10 junho, 2026

O POMO DA DISCÓRDIA


 O POMO DA DISCÓRDIA

 

Em linguagem contemporânea, o pomo da discórdia é pura e simplesmente o motivo da discórdia, da desavença, da disputa ou do desacordo. A palavra pomo deriva do latim “pomum” e significa literalmente fruto, sendo frequentemente associado à maçã, pêra ou marmelo. A expressão remete-nos para a mitologia grega, para a origem do conflito entre Gregos e Troianos.

O invulgar casamento entre um simples mortal e uma deusa, ele Peleu e ela Tétis, que terão sido os pais de Aquiles, realiza-se no monte Pélion, é organizado por Zeus, que convida todos os deuses, porém, faz-se de esquecido e não convida uma entidade que ninguém gosta de ter por perto, denominada Éris, perita da discórdia, do caos, da inveja e da discussão odiosa.

Éris fica furiosa por ser rejeitada num momento tão sumptuoso, como aquele casamento, decide vingar-se e faz-se de convidada acabando com a alegria reinante na festa. Entra repentinamente na boda no seu momento mais alto, dirige-se à mesa onde se encontram os recém-casados e deposita ali uma maça dourada recolhida no Jardim das Hespérides, jardim mágico guardado pelo Titã Atlas.

A maça é lindíssima e mágica, parece iluminada por dentro e é visível uma inscrição que diz: para a mais bela.

As mulheres que se encontram perto da mesa, sentem-se tentadas a recolher a maçã, porque cada uma se considera a mais bela, nomeadamente, Hera (2ª esposa de Zeus), Atena (filha preferida de Zeus e da sua primeira esposa Métis) e Afrodite (tia).

A confusão está armada entre as três deusas poderosas. Instala-se a incómoda discórdia entre algumas entidades do Olimpo muito próximas de Zeus.

Disputa tola, mas pertinente, e como não chega a bom termo, decidem pedir a Zeus que escolha a mais bonita. Como Zeus poderia escolher entre a esposa, a filha e a tia? Estava tramado, ele não pretendia alimentar a rivalidade entre os seus familiares e nenhum dos deuses quis fazer de juiz nessa confusão.

            Então Zeus, sabiamente, resolve livrar-se do espinhoso fardo. Convoca o mensageiro Hermes, e ordena que leve as 3 deusas ao monte Ida, e encontrem alguém ingénuo e sincero, para tomar a decisão por ele.

Encontram um pastor com essas características, porém, cada uma das deusas decide manipular o jovem pastor mediante ofertas fabulosas. Hera promete-lhe um império, Atena promete-lhe que ele será vencedor de todas as disputas que travar ao longo da vida e Afrodite oferece-lhe a mulher mais bela do mundo, que se apaixonará por ele. Apesar de confuso, o jovem pastor escolhe a oferta de Afrodite.

Posteriormente descobre-se que o jovem pastor é Páris, um mortal filho do rei Príamo, de Troia. Na época, Páris trabalhava como pastor e vivia feliz ao lado de uma ninfa adorável chamada Enone. A deusa Afrodite, ignorando solenemente a presença de Enone, concretiza a sua promessa. A deusa sabe exatamente onde se encontra a mais bela mulher do mundo: é Helena, casada com o rei de Esparta, Menelau. Auxiliados por Afrodite, Helena e Páris fogem para Troia. Páris ao escolher Afrodite, além de ganhar Helena, ganhou também o ódio mortal de Hera e Atena dando origem a outras narrativas nomeadamente a maior guerra da História, a Guerra de Tróia e o confronto entre Gregos e Troianos.

O "pomo da discórdia" é então esta invulgar e famosa maçã, um metafórico fruto ou elemento que gera algum tipo de incompatibilidade entre aqueles que o disputam, sejam eles as deusas do Olimpo ou simples mortais. O melhor é evitar o encantamento por uma maçã, para fugir à inveja, à rivalidade e ao conflito.

Que os deuses te sorriam. Alegra-te! Kairé!

[Emissão “Zeus não dorme”, descubra a mitologia grega na sua vida – Rádio Universidade FM – 29|30|31 de Maio de 2026]

Publicado em NVR 10|06|2026

"PORTUGAL" - Alexandre O'Neil


https://voca.ro/1lPUHXDEENkg

Voz: Anabela Quelhas

file:///E:/radio/audio/242%20-%20Portugal-%20Alexandre%20Oneil.mp3



03 junho, 2026

"FOZ CÔA" - Manuel Vaz de Carvalho


https://voca.ro/135zkEMTGIos

Voz: Manuela Vaz de Carvalho

file:///E:/radio/audio/239%20-%20FOZ%20COA%20-%20Manuel%20Vaz%20de%20Carvalho-2.mp3

A MAIS BELA MALDIÇÃO

 


A MAIS BELA MALDIÇÃO - livro

Autor Rui Couceiro, 2026

Foi com gula que comprei este livro, sem ler a sinopse, opiniões… nada. Apenas gesto de gula construída por gostar das obras “Baiona sem data para morrer” e Morro da Pena Ventosa”, do autor. Pensei ser outro romance fabuloso e enganei-me. Em casa, abri o livro e verifiquei que são 10 histórias que têm em comum os livros e o gosto de ler.

