2026: Ano Internacional da Mulher Agricultora e Rural
O ano de 2026 foi declarado como o Ano Internacional da Mulher Agricultora e Rural, uma iniciativa proposta originalmente pelos Estados Unidos e apoiada por mais de 120 países, e oficialmente adoptada pela Assembleia Geral da ONU em Maio de 2024. Este reconhecimento pretende celebrar e valorizar o papel fundamental das mulheres na segurança alimentar global, além de promover a eliminação das desigualdades de género no sector agrícola.
Este é um momento de comemoração e de reforçar, diariamente, o reconhecimento às acções das mulheres agricultoras e rurais, destacando a sua contribuição indispensável para o desenvolvimento sustentável das comunidades e das sociedades em todo o mundo.
O processo histórico destas
mulheres no meio rural é marcado por uma longa luta contra a invisibilidade,
jornadas duplas e subordinação, onde o seu trabalho foi muitas vezes
considerado apenas como “ajuda” doméstica, e não uma actividade profissional de
valor.
Embora as mulheres
representem aproximadamente 43% da força de trabalho agrícola mundial, menos de
20% possuem terras próprias, enfrentando obstáculos no acesso a financiamentos,
tecnologias e formação especializada. A tecnologia surge como uma aliada importante
na redução de barreiras físicas e na ampliação do acesso a tarefas mais
complexas e exigentes, contribuindo para a sua autonomia. No entanto, as desigualdades
salariais ainda persistem, chegando a disparidades de até 40% em relação aos
homens, no caso de Portugal.
As mulheres rurais
acumulam longas horas de trabalho, dividindo-se entre a produção agrícola, as
tarefas domésticas e os cuidados com a família. Muitas dessas mulheres não são
reconhecidas oficialmente como agricultoras ou trabalhadoras, o que as exclui dos
direitos de protecção social. Além disso, factores culturais e tradicionais
continuam a limitar a sua participação nos espaços de decisão governamentais,
mantendo a posse da terra predominantemente nas mãos dos homens.
Apesar dessas
dificuldades, as mulheres rurais permanecem como agentes essenciais na
conservação da biodiversidade e na garantia da segurança alimentar. Elas lutam
por autonomia, por maior acesso a recursos e por condições de trabalho dignas.
Para promover mudanças efectivas, é fundamental implementar políticas públicas
que garantam acesso ao crédito, à terra, à assistência técnica e a regimes de
protecção social.
A MARP – Associação das
Mulheres Agricultoras e Rurais Portuguesas – reafirma o seu compromisso de dar
visibilidade à realidade dessas mulheres em Portugal e de actuar na construção
de políticas que valorizem o seu trabalho no campo. Para a Associação, a
celebração de 2026 Ano Internacional representa uma oportunidade de
reconhecimento e mobilização, reforçando o papel das mulheres rurais na
produção de alimentos, na sustentabilidade e na coesão territorial.
Pretende-se que 2026
seja um marco na afirmação das mulheres rurais portuguesas — um ano em que o
país reconheça que, sem elas, não há soberania alimentar, nem futuro para o
meio rural. Para isso, diversas acções e eventos serão realizados ao longo do
ano, a saber:
· Lançamento oficial do Ano
Internacional 2026 pela CCDR Centro;
· Exposição “Raízes de Mulher: Sementes
de Futuro”, em Coimbra;
· Apoio às candidaturas do Programa
TalentA;
· Criação e divulgação da Caderneta da
Mulher Agricultora e Rural (CNA/MARP);
· Programas de capacitação e formação
promovidos pela Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural;
Estas acções visam
ampliar a visibilidade, fortalecer a participação e promover a valorização das
mulheres rurais, reconhecendo o seu papel vital na construção de um campo mais
justo, sustentável e igualitário.
Após uma rápida
pesquisa, parecem-se serem acções sobretudo palavrosas, que conduzirão a poucas
mudanças, certamente secundarizadas pelo cenário de catástrofe que Portugal enfrenta
actualmente, devido à sucessão de tempestades severas que atingiram o país.
[8 de Março – Dia
Internacional da Mulher]
Publicado em NVR 04|03|2026

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