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05 julho, 2017

Aguardo pelo Messias

Aguardo pelo Messias
         Copiei esta imagem da internet numa rede social. Não sei quem é o autor, alguém copiou de alguém e eu copei descaradamente a seguir, mas sei com certeza que a sua profissão é ser professor. Só um professor entende esta imagem que é um verdadeiro pedido por socorro. 
         Um professor para além ensinar e tentar educar (escrevo “tentar”, porque a educação adquire-se em casa), lida com uma rede de problemas de grande complexidade que é o reflexo da nossa sociedade, o bom e o mau, dispondo de poucos recursos e reinventando estratégias para ser bem-sucedido, através de práticas resultantes de um trabalho intrínseco à arte de ensinar e em paralelo, que consta em planear, articular, partilhar, avaliar, acompanhar, reflectir. Até aqui, tudo bem… mas exige-se algo verdadeiramente esgotante, sem grande visibilidade e utilidade, o registo, a prova, a evidência em como fez e em como desempenhou bem o seu papel, com se ensinar se convertesse num processo jurídico onde é necessário reunir provas consistentes para exibir no tribunal. Ao professor não basta esgotar-se, falando alto para se fazer ouvir, não basta interromper o seu raciocínio de cinco em cinco minutos, para mandar calar, para evitar confusão na sala, para captar a atenção dos distraídos, para dar autorização para ir ao WC, para… para…, não basta fingir que não ouve comentários desagradáveis e rudes proferidos a baixa voz, não basta estimular aqueles que de facto querem aprender, não basta proteger os tímidos e os mais sensíveis, não basta refrear os mais rebeldes, não basta servir de mãe, de pai, de psicólogo, de sociólogo, de pedagogo, de enfermeiro, de mediador de conflitos, de amigo e de cúmplice, não basta cuidar da socialização e das interações em grupo, não basta! o professor ainda deve ser uma máquina de produção de documentos supérfluos, teoricamente correctos e necessários, mas que na prática adormecem e apodrecem nos dossiers, reais ou digitais.
         Os documentos são imensos e agora felizmente já é tudo informatizado, reduzindo substancialmente a quantidade de papel - as árvores agradecem. A grande papelada que a imagem refere, já é uma papelada digital, mas que não deixa de ser uma catrafiada de documentos distribuídos por pastas, subpastas e mini pastas que carregamos no computador pessoal e que de pouco serve.
         As salas dos professores, onde se respirava alguma tranquilidade entre uma aula e outra, onde todos carregavam energias para ir à luta, foram transformadas em algo parecido com um call center, onde os professores se sentam aproveitando o tempo para teclar desesperadamente documentos para entregar aos coordenadores, aos diretores, ou aos encarregados de educação, olhando apenas para os monitores, alucinados com as evidências da sua competência. Documentos que ninguém mais lerá. Eventualmente se houver uma queixa ou uma reclamação, todos terão informação escrita para exibir, ninguém lerá, mas importa ter. Quem tem, é competente, quem não tem é um calaceiro incompetente. Não interessa se o professor tem raciocínio, criatividade, memória, experiência, se reflete sobre os desafios do dia-a-dia e tem a arte de gerar empatias com os alunos, tentando dar a melhor resposta e o melhor de si. O que interessa é ter muitos documentos para exibir e em ordem. Quem lê os documentos? Quem cruza a informação? Poucos ou ninguém.
         É necessário ter papelada para mostrar e manter os professores ocupados. Porque os professores são duma raça, que gosta de praia e de piqueniques em todas as estações do ano e são os campeões das pontes e das esplanadas. Ai do professor que dá uma negativa, se não tiver tudo bem documentado e justificado! Ao aluno não basta não estudar, perturbar as aulas, ter testes negativos e estar a marimbar-se para escola e para o cota do prof. São necessárias análises, reflexões, estratégias, objectivos, articulações, partilhas, reforços positivos, diálogos assertivos, motivações personalizadas, trabalho colaborativo, comunicações aos DTs e aos encarregados de educação… e não basta praticar-se é necessário escrever-se e repetir-se em diversos documentos. E cada caso é um caso, feito de domínios sócio-afectivo, cognitivo e psico-motor… agora multipliquem por 170 casos/professor, cada um com pai e mãe, ambos a achar que o professor tem boa vida, é um baldas, é um verdadeiro vilão cheio de preguiça e incompetência, lerdo das ideias, não faz nada, passa a vida em férias e faz greves durante o ano sempre em momentos errados, e ainda por cima faz queixa dos seus queridos e adorados filhinhos que são sempre uns anjinhos e as más companhias é que lixam tudo (esta é a imagem que a sociedade infelizmente resolveu construir nos últimos anos sobre os professores). Como pais brilhantes, não lhes ensinam que se diz com licença, faz favor, obrigado, bom dia e até amanhã, que não se dizem palavrões e que é obrigatório respeitar o outro.    
         Mas voltando à papelada… no meu tempo (não gosto da expressão, mas por vezes é imperiosa), quando na pauta estava escrito 10 valores queria dizer que passei à rasquinha, e ia ter os meus pais de trombas por umas semanas, quando tinha 8 valores queria dizer que tinha andado a vadiar o 1º período e que os meus pais iriam suspender tudo o que me desse prazer até eu recuperar, e quando tinha 14 valores, eu respirava de alívio, mas os meus pais ainda iriam perguntar porque não tirei melhor nota e quando tinha 17 valores, finalmente os meus pais sorriam. Numa escala de zero a vinte, com os números alinhados numa pauta, eu sabia exactamente onde tinha acertado, onde tinha errado, e os meus pais não precisavam de mais nenhuma explicação ou esclarecimento.

