01 abril, 2026

luz sagrada


 

"FALA" - Alexandre O'Neil


https://voca.ro/10dTwYAjIu5v

Voz: João Carlos Carranca

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Quando o mundo vira uma trágico-comédia.

 


Quando o mundo vira uma trágico-comédia. 

Donald Trump conseguiu transformar o mundo numa comédia perigosa, onde não se encontra lógica, nem coerência, entre muitas vidas perdidas.

Quem diria que, numa era de comunicação e de informação, a estratégia de política externa de um país poderia transformar-se numa novela de episódios desconexos?

Contra a Venezuela e o Irão — é um verdadeiro espectáculo de lógica confusa e objectivos tão claros quanto um espelho embaciado. 

Primeiro, temos o amuo do Nobel da Paz.

Segue-se a Venezuela, aquele país que, aparentemente, se tornou num objecto de obsessão de Trump, como se fosse um episódio de um reality show político. Entre sanções que mais parecem tentativas de jogar um jogo de Jenga com a economia de um país já fragilizado, e declarações que mais parecem tweets de um fã de futebol que tenta jogar futebol, a Venezuela virou o palco de uma guerra de narrativa: de um lado, a luta pelo "democracia verdadeira", do outro, a tentativa de derrubar um governo que, segundo Trump, é uma ameaça à estabilidade mundial. Entretanto, capturam o Presidente Maduro e inundam as televisões com ele algemado a segurar uma garrafa de água, vestindo moleton, olhos vendados… convenhamos, se a intenção era ajudar o povo venezuelano, as sanções parecem mais uma forma de mandar um presente de Natal com um pacote de rebuçados  de hortelã, deixando os venezuelanos a perguntarem se estão a jogar um jogo de xadrez ou uma partidinha do 1º de Abril.

E o Irão? Aquele país de cultura milenar virou o inimigo favorito do Twitter e do discurso político do Sr. Trump, quase como uma novela de televisão que nunca termina e tem na produção o guru sanguinário, da estrelinha de 6 pontas, que eu não atino a escrever o nome. Entre acordos nucleares que mais parecem promessas de um namoro que nunca começa, e sanções que parecem mais uma tentativa de fechar o restaurante do amigo do bairro do que uma estratégia de paz, a relação com o Irão é um verdadeiro espectáculo de incoerência. Afinal, se o objectivo era evitar a proliferação nuclear, por que então apostar na pressão máxima que só faz o país mais resistente, como um gato que não gosta de ser agarrado?

E isto agora é assim? Legitima-se o poder invadir países, e querer decidir por quem lá vive?

Depois ai, ai, quero ajuda!

Afinal era para ver a vossa reacção!

Isto parece uma check list de erros: promessas, sanções, vaidade, falsidade, provocação, ironia e declarações de guerra que mais parecem frases soltas de um poeta confuso. Uma verdadeira obra de arte da confusão internacional, onde a lógica foi deixada de lado e o espetáculo continua, com uma plateia que tenta entender, mas só consegue assistir, boquiaberta, à peça mais imprevisível do século. Às vezes o mais incoerente é justamente o que faz mais sentido… para quem gosta de um bom caos.

O número dos trapezistas e palhaços já foi, o que se seguirá? O que se seguirá para que o Sr. Trump continue a ter as parangonas da informação?

Ah, claro, em nome da estabilidade global imagino o Sr. Trump a cruzar os mares, vestindo a revolução empresarial, onde apenas existe o sistema binário, o Deve e o Haver, para ocupar Cuba e, com jeito, o Brasil. A táctica é sempre a mesma, primeiro promove-se a carência, a instabilidade e o pânico, e depois toma-se conta com anuência da população no desespero - “Make Cuba Great Again” .

Desta salgalhada toda só se extrai uma coisa positiva: O Sr. Trump conseguiu uma indignação global, quer se seja de esquerda ou de direita, vermelho, amarelo ou azul. A Gronelândia ficará mais para o Verão devido às condições climatéricas. Ouvi dizer que a famosa estátua da liberdade, oferecida pelos franceses, já fechou os olhos e com as mãos tapou aos ouvidos. Sinto orgulho dos nuestros hermanos.

Na próxima semana quando o leitor me ler, certamente, com a velocidade que o mundo vai, já teremos novas realidades.

