Hoje estive na Rádio Portimão, ouvir aqui
https://www.youtube.com/watch?v=Y3srPhW2LkE
ROUBAR O FOGO AOS DEUSES
Quando alguém desafia
uma autoridade suprema para fornecer conhecimento, tecnologia ou poder a quem
não os possui, revolucionando a sociedade, diz-se que ROUBOU O FOGO AOS DEUSES
A expressão
"roubar o fogo aos deuses" refere-se ao famoso mito grego do Titã
Prometeu e ocorre em contextos mitológicos, filosóficos e metafóricos.
O que é um Titã e quem
é Prometeu?
Os Titãs eram entidades
antigas com aspecto de gigantes, poderosos, de cor roxa, azul ou verde, e
antecederam os deuses do Olimpo. Nasceram da união entre Urano, que
representava o Céu, e Gaia, que seria a Terra. Os Titãs foram enviados à Terra
para protegê-la trazendo paz e união para todo o universo.
Na história original, a
humanidade foi criada frágil e sem defesas. Os Titãs desempenharam um papel fundamental na
criação do mundo e na relação entre deuses e humanos. Segundo Hesíodo foi dada
a Prometeu e ao seu irmão Epimeteu, a tarefa de criar os homens e todos os
animais.
Prometeu, em
particular, destacou-se pela sua inteligência, astúcia e preocupação com a
humanidade. Prometeu -
cujo nome significa “aquele que vê antes”, ou seja, que tem a clarividência -
ficou com a missão de supervisionar as criações do irmão Epimeteu - que tem
como significado em seu nome, “aquele que vê depois”, isto é, aquele que tem
“ideias tardias”.
Na mitologia,
acredita-se que Prometeu moldou os homens a partir do barro e lhes deu a vida,
além de ensinar-lhes várias habilidades essenciais para a sua sobrevivência. Ensinou
aos homens todos os segredos da agricultura, da pesca, do comércio, da
profecia, da astronomia e de tudo o que era necessário ao desenvolvimento da
humanidade. Mas ainda lhes faltava o dom do fogo, que Zeus tinha negado aos
homens, pois temia que os mortais ficassem tão poderosos quanto os próprios
deuses.
Confusos? A criação do
mundo é explicada de maneiras diferentes mediante perspetivas religiosas,
científicas e culturais da sociedade e é normalmente confusa e sem rigor.
Voltando a Prometeu, uma
das suas acções mais emblemáticas foi o acto de roubar o fogo dos deuses,
especificamente de Zeus, para entregá-lo aos humanos. Essa acção simboliza a partilha
do conhecimento, da inovação e do progresso, mas também de desafio à autoridade
divina.
A atitude de Prometeu
enfureceu Zeus, o rei dos deuses, que viu o seu poder e autoridade ameaçados e
puniu o Titã desobediente, por este crime de rebeldia; ordenou que Prometeu
fosse acorrentado a uma rocha num penhasco do monte Cáucaso, onde diariamente
uma águia vinha devorar o seu fígado, que se regenerava à noite, já que
Prometeu era imortal, prolongando assim o seu sofrimento e tortura. Esse
castigo simboliza a punição dos que ousam desafiar os deuses ou transgredir os seus
limites. Prometeu foi
liberto do seu sofrimento por Hércules, que matou a águia, num dos seus
célebres doze trabalhos.
O fogo que Prometeu
roubou aos deuses e pelo qual foi condenado, representa o conhecimento humano e
talvez o mais importante, a liberdade. Segundo Jean Jacques Rousseau: “Os
animais escolhem ou rejeitam por instinto, e o Homem por um acto de liberdade
[…]. Não é tanto o entendimento que faz a distinção específica entre os animais
e os homens, mas a qualidade humana de agente livre”.
A figura de Prometeu
representa o início da civilização, a liberdade humana, que leva o homem a
enfrentar com orgulho o seu destino, assumir o poder da inteligência, superador
das limitações humanas, multiplicador de compreensão e entendimento do mundo
que, tantas vezes, nos surge como trágico e caótico.
Actualmente a expressão
“roubar o fogo aos deuses” é usada de forma figurada para se referir a alguém
que busca adquirir conhecimento, poder ou inovação de forma audaz, desafiando
as regras estabelecidas ou as autoridades. Geralmente, essa expressão remete à
ideia de coragem e ousadia ao desafiar o que está formatado na sociedade, em
busca do progresso.
