11 janeiro, 2013

05 janeiro, 2013

Faz anos...talvez



Faz talvez ... anos

Ainda não se falava do tal de buraco de ozono, já ele fazia das suas lá na banda.
Progenitor Quelhas, usando e abusando de cautelas não se atrevia com ele, fazendo-nos a cabeça num oito, quando nós só queríamos mesmo, muito bronze.
Gozávamos as delicias do mar na ilha, mesmo junto à barracuda, agarrando o sol com a imaginação e ele ficava em casa.
Brincávamos dentro de duas brutais camaras de ar de camião nas manhãs de domingo na Corimba, fazendo o sol rir, como só ele sabe, e ele ficava na esplanada à sombra, lendo o jornal até ao limite das 11 horas.
Boiávamos nas águas paradas da baía, mais parecia mar morto, fazendo o sol bocejar e ele desconhecia que estávamos lá.
Aventurávamos nas ondas das calemas da Restinga, fazendo perigar até o sol e a ele nem lhe passava pela imaginação.
 Lhe adivinhava, com rosto fechado umas horas depois, quando o queimado do sol avermelhava sobre o nariz, dando-nos aquele ar saudável que rapidamente dourava a nossa pele tropical.
Um dia se aventurou a fazer picnic lá para as praias de Belas, debaixo de um cajueiro se não me falha a minha memória de botânica tropical, ou de um velho embonda, já nem sei.
Levou tenda!
Tenda com forma de prisma triangular, amarela e azul, que nunca ninguém usava, para não perder nenhum dos raios eficaz na pintura solar tropical.
Vestiu calções, e ficou debaixo da tenda aberta, lendo A Provincia de Angola” e destilando suor, salteando água com Cuca e Cuca com água.
Nós, fazendo trinta por uma linha na água.
Agua morna, água tépida, daquela que nada arrepia ao mergulhar.
Água que nos acaricia e nos acolhe muitas horas e nos faz soltar gargalhadas como se fossem borboletas, até ao sol se por, em tons vibrantes de laranja, mesmo ao nosso lado.
Sol da manhã, sol do meio dia, sol do entardecer,  com musicalidades diferentes das ondas que visitam a areia naquela cadencia fresca e ritmada… shuá….. shuáááá… shuá...
Ele distante e com calor dentro de uma tenda azul e amarela.
Vira pagina, vira dum lado, vira do outro, até páginas de precisa-se, aluga-se e vende-se ele leu.
Leu a necrologia.
 Leu a LoLa.
Releu as noticias importantes. Mudou para o livro que andava a ler, romance de 8cm de altura que custava a segurar na mão.
Nós, abraçando as pequenas vagas, e andando, andando quase até ao Mussúlo, sempre com pé. De quando em vez, um gritava,
- atenção à alforreca!!! Umas vezes verdade, outra só para destabilizar. De costas de bruços, guerra d’água…. Dar palmadas na agua só para  xingar.
- Não te armes  que levas, depois vem-me pedir o Patinhas que levas com ele na tromba!!!!
 - Pópilas, Xê minha, não zanga não, que faz ruga ná tésta!!!
-Te atreve, então!!! Queres mais o que? A kianda te leva no mar, e fico a rir!
Shaaaaapppp!
- Vais levar, mana atrevida, te pego e te dou um pirolito!
- Só quero ver, tens de comer muita ginguba!
Almoço de prato na mão, sentados na areia.
Alguém enterrou todas as ervilhas da salada de atum na areia fina e branca, demonstrando por A+B o agrado pelo primeiro prato. (Lena quem foi?!)
Passou o almoço, passou o lanche, nos vestimos para vir embora e mais um mergulho mesmo com o vestido encharcado a agarrar ao corpo para despedir e manter o sorriso aberto e feliz de diversos lábios. Uma ultima corrida de pega pega à volta do ultimo coqueiro.
- Me vão molhar os estofos do carro e encher de areia! Não chegou de brincadeira? Se portem bem, senão vos deixo cá!
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Um desconforto lhe chegou lentamente aos pés, até chegar à noite, já em casa. Um ardor, uma quentura com a forma de meias vermelhas desenhadas, enquanto lia o jornal com os pés de fora.

