27 maio, 2013

05 maio, 2013



Neste fazer e desfazer de anos, de assuntos  e preocupações, há algo que permanece: Tu, mãe.
Já te escrevi  tantas outras vezes!... mas onde estás? se é que estás, nem sei se é possível algumas destas escritas chegarem aí, a sítio nenhum.
Fico nesta eterna dúvida, de um monólogo estéril, ou diálogo comigo mesma e nesta incapacidade eterna de comunicar.
Lembro-te apenas neste dia como lembro de outros, e fica sempre a nostalgia de já não existires, a frustração de não te ter mais.
Por acaso hoje vivo um dia tranquilo e sereno, esquecendo as ansiedades, intervalando as preocupações, esquecendo os enganos, desformatando os esquecimentos. Olho-me e vejo-me sentada a dormitar, sonhando sonhos intemporais onde a presença e ausência valem exactamente o mesmo, porque o espaço e o tempo oníricos, são parecidos mas não são a mesma coisa.
Sabes? ofereceram-me um pequeno ramo de urze perfumada e um abraço que abracei disfarçando a comoção repentina. Senti-me teluricamente bem, num mar de pedras junto ao céu.
In “Ensaios de escrita, um projecto sempre adiado” Anabela Quelhas