04 março, 2026

2026: Ano Internacional da Mulher Agricultora e Rural


 2026: Ano Internacional da Mulher Agricultora e Rural 

O ano de 2026 foi declarado como o Ano Internacional da Mulher Agricultora e Rural, uma iniciativa proposta originalmente pelos Estados Unidos e apoiada por mais de 120 países, e oficialmente adoptada pela Assembleia Geral da ONU em Maio de 2024. Este reconhecimento pretende celebrar e valorizar o papel fundamental das mulheres na segurança alimentar global, além de promover a eliminação das desigualdades de género no sector agrícola.

Este é um momento de comemoração e de reforçar, diariamente, o reconhecimento às acções das mulheres agricultoras e rurais, destacando a sua contribuição indispensável para o desenvolvimento sustentável das comunidades e das sociedades em todo o mundo.

O processo histórico destas mulheres no meio rural é marcado por uma longa luta contra a invisibilidade, jornadas duplas e subordinação, onde o seu trabalho foi muitas vezes considerado apenas como “ajuda” doméstica, e não uma actividade profissional de valor.

Embora as mulheres representem aproximadamente 43% da força de trabalho agrícola mundial, menos de 20% possuem terras próprias, enfrentando obstáculos no acesso a financiamentos, tecnologias e formação especializada. A tecnologia surge como uma aliada importante na redução de barreiras físicas e na ampliação do acesso a tarefas mais complexas e exigentes, contribuindo para a sua autonomia. No entanto, as desigualdades salariais ainda persistem, chegando a disparidades de até 40% em relação aos homens, no caso de Portugal.

As mulheres rurais acumulam longas horas de trabalho, dividindo-se entre a produção agrícola, as tarefas domésticas e os cuidados com a família. Muitas dessas mulheres não são reconhecidas oficialmente como agricultoras ou trabalhadoras, o que as exclui dos direitos de protecção social. Além disso, factores culturais e tradicionais continuam a limitar a sua participação nos espaços de decisão governamentais, mantendo a posse da terra predominantemente nas mãos dos homens.

Apesar dessas dificuldades, as mulheres rurais permanecem como agentes essenciais na conservação da biodiversidade e na garantia da segurança alimentar. Elas lutam por autonomia, por maior acesso a recursos e por condições de trabalho dignas. Para promover mudanças efectivas, é fundamental implementar políticas públicas que garantam acesso ao crédito, à terra, à assistência técnica e a regimes de protecção social.

A MARP – Associação das Mulheres Agricultoras e Rurais Portuguesas – reafirma o seu compromisso de dar visibilidade à realidade dessas mulheres em Portugal e de actuar na construção de políticas que valorizem o seu trabalho no campo. Para a Associação, a celebração de 2026 Ano Internacional representa uma oportunidade de reconhecimento e mobilização, reforçando o papel das mulheres rurais na produção de alimentos, na sustentabilidade e na coesão territorial.

Pretende-se que 2026 seja um marco na afirmação das mulheres rurais portuguesas — um ano em que o país reconheça que, sem elas, não há soberania alimentar, nem futuro para o meio rural. Para isso, diversas acções e eventos serão realizados ao longo do ano, a saber:

 

·      Lançamento oficial do Ano Internacional 2026 pela CCDR Centro;

·      Exposição “Raízes de Mulher: Sementes de Futuro”, em Coimbra;

·      Apoio às candidaturas do Programa TalentA;

·      Criação e divulgação da Caderneta da Mulher Agricultora e Rural (CNA/MARP);

·      Programas de capacitação e formação promovidos pela Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural;

Estas acções visam ampliar a visibilidade, fortalecer a participação e promover a valorização das mulheres rurais, reconhecendo o seu papel vital na construção de um campo mais justo, sustentável e igualitário.

Após uma rápida pesquisa, parecem-se serem acções sobretudo palavrosas, que conduzirão a poucas mudanças, certamente secundarizadas pelo cenário de catástrofe que Portugal enfrenta actualmente, devido à sucessão de tempestades severas que atingiram o país.

[8 de Março – Dia Internacional da Mulher]

Publicado em NVR 04|03|2026

"ATRÁS DOS DIAS" - Rosa Alice Branco

 


"ATRÁS DOS DIAS" - Rosa Alice Branco

https://voca.ro/13QRgiHHoOf9

Voz: Anabela Quelhas.

 file:///E:/radio/audio/200-%20atr%C3%A1s%20dos%20dias.mp3

01 março, 2026

26 fevereiro, 2026

25 fevereiro, 2026

"Pés de Barro" de Nuno Duarte

 


No Karranca às quartas - Rádio Portimão.