Moral da estória: O sol quando nasce é para todos. Mais vermelho menos vermelho.

In Ensaios de escrita, um projecto sempre adiado, Anabela Quelhas

31 dezembro, 2012

Rascunho de 2012

Acabei de guardar o rascunho do ano de 2012. 
Praguejei, recordei especialmente algo que não me deu o sucesso esperado, esmaguei e deitei fora!
Só agora, claro!
Em matéria de calendário a vida é um permanente rascunho de letras imperfeitas, rodeado por uma esquadria de pontos de interrogação. 
Passei ao desenho definitivo há poucos minutos e estou a iniciar o novo rascunho que se irá rasurando e redefinindo ao longo de 2013.
Estranha esta vida, onde nada é previsível, onde não existem certezas de nada. A única certeza que temos é que não temos a certeza de coisa nenhuma. Mesmo assim sonhamos. Tentamos construir cenários com alguma confiança de que se irão concretizar, feitos de convicções, mas a maior parte das vezes, aos poucos vamos desconstruindo tudo que imaginamos, peça a peça, reforçando a incerteza de tudo.
A maioria das certezas vão-se desvanecendo e as que restam, já não são bem certezas, são apenas sonhos vulneráveis e frágeis, imaginados em noites de insónia, depois de muito querer, depois de muito desejar. São sonhos que flutuam num espaço de ninguém. Não adianta protege-los, não adianta orientá-los, não adianta acrescentar-lhes vigor, porque certa ou incertamente, eles flutuarão apenas, grávidos de esperança, mas vazios de probabilidade de concretização, O rascunho da vida, iniciado em cada ciclo anual, evolui cada vez mais no formato de rascunho. A sabedoria nasce com a incerteza, e nos tentamos, mas tentamos sempre ser capazes de delinear o tal rascunho, tendo fé em algo que chamamos sorte.
Na transição para um novo ciclo da vida, confiamos na sorte e desejamos isto e aquilo, fazemos até rituais, para que tudo tenha a progressão desejada.
(In Ensaios de escrita, um projecto sempre adiado – A. Quelhas)

