20 maio, 2017

CONVITE


CASA DE ANGOLA
LISBOA, 20 DE MAIO DE 2017
19H

CONVITE


Anabela Quelhas tem o prazer de convidar V. Exa para o lançamento do seu livro "O fato que nunca vestimos".
Anabela Quelhas, arquitecta e professora, aventura-se nos caminhos da escrita e brevemente apresentará o seu primeiro livro como escritora. Será um caminho novo entre vários que gosta de percorrer em simultâneo, arriscando criticas e comentários em contramão. O seu território são as artes plásticas, porém a sedução pelas palavras levam-na a ser ousada e criar uma trilogia autobiográfica de ensaios de escrita, da qual a primeira parte “O FATO QUE NUNCA VESTIMOS” será brevemente partilhada com a comunidade vila-realense, a 11 de Maio de 2017, pelas 21h15m no Centro Cultural Regional de Vila Real e com a comunidade angolana, no dia 20 de Maio de 2017, pelas 19h na Casa de Angola em Lisboa

10 maio, 2017

Mas que aventura é esta, Madame?



Mas que aventura é esta, Madame?

(Publicado em NVR)
            Deveria escrever sobre as eleições francesas, mas vou ser um pouquinho egoísta, egocêntrica, narcisista e escreverei sobre mim. Não é todos os dias que se publica um livro…
            A mala do meu carro está cheia de livros e agora tenho que lhes dar rumo, soltá-los no mundo. Publiquei o meu primeiro livro como escritora. Esta designação não me assenta bem, pois sou uma humilde aprendente da arte de escrever, que me tem encantado ao longo dos anos, sem estilo, fragmentada e em contramão. Costumo estar no lado dos desenhos, mas agora… Ser escritora sugere algo de profissional, que não sou. Não resisto a um desafio, tenho a mania de meter o nariz onde não sou chamada e não me intimido o suficiente, em percorrer caminhos que não domino.
            Enfim, sou mesmo assim!
            Poderia estar quietinha a viver a maturidade, sentada num sofá, olhando a televisão, fazendo tricot para olear as artroses das mãos, chupar rebuçados para a tosse, cortando os dias no calendário um após outro e queixando-me todos os dias, desta vida madrasta. Levaria uma vida mansa cheirando a mofo, mas santa, sem trambolhões, respirando todos os dias da mesma forma, conservando o batimento cardíaco na mediana, rezando a Deus para me manter a tensão arterial estável e substituindo as gargalhadas por um mero esgar dorido da mandíbula.
            Pois, mas essa não sou eu.
            Tenho uma mala cheia de livros de cor azul-cueca, com um título polissémico e uma fotografia minha, com rosto que oscila entre o desconfiado e o aborrecido, como se estivesse no tal sofá da vida mansa - fotografia de adolescente incompreendida em idade do armário, sempre a descobrir uma forma de questionar, de protestar contra tudo e contra todos-
            Tenho um filho maravilhoso, nunca plantei uma árvore, pois a botânica dá-se mal comigo e o livro não passa da primeira parte de uma aventura, que nem sei como irá terminar. O que dirão os verdadeiros escritores que muito respeito, deste “projecto de livro”?
            Nestes dias, permaneço meia obtusa, quando percebo que criei grandes expectativas naqueles que me estão próximos…. E agora? A responsabilidade cresce e desgasta. Sou assaltada pela insegurança. Onde arrumei os Kompensan? E se eles não gostarem? ou forem indiferentes, o que é muito pior? A obra deixará de ser minha e passará a ser pública. Cada um lerá e interpretará do seu jeito, que poderá não coincidir com o meu.
            Porque não criei mais um pseudónimo, que me assegurasse o anonimato, livrando-me deste desconforto que me acelera o ritmo cardíaco? Lá está o meu nome, a fotografia, a biografia e o conteúdo, multiplicados por muitos exemplares – todos seguidinhos azuis; á espera de destino. Não bastava um!!!…
            Socorro quero sair em andamento!!!!! Tirem-me deste filme!!!! Grito para mim mesma, nesta postura de conversar de mim para mim, olhando os livros agrupados em pacotes plastificados, aguardando decisões e apelando para o bom senso que emigrou da minha vida há muito tempo.
            Mas que aventura é esta, Madame? Meto-me em trabalhos e agora? Ando sem filtro, sem airbag, sem rede, sem cinto de segurança e estiquei-me demais…  
            E agora o que fazer com a adrenalina em excesso?
            - Coloco chapéu e óculos escuros e vou fingir que não me conheço. E os espelhos cá de casa?
            - Aproveito e vou de fim-de-semana para a Islândia durante 30 dias? Todos sabem que nunca fugirei para norte.
            - Invento doença contagiosa, daquelas de pintar a pele com bolhas gigantes? Certamente me irão esperar na saída do hospital
            - Salto da ponte? Colocar-me-ão um elástico à cinta e gritarão: SALTA! SALTA! S-A-L-T-A!
            Fazer o quê?
            - Transformar os livros numa bela escultura azul cueca?

