29 outubro, 2007

Borda d' água para novembro


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28 outubro, 2007

27 outubro, 2007

as noites duram meses

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26 outubro, 2007

Quem se lembra deste livro?

As tarefas dos meninos
As tarefas das meninas.
(uma perspectiva do Estado Novo)

Guernica (3,50X7,82m)


Guernica, antiga capital do País Basco, foi bombardeada a 26 de Abril de 1937, pela aviação alemã, de onde resultou um verdadeiro massacre da população civil espanhola.

Como ficar indiferente a isto?
Picasso não ficou indiferente.

Picasso não estava lá, mas percebeu através das fotos que lhe enviaram, o horror da guerra vivido por homens, mulheres e crianças.
Teve necessidade imediata em traduzir nos seus desenhos, esse sofrimento por ele sensibilizado.

Resultou Guernica.
Como sempre foi pratica comum de Picasso, realizou dezenas de estudos e de esboços, antes da tela final.
Cada figura teve um percurso reflexivo e desenhado, próprio.
Guernica não é a soma de vários desenhos.
Guernica é um todo experimentado e vivênciado em cada detalhe.
Toda a composição é dominada pela luz de um olho-lâmpada, localizado superiormente, o piscar do momento de terror, o alarme que soa num dado momento e que funciona como charneira para o momento seguinte, onde tudo é negativamente diferente. Este será o pormenor mais marcante e que afinal é formalmente ausente de qualquer expressão de terror.
No centro um cavalo em pânico, descontroladamente aterrorizado, simbolizando a força da destruição. Junto a este, uma mão segura uma lamparina a óleo, acessório vulgar nas casas rurais, que se opõe em contrasrte com o olho- lâmpada.

À esquerda, uma cabeça de touro.
Petrificado? Imóvel? Estarrecido perante o desespero de uma mãe com o filho morto no colo? A piéta picassiana. Um ser humano esquartejado compõe a parte infeiror da tela, numa morte recente de um lutador que empunha uma espada que subtilmente se transforma numa flor, tal qual a alma se desprende veladamente do corpo.

À direita, uma mulher, com pés enormes e com seios expostos, volta-se para a luz, implorando… aqui o olho-lâmpada já simboliza uma entidade superior, que assiste, mas não altera o estado de agonia e de destruição.

Outra mulher de braços levantados… para quem? O apelo desesperado e sem esperança, de quem já perdeu tudo, enquadrada numa casa em chamas.

O tratamento dado às figuras, são resultado do processo cubista de representação. A ausência de cor, acentua ainda mais a mensagem.
O insuportável, a dor extrema, o horror, a violência, converteram esta obra em intemporal, ou seja, adequada a cada época que vive situações idênticas. A guerra o sofrimento por perda violenta, não tem moda, nem época…. É transversal ao tempo.


Sobre o enorme painel, Guernica, Picasso foi um dia questionado por um general, que lhe perguntou: "foi o senhor que fez isso?" A sua resposta foi afiada: "Não! Foi o senhor que fez isso".

(Esta obra só regressou a Espanha em 1981, após um exílio de mais de 40 anos em Nova Iorque – Picasso tinha decidido que ela só regressasse no fim do fascismo.)

25 outubro, 2007

Pablo Picasso


Hoje Pablo Picasso faria 126 anos. Muito ano!!!!!
Como é que alguém nascido há dois séculos atrás teve uma genialidade tão grande e tão contemporânea?!!!!
Estou sem tempo para escrever, só quero assinalar a data. Voltarei mais tarde para comentar uma pintura dele, que ainda não escolhi. São tantas!
Vou pensar nisso durante a tarde.

