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em boa companhia
O outro somos nós
Tinha uma consulta
agendada há dois meses no meu Centro de Saúde, para Outubro, entretanto,
resolvi o meu problema. Telefonei para cancelar a consulta e quem estava do
outro lado, agradeceu o meu telefonema e comentou que era raro, os utentes
avisarem que não iriam à consulta. Faltavam e pronto.
Na última vez que fiz
fisioterapia pelo SNS, também notei que existia falta de cuidado por parte dos
utentes, em cumprir as marcações combinadas de comum acordo.
Fico indignada. Como é
possível tamanha falta de civismo, de cuidado/empatia pelo outro e por uma
instituição que atende todos gratuitamente?
Dá argumento aos que acham que os utentes só
respeitam quando pagam e, portanto, defendem a privatização de tudo e são
contra o SNS.
Esta tendência de que
os serviços de saúde em Portugal tendem a ser mais valorizados ou apreciados
quando há pagamento envolvido, pode reflectir uma ideia de que o valor
atribuído aos cuidados de saúde está directamente ligado ao custo que o
paciente suporta, podendo indicar uma perceção de que serviços gratuitos ou de
acesso universal são menos valorizados ou considerados de menor qualidade.
Essa tendência reforça-se
na falta de civismo de certas pessoas e dificuldade em entender o que é O BEM
COMUM.
O princípio do bem
comum tem uma dimensão ética. Assim, em vez de pensar no ser humano individual
e concreto, trata-se de pensar no interesse da sociedade no seu conjunto. Por outras
palavras, algo pode ser benéfico e válido para mim, mas prejudicial para uma
comunidade. Consequentemente, o fim ético desta ideia é estabelecer aquilo que
é bom para a maioria e não para poucos.
Em Portugal temos a
sorte de haver um serviço nacional de saúde, que desenvolve esforços para
oferecer cuidados de saúde acessíveis a todos, independentemente do seu
rendimento ou conta bancária. É um serviço com diversos problemas, nem todos
têm médico de família, e a lista de espera por vezes é de meses, complicando a
vida daqueles que tem problemas urgentes a resolver, mesmo assim é melhor ter,
do que não ter.
Eu tenho a sorte de ter médico de
família, ser bem atendida, enviam-me receitas pelo digital e na pandemia até me
telefonavam para o telemóvel para saber de mim. Chega ao Outono tenho duas
vacinas gratuitas à minha espera, é só ir lá ou a uma farmácia, e tomar. Sinto-me
muito reconhecida por tudo isto a custo zero, considero que todos merecem o meu
respeito, mesmo quando a coisa funciona menos bem, e eu tenho de resolver a
minha saúde de outra forma; mesmo assim liberto a minha vaga para outra pessoa
que precise.
Será necessário
explicar melhor?
Com conhecimento prévio
de uma ausência, a equipa de saúde pode reorganizar os seus horários, utilizar
o tempo de forma mais eficiente e obviamente beneficiar o atendimento urgente
de outros utentes que não têm vaga.
A importância e o
respeito pelo Bem Público Comum é fundamental para o desenvolvimento de uma
sociedade justa, equilibrada e sustentável. Os bens públicos comuns referem-se
a recursos ou benefícios que são acessíveis a todos os membros de uma
comunidade, como o ar limpo, o sol, a água, a segurança, a saúde pública, a
educação e a infraestrutura básica.
Os bens públicos comuns
asseguram que todos tenham acesso a recursos essenciais, promovendo a qualidade
de vida e o bem-estar geral da população.
Ao serem acessíveis a
todos, esses bens ajudam a reduzir desigualdades, oferecendo oportunidades
iguais para diferentes grupos sociais.
A administração
eficiente e justa desses bens ajuda a evitar conflitos pelo uso de recursos
escassos, promovendo a paz social.
Em suma, o bem público
comum é essencial para garantir uma sociedade mais justa, equilibrada e
sustentável, beneficiando toda a colectividade e promovendo o desenvolvimento
integral do país. Já reparou que também depende muito da sua acção construtiva
e cívica? O outro somos nós.
Publicado em 7|10|2026
Voz: Anabela Quelhas
DOURO JAZZ 26
20 ANOS DA ACROLAT'in
Vi este projecto a crescer desde a primeira actuação, parabéns a todos.
Voz: João Carlos Carranca
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