AFRODISÍACOS
Quando se ouve a palavra
"afrodisíaco", alguns pensam que é uma palavra com origem em África,
mas não, “Afrodisíaco” é directa e etimológicamente derivada do nome da deusa
grega do amor, da beleza e da sexualidade, denominada por Afrodite.
A palavra “afrodisíaco” refere-se a
substâncias ou actos que estimulam o desejo sexual, sendo uma herança cultural
da Grécia Antiga.
Em Zeus não dorme, já se referiu a
deusa Afrodite e hoje vamos explorar melhor a sua origem e as suas capacidades.
Afrodite é a deusa do amor, desejo e
atracção, sendo muitas vezes considerada uma personificação da paixão e do
prazer sexual. A sua origem mitológica remonta à sua alegórica relação com a
fertilidade e a atracção amorosa, elementos essenciais nas culturas antigas
para promover a continuidade da vida e da prosperidade.
Quem não se lembra da célebre pintura
de Boticelli “O Nascimento de Afrodite”, ou Vénus para os romanos, que está
exposta na Galeria
Uffizi em Florença, Itália? A pintura representa a deusa emergindo do mar sobre
uma concha, já mulher aparentemente adulta, conforme descrito na mitologia grega.
Afrodite está nua em pose púdica, estilizada com formas alongadas, cabelo ruivo
comprido, tentando tapar a nudez com as mãos e o cabelo, e olhar melancólico.
Agora vamos ainda mais atrás.
Afrodite nasceu do sangue de Urano,
cujo sexo foi cortado pelo seu filho Cronos, e caiu ao mar. O esperma, que daí
correu, misturou-se com a espuma das ondas e deu origem a Afrodite.
Também é tia de Zeus e é certamente a
mais bonita e mais bondosa das deusas.
Casa-se com Hefesto um sobrinho neto,
deus coxo, o que não constitui problema no mundo dos deuses.
Teve vários amantes, incluindo Áres,
deus da guerra, do qual gerou o filho Eros. Afrodite além de ser bela, é charmosa
e possui muito poder de sedução. Como divindade do amor exerce poder sobre
todos os homens e sobre todos os deuses incluindo Zeus, este apesar de ser o
deus todo poderoso passou parte da vida a perseguir o amor. Apenas três deusas
resistem a Afrodite, porque pretendem permanecer virgens, Atenas deusa da
guerra, Árthemis que prefere dedicar-se à caça, e Héstia deusa do lar. Todos os
outros deuses cedem à lógica do amor de Afrodite. Zeus um dia resolve
vingar-se, fazendo com que ela se apaixone, para saber o que é sofrer por amor.
Afrodite apaixona-se perdidamente, pelo
jovem e belo Anquises, do qual tem um filho Eneias, figura da Guerra de Troia e
cujo descendente é Rómulo, fundador de Roma.
Historicamente, diversas culturas
associaram certos alimentos, plantas e substâncias ao despertar do desejo
sexual, muitas vezes ligados às divindades do amor. Na Grécia antiga, por
exemplo, alguns ingredientes considerados afrodisíacos eram usados em rituais
religiosos e celebrações em homenagem a Afrodite.
O uso de certas especiarias, óleos
aromáticos como o
olíbano, e de plantas como a fenugreca e alimentos como tâmaras, mel, e frutos-do-mar,
que simbolizavam a fertilidade e o prazer, refletem uma conexão simbólica com a
deusa.
Em suma, a relação entre afrodisíacos
e Afrodite é profundamente enraizada na simbologia da deusa como personificação
do amor e da atracção. Essa conexão perpassa séculos de história, refletindo a
universalidade do desejo e a sua veneração através das práticas religiosas e
culturais em torno de Afrodite.
Que os deuses te sorriam. Alegra-te!
Kairé!
[Emissão “Zeus não dorme”, descubra a mitologia grega na sua
vida – Rádio Universidade FM – 26|27|28 de Junho de 2026]
Publicado em NVR 12|08|2026

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