18 janeiro, 2007

estive com joão

Ontem ao fim do dia, estive com João, João Estrócio.
Para quem não conhece, um criativo, um artista plástico, que representa a paisagem granítica como ninguém.
Vocês dirão, pintar calhaus? Bahhhh
Há muitos anos atrás, pensava assim também, não apreciava a pintura paisagista, não vislumbrando aí qualquer tipo de criatividade. Considerava esta forma de pintura, um acumular de técnicas e pouco mais.
Descobri a paisagem com João Estrócio.
Nunca lhe disse isso.
Nunca lhe disso o quanto o aprecio.
Encontramo-nos esporadicamente, bem fruto do acaso e ao acaso, e apesar de gostarmos de conversar, trocar ideias, dado que ele é pessoa muito acessível e despretensiosa, eu não sou pessoa de elogio fácil, inibo-me a fazê-lo e até porque acho que todo o mundo pode sempre fazer melhor, pois a perfeição não é terrena, e não vivo para agradar.
Comecei a gostar de calhaus, pois ele pinta-os de forma única.
Pintar o reino mineral e geológico não é fácil, convertê-lo em algo de belo, é necessário o verdadeiro toque de Midas.
Tudo parece igual, amorfo e afinal não é bem assim.
Representar as grande massas da crosta terrestre, conseguir extrair o que delas há de particular e genuíno, depurando ao máximo certas vertentes, e exagerando-as, tornando possível ao observador comum, identificá-las e localiza-las no meio ambiente, é um exercício fantástico de comunicação.
Exagero meu?
Acreditem que não!
Um pedaço de granito, possui quartzo, feldspato e mica, certo? Clivagens, texturas, pigmentos, que se assumem em formas disformes… e representar isso? Difícil!!!!!!!!!!!!
A sedução por uma rocha não se esgota na sua composição, forma, aparência; o seu ordenamento resultante das transformações geológicas foi a aposta de Estrócio, que conseguiu representar as encostas, perfeitos anfiteatros graníticos, com afloramentos e elementos soltos que foram rolando pela força da gravidade, pelos relevos, resultantes do afagamento tectónico.
Como se pinta isto? Pensarão certamente, numa monocromia monótona. As rochas não falam, e permanecem imóveis, estáticas, cinzentas, esquecidas há eternidades. Puro engano!
A pintura de João Estrócio, expressa-se de forma dinâmica e em tons exaltantes, bem distantes da monotonia, que imaginamos e atribuímos aos seres equacionados como não vivos, numa estética contemporânea, onde o equilíbrio, e a composição são absorvidos numa linguagem própria, que só ele conhece e domina.

3 comentários:

Poliedro disse...

Também conheço o João Estrócio, mas muito mal. Concordo. Um talento a trabalhar "calhaus"!
Ao pé dele sinto-me muito pequenino. Ignorante mesmo. Ouço-o com interesse, para lá de ser uma pessoa afável e simpática. Falaste em "desprentesiosa"(não sei muito bem se se escreve assim - para lá dos meus pecados dou cada vez mais erros.). Também penso isso sobre ele.
A natureza devia falar e agradecer-lhe. Tratá-lo com amizade e carinho. A crosta terreste surpreende pela beleza, até nos calhaus. E. ele surpreende pela azáfama em entendê-los, transformá-los, pondo um carinho e uma enorme dedicação no que faz, que é difícil.
Pronto. Por hoje chega.
Beijos.

Anónimo disse...

Quero ver! Não há nada na net, estou curiosa.
Mª João

Anónimo disse...

Ana:
Vá lá, arranja imagens para nós vermos. Estou curiosa com os calhaus.
Maria Rita