"A HISTÓRIA DA CAROCHINHA” e os livros MAJORA no
programa Karranca às quartas, na Rádio Portimão.
Podem ouvir AQUI
"A HISTÓRIA DA CAROCHINHA” e os livros MAJORA no
programa Karranca às quartas, na Rádio Portimão.
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As propriedades revigorantes do sono são amplamente
conhecidas, e a ausência dele pode gerar uma série de problemas de saúde.
Muitos estudiosos continuam a investigar de que maneira essa actividade, que
ocupa praticamente um terço das nossas vidas, interfere no funcionamento do
organismo. É comum ouvirmos pessoas celebrarem uma noite de sono reparador
dizendo que “caíram nos braços de Morfeu”.
Mas, afinal, de onde vem essa expressão?
A expressão "cair nos braços de Morfeu" é uma
metáfora que descreve o acto de adormecer de forma profunda, tranquila e
reconfortante, quase como um sono hipnótico. Essa locução remete à mitologia
grega, na qual Morfeu é o deus dos sonhos. Representado com asas poderosas,
Morfeu tem a capacidade de se mover silenciosamente durante a noite, viajando
rapidamente pelo mundo para visitar os seres humanos enquanto dormem, moldando
e influenciando os seus sonhos. Ele é um dos mil filhos de Hipnos, o deus do
sono e de Pasiteia (deusa do relaxamento, do descanso ou das alucinações), e
neto da deusa primordial da noite, Nix.
Segundo a mitologia grega, Morfeu adormecia os mortais
tocando-os com uma folha de papoila, mergulhando-os num sono propício à
experiência dos sonhos. Os gregos acreditavam que uma noite bem dormida e os seus
efeitos positivos só poderiam ser explicados pela presença dessa divindade nos
sonhos.
A imagem de corpos entrelaçados ao dormir, ou de estar nos
braços de Morfeu, é uma metáfora clássica tanto na literatura quanto na nossa
vida real. Quando alguém diz que “caiu nos braços de Morfeu”, refere-se ao
momento em que a pessoa abandona a consciência para mergulhar num repouso
reparador, como se estivesse a ser acolhida pelo próprio deus. Estar sob os seus
braços significa, portanto, estar sob a protecção da divindade que governa o
mundo dos sonhos.
Voltando à mitologia, quando Hipnos, pai de Morfeu, precisa
de enviar uma mensagem a um mortal através do sonho, envia um de seus filhos.
Os filhos, Fobetor e Fantaso, imitam animais ou objetos inanimados, como
árvores ou utensílios, nos sonhos dos mortais. Contudo, Morfeu tem uma função
especial: pode assumir a forma de qualquer ser humano. Nenhum outro filho imita
tão bem, reproduzindo o andar, o rosto, a voz, as palavras e até as roupas de
cada pessoa.
Assim, Morfeu pode assumir diversas formas de cada um de nós
e de outros personagens que surgem nos nossos sonhos. Essa capacidade de
caracterizar e representar o sonho inspirou Freud ao desenvolver as suas
teorias sobre a ligação entre os personagens do inconsciente e as nossas
experiências oníricas.
Foi justamente por meio dessa expressão e da história de
Morfeu que um dos mais potentes analgésicos existentes, a morfina, recebeu esse
nome.
A associação deve-se ao facto de que a morfina é extraída da
papoila, a mesma planta que, na mitologia, Morfeu utilizava para adormecer os
mortais. Além da sua origem, a morfina possui propriedades sedativas potentes,
induzindo o sono e aliviando a dor.
Em conclusão, embora a mitologia não tenha bases científicas,
é inegável que uma noite de bom descanso é, de certa forma, divinal. Afinal, o
sono reparador é um presente que nos conecta com uma cultura que explica a
origem do mundo, fenómenos naturais e comportamentos humanos por meio de
deuses, heróis e seres sobrenaturais.
Que os deuses te sorriam. Alegra-te! Kairé!
[Emissão “Zeus não dorme”, descubra a mitologia grega na sua vida – Rádio
Universidade FM – 24|25|26 de Abril de 2026.]
Voz: Manuela Vaz de Carvalho
file:///E:/radio/audio/230%20-Escrava%20-%20Florbela%20Espancamanuela%20Vaz%20de%20Carvalho.mp3
Voz: Anabela Quelhas
Música: https://www.youtube.com/watch?v=e5943G3cF0U&list=RDe5943G3cF0U&start_radio=1
*****
O escritor Nuno Viana é autor do projecto “Amor em
Quarentena”, uma criação cinematográfica e literária que combina poesia, música
e cinema, convidando o público a reflectir sobre o amor em tempos de isolamento.
