Voz: João Carlos Carranca
26 junho, 2026
24 junho, 2026
Da fartura à sardinha (2)
Da fartura à sardinha (2)
A tradição de comer
sardinhas assadas durante os Santos Populares tem raízes na cultura do nosso
país. No início do Verão, a costa portuguesa ficava repleta de sardinhas, que
eram acessíveis, abundantes e alimentavam principalmente as classes menos
favorecidas. Além disso, há uma ligação religiosa especial com Santo António,
conhecido pelo seu milagre de pregar aos peixes, o que reforça essa associação.
Actualmente essa
tradição mantem-se, mas a realidade mudou um pouco. Nos últimos anos, o preço
da sardinha subiu, impulsionado pelo aumento do consumo nesta época e por
rumores de que as sardinhas escasseavam no mar. Ainda assim, Junho continua a
ser a época em que as sardinhas estão no seu melhor: maiores, mais gordas, mais
saborosas, perfeitas para serem o centro das atenções nas festas de rua,
acompanhadas de pão, pimentos assados e um bom vinho.
O mais bonito nesta
celebração é perceber que, quando comemos uma sardinha numa noite quente de Junho,
cercados de amigos, música e o cheiro a carvão a fumegar, estamos a participar
numa tradição que atravessa séculos, costumes populares, devoção religiosa e
identidade comunitária - uma festa do Verão, da luz e da comunidade que
atravessou gerações e mantém-se viva e vibrante. Poucos países celebram o
início do verão com tanta alma como Portugal. São festas que celebram o
Solstício de Verão, a fertilidade e a abundância - uma celebração que Portugal
mantém viva com muito entusiasmo.
Por aqui, há poucos
sítios onde se pode comer sardinhas, fora das festas de São João. Eu, que adoro
sardinhas — sejam grandes, pequenas, gordas, magras ou mais ou menos — só as
como em ambientes agradáveis ao ar livre ou em restaurantes bem arejados. Em
casa, não vale “o gosto, pelo desgosto”. Odeio, quando um vizinho resolve
colocar o grelhador na janela, deixando o cheiro entrar na minha habitação e
ficar grudado em tudo: roupas, cortinas, sofás… Depois, são horas de limpeza e
arejamento para tentar eliminar aquele odor forte. Por isso, prefiro sentar-me
numa esplanada, apreciar as sardinhas no prato e deixar-me envolver pelo
ambiente.
Para assar sardinhas
perfeitas, o segredo é usar brasas bem fortes e uniformes. Temperar as
sardinhas apenas com sal grosso, cerca de 20 a 30 minutos antes de grelhar,
ajuda a realçar o sabor. A grelha deve estar bem quente, para evitar que o
peixe cole, e o tempo de assadura deve ser curto, de modo a manter a
suculência. Nunca vire a sardinha mais de uma vez, para que ela não perca o seu
bom aspecto.
Ao servir, coloque a
sardinha quente sobre uma fatia de broa de milho ou pão caseiro. O pão vai
absorver toda a gordura saborosa do peixe, e é no final que se aprecia o melhor
— comer tudo com calma, saboreando cada dentada. Como alternativa, pode
acompanhar com batatas cozidas com casca e uma salada de pimentos assados,
temperada com azeite, vinagre, alho e uma pitada de sal.
O toque final: Regar as
sardinhas e as batatas com um fio de azeite virgem extra de boa qualidade, que
realça ainda mais o sabor.
Para comer sardinhas
assadas, o ideal é usar as mãos sem cerimónia: segure a cabeça e o rabo, dê uma
dentada num dos lados do lombo até chegar à espinha, vire a sardinha e repita
do outro lado. A espinha deve ficar totalmente limpa no final, um sinal de que
a sardinha foi bem apreciada.
E, para completar a
festa, para mim, nada melhor do que uma boa sangria, servida em boa companhia,
para celebrar a vida, o Verão e as tradições que nos unem.
Deixo uma nota final
para os ambientalistas, sempre ansiosos com o que devem e não devem, podem
comer à vontadinha!!! Segundo um
relatório divulgado no Dia Mundial dos Oceanos, a quantidade de sardinha
quadruplicou na última década, graças a mudanças nas práticas de gestão da
pesca.
Dia 24 de Junho
É dia de São João
Pimentos e vinho
Sardinhas no pão.
Com a sardinha na brasa,
Dou a cheirar o manjerico
Ninguém fica hoje em casa,
Vamos todos p’ró bailarico
O S. Pedro lá nas alturas
Tem as chaves do Céu na mão
Já lhe cheira a sardinhada
Como manda a tradição.