24 outubro, 2007

23 outubro, 2007

ENCONTRO DE POLÍTICAS DA ARQUITECTURA E DA PAISAGEM



O primeiro Encontro de Políticas da Arquitectura e da Paisagem tem lugar na próxima sexta-feira, 26 de Outubro, no âmbito do programa de celebrações do Dia Mundial da Arquitectura 2007.
Esta é uma iniciativa importante para a reflexão e o debate de temas essenciais no decurso da implementação do Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território (PNPOT), aprovado pela Assembleia da República em sessão plenária de 5 de Julho de 2007. O PNPOT contempla as directrizes e orientações fundamentais de um modelo de organização espacial que terá em conta o sistema urbano, as redes, as infra-estruturas e os equipamentos de interesse nacional, bem como as áreas estratégicas em termos agrícolas, ambientais e patrimoniais, em relação às quais o papel dos arquitectos se afigura como essencial, em articulação com políticos e outros técnicos. O PNPOT deverá também servir de referência aos programas operacionais no âmbito do actual quadro de apoio comunitário, em vigor entre 2007 e 2013. No Encontro, os temas programados detêm-se no papel dos valores da arquitectura e da paisagem, designadamente, no
desenvolvimento regional (painel 1), no território turístico (painel 2) e nas boas práticas de ordenamento por parte dos municípios portugueses (painel 3). Justifica-se a participação de diferentes responsáveis políticos e técnicos nestes painéis de discussão, sendo uma oportunidade de confronto sobre a necessária articulação entre os sectores que convergem no território nacional. Dirigido essencialmente a arquitectos, decisores políticos das administrações local e do Estado, é aberto também a outros técnicos, cidadãos e organizações públicas e privadas com interesse e actuação no território. A realização decorrerá no auditório da sede nacional da Ordem dos Arquitectos, em Lisboa.

21 outubro, 2007

Novos tempos, novos provérbios




Velhos provérbios, novas verdades...


-Quem ri por último... ...é de compreensão lenta.


-Os últimos são sempre... ...desclassificados.


-Quem o feio ama... ...tem que ir ao oculista.


-Deitar cedo e cedo erguer... ...dá muito sono!


-Filho de peixe... ...é tão feio como o pai.


-Quem não arrisca... ...não se lixa.


-O pior cego... ...é o que não quer cão nem bengala.


-Quem dá aos pobres... ...fica mais teso.


-Há males que vêm... ...e ficam.


-Gato escaldado... ...geralmente está morto.


-Mais vale tarde... ...que muito mais tarde.


-Cada macaco... ....com a sua macaca.


-Águas passadas... ...já passaram.


-Depois da tempestade... ...vem a gripe.


-Vale mais um pássaro na mão ... Que uma cagadela na cabeça.

20 outubro, 2007

GOSTO DE+

recolhida no correio electrónico

19 outubro, 2007

Sonho causado pelo voo de uma abelha em torno de uma romã um segundo antes de acordar

Sempre me cativou esta complexa pintura de Dali. Ela está a viver no museu Thyssen- Bornemisza, em Madrid.
Esta pintura coloca muitas interrogações para quem a observa.
Para já o nome, “Sonho causado pelo voo de uma abelha em torno de uma romã um segundo antes de acordar” - looooongo, complicado de memorizar, muitas vezes trocando-se a abelha com a romã… depois, a pintura é belíssima, a composição é fantástica, mas equilibrada, a representação é perfeita, o conjunto emite uma mensagem enigmática, mas marcante…. carregada de simbolismos, que se perdem na memória da história. É uma pintura que nunca mais se esquece – grande característica de Salvador Dali.


Para quem conhece a obra de Dali facilmente deduz que a mulher deitada será Gala. Deitada, mas levitando num sonho que lhe pertence. ou não! Só os homens/mulheres serão capazes de sonhar?
O observador consegue, viajar em dois tempos e em duas dimensões: O tempo do real e o tempo do sonho, a dimensão da romã circundada pelo voo da abelha e a dimensão da romã reproduzindo-se sucessivamente passando do vegetal ao animal, do ar, ao fogo, passando pela água e pela terra. Uma viagem que é desenhada do pequeno ao grande, da calma à agressividade, do feminino ao masculino, da subtileza à pujança. Apreciem o diálogo subtil entre as gotas de orvalho ou pérolas de Vénus e o elefante de Bernini, carregando uma forma fálica, completamente indiferentes à tal multiplicação onírica, que termina numa espingarda com baioneta, que apenas pica o braço direito de Gala, tal e qual um ferrão de abelha. …. esta passeia-se…. passeia-se em torno de uma romã, com sombra de coração que afinal, mais não é que a grande paixão de Dali por Gala.
Uma romã fechada e uma romã esventrada, vertendo apenas duas sementes comestíveis, simbolizando a fecundidade, o amor, o afrodisíaco… e que levitam também elas sobre um mar excessivamente calmo, que se deixa penetrar pelas patas gigantescas de um elefante de diversas rótulas…
… e a abelhinha calmamente circulando.
Quem sonha?
Seremos nós?

15 outubro, 2007

...e agora?



