13 maio, 2026

OS LIVROS MAJORA

 

"A HISTÓRIA DA CAROCHINHA” e os livros MAJORA no programa Karranca às quartas, na Rádio Portimão.

Podem ouvir  AQUI


CAIR NOS BRAÇOS DE MORFEU


 CAIR NOS BRAÇOS DE MORFEU

Apesar dos milénios que nos separam da Grécia Antiga, é evidente que o legado dessa civilização ainda exerce uma influência profunda em diversos aspectos da nossa vida quotidiana.

As propriedades revigorantes do sono são amplamente conhecidas, e a ausência dele pode gerar uma série de problemas de saúde. Muitos estudiosos continuam a investigar de que maneira essa actividade, que ocupa praticamente um terço das nossas vidas, interfere no funcionamento do organismo. É comum ouvirmos pessoas celebrarem uma noite de sono reparador dizendo que “caíram nos braços de Morfeu”.

Mas, afinal, de onde vem essa expressão?

A expressão "cair nos braços de Morfeu" é uma metáfora que descreve o acto de adormecer de forma profunda, tranquila e reconfortante, quase como um sono hipnótico. Essa locução remete à mitologia grega, na qual Morfeu é o deus dos sonhos. Representado com asas poderosas, Morfeu tem a capacidade de se mover silenciosamente durante a noite, viajando rapidamente pelo mundo para visitar os seres humanos enquanto dormem, moldando e influenciando os seus sonhos. Ele é um dos mil filhos de Hipnos, o deus do sono e de Pasiteia (deusa do relaxamento, do descanso ou das alucinações), e neto da deusa primordial da noite, Nix.

Segundo a mitologia grega, Morfeu adormecia os mortais tocando-os com uma folha de papoila, mergulhando-os num sono propício à experiência dos sonhos. Os gregos acreditavam que uma noite bem dormida e os seus efeitos positivos só poderiam ser explicados pela presença dessa divindade nos sonhos.

A imagem de corpos entrelaçados ao dormir, ou de estar nos braços de Morfeu, é uma metáfora clássica tanto na literatura quanto na nossa vida real. Quando alguém diz que “caiu nos braços de Morfeu”, refere-se ao momento em que a pessoa abandona a consciência para mergulhar num repouso reparador, como se estivesse a ser acolhida pelo próprio deus. Estar sob os seus braços significa, portanto, estar sob a protecção da divindade que governa o mundo dos sonhos.

Voltando à mitologia, quando Hipnos, pai de Morfeu, precisa de enviar uma mensagem a um mortal através do sonho, envia um de seus filhos. Os filhos, Fobetor e Fantaso, imitam animais ou objetos inanimados, como árvores ou utensílios, nos sonhos dos mortais. Contudo, Morfeu tem uma função especial: pode assumir a forma de qualquer ser humano. Nenhum outro filho imita tão bem, reproduzindo o andar, o rosto, a voz, as palavras e até as roupas de cada pessoa.

Assim, Morfeu pode assumir diversas formas de cada um de nós e de outros personagens que surgem nos nossos sonhos. Essa capacidade de caracterizar e representar o sonho inspirou Freud ao desenvolver as suas teorias sobre a ligação entre os personagens do inconsciente e as nossas experiências oníricas.

Foi justamente por meio dessa expressão e da história de Morfeu que um dos mais potentes analgésicos existentes, a morfina, recebeu esse nome.

A associação deve-se ao facto de que a morfina é extraída da papoila, a mesma planta que, na mitologia, Morfeu utilizava para adormecer os mortais. Além da sua origem, a morfina possui propriedades sedativas potentes, induzindo o sono e aliviando a dor.

Em conclusão, embora a mitologia não tenha bases científicas, é inegável que uma noite de bom descanso é, de certa forma, divinal. Afinal, o sono reparador é um presente que nos conecta com uma cultura que explica a origem do mundo, fenómenos naturais e comportamentos humanos por meio de deuses, heróis e seres sobrenaturais.

Que os deuses te sorriam. Alegra-te! Kairé!

[Emissão “Zeus não dorme”, descubra a mitologia grega na sua vida – Rádio Universidade FM – 24|25|26 de Abril de 2026.]

"ESCRAVA" - Florbela Espanca

 


"ESCRAVA" - Florbela Espanca

https://voca.ro/16cogPVP3FXr

Voz: Manuela Vaz de Carvalho

file:///E:/radio/audio/230%20-Escrava%20-%20Florbela%20Espancamanuela%20Vaz%20de%20Carvalho.mp3

10 maio, 2026

CAIXA DE PANDORA


 link para ouvir: https://voca.ro/1c7PImkJi4dP

Música: "Simpathy dor Devil" - Rolling Stones

08 maio, 2026

AMOR EM QUARENTENA


 AMOR EM QUARENTENA

*****

O escritor Nuno Viana é autor do projecto “Amor em Quarentena”, uma criação cinematográfica e literária que combina poesia, música e cinema, convidando o público a reflectir sobre o amor em tempos de isolamento. Inspirado numa história real ocorrida durante a pandemia.

