28 outubro, 2026

"DOURO UTOPIA" - António Fortuna


https://voca.ro/1lLkW8g6VlDp

Voz: Anabela Quelhas

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O PROBLEMA DA HABITAÇÃO

 


O PROBLEMA DA HABITAÇÃO

 

Em Portugal, o direito à habitação está consagrado na Constituição Portuguesa (Artigo 65.º).

Portugal é um país pobre armado em rico. Temos a sorte de pertencer à Europa que nos ajuda “a tapar buracos”, mas não temos conseguido gerir bem as oportunidades, apoios e até os nossos recursos.

É um exercício difícil. Tem-se dado prioridade à guerra, aos submarinos, à privatização de serviços, ao turismo e a habitação tem ficado para trás. Os pobres estão cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos, esvaziando-se a classe média.

Em Portugal ganha-se mal e o valor das rendas ultrapassa em muito os 30% do ordenado. Quem ganha o ordenado mínimo não tem alternativa, obriga-se a juntar-se a outros, para ter tecto, dividindo despesas. 

A culpa não é dos senhorios e também não é do turismo – mal de nós se os eliminássemos. Os senhorios não podem assumir as responsabilidades que pertencem ao Estado, e a estes nada os abriga ao arrendamento, é a isto que se chama propriedade privada. Condicionar o turismo? O turismo põe comida na mesa a muita gente! Esta situação é difícil de digerir perante o problema que muitos sentem na pele, mas é mesmo assim. Vou adiantar um exemplo: Pelo facto de existir fome, não podemos culpar os supermercados! Pelo facto de haver doentes não vamos culpar as clínicas privadas. Habitação para todos é uma condição estrutural de uma sociedade, portanto é o Estado que se deve responsabilizar quando esta se se torna problemática.

O Estado é a organização política, administrativa e jurídica de uma sociedade que detém o poder soberano sobre um determinado território e a sua população. É ao Estado que compete adoptar estratégias para resolver os problemas da sociedade

Neste caso, o problema é a falta de investimento em habitação pública (social e a habitação a custos acessíveis para a classe média).

Vejamos como estão os países europeus em relação à habitação social (valores aproximados):

• Países Baixos: 34%

• Áustria: 24%

• Dinamarca: 21%

• Reino Unido: 18%

• França: 17%

• Irlanda: 8,7%

• Bélgica: 7%

• Itália: 5,3%

• Alemanha: 4%

• Portugal: 2% (um dos valores mais baixos da Europa) 

Basta analisar e reflectir, e percebemos que existe “um desinvestimento crónico” por parte de sucessivos governos na promoção de habitação. Chega a ser caricato: o país mais pobre tem menos habitação social.

Por outro lado, as Câmaras Municipais não podem avançar se não forem revistas as leis dos solos, para que haja libertação de solo para construção, caso contrário fica tudo na mesma e o preço da construção subirá eternamente.

“Ao mesmo tempo, o parque habitacional existente encontra-se envelhecido e degradado, contribuindo para situações de pobreza energética e condições indignas de habitação, que se revelam crescentes”, lê-se num documento elaborado pelo ISCTE.

O Estado português possui cerca de 60.000 imóveis no seu património, sendo que, uma parte significativa, encontra-se devoluta. O interior de Portugal encontra-se desertificado e pouco industrializado, onde há muita casa para renovar. A habitação é um assunto com muitas vertentes.

É fácil atribuir culpas aos senhorios, estes apenas se movimentam pelo que a lei permite e pelos seus direitos sobre a propriedade privada, pagando impostos brutais e evitando recorrer à justiça para resolver problemas de dívida e de vandalismo, porque a Justiça é lenta.

Apetecia-me escrever, que este problema deve-se às escolhas dos portugueses na hora de votar, mas não posso. Governos de esquerda e de direita varreram o problema para debaixo do tapete.

Assembleias populares, não muito obrigada! Manifestações organizadas são uma coisa, aglomerações de protesto onde ninguém se responsabiliza por nada, é outra. Olhem para Paris, é isso que queremos? O Maio de 68 já foi!

Publicado em NVR 28|10|2026

21 outubro, 2026

AS MENINAS EXEMPLARES


 Hoje estive na Rádio Portimão, ouvir aqui

https://www.youtube.com/watch?v=Y3srPhW2LkE




ROUBAR O FOGO AOS DEUSES


 

ROUBAR O FOGO AOS DEUSES

Quando alguém desafia uma autoridade suprema para fornecer conhecimento, tecnologia ou poder a quem não os possui, revolucionando a sociedade, diz-se que ROUBOU O FOGO AOS DEUSES

A expressão "roubar o fogo aos deuses" refere-se ao famoso mito grego do Titã Prometeu e ocorre em contextos mitológicos, filosóficos e metafóricos.

