30 novembro, 2008

Modelos de avaliação

Avaliação de Professores em Portugal
Onde se inspirou o governo português para conceber um modelo de avaliação tão burocrático? Em declarações ao órgão de propaganda do PS a ministra da educação afirma que se inspirou em modelos de avaliação existentes na Inglaterra, Espanha, Holanda e Suécia (Março de 2008). Os professores destes países negam tal afirmação. O modelo que maiores semelhanças tem com o português é o chileno, mas seja mesmo assim menos burocrático.Estamos pois perante o sistema de avaliação mais burocrático do mundo, e que fomenta o fim do trabalho cooperativo nas escolas. Não admira que ao aperceber-se da gravidade do problema, o próprio ME tenha vindo a apelar para que cada escola simplifique o sistema, criando desta forma uma disparidade.
Avaliação de Professores na Alemanha
1. Categorias. Não existe qualquer categoria similar à de professor titular. Apenas existem quadros de escola, tal como existia em Portugal.2. Aulas Assistidas: Acontecem durante o período de formação e depois de 6 em 6 anos. A aula tem a duração de 45 minutos e é assistida pelo chefe da Direcção escolar. Essa assistência tem como objectivo a subida de escalão. Depois de atingido o topo da carreira, acabaram-se as aulas assistidas e não existe mais nenhuma avaliação.3. Horários dos Professores. Não existe diferença entre horas lectivas e não lectivas. Os horários completos variam entre 25 e 28 horas semanais.4. Avaliação de Alunos. As reuniões para efeito de avaliação dos alunos têm lugar durante o tempo de funcionamento escolar normal, nunca durante o período de interrupção de actividades ou de férias. Tanto na Alemanha como na Suíça, França e Luxemburgo, durante os períodos de férias as escolas encontram-se encerradas. Encerradas para todos, alunos, pais, professores e pessoal de Secretaria. Os alunos e os professores têm exactamente o mesmo tempo de férias.Não existe essa dicotomia idiota entre interrupções lectivas, férias, etc.5. Horários escolares: Nas escolas de Ensino Primário as aulas vão das 8.00 às 13 ou 14 horas. Nos outros níveis começam às 8 .00 ou 8.30 e terminam às 16.00 ou, a partir do 10° ano,às 17.00.6. Férias: cerca de 80 dias por ano, embora possa haver ligeiras diferenças de Estado para Estado.7. Máximo de alunos por turma: 22
Avaliação de Professores na Suíça
1. Categorias. Não existe qualquer categoria similar à de professor titular. Apenas existem quadros de escola (Professores do quadro).2. Aulas Assistidas: Estas aulas só ocorrem durante a formação e para a subida de escalão.3. Férias. As escolas durante o período de férias estão encerradas. Total de dias de férias: cerca de 72 (pode haver diferenças de cantão para cantão) .4. Os horários escolares: Idênticos aos da Alemanha. Até ao 4° ano de escolaridade, inclusive, não há aulas de tarde às quartas-feiras, e terminam cerca das 11.30.5. Máxima de alunos por turma: 22.
Avaliação de Professores na Bélgica
1. Categorias. Não existe qualquer categoria similar à de professor titular. Apenas existem quadros de escola (Professores do quadro).2. Aulas Assistidas. As aulas Assistidas só ocorrem quando são solicitadas pela direcção da escola, mas não contam para efeitos de progressão dos docentes.3. Avaliação das Escolas. A avaliação dos professores está englobada na avaliação das escolas. Avalia-se o trabalho da escolas, e desta forma o trabalho dos professores que nelas exercem a sua actividade.

Avaliação de Professores na Inglaterra e País de Gales
1. Categorias. Os professores do ensino público estão divididos em função de duas categorias salariais: A Tabela Salarial Principal (dividida em 6 níveis) e a Tabela Salarial Alta (dividida em 3 níveis).2. Avaliação. A progressão nas tabelas depende dos resultados da avaliação contínua e que envolve o director da escola, o conselho directivo e os "avaliadores de "performance".
Avaliação de Professores em França
1. Categorias. Não existe qualquer categoria similar à de professor titular.2. Aulas assistidas. As aulas assistidas só ocorrem no mínimo de 4 em 4 anos, a regra é de 6 em 6 anos, e são observadas por um inspector com formação na área do professor. O objectivo destas aulas é essencialmente formativo, tendo em vista ajudar os professores a melhorar as suas práticas lectivas.3. Progressão na carreira. Para além da antiguidade, são tidos em conta os resultados da observação das aulas e as acções de formação frequentadas pelos professores.
Avaliação dos Professores em Espanha
1. escentralização. A única legislação nacional que existe sobre avaliação dos professores e sistemas de promoção contemplam apenas o ensino básico. Cada "Comunidade Autonómica" estabelece os seus próprios critérios para a progressão dos professores.2. Avaliação. Embora não existam progressões automáticas, na maioria dos casos as mesmas são feitas com base na antiguidade.

