08 março, 2018

Ahed Tamimi


Ahed Tamimi
"Eu gostaria que toda a minha família fosse libertada assim como todos os outros prisioneiros palestinianos. Quero ver o meu grande sonho de um dia viver numa Palestina livre".
         Desta vez, antecipo-me ao Dia Internacional da Mulher, reflectindo sobre uma declaração de Ahed Tamimi, uma menina palestiniana de 16 anos, acusada de 12 crimes.
         A guerra não tem sexo, assim como o terror e a injustiça. Mas exactamente por ser uma menina e corajosa, os relatos das suas acções continuadas de protesto e de revolta, correm o mundo, apenas porque a guerra se vulgarizou. Todos os dias somos bombardeados por imagens da Síria e da Palestina. Por vezes até as confundo, umas com as outras, quando chocam com uma barreira que eu própria construí na minha mente, para proteger a minha sensibilidade. E como a guerra se vulgarizou, esta menina parece que desperta consciências. Por quanto tempo?
         Ahed deveria estar a sonhar com príncipes e princesas, ir aos festivais rock, criar a sua primeira maquilhagem, ler os primeiros romances de amor a sério, jogar ao Stardolls, ansiar pelas festinhas com os amigos, aborrecer-se com os pais por querer mais vezes comer hambúrgeres, experienciar as suas primeiras saídas nocturnas e dedicar-se às novidades tantas vezes fúteis que invadem a vida das adolescentes, revoltando-se com as rotinas e obrigações familiares.
         Ahed personifica todos os meninos e meninas do mundo com experiências diárias ligadas a situações de guerra, de morte, de detenção dos familiares e amigos, quando deveria viver em paz, frequentar a escola e respirar educação, conforto e amor.         Imaginem-se na situação destes seres humanos em miniatura, que lhes tiram o direito de serem crianças e de serem adolescentes. Passam directamente à idade adulta, sem viverem essas fases de desenvolvimento do ser humano, preciosas na construção das suas personalidades. Uma passagem rápida e sofrida, que resvala diariamente em direcção à luta pela sobrevivência e de luto permanente por aqueles que lhes são próximos e que vão desaparecendo numa guerra estúpida.
         Todas as guerras são estúpidas.
         E todas as guerras geram angústia, depressão e revolta em quem sofre.
         Ahed Tamimi encontra-se detida desde Dezembro de 2017, para que os seus protestos se anulem, se emudeçam, por isso é necessário falar acerca dela e sobre o que ela representa.
         Segundo a Amnistia Internacional, há actualmente 350 crianças ou adolescentes palestinianos na cadeia, regularmente sujeitos a "maus tratos, sendo vendados, ameaçados, colocados em prisão solitária, ou interrogados sem a presença dos seus advogados ou familiares".
         Isto não é uma humilhação para o exército israelita, isto é uma humilhação para o mundo.

Publicado em NVR
Anabela Quelhas

2 comentários:

adrian a. ortelli disse...

gracias. obrigado. nao posso en Face
no lo puedo compartir en Face, x que?

a. quelhas disse...

Sim, podes partilhar com o link
http://estiradorsemrima.blogspot.pt/2018/03/ahed-tamimi.html