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24 abril, 2019

23 setembro, 2017

AnimaiZ





 AnimaiZ
         Maria Amparo de Oliveira Rainha apresentou a sua nova obra “AnimaiZ”, destinada ao público infanto-juvenial, na tarde de 23 de setembro de 2017, no auditório do IPJ em Vila Real.
         Esta obra tem um título invulgar, já que aproveitou a palavra “animais” para esta simbolizar de A a Z relacionando-a com o conteúdo, expressando a ideia de dicionário. AnimaiZ é de facto um livro de poesia sobre animais e que vai de A a Z. 
          A poesia é rimada e ritmada, a maioria está construída em quadras, com uma linguagem concreta adaptada às exigências juvenis, motivando o imaginário e proporcionando um melhor conhecimento de cada espécie. Contém mensagens ecológicas e de protecção ambiental, descreve habitats, o sistema alimentar de alguns animais, alguns aspectos anatómicos e temperamentais, a sua locomoção, as migrações e a hibernação – os animais escolhidos são diversos, uns mais conhecidos do que outros.
         A ilustração é de Alcina Rabaço Gonçalves que tem ilustrado todos os livros da Amparo - este já é o terceiro. Neste livro a ilustração é muito realista, policromada, muito exuberante, alternando planos gerais com planos de pormenor, introduzindo numa dinâmica diferente em cada página, provocando conforto e curiosidade ao leitor. Cada página tem uma cor concordante com o colorido da ilustração.
         É muito interessante associar a poesia aos animais certamente vai fazer sucesso entre as crianças e jovens. Animais e crianças ou jovens é algo que combina bem. Qual é a criança que não gostaria de ter um animal de estimação? Todas gostariam. Quem fica insensível com momentos de ternura que alguns animais nos oferecem?
         A apresentação foi partilhada com a arquitecta Anabela Quelhas, que realçou a biografia da autora e a sua resiliência em escrever, sublinhou a sua determinação em ser professora, a forma de interagir com os pequenos leitores e divagou por uma serie de memórias que lhe suscitou o livro AnimaiS – de Einstein até Walt Disney, passando por Spilberg, Saramago, Luís Sepulveda e Albert Durer.
AQ


30 maio, 2017

O FATO QUE NUNCA VESTIMOS

Anabela Quelhas—nasceu em Luanda, arquitecta, licenciada pela Escola Superior de Belas Artes do Porto, discípula do arquitecto José Maria Pulido Valente.
 Desenvolve regularmente actividade relacionada com arquitectura, pintura, vitral, fotografia e artes gráficas, nomeadamente ilustração.
Professora profissionalizada do ensino básico e secundário. Autora de, diversos projectos pedagógicos /artísticos – seis premiados a nível nacional – exposições pedagógicas e registos digitais
Pratica o exercício da escrita criativa e da poesia.

Livro publicado:
"O FATO QUE NUNCA VESTIMOS"
ISBN: 978-972-8546-65-6
Depósito Legal: 424472/17
Capa: Anabela Quelhas
Impressão e Acabamento: Minerva Transmontana, Tip., Lda




Antigamente é que era bom?
            São retratos dum país rural, esquecido do mundo, localizados no tempo da “outra senhora” e por quem muita gente ainda suspira, passados mais de cinquenta anos, revelando memória curta e coração pouco ginasticado.
             O registo de episódios enquadrados num regime político asfixiante é descrito na primeira pessoa, inspirado nos olhares interrogativos de uma garota curiosa e atenta a uma década entre 63 e 73. O privilégio de ter crescido dividida entre duas províncias desse Portugal imenso, uma do Portugal Continental e outra do Portugal Ultramarino, Trás-os-Montes e Angola, deu-lhe uma visão aberta multifacetada, sem preconceitos, sem amarras, sem pretensões de qualquer espécie e permanentemente questionadora da vida e do mundo que a rodeava. É um testemunho aligeirado de “como era” aqui no Portugal Continental, possibilitando uma leitura dinâmica e descomprometida.
            A ordem apresentada é próxima à ordem cronológica da memória, mas sem um fio condutor real, permitindo assim e também, uma leitura desorganizada e desconstruída.
            Leia e compare este país com o resto do mundo, e a sua dimensão temporal completamente desajustada e fracturante. As contínuas referências presentes em rodapé, são janelas que se vão abrindo, para contextualizar de forma ainda mais visível este olhar juvenil.
            Alguns leitores talvez activem a memória e se revejam em algumas destas histórias.
            Esta obra é a primeira de uma possível trilogia, que constitui uma narrativa triplicada, localizada em tempos e espaços diferentes, possibilitando ao leitor presenciar o amadurecimento crítico do seu olhar, sobre o que a rodeava, onde a realidade se sobrepõe ao imaginário ou ao contrário, consoante os casos e a inspiração.