Publicado em NVR 24|06|2026
"O BALÃOZINHO" - Raúl Ferrão, José Galhardo, Raul Portela
"O BALÃOZINHO" - Raúl Ferrão, José Galhardo, Raul Portela
Voz: Anabela Quelhas
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Poema Cantado por Beatriz Costa
https://www.youtube.com/watch?v=p-U8btHeGoY&list=RDp-U8btHeGoY&start_radio=1
22 junho, 2026
"ELEMENTÁRIO" - Daniel Jonas
20 junho, 2026
19 junho, 2026
"O ELEFANTE" - João de Melo
17 junho, 2026
Da fartura à sardinha (1)
Da fartura à sardinha (1)
Chegaram os Santos Populares,
largamente anunciados pelos odores da fartura e da sardinha, que pairam no ar.
- Ups, estou com saudades desses
sabores, vou até à Avenida!
A fartura é um doce tradicional feito
com massa de farinha, fermento em pó, bicarbonato de sódio, água e sal, moldada
através de uma seringa grossa ou funil, com ponta estrelada, que vai a óleo
fervente, em forma de rolo, tomando, por vezes, a forma geométrica da espiral (Não
perceberam? Assistam à preparação numa das barracas.) e finalmente polvilhada
com açúcar e canela; devem ser consumidas ainda quentes, o momento ideal para a
superfície crocante não ficar dura e o interior apresentar-se fofo e suave.
Fácil de confeccionar o ano todo, mas
aparece sobretudo nas ruas, durante as festas populares, romarias e feiras, em
caravanas coloridas e apelativas, onde se pode ver a sua preparação. É doçaria
que se come em andamento pelas ruas da cidade, ou num banco de jardim, lambuzando
lábios e mãos, em situação da véspera ou do dia de cada Santo.
Os mais afoitos enchem-se delas ainda
antes do Sto António, matando a gulodice acumulada ao longo do ano e depois
moderam-se, porque o que é demais, enjoa.
O estudo sobre as suas origens divide-se:
1 - Os portugueses, quando
comercializavam no Oriente, teriam trazido com eles novas técnicas culinárias,
incluindo modificar a massa de Youtiao, também conhecido como Youzagwei, no sul
da China. No entanto, teriam modificado o aspecto para a forma de estrela,
porque não aprenderam a habilidade chinesa de "puxar" a massa - o
imperador chinês tornou crime com pena de morte a quem partilhasse o
conhecimento com os estrangeiros (a confirmar). Como resultado, as farturas não
são "puxadas", mas extrudidas dum molde em forma de estrela, como já
foi referido.
2 - Outra teoria é que as farturas
teriam sido uma adaptação dos churros espanhóis, criados por pastores como
substituto de comidas feitas com massas frescas. A massa dos churros era fácil
de ser produzida e frita em fogo aberto, nas montanhas, onde os pastores viviam
a maioria do tempo.
E… talvez sejam primas das filhoses que
fazem parte da mesa de Natal, cujos produtos variam de região para região. Segundo
Maria de Lourdes Modesto, esta escreveu simplesmente que a fartura é uma espécie
de filhós. E quem sou eu para a contrariar, quando já o cheiro me entontece e
se me agarra aos cabelos?
Para quem não aprecia a simplicidade,
temos as farturas recheadas, mais elaboradas, com doce de ovos, chocolate oreo,
kinder bueno, rafaello, nutella e até chocolate do Dubai, imaginem, mas isso já
são outros quinhentos…, talvez um dia virem doces ditos conventuais, ou
servidas em restaurante gourmet, quiçá património da humanidade….
Aqui na Bila, as melhoras são as da
Cristina. Dizem! Será? Pelo menos é a barraca que primeiro se instala na
Avenida ou nas proximidades.
Sobre o seu significado, este oscila
entre a abundância e a saturação, ou seja, a sensação de ter o suficiente ou até mesmo mais do
que o necessário, e também quando o excesso satura.
Entre uma fartura e outra já estou
enjoada e arrependida por ceder ao desejo guloso de provar só uma, que viraram
duas ou três Agora vou procurar um sítio para comer as sardinhas.
“Nas ruas de festa e alegria,
A canela perfuma o ar,
As farturas trazem magia,
Vamos todos celebrar.”
Vivam as farturas, e em especial nas
festas populares!
Publicado em NVR 17|06|2026
15 junho, 2026
"DEDICO O MEU OLHAR" - Maria Isabel Fidalgo
Voz. Graça Vilela
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