Paz
Cumplicidade
Alinhamento
Um caminho
Onde o vento fala
Onde o mar tem sempre algo para contar
Renasci para ser.
Paz
Cumplicidade
Alinhamento
Um caminho
Onde o vento fala
Onde o mar tem sempre algo para contar
Renasci para ser.
O COMPLEXO DE ÉDIPO
De uma forma geral,
todos sabem que o Complexo de Édipo se relaciona com a paixão de um rapaz pela
própria mãe e o sentimento de rejeição e ódio em relação ao pai.
O Complexo de Édipo é
uma teoria psicanalítica desenvolvida por Sigmund Freud no início do século XX,
chocando o mundo, e descreve uma fase do desenvolvimento psicossexual infantil,
geralmente entre os três e seis anos de idade. Nesse período, a criança
experimenta sentimentos de desejo pelo progenitor do sexo oposto e rivalidade
ou rejeição relativamente ao progenitor do mesmo sexo. Essa dinâmica é
considerada uma etapa normal do crescimento, cuja resolução adequada contribui
para a formação de uma identidade sexual saudável e para relacionamentos
futuros mais maduros.
Na tragédia grega
"Édipo Rei", escrita por Sófocles por volta do século V a.C., a
história de Édipo é apresentada como uma tragédia que envolve destino,
ignorância e acções inconscientes.
O rei Laio, pai de
Édipo, rei de Tebas, ouviu de um Oráculo de Delfos que o filho algum dia o
mataria e desposaria a própria mãe, a rainha Jocasta. Perturbado com a
revelação, o rei julgou que a melhor solução seria matar o menino antes que a
profecia se realizasse.
Diante da decisão
tomada, um pastor é convocado pelo rei para levar Édipo, que teria os pés
amarrados e seria deixado pendurado numa árvore no monte Citerão até ser
atacado pelas feras. Com pena, o pastor desobedece às ordens e leva o bebé para
sua casa. Por ser muito pobre, a família do pastor não consegue reunir
condições para criar Édipo e acaba dando-o ao rei Políbio, o rei de Corinto, e
à rainha Mérope, sua esposa, que passam a tratá-lo como próprio filho. O rapaz
cresce e recebe a revelação perturbadora de que havia sido adoptado. Édipo foge
para Delfos para consultar o Oráculo, e este confirma que no seu futuro matará
o seu pai e se casará com a sua mãe.
Transtornado com a
notícia, Édipo sai desvairado e encontra-se numa encruzilhada com o seu pai
biológico (que desconhecia) e com mais alguns acompanhantes. Édipo envolve-se
numa violenta disputa pelo direito de passagem, matando Laio após ser agredido.
É desse modo que a primeira parte da profecia se concretiza: o filho mata o
próprio pai.
Quando chega a Tebas, a
sua cidade natal, Édipo depara-se com a Esfinge, um monstro com corpo de leão,
asas de ave e rosto de mulher, que aterrorizava a cidade de Tebas devorando os
viajantes que não conseguiam decifrar o seu enigma.
“Que criatura pela manhã tem quatro
pés, ao meio-dia tem dois, e à tarde tem três?”
Édipo é o único a
desvendar o enigma. A resposta para a questão da Esfinge, era o HOMEM, que
gatinha com "quatro pés" quando é bebé, anda sobre dois quando é
adulto e utiliza três pernas quando envelhece (as duas que já carrega mais a
bengala).
Por resolver a questão
colocada pela Esfinge, esta sentindo-se derrotada, atira-se de um precipício.
Como recompensa por libertar a cidade, Édipo é aclamado como herói, coroado Rei
de Tebas e recebe a rainha viúva, Jocasta, como esposa, concretizando a segunda
parte da profecia. Juntos, Édipo e Jocasta chegam a ter quatro filhos (duas
filhas e dois filhos).
Quando consultam
novamente um Oráculo, Édipo percebe que o seu destino se concretizou. Desesperado,
arranca as órbitas dos próprios olhos, ficando cego e afirma que não quer ser
testemunha da própria desgraça e dos próprios crimes. A esposa/mãe, por sua
vez, a rainha Jocasta, suicida-se.