20 maio, 2017

CONVITE


CASA DE ANGOLA
LISBOA, 20 DE MAIO DE 2017
19H

CONVITE


Anabela Quelhas tem o prazer de convidar V. Exa para o lançamento do seu livro "O fato que nunca vestimos".
Anabela Quelhas, arquitecta e professora, aventura-se nos caminhos da escrita e brevemente apresentará o seu primeiro livro como escritora. Será um caminho novo entre vários que gosta de percorrer em simultâneo, arriscando criticas e comentários em contramão. O seu território são as artes plásticas, porém a sedução pelas palavras levam-na a ser ousada e criar uma trilogia autobiográfica de ensaios de escrita, da qual a primeira parte “O FATO QUE NUNCA VESTIMOS” será brevemente partilhada com a comunidade vila-realense, a 11 de Maio de 2017, pelas 21h15m no Centro Cultural Regional de Vila Real e com a comunidade angolana, no dia 20 de Maio de 2017, pelas 19h na Casa de Angola em Lisboa

10 maio, 2017

Mas que aventura é esta, Madame?



Mas que aventura é esta, Madame?

(Publicado em NVR)
            Deveria escrever sobre as eleições francesas, mas vou ser um pouquinho egoísta, egocêntrica, narcisista e escreverei sobre mim. Não é todos os dias que se publica um livro…
            A mala do meu carro está cheia de livros e agora tenho que lhes dar rumo, soltá-los no mundo. Publiquei o meu primeiro livro como escritora. Esta designação não me assenta bem, pois sou uma humilde aprendente da arte de escrever, que me tem encantado ao longo dos anos, sem estilo, fragmentada e em contramão. Costumo estar no lado dos desenhos, mas agora… Ser escritora sugere algo de profissional, que não sou. Não resisto a um desafio, tenho a mania de meter o nariz onde não sou chamada e não me intimido o suficiente, em percorrer caminhos que não domino.
            Enfim, sou mesmo assim!
            Poderia estar quietinha a viver a maturidade, sentada num sofá, olhando a televisão, fazendo tricot para olear as artroses das mãos, chupar rebuçados para a tosse, cortando os dias no calendário um após outro e queixando-me todos os dias, desta vida madrasta. Levaria uma vida mansa cheirando a mofo, mas santa, sem trambolhões, respirando todos os dias da mesma forma, conservando o batimento cardíaco na mediana, rezando a Deus para me manter a tensão arterial estável e substituindo as gargalhadas por um mero esgar dorido da mandíbula.
            Pois, mas essa não sou eu.
            Tenho uma mala cheia de livros de cor azul-cueca, com um título polissémico e uma fotografia minha, com rosto que oscila entre o desconfiado e o aborrecido, como se estivesse no tal sofá da vida mansa - fotografia de adolescente incompreendida em idade do armário, sempre a descobrir uma forma de questionar, de protestar contra tudo e contra todos-
            Tenho um filho maravilhoso, nunca plantei uma árvore, pois a botânica dá-se mal comigo e o livro não passa da primeira parte de uma aventura, que nem sei como irá terminar. O que dirão os verdadeiros escritores que muito respeito, deste “projecto de livro”?
            Nestes dias, permaneço meia obtusa, quando percebo que criei grandes expectativas naqueles que me estão próximos…. E agora? A responsabilidade cresce e desgasta. Sou assaltada pela insegurança. Onde arrumei os Kompensan? E se eles não gostarem? ou forem indiferentes, o que é muito pior? A obra deixará de ser minha e passará a ser pública. Cada um lerá e interpretará do seu jeito, que poderá não coincidir com o meu.
            Porque não criei mais um pseudónimo, que me assegurasse o anonimato, livrando-me deste desconforto que me acelera o ritmo cardíaco? Lá está o meu nome, a fotografia, a biografia e o conteúdo, multiplicados por muitos exemplares – todos seguidinhos azuis; á espera de destino. Não bastava um!!!…
            Socorro quero sair em andamento!!!!! Tirem-me deste filme!!!! Grito para mim mesma, nesta postura de conversar de mim para mim, olhando os livros agrupados em pacotes plastificados, aguardando decisões e apelando para o bom senso que emigrou da minha vida há muito tempo.
            Mas que aventura é esta, Madame? Meto-me em trabalhos e agora? Ando sem filtro, sem airbag, sem rede, sem cinto de segurança e estiquei-me demais…  
            E agora o que fazer com a adrenalina em excesso?
            - Coloco chapéu e óculos escuros e vou fingir que não me conheço. E os espelhos cá de casa?
            - Aproveito e vou de fim-de-semana para a Islândia durante 30 dias? Todos sabem que nunca fugirei para norte.
            - Invento doença contagiosa, daquelas de pintar a pele com bolhas gigantes? Certamente me irão esperar na saída do hospital
            - Salto da ponte? Colocar-me-ão um elástico à cinta e gritarão: SALTA! SALTA! S-A-L-T-A!
            Fazer o quê?
            - Transformar os livros numa bela escultura azul cueca?

