Rebaldaria, não obrigada.
O financiamento político é um tema
central no funcionamento de qualquer sistema democrático, pois influencia directamente
a transparência, a integridade e a legitimidade das instituições e dos processos
eleitorais.
Em Portugal, recentes mudanças
promovidas pela Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP)
representam um retrocesso preocupante na transparência do efeito do dinheiro,
que sustenta os partidos e campanhas eleitorais.
Historicamente, a divulgação dos
doadores permitia à sociedade compreender quem financiava o quê, ajudando a
identificar possíveis interesses ocultos e essencialmente a evitar a influência
indevida de grandes financiadores. Essa prática convertia este monstro da política
em algo mais confortável para todos (se calhar sou ingénua) e mais
transparente. No entanto, a decisão actual, de tornar confidencial a consulta
pública dos doadores, rompe com essa tradição e abre espaço para a opacidade,
que eu chamaria rebaldaria.
A ocultação põe em risco a
integridade do processo eleitoral ao facilitar doações de grandes empresários,
que podem ficar ocultas, e ao permitir que interesses específicos influenciem
as decisões políticas sem a devida fiscalização. A ocultação entorta a
democracia!
Deve-se à transparência sabermos o
que interessava à Mota-Engil grupo Barraqueiro e à família Salgado e muitos
outros… e por quê Cavaco Silva foi como foi. Só assim se consegue unir as
pontas do labirinto de interesses, doa a quem doer.
No contexto europeu, outros países
continuam a divulgar os doadores na internet, reforçando o compromisso com a
transparência e o combate à corrupção. Nós aqui em Portugal queremos dar vez ao
“Chico-espertismo” e legalizá-lo.
O argumento de que a
confidencialidade protegeria os doadores de possíveis represálias (ai
coitadinhos, ai coitadinhos) é contestado por muitos democratas tentando evitar
que os partidos possam tornar-se dependentes de financiamentos obscuros ou de
interesses particulares, distorcendo a representação democrática. Numa
sociedade verdadeiramente democrática, deveria eliminar-se a influência do
dinheiro privado.
Na minha modesta opinião, na fase
madura da democracia, até eliminaria o financiamento directo dos partidos e das
campanhas eleitorais. Quem quer exercer o seu direito altruísta no campo das
eleições democráticas deveria fazer doações para a Comissão geral de eleições e
estaria o assunto arrumado. O raciocínio é sempre o mesmo, quem tem dinheiro
financia os partidos mais próximos da sua ideologia e interesses, ou seja, os
partidos que defendem o dinheiro e não as pessoas, sendo algo secreto facilita
ainda mais a gestão de interesses obscuros. É urgente inverter esta lógica e
apoiar sem interesse por qualquer ideologia política.
A proposta de limitar ou eliminar o
financiamento privado visa reduzir a influência de interesses económicos na
política, promovendo uma democracia mais justa, onde a participação não seja
condicionada por recursos financeiros. Assim, é fundamental repensar o modelo
de financiamento político, buscando uma alternativa que priorize o interesse
público, promova a transparência e fortaleça a confiança na democracia e não o
contrário.
É importante também, sabermos se num
país pobre como o nosso, é isto que queremos, campanhas eleitorais exuberantes,
exageradas, sem qualquer criatividade, com cartazes gigantes, debates
televisivos maçadores e intermináveis, entrada nas escolas e outros locais de
trabalho, o domínio completo da Notícia nos meios de comunicação social, e
depois, ainda mais grave, não se obrigar a retirar toda a poluição visual
utilizada e nós cidadãos comuns termos de levar todos os dias com a tromba
daquele que nunca digo ou escrevo o nome.
Publicado em NVR 22|04|2026

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