05 maio, 2013



Neste fazer e desfazer de anos, de assuntos  e preocupações, há algo que permanece: Tu, mãe.
Já te escrevi  tantas outras vezes!... mas onde estás? se é que estás, nem sei se é possível algumas destas escritas chegarem aí, a sítio nenhum.
Fico nesta eterna dúvida, de um monólogo estéril, ou diálogo comigo mesma e nesta incapacidade eterna de comunicar.
Lembro-te apenas neste dia como lembro de outros, e fica sempre a nostalgia de já não existires, a frustração de não te ter mais.
Por acaso hoje vivo um dia tranquilo e sereno, esquecendo as ansiedades, intervalando as preocupações, esquecendo os enganos, desformatando os esquecimentos. Olho-me e vejo-me sentada a dormitar, sonhando sonhos intemporais onde a presença e ausência valem exactamente o mesmo, porque o espaço e o tempo oníricos, são parecidos mas não são a mesma coisa.
Sabes? ofereceram-me um pequeno ramo de urze perfumada e um abraço que abracei disfarçando a comoção repentina. Senti-me teluricamente bem, num mar de pedras junto ao céu.
In “Ensaios de escrita, um projecto sempre adiado” Anabela Quelhas

2 comentários:

Ramones disse...

Boa tarde,

Encontrei uns quadro em casa da minha tia (Eullaria Marques), que estão assinados A.Quelhas, serão pintados por si?
Posso lhe enviar fotos para ver?

Obrigado
Pedro

a. quelhas disse...

Olá, pode enviar sim
hexaaq@gmail.com

obg