Voltando ao complexo de Édipo,
evocado tantas vezes de forma gratuita, aconselha-se prudência, porque a
comparação é em sentido figurado, aplicada por vezes a um apego emocional
excessivo ou uma dependência extrema em relação a um dos pais, que se reflecte
na vida adulta, mas não tem certamente a evolução da tragédia grega.
Que os deuses te sorriam. Alegra-te! Kairé!
[Emissão “Zeus não dorme”, descubra a mitologia grega na sua
vida – Rádio Universidade FM – 28|29|30 de Agosto de 2026]
Publicado em NVR 30|08|2026
Voz: Anabela Quelhas
file:///E:/radio/audio/289%20-%20vindima%20miguel%20torga.mp3
Está no Museu Cappella Sansevero em
Nápoles, Itália.
A rede detalhada que
cobre o homem foi esculpida directamente num único bloco de mármore - trabalho solitário, pois nenhum
assistente quis ajudar com medo de estragar a peça.
O
EMBURRECIMENTO DA SOCIEDADE (2)
Falta saber se o
emburrecimento é uma consequência, ou se é planeamento.
O emburrecimento das
pessoas é um excelente instrumento para derrubar democracias. A sociedade
moderna parece condicionar as pessoas a pensar de forma superficial e distraída
com fofoca de situações menores. Como a
atenção se fragmenta, a curiosidade se perde e a profundidade do pensamento se
torna cada vez mais rara? A Cultura do Emburrecimento revela os mecanismos por
trás dessa transformação.
A questão é: se o
emburrecimento das pessoas é uma consequência natural de processos sociais ou se
é um resultado deliberado de estratégias de manipulação complexas e
multifacetadas. De um lado, podemos argumentar que a sociedade moderna, com a
sua constante exposição a informações fragmentadas, tecnologias de distração e
uma cultura de superficialidade, contribui para um empobrecimento do pensamento
crítico e profundo. Nesse sentido, o emburrecimento seria uma consequência das
próprias dinâmicas sociais, económicas e tecnológicas que favorecem a rápida
troca de informações superficiais, dificultando a reflexão aprofundada.
Eu diria que pensar
dói!
Por outro lado, há quem
defenda a ideia de que esse processo de emburrecimento é, em parte, planeado ou
incentivado por interesses específicos. Alguns teóricos sugerem que certos
grupos ou instituições podem beneficiar-se de uma população menos crítica, mais
facilmente manipulável e menos inclinada a questionar a sociedade e as
múltiplas questões que a envolvem. O emburrecimento das massas torna-se uma
ferramenta para facilitar a manutenção do poder e a derrubada de democracias,
que dependem de cidadãos informados, activos, interventivos e capazes de pensar
de forma autónoma.
A cultura do
emburrecimento, portanto, revela-se como um mecanismo consciente ou
inconsciente que actua na formação de uma sociedade cada vez mais superficial,
onde a atenção se fragmenta, a curiosidade se perde e a profundidade do
pensamento se torna uma exceção. A proliferação de conteúdos rápidos, o
estímulo ao consumo imediato de informações e a banalização do conhecimento
contribuem para esse cenário, tornando a sociedade moderna cada vez mais
distraída e menos capaz de refletir criticamente sobre os eventos e as ideias
que moldam o mundo.
Reconhecer esses
mecanismos é fundamental para compreender os desafios actuais e buscar
estratégias que promovam uma cultura de reflexão, aprofundamento e pensamento
crítico, essenciais para a preservação das democracias e do desenvolvimento
humano.
Mais dois exemplos do
emburrecimento (1- consequência. 2 – planeado para manter o poder):
“1 - Há alguns anos
todos se orientavam pelas vias de comunicação através da sinalização das
estradas e com um mapa. Hoje se não tiverem o GPS perdem-se. Um dia destes fui
abordada por um automobilista que procurava a saída para a A4, e eu perguntei:
- Dirige-se para
nascente ou para poente?
Pois, desconheciam!…”
“2 - O Ministro da
Educação disse que, evidência científica diz que até aos 30 alunos a qualidade
do ensino não sai prejudicada.
Basta fazer contas, a
atenção do professor dividida por 30 alunos é inferior quando dividida por 20.
Algumas pessoas
acreditam.”
