11 março, 2026

Soou o alarme sobre o paracetamol na Era Digital.

 


Soou o alarme sobre o paracetamol na Era Digital.

Recentemente, fomos surpreendidos por um alerta contundente: “o paracetamol, um medicamento amplamente acessível, considerado seguro e utilizado por milhões de pessoas para aliviar dores e febres, apresenta riscos sérios à saúde quando consumido de maneira inadequada.” Este aviso deve despertar uma reflexão profunda sobre a cultura de risco que se dissemina entre os jovens, especialmente nas redes sociais, onde desafios perigosos se tornam virais e atraentes, mesmo diante de evidências dos perigos envolvidos.

Alguns dos desafios:

          O desafio da canela consiste em ingerir, on line, filmado com câmara de vídeo, uma colher de sopa cheia de canela em pó seca, sem água ou qualquer outro líquido, em menos de 60 segundos. A consequência imediata invariavelmente resulta em tosse intensa, engasgos e uma nuvem de canela saindo pela boca e nariz e depois a aspiração involuntária da canela para os pulmões.

          Tide Pod Challenge – o desafio consiste em ingerir cápsulas de detergente concentrado da máquina de lavar a loiça, mordendo-as até que o revestimento solúvel rebente, libertando o detergente líquido e espumoso. O objetivo é filmar a reacção de aversão, o vómito ou a espuma que sai da boca de quem aceita o desafio, partilhando o vídeo para ganhar popularidade e likes.

          O paracetamol – o desafio consiste em tomar comprimidos de paracetamol até ir para o hospital. Entretanto, os participantes filmam-se e quem ganha é aquele que fica mais tempo hospitalizado.

Isto tem alguma piada ou interesse? Não tem e é muito perigoso.

Porém, isto não é recente, há uns anos um dos programas da televisão mais visto pelos jovens, constava de filmagens com desafios completamente loucos, que colocavam em risco os protagonistas e os outros que tentavam imitar. 

Então, por que os jovens se sentem atraídos por tais desafios, mesmo sabendo do perigo de morte ou sequelas graves? A resposta está na combinação de factores biológicos, psicológicos e sociais.

Nas redes sociais, especialmente em plataformas como TikTok, surgem desafios que envolvem acções extremas e perigosas, voltados principalmente para os jovens, que buscam reconhecimento, validação e sentimento de pertença.

Essas acções, além de serem perigosas, não têm qualquer valor de entretenimento ou benefício real. Pelo contrário, representam uma busca por adrenalina e validação social que pode custar vidas.

Durante a adolescência, o cérebro ainda está em desenvolvimento, especialmente as áreas responsáveis pelo controle de impulsos e pela avaliação de riscos. Essa fase aumenta a sensibilidade ao desejo de novidade, recompensa instantânea e aprovação social. As redes sociais potencializam esse comportamento ao oferecer uma validação rápida e acessível mediante “likes”, comentários e partilhas, criando uma ilusão de reconhecimento e pertença dentro de grupos virtuais. Para muitos jovens, participar de desafios perigosos torna-se uma forma de se sentirem únicos, importantes e valorizados, mesmo que temporariamente.

Quando algo se torna repetitivo e viral, o cérebro tende a interpretar essa acção como algo valioso ou aceitável. Assim, o comportamento de colocar a saúde em risco passa a parecer normal, e a capacidade de recusa diminui.

O paracetamol é um comprimido "extremamente acessível" na casa de qualquer pessoa, porém, torna-se "nocivo" quando consumido em quantidades elevadas.

Segundo as Ordens dos profissionais ligados à saúde, a dose máxima diária para um adulto saudável é de quatro gramas. Os comprimidos (de 500 miligramas ou 1 grama) devem ser ingeridos em intervalos de 4 a 6 horas. A ingestão excessiva de paracetamol constitui um sério risco para a saúde: insuficiência hepática aguda, alterações graves da coagulação, hipoglicemia, encefalopatia, lesão renal aguda e morte.

Somente através de uma conscientização colectiva e de uma comunicação clara podemos evitar que esses desafios, que parecem apenas uma brincadeira, causem tragédias. Afinal, a saúde e a vida não podem ser objecto de experiências nocivas ou de busca por popularidade a qualquer custo.