         Ai, ai papelada… aguardo com certa urgência pelo Messias do ensino, que entenda quão nobre é a profissão que prepara a sociedade do futuro. Devolvam-nos o tempo que é necessário para nos despirmos dos problemas da escola, o tempo para reciclar informação, o tempo para regenerar a mente e a paciência, o tempo para actualizar conhecimento. Devolvam-nos a dignidade, pois os nossos alunos são os vossos filhos!
Anabela Quelhas
Publicado em NVR a 5/07/2017

13 janeiro, 2013

Para nos posicionarmos mais uma vez




Mais uma vez iremos para a rua – 26 de Janeiro de 2013.
A opinião pública entende os professores como uma classe privilegiada, e então em tempo de crise, aproveita-se para nivelar tudo por igual – temos que ser funcionários públicos como os outros! Esta frase é capaz de gerar unanimidade e consensos. E aqueles que não concordam, incluindo professores, acordam os falsos problemas de consciência, impedindo-os de assumir que há muitas particularidades na profissão de professor que os impede de entrar no mesmo saco.
Se bem se lembram as escolas começaram a aparecer nos jornais desde o tempo da Maria de Lurdes. Isto é uma estratégia concebida há muito para destruir a escola pública que foi progredindo passo a passo, subtilmente - denegrir a imagem do professor, colocar pais contra os professores, colocar os pais dentro da escola, mudar a gestão da escola, mudar estatutos, etc. etc. Quando um governo pretende algo, primeiro tem de ter a opinião pública do seu lado. Diga-se opinião pública ignorante e manipulável. Foi um longo caminho, que continua em aberto.
Nos mass média, as excepções de professores incompetentes transformam-se em regra, comportamento disruptivos de certos alunos, passam a ser o perfil dos alunos, o insucesso ganha destaque e toma lugar ao sucesso. Rankings, estatísticas, números enchem os écrans e esquecem-se das pessoas e dos seus problemas.
Logo à cabeça e repetindo-me porque é algo que me causa grande desconforto: O paradigma da escola a tempo inteiro é termos as crianças e jovens na escola mais tempo que os trabalhadores estão nas fábricas, nas empresas, nos escritórios. Encerrar uma criança numa escola durante 10 horas é um crime. Façam as contas: das 8 às 18h.
Vamos lá mais uma vez desfazer a teia enrodilhada dos pré conceitos, para nos posicionarmos perante a luta que não acaba nunca.
 Quem quiser reforce a lista.
A escola deve ser para todos? SIM
A escola deve essencialmente ensinar? SIM
A educação é função dos pais? SIM
Os pais passam pouco tempo com os filhos? SIM
Os alunos passam horas a mais na escola? SIM
A maioria dos professores são bons profissionais? SIM
A escola pode atenuar as desigualdades sociais? SIM
As práticas artísticas, cada vez têm menos valor nos currículos? SIM
A escola deve estar direccionada para o sucesso escolar? SIM
Os alunos e o seu desenvolvimento beneficiam com as pausas lectivas? SIM
Actualmente na escola, os professores têm funções de pais, amigos, psicólogos, sociólogos e administrativas, afastando-os cada vez mais da sua verdadeira missão que é ensinar? SIM
A escola deve combater a exclusão social? SIM
Há vantagens em turmas heterogéneas? SIM
Há vantagens em turmas homogéneas? SIM
É necessário cada vez mais reforçar a articulação vertical e horizontal e a partilha do conhecimento? SIM
A docência é uma profissão de desgaste rápido? SIM
Existem professores com 11 turmas X 30 alunos= 330 alunos? SIM
A escola pode e deve contrariar a desigualdade no acesso à informação? SIM
 A agressividade dos alunos e mau comportamento atenua-se através da exploração dos domínios relacionados com a arte? SIM
Existe inercia e algum complexo injustificado nos docentes ao defender a sua classe profissional? SIM
A escola é um espaço essencial para a socialização? SIM.
Deixou de haver uma eleição directa e democrática dos órgãos de gestão da escola? SIM
Turmas de 30 alunos e menos professores a leccionar são medidas exclusivamente financeiras? SIM
Os governos têm que decidir se querem uma escola para todos ou se querem sucesso escolar? SIM