QUE EMBURRECIMENTO!
Publicado em NVR 23|09|2026
sem título - José Luís Peixoto
Voz: Graça Vilela
file:///E:/radio/audio/285%20-%20Sem%20t%C3%ADtulo_Jos%C3%A9%20Lu%C3%ADs%20Peixoto_voz%20Gra%C3%A7a%20Vilela.mp3
Voz: Anabela Quelhas
O EMBURRECIMENTO DA SOCIEDADE (1)
No século da
informação, estamos imersos num mundo onde dados, notícias e conteúdos circulam
incessantemente, muitas vezes fora do alcance da reflexão profunda. Vivemos na
era em que o acesso à informação é quase instantâneo, a internet e as redes
sociais a geram um fluxo constante de novidades. No entanto, essa abundância de
dados muitas vezes distancia-nos do verdadeiro entendimento, transformando o
conhecimento numa colecção de factos dispersos e superficiais. Nem sei se chame
a isso de conhecimento.
O que é realmente o
conhecimento? O conhecimento vai além de simplesmente acumular informações. O conhecimento
é a compreensão crítica e contextualizada dessas informações, a capacidade de
relacionar conceitos, questionar e reflectir sobre o que aprendemos. É uma
construção mental que envolve interpretação, análise e aplicação prática,
permitindo-nos usar a informação de forma consciente e significativa em
diversos contextos. Assim, enquanto o século da informação nos oferece recursos
incríveis, o conhecimento verdadeiro reduz-se— aquele que nos faz pensar,
questionar e transformar a nossa visão do mundo. Ou seja, a sociedade está a
emburrecer e o mais caricato não se dá conta disso. A informação “vive” fora da
nossa cabeça, enquanto o conhecimento “vive” dentro.
Muitos argumentam que,
devido ao crescimento do consumo dos meios digitais, redes sociais e
entretenimento de baixo nível, as pessoas têm perdido a capacidade de pensar
criticamente, reflectir profundamente e valorizar conhecimentos mais complexos.
Esse suposto "emburrecimento" pode ser percebido na diminuição do
interesse pela leitura, na superficialidade das discussões públicas, na
aceitação de informações sem questionamento e na redução de capacidade em
resolver problemas e tomar decisões.
O acesso facilitado à
informação, mesmo que às vezes superficial, também pode ser visto como uma
ferramenta de democratização da mesma, mas “não há bela sem senão”. O papel da
educação será capaz de enfrentar os desafios do mundo contemporâneo e travar o
emburrecimento? Aqui fica o desafio para a reflexão e deixo um exemplo, mas há
muitos.
A tabuada é informação
que já não se decora. A escola ensina a encontrar o caminho para essa
informação – a máquina de calcular, o computador e a internet; e tudo após de
ter havido compreensão dos conceitos matemáticos.
Porém, a importância de
decorar e saber a tabuada é fundamental para o desenvolvimento das habilidades
matemáticas das crianças e estudantes em diferentes contextos. Quando a tabuada
é memorizada, as operações básicas de multiplicação e divisão tornam-se mais
rápidas e automáticas, facilitando o entendimento de conceitos mais complexos.
Além disso, a memorização da tabuada ajuda a aumentar a confiança e a autonomia
na resolução de problemas matemáticos, além de promover o raciocínio lógico e a
agilidade mental. Essa habilidade também serve como base para aprender
operações com números maiores e para avançar em áreas como álgebra, geometria e
outras disciplinas relacionadas. Portanto, decorar e saber a tabuada é uma
etapa importante no processo de aprendizagem matemática, contribuindo para o
desenvolvimento cognitivo e para o sucesso escolar dos estudantes.
Hoje, num supermercado, um jovem tinha comprado 6 unidades de um refrigerante e não entendia o registo da caixa. O verdadeiro problema é que não sabia a tabuada e estava sem telemóvel. Que emburrecimento!
Publicado em NVR 16|09|2026
ACESSO AO ENSINO SUPERIOR
Os alunos de contextos socioeconómicos mais desfavorecidos enfrentam
múltiplos obstáculos interligados, que dificultam o seu acesso e permanência no
ensino superior – 3% na 1ª fase.
