10 janeiro, 2026
16 setembro, 2024
25 agosto, 2024
O SENHOR SWEDENBORG E AS INVESTIGAÇÕES GEOMÉTRICAS
Folheei na livraria e tive que comprar, pensando que seria uma obra de emoções e de espaço traduzido em geometria.
É um livro de conteúdo curioso, apresenta uma séria de pequenos desenhos geométricos e muito espaço em branco. Apeteceu-me sorrir, lembrando muita conversa irónico/cómica que por vezes tenho com uma amiga. Somos caústicas para aqueles que transformam a geometria simples em grandes teses de mestrado como se não tivessem existido geómetras desde a antiguidade, porém, apreciamos quem trata a geometria com delicadeza e criatividade.
Depois de ler algumas páginas, verifico de imediato como a prosa é polémica provocando o questionamento, a reflexão, o diálogo, a ironia e sobretudo estimula a imaginação. Só por isto já valeu a pena o investimento. Os temas são sérios, a saber: a sedução, o desejo, a depressão, o outro, a fraqueza, a memória, a desordem, a razão, o amor, o ser e o nada.
Se fosse escrito e desenhado por uma arquitecta (je) seria certamente diferente e talvez mais assertivo. Imagino a reacção de algumas pessoas, que as levaria à mais profunda fase de neurose e irritação ou a outras à mais iluminada plataforma da ignorância. Sim porque por vezes a ignorância grita, não disfarçável pela melhor maquilhagem.
É um livro para pessoas com raciocínio abstracto, tranquilas, criativas e inteligentes. Aconselho.
😂😂😂😂😂😂😂
22 agosto, 2024
VALENÇA LUNCH
Valença Lunch
Em dia de calor abafado sabe bem sentar dentro de muralhas e almoçar. Nos outros também, desde que a companhia seja boa.
O músico é companhia adicional quase rotineira. Hoje o prego no prato foi acompanhado por Dire Straits, Eric Clapton, George Harrison, Chuck Barry e outros mais que já não me lembro. Nothing else matters a medolia que me transporta para outras dimensões, e representa tantas situações.
Hoje foi bom. E no final sinto aquela preguiça modorrenta, em que não apetece levantar.
22 julho, 2024
07 julho, 2024
FRANÇA eleições
Hoje um amigo
escreveu AUJOURD´HUI, JE SUIS FRANCE, recordando como França entrou na vida
dele. Fez-me lembrar a minha ligação à cultura deste país. Tive 5 anos de
francês na escola, mais 3 de Alliance Française e uma revista pop mensal Salut
les Coupains. França passou a existir na minha vida assim, estudando e lendo
sobre o que se passava no mundo pop. Adoro Paris, tenho a planta das margens do
Sena na cabeça. Visitei Paris pela primeira vez, já um pouco tarde, mas voltei
outras vezes, sempre com agrado. Adoro a música e o cinema francês dos anos
60/70. La Nouvelle Vague produziu filmes inesquecíveis
Fã de Alain Delon, Belmondo, Yves Montand, Michel Picolli e
a maravilhosa Romy Schneider. François
Cevert e a sua morte trágica entristeceu muitas adolescentes.
Foi através da Mademoiselle X que eu entrei no mundo da BD,
Comovi-me a visitar a igreja Madeleine, muitas vezes
referida nos textos da disciplina de Francês.
A Ópera… a Ópera de Garnier, aquele sítio mais encantador do
mundo, que não me canso de rever fotografias e aconselhar visitas.
Li Paris dos anos 40
através de Sartre, Simone de Beauvoir, Camus e Boris Vian e já fez parte do meu
roteiros, Saint Germain e o café onde eles se reuniam. Em Montmartre, também
conhecido como o bairro dos pintores não falhei ao “coq au vin” na ultima
visita.
Paris e França é uma questão cultural para a minha geração, que nos une apesar das diferenças. Ou se tem, ou não se tem. Inexplicável.
Voltarei em breve, porque ainda há muito para revisitar e descobrir.
Paris, je t'aime.
Enfim, as eleições de hoje vão mexer com muita gente para além dos franceses.
A França decidirá perante o mundo se quer ser, ou não, republicana.
05 julho, 2024
PORTUGAL - FRANÇA
Lá dentro esperam pelo directo do euro 2024…
Eu sou mais piscina ao pôr-do-sol, olhar o Douro,
refrescar-me neste calor saboroso, viver a vida boa e mansa em boa companhia.