... e agora? que faço com os mimos do Pena? Levo-lhe um chocolate para a escola? faço-lhe um poema? entrego-lhe um olhar de cumplicidade? desejo-lhe uma boa noite de sono?....

O que se faz com um amigo de longa data e que ainda por cima não é virtual???
sim porque eu conheço mesmo o Pena!
VERDADE! em carne e osso, desde que ele vestia um carro preto todas as manhãs.
Cruzo-me com ele, xingo-lhe a cabeça, partilhamos lugares e experiências .... um dia destes até lhe peço para me fazer uma acta (malandramente me sorrio).
A tia Milú que não nos leia, mas somos especialistas em filosofia da educação!
Ah pois é! altas notas as nossas! o Rousseau e o bom selvagem vêm para nós de carrinho!
Ele é um crake no jogo do sapo, eu nos apanhados.

... e agora o que é que eu faço?








14 outubro, 2007

Atletismo mental


Hoje Karl Jaspers e Descartes retomaram o seu lugar entre os meus pensamentos e afirmações.
Ser mãe, obriga a isto!
A iniciação à Filosofia, como área do saber que nasce do colocar questões sobre a existência do Homem e de tudo que o rodeia. A única área do saber que não tem princípio nem fim, tal qual uma recta e que pretende ir à raiz das questões, inserida numa problemática universal. Diria, incorrectamente, que é uma área do saber que começa onde as outras terminam; isso seria uma semi-recta: com princípio, mas sem fim. De facto a filosofia não tem limites e envolve todo o tipo de operações, as concretas e as abstractas, e a própria filosofia tem dificuldade em se definir.
Os jovens adolescentes revelam alguma dificuldade e resistência em transitar dum ensino muito estruturado ora em dogmas, ora em experiências, para uma outra dimensão, tipo 3ª via, que não tem limites, que é valida pelo exercício e não pelas conclusões, e onde a testagem cientifica não existe, é uma procura. Têm dificuldade em sair do seu mundo lúdico, de casulo de playstation, limitado aos pontos, níveis e graus de dificuldade e, entrar pela porta das questões universais subjectivas, que vertiginosamente lhes retira o tapete dos pés.
Os jovens constatam que a sua mente evoluiu um pouco enferrujada durante 15 anos, no tomar de consciência da problemática de existir, da essência das coisas, e demoram algum tempo para ginasticar o seu pensar, coordenando-o com o agir, e consciencializando todo o processo que afinal é dialéctico: O que se pensa hoje, já não se pensará amanhã.
Afinal o Fernando Pessoa, será que era mesmo marado ou não? perguntam eles.

Portanto, hoje entrei em treinos de atletismo mental. Ficamos ainda pelo período de aquecimento, mas já se adivinham grandes provas de teimosia, de desconstrução de certezas e de implantação de enorme áreas de dúvidas, de angústias e de interrogações. De onde vim? para onde vou? o que ando aqui a fazer?
São 23, 27! Boa noite. Darei notícias se sobreviver.

11 outubro, 2007

FRIDA KAHLO



Frida Kahlo, artista plástica mexicana que viveu na primeira metade do século XX.
A sua pintura mais conhecida é exactamente esta: "A coluna partida."
È um auto-retrato de Frida num dos momentos difíceis da sua vida, onde se representa cruelmente suportada por uma coluna jónica fracturada em vários pontos, compondo uma estrutura onde o colete cirúrgico se transforma na peça de vestuário superior. As agulhas que se apresentam como pregos ou ataches ao corpo e que se prolongam pelo tecido branco, talvez um lençol, simbolizam o sofrimento a pintora que viveu numa série de episódios muito complicados ao nível da saúde.
O olhar directo para o observador pontuado de lágrimas, numa expressão séria enquadrada nas sobrancelhas que se unem, adivinham uma paisagem fria e desértica, que é o cenário do desespero de abandonar a vida, é o vazio composto na falta de esperança num processo de consciência plena.

10 outubro, 2007

CHE


Ontem não fiz aqui a minha homenagem ao Comandante Che.
Ontem o meu dia teve mesmo 24 horas e não sobrou quase nada.
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Quando me apercebi da sua existência, já ele tinha sido morto.
Conheci-o através da mais famosa foto do mundo de Alberto Korda que se observava às escondidas nas terras coloniais portuguesas. A imagem de um homem muito belo, com sinais de determinação e teimosia, invadia o imaginário dos jovens na viragem dos anos 60 para 70.
Hoje há pessoas que desvalorizam e tentam denegrir a sua imagem e o seu papel na América Latina.
Mas ele será sempre El Comandante!