É possível ministrar uma aprendizagem com qualidade em turmas de 30 alunos? NÃO
É possível avaliar a acção de uma escola através da estatística? NÃO
Actualmente a avaliação dos alunos traduz rigorosamente o seu conhecimento? NÃO
A escola deve ser um armazém de alunos? NÃO
Os professores devem ser entertainers? NÃO
Os pais devem interferir na vida pedagógica da escola? NÃO
Um aluno que não reconhece o poder paternal, é um aluno que obedece às regras da escola? NÃO
Os professores trabalham apenas 22h? NÃO
Os professores têm tempo para fazerem uma actualização de conhecimento constante como a nossa sociedade exige? NÃO
É possível a um professor conhecer as capacidades e dificuldades de mais de 150 alunos por ano? NÃO.
Os professores faltam quando querem? NÃO
Os professores têm mais dias de férias que os outros trabalhadores? NÃO
A escola possui espaços e equipamentos suficientes para que os docentes possam a exercer toda a sua actividade no espaço escola? NÃO
O Estado atribui alguma compensação financeira ao docente, por este utilizar a sua casa como espaço de trabalho diário?  NÃO
A maioria dos professores tem tempo para acompanhar os progressos tecnológicos no acesso e utilização da informação? NÃO
A escola actual consegue dar resposta aos problemas da sociedade? NÃO
O facto dos professores terem 22h de componente lectiva e mais de 14h de componente não lectiva ocupada com inúmeras tarefas pedagógicas, converte-os em privilegiados? NÃO

"A maioria dos professores portugueses devia ser condecorada pela resistência, pela capacidade de sobrevivência, pela Arte de constante renovação da esperança. Às escolas de hoje, às públicas claro, exige-se tudo: - Que se ensine, que se eduque, que se acompanhem alunos, que se giram diferenças, que se encontrem estratégias para combater desinteresse, insucesso, consumos de drogas, consumo de tabaco, sinais de esquizofrenia, problemas familiares, práticas sexuais de risco, etc. Nas escolas de hoje há clubes de saúde, clubes europeus, clubes de solidariedade, clubes de alimentação, clubes de ciência, clubes de tudo aquilo que se possa imaginar porque, na escola de hoje, cabe tudo! Só começa a não haver espaço para se ser professor." Opinião in "O Distrito de Portalegre" - Maria Luísa Moreira
Aconselho a leitura de:
(continua actualizado)
Anabela Quelhas (desrespeitando o acordo ortográfico)