Uns fazem apostas, outros pintam-se de verde e vermelho, alguns rezam, evocando Deus como se ele não tivesse mais o que fazer. Colocam faixas, agitam bandeiras, partilham da fé do Paulo Futre, recordam Dani e o Pauleta que passam na TV, matam o calor com cerveja gelada e o ar condicionado. Estão ansiosos e risonhos sentados pelos vários sofás do salão. Um plasma gigante numa das paredes absorve o olhar esperançado de todos.
Boio e olho o céu imenso, deixo-me abraçar pela água, relaxada, livre, descomprimindo destes meses de stress, como se o umbigo do mundo fosse aqui. Sabe bem ultrapassar barreiras e viver o hoje. Desocupar o cérebro, fazer refresh na minha memória selectiva e deixar apenas a pele activa e sensitiva.
Acompanha-se a contagem decrescente com a chegada do CR7 ao estádio, oiço dizer. Splash, splash, splash em direção à pequena cascata com água mais fresca.
Os 50 mil adeptos estão do outro lado, nas bancadas, por
aqui posso contar apenas os socalcos das margens deste rio, que assistem aos
meus mergulhos numa piscina só para nós.
Portugal já está no relvado a aquecer.
Iremos ver ou não? eu sou mais água mergulhada, corpo refrescado, alma acariciada, silêncio e sorrisos. Chamam por nós, do outro lado do vidro panorâmico.
Ah, Oui, nous allons.
03 julho, 2024
PALAVRAS SOBRE A ALT
PALAVRAS SOBRE A ALT
Estive
um pouco recolhida devido a um problema de saúde e só agora tive acesso à obra
PALAVRAS DE LIBERDADE.
Devo registar novamente
o meu apreço pela dinâmica da Academia de Letras de Trás-os-Montes. Enviam-me
informações diariamente para o meu endereço electrónico, sobre o mundo
literário português, apresentações conferências, colóquios, prémios, festivais,
reuniões, o que exige um grande esforço de aproximação aos seus membros, por
parte da direcção. Isso é bom!
Nos dias de hoje, em
que a informação circula rápido e se desactualiza com a mesma rapidez, é
importante esta dinâmica, que se sente funcional, actualizada, activa e
criativa, a favor da literatura do século XXI. A nossa geografia de
interioridade exige esta forma de actuar, para não entrarmos numa bolha
bafienta, fechada, elitista, estática e ultrapassada. Para além da divulgação é
visível também o incentivo da produção literária com as suas coletâneas que abrem
espaço de divulgação aos autores transmontanos e à cultura, história das gentes
e do território. Os temas são bem pensados e este ano Abril era obrigatório.
Já todos conhecem
Torga, Bento da Cruz, Guerra Junqueiro, Pires Cabral, Rentes de Carvalho, Araújo
Correia, e as editoras têm porta aberta para as suas publicações. É só não
deixar esquecer. Os autores desconhecidos têm todas as portas fechadas, as
editoras não investem nas suas obras e assumindo essa inércia negativa ficarão
para sempre no mundo do desconhecido. A ALT com a criação de colectâneas anuais
contrariam essa tendência redutora, dando oportunidade e visibilidade a novos
talentos da escrita. Ficamos a saber quem são, o que escrevem e a
potencialidade oculta.
A colectânea sobre a
Liberdade contém textos de cerca de 60 autores a maioria não se conhece entre
si e juntando-os, passam a ter um sentimento de pertença e de identidade para
com a Academia, entre si e com esta geografia a nordeste. Se esta iniciativa
não existisse, cada um teria os seus papeis, os seus arquivos fechados ao
mundo.
Tenho imenso orgulho em
ter participado pela 3ª vez nesta iniciativa e contribuir um pouquinho para
ampliar as palavras sobre Abril. Inquieta-me bastante, as palavras fechadas em
arquivo, como já mencionei, apenas porque não têm sítio público para serem
partilhadas. Como leitora, sinto que perco conhecimento e mundos. Quantas
ideias e quanta sensibilidade escondida em autores invisíveis! Quantas vidas não
vivi! Quantas experiências deixei de conhecer.
Cada autor reúne a sua
sensibilidade afectada por diversas circunstâncias. Os 60 autores, de alguma
forma, constroem o pensamento do Homem Contemporâneo que fica assim perpetuado
com aroma de Abril e de montanha.
Publicado em NVR 3/07/2024
24 junho, 2024
Quadras de S. João
Com Gaia do outro lado
Festejamos o S. João
Sardinhas e sangria
Broa, como pão.
Não falta o manjerico
Nesta hora da ceia
A tua mão na minha
Até Cassiopeia
A cidreira e as plumas
Dão-me vontade de espirar
Vamos até à cascata
Para comemorar.