Avaliação de Professores nos EUA
1. Descentralização. Cada um dos 13 mil distritos escolares tem os seus próprios critérios de recrutamento, de carreira, avaliação de desempenho, promoção ou de pagamento.2. Avaliação. Não existe um sistema único de avaliação. Nos distritos onde existe avaliação, esta pode ser feita pelo director da escola ou entre os próprios professores.3. Progressão. Em geral os aumentos salariais são feitos em função do tempo de serviço.
Avaliação de Professores no Chile
O Ministério da Educação de Portugal terá copiado o modelo chileno de avaliação ?. ( Consultar ) . Estes modelos foram já objecto de uma comparação muito elucidativa das suas semelhanças e diferenças.Comparação - Modelo de Avaliação Português / Modelo de Avaliação ChilenoPeriodicidade1. A avaliação global é feita de 2 em 2 anos.2. A avaliação serve sobretudo para contagem de serviço para a progressão na carreira (existem cotas para a categoria de titulares).1. A avaliação é feita de 4 em 4 anos.2. A avaliação serve sobretudo para premiar financeiramente os melhores desempenhos, os quais pode ir até 25% do salário mínimo nacional chileno (não existem cotas para estes prémios).Instrumentos de Avaliação1. Fichas de auto-avaliação do professor;2. Ficha dos objectivos individuais de cada professor;3. Ficha de avaliação dos objectivos individuais do professor;4. Portefólio do professor5. Avaliação do portefólio do professor avaliado;6. Entrevista pelo professor avaliador. Implica o preenchimento de ficha de avaliação.7. Avaliação pelo coordenador do Departamento Curricular. Implicando o preenchimento de ficha de avaliação).8. Avaliação pela Comissão Executiva (Director). Implica o preenchimento de ficha de avaliação).9. Assistência do avaliador a pelo menos 3 aulas em cada ano lectivo. Implica o preenchimento de 3 fichas de avaliação.1. Fichas de Auto-avaliação;2. Avaliação do director ou do chefe técnico da escola;3. Portfólio, que inclui a gravação em vídeo de uma aula, de 4 em quatro anos;10. Entrevista pelo professor avaliador;
Níveis de Desempenho e Resultados da Avaliação1. Excelente (com cota fixada pelo governo). Duas vezes seguidas reduz em quatro anos o tempo de serviço para acesso à categoria de titular; Quatro vezes seguidas dá direito a prémio de desempenho.2. Muito Bom (com cota fixada pelo governo). Duas vezes seguidas reduz 2 anos o tempo;3. Bom. Classificação mínima necessária para progredir.4. Regular. Não progride. Proposta de acção de formação contínua;5. Insuficiente. Não progride. Pode determinar a reconversão profissional.
Resultados da Avaliação1. Destacado ou Competente. Recebe um abono suplementar mensal. O abono dura três e quatro anos.2. Insatisfatório. Repete a avaliação no ano seguinte. Se na segunda avaliação tiver o mesmo resultado e deixa de dar aulas, durante um ano. Se tiver uma terceira avaliação negativa sai da carreira, mas recebe um abono.Nota:Esta informação é a verdade, sem demagogias e não serve para caçar votos. Envia-a ao maior número de colegas possível, seguindo o princípio que indivíduo informado vale por dois.Não nos podemos deixar enganar !!!

Como somos o País mais atrasado da Europa, serve tudo isto para manter a ignorância que permite fazer perdurar o PODER!

Mais uma vez











29 novembro, 2008

A nova oportunidade que a ministra não pode ter


Quando a ministra da Educação ensaiou as primeiras arremetidas de destruição massiva da escola Pública, muitos elogiaram a "determinação" e até o presidente da República lhe deu suporte expresso.

Quando os primeiros protestos surgiram, muita imprensa os silenciou e vários comentaristas os depreciaram.

Quando os professores e os seus sindicatos disseram que o modelo de avaliação do desempenho era inexequível, para além de inaceitável, o primeiro ministro veio à liça, mentiu e lançou lama sobre os professores.

Quando os 100.000 saíram à rua, o país interrogou-se.

Quando a plataforma sindical assinou o memorando para salvar as escolas e o caos em que o fim do ano lectivo de então estava mergulhado, a ministra salvou-se.

Quando a ministra respondeu agora, cínica e autista, aos 120.000 que lhe disseram não, condenou-se.

Não pode ter segunda oportunidade.

O país está hoje esclarecido. Foram três anos de tempo perdido, de retrocesso, de injustiças, de atropelos à lei e a aquisições civilizacionais básicas. É tempo de fazer o que tem que ser feito e não ceder. As falsas vestais já se movem, seráficas, em beatíficos apelos à paz. Mas quem fez a guerra e a perdeu é que tem que ceder. Não deve ceder a força da razão. Deve ceder a razão da força.

Os professores não devem ter medo das ameaças.

É complicada a situação que se criou? Sócrates está numa encruzilhada? Pois que se saia dela sem que os professores lhe abram o trilho da retirada. A execução deste modelo de avaliação do desempenho tem que ser suspensa e o nado enterrado.

Ouvi Cavaco Silva, na abertura do ano lectivo da Escola Naval, dizer: "O meu apelo é este: que cada um faça um esforço para que a tranquilidade e a serenidade regressem às escolas. Pelo menos para desanuviar esta situação que existe de alguma tensão no sector." A inflexibilidade do primeiro ministro e a bonomia do apelo à "serenidade de todos" devem-se entender nas reuniões da boa coexistência institucional de Belém. Mas não devem influenciar a determinação dos professores e dos seus sindicatos.

A contenção que o presidente da República advoga é por vezes difícil de entender. Por exemplo, e para não nos afastarmos no tempo, independentemente da razão que julgo assistir-lhe, não foi contido no caso do estatuto dos Açores, que motivou até uma comunicação ao país. Mas já foi magnanimemente contido quando Alberto João lhe fechou a porta da Assembleia Regional e se remeteu a um silêncio ensurdecedor a propósito das diatribes que se seguiram à exibição do símbolo nazi.

Devem os professores reflectir sobre isto e preparar-se para os passinhos de lã que, em nome dos interesses do Estado, se começam a ensaiar. Não pode haver segunda oportunidade. Capitula quem perdeu. Não capitula quem ganhou.
Crónica de Santana Castilho

28 novembro, 2008

Sempre actual - Eça de Queirós

Enviado por uma colega e amiga.

É bem verdade é a primeira vez que se faz uma negociação de algo definitivo. O ministério da educação envia para as escolas as orientações do simplex, e depois vai negociar, kiakiakia.

Não sei se benzina chegará....

26 novembro, 2008

25 novembro, 2008

GOLCONDA


Golconda (em francês, Golconde) é uma pintura a óleo sobre tela realizada pelo surrealista belga René Magritte, pintado em 1953.

Pertence à colecção Menil coleção, em Houston, Texas.

A pintura representa uma cena de homens vestidos forma idêntica, com sobretudos escuros e chapéus coco, que parecem estar flutuando ou descendo como balões hélio (embora não haja indícios reais de movimento), num cenário de edifícios e céu azul.
É bem-humorado, mas com uma óbvia crítica das pretensões de individualidade convencional.
Quando olho para esta cena fica-me a impressão de um padrão humano, ilusão que se desfaz depois de um olhar mais atento.
A chuva de homens de dimensões diferentes, e que são diferentes traduzem de facto a ideia de “todos iguais, mas todos diferentes.
A toilete do homem, colagem do próprio Magritte, é uma composição de modelo de “alfaiate masculino” belga e procura o contraste surreal entre o real tão bem representado e o imaginário, vizinho do ilusório, expressando bem a falsidade da representação.
O seu trabalho vive sempre duma dualidade profunda, exigindo um esforço de interpretação da parte do observador, revelando assim a genialidade do autor.