Que os deuses te sorriam. Alegra-te!
Kairé!
[Emissão
“Zeus não dorme”, descubra a mitologia grega na sua vida – Rádio Universidade
FM – 11|12|13 de Setembro de 2026]
Publicado em NVR 21|10|2926
"A PELE QUE HÁ EM MIM" - Márcia
file:///E:/radio/audio/297%20-%20A%20pele%20que%20ha%20em%20mim%20.%20Marcia.mp3
Música: https://www.youtube.com/watch?v=LrNz37uc7kc&list=RDXwqgMOC0Y98&index=2
21º Festival Internacional Douro Jazz
Já tinha escrito o meu
texto semanal e guardei-o na gaveta.
Não podia omitir o
FESTIVAL DOURO JAZZ deste ano. O DOURO JAZZ é sempre um momento cultural de
destaque, aqui no burgo, que proporciona sempre bons espectáculos, mas para
mim, o último é sempre o melhor. Esta semana foi uma verdadeira overdose
musical.
Nem sempre me apetece
sair de casa, ora está frio, ora está calor, ou porque os pincéis chamam por
mim, ou porque a companhia é boa, posso estar envolvida numa leitura…, ou as
mãos puxam-me para o desenho, enfim, faço-me esquecida e não saio. Quando contrario
essa tendência, entusiasmo-me com algo que me acrescente, que me torne uma
pessoa um pouquinho diferente do dia anterior.
Ao sair, passo pelo
espelho da entrada, misturando idade, rugas e cansaço, com expectativa e impulso
e quando regresso sinto sinto-me eufórica, inspirada, excêntrica, exótica,
intensa, reencontrando-me mais rica e exuberante. Foi assim ao longo da semana.
Há quem não aprecie
jazz, não entendo como, já que é o estilo musical mais fora da caixa, com porta
aberta para a expressão pessoal e de grupo, improvisação e criação A interacção
entre os músicos realiza-se em tempo real, ali à nossa frente, no palco, fazendo
com que nenhuma música seja tocada exactamente da mesma forma duas vezes.
Destaque para 3 espectáculos:
· Orquestra Jazz Douro, faz 20 anos e
que vi nascer, nas palavras entusiastas e no sonho do meu amigo Vitor Pinto, o
seu fundador, que criou oportunidade para formação de muitos músicos; é um projecto
musical ousado, corajoso e transdisciplinar, ora apresenta matizes do Reino
Maravilhoso, ora metropolitanos, sediado aqui em Vila Real, transformando em
sons e melodia a nossa identidade, cultura e tradições. Este ano trouxe a palco
a conceituada compositora e maestrina britânica Nikki Iles.
· Anunciava-se a seguir, como um dos
projectos mais originais e influentes no tango na cena internacional, o
quarteto polaco Bandonegro. Comecei logo a sonhar com Piazzola e os Gotan
Project. Aqui em casa, perguntavam-me: Achas? Ambicionas demais!… polacos a
tocar tango?!. Tsss!!! Fui e adorei, porque a minha expectativa bateu certo.
Uau!!!! Fabuloso! A abordagem presente no programa Tango Meets Jazz e no mais
recente álbum, TANUEVO, gravado em Buenos Aires e lançado em 2025 contou com
músicos argentinos como Pipi Piazzolla, neto de Astor Piazzolla, e Lucio
Balduini. A improvisação do jazz deu espaço à sonoridade empolgada do tango, à
contemporaneidade, criando contraste entre momentos exuberantes e delicados com
quatro excelentes instrumentistas - Michal Glówka, Jakub Czechowicz, Marek
Dolecki e Marcin Antkowiak.
· Para encerrar, Mário Delgado, Eduardo
Cardinho e Paulo Perfeito com a Orquestra de Jazz de Espinho recriaram temas
icónicos da carreira do grupo Radiohead, que eu ouvia nos anos 80/90 RADIOHEAD
RECOMPOSED. Cereja no topo do bolo. Foi emotivo, forte e arrasador, marcará a
minha memória para sempre.
Perdeu quem ficou em
casa, ninguém duvide.
Parabéns músicos,
parabéns organização do Festival Douro Jazz - 5 estrelas.
Jazz sempre! Para o ano
certamente haverá mais e eu tentarei renovar-me novamente.
Publicado em NVR 14|10|2026