05 outubro, 2012

Tudo de pernas para o ar

"Hoje, nas comemorações da República, que se efectuaram com o hastear da bandeira ao contrário, Cavaco Silva parece que centrou o seu discurso na educação, dizendo que “ educação tem que continuar a ser uma prioridade".
Apetece-me chorar
 de tanta comoção!
O ensino regrediu mais de 10 anos.
Esta minha afirmação nada tem a ver com mais alunos nas turmas, com professores em horário zero, com exames, com estatuto de aluno, com mega agrupamentos, com directores, com avaliação de professores, blá, blá…. Tem a ver com algo que parece que só eu falo nisto. Algo muito simples e que terá um efeito terrível nas futuras gerações.
Acabou a área curricular não disciplinar Área de Projecto.
Ninguém fala disto!
Foi inventada quando o eng. Guterres amava a educação, acreditando que bastava amar e não era preciso alimentar.
Para quem não sabe, a Área de Projecto ensinava os alunos a pensar, a descobrir, a investigar, a resolver problemas e a avaliar. É uma área importantíssima na formação dos jovens, pois ensina-lhes, com a prática de vários anos, um método de resolução de problemas, ensina-os a pensar, a decidir, a reflectir. Claro que o ministro da educação do engenheiro Guterres, e os que se seguiram, esqueceram-se de dar uma formação bem estruturada aos docentes, e em vez disso consideraram que todos os docentes estariam aptos a dar esta disciplina.
Erro elementar!
Este método de trabalho que se denomina metodologia projectual, método cientifico, método para a resolução de problemas, é utilizado pelos designers, pelos engenheiros, pelos arquitectos e pelos investigadores. Na disciplina de Filosofia no ensino secundário passa-se os olhos por este método inserido na teoria do conhecimento, quando já se vomita Kant, Platão, Descartes, Locke, etc..e já se está a fazer a despedia à “maldita” da filosofia.
A interiorização deste método de trabalha leva anos, por isso os alunos aplicavam-no desde o 2º ciclo até ao secundário. A sua avaliação era qualitativa, porque não interessa avaliar resultados finais, mas sim interiorizar o processo, e utilizar os mecanismos de Investigação/ avaliação/ decisão de forma continuada na nossa vida.
Durante estes anos a Área de Projecto funcionou mal, devido à falta de formação da maioria dos docentes como já referi, mas, mal ou bem, existia e ia-se traçando um caminho por vezes sinuoso, aguardando-se melhoramentos no mesmo. Alguns alunos tinham a sorte de ter um docente com prática neste método de trabalho, e tornavam-se capazes de fazer a diferença a médio e longo prazo.
Esperava, que o Ministro Crato com a formação cientifica que possui, visse mais longe. Cheguei a acreditar que desse a volta à coisa, fizesse uma reforma geral, que reforçasse a área de projecto nos alunos entre os 8 e os 12 anos, pois é nessa faixa etária que tudo se passa na formação das ligações entre as estruturas cerebrais, que desse formação conveniente aos docentes e que finalmente a Área de projecto entrasse, já não digo numa auto-estrada, mas vá lá, numa estrada nacional.
A Área de Projecto desapareceu do currículo dos alunos do ensino básico.
Conclusão: Aos nossos governantes não interessa ter cidadãos inteligentes, capazes e pensadores." Anabela Quelhas

06 março, 2010

PARADIGMA DA ESCOLA


O paradigma da escola a tempo inteiro é termos as crianças na escola mais tempo que os trabalhadores estão nas empresas. Encerrar uma criança numa escola durante dez horas é um crime.

Santana Castilho

17 outubro, 2009

Aluno acusa ministra de "tirar credibilidade à democracia"

ISTO MERECE DIVULGAÇÃO, E O REGISTO DA MINHA ADMIRAÇÃO PELO ALUNO PEDRO FEIJÓ.
Aluno acusa ministra de "tirar credibilidade à democracia"
16.10.2009 - 21h28 Lusa
O representante dos alunos do Liceu Camões destacou-se hoje durante as comemorações dos 100 anos da escola ao tecer duras críticas à política educativa, acusando a ministra da Educação de “tirar credibilidade à democracia”.Pedro Feijó, delegado dos alunos no Conselho Pedagógico do Liceu Camões, foi um dos participantes da cerimónia do 100º aniversário da escola, ao lado do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, e da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, além do director da escola e do médico João Lobo Antunes, um dos antigos alunos. Pedro Feijó, que discursou de improviso, criticou o que disse serem os “entraves que foram postos à democracia nas escolas pelas novas políticas de Educação” e “a linha de orientação errada que a Educação tomou”, acusações que não mereceram qualquer reacção da ministra no discurso que fez de seguida. “O que o Ministério fez foi tirar credibilidade à democracia dentro e fora da escola”, sublinhou. Entre os exemplos que considera negativos das políticas educativas do Governo cessante, o aluno apontou o novo Estatuto do Aluno, considerando que, em vez de falar dos estudantes como “os agentes construtores da escola, fala como essas pessoas iguais e padronizados, que vêm às escolas apenas para fazer os seus testes e competir por um futuro que não é garantido e que devia ser um direito”. Outro exemplo daquilo que considerou “um dos maiores ataques à democracia” é o novo modelo de gestão das escolas, que “tira a representatividade e o poder aos estudantes e outras classes nos órgãos de gestão, dando-o a agentes exteriores à escola”. “Por melhor que essa colaboração pudesse ser, não podemos prescindir de direitos tão fundamentais como a eleição do director da escola e a elaboração do regulamento interno”, sublinhou, motivando fortes aplausos entre a audiência. Mas, para o jovem estudante, pior do qualquer lei, “foi a atitude do ministério”. “Desprezou manifestações com milhares de estudantes, só por sermos menores, como se por sermos estudantes de secundário não tivéssemos uma palavra a dizer. Desprezou abaixo-assinados, incluindo um com dez mil assinaturas de estudantes, que pediram a revogação destas leis. Desprezou manifestações com várias dezenas de milhar de professores que lutavam pelos seus direitos, pelas suas escolas”, sustentou.