“O fato que nunca vestimos”
No Centro Cultural e Regional de Vila Real, dia 11 de maio pelas 21h15m.

Vestirei coragem e lá estarei. J

05 março, 2017

15 dezembro, 2016

NO LARÓ


No Laró do Natal!
            Se há coisa que eu gosto de fazer é andar no “laró”- todos os motivos são bons, todas as oportunidades são únicas e irrepetíveis, invento razões mais ou menos bem elaboradas - portanto identifiquei-me de imediato com este livro do meu amigo António Caseiro Marques.
            Não sou dos lugares onde permaneço quase uma vida, apenas porque quem nasceu na savana africana, se orientou através do Cruzeiro do Sul e sentiu “a linha recta que é curva, lá para os lados da intersecção do Zulmarinho com o rio Kuanza” (inspiração J.C. Carranca), nunca mais será de sítio algum, entrando para o grande rol dos órfãos de terra, dos desterrados, dos angustiados ansiosos, dos cidadãos do mundo eternamente solitários e fora de órbita.  
(escrevi solitários, não escrevi sozinhos)
            Não sou uma caminheira de montanha, sou uma andarilha urbana, mas percebo o apelo à montanha que nos oferece esta obra. Essa massa gigantesca e telúrica, que existe desde sempre e permanece silenciosa, geologicamente supostamente estática (nada é estático! J), concebida sabe-se lá por quem, estratificada em camadas, algumas ainda desconhecidas,  veste-se superficialmente de formas policromadas diversificadas, belas, sempre renovadas, em constante mutação, estabelecendo um diálogo profundo, intimista e misterioso, com o António, mexendo com ele, tornando-o mais humano, mais sábio e mais divertido. O maciço, estrada irregular de gigantes, sem oceano à vista, que se converte no mar do nosso olhar, que nos espera sempre e não pára de nos surpreender, toca-o de sobremaneira como beirão de Carapito, de coração enorme, generoso, onde cabem muitos e outros lugares.
            Este livro, não o entendo como livro dos caminheiros de montanha, mas sim, um registo de sentires de quem gosta e investe no “laró” e na sua filosofia. Sim, porque o “laró” tem toda uma filosofia e uma ciência intrínsecas. O dicionário diz-nos que “laró” é sinónimo de não fazer nada, descanso, vida ociosa, sem trabalho…
            … quem acredita nisto?
            Quem anda no “laró” não descansa! Abandona o sofá e os chinelos, mete-se por caminhos íngremes, cultiva calos nos pés, vive tudo menos o ócio… Andar no “laró” exige preparação física, agilidade mental, racionalidade, capacidade de decisão e sensibilidade para realizar narrativas afectuosas para com o sítio e sobre os sítios - perfil exclusivo dos desassossegados que procuram saber sempre mais sobre este planeta azul. Deprimidos, acomodados, ociosos, conformados com a desgraça e de mal com a vida, nunca entenderão o matiz destes seres humanos.         
            E sobre o sítio….
“Começa-se sempre pelo sítio, quando se pretende contar algo contextualizado num lugar - aquela cruzinha que se faz no mapa para marcar um espaço, duas pequenas linhas concorrentes, que focam a nossa atenção, dividindo o sitio do resto do universo.
       O sítio será,
•     o espaço de permanência dos que habitam, a plataforma geológica, que sedentarizou aqueles seres humanos.
•     o território feito de vários lugares que permanece de geração em geração, fazendo a simbiose ente o passado e presente e onde os seus habitantes deixam a marca das suas existências.
•     o testemunho sempre renovável da história, das vivências  e dos sonhos dos Homens.”
In “O fato que nunca vestimos” de Anabela Quelhas

