03 janeiro, 2017

O PARAÍSO

Como será o paraíso?
A maioria dos pintores imaginam-no e representam-no à semelhança da natureza do planeta Terra... o mundos animal, vegetal e mineral em consonância equilibrada. 
Para observar, reflectir e partilhar.

 Rubens
 Anónimo
 David Miller
 Chagall
 Firebolide
 El Bosco
 Peter Wenze
Gauguin
 Miguel Ângelo
Fátima Jorge
Tintoretto
Juan Sanchez

30 dezembro, 2016

100 anos de fotografia Leica

IMPERDÍVEL
FOTOGRAFIAS QUE DOCUMENTAM UM SÉCULO.
A maioria dos registos fazem parte da nossa cultura global.
Até 5/02/2017
Já fui ver 2 vezes.
Biblioteca Almeida Garrett, Palácio de Cristal no Porto.
Fiz registos rápidos e pouco rigorosos que servem apenas para lembrar mais tarde.



























15 dezembro, 2016

NO LARÓ


No Laró do Natal!
            Se há coisa que eu gosto de fazer é andar no “laró”- todos os motivos são bons, todas as oportunidades são únicas e irrepetíveis, invento razões mais ou menos bem elaboradas - portanto identifiquei-me de imediato com este livro do meu amigo António Caseiro Marques.
            Não sou dos lugares onde permaneço quase uma vida, apenas porque quem nasceu na savana africana, se orientou através do Cruzeiro do Sul e sentiu “a linha recta que é curva, lá para os lados da intersecção do Zulmarinho com o rio Kuanza” (inspiração J.C. Carranca), nunca mais será de sítio algum, entrando para o grande rol dos órfãos de terra, dos desterrados, dos angustiados ansiosos, dos cidadãos do mundo eternamente solitários e fora de órbita.  
(escrevi solitários, não escrevi sozinhos)
            Não sou uma caminheira de montanha, sou uma andarilha urbana, mas percebo o apelo à montanha que nos oferece esta obra. Essa massa gigantesca e telúrica, que existe desde sempre e permanece silenciosa, geologicamente supostamente estática (nada é estático! J), concebida sabe-se lá por quem, estratificada em camadas, algumas ainda desconhecidas,  veste-se superficialmente de formas policromadas diversificadas, belas, sempre renovadas, em constante mutação, estabelecendo um diálogo profundo, intimista e misterioso, com o António, mexendo com ele, tornando-o mais humano, mais sábio e mais divertido. O maciço, estrada irregular de gigantes, sem oceano à vista, que se converte no mar do nosso olhar, que nos espera sempre e não pára de nos surpreender, toca-o de sobremaneira como beirão de Carapito, de coração enorme, generoso, onde cabem muitos e outros lugares.
            Este livro, não o entendo como livro dos caminheiros de montanha, mas sim, um registo de sentires de quem gosta e investe no “laró” e na sua filosofia. Sim, porque o “laró” tem toda uma filosofia e uma ciência intrínsecas. O dicionário diz-nos que “laró” é sinónimo de não fazer nada, descanso, vida ociosa, sem trabalho…
            … quem acredita nisto?
            Quem anda no “laró” não descansa! Abandona o sofá e os chinelos, mete-se por caminhos íngremes, cultiva calos nos pés, vive tudo menos o ócio… Andar no “laró” exige preparação física, agilidade mental, racionalidade, capacidade de decisão e sensibilidade para realizar narrativas afectuosas para com o sítio e sobre os sítios - perfil exclusivo dos desassossegados que procuram saber sempre mais sobre este planeta azul. Deprimidos, acomodados, ociosos, conformados com a desgraça e de mal com a vida, nunca entenderão o matiz destes seres humanos.         
            E sobre o sítio….
“Começa-se sempre pelo sítio, quando se pretende contar algo contextualizado num lugar - aquela cruzinha que se faz no mapa para marcar um espaço, duas pequenas linhas concorrentes, que focam a nossa atenção, dividindo o sitio do resto do universo.
       O sítio será,
•     o espaço de permanência dos que habitam, a plataforma geológica, que sedentarizou aqueles seres humanos.
•     o território feito de vários lugares que permanece de geração em geração, fazendo a simbiose ente o passado e presente e onde os seus habitantes deixam a marca das suas existências.
•     o testemunho sempre renovável da história, das vivências  e dos sonhos dos Homens.”
In “O fato que nunca vestimos” de Anabela Quelhas

                        … este induz-nos a evocar os nossos próprios sentires de cada sitio que já olhámos, interpretámos e reservámos na nossa memória.
            Faltou um mapa desenhado pelo punho do autor – o mapa do “laró” renovado e aumentado.
            Para surpresa minha, verifiquei que entrei numa das suas descrições, o que me enche de orgulho, já que como verdadeira andarilha, gosto da partilha daquilo que conheço e sei, ajudando os amigos a sonhar comigo, replicando e multiplicando aquilo a que sou sensível.
            Para finalizar recordo e configuro o verdeiro amor que este senhor tem por Lisboa:
(em véspera de Natal, eu cheirando a aromas de pinhões, passas e canela, com a colher de pau numa mão e telemóvel na outra, confeccionando algo saboroso, que todos comem e choram por mais, no sítio mais perigoso do mundo: a minha cozinha…, de atenção recortada entre uma mesa geometricamente decorada, que acolheria duas dezenas de pessoas para consoar, a porta de entrada para a abrir, a campainha não parando de tocar, as gargalhadas dos mais pequenos já no quintal perguntando pelo Pai Natal, o polvo a fumegar, diversos pratos já repletos de manjares natalícios espalhados entre a sala e a cozinha … )
- Estouuu? como vai minha amiga?!!!! (voz inconfundível de alguém não ocioso e bem disposto, que sabe bem ouvir) Estou aqui junto ao Tejo, a olhar o Cais das Colunas, vendo as iluminações de Natal e lembrei-me de lhe ligar… sabe eu gosto muito de Lisboa, estudei aqui, volto sempre que posso… o rio, o Mar da Palha, a baixa pombalina, Alfama… réu catrapéu, patati, patatá, blá, blá, blá…
… no Laró do Natal! (que inveja! Inveja mesmo! no bom e no mau sentido)
(há poucos minutos chega uma mensagem…)
- Vamos buscar o Francisco. Só regressamos no domingo. Mande fotos de ontem. Ob bjs CM
(oh mais “laró”, ele não pára!)

Anabela Quelhas
Publicado em NVR