19 fevereiro, 2026

O livre arbítrio

 

O livre arbítrio

Palavras que tantas vezes ouvimos, em diversos contextos, sem ter a verdadeira noção do que isto significa.

O livre-arbítrio é um exercício de liberdade, é a capacidade humana de tomar decisões independentes, segundo a nossa própria vontade, sem influência externa.

Este tema tem sido amplamente estudado e discutido ao longo da história, tanto na filosofia quanto na teologia e na ética.

Na perspectiva religiosa, o livre-arbítrio é visto como um dom concedido por Deus ao ser humano, permitindo-lhe optar entre o bem e o mal. Essa visão distingue os humanos dos demais animais, que agem apenas por instinto. Mesmo diante da fé, a divindade não impõe as suas vontades, pelo contrário, concede ao Homem a liberdade de escolha e, com ela, a responsabilidade pelas suas acções.

Muitos filósofos defendem a chamada “Visão Tradicional”, que diferencia os humanos dos animais pelo fato de possuírem capacidade de abstração e reflexão. Enquanto os animais reagem a estímulos imediatos e necessidades biológicas, os seres humanos podem pensar o presente e o futuro, analisar informações, ponderar consequências e tomar decisões que, por vezes, vão contra os seus impulsos que resultam do seu instinto. Assim, apenas os humanos seriam moralmente responsáveis pelos seus actos, pois têm a capacidade de distinguir entre o “certo” e o “errado”.

A “Visão Científica” refere que até animais simples, como moscas, não são completamente previsíveis nos seus comportamentos. Eles podem escolher entre diferentes opções numa mesma situação, não reagindo sempre da mesma forma. Portanto, o livre-arbítrio não seria uma exclusividade humana, mas uma característica biológica presente em graus variados.

Nos seres humanos, essa liberdade de escolha é mais complexa devido ao cérebro mais desenvolvido. O nosso conhecimento, cultura, raciocínio lógico-abstracto, sensibilidade, educação, valores e a consciência de tudo isso, influenciam as nossas decisões. A consciência tem um potencial extraordinário, pois pode travar impulsos e raciocínios ilógicos.

É importante distinguir entre decisões simples, quase instintivas—como mover um dedo—e escolhas mais complexas, que envolvem processos de reflexão, conhecimento e análise de informações, referidos anteriormente.

Alguns neurocientistas preferem usar termos como “autonomia” ou “capacidade de deliberação”, para descrever o funcionamento do cérebro quando opera de forma “livre”, no sentido de que segue as suas próprias motivações internas e o raciocínio lógico. Ser livre, assim, implica ter múltiplas respostas diante de um estímulo e a capacidade de criar novos desejos e objectivos por meio da reflexão.

Para aqueles que acreditam no destino, na sorte/azar ou em pragas, é importante esclarecer que essas ideias muitas vezes escondem a recusa em assumir responsabilidades e a tentativa de evitar culpas, sossegando consciências. Atribuir a culpa a outros humanos ou a entidades superiores é uma forma de desresponsabilização, acreditando que essas forças controlam os nossos caminhos e manipulam os nossos destinos, como se fossemos marionetes.

Essas questões impactam o campo da Justiça, pois abrem espaço para argumentações que defendem ou acusam, culpados e inocentes, dependendo da interpretação sobre liberdade, responsabilidade e destino.

Publicado em NVR 18|02|2026


17 fevereiro, 2026

25 poemas ilustrados VILA REAL


 

Ilustração do poema "Uma poltrona de jardim"

Autora: Anabela Quelhas 

AXIS VIANA







 ANTECIPANDO

Av. Capitão Gaspar de Castro - Viana do Castelo.


11 fevereiro, 2026

"Desumanização" parceria com Rádio Portimão


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Plano estratégico, precisa-se.


 Plano estratégico, precisa-se. 

É impossível ficar indiferente a esta tragédia nacional, que muitos portugueses viveram nos últimos dias.