O que é um Titã e quem é Prometeu?

Os Titãs eram entidades antigas com aspecto de gigantes, poderosos, de cor roxa, azul ou verde, e antecederam os deuses do Olimpo. Nasceram da união entre Urano, que representava o Céu, e Gaia, que seria a Terra. Os Titãs foram enviados à Terra para protegê-la trazendo paz e união para todo o universo.

Na história original, a humanidade foi criada frágil e sem defesas.  Os Titãs desempenharam um papel fundamental na criação do mundo e na relação entre deuses e humanos. Segundo Hesíodo foi dada a Prometeu e ao seu irmão Epimeteu, a tarefa de criar os homens e todos os animais.

Prometeu, em particular, destacou-se pela sua inteligência, astúcia e preocupação com a humanidade. Prometeu - cujo nome significa “aquele que vê antes”, ou seja, que tem a clarividência - ficou com a missão de supervisionar as criações do irmão Epimeteu - que tem como significado em seu nome, “aquele que vê depois”, isto é, aquele que tem “ideias tardias”.

Na mitologia, acredita-se que Prometeu moldou os homens a partir do barro e lhes deu a vida, além de ensinar-lhes várias habilidades essenciais para a sua sobrevivência. Ensinou aos homens todos os segredos da agricultura, da pesca, do comércio, da profecia, da astronomia e de tudo o que era necessário ao desenvolvimento da humanidade. Mas ainda lhes faltava o dom do fogo, que Zeus tinha negado aos homens, pois temia que os mortais ficassem tão poderosos quanto os próprios deuses.

Confusos? A criação do mundo é explicada de maneiras diferentes mediante perspetivas religiosas, científicas e culturais da sociedade e é normalmente confusa e sem rigor.

Voltando a Prometeu, uma das suas acções mais emblemáticas foi o acto de roubar o fogo dos deuses, especificamente de Zeus, para entregá-lo aos humanos. Essa acção simboliza a partilha do conhecimento, da inovação e do progresso, mas também de desafio à autoridade divina.

A atitude de Prometeu enfureceu Zeus, o rei dos deuses, que viu o seu poder e autoridade ameaçados e puniu o Titã desobediente, por este crime de rebeldia; ordenou que Prometeu fosse acorrentado a uma rocha num penhasco do monte Cáucaso, onde diariamente uma águia vinha devorar o seu fígado, que se regenerava à noite, já que Prometeu era imortal, prolongando assim o seu sofrimento e tortura. Esse castigo simboliza a punição dos que ousam desafiar os deuses ou transgredir os seus limites. Prometeu foi liberto do seu sofrimento por Hércules, que matou a águia, num dos seus célebres doze trabalhos.

O fogo que Prometeu roubou aos deuses e pelo qual foi condenado, representa o conhecimento humano e talvez o mais importante, a liberdade. Segundo Jean Jacques Rousseau: “Os animais escolhem ou rejeitam por instinto, e o Homem por um acto de liberdade […]. Não é tanto o entendimento que faz a distinção específica entre os animais e os homens, mas a qualidade humana de agente livre”.

A figura de Prometeu representa o início da civilização, a liberdade humana, que leva o homem a enfrentar com orgulho o seu destino, assumir o poder da inteligência, superador das limitações humanas, multiplicador de compreensão e entendimento do mundo que, tantas vezes, nos surge como trágico e caótico.

Actualmente a expressão “roubar o fogo aos deuses” é usada de forma figurada para se referir a alguém que busca adquirir conhecimento, poder ou inovação de forma audaz, desafiando as regras estabelecidas ou as autoridades. Geralmente, essa expressão remete à ideia de coragem e ousadia ao desafiar o que está formatado na sociedade, em busca do progresso.

              Que os deuses te sorriam. Alegra-te! Kairé!

[Emissão “Zeus não dorme”, descubra a mitologia grega na sua vida – Rádio Universidade FM – 11|12|13 de Setembro de 2026]

Publicado em NVR 21|10|2926

"ENTRE AS DUAS E AS TRÊS" - Ana Luísa Amaral


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Voz: Anabela Quelhas

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