27 maio, 2026

DICIONÁRIO


DICIONÁRIO

Apresento-vos um livro que passou de moda, jaz frágil e moribundo no extremo de uma prateleira pouco acessível das nossas estantes, apenas a apanhar pó. Guarda palavras gordas e magras, negras e brancas, loucas e criteriosas, doces e agressivas, beneméritas, malvadas e odiosas, palavras gastas e outras quase virgens, e agora palavras adormecidas, ou até em coma induzido pelas novas tecnologias. 

O conceito de dicionário é uma ferramenta fundamental na organização e compreensão da língua, desempenhando um papel crucial na comunicação, no estudo e na preservação do património linguístico.

As primeiras formas de dicionários podem levar-nos até à Antiguidade, como os glossários e listas de palavras utilizados por escribas na Mesopotâmia e no Egito, que buscavam esclarecer significados e traduções de termos especializados. Durante a Idade Média, surgiram compêndios mais sistematizados, muitas vezes ligados ao ensino e à tradução de textos religiosos e académicos.

Sobre o primeiro dicionário português a informação recolhida não é unânime. Diz-se que foi o "Dictionarium Lusitanum" de João de Barros, publicado em 1555 (?). Como primeiro grande dicionário bilingue em Portugal intitula-se Dictionarium Latino-Lusitanicum (1569) e foi escrito por Jerónimo Cardoso. Será? Não sei. O dicionário moderno, como o conhecemos hoje, começou a tomar forma no século XVII, o "Dictionnaire de l’Académie Française", publicado em 1694 em França.

A utilidade do dicionário é vasta e multifacetada. Ele serve como uma referência confiável para esclarecer dúvidas sobre o significado, a ortografia, a pronúncia, a origem e o uso de palavras. Para estudantes, escritores, tradutores e profissionais de diversas áreas, o dicionário é uma ferramenta indispensável para aprimorar a precisão e a riqueza do vocabulário. Além disso, desempenha um papel importante na preservação da língua, documentando mudanças linguísticas e introduzindo novos termos ao longo do tempo.

Actualmente, o interesse pelos dicionários permanece elevado, porém, em suporte digital. Muitas pessoas preferem consultar dicionários online ou aplicativos de linguagem, que oferecem acesso instantâneo a uma vasta quantidade de informações, além de actualizações constantes e funcionalidades adicionais. Essa substituição gradual faz com que os dicionários impressos sejam considerados quase obsoletos ou de uso mais restrito, muitas vezes reservados a colecções, estudos académicos ou àqueles que valorizam o método tradicional de pesquisa.

Assim, a secundarização do dicionário-livro reflecte uma mudança cultural e tecnológica na forma como acedemos e utilizamos o conhecimento linguístico nos dias de hoje. Quem não conhece o dicionário Priberam da Língua Portuguesa e o Google Tradutor?

Quando era jovem, ai de quem aparecesse na aula de Português sem o famoso dicionário, mais conhecido por calhamaço, que funcionava como lastro da minha pasta e a transformava com sucesso em arma de arremesso e desenvolvia-me os bíceps.

Mesmo na era digital, o seu valor académico permanece inalterado, continuando a ser um aliado indispensável na jornada da aprendizagem.

Além do dicionário tradicional, existem outros tipos de dicionários, cada um com funções específicas: Dicionário de Línguas, de Sinónimos e Antónimos, Dicionário Etimológico, Dicionário de Rimas, Dicionário Visual, Dicionário Técnico ou Especializado e outros mais, alguns muito apelativos contendo imagens, facilitando a consulta e a memorização.

Eu ainda tenho o velho dicionário de Eduardo Pinheiro publicado pela Livraria Figueirinhas, que cumpriu a função, comigo e com as minhas irmãs, em dois continentes, os dois volumes da Lello Universal e vários de línguas. Também tenho um dicionário minúsculo de Francês-Português, que me livrou de algumas faltas de material com a Madame Lamy. Preciso deles? Não! Quero vendê-los? Também não! Eles são a prova de que a aprendizagem não se processa por osmose, pois há muitas palavras que nunca utilizei, nem pretendo. UFA! UFA! Sobrevivi. 

Publicado em NVR 27|05|2026



 

"OBSESSÃO DO MAR OCEANO" - Mário Quintana

 


"OBSESSÃO DO MAR OCEANO" - Mário Quintana

https://voca.ro/1fTfDbrFF6O9

Voz: Anabela Quelhas

file:///E:/radio/audio/236-%20obsess%C3%A3o%20do%20mar%20ocenao-%20Mario%20Quintana.mp3

26 maio, 2026

24 maio, 2026

21 maio, 2026

20 maio, 2026

A CAIXADE PANDORA

 


A CAIXA DE PANDORA

Na mitologia grega, a Caixa de Pandora (na verdade, um jarro) era um presente de Zeus para Pandora, a primeira mulher, criada por Hefesto a mando de Zeus. O presente constava de uma caixa

E o que continha a caixa?

Continha todos os males e desgraças do mundo, como doenças, dor, a guerra, a fome, o ódio, a discórdia, a inveja, as doenças do corpo e da alma, mas continha também a esperança, que ficou retida no fundo. A caixa estava lacrada, e Zeus deu ordem expressa de nunca a abrir, pois continha os males destinados à humanidade como punição.

Vencida pela curiosidade, e desconhecendo o seu conteúdo Pandora abriu o recipiente, libertando uma nuvem de todos os males (doenças, miséria, discórdia, etc.) que passaram a afligir toda a humanidade.

Assustada, Pandora fechou a tampa rapidamente, mas já era tarde. Apenas a esperança ficou presa na caixa, que deu aos humanos a força para suportar as adversidades.

Este mito explica a origem do sofrimento humano e a importância da esperança para enfrentá-lo, tornando-se uma metáfora para atos que desencadeiam consequências imprevisíveis. Adverte também sobre os perigos da curiosidade excessiva e as consequências irreversíveis das acções humanas, especialmente quando há desobediência a ordens divinas.

 Hoje, a expressão "abrir a caixa de Pandora" por vezes é utilizada de forma leviana, e parece conter algo de mágico, na verdade significa "a origem de todos os males" é usada para descrever acções que geram consequências negativas, imprevistas e incontroláveis.

Apesar dos males, a Esperança que ficou na caixa simboliza a resiliência humana e a capacidade de perseverar diante das adversidades. Por isso dizemos que a Esperança é a última a morrer.

A esperança é considerada uma força inesgotável que sustenta o ser humano, ajudando a superar momentos de crise, dor ou desespero. Antes da desistência total (desesperança), a pessoa mantém a expectativa de que o amanhã trará algo melhor, agindo como uma protecção contra o desânimo profundo.

Que os deuses te sorriam. Alegra-te! Kairé!

 

[Emissão “Zeus não dorme”, descubra a mitologia grega na sua vida – Rádio Universidade FM – 08|09|10 de Maio de 2026.]

O silêncio do kisanji na Rádio Portimão

 


Hoje fui surpreendida por João Carlos Carranca no seu programa Karranca às Quartas. Palavras sobre o silêncio, afectuosas que gostei de ouvir. Grata à Rádio Portimão que me proporciona estas viagens semanais.
Livro "O silêncio do kisanji" - edição de autor.♥

Antecipando








 THE ST. REGIS CAIRO

Corniche El Nile 99999, Cairo

"TIMOR" - Luís Represas (Trovante)


https://voca.ro/11N2VImWgSQc

Voz: Anabela Quelhas

file:///E:/radio/audio/233%20-%20Timor%20-%20Luis%20Represas.mp3

Música: https://www.youtube.com/watch?v=V410xjheelQ