
06 novembro, 2011
05 junho, 2011
AMIGOS - Fão 2011
Foi um dia feliz, de emoções muito fortes e doloroso também.
Fui com o Mário e com a Gabi. O Mário apanhou-me em frente do Rivoli. Tudo combinado previamente via telemóvel. Ele o mentor do nosso reencontro, recolheu ao longo dos últimos meses os nossos contactos.
-Conheci-te logo! - disse-me ele.
Eu beijei-o alegremente depois de entrar no automóvel.
-Estás igual!
- Tu também, conheci-te logo, quando entrei na rua! Vamos buscar a Gabi e seguiremos para Fão.
- Porque Fão?
-O Aristides mora perto e decidiu irmos almoçar num restaurante de praia.
Encontramos a Gabi, está tão bem, beijei-a emocionada. Falei-lhe duma manif do 1º de Maio em que desfilamos na Portucel, eu, ela e Gorete; já não se recordava.
Éramos um grande grupo heterogéneo, formado aleatoriamente num café da rua do Breiner, no Porto. O grupo foi crescendo naturalmente, o amigo do amigo, que também era amigo ia avolumando o grupo de tertúlia. Juntavamo-nos ao fim do dia em certos dias da semana, ao sábado à tarde e especialmente, sexta e sábado à noite. Uns residiam próximo do café outros não.
O grupo era heterógeneo, cada um frequentava sua faculdade, ou até já trabalhava, numa faixa de idades que oscilava entre os 18 anos e os 30 anos sensivelmente. Tínhamos dois propósitos: amizade e diversão.
Despíamos os problemas de cada curso ou do trabalho e afastávamos ou intervalávamos um pouco as nossas ideologias políticas, para evitar os atritos de maior e conseguirmos um convívio saudável e duradouro. Os exames, as frequências, os projectos ficavam a repousar na casa de cada um. Isto era um grupo de escape à rotina, aos problemas, aos compromissos, às responsabilidades.... O café servia de ponto de encontro, saboreando cimbalinos, meias de leite e outras coisas, fumando muito, partilhávamos a nossa juventude, as nossas fragilidades, os nossos desejos e a vontade de viver a vida. Era um grupo que já vivia os tempos da liberdade pós 25 de Abril e que se encontrava em crescimento /amadurecimento tal com a liberdade.
Jantávamos frequentemente juntos e saíamos para a noite do Porto, uns de boleia dos outros, poucos tinham carro, a maioria vivia de mesada bem esticada durante o mês.
Não importava quem não estava, o que importava era "estar".
Hoje 30 anos depois, sensivelmente, cada um fez um percurso profissional. Clara (educadora aposentada) Anabela (arquitecta e prof), Mário (engenheiro de minas) Gabi (designer gráfica) Gorete III (bancária) Aristides (médico) Alzira (serviço de catering’) Cajó (bancário) ….Foi um dia de afectos, traduzido nos abraços que demos, nas nossas carícias de olhar, sim os vossos olhares, senti-os como carícias. Os nossos cérebros certamente fizeram uma ginástica tremenda entre o passado e o presente... o presente... o passado...
Faltou ainda muita gente que tentaremos encontrar e virão certamente nas próximas vezes.
Este foi o 3º encontro, a mim só me encontraram agora.
De repente eu estava nos braços da Gabi
De repente eu estava nos braços da Clarinha,
De repente eu estava nos braços do Aristides… que abraço grande que nos demos, tentanto estreitar e engolir os 30 anos passados, grande, grande, vigoroso, apertado, gostoso… pelo caminho já tinha falado com ele pelo telemóvel alta voz do Mário.
– Aristideeeeeees, ainda tens um dente amovível? – faltam-lhe, o bigode enorme e os caracóis louros.
A cada um, eu pedia o “curriculum” – qtos casamentos, qtos filhos e o que se passou em 30 anos. O balanço dos afectos é “desastroso”, excepto a Clarinha (união feliz com Fernando) e a Gabi (eternamente consciente – solteiríssima sempre). Tudo o resto oscila entre casamentos e divórcios, pelo menos uma vez.