Publicado em NVR 01|04|2026


29 março, 2026

28 março, 2026

25 março, 2026

Velharias/antiguidades

 

Velharias/antiguidades

Nas grandes cidades gosto de visitar mercados e espaços de venda de velharias. O meu gosto pelas velharias é uma forma de me confrontar com o passado por meio de objectos em desuso, mas que resistiram ao tempo. Alguém os dispensou para estarem ali simultaneamente visíveis e incógnitos.

Procurar antiguidades é uma aventura que mistura o espírito de Indiana Jones com a ansiedade de um coleccionador em busca do objecto perfeito — aquele que faz o coração acelerar mais do que um electrão em movimento. Essa procura rapidamente passa de um gosto para um vício.

Nunca se sabe o que se vai encontrar, portanto é como uma navegação sem destino e sem GPS. Caricaturando parece que levamos uma lupa na mão, desvendando os mistérios do passado, enquanto o nosso cérebro, equipado com a sabedoria de séculos de história, tenta distinguir uma verdadeira relíquia entre várias réplicas de plástico.

O charme do caçador de relíquias é que acredita que aquele objecto banal pode esconder uma história fascinante. Como um mini Sherlock Holmes, o coleccionador treina o olhar, evoca conhecimento rápido e um pouco de intuição para poder realizar uma avaliação rápida, com o objectivo de comprar bom, único e barato; segundo estudos, é uma combinação de experiências acumuladas e uma pitada de sorte, ou como dizem na ciência, uma variável aleatória que dá aquele tempero especial à pesquisa.

Às vezes observo as pessoas que compram com critérios diferentes dos meus, e interrogo-me sobre o que motivou determinada compra. Uns preferem os “cacos”, outros, mobiliário, joias, moedas, automóveis, livros, cassetes, discos, rádios, relógios e por aí fora.

Há sempre peças únicas misturadas com corriqueiras. A sorte sorri quando se encontra uma peça invulgar, única, valiosa por uma pechincha.

Há também o lado divertido dessa busca: as histórias fantasiosas que surgem, as negociações quase dramáticas, e a esperança de encontrar um tesouro escondido no sótão da avó de alguém ou na loja de antiguidades mais suspeita. Afinal, quem nunca sonhou em encontrar uma peça única, que possa valer uma fortuna ou, pelo menos, proporcionar uma boa história para contar aos amigos?

Normalmente lamento-me por várias peças que perdi, por falta de dinheiro, por receio de arriscar ou porque alguém se antecipou a mim.

O segredo para comprar uma boa velharia reside no equilíbrio entre o conhecimento técnico e a capacidade de "garimpar" em locais menos óbvios. Para encontrar peças com valor real, deve focar-se na autenticidade, no estado de conservação e no potencial de valorização.

Na próxima vez que o leitor se aventurar na procura por antiguidades, lembre-se: além de uma pesquisa científica, é uma jornada divertida, cheia de descobertas, surpresas e, claro, uma boa dose de humor. Porque, no fundo, o segredo da busca por relíquias é exatamente isso: uma mistura de ciência, sorte e uma pitada de loucura.

            Quando procurar móveis procure por encaixes manuais assimétricos (em vez de cortes industriais perfeitos) e acabamentos originais em verniz boneca ou cera.

Se o seu foco for prataria e porcelana, verifique as marcas do fabricante - nomes famosos elevam significativamente o valor. Se forem materiais avulsos, as antiguidades genuínas (geralmente com mais de 100 anos) utilizam materiais sólidos e técnicas de construção artesanais que as distinguem das réplicas modernas.

O conhecimento do design e da história é um parâmetro necessário em todas as procuras, para evitar comprar gato por lebre.

Avalie se a peça precisa de restauro profissional. Móveis que exigem logística complexa (desmontagem e transporte) devem ser comprados a preços mais baixos. Evite o Valor Sentimental, o preço de mercado não considera o apego emocional do vendedor.

Em mercados de usados, o preço inicial é raramente o final; esteja preparado para negociar com base nos defeitos ou na necessidade de restauro. E não esqueça, quando se interessar por uma peça, não mergulhe de imediato no negócio. Primeiro manifeste interesse por outras peças, e quando sentir o cansaço do vendedor, é o momento para mencionar aquilo que, na verdade, lhe interessa. Se pretende um bom negócio procure um ferro-velho em vez de um antiquário.

Publicado em NVR|25|03|2026


um dia especial


 PINTURA SOBRE VIDRO

AQ