30 junho, 2013

dar e receber

“Quando olho para trás e tento adivinhar o que vem pela frente, quando tento avaliar e programar o que me vai acontecendo, quando tento analisar os factos e partir para soluções, quanto tento parametrizar os conflitos numa dialéctica mais bidimensional e cautelosamente tridimensional, há uma regra matemática que está sempre presente. É um conceito matemático quase de raciocínio de lápis em cima da orelha, mas que nos resolve os problemas diários entre duas grandezas e com uma constante que varia entre, o amor, a amizade, o trabalho, a ambição, o profissionalismo, a responsabilidade, a euforia e sei lá que mais.
Dou aquilo que resulta de uma proporcionalidade directa daquilo que recebo. E espero receber na proporcionalidade directa daquilo que dou. Ponto.
Pode parecer uma estratégia egoísta e interesseira, mas não é! Este pensamento retira-me alguns pedregulhos do caminho, ilumina–me zonas sombreadas de mim, circunscreve o que realmente interessa e estimula-me muito a partilhar com quem merece.
Solidariedade, saúde e família ficam obviamente de fora.”
In “Ensaios de escrita, um projecto sempre adiado” Anabela Quelhas

27 junho, 2013

Dali eu viajava até à Lua

Não sei quem olhava quem, resguardada pelo painel veneziano e sentada na cadeiras frescas tropicais, azuis, verdes e laranja. As tiras de madeira horizontais filtravam o sol escaldante, deixando apenas passar a brisa forçada por 8 andares acima da linha de terra. Por vezes esse filtro de luz, calor e olhares projectavam linhas de geometria paralela feitas de sombra e de luz no chão e paredes da varanda, no meu rosto, nos meus cabelos dando a ilusão de frescura mas assegurando sempre as coordenadas do lugar de terra ocre e quente.
Os olhares libertavam-se das palavras escritas, estendiam-se e cruzavam-se entre um e outro lado, dum canal feito de espaço, algures levitando muito acima do asfalto negro atravessado continuamente de automóveis apressados ou não. 36m acima do solo não existiam regras de trânsito, não existiam prioridades, não existiam limites nos ângulos de visão, não existiam passeios nem esplanadas. Dali eu alcançava o mar. Dali eu viajava até à lua. Dali eu dividia a cidade do mato. Dali eu esquadrinhava quase toda a minha cidade num voo rasante a tudo que queria ou imaginava querer. Dali eu tecia ilusões do nascer ao por do sol, mergulhava na escuridão que não era após as 6 da tarde. Dali eu crescia languidamente para o mundo.
Ao lado da minha cadeira havia sempre vários livros, revistas e um copo de coca-cola. Romances, westerns, os patinhas, a notícias e a província de angola acumulavam-se para satisfazer várias vontades de leitura, em frente um pequeno banco para apoiar os pés, convertia a cadeira, numa longa cadeira onde apetecia ler, observar e espreguiçar. Atrás, o rádio que em surdina, me embalava nas músicas que nunca soube para quem eram, e coordenava ritmos com o bater do meu jovem coração.
Quando a noite caía, ligava um pequeno candeeiro dirigido para o que lia: Quando queria permanecer quieta, pensativa e em silencio, desligava tudo, até o mundo e olhava em frente, desconseguindo adivinhar o futuro, mas apostando que ele existiria pacientemente à minha espera.
In “Ensaios de escrita, um projecto sempre adiado” Anabela Quelhas

25 junho, 2013

impossibilidade de esperar




Podemos não ganhar, mas quando cruzamos os braços perdemos sempre. È isso mesmo!
Comecei esta luta, no dia em que acordei e percebi que se deve lutar por aquilo que se quer. Isto foi há anos luz atrás. Nivelo sempre por cima, e nunca por baixo, por isso quero sempre mais, pois a dignidade é algo que se conquista. Resiliência, resistência e entusiasmo são as qualidades que não me deixam desistir.
Ninguém lutará por mim e sofro da impossibilidade de esperar que os outros o façam, por isso respondo sempre presente. Continuarei a lutar até ao dia das horas perfeitas

In “Ensaios de escrita, um projecto sempre adiado” Anabela Quelhas

19 junho, 2013

10 junho, 2013