Curiosidade:

O título Golconda foi encontrado por seu amigo poeta Louis Scutenaire. Golconda é uma cidade arruinada no estado de Andhra Pradesh, na Índia perto de Hyderabad, que desde metade do sec XIV até ao fim do séc XVII era a capital de dois reinos sucessivos; a fama que adquiriu através sector diamantífero foi tal que o seu nome continua a ser, de acordo com o Dicionário Oxford Inglês ", um sinónimo de 'mina de riqueza'."

(não percebo qual a relação)

24 novembro, 2008

23 novembro, 2008

Parti

(clique para ampliar)

22 novembro, 2008

Horário dos professores, afinal

"Deve ser lido por todos……os portugueses que opinam sem se informarem (...) afirmam que os professores descansam no Natal, no Carnaval, na Páscoa e no Verão, (esqueceu-se de mencionar que também descansamos aos fins-de-semana). "
Vamos lá pegar no lápis para fazer contas!
"O horário semanal de trabalho do professor é 35 horas. Dessas trinta e cinco, 11 horas (em alguns casos até são apenas dez) são destinadas ao seu trabalho individual, que cada um gere como entende. As outras 24 horas são passadas na escola, a leccionar, a dar apoio, em reuniões, em aulas de substituição, em funções de direcção de turma, de coordenação pedagógica, etc., etc.
Bom, centremo-nos naquelas 11 horas que estão destinadas ao trabalho que é realizado pelo professor fora da escola (já que na escola não há quaisquer condições de o realizar): preparação de aulas, elaboração de testes, correcção de testes, correcção de trabalhos de casa, correcção de trabalhos individuais e/ou de grupo, investigação e formação contínua.
Agora, vamos imaginar que um professor, a quem podemos passar a chamar de Simplício, tem 5 turmas, 3 níveis de ensino, e que cada turma tem 25 alunos (há casos de professores com mais turmas, mais alunos e mais níveis de ensino e há casos com menos - ficamos por uma situação média, se não se importar). Para sabermos o quanto este professor trabalha ou descansa, temos de contar as suas horas de trabalho.
Vamos lá, então, contar:
1. Preparação de aulas: considerando que tem duas vezes por semana cada uma dessas turmas e que tem três níveis diferentes de ensino, o professor Simplício precisa de preparar, no mínimo, 6 aulas por semana (estou a considerar, hipoteticamente, que as turmas do mesmo nível são exactamente iguais -- o que não acontece -- e que, por isso, quando prepara para uma turma também já está a preparar para a outra turma do mesmo nível). Vamos considerar que a preparação de cada aula demora 1 hora. Significa que, por semana, despende 6 horas para esse trabalho. Se o período tiver 14 semanas, como é o caso do 1.º período do presente ano lectivo, o professor gasta um total de 84 horas nesta tarefa.
2. Elaboração de testes: imaginemos que o prof. Simplício realiza, por período, dois testes em cada turma. Significa que tem de elaborar dez testes. Vamos imaginar que ele consegue gastar apenas 1 hora para preparar, escrever e fotocopiar o teste (estou a ser muito poupado, acredite), quer dizer que consome, num período, 10 horas nestetrabalho.
3. Correcção de testes: o prof. Simplício tem, como vimos, 125 alunos, isto implica que ele corrige, por período, 250 testes. Vamos imaginar que ele consegue corrigir cada teste em 25 minutos (o que, em muitas disciplinas, seria um milagre, mas vamos admitir que sim, que é possível corrigir em tão pouco tempo), demora mais de 104 horas para conseguir corrigir todos os testes, durante um período.
4. Correcção de trabalhos de casa: consideremos que o prof. Simplício só manda realizar trabalhos para casa uma vez por semana e que corrige cada um em 10 minutos. No total são mais de 20 horas (isto é, 125 alunos x 10 minutos) por semana. Como o período tem 14 semanas, temos um resultado final de mais de 280 horas.
5. Correcção de trabalhos individuais e/ou de grupo: vamos pensar que o prof. Simplício manda realizar apenas um trabalho de grupo, por período, e que cada grupo é composto por 3 alunos; terá de corrigir cerca de 41 trabalhos. Vamos também imaginar que demora apenas 1 hora a corrigir cada um deles (os meus colegas até gargalham, ao verem estes números tão minguados), dá um total de 41 horas.
6. Investigação: consideremos que o professor dedica apenas 2 horas por semana a investigar, dá, no período, 28 horas (2h x 14 semanas).
7. Acções de formação contínua: para não atrapalhar as contas, nem vou considerar este tempo.Vamos, então, somar isto tudo:
84h + 10h + 104h + 280h + 41h + 28h = 547 horas.
Multipliquemos, agora, as 11horas semanais que o professor tem para estes trabalhos pelas 14 semanas do período: 11h x 14 = 154 horas.
Ora 547h - 154h = 393 horas.
Significa isto que o professor trabalhou, no período, 393 horas a mais do que aquelas que lhe tinham sido destinadas para o efeito.
Vamos ver, de seguida, quantos dias úteis de descanso tem o professor no Natal.
No próximo Natal, por exemplo, as aulas terminam no dia 18 de Dezembro. Os dias 19, 22 e 23 serão para realizar Conselhos de Turma, portanto, terá descanso nos seguintes dias úteis: 24, 26, 29 30 e 31 de Dezembro e dia 2 de Janeiro.
Total de 6 dias úteis.
Ora 6 dias vezes 7 horas de trabalho por dia dá 42 horas.
Então, vamos subtrair às 393 horas a mais que o professor trabalhou as 42 horas de descanso que teve no Natal, ficam a sobrar 351 horas.
Quer dizer, o professor trabalhou a mais 351 horas!!
Isto em dias de trabalho, de 7 horas diárias, corresponde a 50 dias!!!
O professor Simplício tem um crédito sobre o Estado de 50 dias de trabalho. Por outras palavras, o Estado tem um calote de 50 dias para com o prof. Simplício.
Pois é, não parecia, pois não? (...)"

