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10 novembro, 2017

PEREGRINAÇÃO

 Não fico em casa porque está em exibição o filme “Peregrinação” de João Botelho.
O tema e o herói interessa-me,  o realizador também e tinha curiosidade em saber como se interligou a música “Por este rio acima” do Fausto.
Valeu a pena ver. Mais uma obra de arte assinada por João Botelho, que ultimamente nos presenteia muito acima do bom.
Quem viu O desassossego, que para mim que não sou cinéfila, é o top do top, não se decepciona com Peregrinação.
As aventuras e desventuras desta figura histórica que navegou pelo Oriente durante 21 anos, onde foi “13 vezes cativo e 16 ou 17 vendido, são tratadas com grande inteligência e sensibilidade. Não há cenas a mais nem a menos. É um relato de imagem personalizado pela imaginação do realizador, sabiamente articulado com o coro personificado pelos companheiros de Fernão Mendes Pinto.
Predominam cenas com pouca luz, que propositadamente evita erros de cenário e converte todo o registo muito intimista.  Só falhou o pormenor das cordas, sempre novas, sempre branquinhas, acabadas de sair da cordoaria.

29 março, 2016

04 fevereiro, 2013

12 março, 2012

21 janeiro, 2011

"Filme do desassossego" de João Botelho


"Filme do desassossego" de João Botelho
Quero felicitar o realizar João Botelho pelo filme que criou.
Acho que nunca vi um registo em cinema tão belo, e considero mesmo que é aquilo que se pode chamar uma Obra de Arte. (eu não emito facilmente elogios)
Raramente vejo um filme ou leio um livro mais do que uma vez, excepto os livros de poesia.
Neste caso precisarei de ver este filme, outras vezes, pois viajei em pequenas/grandes distracções provocadas pela fotografia excepcional e perdi a ligação ao conteúdo.
Cada ângulo de filmagem, a cor, a composição foram estudados ao detalhe, nada surge ao acaso. Já conhecia as sobreposições de imagens relacionadas com as filmagens da baixa de Lisboa, e apesar de haver um desfasamento de escalas que se torna visível pelo tamanho das janelas, nada disso mancha a intenção. Dei comigo a pensar que todas as imagens se podiam converter em excelentes fotografias. Reparei na preocupação em evitar que as linhas fortes dos planos coincidissem com o paralelismo dos limites das fotografias, o que implica uma grande sensibilidade artística e uma grande sintonia entre o realizador e o técnico que filma, e aí é que se faz a diferença entre um excelente e um razoável registo. Depois a presença frequente de um elemento de cor vermelha a fazer o contraste com os cenários melados e de luz coada que são frequentes, torna as imagens apelativas e de muito bom gosto. Recordo a porta do vidro vermelho, as bandeiras vermelhas, o corrimão do café/restaurante, as cadeiras da igreja de S. Domingos, os lábios Catarina Wallenstein, a caneta vermelha e as riscas vermelhas dos envelopes pousados sobre a mesa de trabalho …. E outros que já não recordo. Belíssimo! Outro pormenor a cor do vestido de Rita Blanco naquele cenário dos anos 50 com uma arquitectura de interiores à anos 50, onde é muito visível um corrimão vermelho, e as cadeiras azuis,… o vestido da Rita tinha que forçosamente ser a cor primária que falta naquele cenário, o AMARELO.
Claro que já não falo do desempenho do actor Claudio Silva que é extraordinário como é demasiado evidente. Um filme para ver e rever, uma obra de arte!


21 janeiro, 2009

Ensaio sobre a cegueira

Fui ensaiar a cegueira na Lusomundo.
Tinha apenas a referência de Fernando Meireles (arquitecto brasileiro) como realizador e a obra escrita e lida de José Saramago.
Quando me sentei na sala pensei que iria assistir a uma brasileirada.
Engano meu.
Deparei-me com um filme de ficção de alto nível.
O filme é um registo denso, forte, profundo, violento, intenso e com uma coordenação excepcional entre imagem, som e intenção.Por duas vezes que saltei na cadeira devido a dois imprevistos. Não há tempos mortos.
O registo é muito fiel ao livre, só encontrei um pequeno pormenor que foi inventado.
Para quem já leu o livro, o filme será excepcional, e talvez não fosse possível faze-lo de outra forma. Para quem não leu, estará mais aberto a algumas dúvidas.
É um filme que mexe connosco, pois não conseguimos ficar indiferentes e acabamos por participar no sofrimento descrito daqueles seres humanos.
È impossível não ficarmos a reflectir sobre a condição humana e como todos nós possuímos uma grande fragilidade que perante uma falha, rapidamente nos leva à desorganização, e desestruturação, mas onde se mistura o egoísmo e oportunismo, com a solidariedade e a coragem.
Não percam!