Neste momento já não basta proibir a construção e a impermeabilização do solo em zonas de leito de cheia dos rios. Daqui para frente, perante o cenário que estamos a viver, acrescido com a previsão das alterações climáticas e por consequência a subida do nível da água do mar, os municípios devem providenciar a desocupação de muitos edifícios já construídos e que ficarão submersos.

É urgente repensar e ordenar o território de outra forma. É fundamental realizar um levantamento criterioso do limite a que as águas chegaram e repensar o território com um risco acrescido, atendendo às bacias hidrográficas. O meio rural não se pode desligar do meio urbano, nem do país vizinho, porque tudo isto está interligado. Rios e ribeiras atravessam o nosso território e alguns dos nossos rios nascem em Espanha.

A forma de pensar cidades ou outros aglomerados, tem que ser pensada de forma realista e futurista. Não podem ser os políticos a decidir estas situações, nem a solidariedade será a solução. São os geógrafos, engenheiros e arquitectos que devem tomar decisões sobre os ecossistemas funcionais, com a ligação entre solo, vegetação, clima e espaço construído. Temos que repensar o presente para estarmos preparados no futuro, que se antevê dramático.

Até 2050, a elevação do nível da água do mar fará com que as inundações costeiras médias anuais ultrapassem o nível das terras que hoje abrigam cerca 300 milhões de pessoas no mundo, de acordo com um estudo da Climate Central. A Ásia será o continente mais afectado.

Já na década de 70, os ambientalistas alertavam para esse cenário, que parecia longínquo e improvável. Faltam só 24 anos e a natureza envia-nos sinais cada vez mais evidentes e catastróficos.

Existem mapas de Portugal, com esta situação calculada e representada. Estudos apontam como zonas mais críticas o estuário do Tejo e do Sado, a Ria Formosa, Aveiro e a Figueira da Foz. Estima-se que cerca de 150 mil portugueses, que residem na faixa costeira, possam ser afectados directamente. Junta-se a isto, a questão dos leitos de cheia dos rios, a existência de pequenas linhas de água invisíveis durante o verão, mas que se preenchem durante o inverno, acrescido pela impermeabilização do solo resultante dos incêndios e da ocupação desgovernada e insensata do solo.

Os incêndios florestais aumentam a impermeabilização do solo ao criarem uma camada hidrofóbica (repelente à água) e eliminam a vegetação, favorecendo a erosão e a escorrência superficial.

O que se pode fazer?

Injecção de areia para criar "amortecedores" naturais contra tempestades, recuperação de paredões e muros de proteção que sofrem danos com a agitação marítima, planos de drenagem (com túneis gigantes), investimento em comportas e sistemas de bombagem para controlar a entrada em alguns espaços, abandonar o betão em favor de soluções "verdes" e permeáveis, instalação de paliçadas e passadiços elevados para proteger a vegetação que segura a areia, não passam de soluções temporárias, vulneráveis e frágeis.

É impensável conseguir contrariar a Natureza; criar um plano de desocupação progressiva dessas áreas inundáveis, talvez seja a solução mais eficaz.

Não será fácil. Alguém está disponível para abandonar os seus bens? Por quanto tempo poderemos proteger a população?

Habitar o interior não se evita o problema. Vimos várias cidades do interior afectadas pelas cheias, porque a rede hidrográfica é algo complexo e abrange todo o território.,  

É necessário um plano estratégico nacional assumido por todos os políticos, rigoroso, sem cedências, que contemple também o parâmetro educativo dirigido à população, que desconhece o cenário futuro, e que terá de deixar de ser problema e contribuir para a solução. Não podemos ignorar ou camuflar este futuro de calamidade.

Já só temos 24 anos!

Claro que tudo que provoca alterações climáticas é um perfeito acelerador e antecipador da previsão referida.

Publicado em NVR 11|02|2026

"DE UM AMOR MORTO" - Sophia de Mello Breyner Andresen


 "DE UM AMOR MORTO" - Sophia de Mello Breyner Andresen

https://voca.ro/1arRPx9lVzde

Voz: João Carlos Carranca

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