16 dezembro, 2023

VIDROS AQ






 







ÇATAL HUYUK

 




Catal Hüyük (Anatólia Central, Turquia) é um dos sítios arqueológicos mais importantes do Médio Oriente, com uma ocupação que remonta a 8000 anos (6500-5700 a.C.).

Área: 13 hectares

É indicada por muitos a cidade mais antiga do mundo (cidade neolítica).

Formada por pequenas casas unidas entre si, com entrada localizada nos telhados, onde se desce através de uma escada de madeira. As aberturas localizadas nas partes mais elevadas das paredes servem de ventilação. A compacta aldeia, construída e refeita ao longo dos séculos, é cercada por terras agrícolas.

O seu desenho urbano resulta na junção orgânica de vários quadriláteros, sem qualquer ordem visível.

O material das paredes são tijolos de barro cozidos ao sol e os telhados são feitos de madeira e esteiras de junco sobre as quais é colocada uma camada de lama compactada. Essa cobertura serve para as pessoas se deslocarem e para se reunir entre elas. Não existem ruas ou locais de passagem definidos.

Os espaços habitáveis são todos muito semelhantes, deduzindo-se que fosse uma comunidade bastante igualitária, porém surgem vestígios de rituais, como o enterro. Aparecem esqueletos com pigmentos associados – ocre-vermelho e  o cinábrio e o azul/verde. Curiosamente cada pessoa que morre implica a pintura das paredes, assim o número de enterros num edifício parece estar associado ao número de camadas subsequentes de pinturas arquitetónicas.

As casas organizavam-se em plataformas distribuídas consoante a sua função -para dormir, sentar ou trabalhar, e um fogão - e separadas pelo conceito, mais limpas e mais sujas.

Os mortos eram enterrados dentro da própria casa em posição fetal, sob plataformas que talvez fossem usadas como cama.

Um aspecto muito marcante são as estatuetas femininas que representam a idealização de uma divindade feminina ou a Deusa mãe. Embora houvesse representações masculinas, as estatuetas femininas são em maior número, não restando dúvidas.

Anabela Quelhas (arqtª)







15 dezembro, 2023

ANTECIPANDO


NATAL DA EMPATIA
ANTECIPANDO DIA 20
alegria, entusiasmo, olhares, gargalhadas, harmonia, diálogo, empatia, respeito, diversão, criatividade, união, abraços, sorrisos, saudades, acolhimento, 
Natal 
 

13 dezembro, 2023

No encalço de Espinosa

 


No encalço de Espinosa

Confesso que só comecei a ler sobre Espinosa, na minha maturidade. Foi-me apresentado há muitos anos, quando estudei Filosofia, talvez a reboque de Descartes, mas depois passei à frente, porque tinha o mundo à minha espera e eu tinha pressa.

Como nesta vida, nada se cria e tudo se transforma, José Rodrigues dos Santos apareceu na TV a apresentar o seu último livro, “O segredo de Espinosa”, e este voltou a ter lugar na conversa entre leitores. Ainda não li a obra deste autor, apenas registo mais uma vez a astúcia do mesmo em associar a sua escrita a personalidades de destaque na História da Humanidade.

Voltando a Espinosa, pelas palavras de Frederic Lenoir em 2019 “O milagre de Espinosa”, resolvi reler para poder avaliar melhor a criatividade de JRS, sobre este descendente de sefarditas portugueses, que abalam para Amsterdam, onde nasce e onde é excomungado pela Sinagoga Portuguesa por questionar as Sagradas Escrituras.

Procurar saber quem é DEUS, com sentido crítico, nem hoje é confortável e muito menos no século XVII. Qual é a verdade sobre Deus? O que é afinal a natureza? Deus será a natureza? Deus será uma complexa equação matemática e cósmica? Esta é uma busca proibida e depressa o jovem judeu descobre o preço a pagar pelas suas perguntas. Os rabinos judeus e os pregadores cristãos perseguem-no e acusam-no do pior dos crimes: heresia. Primeiro é afastado da sinagoga, depois tentam suborná-lo. Chegam a propor-lhe uma renda, para ele não divulgar as suas ideias filosóficas. Espinosa prefere a pobreza em vez da mentira, mesmo correndo risco de vida. A determinação e força do pensamento dos Homens é admirável e este jovem é determinado, porém, tem que tomar cautela, para sobreviver na Amsterdam do século XVII, de muitos canais, onde facilmente de faz desaparecer mentes livres.