21 novembro, 2008

Para descontrair

SIMPLEX II

Não queremos um modelo cheio de remendos, queremos um modelo coerente e e aplicado na globalidade, adaptado à realidade da escola pública, E QUE SEJA UMA REFERÊNCIA NA PRÁTICA LECTIVA.
Isto é um PÉSSIMO exemplo para a classe docente! Imaginem que na avaliação dos alunos andassemos a saltar de simplex em simplex!!!!!!....
Imaginem se fizessemos uma avlaição diferenciada para os que querem ter muito bom ou excelente?
Não nos convence!
Pergunta-se:
Uma LEI que em menos de um ano precisa de dois SIMPLEX's é passível de ser aplicada?
NÃO!

As alterações

As alteraçoes ao modelo de avaliação.



20 novembro, 2008

AVALIAÇÃO


(CLIQUE PARA AMPLIAR)
A dona da pirâmide anunciou alterações ao projecto da pirâmide, indicou novos escravos, simplificou uns pequenos corredores, mas afirma que o modelo arquitectonico não sofreu nem um beliscão, ou seja: continua tudo na mesma.
PAPEL, PAPEL, TRAGAM MAIS PAPEL! A PIRÂMIDE RUIRÁ, MAS CONTINUEM A TRAZER PAPEL!

Ginger e Fred


O edificio que já deu a volta ao mundo várias vezes através da caixa de correio electrónica, integrada num conjunto de fotos designado por "Casas estranhas" ou "Casas bizarras" é afinal um edificio conhecido por "Ginger e Fred".
O edificio dá a ilusão de um casal dançando perpetuamente, está localizado ao longo do rio Vltava, em Praga.
As torres cilindricas, uma apresenta um volume sólido, a outra é deformada e construida em vidro, apoiadas em colunas esculturais, criando uma pequena praça coberta ao nível do chão do edifício. A torre de vidro é formada por uma dupla camada de aço.
O projecto foi realizado através da modelação tridimensional do computador, facilitando o processo e as tecnologias de construção e controlando custos.


Arquitecto Frank Gerhy

Prás sobrinhas

19 novembro, 2008

Frase do ano

Esta é o pensamento e a frase do ano! Cerca de 90% dos professores têm habilitações académicas superiores às do primeiro-ministro.
Importado de http://www.luisnovo.com/blog/

A antiga avaliação

Porque saímos à rua.


Para quem acha que até agora a avaliação dos professores era uma balda ou até nem existia, convido a clicar neste endereço:
Para quem acha que era uma reles formalidade burocrática, veja os principais itens que teria de abordar:
a) Serviço distribuído;
b) Relação pedagógica com os alunos;
c) Cumprimento dos núcleos essenciais dos programas curriculares;
d) Desempenho de outras funções educativas, designadamente de administração e gestão escolares, de orientação educativa e de supervisão pedagógica;
e) Participação em projectos da escola e em actividades desenvolvidas no âmbito da comunidade educativa;
f) Acções de formação frequentadas e respectivas certificações;
g) Estudos realizados e trabalhos publicados.
Agora para quem acha que são apenas 7 alíneas, veja o que continham:
«Quadro de referência para a elaboração do documento de reflexão crítica»

Actividade do docente:
1. Conteúdo:
1.1. Serviço distribuído (componente lectiva e componente não lectiva);
1.2. Cargos desempenhados, considerando:
1.2.1. Administração e gestão;
1.2.2. Orientação educativa;
1.2.3. Supervisão pedagógica;
1.2.4. Outros.
2. Desenvolvimento do processo ensino / aprendizagem:
2.1. Planificação do processo ensino / aprendizagem, considerando:
2.1.1. Selecção de modelos e métodos pedagógicos;
2.1.2. Cumprimento dos núcleos essenciais dos conteúdos programáticos;
2.1.3. Cooperação com os professores da escola / turma / grupo disciplinar;
2.1.4. Outros aspectos relevantes.
2.2. Concepção, selecção e utilização de instrumentos pedagógicos auxiliares do processo ensino / aprendizagem, considerando:
2.2.1. Manuais escolares;
2.2.2. Outros.
2.3. Processo de avaliação dos alunos, considerando:
2.3.1. Critérios de avaliação e definição de conteúdos nucleares da aprendizagem para a progressão dos alunos;
2.3.2. Aferição dos critérios para uma coerência pedagógica da aprendizagem;
2.3.3. Práticas inovadoras no processo de avaliação dos alunos;
2.3.4. Outros aspectos relevantes.
2.4. Participação em actividades de apoio pedagógico e de diversificação curricular.
2.5. Participação na organização de actividades de complemento curricular.
3. Análise crítica do processo de acompanhamento dos alunos, considerando:
3.1. Informação e orientação dos alunos (vocacional e profissional);
3.2. Detecção de dificuldades na aprendizagem e desenvolvimento de estratégias para a sua superação;
3.3. Gestão de conflitos comportamentais e de índole disciplinar na sala de aula e na escola e desenvolvimento de estratégias para a sua superação;
3.4. Relacionamento com os encarregados de educação;
3.5. Outros.
4. Participação em actividades desenvolvidas na Escola, considerando:
4.1. Projecto educativo;
4.2. Área-Escola;
4.3. Formação.
4.4. Projectos culturais, artísticos e desportivos, considerando:
4.4.1. Participação em projectos culturais locais e de defesa do património;
4.4.2. Organização e participação em visitas de estudo.
4.5. Outros aspectos relevantes.
5. Participação na articulação da intervenção da comunidade educativa na vida da escola.
6. Promoção e participação em actividades inter-geracionais.
7. Participação em actividades no domínio do combate à exclusão.
8. Participação em actividades no domínio da promoção da interculturalidade.
9. Participação em actividades de solidariedade social.
10. Formação
10.1. Plano Individual de Formação, considerando:
10.1.1. Identificação das necessidades de formação, designadamente nos planos científico-pedagógico e profissional;
10.1.2. Articulação do Plano individual de Formação com o Plano de formação da Escola / Associação de Escolas;
10.1.3. Participação em equipas de formação para a inovação e a qualidade.
10.2. Formação contínua, considerando:
10.2.1. A articulação das acções de formação realizadas com o Plano Individual de Formação;
10.2.2. Actividades de aperfeiçoamento profissional e académico, nomeadamente participação em seminários, conferências, colóquios e jornadas pedagógicas;
10.2.3. Outras actividades relevantes.
10.3. Formações acrescidas, considerando:
10.3.1. Graus académicos;
10.3.2. Outros diplomas.
11. Assiduidade do docente.
12. Actividades de substituição.
13. Outras actividades relevantes no currículo do docente.
14. Estudos e trabalhos realizados e publicados.
15. Louvores.
16. Sanções disciplinares.
Para quem não sabe, a avaliação era realizada por uma comissãp de avaliação constituida por docentes da escola nomeados pelo Conselho Pedagógico para o efeito.