Publicado NVR 11|03|2026

"AMAR" - Florbela Espanca


https://voca.ro/1kOVjhdX2JzC

Voz: Leonor Alves Pereira

file:///E:/radio/audio/203%20-%20amar%20-%20florbela%20espanca%20sob%20Lina%20Morgado.mp3

ANTECIPANDO

 


Acqua Veritas - Évora










04 março, 2026

2026: Ano Internacional da Mulher Agricultora e Rural


 2026: Ano Internacional da Mulher Agricultora e Rural 

O ano de 2026 foi declarado como o Ano Internacional da Mulher Agricultora e Rural, uma iniciativa proposta originalmente pelos Estados Unidos e apoiada por mais de 120 países, e oficialmente adoptada pela Assembleia Geral da ONU em Maio de 2024. Este reconhecimento pretende celebrar e valorizar o papel fundamental das mulheres na segurança alimentar global, além de promover a eliminação das desigualdades de género no sector agrícola.

Este é um momento de comemoração e de reforçar, diariamente, o reconhecimento às acções das mulheres agricultoras e rurais, destacando a sua contribuição indispensável para o desenvolvimento sustentável das comunidades e das sociedades em todo o mundo.

O processo histórico destas mulheres no meio rural é marcado por uma longa luta contra a invisibilidade, jornadas duplas e subordinação, onde o seu trabalho foi muitas vezes considerado apenas como “ajuda” doméstica, e não uma actividade profissional de valor.

Embora as mulheres representem aproximadamente 43% da força de trabalho agrícola mundial, menos de 20% possuem terras próprias, enfrentando obstáculos no acesso a financiamentos, tecnologias e formação especializada. A tecnologia surge como uma aliada importante na redução de barreiras físicas e na ampliação do acesso a tarefas mais complexas e exigentes, contribuindo para a sua autonomia. No entanto, as desigualdades salariais ainda persistem, chegando a disparidades de até 40% em relação aos homens, no caso de Portugal.

As mulheres rurais acumulam longas horas de trabalho, dividindo-se entre a produção agrícola, as tarefas domésticas e os cuidados com a família. Muitas dessas mulheres não são reconhecidas oficialmente como agricultoras ou trabalhadoras, o que as exclui dos direitos de protecção social. Além disso, factores culturais e tradicionais continuam a limitar a sua participação nos espaços de decisão governamentais, mantendo a posse da terra predominantemente nas mãos dos homens.

Apesar dessas dificuldades, as mulheres rurais permanecem como agentes essenciais na conservação da biodiversidade e na garantia da segurança alimentar. Elas lutam por autonomia, por maior acesso a recursos e por condições de trabalho dignas. Para promover mudanças efectivas, é fundamental implementar políticas públicas que garantam acesso ao crédito, à terra, à assistência técnica e a regimes de protecção social.

A MARP – Associação das Mulheres Agricultoras e Rurais Portuguesas – reafirma o seu compromisso de dar visibilidade à realidade dessas mulheres em Portugal e de actuar na construção de políticas que valorizem o seu trabalho no campo. Para a Associação, a celebração de 2026 Ano Internacional representa uma oportunidade de reconhecimento e mobilização, reforçando o papel das mulheres rurais na produção de alimentos, na sustentabilidade e na coesão territorial.

Pretende-se que 2026 seja um marco na afirmação das mulheres rurais portuguesas — um ano em que o país reconheça que, sem elas, não há soberania alimentar, nem futuro para o meio rural. Para isso, diversas acções e eventos serão realizados ao longo do ano, a saber:

 

·      Lançamento oficial do Ano Internacional 2026 pela CCDR Centro;

·      Exposição “Raízes de Mulher: Sementes de Futuro”, em Coimbra;

·      Apoio às candidaturas do Programa TalentA;

·      Criação e divulgação da Caderneta da Mulher Agricultora e Rural (CNA/MARP);

·      Programas de capacitação e formação promovidos pela Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural;

Estas acções visam ampliar a visibilidade, fortalecer a participação e promover a valorização das mulheres rurais, reconhecendo o seu papel vital na construção de um campo mais justo, sustentável e igualitário.

Após uma rápida pesquisa, parecem-se serem acções sobretudo palavrosas, que conduzirão a poucas mudanças, certamente secundarizadas pelo cenário de catástrofe que Portugal enfrenta actualmente, devido à sucessão de tempestades severas que atingiram o país.

[8 de Março – Dia Internacional da Mulher]

Publicado em NVR 04|03|2026

"ATRÁS DOS DIAS" - Rosa Alice Branco

 


"ATRÁS DOS DIAS" - Rosa Alice Branco

https://voca.ro/13QRgiHHoOf9

Voz: Anabela Quelhas.

 file:///E:/radio/audio/200-%20atr%C3%A1s%20dos%20dias.mp3

01 março, 2026