                        … este induz-nos a evocar os nossos próprios sentires de cada sitio que já olhámos, interpretámos e reservámos na nossa memória.
            Faltou um mapa desenhado pelo punho do autor – o mapa do “laró” renovado e aumentado.
            Para surpresa minha, verifiquei que entrei numa das suas descrições, o que me enche de orgulho, já que como verdadeira andarilha, gosto da partilha daquilo que conheço e sei, ajudando os amigos a sonhar comigo, replicando e multiplicando aquilo a que sou sensível.
            Para finalizar recordo e configuro o verdeiro amor que este senhor tem por Lisboa:
(em véspera de Natal, eu cheirando a aromas de pinhões, passas e canela, com a colher de pau numa mão e telemóvel na outra, confeccionando algo saboroso, que todos comem e choram por mais, no sítio mais perigoso do mundo: a minha cozinha…, de atenção recortada entre uma mesa geometricamente decorada, que acolheria duas dezenas de pessoas para consoar, a porta de entrada para a abrir, a campainha não parando de tocar, as gargalhadas dos mais pequenos já no quintal perguntando pelo Pai Natal, o polvo a fumegar, diversos pratos já repletos de manjares natalícios espalhados entre a sala e a cozinha … )
- Estouuu? como vai minha amiga?!!!! (voz inconfundível de alguém não ocioso e bem disposto, que sabe bem ouvir) Estou aqui junto ao Tejo, a olhar o Cais das Colunas, vendo as iluminações de Natal e lembrei-me de lhe ligar… sabe eu gosto muito de Lisboa, estudei aqui, volto sempre que posso… o rio, o Mar da Palha, a baixa pombalina, Alfama… réu catrapéu, patati, patatá, blá, blá, blá…
… no Laró do Natal! (que inveja! Inveja mesmo! no bom e no mau sentido)
(há poucos minutos chega uma mensagem…)
- Vamos buscar o Francisco. Só regressamos no domingo. Mande fotos de ontem. Ob bjs CM
(oh mais “laró”, ele não pára!)

Anabela Quelhas
Publicado em NVR

13 dezembro, 2016

Livros especiais

 https://almanaquesilva.wordpress.com/2015/08/15/por-bom-caminho/















23 março, 2016

Francisco e o pardalito

Os livros são para construir, reflectir e partilhar.
23/03/2016

Brevemente partilharei a minha reflexão.
Grata pela vossa presença.

09 janeiro, 2014

Simone de Beauvoir


No motor de busca Google, hoje, divulga-se o 106º aniversário de Simone de Beauvoir com um design gráfico bem pobrezinho por sinal.
Há escritores que nos marcam, porque são bons porque escrevem sobre coisas interessantes, porque nós os lemos no momento certo, porque os conteúdos mexem connosco, porque influenciam de alguma forma a nossa personalidade em desenvolvimento… Simone de Beauvoir foi exactamente uma das escritoras que mais informação me proporcionou porque me abriu caminhos para Sarte, Camus e Boris Vian. Li-a na transição entre a adolescência e a idade adulta, e foi determinante para eu ser quem sou. Li a convidada, li o segundo sexo, li os mandarins,  li a força da idade e a força das coisas… leituras que me deram o enquadramento do existencialismo, do feminismo, da personalidade de Jean Paul Sartre, e a vivência da 2º guerra e do pós guerra. Um amigo especial emprestou-me a Força da idade que li rapidamente e seguiram-se todos os outros, acho que em 3 meses, amadureci e renasci-me noutra pessoa que nunca mais despi ao longo dos anos. Seguiu-se a náusea, o diabo e o bom Deus, o estrangeiro e depois o mergulho em Boris Vian (o meu preferido de sempre) iniciado com Outono em Pequim, esgotando todas as obras deste francês bizarro e surreal, amante do jazz.
106 anos…
9/01/2014
AQ