A Gorete I , a nossa Gorete suicidou-se. Neste grupo existem 3 Goretes, parece que o “destino” reforçou esse nome prevendo grandes danos com uma delas. Recordamo-la...contaram-me sobre ela, os últimos que a viram ou que falaram ao telefone. Decidiu não viver mais em sofrimento, num acto de grande coragem, devido a um problema de saúde grave. Contei também como a procurei e como soube.
Eu precisava visceralmente desta reunião de amigos, para me ajudar a fazer o luto da nossa Gorete. Acho que precisamos todos. Lembrei-me por diversas vezes do filme “Amigos de Alex”. Também nós estávamos aqui a recordar a Gorete, para nos mimarmos sobre a sua falta, para nos confortarmos, para conseguirmos algum equilíbrio perdido, para não nos perdermos mais uns dos outros. Por vezes eu colocava os óculos escuros e permanecia em silêncio, de resto notado por alguns que tentaram despertar-me.
- Como é que tu não tendo vícios (café, alcool e tabaco), és uma mulher tão interessante? Bajulou-me o Aristides, talvez para me despertar dum desses momentos. Rimos todos. Aristides tu és único, nunca mudes!
- Ouviram, ouviram…. Ele acha-me interessante – risada geral.
Mal acabamos os nossos cursos instalou-se a vontade de cada um investir nas suas profissões, de se realizar nas mesmas, de constituir família, afastando-nos geograficamente e perdendo-nos.
Andamos perdidos décadas… eu, 30 anos.
Não havia telemóveis, e todos se conheciam apenas por um único nome… apelidos era coisa que nem nos passava pela cabeça que poderiam vir a ter alguma utilidade.
Recordamos a Gorete, recordamos-nos a nós, numa sintonia bonita de ver e de sentir. Parece que os nossos afectos permaneceram intocáveis, como se nos tivéssemos visto no dia anterior. Senti-me feliz, apesar de tudo.
Observamos fotos antigas - todos mais novos, mais bonitos, com grandes bigodes, os rapazes, delicadas e frescas, as raparigas.
Vi uma foto tirada em Lagos (nós três tão bonitas num final de tarde, preciso dessa foto – eu Clara e a outra Ana- eu moreninha com uns óculos à Janis Joplin). Falamos do nosso campismo em Lagos, da viagem de ida (Porto-Lisboa viagem nocturna dos Clérigos, Castelo Branco, Pastelaria Suiça em Lisboa, Porto Côvo e finalmente Lagos, dentro de uma Diane), daquela tenda colectiva em que não havia lugares marcados, o lugar para dormir era segundo a ordem de recolha de cada noite – Gorete e Claudino (namorados), Clara, Anabela, Aristides e Lúís, estes dois normalmente só chegavam já de dia. Falamos da praia, da diversão diária e nocturna na discoteca ELÉCTRICO, gozávamos como se fosse o ultimo dia das nossas vidas.. Rimos por a Gorete se chatear connosco, devido às desvantagens de se fazer férias com o namorado, eheheh, rimos da contínua ocupação do Luís e Aristides em orientar as alemãs…. Recordei na minha cabeça, a praia de naturismo, o Jorge, o Carlos e a sua caldeirada de peixe, única, feita pelos pescadores de Lagos, o meu reencontro com alguém de Angola, as danças frenéticas, o encontro com o luar de Agosto à beira mar..
Do Porto, a nossa cidade do coração, recordamos alguns jantares e o apartamento da Clara, que servia de abrigo no final das nossas incursões nocturnas. Os mais dorminhocos e claro a dona do apartamento iam para os quartos, os resistentes que ainda queriam conversar e ouvir musica na companhia dos outros, dormiam no chão da sala - eu habituada a directas a trabalhar, pertencia sempre aos resistentes. Fazíamos lutas de almofadas, parecendo garotos. O Luís tinha uma pedalada de conversa até todos adormecerem.
Revivemos as festas na garagem do Cajó… as fotografias de um Carnaval, onde o Álvaro (desaparecido ainda, espero que só temporariamente desaparecido ), se pintou todo de dourado, e eu com umas pestanas enormes colocadas pela Clara. Falando no Álvaro direccionamos o canal memória para o teatro TUP, onde alguns de nós experimentou as artes de Talma e onde conhecemos o Óscar Branco e a irmã, e o ensaiador João – eu com uma permanência muito curta… os projectos ocupavam-me o tempo todo. A Gabi recordou o edifício SICAP.