10 junho, 2024
faz 50 anos
FAZ 50 ANOS
De crisálida
a borboleta
Há
vinte e quatro horas, eu era uma adolescente alegre, despreocupada, feliz e
hoje transformo-me numa mulher. Despi a adolescência em Luanda, pouco antes de
entrar no Aeroporto Craveiro Lopes, com destino a Lisboa, já sem esperança de
regresso breve. Abandono essa fase de transição da vida e adquiro competências
rápidas para aceder à maturidade social.
Entro
na idade adulta, tal como uma crisálida que se transforma em borboleta, da
noite para o dia, encurtando preguiças, dúvidas juvenis, inseguranças,
rebeldias e acelerando a autonomia, a tentativa de um maior discernimento e responsabilidade da maturidade.
É
nesse estado do meu desenvolvimento holístico que entro no avião, desconhecendo
onde me levará esta metamorfose activa que levo comigo.
Tento
resistir ao choro. Não entendo esta retirada precipitada, desconheço razões que
justifiquem a determinação do pai em sair e não voltar a Luanda, após as
férias. Despedi-me da minha cidade, contrariada, receando nunca mais ver os
meus amigos. Nasci e vivi em Luanda os últimos anos. Sete anos, os melhores
anos da minha vida, com o desabrochar da minha personalidade, da minha
rebeldia, o desenho das minhas convicções e valores, numa cidade encantada,
cheia de contradições e de assimetrias, mas motivadora, exuberante, apostada em
crescer e em desenvolver o potencial de um território.
Após
a ceia servida a bordo, já passa da meia-noite, os pais tentam dormir. Fingimos
dormir. De olhos fechados, penso em tudo que se passou nestas últimas vinte quatro
horas e a despedida inesperada da cidade de Luanda, determinada pelo pai, mês e
meio após a Revolução dos Cravos[1].
Luanda parecia serena e tranquila, reinava a paz em todas as ruas, porém, o pai
considerou que retirar a família para a Metrópole, agora, é a decisão mais
sensata e assertiva.
Fingimos
dormir. Sim, fingimos. Como alguém poderá dormir vivendo este trambolhão
impensado? Ao contrário das outras viagens de avião, não me interessa em que
lugares viajamos, se vou ou não à janela, nem presto atenção a ninguém. Faço um
balanço da minha vida e das inseguranças que me invadem nestas últimas horas,
de olhos fechados tento controlar a minha respiração, tornando-a aparentemente
regular, cadenciada e serena. Sinto que parte da minha vida foi amputada sem eu
perceber as razões, e esta ferida marcar-me-á para a vida. Não me matará, mas
irá moer-me toda a vida sem escolher hora ou local.
Não
consigo projectar-me no futuro, prever o que acontecerá em Setembro, quando se
iniciar um novo ano lectivo, e como me irei organizar. A caminho do aeroporto,
o meu pai deu indicações precisas à minha irmã que ficou em Luanda, para ir ao liceu,
obter o meu certificado de habilitações do 6º ano / 1º ano do Curso Complementar
e enviar com urgência para a Metrópole.
Vou
dormitando por cansaço, encostada ao braço do pai, ou melhor dizendo, o sono
tropeça em mim ao longo da noite. A minha cabeça parece um labirinto de ideias
e situações que me empurram para este amadurecimento repentino e prematuro, que
se traduz anatomicamente, num brutal nó na garganta. Apesar de contrariada, ainda
no interior do avião, decido não pressionar os pais com o regresso a Luanda.
Esta mudança repentina na nossa vida, deve ser ainda mais penosa e complexa
para eles, que já têm cinquenta anos e grandes responsabilidades. Aguardarei
serenamente, tentarei não criar conflitos, fingirei até algum entusiasmo para
que não se preocupem comigo. Terei de aprender a digerir tudo sozinha. Serei
uma óptima aluna para fazer o meu curso rapidamente, se o pai conseguir
suportar as despesas, confio que sim.
Chegamos
a Lisboa, sem grandes conversas, uma viagem inundada por mutismo e pessimismo.
Esta viagem não se reveste de alegria nem de entusiasmo, como todas as
anteriores, em que eu exteriorizava por excesso, a minha adolescência divertida
e irónica. A minha metamorfose despe-se de amigos e conhecidos, recheando-me de
um grande vazio existencial e revolta, sem saber o que será o meu futuro e o da
minha família e o que faço ao passado. Parece-me que dispo uma túnica leve e
fresca e visto uma camisa-de-forças, contendo-me, apertando-me e sufocando-me. Não
me foi dado poder de decidir sobre ficar ou partir, porque apenas tenho dezasseis
anos e não sou autónoma.