11 março, 2013

FRANCISCO MOITA FLORES



À minha amiga
Anabela
Com um beijinho
11.03.2013
Ass: Francisco Moita Flores

            Este foi o autógrafo que Moita Flores escreveu no livro que adquiri “A opereta dos vadios”, hoje após o encontro realizado na Biblioteca Municipal de Vila Real, promovido pela Rede de Bibliotecas de Vila Real, no âmbito da Semana da Leitura 2013. Este encontro foi organizado pela Editora Leya e pela professora bibliotecária do Agrupamento de Morgado Mateus, Maria Manuel Carvalhais em articulação com a Biblioteca Municipal de Vila Real e restantes bibliotecas da RBVR (Rede de Bibliotecas de Vila Real), com o objetivo de dar a conhecer aos alunos presentes os escritores portugueses contemporâneos.
            As apresentações foram realizadas por Isabel Machado, representando a Biblioteca Municipal de Vila Real, José Maria Magalhães, diretor do Agrupamento Diogo Cão e António Carvalho presidente da CAP do Agrupamento Morgado de Mateus, tendo este último dissertado sobre o tema da Semana da Leitura, “O Mar”, referindo algumas atividades a concretizar ao longo desta semana para dar à leitura, o destaque que obrigatoriamente merece.
            De seguida Moita Flores começou por apresentar o seu percurso de vida, que ouvi atentamente, e deixei-me levar pelo seu tom pausado e sóbrio com que expôs a sua biografia, até que despertei pensando como era tudo tão interessante e como o seu discurso fluente e fácil era profundo, sentido e cheio de conteúdo, com alguns apontamentos de humor subtil, e comecei a tomar notas na minha pequena agenda, que partilharei aqui neste meu modesto registo.
            Falou do conflito entre o sonho de atingir a imortalidade e a morte, sendo esta o que nós temos como certo, apesar de desconhecermos o dia, o ano e a hora em que vai acontecer. Sublinhou a sua ligação aos livros, como objeto físico, com cheiro, com textura, com forma e volume, onde se pode sublinhar, anotar, dobrar, abrir, e que a internet apesar de ser um ótimo meio de comunicação/informação, falta-lhe o corpo, o abraço, o carinho, o sorriso e o beijo, que só existem na vida real. Evidenciou que quem lê, está melhor preparado para a vida, tem mais sucesso… os que lêem mais são melhores amantes! …e a propósito declamou….
João Roiz de Castelo Branco (séc. XV)
Senhora, partem tão tristes
meus olhos, por vós, meu bem,
que nunca tão tristes viestes
outros nenhuns por ninguém.

Tão tristes, tão saudosos,
tão doentes da partida,
tão cansados, tão chorosos,
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.

Partem tão tristes os tristes,
tão fora de esperar bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.

 Declamou Camões:
Estavas, linda Inês, posta em sossego
De teus anos colhendo doce fruito,
Naquele engano da alma ledo e cego,
Que a fortuna não deixa durar muito,
Nos saudosos campos do Mondego,
De teus fermosos olhos nunca enxuito,
Aos montes ensinando e às ervinhas,
O nome que no peito escrito tinhas.
 
Interrogou-se (nos): Como se pode ser bom amante sem ler “Amor de perdição” e “Os Maias”?
Confessou a sua paixão pela Ferreirinha.
Explicou que a família e a escola são as almofadas de ¼ da vida. Os outros 3/4 tem que ser vividos em autonomia. Expôs as suas dificuldades como estudante trabalhador proveniente de uma família humilde e da sua grande ambição de dar aulas na Sorbonne, sonho esse que se tornou realidade e que correu o risco de resvalar perigosamente para a vaidade, travado logo nos primeiros cinco minutos com um telefonema para o seu pai, onde este lhe lembrava que a sua obrigação era trabalhar.
Evocou João de Deus, Camões, Florbela Espanca, Miguel Torga, Eça de Queirós, Sophia de Mello Breyner, Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade, Shakespeare, Gil Vicente,  Espinosa, Pedro Nunes..
Finalmente deixou uma mensagem a todos os presentes. Referiu que pela sua experiencia na secção de homicídios na PJ, viu e mexeu em centenas de mortos, constatou como é ténue e rápido, o espaço que medeia entre o nosso nascimento e a nossa morte, e assim refletindo sobre isso, decidiu nunca perder tempo com coisas que não lhe interessam, investindo todo o tempo em fazer ou procurar fazer aquilo que gosta.
Grata pela sua presença e pela partilha que tive o privilégio de usufruir.
Anabela Quelhas

17 novembro, 2011

06 novembro, 2011

Um professor que um dia roubou o céu

O LIVRO DO MEU AMIGO PENA. FRESQUINHO, FRESQUINHO!

04 janeiro, 2010

31 dezembro, 2009

A Saga de um Pensador, Augusto Cury


Neste seu primeiro romance, o psiquiatra Augusto Cury narra a trajectória de Marco Polo – não o navegador e aventureiro veneziano do século XIII, mas um jovem que embarca na grande aventura que é a vida. Marco Polo é um estudante de Medicina, um espírito livre cheio de sonhos e expectativas. Ao entrar para a faculdade, é confrontado com uma dura realidade: a da insensibilidade e frieza dos seus professores, que não percebem que cada paciente é, mais do que um conjunto de sintomas, um ser humano com uma história complexa e única de perdas e desilusões. Indignado, o jovem desafia profissionais de renome internacional para provar que os pacientes com perturbações psíquicas precisam de mais que remédios e diálogo – precisam de ser tratados como pessoas, como iguais. Numa luta constante contra a discriminação, Marco Polo vai provocando uma verdadeira revolução de mentalidades… http://www.wook.pt