Falei do Rui Nogueira e do Zeca, meus colegas da ESBAP, que pontualmente saiam também connosco, e do café campismo de Montes Burgos – outra plataforma de alguns de nós. O meu almoço com ele na semana passada, vindo de Tavira, que foi uma loucura.
Referimos o uso e abuso que fizemos do pub do Hotel Infante D. Henrique no 16º andar.
- Foi aí que conheci o meu ex-marido!- dizia a GoreteIII.
Uma pista de dança com uma vista soberba para toda a cidade do Porto que todos tinham o privilégio de usufruir. Éramos uns privilegiados por podermos viver aquele espaço, projectado pelo arquitecto Rica.Tanta vez subimos e descemos aquele elevador! Tanta vez que dançamos naquela pista!
Falamos do Arnaldo, foi ai que o conhecemos.
_ Quem é o Arnaldo? questionaram alguns.
Avivaram-se memórias. Últimamente encontro o Arnaldo regularmente.
Falamos da Milú, do Joãozinho, da Carmo, da Claudina, da Ana, do Jorge, do Luís e do outro Luís, do Manel Neto, do Augusto, e de outros que faltaram, mas estão localizáveis. Este continuará a ser um grupo com as mesmas características, dificilmente estaremos todos, todos reunidos, porque o grupo é enorme… o que interessa é estarmos os que estiverem.
Falamos com a Milú no telemóvel. Trocamos informações.
Lembrei o apartamento da Ana na rua do Breiner, onde o Cajó se vestia com as roupas dela, bandolete, molas da roupa nas orelhas e depois se passeava divertidamente, pela rua do Breiner e rua Miguel Bombarda. Ele era sempre o mais animado e louco de todos. A Ana casou com o Jorge. Lembrei também as experiências exotéricas dos dois Luíses e Manel Neto, deitados na cama da Ana, a tentar levitar e viajar fora do corpo….loucos varridos!!!
Perguntei pelos colegas do Aristides, e um especial que para mim tinha uns olhos irresistíveis! Eheheh, médico algures.
Olhamos as fotos uma e outra vez , e outra vez, e o nosso olhar entristecia ao ver o rosto alegre da nossa Gorete. Brindamos aos presentes duas vezes, mas foram dois brindes cansados e emociados por 30 anos de experiencias diversas, não partilhadas e muito amadurecimento.
Foi uma óptima ementa, escolhida pelo Aristides. Escolheu um restaurante junto à praia , muito agradável, para que alguém que levasse os filhos pudesse usufruir do sítio. Aristides não tem filhos e esqueceu-se que os filhos dos outros têm mais de 18 anos, já não brincam na praia nem saem com os pais. Acho adorável esta desordem do raciocínio do Aristides !!!!!!!!!!
Eu e o Mário despedimo-nos e regressamos ao Porto, os outros ainda ficaram. Ficou marcado próximo almoço e entretanto pretendemos continuar a divertirmo-nos, desta vez no Porto, sempre que estiver por lá, para que os nossos encontros ultrapassem a fase da recordação e continuem a ser momentos vividos em pleno com novos episódios.
A sós com o Mário, foi possível partilharmos situações mais pessoais das nossas relações afectivas que por sinal e estranhamente coincidem em tantos aspectos.
Regressei a VR e pelo caminho foi inevitável reflectir sobre este dia especial. Somos uma geração de grande riqueza interior, temos em comum tanta coisa boa! Temos a nossa vida afectiva um pouco perturbada, mas isso dá-me a certeza que não somos pessoas conformadas e lutamos para estar bem connosco e com a vida.
Todos me pareceram chocados com o suicídio da nossa amiga e todos carentes desta grande amizade que nos une e ficou adormecida tantos anos.
Todos parecemos pessoas crescidas, amadurecidas, profissionalmente realizadas, autónomas, mas todas evoluíram no meio de frustrações, desejos, contradições… e é isso que somos hoje.
