a minha parceria com a Rádio Portimão no Karranca às quartas, A Cozinheira do Ditador de Afonso Cruz.
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Em linguagem
contemporânea, o pomo da discórdia é pura e simplesmente o motivo da discórdia,
da desavença, da disputa ou do desacordo. A palavra pomo deriva do latim “pomum”
e significa literalmente fruto, sendo frequentemente associado à maçã, pêra ou
marmelo. A expressão remete-nos para a mitologia grega, para a origem do
conflito entre Gregos e Troianos.
O invulgar casamento
entre um simples mortal e uma deusa, ele Peleu e ela Tétis, que terão sido os
pais de Aquiles, realiza-se no monte Pélion, é organizado por Zeus, que convida
todos os deuses, porém, faz-se de esquecido e não convida uma entidade que
ninguém gosta de ter por perto, denominada Éris, perita da discórdia, do caos,
da inveja e da discussão odiosa.
Éris fica furiosa por
ser rejeitada num momento tão sumptuoso, como aquele casamento, decide
vingar-se e faz-se de convidada acabando com a alegria reinante na festa. Entra
repentinamente na boda no seu momento mais alto, dirige-se à mesa onde se
encontram os recém-casados e deposita ali uma maça dourada recolhida no Jardim
das Hespérides, jardim mágico guardado pelo Titã Atlas.
A maça é lindíssima e
mágica, parece iluminada por dentro e é visível uma inscrição que diz: para a
mais bela.
As mulheres que se
encontram perto da mesa, sentem-se tentadas a recolher a maçã, porque cada uma
se considera a mais bela, nomeadamente, Hera (2ª esposa de Zeus), Atena (filha
preferida de Zeus e da sua primeira esposa Métis) e Afrodite (tia).
A confusão está armada
entre as três deusas poderosas. Instala-se a incómoda discórdia entre algumas
entidades do Olimpo muito próximas de Zeus.
Disputa tola, mas
pertinente, e como não chega a bom termo, decidem pedir a Zeus que escolha a
mais bonita. Como Zeus poderia escolher entre a esposa, a filha e a tia? Estava
tramado, ele não pretendia alimentar a rivalidade entre os seus familiares e
nenhum dos deuses quis fazer de juiz nessa confusão.
Então
Zeus, sabiamente, resolve livrar-se do espinhoso fardo. Convoca o mensageiro
Hermes, e ordena que leve as 3 deusas ao monte Ida, e encontrem alguém ingénuo
e sincero, para tomar a decisão por ele.
Encontram um pastor com
essas características, porém, cada uma das deusas decide manipular o jovem
pastor mediante ofertas fabulosas. Hera promete-lhe um império, Atena
promete-lhe que ele será vencedor de todas as disputas que travar ao longo da
vida e Afrodite oferece-lhe a mulher mais bela do mundo, que se apaixonará por
ele. Apesar de confuso, o jovem pastor escolhe a oferta de Afrodite.
Posteriormente
descobre-se que o jovem pastor é Páris, um mortal filho do rei Príamo, de
Troia. Na época, Páris trabalhava como pastor e vivia feliz ao lado de uma
ninfa adorável chamada Enone. A deusa Afrodite, ignorando solenemente a
presença de Enone, concretiza a sua promessa. A deusa sabe exatamente onde se
encontra a mais bela mulher do mundo: é Helena, casada com o rei de Esparta,
Menelau. Auxiliados por Afrodite, Helena e Páris fogem para Troia. Páris ao
escolher Afrodite, além de ganhar Helena, ganhou também o ódio mortal de Hera e
Atena dando origem a outras narrativas nomeadamente a maior guerra da História,
a Guerra de Tróia e o confronto entre Gregos e Troianos.
O "pomo da
discórdia" é então esta invulgar e famosa maçã, um metafórico fruto ou
elemento que gera algum tipo de incompatibilidade entre aqueles que o disputam,
sejam eles as deusas do Olimpo ou simples mortais. O melhor é evitar o
encantamento por uma maçã, para fugir à inveja, à rivalidade e ao conflito.
Que os deuses te
sorriam. Alegra-te! Kairé!
[Emissão “Zeus não
dorme”, descubra a mitologia grega na sua vida – Rádio Universidade FM –
29|30|31 de Maio de 2026]
Publicado em NVR 10|06|2026
Voz: João Carlos Carranca
file:///E:/radio/audio/241%20-%20Um%20homem%20nunca%20Chora-%20Jos%C3%A9%20Craveirinha.mp3
Voz: Manuela Vaz de Carvalho
file:///E:/radio/audio/239%20-%20FOZ%20COA%20-%20Manuel%20Vaz%20de%20Carvalho-2.mp3
A MAIS BELA MALDIÇÃO - livro
Autor Rui Couceiro, 2026
Foi com gula que comprei este livro,
sem ler a sinopse, opiniões… nada. Apenas gesto de gula construída por gostar
das obras “Baiona sem data para morrer” e Morro da Pena Ventosa”, do autor.
