23 setembro, 2026

O EMBURRECIMENTO DA SOCIEDADE (2)


 

O EMBURRECIMENTO DA SOCIEDADE (2)

Falta saber se o emburrecimento é uma consequência, ou se é planeamento.

O emburrecimento das pessoas é um excelente instrumento para derrubar democracias. A sociedade moderna parece condicionar as pessoas a pensar de forma superficial e distraída com fofoca de situações menores.  Como a atenção se fragmenta, a curiosidade se perde e a profundidade do pensamento se torna cada vez mais rara? A Cultura do Emburrecimento revela os mecanismos por trás dessa transformação.

A questão é: se o emburrecimento das pessoas é uma consequência natural de processos sociais ou se é um resultado deliberado de estratégias de manipulação complexas e multifacetadas. De um lado, podemos argumentar que a sociedade moderna, com a sua constante exposição a informações fragmentadas, tecnologias de distração e uma cultura de superficialidade, contribui para um empobrecimento do pensamento crítico e profundo. Nesse sentido, o emburrecimento seria uma consequência das próprias dinâmicas sociais, económicas e tecnológicas que favorecem a rápida troca de informações superficiais, dificultando a reflexão aprofundada.

Eu diria que pensar dói!

Por outro lado, há quem defenda a ideia de que esse processo de emburrecimento é, em parte, planeado ou incentivado por interesses específicos. Alguns teóricos sugerem que certos grupos ou instituições podem beneficiar-se de uma população menos crítica, mais facilmente manipulável e menos inclinada a questionar a sociedade e as múltiplas questões que a envolvem. O emburrecimento das massas torna-se uma ferramenta para facilitar a manutenção do poder e a derrubada de democracias, que dependem de cidadãos informados, activos, interventivos e capazes de pensar de forma autónoma.

A cultura do emburrecimento, portanto, revela-se como um mecanismo consciente ou inconsciente que actua na formação de uma sociedade cada vez mais superficial, onde a atenção se fragmenta, a curiosidade se perde e a profundidade do pensamento se torna uma exceção. A proliferação de conteúdos rápidos, o estímulo ao consumo imediato de informações e a banalização do conhecimento contribuem para esse cenário, tornando a sociedade moderna cada vez mais distraída e menos capaz de refletir criticamente sobre os eventos e as ideias que moldam o mundo.

Reconhecer esses mecanismos é fundamental para compreender os desafios actuais e buscar estratégias que promovam uma cultura de reflexão, aprofundamento e pensamento crítico, essenciais para a preservação das democracias e do desenvolvimento humano.

Mais dois exemplos do emburrecimento (1- consequência. 2 – planeado para manter o poder):

“1 - Há alguns anos todos se orientavam pelas vias de comunicação através da sinalização das estradas e com um mapa. Hoje se não tiverem o GPS perdem-se. Um dia destes fui abordada por um automobilista que procurava a saída para a A4, e eu perguntei:

- Dirige-se para nascente ou para poente?

Pois, desconheciam!…”

“2 - O Ministro da Educação disse que, evidência científica diz que até aos 30 alunos a qualidade do ensino não sai prejudicada.

Basta fazer contas, a atenção do professor dividida por 30 alunos é inferior quando dividida por 20.

Algumas pessoas acreditam.”

QUE EMBURRECIMENTO!

Publicado em NVR 23|09|2026

"REVOLUÇÃO" - Agostinho da Silva


https://voca.ro/1bI2GX4bohsP

Voz: Anabela Quelhas

file:///E:/radio/audio/287%20-%20Revolu%C3%A7%C3%A3o%20Agostinho%20da%20Silva.mp3

20 setembro, 2026

NIGRAN nunca cansa


NIGRAN nunca cansa - por de sol sentados na La Genuina. 