Gostamos da companhia uns dos outros, pois todos nos aceitamos como na verdade somos, seres imperfeitos, como semelhanças e muitas diferenças, defeitos e qualidades. Já não temos tanto sangue na guelra, mas continuamos heterogéneos, queremos estar juntos, resistimos a tanta coisa, respeitamo-nos. Cada um carrega consigo a sua história, que o distingue dos outros, mas com intersecções, com zonas de coincidência que todos entendemos como comuns.
Precisamos do ombro de cada um, para chorarmos e para sorrirmos.
Deixem-me acreditar que precisamos.
Até breve.
Anabela Quelhas
29 abril, 2011
02 abril, 2011
Refresh póstumo

01 abril, 2008
14 março, 2008
20 abril, 2007
Solidão
Solidão
Tenho no oco
das minhas mãos,
o vazio do mundo
em que respiro.
Nadas
e ainda menos
cores;
linhas de vida
sonhadas
mais que
verdadeiros amores.
Imagino
que no vazio cabe tudo.
Até Venus
a estrela da madrugada
e outros doces pensares.
Sera caso para abraçar
as palmas das mãos
para que o milagre
se concretize ?
Acendo uma vela
e deixo no vazio
a vela arder.
Quem sabe!
Tudo pode acontecer.
A cera corre
e no queimar da pele
das mãos que a recebem
com carinho,
lembra que o vazio
também doi.
Carlos Tronco
Mondeville
25/08/06
20 dezembro, 2006
Noite de Natal

Atravessei a rua, naquele passo que não tem pressa de chegar, mas num ritmo acelerado de fuga ao frio, e de engano ao nevoeiro, que teimava atravessar-nos de uma ponta à outra.
A respiração se transformava rapidamente em nuvem de vapor, que eu aproveitava para fazer efeitos visuais, que saíam por entre o cachecol e me distraiam o olhar, das vitrines cheias de agasalhos, e das ruas decoradas e brilhantemente em festa.
Atravessei mais uma rua e entrei pelo mercado da praça de Lisboa… olhei o início da noite a desertificar o espaço urbano sob aquela nuvem amarela que paira sobre a baixa, e ia-me perdendo num jogo de andar e colocar as passadas, exactamente em sítios determinados, numa geometria de pauta musical, que me habituei a construir no espaço multidimensional, que é a mente.
Os eléctricos já passavam quase vazios, com o trinca a consultar o relógio e ansiando pela ceia melhorada.
E eu caminhava… ia partindo o frio, com essa caminhada lúdica e embalada por esta cidade de cor de prata, contornando a faculdade de ciências, com intenção de me dirigir para Carlos Alberto… escutando a noite de Inverno a valer, voltando-me, para admirar mais uma vez, a lua cheia por trás dos Clérigos, alegremente imaginando o calor da lareira e os odores que já estariam a ser fabricados com a canela, e que certamente, já me esperavam àquela hora, sob a forma de ceia de Natal.
No vão de uma porta, encostado ao granito da ombreira, permanecia imóvel um corpo em volume, com jornais como tapetes, que eu olhei, inesperadamente, em diagonal, naquele meu jogo pedestre.
Parei, fiquei imóvel também!
Senti a aorta a latejar, conseguindo facilmente calcular as pulsações sem qualquer aritmética ou máquina de calcular.
Identifiquei aquele velho casaco, gasto e mesclado a cinza.
Não sei rezar, mas naquele momento rezei com convicção.
Rezei para que, por baixo do chapéu, eu não conseguisse avistar uma barba, com longos fios de cabelo alvos, alvos como a neve.
O meu coração de repente se recusou a bater com as imagens que lhe chegavam do olhar.
Os fios alvos como a neve, despontavam por entre o casaco sujo, nos intervalos dos botões e por debaixo do chapéu. Não havia dúvidas, pois eles eram únicos.
Os cabelos, que eu tanta vez contornei e penteei sobre os meus papéis, desenhando-os a várias cores, por serem alvos. Os cabelos, que tanta beleza davam a um corpo alquebrado de ancião... estavam ali, permaneciam ali, abandonados num corpo enfrentando uma noite sem fim à vista.
Quantos lápis se perderam naquele cabelo? Quantos esfumados se diluíram entre as suas mãos angulosas, com unhas bem desenhadas? Quantas aguarelas se misturaram no olhar doce daquele rosto? Quanto carvão contou as suas rugas, que se iam adicionando com a idade, até se tornarem septuagenárias… octogenárias talvez?