Para quem ainda defende que era um modelo caduco pois não permitia a diferenciação, tenha a maçada de ampliar o documento anexo:



E para quem não sabe a avaliação máxima "Excelente" nunca foi atribuida, não por falta de mérito dos professores, mas porque esta diferenciação nunca foi regulamentada por questões economicistas, visto que o docente que tivesse excelente progredia mais rápido na carreira, tal como estava previsto no antigo estatuto da carreira docente.

Não queremos ser avaliados??????


Fazemos questão de ser avaliados!


18 novembro, 2008

17 novembro, 2008

Porque saimos à rua

Sorrio para não chorar



"A Escola do Freixo, em Ponte de Lima, foi o palco escolhido por José Sócrates, na passada quarta-feira, para mais uma acção de promoção dos computadores da JP Sá Couto para o 1.º ciclo. Sócrates chamou os jornalistas e distribuiu os Magalhães pelas crianças. Mas, terminada a cerimónia oficial, os portáteis tiveram de ser devolvidos."


Ao que nós chegamos! A coincidência da semana agitada no sector da Educação e a operação de charme do primeiro ministro para ver se convence a comunicação social. Faz de conta que entrega os Magalhães! Não sei como classifique essa atitude, parece-me ser uma espécie de demagogia!

Tirem-me deste filme!
Avaliação destas cenas a que o Sr. Engenheiro se presta:
fraquiiiiiinho!
(os fedorentos nem precisam de pensar muito para fazer humor, ele surgem em paletes)
Oh Zéquinha, queres um computador não queres? eu até te dava mas a logística administrativa não me deixa!

Porque saimos à rua

Parte V
A manifestação de Março juntou mais de 100.000 professores. Nesse momento essa congregação de protestos, foi a primeira FUGA desta gigantesca panela de pressão feita de descontentamento existente nas escolas, desde que foi aplicado o novo estatuto da carreira docente.
A maioria dos docentes são do sexo feminino, portanto cifra-se numa classe sensível, delicada com uma grande capacidade de adaptação e até de sofrimento, capaz de gerir os conflitos e as contradições com grande tolerância e responsabilidade; como são professoras e mães tudo o que vá afectar os alunos e as famílias é normalmente muito reflectido, pois o seu instinto maternal e de protecção à família é determinante. Os seus horários foram alterados, viram-se obrigados a fazer substituições, alinharam nos concursos para titulares…. até que chegou o momento de ler o despacho 2/2008. O desconforto instalou-se. Aperceberam-se que o organograma da avaliação divulgado como exagerado nos média correspondia à verdade. Descobriram a dificuldade em realizar todo o processo, e a contenção deixou de ser possível. Saíram à rua.
Fez-se um memorando de entendimento através dos sindicatos e assim foi possível terminar o ano lectivo.
Houve milhares de professores que até ao no final do ano lectivo foram poupados ao processo de interiorização deste modelo de avaliação.
Destacaram-se alguns professores titulares para organizar fichas e grelhas que dessem apoio a todo o processo, e esses afogaram-se nesta avaliação de desempenho. Os outros foram poupados. A palavra é mesmo essa: foram poupados.
Os titulares viveram o final do ano lectivo já completamente afogados em papeis e a trabalhar para além das 35h semanais, constataram e testaram a mostruosidade do presente modelo, difícil cumprir para os avaliados e devastador para os avaliadores, que sem qualquer formação na área de avaliação de adultos e de pares, serão os grandes obreiros e responsáveis pelo funcionamento de um processo com o qual não concordam.
Investigaram e descobriram que o modelo foi importado do Chile e apresentado sob a forma de grelhas comuns a todas as escolas e publicadas no site do ministério da educação. Então onde fica a autonomia das escolas? Efectivamente pode-se dar as voltas que quiser dar, mas no final de tudo a avaliação tem de se expressar nas tais grelhas do ministério.
As grelhas são iguais para todos, educadores, professores do 2º, 3º ciclos e secundário. Não distingue qualquer especificidade de cada nível de ensino, das diferentes disciplinas, dos níveis etários que são leccionados.
Logicamente, no tal grupo de trabalho, começaram desde logo os problemas, os paradoxos e as contradições a flutuar, tornando-se visível a incapacidade de levar este modelo à prática. Os docentes empenharam-se horas e horas, dias, semanas a estudar todo o processo, consultaram outros modelos de avaliação, e até consultaram o tal modelo Chileno em toda a sua dimensão, já que os secretários de estado só copiaram uma parte. Com as novas tecnologias de apoio à comunicação, foram trocadas informações com outras escolas: as questões foram discutidas em todas as suas vertentes.
Por vezes os nossos governantes dão quase que a entender que existe uma má interpretação da legislação. Isto é um discurso que pode colar noutras classes profissionais, na nossa só tem a capacidade de irritar ainda mais. Se os professores não tem a capacidade de ler e interpretar, então quem a terá?
Ainda houve o apoio dos CAE, fornecido por colegas a defender o modelo, mas sem soluções para enfrentar as dificuldades ou com soluções de algibeira que deixaram escandalizados muitos dos docentes presentes.
Nasceu aí o argumento que os professores é que complicam. Incapazes de entender que os docentes querem ser avaliados de forma justa, honesta, sem subjectividade, e de forma rigorosa, pedagógica e numa perspectiva formativa, avançam com SIMPLEXES dignos da sua completa incapacidade de resolver a grande alhada em que se meteram.
O ano lectivo terminou.
Os docentes titulares concluíram o ano lectivo esgotados, desdobrando-se em reuniões de grupo, departamento, conselhos pedagógicos ao longo do 3º período. No final esperava-os uma formação teórica dividida em vários módulos que não passou às questões praticas e que são aquelas que continuam a preocupar a classe docente.