O projecto conta com autoria de Nuno Viana, realização de João Seugirdor e fotografia de Miro Ribeiro.

Este trabalho introduz o conceito inovador de Cinebook — um livro transformado em filme — criado por Nuno Viana. Em “Amor em Quarentena”, participam reconhecidos artistas nacionais, como Pedro Abrunhosa, Marisa Liz, Paulo Pires, Adolfo Luxúria Canibal, Maria João Bastos, Sónia Tavares, Jorge Palma, Fernando Ribeiro, Rita Redshoes, Pedro Barroso, Vera Kolodzig, Mariana Monteiro, Prof Jam, Catarina Oliveira e Ismael Calliano. A banda sonora reúne nomes de destaque como Rodrigo Leão, Tiago Bettencourt, Stereossauro, The Gift, Mário Laginha, Noiserv, Ed Rocha Gonçalves, entre outros.

No Espaço Miguel Torga - 8ª Edição Festival Literário do Douro. 

"OLHAR PARA TI QUIETA" - Graça Vilela


https://voca.ro/1mjf7lXel3vU

Voz: Graça Vilela

file:///E:/radio/audio/228%20-%20Olhar%20para%20ti%20quieta%20-%20GV.mp3


07 maio, 2026

PASSAGEM GUTIÉRREZ

 A Passagem Gutiérrez é uma galeria comercial coberta na cidade de Valladolid, inaugurada em 1886, localizada entre as ruas Fray Luis de León e Castelar. Este tipo de galeria teve origem em Paris como consequência da Revolução Industrial do século XIX. Foram concebidas como passagens que ligavam ruas movimentadas e visavam expandir o espaço comercial. Em Espanha, a Passagem Gutiérrez, juntamente com a Passagem Lodares em Albacete e a Passagem Ciclón em Saragoça, são os únicos três exemplos remanescentes deste tipo de galeria.









Foi construída por ordem de Eusebio Gutiérrez, que em 1886 encomendou ao arquiteto Jerónimo Ortiz de Urbina, o projectista da escola San José em Valladolid, o projeto de uma galeria comercial que ligasse as áreas em redor da Catedral e da Plaza Mayor, zonas que experimentaram um rápido crescimento económico na segunda metade do século XIX. Este dinamismo impulsionou a criação de cafés, espaços de convívio e clubes sociais, como o Círculo de Recreo, bem como de zonas burguesas como a Acera de Recoletos.

O projecto de Ortiz de Urbina foi inspirado nas galerias comerciais que já existiam em França, Itália e Alemanha. É um exemplo da arquitetura Beaux-Arts, combinando ordens clássicas com as novas tecnologias da época, como o telhado de telhas de ferro e vidro e a iluminação a gás visível nos braços dos globos de luz, que são originais. Na pequena varanda com o relógio, situada na saída para a Rua Fray Luis de León, tocou um quarteto de cordas no dia da inauguração do edifício.
















As fachadas exteriores são construídas em tijolo e apresentam varandas em ferro forjado. Os portões de entrada são em ferro forjado e ostentam a inscrição com as datas de construção e o nome da galeria: 1885-86 Pasaje Gutiérrez.

A galeria divide-se em duas secções, ligadas por uma rotunda sob uma grande cúpula de vidro que alberga uma escultura que imita o Mercúrio renascentista de Giambologna, representando o deus do comércio. A rica decoração pictórica e escultórica, com alegorias das estações do ano e do comércio, mascara a fraca qualidade dos materiais utilizados, o que tornou necessário o restauro para recuperar o seu esplendor. Os telhados formam uma estrutura separada do resto da galeria. A estrutura de suporte é em madeira, com exceção da cobertura da rotunda central. Os tectos estão adornados com pinturas de Salvador Seijas, representando temas mitológicos e alegóricos, bem como ornamentos em estuque e motivos vegetais.

A ideia por detrás desta galeria era criar uma elegante zona comercial para as classes alta e média de Valladolid, oferecendo-lhes produtos importados da Europa. A galeria deixou de funcionar e de gerar receitas poucos anos após a sua inauguração e caiu em ruínas. Após o seu restauro no final do século XX, parcialmente realizado pelos arquitectos Javier López de Uribe e Fernando Zaparaín, a sua actividade comercial foi revitalizada, com a abertura de várias lojas nos seus espaços interiores.

consultar https://www.valladolidweb.es/valladolid/imagesmagvall/020.htm

FONTE DA VILA

 



Classificado como IIP (Imóvel de Interesse Público) desde 1953, é o Ex-Líbris da Vila, constitui um monumento que se destaca entre outros, não só pelo seu valor artístico, como pelo conjunto arquitectónico e urbanístico em que está inserida. Situa-se em pleno Largo Dr. Frederico Laranjo.