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GERAÇÃO SANDUÍCHE

 

GERAÇÃO SANDUÍCHE

A geração, que fecha a porta para o mundo real, é aquela que viveu a sua infância e a juventude ainda sem grandes saltos tecnológicos, sem computadores, sem internet… nem micro-ondas havia, a sopa tinha de ser aquecida numa panela e ir ao fogo.

Usámos fraldas de tecido quando nascemos, jogámos às escondidas, saltámos à corda, deslizámos de patins sem joelheiras, andámos de bicicleta sem capacete, por vezes brincávamos com bonecas de trapos, lançávamos o pião, brincávamos à macaca, ao berlinde, ao macaquinho do chinês, ao jogo do lencinho e à corrida de sacos… ia-se à casa da vizinha para telefonar, comíamos pão com manteiga e açúcar, líamos livros aos quadradinhos, ainda não havia betadine para desinfectar os joelhos sem pele e havia brinquedos para meninos e brinquedos para meninas.

Se queríamos ouvir música sem ser na rádio, ou tínhamos gira-discos e discos de vinil, ou cassetes, o que era raro – e já se considerava um sucesso relativamente à geração anterior. Colecionámos selos, cromos e carteiras de fósforos.

Utilizámos a máquina de escrever para dar bom aspecto a alguns trabalhos de casa, mas era um problema quando não havia corrector.

Às refeições usámos guardanapo de pano, que era substituído por outro, no fim de semana, se queríamos ver filmes, tínhamos de ir ao cinema, e televisão só tinham os mais empoderados e era a preto e branco. Os meninos calçavam sandálias no verão até aos 15 anos e as meninas, vestiam saiote e calçavam peúgas brancas até serem adultas e só depois tinham autorização para usar meias de vidro ou de mousse.

Não havia classe média, havia a classe dos remediados e aquelas famílias que tinham sorte em não passar fome.

Ter uma esferográfica preta de esfera fina era um luxo e não havia fotocópias. A maioria das mães eram domésticas, faziam as tarefas de casa e tratavam dos filhos, que só iam à escola a partir dos sete anos e a nossa ambição era sermos independentes dos pais para podermos ter opinião e usufruir de um espaço fora de casa deles.

A comida não tinha nomes esquisitos, não havia tiramisu, cheesecake, pavlovas e vol-au-vent; havia pudim boca-doce, arroz-doce, aletria, queijo com marmelada e a mousse era um luxo. Rapávamos o tacho quando a mãe fazia um bolo ao fim de semana.

Esta geração é considerada a última a ter vivenciado uma infância e adolescência predominantemente analógicas, correndo alguns perigos e com imaginação suficiente para resolver problemas, mesmo sem saber quem seria no futuro Mark Zuckerberg, Steve Jobs e Bill Gates, o que seria um telemóvel e uns smartphones. Desenvolvemos várias competências principalmente saber esperar, saber pensar e ultrapassar uma contrariedade. Por vezes o chinelo da mãe ganhava asas e voava, acertando o nosso rabo ou as pernas. Na classe dos remediados urbanos, nas festas, os rapazes usavam Old Spice e as raparigas usavam Madame Rochas.

O nosso Facebook era a conversa da treta entre os amigos. Se queríamos fotografias tínhamos duas despesas, a primeira, comprar o rolo de 24 fotografias, e depois revelar o rolo em loja própria e com sorte demorava só 4 dias a revelar. Alguns ainda fizeram serviço militar.

A Era Digital começou quando já éramos adultos, aprendemos a desenrascar e a assumir a transição para o mundo digital.

As mulheres emanciparam-se e adiaram a gravidez, para se dedicar por inteiros às suas carreiras profissionais.

Agora com 50/60 anos chamam-nos a "geração sanduíche" porque cuidamos simultaneamente de filhos jovens e pais idosos. Este fenómeno, impulsionado pelo aumento da longevidade e maternidade tardia, gera sobrecarga emocional, financeira e física, aumentando o risco de “burnout” e depressão.

Temos uma esperança de vida mais longa, mas temos um percurso com excesso de responsabilidades. Estamos entre duas gerações dependentes – os filhos que dependem financeira dos pais até muito tarde e que não desejam sair de casa e temos os pais a perder autonomia e a necessitar de cuidados e atenção – e fora de casa temos a exigência máxima profissional. Alguns, cujos filhos se descuidaram, já são avós e têm outra geração para cuidar. Estar na casa dos pais é sempre mais cómodo e mais barato.

Éramos sonhadores e divertidos, e agora somos os faz-tudo e os que desenrascam tudo em casa. Falta-nos tempo e o que temos não é para nós.

Estamos exaustos!

Publicado em NVR 25|02|2026

"E PORQUE" - Graça Vilela


https://voca.ro/16JxU7gMvD38

Voz: Graça Vilela

file:///E:/radio/audio/197%20-%20e%20porque%20-%20GV.mp3