Em
Lisboa, não vejo militares nas ruas, nem cravos nas mãos das pessoas, como eu
imaginava, vejo cerejas, lá estão elas na rua a vender, tudo parece normal, com
mais animação transpirada em frases escritas em paredes, apelando à Revolução
de Abril. O entusiasmo de algumas pessoas contrasta com o nosso constrangimento,
a nossa contenção, os nossos sucessivos nós na garganta. Os táxis continuam a
cheirar a combustível, a estofo mal lavado e o rosário continua pendurado no
espelho retrovisor, a oscilar a cruz durante a viagem. Lisboa continua
movimentada e parece-me iluminada já pela luz do Verão. Oiço uma carrinha com
um megafone a percorrer as ruas perto do aeroporto, emitindo uma canção que
apela à revolução e anuncia um comício.
Tomamos
a rota da aldeia transmontana onde os pais nasceram, onde estão as origens da
nossa família e onde conservam uma casa adquirida pelos pais no pós-guerra.
Vivi nessa aldeia alguns anos da minha infância e nas férias dos últimos quatro
anos.[2] Este
ano não é igual, não sinto ansiedade, nem alegria, ao pensar no reencontro
familiar. Sinto peso na alma, como se carregasse um fardo de toneladas de
saudades, que já se manifestam, recentes e densas e que me asseguram tristezas
futuras, amanheceres apáticos e entardeceres melancólicos.
Passamos por Coimbra para ver a
minha irmã mais velha que estuda História, na Universidade. Coimbra mantém o seu ambiente estudantil.
“Nem
mais um soldado para a Guiné”, vejo escrito junto às Escadas Monumentais.
Dirigimo-nos para a Rua da Matemática, junto à Real República dos Corsários das
Ilhas. Agora é diferente das outras vezes. Os meus pais expressam cansaço e
desânimo, apesar da alegria do reencontro com a minha irmã. Não conversamos
sobre ontem, sobre a despedida nocturna da cidade de Luanda. Esta é uma
cumplicidade silenciosa que guardaremos para sempre no interior do nosso
coração. Falamos do crescimento da minha sobrinha pequenina, que ficou em
Luanda, sobre as suas primeiras palavras e as suas travessuras. Falar sobre uma
criança sempre dá cor aos diálogos, pacifica a nossa mágoa e imprime alguma
esperança no futuro.
.10 de Junho de 1974 - a
revolução aconteceu há menos de dois meses e está viva na memória de todos. As
cerimónias fascistas realizadas no Dia da Raça, em anos anteriores, para
exaltar o Portugal do Império Colonial, fizeram, este ano, uma pausa para
ajustar reflexões e procedimentos, coordenados com a revolução e com o Portugal
democrático.
09 junho, 2024
25 abril, 2024
20 janeiro, 2024
17 janeiro, 2024
06 dezembro, 2023
ANTECIPANDO
Obviamente no Porto e aqui - tomar o p.a. com essa vista maravilhosa, mesmo que chova ou faça sol.
Um local com tantas memórias.
Hotel D. Henrique, Porto
25 novembro, 2023
ORANGE THE WORLD
Os valentões que gostam de andar ao
pontapé e ao chapadão, devem escolher parceiro que possa devolver no dobro a
dose de violência. Caso contrário, qual é a piada? Quando um homem bate numa mulher desceu ao
degrau mais baixo da cidadania e da boçalidade. Pode ter toda a razão do mundo,
mas perde-a no acto animalesco que é bater em alguém fisicamente mais frágil.
Na nossa sociedade, infelizmente,
anda muito instinto violento disfarçado de homens aparentemente decentes, com
quem cruzamos na rua, que encontramos no local de trabalho, que se sentam ao
nosso lado no metro, porém, em algum momento das suas vidas deixam de ter
controle do seu instinto e assumem a sua inteligência fraquinha e a sua
personalidade nojenta.
Os especialistas constatam que não
existe um perfil típico do agressor e que há vários tipos de violência, mesmo
assim, a existência de diferentes tipos de agressores não significa que algumas
formas de maus-tratos não sejam graves e condenáveis. O facto da violência de
um homem ser menos frequente ou menos intensa do que a de outro, não torna o seu
comportamento justificável. Não existe violência “aceitável”. E quem bate uma
vez, bate duas ou três.
Aquela justificação primária “perdi a
cabeça” é a justificação mais imbecil que conheço. Quando perdem a cabeça,
fustiguem-se, bebam azeite a ferver, pendurem-se do lado exterior da varanda,
será o melhor exemplo que podem dar aos seus filhos ou à sua família.