Analisando-se a planta de delimitação do bairro judeu de Castelo de Vide, pode concluir-se que a fonte estava integrada no mesmo. Este existiu desde o séc. XIV ao séc. XV. A fonte foi um foco de desenvolvimento radial de ruas que se desenvolveram à sua volta, deduzindo-se que terá sido construída no final do séc. XV, no reinado de D. João III, embora também seja provável que a sua construção seja de várias épocas, em que no início terá existido apenas uma nascente, inicialmente transformada numa pequena fonte de água potável, que no séc. XV foi mandada construir. 

A forma do tanque principal é rectangular e delimitado por lajes graníticas dispostas na vertical do qual saem seis colunas de mármore que sustentam uma cobertura piramidal que remata em pinha. Ao centro do tanque ergue-se um corpo discóide com quatro bicas simétricas e sobre este, um outro paralelepípedo, decorado com as Armas de Portugal, as do Concelho e com duas figuras de meninos. Este conjunto é rematado por uma pinha em forma de flor de acanto ou tulipa.

Após o decreto de conversão forçada de 1497, início do reinado de D. Manuel I, muitos judeus de Castelo de Vide foram baptizados simbolicamente nesta fonte, passando a viver na zona da Rua Nova como "cristãos-novos", obviamente forçados.

Castelo de Vide - Judiaria

06 maio, 2026

CASTELO DE VIDE


CÂMARA MUNICIPAL DE CASTELO DE VIDE



JUDIARIA



EFEITO PIGMALIÃO

EFEITO PIGMALIÃO 

Em Zeus não dorme, hoje trazemos o EFEITO PIGMALIÃO palavras muito utilizadas na nossa sociedade, especialmente nas empresas e na escola. 

O Efeito PigmaIião é um fenómeno psicológico onde as altas expectativas de alguém sobre outra pessoa influenciam positivamente o desempenho desta, criando uma "profecia auto-realizável". Originado na mitologia grega e validado por estudos (Efeito Rosenthal), demonstra que acreditar no potencial de colaboradores ou alunos gera maior empenho e sucesso.

Baseado no mito grego do escultor Pigmalião, que se apaixonou pela sua própria criação, e esta, pela intensidade da crença, ganhou vida.

Na mitologia grega, Pigmalião foi um rei da ilha de Chipre, que, segundo Ovídio, poeta romano contemporâneo de Augusto, também era um escultor talentoso.

Pigmalião andava desgostoso com o comportamento condenável das mulheres da sua época, que desafiavam a deusa Vénus, Afrodite da Grécia jurando nunca se casar.

O escultor dedicou-se à construção de uma estátua de mulher, mais bela e perfeita, que já tivesse existido, à escala natural e de mármore alvíssimo.

A estátua parecia tão real que por vezes Pigmaliáo tinha de a tocar para constatar que era de mármore e não de carne e osso. Apaixonou-se pela sua criação – beijava-a, abraçava-a, dizia-lhe palavras doces e de amor e até lhe oferecia presentes, mas ela não abria a pestana, continuava fria e quieta. Dormia a seu lado, preparava-lhe refeições deliciosas, mas nada. A sua ligação à estátua era tão forte que numa das cerimónias em honra a deusa Afrodite, ele fazia oferendas à Deusa do amor (Afrodite ou Vénus) e implorou que lhe desse uma mulher linda como a sua estátua. Afrodite, deusa do amor ficou sensível aquele pedido, e enquanto ele estava ali a rezar, Afrodite deu vida a estátua.

Quando chegou a casa, abraçou e beijou a estátua como costumava fazer, e para seu espanto a carne estava morna. A estátua ganhara vida e levantou-se. Respondeu aos seus beijos, e abraços, abriu os olhos e viu o seu amor pela primeira vez. Pigmalião casa com ela e foram felizes para sempre.

Alguns pedagogos da atualidade acreditam no efeito Pigmalião. Um líder ou um professor acreditando no potencial de um indivíduo, dando-lhe mais atenção, mais estímulo, propondo mais desafios e feedback, aumenta a sua auto-confiança e o esforço do indivíduo, resultando num melhor desempenho. É um conceito crucial na gestão, liderança e educação, onde acreditar e nutrir expectativas positivas é uma ferramenta para transformar o potencial em resultados reais.

Também há o Efeito Inverso (Efeito Golem): Baixas expectativas por parte de gestores ou educadores levam a um desempenho inferior, confirmando a capacidade do observador em moldar a realidade.

Existe uma versão mais obscura, associando Pigmalião, às origens do machismo, porque criou uma mulher à sua medida, condicionando-a, e protegendo-a como se faz a uma boneca, dominando-a e limitando a sua acção.

Que os deuses te sorriam. Alegra-te! Kairé!

 

Emissão “Zeus não dorme”, descubra a mitologia grega na sua vida – Rádio Universidade FM – 10|11|12 de Abril de 2026.

Publicado em NVR 06|05|2026

 

"ÀS VEZES ENTRE A TORMENTA" - Fernando Pessoa

 


https://voca.ro/1kBRpBcvaFwn

Voz: Manuel Afonso