05 julho, 2009

23 documentos


Para quem interessar:

Fiz uma pequena actividade numa escola do 3º ciclo sobre "2009 sobre o ano europeu para a criatividade e inovação". Agora vejam o trabalho burocrático que tive que fazer. A actividade apareceu em 23 documentos. Para além de estar devidamente integrada no Plano Anual de Actividades do Agrupamento, foi necessário realizar:



  • a planificação geral das actividades de Educação Visual no inicio do ano lectivo,

  • a planificação como unidade de trabalho em Educação Visual,

  • a planificação anual das unidades da disciplina,

  • a planificação e relatório como actividade de cada docente,
  • referência em duas actas por turma (2º e 3º período),

  • referência em cada Projecto Curricular de Turma,

  • referência no relatório do director de turma;

  • referência em duas actas do grupo (subestrutura) de Educação Visual,

  • a planificação e relatório da Biblioteca referente às actividades de articulação com os departamentos,

  • referência em duas actas da biblioteca,

  • referência em duas actas do Departamento de Expressões,

  • referência em dois relatórios da coordenadora da Biblioteca,

  • referência no relatório do coordenador do Departamento de Expressões,

  • referência na ficha dos objectivos da docente (caso esta tivesse entregue, que não foi o caso),

  • e na sua auto-avaliação.

Ou seja, para tudo estar correctamente referenciado e assinalado totalizam-se por turma vinte e três documentos.


QUEM QUISER SABER O QUE SE PASSA ACTUALMENTE NAS ESCOLAS É VER ESTE PEQUENO RETRATO, E IMAGINAR QUE CADA PROFESSOR, FAZ 2 OU 3 ACTIVIDADES POR ANO, LECCIONA, PREPARA AULAS, CORRIGE TESTES, É DIRECTOR DE TURMA, FAZ VISITAS DE ESTUDO, ETC, ETC..


É isto que põe 140 mil manifestantes na rua.



20 junho, 2009

PORTO MAIO DE 77


















Chegou isto ao estir@dor 32 anos depois.
Fiquei emocionada. Eu estava lá, mais os meus colegas da Esbap e os colegas de Psicologia. Em frente ao teatro S. João, do lado direito. Quem esteve lá reconhece todas as imagens registadas possivelmente pelo Mário Vaz e sabe o que se viveu nesta luta estudantil: Cardia estava no poder e pela primeira vez depois do 25 de Abril,: a policia carregou sobre os estudantes. Foi na rua da Firmeza. No tribunal, situado na mesma rua proferia-se a defesa do aluno Torgal, detido no dia anterior. A defesa foi feita pelo arqto Alves Costa, nosso prof, e que fez um discurso inflamado anti-facista, muito bem conseguido, perante o Juiz, que emocionou alguns e ganhou o respeito de todos.

As fotos falam mais do que possíveis descrições.

(Obrigada Zé)

11 junho, 2009

VII - A ética do género humano (7)


VII - A ética do género humano


"El camino se hace al andar" (Antonio Machado)
A educação deve conduzir à "antropo-ética", levando em conta o carácter ternário da condição humana, que é ser ao mesmo tempo indivíduo/sociedade/espécie. Nesse sentido, a ética indivíduo/espécie necessita do controle mútuo da sociedade pelo indivíduo e do indivíduo pela sociedade, ou seja, a democracia; a ética indivíduo/espécie convoca, ao século XXI, a cidadania terrestre.
A ética não poderia ser ensinada por meio de lições de moral. Deve formar-se nas mentes com base na consciência de que o humano é, ao mesmo tempo, indivíduo, parte da sociedade, parte da espécie.