Mas porque é que os homens agridem as
mulheres que lhe são próximas? Porque querem afirmar a sua suposta superioridade,
porque não suportam ser contrariados, porque lhes falta poder de argumentação, inteligência
emocional, porque fazem renascer o seu machismo vil e bafiento (fico-me pelas
palavras mais bonitas e aquelas que a minha educação permite).
Orange the world – movimento
internacional que combate a violência contra as meninas e as mulheres - 25 de novembro de 2023.
“A violência contra as mulheres e
doméstica é uma grave violação dos direitos humanos e uma forma de
discriminação com impacto não apenas nas vítimas, mas na sociedade no seu
conjunto.(…)
A Convenção de Istambul reconhece que
a violência contra as mulheres e a violência doméstica é um problema de saúde
pública, assim como educacional, social, de segurança e criminal – assumindo
diversas formas, como a violência doméstica – onde se inclui a violência no
namorou a mutilação genital feminina.” (…)
https://www.cig.gov.pt/area-portal-da-violencia/enquadramento/
“Se precisar de ajuda ou tiver
conhecimento de alguma situação de violência doméstica, envie uma mensagem para
a Linha SMS 3060 ou ligue 800 202 148. Esta linha é gratuita, funciona 7 dias
por semana, 24 horas por dia.”
02 agosto, 2023
03 junho, 2023
Deixo-te uma rosa amarela.
Saía de mansinho na hora da sesta dos meus pais e pela rua de baixo chegava a casa dos meus primos.
Subia a escada
a correr para saber se o Lino ainda estava. Tinha que aproveitar a hora do
almoço, na pausa da oficina. Ele terminava o almoço, passava a mão pelo cabelo
comprido e ruivo, e dizia-me:
- Vamos lá?
A minha tia,
fazia de conta que não entendia. Sempre tão ansiosa e preocupada, com tudo,
fingia que desconhecia as nossas rebeldias em cima de um motor e duas rodas.
O meu tio
Manuel recostava-se no escano e sorria.
Descíamos a
escada rapidamente, esperava que subisses na mota amarela e que a tirásses do
descanso, e depois subia eu de pendura.
Arrancavas
serenamente, apenas destravando a mota, aproveitando o declive da rua e já
junto à fonte, soltavas o escape e começava a sensação boa dos cabelos ao vento
de nós os dois cavalgando a estrada. Percorríamos algumas ruas até chegar
estrada nacional, e aí mergulhávamos na sensação boa da velocidade até Balsa, Parada
do Pinhão, Lamares ou até outro lugar qualquer. Fazíamos cada curva bem
inclinados e sincronizados para favorecer a condução. Iria contigo até ao
infinito. A brisa fresca da deslocação do ar, a vertigem da velocidade e o desafiar
o perigo criava uma adrenalina gostosa inesquecível. Dura até hoje na minha
memória.
Hoje farias
anos, e eu sinto apenas saudades, porque ainda não pensei bem no assunto que já
cá não estás. Deixo-te uma rosa amarela.
Saía de
mansinho na hora da sesta dos meus pais e pela rua de baixo chegava a casa dos meus
primos.
Subia a escada
a correr para saber se o Lino ainda estava. Tinha que aproveitar a hora do
almoço, na pausa da oficina. Ele terminava o almoço, passava a mão pelo cabelo
comprido e ruivo, e dizia-me:
- Vamos lá?
A minha tia,
fazia de conta que não entendia. Sempre tão ansiosa e preocupada, com tudo,
fingia que desconhecia as nossas rebeldias em cima de um motor e duas rodas.
O meu tio
Manuel recostava-se no escano e sorria.
Descíamos a
escada rapidamente, esperava que subisses na mota amarela e que a tirásses do
descanso, e depois subia eu de pendura.
Arrancavas
serenamente, apenas destravando a mota, aproveitando o declive da rua e já
junto à fonte, soltavas o escape e começava a sensação boa dos cabelos ao vento
de nós os dois cavalgando a estrada. Percorríamos algumas ruas até chegar
estrada nacional, e aí mergulhávamos na sensação boa da velocidade até Balsa, Parada
do Pinhão, Lamares ou até outro lugar qualquer. Fazíamos cada curva bem
inclinados e sincronizados para favorecer a condução. Iria contigo até ao
infinito. A brisa fresca da deslocação do ar, a vertigem da velocidade e o desafiar
o perigo criava uma adrenalina gostosa inesquecível. Dura até hoje na minha
memória.
Hoje farias anos, e eu sinto apenas saudades, porque ainda não pensei bem no assunto que já cá não estás. Deixo-te uma rosa amarela.

















