Zenit Convento San Martin
San Martin Kalea, 45, 20007 San Sebastián, Espanha
57% dos homens e 35% das mulheres consideram o azul sua cor favorita. Ela é agradável aos olhos e gera um efeito de calma.
A cor amarela significa luz, calor, descontração, optimismo e
alegria. O amarelo simboliza o sol, o verão, a prosperidade e a felicidade. É
uma cor inspiradora e que desperta a criatividade. Estimula as actividades
mentais e o raciocínio.
PORTUGAL x FRANÇA
Lá dentro esperam pelo
directo do Euro 2024…
Eu sou mais piscina ao
pôr-do-sol, olhar o Douro, refrescar-me neste calor saboroso, viver a vida boa
e mansa em boa companhia.
Uns fazem apostas,
outros pintam-se de verde e vermelho, alguns rezam, evocando Deus como se ele
não tivesse mais o que fazer. Colocam faixas, agitam bandeiras, partilham da fé
do Paulo Futre, recordam Dani e o Pauleta que passam na TV, matam o calor com
cerveja gelada e o ar condicionado. Estão ansiosos e risonhos sentados pelos
vários sofás do salão. Um plasma gigante numa das paredes absorve o olhar
esperançado de todos.
Boio e olho o céu
imenso, deixo-me abraçar pela água, relaxada, livre, descomprimindo destes
meses de stress, como se o umbigo do mundo fosse aqui. Sabe bem ultrapassar
barreiras e viver o hoje. Desocupar o cérebro, fazer um refresh na minha
memória selectiva e deixar apenas a pele activa e sensitiva.
Acompanha-se a contagem
decrescente com a chegada do CR7 ao estádio, oiço dizer. Splash, splash, splash
em direção à pequena cascata com água mais fresca.
Os 50 mil adeptos estão
do outro lado, nas bancadas, por aqui posso contar apenas os socalcos das
margens deste rio, que assistem aos meus mergulhos numa piscina só para nós.
Portugal já está no
relvado a aquecer.
Iremos ver ou não? eu
sou mais água mergulhada, corpo refrescado, alma acariciada, silêncio e
sorrisos. Chamam por nós, do outro lado do vidro panorâmico.
Ah, Oui, nous allons!
Cantam-se os hinos de
Portugal e França e o jogo começa.
Os comentadores do sofá
iniciam as suas apreciações, retirando-me a atenção do plasma. A cerveja roda e
os petiscos tentam acalmar os mais nervosos, entretendo as mandíbulas. Alguns
levantam-se e passam em frente ao plasma por segundos, dirigindo-se ao wc,
porque a bexiga aperta. O CR7, ora é elogiado, ora é criticado. Entre herói e
bandido assim se manifesta a ingratidão e o desespero tuga.
Eu a escrever sobre
futebol é coisa inédita. Aproveito todo este tempo, em que nada acontece e
faço-o no telemóvel.
Assisto pela TV a estes
campeonatos, precisamente porque o resto do ano, futebol é apenas 22 jogadores
a correr atrás de uma bola, incapazes de atrair a minha atenção. Sobre
vencedores e vencidos não faço distinção porque todos são atletas de alta
competição capazes de gerar grande alegria ou grande tristeza, a multidões.
Reconheço e exalto não
só as qualidades dos atletas assim como o esforço, dedicação e entrega total,
todos os dias, para que depois possam jogar futebol para estádios cheios. Acordam
cedo, sacrificam o convívio com família e amigos, e centram-se no seu foco,
anos e anos, aguentando sucessos e derrotas sem desistir.
No final perdemos.
Diogo Costa não resiste aos penáltis e João Felix, coitado, carregará para
sempre a derrota de Portugal – a maré de sorte terminou. Os meus companheiros,
já com a tensão arterial completamente desorganizada, e a tristeza a dominar as
emoções fortes, inicialmente preparados para festejar a victória numa grande ceia,
com o Douro nocturno como testemunho, perdem o apetite, vão saindo, cabisbaixos,
dobrando as faixas e não combinando nada para os próximos jogos. Dirigem-se a
casa, para repousar um sonho “Inderalmente” desenhado, sobre uma almofada de
tristeza e frustração; mesmo assim, em nome de todos, registo um enorme
“OBRIGADO” a esta equipa que deu tudo para ganhar, e perdeu.
Publicado em NVR, 10/07/2024
Hoje um amigo
escreveu AUJOURD´HUI, JE SUIS FRANCE, recordando como França entrou na vida
dele. Fez-me lembrar a minha ligação à cultura deste país. Tive 5 anos de
francês na escola, mais 3 de Alliance Française e uma revista pop mensal Salut
les Coupains. França passou a existir na minha vida assim, estudando e lendo
sobre o que se passava no mundo pop. Adoro Paris, tenho a planta das margens do
Sena na cabeça. Visitei Paris pela primeira vez, já um pouco tarde, mas voltei
outras vezes, sempre com agrado. Adoro a música e o cinema francês dos anos
60/70. La Nouvelle Vague produziu filmes inesquecíveis
Fã de Alain Delon, Belmondo, Yves Montand, Michel Picolli e
a maravilhosa Romy Schneider. François
Cevert e a sua morte trágica entristeceu muitas adolescentes.
Foi através da Mademoiselle X que eu entrei no mundo da BD,
Comovi-me a visitar a igreja Madeleine, muitas vezes
referida nos textos da disciplina de Francês.
A Ópera… a Ópera de Garnier, aquele sítio mais encantador do
mundo, que não me canso de rever fotografias e aconselhar visitas.