Carregamos em nós esta tripla realidade.

Desse modo, todo desenvolvimento verdadeiramente humano deve compreender o desenvolvimento conjunto das autonomias individuais, das participações comunitárias e da consciência de pertencer à espécie humana.
Partindo disso, esboçam-se duas grandes finalidades ético-políticas do novo milénio: estabelecer uma relação de controle mútuo entre a sociedade e os indivíduos pela democracia e conceber a Humanidade como comunidade planetária.

A educação deve contribuir não somente para a tomada de consciência de nossa "Terra-Pátria", mas também permitir que esta consciência se traduza em vontade de realizar a cidadania terrena.
Não possuímos as chaves que abririam as portas de um futuro melhor. Não conhecemos o caminho traçado. Podemos, porém, explicitar as nossas finalidades: a busca da hominização na humanização, pelo acesso à cidadania terrena.
FIM

10 junho, 2009

"votozinhos"

(clique para ampliar)

08 junho, 2009

VI - Ensinar a compreensão (6b)


Educação para os obstáculos à compreensão


Há múltiplos obstáculos exteriores à compreensão intelectual:
- o "ruído" que interfere na transmissão da informação, criando o mal-entendido e ou não-entendido;

- a polissemia de uma noção que, enunciada num sentido, é entendida de outra forma;

- há a ignorância dos ritos e costumes do outro, especialmente os ritos de cortesia, o que pode levar a ofender-se inconscientemente ou desqualificar a si mesmo perante o outro (diversidade cultural);

- existe a incompreensão dos valores imperativos propagados no seio de outra cultura - respeito aos idosos, crenças religiosas, obediência incondicional das crianças, ou, ao contrário, na nossa sociedade, o culto ao indivíduo e o respeito pelas liberdades;

- há a incompreensão dos imperativos éticos próprios de uma cultura, o imperativo da vingança nas sociedades tribais, o imperativo da lei nas sociedades evoluídas;

- existe a impossibilidade, enquanto visão de mundo, de compreender as idéias e os argumentos de outra visão de mundo, assim como uma ideologia/filosofia compreender outra ideologia/filosofia;

- existe, enfim, a impossibilidade de compreensão de uma estrutura mental em relação a outra.

A ética da compreensão

É a arte de viver que nos demanda, em primeiro lugar, compreender de modo desinteressado. Demanda grande esforço, pois não pode esperar nenhuma reciprocidade: aquele que é ameaçado de morte por um fanático compreende porque o fanático quer mata-lo, sabendo que este jamais o compreenderá. A ética da compreensão pede que compreenda a incompreensão.


(cont.)

07 junho, 2009

Sra Ministra em plano inclinado


VI - Ensinar a compreensão (6a)

VI - Ensinar a compreensão


A compreensão é a um só tempo, meio e fim da comunicação humana. Entretanto, a educação para a compreensão está ausente no ensino. O planeta necessita, em todos os sentidos, de compreensão mútua. Considerando a importância da educação para a compreensão, em todos os níveis educativos e em todas as idades, o desenvolvimento da compreensão pede a reforma das mentalidades. Esta deve ser a obra para a educação do futuro.
A compreensão mútua entre os seres humanos, quer próximos, quer estranhos, é daqui para a frente vital para que as relações humanas saiam de seu estado bárbaro de incompreensão. Daí decorre a necessidade de estudar a incompreensão a partir de suas raízes, suas modalidades e seus efeitos. Este estudo é tanto mais necessário porque focaria não os sintomas, mas as causas do racismo, da xenofobia, do desprezo. Constituiria, ao mesmo tempo, uma das bases mais seguras da educação para a paz, à qual estamos ligados por essência e vocação.


As duas compreensões
Há duas formas de compreensão: a compreensão intelectual ou objectiva e a compreensão humana intersubjectiva.