As contradições de base continuam no decreto e em vigor.
Já todos perceberam que o que orienta este modelo não é uma avaliação com uma perspectiva formativa,de valorização do exercício da docência em prole dos alunos, mas sim economicista e penalizadora para o docente.
Este é o grande problema!
“Já que a educação não dá lucros palpáveis objectivados na bolsa, que se reduzam as despesas!”
Esta filosofia contabilistica primária é a que está subjacente a todo o modelo.
O ministério não quer que todos os professores sejam excelentes, só quer que sejam alguns, e há que dificultar o mais possível, para ninguém chegar lá. O primeiro passo é engendrar um compliquex de burocracia para entreter o pessoal, e passar o discurso que os profs não querem trabalhar, para a opinião pública os trucidar.
Os profs gozaram o seu mês de férias, mas já a adivinhar o pesadelo que que os esperaria em Setembro.

Em Setembro começa tudo de novo com mais formação instantânea.
Como é habito e pedagogicamente correcto, iniciou-se o ano lectivo, planificando e organizando aulas, documentos, dossiers e foi aí que a maior parte dos docentes constataram a embrulhada em que estavam metidos.
Verificaram que de todos os actos educativos deveriam recolher as evidências, as provas para o avaliador posteriormente ter matéria para avaliar. Tomaram consciência que não basta reflectir sobre os actos educativos, não basta contactar com as turmas e constatar as suas dificuldades, não basta fazer diferenciação pedagógica, não basta conhecer a personalidade de cada aluno…. é preciso passar tudo isso ao papel.
Os professores impacientaram-se verificando a impossibilidade em esperarar pelo modelo corrigido no final do ano lectivo. As aulas iniciaram-se com muitos dos docentes cansados e desmotivados, e conscientes que tinham que travar o processo custasse o que custasse, independentemente da vontade e do acordo feito pela plataforma sindical.
Já em Março a ministra não foi suficientemente arguta, não entendeu que nenhum sindicato faz manifs de 100.000. Desvalorizou a existência de algo mais, de movimentos espontâneos que conseguem congregar as vontades de todos. O discurso anti-sindical está completamente ultrapassado. Até os sindicatos foram tomados pela surpresa da vontade de todos em acelerar o fim, também não conseguiram prever que rapidamente se iria instalar o caos nas escolas; conforme a informação circula em segundos, as atitudes e as decisões tem de ser tomadas também num outro ritmo. Os docentes vivem a instabilidade na escola das 8,10 às 21h e há que colocar rapidamente um ponto final.
Na situação actual a maioria das escolas ainda não entrou efectivamente em pleno processo de avaliação, portanto adivinha-se que se a ministra continuar com este braço de ferro, a escola vai colapsar, porque isto não é uma questão de teimosia dos professores, isto é uma efectiva impossibilidade de execução, de insustentabilidade.
Fomos para a rua 120.000 e vamos continuar.

Quer choba ou fassa sole, a luta continua

Recriação de um lenço de namorados caracteristico do Minho, adaptado a este espírito de contestação académica.

Miriam Makeba

15 novembro, 2008

Gosto de +



Porque saimos à rua

Parte IV
A classe docente é constituida por professores com diferentes formações.
O seu nível de formação divide-se em bacharéis, licenciados e mestrados.
Todos desempenham as mesmas funções, com mais ou menos qualidade.
A grande maioria possui formação pedagógica, mas a sua formação cientifica e especifica é efectivamente distinta.
As suas funções são iguais: dar aulas, interagir com os alunos, ser director de turma, ser coordenador ou ser delegado ou ser representante de grupo. A grande maioria dos professores já desempenhou todas esta funções, daí não ter sentido dividir a carreira em dois tipos de professores: professores titulares e não titulares.
O acesso à carreira de titular foi realizada com base numa pontuação obtida nos últimos 7 anos, para quem estava posicionada nos três escalões mais elevados na carreira.
Esta selecção foi realizada segundo um determinado critério e teve como consequência o facto de alguns professores terem passado a titulares, a quem os seus pares não reconhecem nem mais mérito nem mais competência em relação aos outros que não acederam.
Isto é um problema do estatuto da carreira que foi imposto aos professores por este governo, mas que agora com este modelo de avaliação de desempenho, tem como consequência, algumas situações aberrantes, nomeadamente, licenciados a avaliar mestrados, alguns avaliadores a avaliar professores muito mais competentes.

14 novembro, 2008

Porque os profs saiem à rua

"Fala-se tanto da necessidade de deixar um planeta melhor para os nossos filhos e, esquece-se da urgência de deixarmos filhos melhores para o nosso planeta."

Integração na paisagem

O conceito de integração na paisagem de alguns engenheiros de vias de comunicação:

13 novembro, 2008

Escola Infanta D. Maria

Porque saimos à rua
Parte III
Somos Pais e Encarregados de Educação de Alunos da ESCOLA SECUNDÁRIA COM 3º CICLO INFANTA D. MARIA, habituados a contar com uma escola organizada, exigente, de clima estável e pacífico, como convém a uma instituição de ensino de referência como esta. Como parte interessada e interveniente no processo educativo, tal como está consagrado no actual modelo de gestão escolar, pretendemos chamar a atenção da tutela, dos agentes sócio-educativos e da sociedade civil em geral para a situação preocupante que se vive nesta Escola e que julgamos não ser caso isolado no panorama nacional.

