30 setembro, 2026

O COMPLEXO DE ÉDIPO

 


O COMPLEXO DE ÉDIPO

 

De uma forma geral, todos sabem que o Complexo de Édipo se relaciona com a paixão de um rapaz pela própria mãe e o sentimento de rejeição e ódio em relação ao pai.

O Complexo de Édipo é uma teoria psicanalítica desenvolvida por Sigmund Freud no início do século XX, chocando o mundo, e descreve uma fase do desenvolvimento psicossexual infantil, geralmente entre os três e seis anos de idade. Nesse período, a criança experimenta sentimentos de desejo pelo progenitor do sexo oposto e rivalidade ou rejeição relativamente ao progenitor do mesmo sexo. Essa dinâmica é considerada uma etapa normal do crescimento, cuja resolução adequada contribui para a formação de uma identidade sexual saudável e para relacionamentos futuros mais maduros.

Na tragédia grega "Édipo Rei", escrita por Sófocles por volta do século V a.C., a história de Édipo é apresentada como uma tragédia que envolve destino, ignorância e acções inconscientes.

O rei Laio, pai de Édipo, rei de Tebas, ouviu de um Oráculo de Delfos que o filho algum dia o mataria e desposaria a própria mãe, a rainha Jocasta. Perturbado com a revelação, o rei julgou que a melhor solução seria matar o menino antes que a profecia se realizasse.

Diante da decisão tomada, um pastor é convocado pelo rei para levar Édipo, que teria os pés amarrados e seria deixado pendurado numa árvore no monte Citerão até ser atacado pelas feras. Com pena, o pastor desobedece às ordens e leva o bebé para sua casa. Por ser muito pobre, a família do pastor não consegue reunir condições para criar Édipo e acaba dando-o ao rei Políbio, o rei de Corinto, e à rainha Mérope, sua esposa, que passam a tratá-lo como próprio filho. O rapaz cresce e recebe a revelação perturbadora de que havia sido adoptado. Édipo foge para Delfos para consultar o Oráculo, e este confirma que no seu futuro matará o seu pai e se casará com a sua mãe.

Transtornado com a notícia, Édipo sai desvairado e encontra-se numa encruzilhada com o seu pai biológico (que desconhecia) e com mais alguns acompanhantes. Édipo envolve-se numa violenta disputa pelo direito de passagem, matando Laio após ser agredido. É desse modo que a primeira parte da profecia se concretiza: o filho mata o próprio pai.

Quando chega a Tebas, a sua cidade natal, Édipo depara-se com a Esfinge, um monstro com corpo de leão, asas de ave e rosto de mulher, que aterrorizava a cidade de Tebas devorando os viajantes que não conseguiam decifrar o seu enigma.

“Que criatura pela manhã tem quatro pés, ao meio-dia tem dois, e à tarde tem três?”

Édipo é o único a desvendar o enigma. A resposta para a questão da Esfinge, era o HOMEM, que gatinha com "quatro pés" quando é bebé, anda sobre dois quando é adulto e utiliza três pernas quando envelhece (as duas que já carrega mais a bengala).

Por resolver a questão colocada pela Esfinge, esta sentindo-se derrotada, atira-se de um precipício. Como recompensa por libertar a cidade, Édipo é aclamado como herói, coroado Rei de Tebas e recebe a rainha viúva, Jocasta, como esposa, concretizando a segunda parte da profecia. Juntos, Édipo e Jocasta chegam a ter quatro filhos (duas filhas e dois filhos).

Quando consultam novamente um Oráculo, Édipo percebe que o seu destino se concretizou. Desesperado, arranca as órbitas dos próprios olhos, ficando cego e afirma que não quer ser testemunha da própria desgraça e dos próprios crimes. A esposa/mãe, por sua vez, a rainha Jocasta, suicida-se.

Voltando ao complexo de Édipo, evocado tantas vezes de forma gratuita, aconselha-se prudência, porque a comparação é em sentido figurado, aplicada por vezes a um apego emocional excessivo ou uma dependência extrema em relação a um dos pais, que se reflecte na vida adulta, mas não tem certamente a evolução da tragédia grega.

Que os deuses te sorriam. Alegra-te! Kairé!

[Emissão “Zeus não dorme”, descubra a mitologia grega na sua vida – Rádio Universidade FM – 28|29|30 de Agosto de 2026]

Publicado em NVR 30|08|2026

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