30 maio, 2017
O FATO QUE NUNCA VESTIMOS
24 maio, 2017
… que estratégia foi essa?
20 maio, 2017
CONVITE
14 maio, 2017
11 maio, 2017
COLCHAS NAS VARANDAS
Colchas nas varandas
Sempre
me impressionaram as multidões. Porque se juntam as multidões em torno de
certas pessoas com objectivos pouco consensuais? Interrogo-me sempre sobre
isso. O que as leva a estar e a entrar em euforia colectiva.
De repente, não sei em que ano, talvez em 1965, vi-me
numa janela do largo do Pelourinho número dez, em Vila Real, assistindo ao
passeio de Sua Excelência o Contra Almirante Américo Tomás, com a esposa e a filha
(feias de fugir), pela cidade de Vila Real, dentro de uma viatura de cerimónias
dos bombeiros, vermelha, com muitos prateados e dourados, acenando para todos,
especialmente para a fina flor vila-realense. Puseram-se colchas nas varandas e
foi recebido em apoteose — aplausos, vivas, capas dos estudantes no chão para
Sua Excelência pisar e caminhar...
… colocam-se colchas nas varandas
para receber alguém, porquê? Para ver passar as procissões religiosas e neste
caso um presidente da república não eleito pelo povo?
Nunca tinha visto nada igual, nem tanta gente junta. Foi
um desfile triunfante, com chuva de papelinhos, polícia e grande reboliço entre
os que gritavam “Vivas”. Provavelmente haveria uma comitiva, mas a minha
focagem era aquele automóvel descapotável, antigo, vermelho, que eu nunca tinha
visto, com um senhor vestido de branco, cheio de medalhas a acenar, a acenar…
O meu pai não estava e tinha deixado a recomendação à
minha tia, umas horas antes:
— Aqui ninguém vai para a rua. Se quiserem ver, usem a
janela. Passo por cá mais tarde.
Fiquei aborrecida, pois eu adorava festas e ali que se
adivinhava uma grande festa, eu tinha que ficar confinada a uma janela do 2º
andar! As ordens do meu pai, nesta minha fase infantil, eram para cumprir, sem
ousar qualquer reclamação.
Claro que esta era mais uma manifestação de propaganda
política do Regime do Estado Novo, a enfrentar problemas na opinião pública
sobre as consequências da guerra colonial. Era preciso unir, era preciso
reforçar a identidade dos portugueses em torno do império colonial, que
começava a fraquejar.
Porque se juntam as multidões?
Na Alemanha, os alemães aplaudiram Hitler. Hitler falava
às massas com os seus discursos inflamados e as massas estavam lá, para ver,
ouvir, aplaudir e para o seguir. E também havia colchas nas varandas. Eu ainda
não sabia onde ficava a Alemanha, mas já tinha visto na televisão as multidões
e as colchas.
As colchas penduradas nas varandas e nas janelas
associam-se aos actos religiosos, mas a sociedade civil tem esta estranha
tendência de usar este adorno para receber as autoridades, ou seja, favorecendo
pelo aparato, e lamentavelmente contribuir para um certo endeusamento dos
políticos.
….
Nessa noite ou noutra noite qualquer semelhante, pois as
crianças nem sempre têm uma memória cronológica, feita de colchas coloridas,
mas sim de retalhos…. retalhos, simples e ingénuos, regressámos à casa da
aldeia, no Taunus 12 M azul dos meus
pais. O automóvel era velho, a cair aos pedaços e estava habituado a carregar
cimento e tijolos para as obras. Quando nevava, deixava entrar a neve pelo
chão, junto aos pés de quem viajava atrás, normalmente eu, quando não queria
viajar entre o meu pai e a minha mãe, no banco corrido da frente, pois essa
localização fazia-me lembrar a minha condição de criança — carro velho, mas
ainda capaz de realizar pequenas distâncias.
.… eu ia atrás, mais um casal de jovens, que
nunca tinha visto. Sabia que um deles era meu primo. Uns tempos antes tinha
ouvido falar duma peripécia qualquer com o meu pai, envolvido num pequeno
sarilho, transportando este primo para Lisboa, com uma mala de conteúdo
duvidoso, possivelmente subversivo. Uma história que poderia ter terminado mal,
pois o meu primo decidiu sair do carro antes do final da viagem e o meu pai
ficou com a referida mala, esquecida durante dois dias, no carro estacionado à
frente do hotel onde se hospedara, sem saber o que fazer com ela, nem ao seu
conteúdo desconhecido, até ao momento que decidiu abri-la. Livros, papeis, fios
eléctricos, arames, alicates, chaves de fendas e outras ferramentas úteis para
certas “intervenções urbanas revolucionárias”, eram o conteúdo da mala, que foi
abandonada às escondidas, algures no Ribatejo.
Era noite escura, eles entraram no carro num sítio
qualquer, já fora da cidade de Vila Real, parecia que tudo estava a ser feito
na clandestinidade, mas bem combinado. Eu, nessa noite, estava cheia de perguntas
para fazer, que não chegaram a ser proferidas. O casal parecia alegre e
simpático, mas havia ali um clima de muita reserva e contenção, o nervosismo
acompanhou toda a viagem, penso que devido à minha presença, para eu não ouvir
o que não devia, receando que pudesse contar a alguém, fazendo perigar a segurança
e a paz de todos.