Chegou a publicar algumas obras com pseudónimo, mas expulsam-no da Sinagoga Portuguesa mediante “HEREM”, com 23 anos, acompanhado por documento escrito em português. O Herem é o mais alto grau de punição dentro do judaísmo em que a pessoa é totalmente excluída da comunidade judaica. Um jovem de horríveis heresias que se recusa a afastar-se dos “maus caminhos” é o motivo.

Que maus caminhos seriam esses? Questionar-se sobre Deus, sobre a vida, sobre a morte, sobre a superstição (esperança/medo), sobre as contradições humanas, sobre a liberdade e sobre a felicidade – questões triviais, que muitos preferem ignorar, independentemente da religião, para não ter que enfrentar verdades, nem sempre confortáveis. A eterna procura da felicidade é consequência provável, devida à perda brutal dos seus familiares mais próximos, o que o faz questionar sobretudo a existência de Deus.

Ao ler Espinosa pelas palavras de Frederic Lenoir, regresso à cidade dos canais, à planta cebola de Amsterdam tentando descobrir, a rua onde viveu Espinosa, perto da casa de Rembrandt, numa casa já não existente no bairro judeu, onde agora se localiza a igreja católica de Moisés e Aarão. O Google Earth é formidável, é o meu recurso para eu regressar a Amsterdam e rever a rua de Espinosa, em modo século XXI.

Há uns anos visitei a Sinagoga Portuguesa de Amsterdam com sensação estranha, abstraí-me um pouco da vertente do Holocausto, e fixei-me mais nos segredos que aquelas paredes encerram, relacionados com o tribunal de excomunhões, mesmo desconhecendo se seria o mesmo edifício no tempo do livre-pensador.

O que Espinosa acrescenta 4 séculos depois? para além de 3 povos que o disputam, Holandeses, Judeus e Portugueses, a sua racionalidade mantém-se actual, é um pilar básico do método científico e é uma visão emancipadora do conhecimento.

Te gosto Spinoza, cidadão do mundo, universalista da razão, defensor da liberdade e da igualdade!

Publicado em NVR 13/12/2023


Passage des Panoramas

 


O acaso nas deambulações por Paris

Passage des Panoramas (internet)

As passagens cobertas de Paris são conhecidas no mundo todo. Elas foram construídas entre o final do século XVIII e metade do XIX, e durante muito tempo serviram de ponto de encontro tanto da burguesia da cidade quanto dos artistas e até de prostitutas. Muitas dessas galerias não existem mais, mas várias resistiram ao tempo. Dentre elas, está a mais antiga, a Passage des Panoramas, aberta em 1800.

O nome deve-se a um tipo de divertimento muito na moda na época, chamado panorama. Em 1787, o pintor escocês John Barker cria uma espécie de afresco que cobre toda a parede de uma torre redonda. Geralmente, essas pinturas tinham como tema a vista de uma cidade, daí o nome panorama, e eram mostradas na penumbra.

Em 1799, o empresário americano William Thayer compra os direitos de utilizar esse tipo de atração na França. Assim, ele instala duas dessas torres no lugar em que ficava o antigo hotel Montmorency, também comprado por ele, perto dos Grands Boulevards – que, na época, nada mais eram do que alamedas de terra, arborizadas, construídas segundo o traçado da antiga muralha de Charles V.

Então, para criar um caminho entre essas duas torres, Thayer manda construir uma passagem. Ela deveria ser coberta, para abrigar os pedestres do mau tempo, e servir também de atalho para as pessoas que iam e vinham do Palais Royal, que fica ali perto. Assim, o americano acabava atraindo visitantes para ver seus panoramas.