Ele foi Zeus, ele foi Júpiter, ele foi Neptuno, ele foi Moisés, ele foi João de Deus, ele foi Marx, ele foi Engels, ele foi Eiffel, ele foi Antero de Quental, ele foi Guerra Junqueiro… ele foi José, ele foi tudo, o que nós queríamos que ele fosse.
Posicionava-se como cada um queria: nu, vestido, de verão ou de inverno, sentado, de pé, contorcendo-se… ora facilitando o esquisso, ora valorizando a torção do tronco, ora distinguindo a luz sobre um músculo, ora disfarçando a imperfeição dos nossos traços através do melhor ângulo da anatomia de seu corpo...
Conheceu mestres e aprendizes, e estes, quando se tornaram mestres, também, num rodopiar de anos e décadas, alternando com diversas gerações numa escola de artistas.
Ele era o modelo anatómico perfeito.
Era o nosso homem vitruviano, inscrito simultaneamente, num circulo e num quadrado! Com o seu crâneo estampado antropométricamente no nosso lápis, aprendíamos a proporcionar os traços, repetindo-o mais sete vezes, tal como um módulo, até chegar aos pés… um esquemazinho de linhas paralelas, essencial para orientar e estruturar toda a construção de um corpo ainda sem alma, com centro no umbigo, harmonizando e redescobrindo as razões de ouro.
Foi esboço, ele foi esquisso, foi retrato, foi escultura, foi tela, foi cenário, foi emoldurado, foi inaugurado, sempre com alma de alguém importante… ao sabor do naturalismo ou deformado e decompostamente cubista.
Ele foi Apolo, foi Adónis… e foi mudando de identidade conforma os anos se lhe iam entranhando na pele e embaciando a vivacidade do olhar.
Horas e horas á nossa frente, destilando dias, sem horário, em troca da refeição e de um mísero salário, que minguava, conforme envelhecia, inversamente proporcional às muitas horas que já não conseguia posar em pé.
Silencioso.
Discreto.
Como se exige a uma estátua!
Por vezes esquecido.
Frequentemente substituído, curiosamente por ele mesmo, ou do que ele sobrava numa folha de papel, abandonada anos e anos, numa pasta amarrada por uma fita azul.
Nessa noite, soube que era sozinho e que tinha doado o seu corpo à Ciência.
Chamei por ele!
_ Senhor António???!!!...
19 dezembro, 2006
14 dezembro, 2006
A Foto da Sra Professora
13 dezembro, 2006
Senhora Professora
25 novembro, 2006
Fumando um cigarro e depois outro...



26 outubro, 2006
Uma espera feita de amor (II)
la, podem crer!
ão da sopa poderia esperar por agora. É certo que me acalmaria, mas resolvi esperar, para acompanhar a minha amada na evolução dos acontecimentos, naquele estranho Hospital.
rta malfadada, donde eu a vira sair da outra vez, arpoada. 20 outubro, 2006
Abra-se o silêncio
13 outubro, 2006
A minha doce irmã e o preço do crescimento

Nada havia a fazer! 06 outubro, 2006
Uma espera feita de amor
Desculpa, mas não estou a brincar com coisas sérias.
A perplexidade e o espanto deste episódio é para rir.
Eu e a minha formosa Dani chegamos ao Hospital muito cedo.
Esperamos e esperamos.

Nisto ouviu-se o nome dela através de um altifalante, quase imperceptível, dissimulado numa parede branca muito escondida, por entre o sussurro dos inúmeros utentes doentes.
Iam-lhe espetar o que eles chamam de anzol!
Acompanhei-a até ao local e, sinceramente, não vi ninguém com uma cana de pesca. Pensei, depois de dizer que a amava, que talvez fosse um arpão e que lá dentro existiria água para explorar o seu fundo, repleto de espécies aquáticas! Esperei a minha amada cerca de dez minutos bem contados, sem contar com cinco em que sai para fumar um cigarro, que teimosamente não me larga.
De repente, vislumbrei-a a sair com o mesmo vestuário com que entrara.
