O POMO DA DISCÓRDIA
Em linguagem
contemporânea, o pomo da discórdia é pura e simplesmente o motivo da discórdia,
da desavença, da disputa ou do desacordo. A palavra pomo deriva do latim “pomum”
e significa literalmente fruto, sendo frequentemente associado à maçã, pêra ou
marmelo. A expressão remete-nos para a mitologia grega, para a origem do
conflito entre Gregos e Troianos.
O invulgar casamento
entre um simples mortal e uma deusa, ele Peleu e ela Tétis, que terão sido os
pais de Aquiles, realiza-se no monte Pélion, é organizado por Zeus, que convida
todos os deuses, porém, faz-se de esquecido e não convida uma entidade que
ninguém gosta de ter por perto, denominada Éris, perita da discórdia, do caos,
da inveja e da discussão odiosa.
Éris fica furiosa por
ser rejeitada num momento tão sumptuoso, como aquele casamento, decide
vingar-se e faz-se de convidada acabando com a alegria reinante na festa. Entra
repentinamente na boda no seu momento mais alto, dirige-se à mesa onde se
encontram os recém-casados e deposita ali uma maça dourada recolhida no Jardim
das Hespérides, jardim mágico guardado pelo Titã Atlas.
A maça é lindíssima e
mágica, parece iluminada por dentro e é visível uma inscrição que diz: para a
mais bela.
As mulheres que se
encontram perto da mesa, sentem-se tentadas a recolher a maçã, porque cada uma
se considera a mais bela, nomeadamente, Hera (2ª esposa de Zeus), Atena (filha
preferida de Zeus e da sua primeira esposa Métis) e Afrodite (tia).
A confusão está armada
entre as três deusas poderosas. Instala-se a incómoda discórdia entre algumas
entidades do Olimpo muito próximas de Zeus.
Disputa tola, mas
pertinente, e como não chega a bom termo, decidem pedir a Zeus que escolha a
mais bonita. Como Zeus poderia escolher entre a esposa, a filha e a tia? Estava
tramado, ele não pretendia alimentar a rivalidade entre os seus familiares e
nenhum dos deuses quis fazer de juiz nessa confusão.
Então
Zeus, sabiamente, resolve livrar-se do espinhoso fardo. Convoca o mensageiro
Hermes, e ordena que leve as 3 deusas ao monte Ida, e encontrem alguém ingénuo
e sincero, para tomar a decisão por ele.
Encontram um pastor com
essas características, porém, cada uma das deusas decide manipular o jovem
pastor mediante ofertas fabulosas. Hera promete-lhe um império, Atena
promete-lhe que ele será vencedor de todas as disputas que travar ao longo da
vida e Afrodite oferece-lhe a mulher mais bela do mundo, que se apaixonará por
ele. Apesar de confuso, o jovem pastor escolhe a oferta de Afrodite.
Posteriormente
descobre-se que o jovem pastor é Páris, um mortal filho do rei Príamo, de
Troia. Na época, Páris trabalhava como pastor e vivia feliz ao lado de uma
ninfa adorável chamada Enone. A deusa Afrodite, ignorando solenemente a
presença de Enone, concretiza a sua promessa. A deusa sabe exatamente onde se
encontra a mais bela mulher do mundo: é Helena, casada com o rei de Esparta,
Menelau. Auxiliados por Afrodite, Helena e Páris fogem para Troia. Páris ao
escolher Afrodite, além de ganhar Helena, ganhou também o ódio mortal de Hera e
Atena dando origem a outras narrativas nomeadamente a maior guerra da História,
a Guerra de Tróia e o confronto entre Gregos e Troianos.
O "pomo da
discórdia" é então esta invulgar e famosa maçã, um metafórico fruto ou
elemento que gera algum tipo de incompatibilidade entre aqueles que o disputam,
sejam eles as deusas do Olimpo ou simples mortais. O melhor é evitar o
encantamento por uma maçã, para fugir à inveja, à rivalidade e ao conflito.
Que os deuses te
sorriam. Alegra-te! Kairé!
[Emissão “Zeus não
dorme”, descubra a mitologia grega na sua vida – Rádio Universidade FM –
29|30|31 de Maio de 2026]
Publicado em NVR 10|06|2026













