.
3. Serão, ainda, rejeitados os pedidos que colidam com a dignidade dos Monumentos, Museus e Palácios ou que perturbem o acesso e circuito de visitantes bem como as atividades planeadas ou já em curso.

         Ora políticos e sindicalistas não são recomendados. Se for o casamento de um Salgado vá que não vá, agora se for jantar de Natal de um sindicato, isso não.
Uma coisa é um jantar de Halloween, outra coisa é um jantar da Web Summit O Halloween´está para o MacDonald, assim como a WEB Summit está para o Panteão Nacional.  Mai nada!
         Se for uma reunião de carteiristas, poderá ser? E se for apresentação de um livro sobre Alves dos Reis?
         Se for um baile de debutantes pode? E se for uma dança de varão, não pode? E se for Pole Dance integrada em feira medieval ou seja a bailarina vestida de D. Urraca, já pode?
         Onde anda o bom senso dos que aprovam estes eventos? Ainda é preciso mais legislação? Acho que só falta fazer um desenho!

Por favor parem, senão salto em andamento!!!!

10 novembro, 2017

PEREGRINAÇÃO

 Não fico em casa porque está em exibição o filme “Peregrinação” de João Botelho.
O tema e o herói interessa-me,  o realizador também e tinha curiosidade em saber como se interligou a música “Por este rio acima” do Fausto.
Valeu a pena ver. Mais uma obra de arte assinada por João Botelho, que ultimamente nos presenteia muito acima do bom.
Quem viu O desassossego, que para mim que não sou cinéfila, é o top do top, não se decepciona com Peregrinação.
As aventuras e desventuras desta figura histórica que navegou pelo Oriente durante 21 anos, onde foi “13 vezes cativo e 16 ou 17 vendido, são tratadas com grande inteligência e sensibilidade. Não há cenas a mais nem a menos. É um relato de imagem personalizado pela imaginação do realizador, sabiamente articulado com o coro personificado pelos companheiros de Fernão Mendes Pinto.
Predominam cenas com pouca luz, que propositadamente evita erros de cenário e converte todo o registo muito intimista.  Só falhou o pormenor das cordas, sempre novas, sempre branquinhas, acabadas de sair da cordoaria.

06 outubro, 2017

A grande onda

A grande onda de Kanagawa

uma famosa xilogravura do mestre japonês Hokusai.Foi publicada em 1830. Nesta gravura observa-se uma enorme onda que ameaça um barco de pescadores, na província de Kanagawa, estando o monte Fuji visível ao fundo. Apesar da sua dimensão, esta onda pode não retratar um tsunami, mas uma onda normal criada pelo efeito do vento e das marés.
… E DEPOIS

Sou eu a brincar
Ana Kanagawa

05 outubro, 2017

Escada infinita

es
A escultura Escada Infinita foi desenhada por Olafur Eliasson e encontra-se em Munique, Alemanha.. A forma curva liga-se a si mesma, criando uma estrutura contínua que parece mais uma ilusão de óptica. Difícil de contemplar por um longo tempo sem ficar um tanto tonto, a escada de 9 metros parece estar indo para cima e para baixo ao mesmo tempo. Esta escada em espiral sem fim está localizada no exterior de um edifício da firma de contabilidade da KPMG, em Munique, na Alemanha, o que facilita os passeios ou dá um rápido treino nas pausas do almoço sem ter que se afastar muito.

23 setembro, 2017

AnimaiZ





 AnimaiZ
         Maria Amparo de Oliveira Rainha apresentou a sua nova obra “AnimaiZ”, destinada ao público infanto-juvenial, na tarde de 23 de setembro de 2017, no auditório do IPJ em Vila Real.
         Esta obra tem um título invulgar, já que aproveitou a palavra “animais” para esta simbolizar de A a Z relacionando-a com o conteúdo, expressando a ideia de dicionário. AnimaiZ é de facto um livro de poesia sobre animais e que vai de A a Z. 
          A poesia é rimada e ritmada, a maioria está construída em quadras, com uma linguagem concreta adaptada às exigências juvenis, motivando o imaginário e proporcionando um melhor conhecimento de cada espécie. Contém mensagens ecológicas e de protecção ambiental, descreve habitats, o sistema alimentar de alguns animais, alguns aspectos anatómicos e temperamentais, a sua locomoção, as migrações e a hibernação – os animais escolhidos são diversos, uns mais conhecidos do que outros.
         A ilustração é de Alcina Rabaço Gonçalves que tem ilustrado todos os livros da Amparo - este já é o terceiro. Neste livro a ilustração é muito realista, policromada, muito exuberante, alternando planos gerais com planos de pormenor, introduzindo numa dinâmica diferente em cada página, provocando conforto e curiosidade ao leitor. Cada página tem uma cor concordante com o colorido da ilustração.
         É muito interessante associar a poesia aos animais certamente vai fazer sucesso entre as crianças e jovens. Animais e crianças ou jovens é algo que combina bem. Qual é a criança que não gostaria de ter um animal de estimação? Todas gostariam. Quem fica insensível com momentos de ternura que alguns animais nos oferecem?
         A apresentação foi partilhada com a arquitecta Anabela Quelhas, que realçou a biografia da autora e a sua resiliência em escrever, sublinhou a sua determinação em ser professora, a forma de interagir com os pequenos leitores e divagou por uma serie de memórias que lhe suscitou o livro AnimaiS – de Einstein até Walt Disney, passando por Spilberg, Saramago, Luís Sepulveda e Albert Durer.
AQ


09 setembro, 2017

A BALLET STORY

Há espectáculos que são imperdiveis, Este é um deles.
‘A BALLET STORY’
VICTOR HUGO PONTES 

‘A Ballet Story’ tem como ponto de partida o bailado clássico ‘Zephyrtine’, de David Chesky. No entanto, não se trata da representação teatral ou da ilustração da história original, mas de um exercício de abstracção que parte do movimento dos corpos no espaço em articulação com a música. Não há contos de fadas, nem elementos do maravilhoso ou do fantástico. A moral é outra, o desenlace, diferente. Em ‘A Ballet Story’ não sabemos se a história se ajusta à música ou se a dança se ajusta à história. A narrativa será fabricada por cada espectador (ou não). Não se trata de uma articulação linear entre música, narrativa e dança, mas sim de um processo de influências mútuas e afinidades electivas que originam uma peça manipulável de modos diversos e, tanto quanto possível, inteira.

Numa coreografia que mistura sem complexos elementos do bailado, da dança contemporânea e do street dance, os sete intérpretes formam uma estranha tribo urbana, um grupo de seres talvez humanos, que vão ocupando a plataforma ondulada onde se encontram, num equilíbrio frágil entre o indivíduo e o colectivo. Não há contos de fadas, mas o ambiente permanece misterioso e intrigante do início ao fim.

Direcção artística: Victor Hugo Pontes
Música: David Chesky
Versão musical: Fundação Orquestra Estúdio, sob a direcção do Maestro Rui Massena
Cenografia: F. Ribeiro
Direcção técnica e desenho de luz: Wilma Moutinho
Intérpretes: André Mendes, João Dias, Joana Castro, Iuri Costa, Liliana Garcia, Marco da Silva Ferreira e Valter Fernandes.
Figurinos: Victor Hugo Pontes
Produção executiva: Joana Ventura
Co-produção: Nome Próprio, Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura
Apoio: Ao Cabo Teatro, Ginasiano Escola de Dança e Lugar Instável
Aqui fica para memória
https://www.youtube.com/watch?v=NsG7wkrk_18&feature=youtu.be