27 dezembro, 2012

Entardeci nos aromas da canela



Entardeci nos aromas da canela, pensando e escrevendo sobre o mundo mal arrumado, dividido por anos, ciclos e eras, numa desarrumação imitando a organização.
Anoiteci pensando mais do mesmo. 
Ao caminhar numa luta diária contra os excessos, e sapatilhando milhares de quadrados de betonilha esquartejada, vou pensando naquilo que os outros pensam e penso também pensamentos que me parecem originais, colocando listas infindáveis de perguntas que apresentarei um dia ao Grande Arquitecto, para que este me possibilite a leitura duma qualquer memória justificativa sobre o mundo, e neste caso, o nosso mundo mal arrumado.
Manual de instruções também serve ou uma qualquer acta de registo da era da criação ou do estudo prévio da mesma.
O mundo mal arrumado é que nem a minha gaveta das meias, onde meias pretas se misturam com verdes, vermelhas, azuis, de verão, de inverno e de mais ou menos que não sei muito bem, numa iliteracia geográfica e multicolor, sem qualquer plano de loteamento. O mundo está assim.,,, como a minha gaveta das meias. Dá-me o que pensar!!!!
O mundo atirou-me para Humaitá numa esperança de ultima tentativa de eu sossegar e não mais pensar nos sonhos que nunca consegui cumprir…. Para eu abandonar o pensamento dos outros e os muitos porquês registados ao longo dos anos e tranquilizar, marinando numa chávena de chá de geocidreira.
- Ficas aí, para não te armares em esperta!
Derradeiramente falando foi arrumação infeliz, sem GPS, colocando tudo longe, mesmo os amigos mais próximos. Paradoxo: o longe e o perto num contexto de desterro voluntário à força. Arrumação mal arrumada e subjectiva que me cansa ao sair e na volta a Humaitá.
Para que serve viver longe de tudo? Para que serve viver numa aspiração permanente de encontrar a placa de sáída, sonhando permanentemente com uma arrumação bem sucedida de tempo e espaço que nem vitruvio, que sabia o que ficava no umbigo e nas pontas dos braços e pernas, sem ter q fazer perguntas? Tu vais para aqui e aquele para acolá, numa operação fazendo a betonilha esquartejada corar de tanta humilhação desorganizativa.
Quem se gosta deveria estar sempre por perto, quem não tem nada connosco, poderia ficar longe mesmo. Tem que ficar perto e dizer estou aqui, tem que ficar longe e dizer, já esqueci.
O mundo desarruma-se sozinho. Não fazemos nada e ele contorce-se, ganha espaço, desenrola-se sozinho, colocando tudo numa desorganização aleatória, mas que pensando bem, parece esquema organizado, mas ao contrário. Atira para Humaitá quem deveria estar nos antípodas da mesma. Ninguém pergunta se gosta ou não. Ninguém pergunta da nossa vontade, ou tira informações com o GPS. Quando acordo estou em Humaitá e tu estás a quilómetros de distancia, sem possibilidade de percorrermos o mesmo caminho, porque a geografia separa o que deveria estar próximo.
Nas arrumações é necessário um critério para que tudo fique no seu lugar. Num mundo mal arrumado não existe critério: Dizem que não existe mulher feia, mas mal arrumada. De facto todo o nosso planeta é belo, por vezes nos parece feio, quando a letra não bate com a careta.
E ela não bate mesmo!!!!! E ainda ri por cima, como uma assinatura de despacho final.
Porque vives numa cidade e não vives na outra. Porque vives num país e não vives noutro? Porque falas uma língua e não falas noutra? Porque Humaitá?
Porque fazes tanta pergunta?
(in Ensaios de escrita, um projecto sempre adiado, A. Quelhas)

24 dezembro, 2012

24 novembro, 2012

14 outubro, 2012

05 outubro, 2012

Tudo de pernas para o ar

"Hoje, nas comemorações da República, que se efectuaram com o hastear da bandeira ao contrário, Cavaco Silva parece que centrou o seu discurso na educação, dizendo que “ educação tem que continuar a ser uma prioridade".
Apetece-me chorar
 de tanta comoção!
O ensino regrediu mais de 10 anos.
Esta minha afirmação nada tem a ver com mais alunos nas turmas, com professores em horário zero, com exames, com estatuto de aluno, com mega agrupamentos, com directores, com avaliação de professores, blá, blá…. Tem a ver com algo que parece que só eu falo nisto. Algo muito simples e que terá um efeito terrível nas futuras gerações.
Acabou a área curricular não disciplinar Área de Projecto.
Ninguém fala disto!
Foi inventada quando o eng. Guterres amava a educação, acreditando que bastava amar e não era preciso alimentar.
Para quem não sabe, a Área de Projecto ensinava os alunos a pensar, a descobrir, a investigar, a resolver problemas e a avaliar. É uma área importantíssima na formação dos jovens, pois ensina-lhes, com a prática de vários anos, um método de resolução de problemas, ensina-os a pensar, a decidir, a reflectir. Claro que o ministro da educação do engenheiro Guterres, e os que se seguiram, esqueceram-se de dar uma formação bem estruturada aos docentes, e em vez disso consideraram que todos os docentes estariam aptos a dar esta disciplina.
Erro elementar!
Este método de trabalho que se denomina metodologia projectual, método cientifico, método para a resolução de problemas, é utilizado pelos designers, pelos engenheiros, pelos arquitectos e pelos investigadores. Na disciplina de Filosofia no ensino secundário passa-se os olhos por este método inserido na teoria do conhecimento, quando já se vomita Kant, Platão, Descartes, Locke, etc..e já se está a fazer a despedia à “maldita” da filosofia.
A interiorização deste método de trabalha leva anos, por isso os alunos aplicavam-no desde o 2º ciclo até ao secundário. A sua avaliação era qualitativa, porque não interessa avaliar resultados finais, mas sim interiorizar o processo, e utilizar os mecanismos de Investigação/ avaliação/ decisão de forma continuada na nossa vida.
Durante estes anos a Área de Projecto funcionou mal, devido à falta de formação da maioria dos docentes como já referi, mas, mal ou bem, existia e ia-se traçando um caminho por vezes sinuoso, aguardando-se melhoramentos no mesmo. Alguns alunos tinham a sorte de ter um docente com prática neste método de trabalho, e tornavam-se capazes de fazer a diferença a médio e longo prazo.
Esperava, que o Ministro Crato com a formação cientifica que possui, visse mais longe. Cheguei a acreditar que desse a volta à coisa, fizesse uma reforma geral, que reforçasse a área de projecto nos alunos entre os 8 e os 12 anos, pois é nessa faixa etária que tudo se passa na formação das ligações entre as estruturas cerebrais, que desse formação conveniente aos docentes e que finalmente a Área de projecto entrasse, já não digo numa auto-estrada, mas vá lá, numa estrada nacional.
A Área de Projecto desapareceu do currículo dos alunos do ensino básico.
Conclusão: Aos nossos governantes não interessa ter cidadãos inteligentes, capazes e pensadores." Anabela Quelhas