O sucesso é imediato. Como a bolsa de Paris ficava ali perto, o bairro atraía muitos investidores, e muitos deles acabaram abrindo lojas de prestígio na galeria.

Em 1807, é o Théâtre de Variétés que se instala dentro da passagem. Isso aumenta ainda mais movimento da Panoramas, pois, o teatro passa a ser um dos mais importantes lugares de reuniões artísticas de Paris. Ele ocupa o local até hoje.

O prestígio da Panoramas é tão grande, que, em 1816-1817, ela é um dos primeiros lugares a receber iluminação a gás. E na obra Voyage Descriptif et Historique de Paris (Viagem Descritiva e Histórica de Paris), de 1825, o escritor Louis-Marie Prud’homme chamava o lugar de « Petit Palais Royal ».

Mesmo com a demolição das torres com os panoramas, em 1831, a passagem continua muito frequentada. Mas o prolongamento da rue Vivienne até o Boulevard Montmartre e a concorrência de novas passagens, construídas na época, como a Galerie Vivienne ou a Colbert, fazem com que a Panoramas tenha que ser renovada para enfrentar a concorrência.

Uma das medidas é a construção, em 1834, de galerias adjacentes à principal: as galeries des Variétés, de Saint-Marc, de Feydeau, de la Bourse e de Montmartre. Assim, a passagem ganha várias entradas, ligando-a à nova rua (Vivienne). Nessa época, as principais lojas que ficavam ali vendiam leques, enxovais, bolsas, papeis, brinquedos, entre outras coisas.

Havia uma mais famosa e luxuosa, chamada Susse, onde em 1840, o escritor Alexandre Dumas, o pai, comprou o quadro La tasse dans la Prision des Fous, de Eugène Delacroix, por 600 francos. Vinte e seis anos depois, ele o venderia por 15 mil.

A passagem des Panoramas continua por todo o século XIX e começo do XX muito apreciada pelos parisienses, atraindo um público de todo o tipo. Mas, em 1929, a construção de um imóvel residencial faz com que a entrada sul da passagem seja modificada. É dessa época a demolição da Galerie de la Bourse, um das galerias adjacentes de 1834.

Em 1974, a Passagem é inscrita na lista de Monumentos Históricos. Porém, ela está muito mal conservada, tendo sido desfigurada ao longo de algumas transformações e sufocada por construções vizinhas. Até que, em 1988, o sindicato dos co-proprietários resolve restaurar a Panoramas para lhe devolver o brilho e a glória de origem.

Novas lojas são instaladas e a passagem atrai novos públicos, incluindo os turistas. A parte principal é a mais animada. Cafés e restaurantes de todos os tipos – francês, creperia, indiano e até orgânico – dão vida ao lugar.

Hoje, a Passage des Panoramas é conhecida também por abrigar várias lojas de selos, cartões-postais e fotografias. Algumas partes estão precisando de restauro, mas, ainda assim, é um lugar bonito, charmoso e diferente. Quase uma viagem no tempo.









11 dezembro, 2023

06 dezembro, 2023

Anita e a Restauração

 


Como sou de sítio nenhum, é raro estas datas históricas terem para mim, o significado que têm para a maioria dos portugueses. Respeito-as, tento compreender o seu significado, mas falta-me o sentido patriótico. É uma sensação estranha, é como ir à bola e não ter clube.

Questiono casamentos e uniões de facto no século XXI, compreendo os casamentos estratégicos, que aconteceram ao longo de quase toda a monarquia europeia, que se resumiam à ambição de juntar e possuir mais e mais território e tenho muita dificuldade em perceber a evolução daquela união de facto entre Portugal e Castela, pós D. Sebastião, talvez por ignorância e por não conhecer com profundidade a estratégia política do século XVI/XVII. Não sei tomar partido, não sei avaliar, surgem muitos questionamentos, e permanece o orgulho dos tugas pela Restauração de 1640.