É com grande preocupação que temos vindo a assistir a situações que podem fazer perder progressivamente os atributos que nos levaram a procurar esta escola como a melhor para os nossos filhos. A grande quantidade de legislação que durante todo o ano passado foi chegando à escola obriga a um esforço enorme de reajustamento, perturbando a organização — o Conselho Executivo ficou totalmente mergulhado na burocracia, enquanto, pelo lado dos professores, o cansaço e a insatisfação, devido às mudanças que não aprovam ou não compreendem, contaminaram o clima geral, ameaçando parâmetros como a exigência. Arriscamo-nos a ter professores mais ocupados com a implementação das novas regras do que com a preparação das aulas e mais absorvidos com o futuro das suas carreiras do que com o futuro dos seus alunos.

Este ano lectivo, o grande número de professores que solicitou a aposentação na Escola Infanta D. Maria, mesmo sujeita a penalizações (20% dos professores da Escola, se contarmos as aposentações que se prevêem até final do ano) acrescido ao daqueles que tem recorrido a atestados médicos por doença — tem deixado muitos alunos sem aulas e tem sobrecarregado desmesuradamente os professores remanescentes com aulas de substituição (durante só uma semana no mês de Outubro deram-se 100 aulas de substituição!). Vemos cansaço prematuro e sinais de desmotivação em professores e alunos com risco para as aprendizagens, grupos disciplinares desfalcados dos seus elementos mais experientes (História perdeu todos os professores do quadro, Físico-Química perdeu 4 num grupo de 9), turmas do 7º ano desde 23 de Setembro até agora sem professor a disciplinas fundamentais como o Português!

Lamentando a perda de um corpo docente experiente e estável, uma das garantias de qualidade desta instituição, indagamos então:

— o que levará estes professores, que tanto têm ainda para dar ao sistema, a recorrer à aposentação prematura?


No passado, as aposentações aconteciam espaçadamente e de forma gradual; hoje, antecipam-se e acumulam-se. No passado, as substituições de professores podiam ser solicitadas semanalmente; hoje só podem ser pedidas por ciclos abertos quinzenalmente, o que atrasa visivelmente o processo e prejudica os alunos.

Somos, então, levados a perguntar:

­— será este método de substituição de professores o mais adequado?

Estamos convictos de que certas mudanças eram necessárias, nomeadamente um processo de avaliação de desempenho dos professores, mas aos nossos olhos de Pais e Encarregados de Educação, a perturbação causada por este modelo de avaliação no funcionamento normal da escola prejudica o fundamental que é ensinar e aprender.

— irá este modelo de avaliação contribuir para uma escola melhor?

— não estaremos perante sinais de alerta que apontam para uma escola burocratizada em vez de uma escola de qualidade?

Não queremos perder professores disponíveis para os alunos, capazes de os motivar para a aprendizagem com entusiasmo e exigência, fazendo da qualidade das suas aulas o objectivo fundamental do seu desempenho profissional.

Não queremos ganhar, em vez disso, burocratas que esgotam as energias no preenchimento de tabelas, objectivos e planificações: é que podem passar a ver números no lugar dos rostos dos nossos filhos.

Por tudo isto decidimos que tínhamos que nos fazer ouvir!


Coimbra, 6 de Novembro de 2008
A Associação de Pais e Encarregados de Educação
da Escola Infanta D. Maria

12 novembro, 2008

Porque saímos à rua








Prova de recuperação para os alunos com excesso de faltas (humor)

Parte II

O regime de faltas dos alunos.

Um regime de faltas que aparentemente parece razoavel converte as acções pedagógicas num verdadeiro sarilho.

Os alunos que excedem limites de faltas, justificadas ou não, deverão fazer provas de recuperação sobre as materias respeitantes aos dias das faltas. É dificil estar contra isto, se ainda por cima o aluno usufruir de apoio para realizar e interiorização dessas materias.

Estudemos o reverso da medalha:

Problemas:

O aluno que esteve doente, não terá tempo de realizar essa recuperação num curto espaço de temp, assim regressa à escola ainda convalescente e passado uma semana tem de fazer testes a todas as disciplinas.

Quem paga ao professor por dar apoio individual a esse aluno quando já esgotou o seu horário?

O que se passa se o aluno não recuperar?

O que se faz às disciplinas onde se desenvolve trabalho prático?

O que se faz quando as faltas são espaçadas?

E se o aluno falta na apresentação, na aula de autoavaliação e noutra aula de trabalho prático? Como deve ser feito o teste de recuperação?


Agora vejamos, quando o aluno falta sem motivo, alguém acha que esse aluno vai frequentar as aulas de recuperação, ou que ele se empenhará em resolver um teste para ter uma boa qualificação? E entõ este alunos faltista vai ter mais oportunidades de aprendizagem do que os alunos assíduos?
Duvida não esclarecida: quando é que o aluno faz o teste? depois das 18,30H? sim porque o horário do aluno não é o mesmo do professor.


Ou seja leva tudo pela mesma medida, o aluno doente e o aluno baldas, que gosta de escapar às aulas e de "fazer nenhum".
E para quem sobra todo este desvario?
Primeiro para o director de turma que tem que fazer uma vigilância constante, obedecer a prazos, avisar os colegas, avisar os pais diversas vezes. Depois para os professores, que terão que elaborar mais um teste, respectivos critérios de correcção, relatórios, plano de recuperação, e formalizar tudo para entregar ao director de turma para que de seguida o Conselho de Turma reuna e tudo fique bem explicado numa acta e respectivo Projecto Curricular de Turma....


Resumindo:

Como se concilia escolaridade obrigatória com penalizações destas ao absentismo?

É desta forma que se motiva o aluno a frequentar a escola? E para quem está mesmo doente, não será esta uma maneira de stressar um convalescente, e de o penalizar ainda mais.


A apregoada autonomia das escolas aqui não pode mexer.
Se não há profs suficientes para dar apoios aos alunos com dificuldades de aprendizagens, como vai haver para estes alunos?
A utopia pedagógica bate de frente com a politica economicista, e com a igualdade de oportunidades.
Não mata, mas mói!