Pensei ser outro romance fabuloso e enganei-me. Em casa, abri o livro e
verifiquei que são 10 histórias que têm em comum os livros e o gosto de ler.
Estive para desistir, decepcionada,
pensando que Rui Couceiro, o autor, teria dificuldade em manter o nível literário
demonstrado em “Morro de Pena Ventosa”. Afinal nem todos os escritores
conseguem assegurar a sua genialidade em todas as obras.
Mesmo assim dei o benefício da
dúvida. Dou sempre aos livros 50 páginas para me seduzirem. Na página 50 já ia na 2.ª história sobre o
Castelo de Livros envolvendo a problemática da união das duas Alemanhas, antes
separadas pelo Muro de Berlim e já tinha decidido ler até ao fim.
O autor define que são histórias de
gente apaixonada por livros.
Cada história é uma surpresa e
torna-se viciante saltar de uma para a outra; Rabat, Berlim, S. Miguel nos
Açores, Toscana, S. Tomé e Príncipe, Pernambuco, Lucignana, Caxinas na Póvoa de
Varzim, Bogotá e Nova Iorque são os sítios onde se localiza cada história, nada
têm a ver umas com as outras, excepto uma verdadeira declaração de amor aos
livros e à leitura realizada por parte dos protagonistas e de Rui Couceiro, que
emerge de cada página. Rui Couceiro leva-nos numa viagem pelo mundo para
conhecer pessoas reais, que sofrem de uma singularidade no seu amor pelos
livros, revelando afectividades, reflexões sobre a vida e descrição ilustrativa
de lugares de geografias diversas, exteriores e interiores.
Escrever sobre livros e os seus
amantes pode parecer monótono, mas não, todas as histórias são interessantes,
contendo relatos biográficos daqueles que assumem a sua relação profunda com os
livros.
Foi um desassossego enquanto não li o
livro todo, aconcheguei-me a cada história literária narrada de forma delicada,
subtil e expressiva e dei comigo a imaginar que o autor teria material para um
segundo volume.
Esperava encontrar a Libreria Aqua
Alta que me encantou em Veneza, ou a Livraria Lello do Porto, a mais bonita do
mundo, ou até a história dos livros que foram angariados para os hospitais de
Angola, sob o nome "Um Livro, Uma Criança, Muitos Hospitais" coordenada
pelo jornalista Rui Ramos. Estas 3 histórias não ficariam nada mal neste livro…
ou ainda a Bibliothèque Nacional de France, as bibliotecas itinerantes da
Gulbenkian, o Real Gabinete Português de Leitura no Rio de Janeiro, a Cabine
telefónica de Somerset, a Biblioteca de Fernando Savater, ou a Word on the
Water de Londres. E a história daquele grupo que jogava póquer sem dinheiro,
mas com livros? Rui Couceiro tem material para escrever um segundo volume.
Um pormenor curioso, quando lia sobre
José Paulo Cavalcanti Filho, um apaixonado pela obra de Fernando Pessoa, acabei
por interceptar uma grande exposição realizada sob a sua curadoria, “Fernando
Pessoa: Plural como o Universo” que esteve patente na Fundação Calouste
Gulbenkian, em Lisboa em 2015, e que para mim foi um momento de referências
culturais gigantesco. A leitura também tem isto, inesperadamente faz cruzar
universos e de repente oferece-nos luz sobre vertentes que procurávamos ou que
desconhecíamos.
Gosto desta maldição de gostar.
Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, este
é um livro para todos os apaixonados por livros e para aqueles que não são, mas
deviam ser.
Publicado em NVR 03|06|2026
Os tripeiros não atinam com touradas-
Já há mais de 150 anos que, no Porto, se tem a consciência
de que tourada não é espetáculo nem, muito menos, cultura, mas sim barbárie e
selvajaria!
Nesta imagem temos o Real Coliseu Portuense, localizado na
actual Rotunda da Boavista construído em 1889 e demolido em 1894. Foi sol de
pouca dura. O local quase que nunca serviu para fazer touradas, porque por aqui
esta tradição e "cultura" atrofia e não dá frutos. Nesse período foi
utilizado para espectáculos circenses e desportivos.
Quem quer ver touradas que vá à Póvoa.
Voz: Graça Vilela.