Inspirado numa história real ocorrida durante a pandemia.
O projecto conta com autoria de Nuno Viana, realização de
João Seugirdor e fotografia de Miro Ribeiro.
Este trabalho introduz o conceito inovador de Cinebook — um
livro transformado em filme — criado por Nuno Viana. Em “Amor em Quarentena”,
participam reconhecidos artistas nacionais, como Pedro Abrunhosa, Marisa Liz,
Paulo Pires, Adolfo Luxúria Canibal, Maria João Bastos, Sónia Tavares, Jorge
Palma, Fernando Ribeiro, Rita Redshoes, Pedro Barroso, Vera Kolodzig, Mariana
Monteiro, Prof Jam, Catarina Oliveira e Ismael Calliano. A banda sonora reúne
nomes de destaque como Rodrigo Leão, Tiago Bettencourt, Stereossauro, The Gift,
Mário Laginha, Noiserv, Ed Rocha Gonçalves, entre outros.
No Espaço Miguel Torga - 8ª Edição Festival Literário do Douro.
A Passagem Gutiérrez é uma galeria comercial coberta na cidade de Valladolid, inaugurada em 1886, localizada entre as ruas Fray Luis de León e Castelar. Este tipo de galeria teve origem em Paris como consequência da Revolução Industrial do século XIX. Foram concebidas como passagens que ligavam ruas movimentadas e visavam expandir o espaço comercial. Em Espanha, a Passagem Gutiérrez, juntamente com a Passagem Lodares em Albacete e a Passagem Ciclón em Saragoça, são os únicos três exemplos remanescentes deste tipo de galeria.
Foi construída por ordem de Eusebio Gutiérrez, que em 1886 encomendou ao arquiteto Jerónimo Ortiz de Urbina, o projectista da escola San José em Valladolid, o projeto de uma galeria comercial que ligasse as áreas em redor da Catedral e da Plaza Mayor, zonas que experimentaram um rápido crescimento económico na segunda metade do século XIX. Este dinamismo impulsionou a criação de cafés, espaços de convívio e clubes sociais, como o Círculo de Recreo, bem como de zonas burguesas como a Acera de Recoletos.
O projecto de Ortiz de Urbina foi inspirado nas galerias comerciais que já existiam em França, Itália e Alemanha. É um exemplo da arquitetura Beaux-Arts, combinando ordens clássicas com as novas tecnologias da época, como o telhado de telhas de ferro e vidro e a iluminação a gás visível nos braços dos globos de luz, que são originais. Na pequena varanda com o relógio, situada na saída para a Rua Fray Luis de León, tocou um quarteto de cordas no dia da inauguração do edifício.
A galeria divide-se em duas
secções, ligadas por uma rotunda sob uma grande cúpula de vidro que alberga uma
escultura que imita o Mercúrio renascentista de Giambologna, representando o
deus do comércio. A rica decoração pictórica e escultórica, com alegorias das
estações do ano e do comércio, mascara a fraca qualidade dos materiais
utilizados, o que tornou necessário o restauro para recuperar o seu esplendor.
Os telhados formam uma estrutura separada do resto da galeria. A estrutura de
suporte é em madeira, com exceção da cobertura da rotunda central. Os tectos
estão adornados com pinturas de Salvador Seijas, representando temas
mitológicos e alegóricos, bem como ornamentos em estuque e motivos vegetais.
A ideia por detrás desta galeria
era criar uma elegante zona comercial para as classes alta e média de
Valladolid, oferecendo-lhes produtos importados da Europa. A galeria deixou de
funcionar e de gerar receitas poucos anos após a sua inauguração e caiu em
ruínas. Após o seu restauro no final do século XX, parcialmente realizado pelos
arquitectos Javier López de Uribe e Fernando Zaparaín, a sua actividade comercial
foi revitalizada, com a abertura de várias lojas nos seus espaços interiores.
consultar https://www.valladolidweb.es/valladolid/imagesmagvall/020.htm
Classificado como IIP (Imóvel de Interesse Público) desde
1953, é o Ex-Líbris da Vila, constitui um monumento que se destaca entre
outros, não só pelo seu valor artístico, como pelo conjunto arquitectónico e
urbanístico em que está inserida. Situa-se em pleno Largo Dr. Frederico
Laranjo.