Anos depois, descobri que se tratava de uma fuga à PIDE — o casal exilou-se na Suíça, regressando a Portugal apenas após a revolução de Abril.
Publicado em "O fato que nunca vestimos" - Anabela Quelhas (2017)
ISBN: 978-972-8546-65-6
10 maio, 2017
Mas que aventura é esta, Madame?
(Publicado em NVR)
09 abril, 2017
AGORA É TARDE!
21 março, 2017
Sendo dia de poesia
19 março, 2017
18 março, 2017
Tulipeira da Virgínia
13 março, 2017
13 de março
11 março, 2017
Três Estudos de Lucian Freud
08 março, 2017
Uma competência desmedida
05 março, 2017
04 março, 2017
Há brancos que invadem as noites
02 março, 2017
VIENA, BUDAPESTE, BRATISLAVA E PRAGA
1o DIA • PORTO OU LISBOA (AVIÃO) – VIENA Em horário a combinar, comparência no aeroporto escolhido para embarque em voo regular com destino a Viena, via Lisboa. Chegada e assistência nas formalidades de desembarque.
Panorâmica de apresentação da cidade pela principal avenida
– a Ringstrasse, onde se encontram grande parte dos edifícios emblemáticos tais
como a Ópera; Hofburg, Palácio Imperial de Inverno; o Parlamento; a Câmara
Municipal; os Museus de História Natural e Belas Artes, entre outros. Jantar.
Alojamento no Hotel Flemings Deluxe 4*.
Josefstädter Straße 10-12, 08. Josefstadt, 1080 Viena, Áustria
2o DIA • VIENA Visita ao interior do Palácio de Schönbrunn e
seus jardins, antiga residência de verão da família imperial. Visita exterior
ao Palácio Belvedere e seus jardins. Passeio pedonal pelo centro histórico, com
especial destaque para a Catedral de S. Estêvão. Almoço. Tarde livre para
atividades de caráter particular no centro da cidade ou efetuar qualquer visita
a gosto pessoal. À noite, concerto de música clássica com valsas e polkas
(opcional). Jantar. Alojamento.
3o DIA • VIENA – BUDAPESTE Saída para Budapeste, cidade fundada em 1873 em consequência da unificação de três cidades, Buda, Óbuda e Peste, e famosa pela sua arquitetura, termas, museus, galerias de arte e palácios. Dia dedicado à visita à capital húngara, com orientação de guia local. Começamos pela Colina de Buda, miradouros, praças, exterior do Palácio Real, Bastião dos Pescadores e interior da Igreja de Matias Corvino. Seguidamente, visitaremos a Praça da Catedral de Sto. Estevão, percorreremos a Avenida Andrassy com os elegantes palácios e o edifício da Ópera até chegarmos à Praça dos Heróis ou Millenium. Almoço durante as visitas. Visita à imponente praça construída para comemorar os 1000 anos da fundação da Hungria, com as estátuas dos líderes das sete tribos magiares e ainda visita ao Parque da Cidade e Castelo Vajdahunyad. Ao final da tarde ou noite, possibilidade de efetuar um programa facultativo com cruzeiro no Danúbio e jantar típico com música e danças húngaras (opcional). Alojamento no Hotel Mercure Budapest City Centre 4* .
4o DIA • BUDAPESTE – BRATISLAVA Manhã livre para atividades de caráter particular. Sugerimos a visita ao Parlamento, Galeria ou Museu Nacional, compras na rua Vaci e mercados tradicionais. Almoço. Saída para Bratislava. Jantar. Alojamento no Hotel Crowne Plaza Bratislava 4* .
Hodzovo Namestie 2, 81625 Bratislava, Eslováquia
5o DIA • BRATISLAVA – PRAGA Visita à capital Eslovaca, a maior cidade do país situada nas margens do Danúbio. Destaque para o centro histórico, com visita interior à Catedral de S. Martin, passagem pelo edifício da Câmara Municipal, Palácio dos Arcebispos, Palácio do Presidente, Praça Central e pelo Teatro Nacional. Almoço. Partida para Praga, a cidade mágica, dos palácios, das praças, dos cantos e recantos e das pontes. Como dizia Kafka, “Praga não deixa a gente ir embora, tem garras”. É a música, o Teatro Negro, o fascínio de uma cidade única, a cidade das 100 torres, um verdadeiro museu ao ar livre. Jantar. Alojamento no Hotel Vienna House Diplomat 4*.
6o DIA • PRAGA Início das visitas à zona alta de Praga: Hradcany ou zona do Castelo. Começamos pela Biblioteca e Mosteiro Strahov. Continuação pela Praça de Na Sra de Loreto, com visita exterior a vários Palácios de famílias nobres que aqui residiram, até chegarmos à Praça do Castelo, centro político e espiritual da Boémia. Visitas à Catedral de S. Vito, ao antigo Palácio Real, à Basílica de S. Jorge e à célebre Rua do Ouro. Almoço. Prosseguimento através da Cidade Pequena,Malá Strana, uma das zonas mais charmosas de Praga, com as suas magníficas igrejas, palácios e jardins barrocos. Visita à Igreja do Menino Jesus de Praga, passagem pela jurisdição dos cavaleiros de Malta, ilha de Kampa e travessia do rio Vltava pela Ponte Carlos. À noite, cruzeiro com jantar a bordo pelo rio Vltava. Alojamento.