Compreender significa intelectualmente apreender em conjunto, comprehendere, abraçar junto (o texto e o seu contexto, as partes e o todo, o múltiplo e o uno). A compreensão intelectual passa pela inteligibilidade e pela explicação. Explicar é considerar o que é preciso conhecer como objecto e aplicar-lhe todos os meios objectivos de conhecimento. A explicação é, bem entendido, necessária para a compreensão intelectual ou objectiva.
Mas a compreensão humana vai além da explicação. A explicação é bastante para a compreensão intelectual ou objectiva das coisas anónimas ou materiais. A compreensão humana comporta um conhecimento de sujeito a sujeito. Por conseguinte, se vemos uma criança a chorar, nós a compreendemos, não pelo grau de salinidade das suas lágrimas, mas por buscar em nós mesmos as nossas aflições infantis, identificando-a connosco e identificando com ela. Compreender inclui, necessariamente, um processo de empatia, de identificação e de projecção. Sempre intersubjectiva, a compreensão pede abertura, simpatia e generosidade.


(cont.)

04 junho, 2009

V - Enfrentar as incertezas (5)


V - Enfrentar as incertezas


As ciências permitiram que adquiríssemos muitas certezas, mas igualmente revelaram, ao longo do século XX, inúmeras zonas de incerteza. A educação deveria incluir o ensino das incertezas que surgiram nas ciências físicas (microfísica, termodinâmica, cosmologia), nas ciências da evolução biológica e nas ciências históricas.
Será preciso ensinar princípios de estratégia que permitiriam enfrentar os imprevistos, o inesperado e a incerteza, e modificar o seu desenvolvimento em virtude das informações adquiridas ao longo do tempo. É preciso aprender a navegar num oceano de incertezas em meio a arquipélagos de certeza.
A fórmula do poeta grego Eurípedes, que data de vinte e cinco séculos, nunca foi tão actual:

"O esperado não se cumpre, e ao inesperado um deus abre o caminho".

O abandono das concepções deterministas da história humana que acreditavam poder predizer o nosso futuro, o estudo dos grandes acontecimentos e desastres de nosso século, todos inesperados, o carácter doravante desconhecido da aventura humana devem-nos incitar a preparar as mentes para esperar o inesperado, para enfrentá-lo. É necessário que todos os que se ocupam da educação constituam a vanguarda ante a incerteza de nossos tempos.


(cont.)

02 junho, 2009

IV - Ensinar a identidade terrena (4)

IV - Ensinar a identidade terrena


O destino planetário do género humano é outra realidade até agora ignorada pela educação. O conhecimento dos desenvolvimentos da era planetária, que tendem a crescer no século XXI, e o reconhecimento da identidade terrena, que se tornará cada vez mais indispensável a cada um e a todos, devem converter-se em um dos principais objectos da educação.
Convém ensinar a história da era planetária, que se inicia com o estabelecimento da comunicação entre todos os continentes no século XVI, e mostrar como todas as partes do mundo se tornaram solidárias, sem, contudo, ocultar as opressões e a dominação que devastaram a humanidade e que ainda não desapareceram. Será preciso indicar o complexo de crise planetária que marca o século XX, mostrando que todos os seres humanos, confrontados de agora em diante aos mesmos problemas de vida e de morte, partilham um destino comum.


A contribuição das contracorrentes
O século XX deixou como herança contracorrentes regeneradoras. Frequentemente, na história, contracorrentes suscitadas em reacção ás correntes dominantes podem desenvolver-se e mudar o curso dos acontecimentos. Devemos considerar, como movimentos importantes e actuantes:

- a contracorrente ecológica que, com o crescimento das degradações e o surgimento de catástrofes técnicas/industriais, só tende a aumentar;

- a contracorrente qualitativa que, em reação à invasão do quantitativo e da uniformização generalizada, se apega à qualidade em todos os campos, a começar pela qualidade de vida;

- a contracorrente da resistência à vida prosaica puramente utilitária, que se manifesta pela busca da vida poética, dedicada ao amor, à admiração, à paixão, à festa;

- a contracorrente de resistência à primazia do consumo padronizado, que se manifesta de duas maneiras opostas: uma, pela busca da intensidade vivida (consumismo); a outra, pela busca da frugalidade e temperança (minimalismo);

- a contracorrente, ainda tímida, de emancipação em relação à tirania omnipresente do dinheiro, que se busca contrabalançar por relações humanas e solidárias, fazendo retroceder o reino do lucro;

- a contracorrente, também tímida, que, em reacção ao desencadeamento da violência, nutre éticas de pacificação das almas e das mentes.


(cont.)

01 junho, 2009

XUTOS

A música da roubalheira censurada na radio pode ouvi-la aqui.