21 janeiro, 2009

Ensaio sobre a cegueira

Fui ensaiar a cegueira na Lusomundo.
Tinha apenas a referência de Fernando Meireles (arquitecto brasileiro) como realizador e a obra escrita e lida de José Saramago.
Quando me sentei na sala pensei que iria assistir a uma brasileirada.
Engano meu.
Deparei-me com um filme de ficção de alto nível.
O filme é um registo denso, forte, profundo, violento, intenso e com uma coordenação excepcional entre imagem, som e intenção.Por duas vezes que saltei na cadeira devido a dois imprevistos. Não há tempos mortos.
O registo é muito fiel ao livre, só encontrei um pequeno pormenor que foi inventado.
Para quem já leu o livro, o filme será excepcional, e talvez não fosse possível faze-lo de outra forma. Para quem não leu, estará mais aberto a algumas dúvidas.
É um filme que mexe connosco, pois não conseguimos ficar indiferentes e acabamos por participar no sofrimento descrito daqueles seres humanos.
È impossível não ficarmos a reflectir sobre a condição humana e como todos nós possuímos uma grande fragilidade que perante uma falha, rapidamente nos leva à desorganização, e desestruturação, mas onde se mistura o egoísmo e oportunismo, com a solidariedade e a coragem.
Não percam!


2 comentários:

Peter Pan disse...

Amiga:
Por um acaso qualquer li a obra literária: "O Ensaio Sobre A Cegueira" de José Saramago.
Mais difícil que fechar os olhos é abri-los à actual realidade de um Mundo que sinto. Que sou. Que existo. Que me atormenta.
Um Mundo que hoje, vivo com angústia na procura da sincera e verdadeira amizade.
Onde "habita" a solidariedade?
Onde está escrita a porta da "Amizade"? Onde "mora" a dor. Onde me preenche o "sofrimento".
Tenho um pavor imenso de abrir os meus gastos e cansados olhos. Preferia fechá-los, como num sonho lindo.
Havia tanto que te gostaria de dizer...tanto...

Um filme, por certo, admirável.
Sempre assumi a sinceridade e a seriedade que explico incansavelmente...
Emudecido de incompreensão, apetece-me "sair" de certos lugares..."fechar" os olhos a certos lugares...
Com cordialidade e amizade
Beijinhos.
Sempre a ler-te com agrado.

Peter Pan

Acho que vou silenciar-me um longo tempo, até poder "abrir" o olhar com maravilha ao Mundo que também "habito"...Também, entendes?

ZEN disse...

acho que o meu comentário até vai parecer insignificante mediante tamanha intensidade poética e sentimental de outros... mas ainda assim não hesito em ser simples e dizer apenas que gosto de ti, está bem??

já vi o filme em novembro, e gostei bastante, porque revela com muita proximidade a psicologia humana. Numa situação de caos, as nossas atitudes levam-nos por vezes à loucura, outras facetas da nossa personalidade revelam-se, que se calhar nós nunca a tinhamos descoberto.

Leva também ao limite e explora muito o significado e o acto de ver, que passa a ser não só um instinto ou uma extensão dos nossos sentidos, mas também uma maneira singular de viver e aproveitar.

Para rematar o filme, seria interessante explorar o facto de que a personagem que nunca cegou, passe a prescindir da visão, pois foi ela que levou ao limite máximo o olhar, que nem precisasse mais dele.

e sim, a foto fui eu que tirei, uma vez, numa ida ao Porto. :)