“O fato que nunca vestimos”
No Centro Cultural e Regional de Vila Real, dia 11 de maio pelas 21h15m.

Vestirei coragem e lá estarei. J

09 abril, 2017

AGORA É TARDE!














Estava a 1000km de Vila Real e recebo três sms com a notícia da demolição da panificadora, e mensagens respectivas:
1 – Sem comentários
2 – Olha para isto!!! Quelhas, não fazes nada?
3 – Professora, perdemos a luta, rebentaram com a panificadora, não serviu de nada o trabalho que fizemos na escola.
Nem sei o que devo dizer/escrever e não ouso partilhar o que já me passou pelo pensamento.
Sinto-me triste.
Vila Real acaba de perder um edifício com algum valor arquitectónico e a culpa não é de ninguém, dizem. Nunca ninguém tem culpa de nada. Dizem que a culpa morre sempre solteira.
Se alguém pensa que um edifício de apartamentos será um ponto de atração para forasteiros virem visitar à cidade….
Se alguém pensa que um caixote qualquer pode gerar orgulho nos habitantes desta cidade…
Se alguém pensa que uma máquina a derrubar paredes dará brilho à nossa identidade…
….tstststst desenganem-se.
Não culpo o proprietário do edifício, seja um tal senhor da Régua ou seja a cadeia dos supermercados LIDL, ou seja quem for…. Até admiro a sua paciência e tolerância pela indefinição que certamente rodeia este investimento.
Sinto-me triste pela inercia das instituições, pelo “deixa andar” ao longo de 20 anos, dos que gerem a nossa cultura e o nosso património,  … mesmo sem dinheiro é possível fazer tanta coisa, entre as quais classificar, proteger, legislar e informar.
Não deveriam ser os cidadãos a propor a integração de determinado edifício como património, o IPPAR, a Secretaria de Estado da Cultura, as Câmaras Municipais e Juntas de freguesia, deveriam ter os seus territórios inventariados, evitando a revolta e a indignação dos cidadãos. As instituições estão cheias de arquitectos, engenheiros, economistas e a fina flor do conhecimento, e o q fazem?
Sabem, fico triste porque o Pioledo já não existe, os SLAT também não, a casinha dos azulejos da rua Visconde de Carnaxide cedeu espaço para a rotunda, a tasca do alemão fechou, o Excelssior eclipsou-se, o jardim da avenida foi decepado, os brasões estão esquecidos nas bordas de um jardim…  Sabem, fico triste, porque a seguir, serão as adufas que irão apodrecer, será a varanda renascentista que se irá desmontar, serão os brasões que irão perecendo em nome do progresso. Um dia cairá o coreto do jardim da carreira, o jardim será transformado em parque de estacionamento, o telhado da igreja de S. Dinis ruirá completamente, já ninguém saberá do Espadeiro e a casa de Diogo Cão passará a ter um chinês na máquina registadora. Nesse dia o Carvalho Araújo fará um manguito a esta cidade. Somos pobres, cada vez mais pobres, com a mania que somos os maiores.
Isto representa trinta anos de sucessivas asneiras e perdas.
Ah mas temos um LiDL, um Continente, um Shoping, um MacDonald, um teatro, um museu, rotundas e edifícios gigantescos que parecem caixotes fatiados, que tanto poderiam estar aqui como em qualquer ponto do planeta.


“Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) abriu agora o processo de forma “a impedir danos continuados no imóvel em vias de classificação”, informou este organismo, que considerou que o edifício está em risco.

AGORA É TARDE!!!!!

Sinto-me triste… uma tristeza que engloba dezenas de alunos, respectivas famílias, e alguns Vila-Realenses que acompanharam toda a tentativa de preservar o edifício.