São menos inteligentes? Não, provavelmente até poderão ter capacidades
superiores e competências para resolver problemas, já que a sua experiência de
vida lida com carências, o motor que desperta o interesse, a vontade e a
determinação.
Existem dois problemas para análise desta realidade, recheados de
diversos factores estruturais e socioeconómicos.
De onde vêm e para onde vão estes alunos?
No ensino básico e secundário, as escolas são próximas ao local de
origem destes alunos, o que facilita económicamente a sua frequência. Quando
concluem o 3º ciclo e transitam para o ensino secundário, o nível de exigência
aumenta e a competição entre alunos é desenfreada. O processo de selecção para
entrada na universidade é um muro inultrapassável para os alunos carenciados.
No ensino secundário não se luta por uma classificação de 14, que poderá
identificar um bom aluno, a luta é pelo 20. Apesar de as escolas proporcionarem
apoios, é necessário muito mais. O apoio da família sensível a este processo é
fundamental. É necessário ter condições de estudo em casa, não perder tempo em
transportes escolares e usufruir de boas explicações extra-escola, com o foco
de um bom treino para os exames. São três anos intensos e decisivos.
Alunos da classe média alta têm maior acesso a explicações particulares
(apoio escolar privado e individual), materiais escolares complementares e actividades
extracurriculares que enriquecem o currículo e a preparação para os exames
nacionais e de ingresso, favorecendo a participação desses estudantes nos
processos selectivos
Considere-se também o fenómeno de auto-exclusão - os jovens de meios
desfavorecidos auto-excluem-se por considerarem que a universidade "não é
para eles", optando mais cedo pelas vias profissionais. Antigamente a
universidade funcionava como elevador de desenvolvimento social, agora, é
considerado por muitos, uma perda de tempo – “para ter um emprego, o que
interessa é ter uma boa cunha ou estar num partido político”. O conhecimento,
só por si, não é valorizado, nem entendido. Não é dado como certo, que mais
conhecimento pode abrir outras portas na empregabilidade. Os modelos de sucesso divulgados na
comunicação social induzem os jovens a descredibilizar a formação superior.
Histórias de bilionários sem diploma ganham destaque – Cristiano Ronaldo, Bill
Gates, Mark Zuckerberg, Amancio Ortega, Rui Nabeiro, Américo Amorim, Salvador
Caetano, Jorge Mendes, Paulo Futre, Lionel Messi… - esquecem-se de alertar os
mais ingénuos, que são uma minoria.
Na universidade surge a segunda parte do problema – propinas, alojamento
e deslocações.
Para alunos que precisam de mudar de cidade, o preço dos quartos ou
residências universitárias constitui a maior barreira financeira. A escassez de
alojamento público acessível agrava este cenário. Muitas famílias dependem da
entrada rápida dos jovens no mercado de trabalho para complementar o rendimento
familiar. Escolher estudar significa abdicar de um salário imediato. Embora,
existam bolsas de estudo e contingentes de acesso para beneficiários da Ação
Social Escolar, os critérios de atribuição baseados nos rendimentos declarados
nem sempre reflectem a pobreza real ou o custo de vida actual das grandes
cidades. Os transportes são mais um obstáculo: metro, autocarro, barco,
trotinetes, tudo se transforma em euros… Ter um carrinho à porta e ir para a
faculdade é outro andamento!!!!
Depois há que contar com os atrasos. O tempo que decorre entre a candidatura
a uma bolsa de estudo e o primeiro pagamento financeiro obriga a um
investimento inicial que muitas famílias simplesmente não conseguem suportar.
Essa disparidade evidencia a necessidade de acções mais incisivas para
promover a equidade no acesso ao ensino superior, garantindo que estudantes de
todas as classes sociais tenham oportunidades reais de ingresso e permanência
na universidade. Não está a acontecer!
Publicado em NVR 09|09|2026
Voz: Anabela Quelhas
Voz: Anabela Quelhas
file:///E:/radio/audio/277%20-%20mae%20negra-%20Alda%20lara.mp3
Poema adaptado e cantado por Paulo de Carvalho
https://www.youtube.com/watch?v=O2WwaO2owlQ&list=RDO2WwaO2owlQ&start_radio=1