Li Paris dos anos 40
através de Sartre, Simone de Beauvoir, Camus e Boris Vian e já fez parte do meu
roteiros, Saint Germain e o café onde eles se reuniam. Em Montmartre, também
conhecido como o bairro dos pintores não falhei ao “coq au vin” na ultima
visita.
Paris e França é uma questão cultural para a minha geração, que nos une apesar das diferenças. Ou se tem, ou não se tem. Inexplicável.
Voltarei em breve, porque ainda há muito para revisitar e descobrir.
Paris, je t'aime.
Enfim, as eleições de hoje vão mexer com muita gente para além dos franceses.
A França decidirá perante o mundo se quer ser, ou não, republicana.
https://www.youtube.com/watch?v=pLAr2X4sH5Q
Aplica-se no trabalho, na vida social e na vida afectiva e em tudo.
Pintar a mosca é técnica, lembrar da mosca é genialidade.
Detalhes que ficam para a eternidade.
Eu sou mais piscina ao pôr-do-sol, olhar o Douro,
refrescar-me neste calor saboroso, viver a vida boa e mansa em boa companhia.
Uns fazem apostas, outros pintam-se de verde e vermelho, alguns rezam, evocando Deus como se ele não tivesse mais o que fazer. Colocam faixas, agitam bandeiras, partilham da fé do Paulo Futre, recordam Dani e o Pauleta que passam na TV, matam o calor com cerveja gelada e o ar condicionado. Estão ansiosos e risonhos sentados pelos vários sofás do salão. Um plasma gigante numa das paredes absorve o olhar esperançado de todos.
Boio e olho o céu imenso, deixo-me abraçar pela água, relaxada, livre, descomprimindo destes meses de stress, como se o umbigo do mundo fosse aqui. Sabe bem ultrapassar barreiras e viver o hoje. Desocupar o cérebro, fazer refresh na minha memória selectiva e deixar apenas a pele activa e sensitiva.
Acompanha-se a contagem decrescente com a chegada do CR7 ao estádio, oiço dizer. Splash, splash, splash em direção à pequena cascata com água mais fresca.
Os 50 mil adeptos estão do outro lado, nas bancadas, por
aqui posso contar apenas os socalcos das margens deste rio, que assistem aos
meus mergulhos numa piscina só para nós.
Portugal já está no relvado a aquecer.
Iremos ver ou não? eu sou mais água mergulhada, corpo refrescado, alma acariciada, silêncio e sorrisos. Chamam por nós, do outro lado do vidro panorâmico.
Ah, Oui, nous allons.
PALAVRAS SOBRE A ALT
Estive
um pouco recolhida devido a um problema de saúde e só agora tive acesso à obra
PALAVRAS DE LIBERDADE.
Devo registar novamente
o meu apreço pela dinâmica da Academia de Letras de Trás-os-Montes. Enviam-me
informações diariamente para o meu endereço electrónico, sobre o mundo
literário português, apresentações conferências, colóquios, prémios, festivais,
reuniões, o que exige um grande esforço de aproximação aos seus membros, por
parte da direcção. Isso é bom!
Nos dias de hoje, em
que a informação circula rápido e se desactualiza com a mesma rapidez, é
importante esta dinâmica, que se sente funcional, actualizada, activa e
criativa, a favor da literatura do século XXI. A nossa geografia de
interioridade exige esta forma de actuar, para não entrarmos numa bolha
bafienta, fechada, elitista, estática e ultrapassada. Para além da divulgação é
visível também o incentivo da produção literária com as suas coletâneas que abrem
espaço de divulgação aos autores transmontanos e à cultura, história das gentes
e do território. Os temas são bem pensados e este ano Abril era obrigatório.
Já todos conhecem
Torga, Bento da Cruz, Guerra Junqueiro, Pires Cabral, Rentes de Carvalho, Araújo
Correia, e as editoras têm porta aberta para as suas publicações. É só não
deixar esquecer. Os autores desconhecidos têm todas as portas fechadas, as
editoras não investem nas suas obras e assumindo essa inércia negativa ficarão
para sempre no mundo do desconhecido. A ALT com a criação de colectâneas anuais
contrariam essa tendência redutora, dando oportunidade e visibilidade a novos
talentos da escrita. Ficamos a saber quem são, o que escrevem e a
potencialidade oculta.
A colectânea sobre a
Liberdade contém textos de cerca de 60 autores a maioria não se conhece entre
si e juntando-os, passam a ter um sentimento de pertença e de identidade para
com a Academia, entre si e com esta geografia a nordeste. Se esta iniciativa
não existisse, cada um teria os seus papeis, os seus arquivos fechados ao
mundo.
Tenho imenso orgulho em
ter participado pela 3ª vez nesta iniciativa e contribuir um pouquinho para
ampliar as palavras sobre Abril. Inquieta-me bastante, as palavras fechadas em
arquivo, como já mencionei, apenas porque não têm sítio público para serem
partilhadas. Como leitora, sinto que perco conhecimento e mundos. Quantas
ideias e quanta sensibilidade escondida em autores invisíveis! Quantas vidas não
vivi! Quantas experiências deixei de conhecer.
Cada autor reúne a sua
sensibilidade afectada por diversas circunstâncias. Os 60 autores, de alguma
forma, constroem o pensamento do Homem Contemporâneo que fica assim perpetuado
com aroma de Abril e de montanha.
Publicado em NVR 3/07/2024
UM REGISTO RECUPERADO
https://docs.google.com/a/