18 setembro, 2026

sem título - José Luís Peixoto

 


sem título - José Luís Peixoto

https://voca.ro/1n2N16ySbHz8

Voz: Graça Vilela

file:///E:/radio/audio/285%20-%20Sem%20t%C3%ADtulo_Jos%C3%A9%20Lu%C3%ADs%20Peixoto_voz%20Gra%C3%A7a%20Vilela.mp3

DESENHOS


 

16 setembro, 2026

"HOMENS QUE SÃO COMO LUGARES MAL SITUADOS" - Daniel Faria


https://voca.ro/13m7qdxXhaMR

Voz: Anabela Quelhas

file:///E:/radio/audio/284%20-%20Homens%20que%20s%C3%A3o%20como%20lugares%20mal%20situados%20-%20Daniela%20Faria.mp3


O EMBURRECIMENTO DA SOCIEDADE (1)

 

O EMBURRECIMENTO DA SOCIEDADE (1)

No século da informação, estamos imersos num mundo onde dados, notícias e conteúdos circulam incessantemente, muitas vezes fora do alcance da reflexão profunda. Vivemos na era em que o acesso à informação é quase instantâneo, a internet e as redes sociais a geram um fluxo constante de novidades. No entanto, essa abundância de dados muitas vezes distancia-nos do verdadeiro entendimento, transformando o conhecimento numa colecção de factos dispersos e superficiais. Nem sei se chame a isso de conhecimento.

O que é realmente o conhecimento? O conhecimento vai além de simplesmente acumular informações. O conhecimento é a compreensão crítica e contextualizada dessas informações, a capacidade de relacionar conceitos, questionar e reflectir sobre o que aprendemos. É uma construção mental que envolve interpretação, análise e aplicação prática, permitindo-nos usar a informação de forma consciente e significativa em diversos contextos. Assim, enquanto o século da informação nos oferece recursos incríveis, o conhecimento verdadeiro reduz-se— aquele que nos faz pensar, questionar e transformar a nossa visão do mundo. Ou seja, a sociedade está a emburrecer e o mais caricato não se dá conta disso. A informação “vive” fora da nossa cabeça, enquanto o conhecimento “vive” dentro.

Muitos argumentam que, devido ao crescimento do consumo dos meios digitais, redes sociais e entretenimento de baixo nível, as pessoas têm perdido a capacidade de pensar criticamente, reflectir profundamente e valorizar conhecimentos mais complexos. Esse suposto "emburrecimento" pode ser percebido na diminuição do interesse pela leitura, na superficialidade das discussões públicas, na aceitação de informações sem questionamento e na redução de capacidade em resolver problemas e tomar decisões.

O acesso facilitado à informação, mesmo que às vezes superficial, também pode ser visto como uma ferramenta de democratização da mesma, mas “não há bela sem senão”. O papel da educação será capaz de enfrentar os desafios do mundo contemporâneo e travar o emburrecimento? Aqui fica o desafio para a reflexão e deixo um exemplo, mas há muitos.

A tabuada é informação que já não se decora. A escola ensina a encontrar o caminho para essa informação – a máquina de calcular, o computador e a internet; e tudo após de ter havido compreensão dos conceitos matemáticos.

Porém, a importância de decorar e saber a tabuada é fundamental para o desenvolvimento das habilidades matemáticas das crianças e estudantes em diferentes contextos. Quando a tabuada é memorizada, as operações básicas de multiplicação e divisão tornam-se mais rápidas e automáticas, facilitando o entendimento de conceitos mais complexos. Além disso, a memorização da tabuada ajuda a aumentar a confiança e a autonomia na resolução de problemas matemáticos, além de promover o raciocínio lógico e a agilidade mental. Essa habilidade também serve como base para aprender operações com números maiores e para avançar em áreas como álgebra, geometria e outras disciplinas relacionadas. Portanto, decorar e saber a tabuada é uma etapa importante no processo de aprendizagem matemática, contribuindo para o desenvolvimento cognitivo e para o sucesso escolar dos estudantes.

Hoje, num supermercado, um jovem tinha comprado 6 unidades de um refrigerante e não entendia o registo da caixa. O verdadeiro problema é que não sabia a tabuada e estava sem telemóvel. Que emburrecimento!

Publicado em NVR 16|09|2026