01 outubro, 2012

22 setembro, 2012

20 setembro, 2012

Você foi...


Você Foi...

Você foi...
O maior dos meus casos
De todos os abraços
O que eu nunca esqueci
Você foi...
Dos amores que eu tive
O mais complicado
E o mais simples pra mim
Você foi...
O melhor dos meus erros
A mais estranha história
Que alguém já escreveu
E é por essas e outras
Que a minha saudade
Faz lembrar
De tudo outra vez.
Você foi...
A mentira sincera
Brincadeira mais séria
Que me aconteceu
Você foi...
O caso mais antigo
E o amor mais amigo
Que me apareceu
Das lembranças
Que eu trago na vida
Você é a saudade
Que eu gosto de ter
Só assim!
Sinto você bem perto de mim
Outra vez...
Me esqueci!
De tentar te esquecer
Resolvi!
Te querer, por querer
Decidi te lembrar
Quantas vezes
Eu tenha vontade
Sem nada perder...
Ah!
Você foi!
Toda a felicidade
Você foi a maldade
Que só me fez bem
Você foi!
O melhor dos meus planos
E o maior dos enganos
Que eu pude fazer...
Das lembranças
Que eu trago na vida
Você é a saudade
Que eu gosto de ter
Só assim!
Sinto você bem perto de mim
Outra vez....

15 setembro, 2012

Miranda do Douro - não chega

Miranda do Douro


A 12 de Junho de 2011 publiquei aqui no facebook um pequeno texto, denominado "Como matar uma esquina" sobre Miranda do Douro. Passado um pouco mais de um ano, recebi de mão amiga estas fotografias. Parece que surtiu efeito a rede social. Retiraram as persianas. O recado chegou lá. A digestão de alguém parou com aquela reflexão.
Disseram-me: continua a ter umas janelas meio ranhosas, mas já está um pouco melhor.
Confirmei que sobre os sinais de transito, retiraram um, o outro sobrevive como fungo parasita e a ligação electrica tipo fio pendurado que vai de algures para nenhures, continua viva.
A janela que não é janela, continua janela.
Não chega!!!!
 

Outros casos de Janelas/varandas de ângulo:




Viseu

Santarém


17 julho, 2012

Choromar Apartments

 Rua Cândido Guerreiro, lote 22/23, Montechoro, 8200-347 Albufeira












09 julho, 2012

30 junho, 2012

Maldito plástico


Lutei durante 20 dias contra uma película de plástico. Usei acetona, diluente celusoso, diluente sintetico, liquido azul, removedor de vinilico,.... aliás usei tudo que há no mercado. O meu sucesso foi quase nulo e à custa de um raspador. A luta foi titânica e eu tive que desistir e mudar de rumo. O resultado foi este. Serve. Só está a anos luz daquilo que eu queria.