30 abril, 2008

salut les copains


Depois de uma alquimia transfigurativa, enquanto ouvia 00005 - He Ain't Heavy, He's My Brother - Bill Medleypassando por um blog IÉ-iÉ(http://guedelhudos.blogspot.com/), na minha navegação por mar alto, surge Silvie Vartan e anotei que teria algo a escrever a respeito, atendendo que associo de imediato a velha senhora, à minha juventude.
Salut les copains est un magazine pour jeunes créé en 1962.

Publicada pela primeira vez durante o verão de 1962, e última edição em Janeiro de 1994, por Frank Ténot e Daniel Filipacchi, escrito como continuação de um programa de rádio.Esta foi a revista preferida da minha adolescência. Durante todo o mês juntava dinheiro para a comprar.


A Luanda chegava com 2 meses de atraso, mas no problem. Com o pé de desenvolver o conhecimento da língua francesa, os velhotes lá escorregavam com uma guita extra para a revista.


Eram notícia permanente, a dupla Silvie Vartan e Johnny Halliday, Claude François, Jacques Dutronc, Françoise Hardy (a mais bonita de todas), Julien Clerc, Alain Delon, Mireille d' Arc, Michel Polnareff, Joe Dassin (bué de feio), Jean-Paul Belmondo, Sheila (a boazuda), Mike Brant (judeu), France Gall, François Cevert.


Não sei se teriam alguma coisa a ver com a editora da revista, mas que apareciam a toda a hora, apareciam..


Foi através desta revista que comecei a conhecer música pop francesa, a fofoca entre as estrelas e outras coisas mais. Era uma revista com boa fotografia, planos interessantes que davam bons posters para colar na parede do quarto. Na parte central incluía normalmente um poster destacável de grandes dimensões.


O primeiro poster que eu tive saiu dali, Led Zeppelin. Ainda hoje o tenho comigo. A parte posterior dos porters continham as novidades do rock and roll, da musica anglo-saxonica, uma verdadeira janela para o mundo da música.


Com as fotos dessa revista comecei a achar que Mick Jagger até era giro, apesar de esquelético, que as plásticas faziam maravilhas no rosto da Silvie Vartan, e que a voz sensual que cantava Je t'aime moi nom plus, de Serge Gainsbourg tinha um alçado feio como os trovões!.


Foi com esta revista que vi pela primeira vez imagens de Easy Ridder, e Butch Cassidy (o dos 4 óscares) que passou nos cinemas uns meses depois… conheci ainda a Tina Turner com o Ike. Foi aqui que eu pensei que Alice Cooper seria um extra terrestre.
Serviram de base a muita tarde passada entre amigos a bisbilhotar as estrelas que viviam bem longe de nós, e isso dava-nos a ideia que estariamos mais proximos delas.


Devaneios de teen agers, mesmo muito teen agers, inconscientes, que utilizavamos este escape para sair da rotina tropical.


Tive que abandonar as minhas revistas em 1974, só guardei os Led Zeppelin. Com elas ficou uma parte de mim. Soube posteriormente que foram um regalo para os olhos dos guerrilheiros que invadiram a minha casa, algures entre o Equador e o Trópico de Capricórnio.

Agora vamos às capas (entre 70 e 74):








































18 novembro, 2007

30 julho, 2007

Homenagem a Bergman


Vi poucos filmes, mas todos eles marcantes.

29 setembro, 2006

O MEU TIO


“O meu tio” – filme realizado em 1958, com Jacques Tati

Num bairro moderno, onde tudo é demasiado organizado e formal, talvez por ser demasiado colado ao “moderno”, habitam Monsieur Arpel, a sua esposa e o filho.
A convivência com o irmão da esposa, personagem sonhadora, cheio de fantasia, portador de uma permanente gabardine, semeia a confusão naquele universo antiséptico.
A cumplicidade enternecedora construída entre o tio e o sobrinho, o pequeno Gérard, vítima daquela super organização doméstica, proporciona-nos momentos ingenuamente hilariantes.
O contraste entre a pureza já minimalista da arquitectura moderna dos anos 50, e o bairro popular onde vive, este tio, onde todas as manhãs cumprimenta os seus vizinhos, brinca com as crianças, conversa com o varredor de rua, se preocupa em dar um reflexo de sol a um passarinho que vive numa gaiola, forma uma crítica surreal entre o velho, gasto mas vivido e o novo, limpo e desinfectado.
Revi ontem... absolutamente essencial!