Analisando-se a planta de delimitação do bairro judeu de Castelo de Vide, pode concluir-se que a fonte estava integrada no mesmo. Este existiu desde o séc. XIV ao séc. XV. A fonte foi um foco de desenvolvimento radial de ruas que se desenvolveram à sua volta, deduzindo-se que terá sido construída no final do séc. XV, no reinado de D. João III, embora também seja provável que a sua construção seja de várias épocas, em que no início terá existido apenas uma nascente, inicialmente transformada numa pequena fonte de água potável, que no séc. XV foi mandada construir.
A forma do tanque principal é rectangular e delimitado por
lajes graníticas dispostas na vertical do qual saem seis colunas de mármore que
sustentam uma cobertura piramidal que remata em pinha. Ao centro do tanque
ergue-se um corpo discóide com quatro bicas simétricas e sobre este, um outro
paralelepípedo, decorado com as Armas de Portugal, as do Concelho e com duas
figuras de meninos. Este conjunto é rematado por uma pinha em forma de flor de
acanto ou tulipa.
Após o decreto de conversão forçada de 1497, início do
reinado de D. Manuel I, muitos judeus de Castelo de Vide foram baptizados
simbolicamente nesta fonte, passando a viver na zona da Rua Nova como
"cristãos-novos", obviamente forçados.
Castelo de Vide - Judiaria
EFEITO PIGMALIÃO
Em Zeus não dorme, hoje trazemos o EFEITO
PIGMALIÃO palavras muito utilizadas na nossa sociedade, especialmente nas
empresas e na escola.
O Efeito PigmaIião é um
fenómeno psicológico onde as altas expectativas de alguém sobre outra pessoa
influenciam positivamente o desempenho desta, criando uma "profecia auto-realizável".
Originado na mitologia grega e validado por estudos (Efeito Rosenthal),
demonstra que acreditar no potencial de colaboradores ou alunos gera maior
empenho e sucesso.
Baseado no mito grego
do escultor Pigmalião, que se apaixonou pela sua própria criação, e esta, pela
intensidade da crença, ganhou vida.
Na mitologia grega, Pigmalião foi um
rei da ilha de Chipre, que, segundo Ovídio, poeta romano contemporâneo de
Augusto, também era um escultor talentoso.
Pigmalião andava
desgostoso com o comportamento condenável das mulheres da sua época, que desafiavam
a deusa Vénus, Afrodite da Grécia jurando nunca se casar.
O escultor dedicou-se à
construção de uma estátua de mulher, mais bela e perfeita, que já tivesse
existido, à escala natural e de mármore alvíssimo.
A estátua parecia tão
real que por vezes Pigmaliáo tinha de a tocar para constatar que era de mármore
e não de carne e osso. Apaixonou-se pela sua criação – beijava-a, abraçava-a,
dizia-lhe palavras doces e de amor e até lhe oferecia presentes, mas ela não abria
a pestana, continuava fria e quieta. Dormia a seu lado, preparava-lhe refeições
deliciosas, mas nada. A sua ligação à estátua era tão forte que numa das cerimónias
em honra a deusa Afrodite, ele fazia oferendas à Deusa do amor (Afrodite ou Vénus)
e implorou que lhe desse uma mulher linda como a sua estátua. Afrodite, deusa
do amor ficou sensível aquele pedido, e enquanto ele estava ali a rezar,
Afrodite deu vida a estátua.
Quando chegou a casa,
abraçou e beijou a estátua como costumava fazer, e para seu espanto a carne
estava morna. A estátua ganhara vida e levantou-se. Respondeu aos seus beijos,
e abraços, abriu os olhos e viu o seu amor pela primeira vez. Pigmalião casa
com ela e foram felizes para sempre.
Alguns pedagogos da
atualidade acreditam no efeito Pigmalião. Um líder ou um professor acreditando
no potencial de um indivíduo, dando-lhe mais atenção, mais estímulo, propondo
mais desafios e feedback, aumenta a sua auto-confiança e o esforço do
indivíduo, resultando num melhor desempenho. É um conceito crucial na gestão,
liderança e educação, onde acreditar e nutrir expectativas positivas é uma
ferramenta para transformar o potencial em resultados reais.
Também há o Efeito
Inverso (Efeito Golem): Baixas expectativas por parte de gestores ou educadores
levam a um desempenho inferior, confirmando a capacidade do observador em
moldar a realidade.
Existe uma versão mais
obscura, associando Pigmalião, às origens do machismo, porque criou uma mulher à
sua medida, condicionando-a, e protegendo-a como se faz a uma boneca,
dominando-a e limitando a sua acção.
Que os deuses te sorriam. Alegra-te! Kairé!
Emissão “Zeus não dorme”,
descubra a mitologia grega na sua vida – Rádio Universidade FM – 10|11|12 de Abril
de 2026.
Publicado em NVR 06|05|2026