Tal como nas uniões de facto, cada elemento do casal tem a sua versão, da vida em comum; enquanto tudo corre bem, nos primeiros meses de acasalamento, se de facto a união se estabelece de livre vontade, tudo corre às mil maravilhas. Quando a paixão passa, e o amor esmorece, após o período da procriação, cada um começa a desencantar-se com a falha nas promessas não cumpridas, a melodia do ressono nocturno passa a ser um motivo de reclamação da parte do parceiro insone, o mau hálito matinal, torna-se insuportável e ausente de feromonas, a pinga na tampa da sanita associa-se a badalhoquice masculina, o bacalhau à Brás tão elogiado pelo doce Romeu, passa a ter espinhas devido a um bacalhau mal demolhado, mal desfiado e com espinhas disfarçadas, que rasgam goelas, a unha do dedo mínimo, convertido em brinquedo sexual, passou apenas a funcionar como desentupidor de ouvidos…

Naquela união de reinos vizinhos, tanto tugas como castelhanos, estavam ávidos de deitar a mão a toda a riqueza que pudessem – isto penso que é inquestionável – e tiveram 60 anos para o fazer. Um dia, os tugas acusando um certo descontentamento na divisão de praças e fortunas, resolveram construir o feriado do 1.º de Dezembro. Parece que 40 matulões tugas, resolveram dar por terminada esta união, que já só prometia paulada e desaforos, porém, alguém tinha que ficar à frente da empreitada e foram buscar João, 7.º Duque de Bragança, homem que até ficou bem no retrato de bigode arrebitado, bonitão, cheio de estilo e corte de cabelo à tótó, mas que padecia de inatividade e preguiça. Porque isto de andar à paulada tem os seus riscos, lembrem-se que naquela época, um individuo levava uma naifada no bucho e não havia urgências, nem SNS, as tripas ficavam de fora e pronto. João, de facto, preferia vida mansa de duque, em Vila Viçosa, gozando o património familiar e suportando o salero da esposa, do que a dar a cara pelos tugas, mas saiu-lhe na rifa, uma mulher ambiciosa. Luisa de Gusmão, de apelido original Guzmán y Sandova, escolhida pelo rei de Castela para esposa de João, com o objectivo de manipular e controlar João, não esteve com meias medidas, pôs-se ao lado dos tugas (vá-se lá entender as mulheres!), virou-se para o marido que repousava tranquilamente no leito e disse:

- Estás parvo ou quê? Tens medo que te vão ao focinho? Se calhar levas de uma maneira ou de outra! Prefiro ser rainha por uma hora do que duquesa toda a vida.

João lá se sentou na cama, bocejou, procurou lentamente os chinelos, fazendo-se bastante rogado e dirigiu-se ao criado mudo. Confunde-se até hoje, se foi movimento patriota ou necessidade fisiológica. Entretanto, o Vasconcelos, em Lisboa, escrivão da Duquesa de Mântua, vice-rainha, completamente à rasca levou um balázio e voou janela fora, ainda quente e sem asas.

João apelidado por “rei de trazer por casa” não teve outra saída, transformou hesitação em prudência, preguiça em estratégia, e foi aclamado Rei, com a sábia ajuda de Padre António Vieira, que afinal é personagem um pouco ignorada neste processo, apesar do calendário não combinar – sim! esse do “Sermão de Stº. António aos Peixes”, cuja vida e obra poderia dar um filmão estrondoso em Hollywood, e foi o grande estratega português do século XVII, assim como o grande imperador da língua portuguesa

Conclusão, João tinha razão, acabou-se-lhe o sossego, nunca mais teve uma noite tranquila e relaxante, safou-se por pouco de um atentado. O seu primo Filipe não era para brincadeiras.

Publicado em NVR 6/12/2023

ANTECIPANDO



 Obviamente no Porto e aqui - tomar o p.a. com essa vista maravilhosa, mesmo que chova ou faça sol. 

Um local com tantas memórias.

Hotel D. Henrique, Porto