Estive para desistir, decepcionada, pensando que Rui Couceiro, o autor, teria dificuldade em manter o nível literário demonstrado em “Morro de Pena Ventosa”. Afinal nem todos os escritores conseguem assegurar a sua genialidade em todas as obras.

Mesmo assim dei o benefício da dúvida. Dou sempre aos livros 50 páginas para me seduzirem.  Na página 50 já ia na 2.ª história sobre o Castelo de Livros envolvendo a problemática da união das duas Alemanhas, antes separadas pelo Muro de Berlim e já tinha decidido ler até ao fim.

O autor define que são histórias de gente apaixonada por livros.

Cada história é uma surpresa e torna-se viciante saltar de uma para a outra; Rabat, Berlim, S. Miguel nos Açores, Toscana, S. Tomé e Príncipe, Pernambuco, Lucignana, Caxinas na Póvoa de Varzim, Bogotá e Nova Iorque são os sítios onde se localiza cada história, nada têm a ver umas com as outras, excepto uma verdadeira declaração de amor aos livros e à leitura realizada por parte dos protagonistas e de Rui Couceiro, que emerge de cada página. Rui Couceiro leva-nos numa viagem pelo mundo para conhecer pessoas reais, que sofrem de uma singularidade no seu amor pelos livros, revelando afectividades, reflexões sobre a vida e descrição ilustrativa de lugares de geografias diversas, exteriores e interiores.

Escrever sobre livros e os seus amantes pode parecer monótono, mas não, todas as histórias são interessantes, contendo relatos biográficos daqueles que assumem a sua relação profunda com os livros.

Foi um desassossego enquanto não li o livro todo, aconcheguei-me a cada história literária narrada de forma delicada, subtil e expressiva e dei comigo a imaginar que o autor teria material para um segundo volume.

Esperava encontrar a Libreria Aqua Alta que me encantou em Veneza, ou a Livraria Lello do Porto, a mais bonita do mundo, ou até a história dos livros que foram angariados para os hospitais de Angola, sob o nome "Um Livro, Uma Criança, Muitos Hospitais" coordenada pelo jornalista Rui Ramos. Estas 3 histórias não ficariam nada mal neste livro… ou ainda a Bibliothèque Nacional de France, as bibliotecas itinerantes da Gulbenkian, o Real Gabinete Português de Leitura no Rio de Janeiro, a Cabine telefónica de Somerset, a Biblioteca de Fernando Savater, ou a Word on the Water de Londres. E a história daquele grupo que jogava póquer sem dinheiro, mas com livros? Rui Couceiro tem material para escrever um segundo volume.

Um pormenor curioso, quando lia sobre José Paulo Cavalcanti Filho, um apaixonado pela obra de Fernando Pessoa, acabei por interceptar uma grande exposição realizada sob a sua curadoria, “Fernando Pessoa: Plural como o Universo” que esteve patente na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa em 2015, e que para mim foi um momento de referências culturais gigantesco. A leitura também tem isto, inesperadamente faz cruzar universos e de repente oferece-nos luz sobre vertentes que procurávamos ou que desconhecíamos.

Gosto desta maldição de gostar.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, este é um livro para todos os apaixonados por livros e para aqueles que não são, mas deviam ser.

Publicado em NVR 03|06|2026


02 junho, 2026

Real Coliseu Portuense


 

Os tripeiros não atinam com touradas-

Já há mais de 150 anos que, no Porto, se tem a consciência de que tourada não é espetáculo nem, muito menos, cultura, mas sim barbárie e selvajaria!

Nesta imagem temos o Real Coliseu Portuense, localizado na actual Rotunda da Boavista construído em 1889 e demolido em 1894. Foi sol de pouca dura. O local quase que nunca serviu para fazer touradas, porque por aqui esta tradição e "cultura" atrofia e não dá frutos. Nesse período foi utilizado para espectáculos circenses e desportivos.

Quem quer ver touradas que vá à Póvoa.

ANTECIPANDO

 






AZEITÃO DAMAS VILLA

Rua João Vaz nº 68, Azeitão