03 julho, 2007

RICHARD SERRA

RICHARD SERRA






"Trabalho para descobrir justamente aquilo que eu não sei. Não quero reciclar aquilo que já conheço"







Richard Serra – escultor americano minimalista de obras geométricas monumentais em aço bruto expostas a maioria das vezes em espaços públicos. Talvez seja um dos melhores escultores da actualidade, que manuseia parâmetros tais como: o centro de gravidade e o equilíbrio, a massa e o vazio, a percepção do espaço e a consciência corporal por parte do observador.

Serra propõe que o observador abandone a postura passiva de contemplador e passe a ser activo, que se movimente para interagir com a escultura e deixando que esta interaja com ele - esculturas que podemos percorrer, delinear com o andar, sentir sensações de desequilibrio e de náusea… volumes gigantescos que interagem connosco ao ponto de interferir com os nossos eixos orientadores… esculturas que não necessitam de legendas para as percebermos, que dá para entrarmos nelas, para as vivermos por dentro, para as sentirmos como algo a que pertencemos. É o inverso da escultura a servir o homem, é o homem a servir e a fazer parte da escultura.




Lembro-me vagamente de uma entrevista com Serra em que comparando a escultura com a arquitectura, afirmava que a escultura não tinha que ter função, daí ter um campo de exploração ilimitado. Lamento não possuir essa entrevista pois era uma lição de vida e de arte.

Vive-se todo o tipo de sensações, opressão, claustrofobia, desanuviamento… e sempre o movimento.
Percorrer por dentro as esculturas de Serra, fica-se nauseado, desorientado, quando nos apercebemos, estamos a caminhar não na vertical, mas inclinados em relação ao solo, para conseguirmos instintivamente caminhar em paralelo às chapas de aço gigantescas que nos ladeiam. Por vezes, a falta de ar resultante de sensação de claustrofobia, também acontece, pois o percurso que temos vontade de percorrer, vai-se tornando cada vez mais apertado. Chegamos ao centro da escultura e temos que fazer o caminho inverso, que parece virado ao contrário, pois as sensações serão inversas também.



Dá vontade de parar, de raciocinar, de tentar perceber as alterações aos nossos eixos de referência e tomar consciência como tudo isso nos afecta. Dá vontade de experimentar tudo de novo, para confirmar. Dá vontade de trocar sensações com aqueles que nos rodeiam e estão a viver a mesma experiência, para confirmar o que sentem. Dá vontade de conhecer bem o escultor que imaginou isto, e que afinal conhece bem o ser humano, e sabe como nos provocar sensações estranhas.



Onde viver as esculturas de Richard Serra?
O mais perto será:

Museu Guggenheim em Bilbao



5 comentários:

Anónimo disse...

Mas isto é uma loucura!!!! Como é que essas placas se seguram em pé?
Mª joão

Poliedro disse...

Escutor que faz a escutura falar.
Embrenhamo-nos nela e fazemos parte integrante dela.
As formas geométricas agradam-me muito.
Fica registado: Richard Serra, escultor minimalista americano.
Beijos pelo teu talento.
pena

Poliedro disse...

Só agora reparei.
Queria dizer como é lógico: Escultor, escultura.
Isto é imperdoável. Cada vez dou mais erros. Distracção ou ignorância?
Vou ver se compro um dicionário de imediato. É urgente.
Desculpa, simpática Anabela, este ignorante.
Beijos. Muitos.
pena

Anónimo disse...

Estava a fazer uma pesquisa sobre o artista para um trabalho e encontrei o seu post, ajudou bastante!!! Obrigada =)

a. quelhas disse...

Anónimo
Um post também pode ter essa função.
Sirva-se e volte sempre.