22 abril, 2026

"A FORMIGA NO CARREIRO"- Zeca Afonso


https://voca.ro/1mxpr4q9glUH

Voz: Anabela Quelhas

file:///E:/radio/audio/221-%20A%20formiga%20no%20carreiro%20-%20Zeca%20Afonso.mp3

Música: 

https://www.youtube.com/watch?v=GMkB3bZP96k&list=RDGMkB3bZP96k&start_radio=1

Rebaldaria, não obrigada.

Rebaldaria, não obrigada.

O financiamento político é um tema central no funcionamento de qualquer sistema democrático, pois influencia directamente a transparência, a integridade e a legitimidade das instituições e dos processos eleitorais.

Em Portugal, recentes mudanças promovidas pela Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP) representam um retrocesso preocupante na transparência do efeito do dinheiro, que sustenta os partidos e campanhas eleitorais.

Historicamente, a divulgação dos doadores permitia à sociedade compreender quem financiava o quê, ajudando a identificar possíveis interesses ocultos e essencialmente a evitar a influência indevida de grandes financiadores. Essa prática convertia este monstro da política em algo mais confortável para todos (se calhar sou ingénua) e mais transparente. No entanto, a decisão actual, de tornar confidencial a consulta pública dos doadores, rompe com essa tradição e abre espaço para a opacidade, que eu chamaria rebaldaria.

A ocultação põe em risco a integridade do processo eleitoral ao facilitar doações de grandes empresários, que podem ficar ocultas, e ao permitir que interesses específicos influenciem as decisões políticas sem a devida fiscalização. A ocultação entorta a democracia!

Deve-se à transparência sabermos o que interessava à Mota-Engil grupo Barraqueiro e à família Salgado e muitos outros… e por quê Cavaco Silva foi como foi. Só assim se consegue unir as pontas do labirinto de interesses, doa a quem doer.

No contexto europeu, outros países continuam a divulgar os doadores na internet, reforçando o compromisso com a transparência e o combate à corrupção. Nós aqui em Portugal queremos dar vez ao “Chico-espertismo” e legalizá-lo.

O argumento de que a confidencialidade protegeria os doadores de possíveis represálias (ai coitadinhos, ai coitadinhos) é contestado por muitos democratas tentando evitar que os partidos possam tornar-se dependentes de financiamentos obscuros ou de interesses particulares, distorcendo a representação democrática. Numa sociedade verdadeiramente democrática, deveria eliminar-se a influência do dinheiro privado.

Na minha modesta opinião, na fase madura da democracia, até eliminaria o financiamento directo dos partidos e das campanhas eleitorais. Quem quer exercer o seu direito altruísta no campo das eleições democráticas deveria fazer doações para a Comissão geral de eleições e estaria o assunto arrumado. O raciocínio é sempre o mesmo, quem tem dinheiro financia os partidos mais próximos da sua ideologia e interesses, ou seja, os partidos que defendem o dinheiro e não as pessoas, sendo algo secreto facilita ainda mais a gestão de interesses obscuros. É urgente inverter esta lógica e apoiar sem interesse por qualquer ideologia política. 

A proposta de limitar ou eliminar o financiamento privado visa reduzir a influência de interesses económicos na política, promovendo uma democracia mais justa, onde a participação não seja condicionada por recursos financeiros. Assim, é fundamental repensar o modelo de financiamento político, buscando uma alternativa que priorize o interesse público, promova a transparência e fortaleça a confiança na democracia e não o contrário.

É importante também, sabermos se num país pobre como o nosso, é isto que queremos, campanhas eleitorais exuberantes, exageradas, sem qualquer criatividade, com cartazes gigantes, debates televisivos maçadores e intermináveis, entrada nas escolas e outros locais de trabalho, o domínio completo da Notícia nos meios de comunicação social, e depois, ainda mais grave, não se obrigar a retirar toda a poluição visual utilizada e nós cidadãos comuns termos de levar todos os dias com a tromba daquele que nunca digo ou escrevo o nome.

Publicado em NVR 22|04|2026
 

17 abril, 2026

ANTECIPANDO







PARADOR DE TRUJILLO - Espanha