Porque saimos à rua




Porque os professores saíram 2 vezes à rua


Parte I

Alguns cidadãos ainda não entenderam porque os professores saíram à rua, e porque o número de manifestantes vai aumentando aos milhares.
Para quem viu passar as manifestações em Lisboa não ficou certamente indiferente a esta união no protesto de toda uma classe profissional, de norte a sul do país, em que qualquer colagem ao partido x ou y, ou sindicato é pura demagogia. Todos os professores estão descontentes com as politicas deste Ministério da Educação, tanto na matéria que lhes diz directamente respeito, como com tudo que se legisla para a escola pública, sem ouvir os directamente envolvidos nessa escola.
Os professores estão zangados, desmotivados, sem paciência, mas UNIDOS como nunca o estiveram antes e com espírito de VENCEDORES.
Os professores foram maltratados, difamados e espezinhados, pela subtis afirmações dos seus superiores da 5 de Outubro, vendo-se envolvidos num processo de desprestígio duma profissão amplamente divulgado pelos média. Alguns “fazedores de opinião” continuam a massacrar toda uma classe com a sua verborreia mal intencionada e complexada sabe-se lá porque.
Quando se esgotam os argumentos contra os professores, apela-se a um perfil de um professor impedido de se manifestar, amordaçado e imobilizado ainda pelas grilhetas do Estado Novo, como imagem do dever e da obediência cega, que deve servir de exemplo para os seus alunos.
Estive orgulhosamente nas duas manifestações e estarei nas próximas que vierem, e os meus alunos admiram-me também por isso.
Não vi ninguém a causar distúrbios, não se atiraram coktails molofs, nem very lights, nem ovos nem tomates, ninguém se despiu e mostrou a sua nudez, ninguém fez gestos obscenos ou provocatórios, ninguém utilizou português carroceiro,… todos respeitaram os agentes policiais.
Para quem não sabe, as manifestações são legalmente autorizadas, e pode-se transportar faixas com slogans, pode-se gritar palavras de ordem, pode-se sorrir, pode-se ter sentido de humor…. Não sei onde está o mau exemplo.
Mais de 120.000 professores e educadores encheram as principais ruas da baixa de Lisboa. Nenhum sindicato consegue esta proeza! Esta união deve-se aos sindicatos, aos movimentos que surgiram espontaneamente e essencialmente a nós docentes, que temos cabeça para pensar e se indignar.

PS nunca mais!


TARTARUGA EM CIMA DUM POSTE


Enquanto suturava uma ferida na mão de um velho lavrador, o médico e o doente começaram a conversar sobre a recente manifestação de professores e o descontentamento da classe, relativamente às políticas educativas do Governo.

Então o velhinho disse:


- Bom, o senhor sabe... Essa tal ministra, é uma tartaruga em cima dum poste...


Sem saber o que o camponês queria dizer, o médico perguntou o que era uma tartaruga num poste.


O camponês explicou:


- É quando o senhor vai por uma estradinha e vê um poste de vedação, em arame farpado, com uma tartaruga equilibrando-se em cima dele. Isto é, uma tartaruga em cima dum poste...


O velho camponês olhou para a cara de espanto do médico e, vendo que ele ainda não tinha compreendido, continuou com a explicação:


- Você não entende como ela chegou lá;


você não acredita que ela esteja lá;


você sabe que ela não subiu para lá sozinha; você sabe que ela não deveria nem poderia estar lá; você sabe que ela não vai conseguir fazer absolutamente nada enquanto estiver lá;


então tudo o que temos a fazer é ajudá-la a descer de lá!

Intimidados


11 novembro, 2008

Magalhâes o pc do Sócrates





"Pânico na 5 de Outubro
A história do mandato deste Governo está recheado de numerosas "gaffes" públicas de vários ministros, com destaque para os da Economia ("a crise acabou"), das Finanças ("o sistema bancário português não vai precisar de nenhuma intervenção financeira") ou das Obras Públicas (aeroporto na margem sul, jamais!...). Lurdes Rodrigues também quer subir ao podium do disparate político. As suas reacções ao 8 de Novembro são... do outro mundo! (ver comunicado da FENPROF de 9/11).Visivelmente transtornada, a docente do ISCTE deixou os portugueses que a viram na TV estupefactos com os fantasmas que a senhora foi desenterrar, só possíveis na imaginação de quem está em pânico.Aquela da "intimidação" e da "chantagem" provocadas por uma manifestação de mais de 120 000 cidadãos pacíficos não lembra nem ao diabo!... A sugestão aqui fica: para não atormentarem a senhora Ministra, os Sindicatos, cada vez que organizarem uma manifestação, terão que a dividir em duas etapas: 60 000 docentes manifestam-se ao sábado e os outros 60 000 ao domingo... /
in FENPROF"
Mas chantagem contra quem?
Os únicos que não foram à manif são:
1 - Professores cansados com o peso da idade e fartos de aturar a insassatez da Ministra.
2 - Profs com filhos pequenos que estão longe das familias.
3 - O s eternos comodistas que esperam que os outros façam por eles.
... e eu faço chantagem contra eles????? Mas eles também não querem esta avaliação!

O que queremos para os nossos filhos



se não abrir aceda a
http://www.overstream.net/view.php?oid=l6ssere6l3uj

10 novembro, 2008

MANIFESTAÇÃO 8 DE NOVEMBRO DE 2008



Numa década passamos da paixão à destruição da escola publica.
Um número crescente nas manifestações de rua não demovem Maria de Lurdes e Sócrates dos seus intentos: destruir a escola pública. Onde andarão os srs do PS do slogan da paixão pela educação? Estarão amordaçados aos seu Jobs? Porque não manifestam a sua opinião?
De facto não há soluções perfeitas, mas umas são mais capazes que outras. A sra ministra da educação contraria tudo o que se ensina nas escolas.
Em qualquer processo de aprendizagem a avaliação da acção pedagógica é essencial, para se irem corrigindo erros, trajectórias, abrindo caminhos para a optimização das soluções. Foi isto que me ensinaram quando me profissionalizei, e é isto que eu aplico e ensino, mas a nossa superior hierárquica teima em não aprender e muito menos aplicar.
Em Março, não chegaram 100 mil na rua, há dois dias não chegaram 120 mil. Ofereçam uma máquina de calcular à sra ministra, pois se quase todos os profs estão na rua, como é que a maioria está a fazer o processo de avaliação felizes e contentes?
Este processo não tem volta. Como não somos arruaceiros continuaremos serenos e bem comportados, iremos para a rua as vezes que sejam necessárias e o voto será a nossa arma definitiva.
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