Pensei com os meus botões e sossegado, que não fora atacada por nenhum peixe, mas que lhe haviam espetado um arpão na mama.
Afinal ela fora pescada!
Confesso que fiquei um pouco atrapalhado, mas pensei que talvez fosse necessário e não lhe demonstrei a minha inquietação. Íamos agora para o bloco operatório.
Sosseguei-a ternamente, e dirigimo-nos para lá.
Quase entrei com ela para o bloco, se não fosse uma médica mais determinada me informar que não podia passar um risco que marcaram no chão.
Não! Não estou a brincar! Estava lá um risco, se quiseres um segmento de recta com princípio e fim como diz o nosso colega, José!
Ai de quem passasse o segmento de recta!
Se calhar seria logo operado a qualquer coisa!
Depois de lhe dizer que a amava, outra vez, fui para a sala de espera.
Todas as doentes choravam ali, menos a minha amada, corajosa como é.
Lá dentro só diziam piadas. Esqueci-me de um pára-brisas, era o comentário de uma médica!
Disse cá para mim, que aquilo era correcto. Havia que acabar com o choro. Além disso, um pára-brisas para os olhos era bem pensado. Ao mesmo tempo, moí os meus pensamentos e conclui que algo de estranho estava ali a acontecer.
Primeiro um anzol, depois um arpão e, agora, um limpa pára-brisas! Decidi que aquilo não era conversa para mim e, por isso, chegara a hora de fumar outro cigarro.
Saí.
Ainda escutei um silêncio súbito, o que reforçou a minha vontade de fumar. Quando cheguei lá fora, aspirei uma longa fumaça para me recompôr da insólita e algo estranha sensação.
Apetecia-a uma sopa.
A sério, uma sopa e não podia esperar!
Estava a ficar maluco e uma sopa era capaz de me acalmar.
Ganhei coragem e desci ao bloco operatório. Sem pisar o segmento de recta marcado no chão, digno dum traço rigoroso, do nosso competente e amigo José. Deixei o número de telefone e a minha simpatia a um diligente e atencioso enfermeiro que me avisaria logo que ela saísse. E, lá fui comer a sopa!
Quando estava com a sopa à minha frente, mais tarde, o meu telefone tocou e o enfermeiro comunicou-me que podia ir buscar a minha amada.
Haviam passado 45 minutos.
45 minutos!
Não pude acreditar! Apesar de triste por ficar com a sopa a meio, fiquei contente por tudo ter corrido bem e sem problemas com a minha querida amada, naquele estranho hospital.
Quando cheguei, depois de uma corrida como nunca tinha efectuado, digna de um valoroso estafeta de pizas sem moto, olhei-a com a mais profunda ternura e beijei-a.
Senti que naquele instante era capaz de beijar todo o mundo!
Como não podia também beijar o enfermeiro, pedi à Dani que o fizesse e ela fê-lo!
Sem pisar o segmento de recta, digno do nosso prezado José, a minha amada ia sair, mas de cadeira de rodas.
Não gostou e queria ir a pé.
Surgiu uma situação confusa porque a encarregada da cadeira disse que se não o fizesse, ela perderia o emprego. Só sabia fazer aquilo e era o seu ganha pão.
A Dani fez-lhe o favor, porque se tratava de um favor.
Ela sorriu e lá fomos. Implicou comigo por chegar atrasado ao pé da minha amada e disse-me que se fosse o marido dela e lhe fizesse isso, tinha que se haver com ela e levava umas chineladas em casa. Calei-me, não por medo,mas porque me esquecera do carro para levar a minha amada e ela dizia que nunca mais poderia fazer aquilo, porque sem carro seria despedida. 
Tremi, sem soluções para a situação dela e para a minha.
A Dani salvou-nos aos dois!
Inventou um carro abandonado e a diligente senhora deixou-nos ir.
Poderia, enfim, regressar à minha sopa, sem segmentos de rectas ou arpões ou anzóis!
A minha amada comeu um queque, um café e, até, fumou um cigarro.
Tudo correra maravilhosamente bem!
A minha apreensão, talvez, não fizesse sentido!
Tó
03 outubro, 2006
O que é a vida afinal