Acima de tudo procurem sentir no mais profundo de vocês qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. É a mais bela qualidade de um Revolucionário. (Che Guevara)

08 outubro, 2007

Faz-me falta a música dos motores


Despertei com um barulho potente de arranque de carro, pelas oito da manhã, seguido de outro e mais outro.
Que saudades desta sinfonia automobilística.

Escancarei as janelas, um nevoeiro rasante ao padoque, instalou-se à frente da minha janela. Deixei entrar aqueles sons, que me desfiam memórias, que passam que nem cinema na minha cabeça.
Fechei os olhos e respirei aqueles sons coloridos.
Abri outra janela, e outras se seguiram.
Que pena não os ver passar mesmo em baixo da minha janela, como acontecia antigamente. Hoje tenho que me deslocar um pouco, para o novo traçado.
Habituei-me a ver corrida de automóveis desde criança. Eu diria que já vi mais competições destas, dentro de cidade, que jogos de futebol. Sim tenho a certeza que vi.

Via os treinos, uma manga, duas mangas….voltas de reconhecimento, finais, e semi-finais…. E sempre o som do acelerar, o cheiro do aquecimento dos motores, o cheiro da partida, eles a desaparecerem sem os ver, e começava a vê-los lá bem longe, com uns binóculos numa recta em Abambres, mais a descida da Araucária e rapidamente surgiam na estação. Tirava os binóculos….e via-os a entrar na ponte metálica, desapareciam por uns segundos escondidos pelos telhados das casa da rua da ponte e eis que apareciam com toda a velocidade a ter que fazer uma curva a 90º, a famosa curva do sinaleiro, mesmo debaixo do meu nariz. Reduções e mais reduções.
Nem sempre a curva que desenhavam tinha sucesso.
A traseira normalmente raspava o rail, era necessário corrigir trajectória, ter unhas para evitar o peão, e os rails faíscavam, e voltavam a acelerar numa grande recta que dava para as boxes e a zona da partida.
Normalmente aqui, eram fortemente aplaudidos, pois concentrava imensa gente eufórica, dada a dificuldade do traçado se acentuar precisamente nesta curva.
A quanto despistes eu assisti, com o bater apressado do coração? N+ N! Perdi-lhe a conta. Normalmente ferimentos de pouca gravidade, mas os apara-choques voavam. A ambulância sempre a ali à mão, as bandeirinhas amarelas e vermelhas também, pois davam-lhe imenso uso.
Assisti a 3 décadas de competições.
Quando era criança, as corridas constituíam a oportunidade para disfrutar de sorvetes da olá que apareciam em todo o lado. Nesses dias o meu progenitor esquecia as amigdalites, as faringites e as congestões, ou nem prestava atenção no o que eu xatamente pedia e repedia!
Vi muita derrapagem, muito “ronco”, muito peão, muito rail amassado, muito carro “empandeirado” como aqui se diz… , muita chicane, muito óleo derramado...
Houve corridas que me ficaram na memória: motas especialmente, com os cavalinhos da última volta após corte de meta, e as competições de 73 e 90/91 de automóveis. Nestas últimas vibrei com o Chevrolet Camaro Z28 de Pêquêpê e com o Volvo de António Rodrigues. IMPARÁVEIS!
Vila Real acolhe sempre bem as competições e os visitantes que partilham o gosto por este cheiro, por este ronrorar.
È uma semana de festa, em que ninguém reclama do barulho, e de toda a perturbação que envolve a cidade.

Até há 16 anos atrás, a festa da noite sucessedia à competição do dia de sábado. E a festa adentrava noite fora até de madrugada. Os verdadeiros pilotos durante a noite, descansavam. A noite pertencia aos maus pilotos armados em aceleras, que toda a noite faziam competições estapafurdias na rua, com espectadores de bancada e tudo, até a policia ser obrigada a intervir.

Vivemos um luto de 16 longos anos!

De vez em quando davam-nos um cheirinho com desfile de ferraris e outros, mas competição a sério não houve mais.
As competições voltaram. A populaça está fortemente motivada, com auto-estima em alta. As condições de segurança para o publico não tem nada a ver com o antigamente das protecções à base de fardos de palha.
Espero que desta vez seja para continuar, pois... faz-me falta esta música dos motores que ainda me desperta alguma adrenalina neste outono que teima em se instalar.

03 outubro, 2007