- Bruno, confirmo, perdemos a luta, não serviu de nada o nosso trabalho.
- … e não faço nada, já fiz a minha parte e há um registo na net para quem quiser consultar.


Copio a parte final da minha acção (9/06/2014)
Avaliação
Este foi um tema muito oportuno para levar os alunos a pensar na sua cidade, despertando as suas consciências como cidadãos críticos e intervenientes e ampliando os seus conhecimentos culturais e estéticos.
Lancei este tema sem antecipar que seria desenvolvido em simultâneo com o desaparecimento do grande artista plástico. Tive o privilégio de provocar ainda os últimos sorrisos de Nadir ao comunicar-lhe o entusiasmo que rodeava este projeto de trabalho.
A minha tarefa termina aqui.
Relembrei à população de Vila Real, como é necessário estar atenta para conservar o seu património, divulguei a obra de Nadir Afonso e solicitei à Câmara Municipal a classificação da panificadora de Vila Real.
Fica aqui o registo de toda a dinâmica realizada.
Bem hajam a todos

Anabela Quelhas

21 março, 2017

Sendo dia de poesia


Sendo dia de poesia
            Sendo dia da poesia, escrevo em prosa e não em verso, para que a distinção se sinta nesta minha atitude ousada de insistir em juntar as palavras sem regra. Escrevo sem rima, sem métrica, sem estrofes, sem versos, ao meu ritmo e ao meu estilo, aventurando-me em território desconhecido e que não domino. Escrevo como vivo, um pouco em desalinho, um pouco em contramão, abrindo os canais das vivências interiores e dando-lhes forma, sem filtros, sem regras, ensaiando a liberdade plena que só os ignorantes praticam. Nem sempre distingo o verso da prosa. Para mim tudo o que dou um sentido mais estético e mais profundo, mais temperado com toda a ansiedade e carência afectiva que habitam em mim, é poesia.
            Gosto de poemar.
           Gosto de me expressar em linguagem intrigante, inquieta e misteriosa, que tenha impactos diversos para quem a lê ou quando se lê. Descubro-me só, nestes momentos mágicos da escrita, não conseguindo prever quando escrevo, o que escrevo e para quem escrevo. É uma aventura dialéctica que flui na primeira pessoa, como se fosse um auto-retrato primaveril, que me tranquiliza desenhá-lo e vive-lo, descobrindo sensações diversas no meu íntimo sentimental.
          Poemar é viver sempre na linha que divide o real do onírico, realçando o sublime e o simbólico, é ser capaz de dar brilho a encantamentos obscuros que desconheço em mim. É um grito imprevisto, é um gozo profundo, traduzidos numa linguagem feita de corpo e de alma, que pode ser doce, elegante, com fragância a jasmim, mas também pode ser agressiva e violenta, capaz de rasgar preconceitos, mover precipícios, derrubar muros e libertar lágrimas salgadas de mim. É melodia sem pauta, é dança com fogo, é geometria sem teoremas, é mar solto sem horizonte, é tempo intemporal e sem dimensão com perspectivas diversas.
            É ouro… é prata recortada de luar.

            Escrevo para quem?
                                   Mas tem de haver alguém no destino?
                                                           Escrevo para a terra vermelha, escrevo para um homem que não existe, escrevo para a paixão infinitamente trancada no meu coração, escrevo para quem se irmana comigo neste desespero desassossegado e profano de estar e não estar, escrevo para aqueles que acreditam no arco-iris, escrevo para o universo que me inclui e me respeita, vestida na minha reduzida dimensão.
In “Ensaios de escrita, um projecto sempre adiado” – Anabela Quelhas

18 março, 2017

Tulipeira da Virgínia

Ontem tive a honra de conhecer uma Tulipeira da Virgínia, com mais de 250 anos, a mais antiga de Portugal. Apresentaram-ma no Jardim do Museu dos Biscaínhos. É daquelas arvores em que são necessárias várias pessoas para a abraçar.
Sempre me sensibilizam árvores idosas. Permanecem silenciosas centenas de anos, testemunhando a história dos dias e das noites, conferindo cada pessoa que passa, cada afago, cada gesto ternurento dos casais apaixonados, absorvendo o riso das crinaças e constituindo abrigo e poiso da passarada.
Muito prazer em conhecer, Liriodendron Tulipifera.

AQ