17 maio, 2007

O UMBIGO DO MUNDO - dois


A densidade populacional, e outros dados, perdiam-se no meu olhar que se fixava no vestido tipo cartucho, onde a prof habitava, nas tardes tropicais da turma do 3º C, e o volume esférico do seu cabelo sustentado por laca e ripanço de cabelo,… eu interrogava-me: como seria possível construir logo de manhã, semelhante estrutura capilar? Experimentei inclusivamente, algumas vezes, em quarto de banho fechado por dentro, à chave, sem grandes resultados.

Sem me aperceber, eu desligava a parte sonora… pensava no poema de Nicolau Tolentino, em que uma colchão se soltava de um toucado de uma dama do século XVIII… mas, alguma palavra mais invulgar como, Machu Picchue ou Tegucigalpa, acordava-me do meu marasmo geográfico de treze anos de idade.
Machu Picchue interessava-me… os Incas, os totens, os falcões … os seu misteriosos desenhos …. Mas ela voltava às leguminosas, ao arroz, aos relevos…., aos cereais, às industrias e à economia daquele continente bué de grande e que não cabia na minha imaginação, ocupada com assuntos juvenis e prioritários, divergentes dos mapas do feijão e do arroz.

Bem, sobre Machu Picchu, já muito se disse, já muito se conhece, sobre essa terra dos Andes, protegida agora pela Unesco… afinal o que reteve a minha atenção foi um pormenor, relacionado com a construção de muros.


É estranho, acontece-me imensas vezes fazer reflexões sobre muros.


Sei lá, há outras coisas em que pensar… eu poderia pensar em palácios, príncipes e princesas… mas não, penso em paredes e muros - mau gosto pessoal, concêntrico, hálito granítico vindo lá da arvore genealógica do maçon, do século passado, do outro lado do atlântico, junto ao rio qualquer coisa, que eu esqueci o nome.
(cont.)

2 comentários:

Anónimo disse...

O que irás escrever sobre as americas??????
Gramei aquela do penteado do ripanço! É que era mesmo assim!
Inês

Poliedro disse...

Anabela:
Posso te chamar Princesa?
Eu gosto, só por gostar, das histórias de Princípes e Princesas.
Já vi muitas vezes, mesmo muitas vezes, "A Bela e o Monstro" e nunca me canso. É delicioso. Só que eu sou sempre o Monstro. Nada a fazer!
Olha, penso que estás muito agressiva na maneira de pensar e viver as coisas. Será só impressão minha?
Tem calma. A vida é bela. E, tu és uma Princesa.
Os muros. Não vejo porque não hás-de gostar dos muros? Preferência de Arquitecta. Muito bem.
Olha, penso que tens razão. Os Incas, os totens, os falcões, são muito mais interessantes que os cereais e as leguminosas. De acordo!
Com muita estima e consideração.
Beijos
pena