Soou o
alarme sobre o paracetamol na Era Digital.
Recentemente, fomos
surpreendidos por um alerta contundente: “o paracetamol, um medicamento
amplamente acessível, considerado seguro e utilizado por milhões de pessoas
para aliviar dores e febres, apresenta riscos sérios à saúde quando consumido
de maneira inadequada.” Este aviso deve despertar uma reflexão profunda sobre a
cultura de risco que se dissemina entre os jovens, especialmente nas redes
sociais, onde desafios perigosos se tornam virais e atraentes, mesmo diante de
evidências dos perigos envolvidos.
Alguns dos desafios:
• O
desafio da canela consiste em ingerir, on line, filmado com câmara de vídeo,
uma colher de sopa cheia de canela em pó seca, sem água ou qualquer outro
líquido, em menos de 60 segundos. A consequência imediata invariavelmente
resulta em tosse intensa, engasgos e uma nuvem de canela saindo pela boca e
nariz e depois a aspiração involuntária da canela para os pulmões.
• Tide
Pod Challenge – o desafio consiste em ingerir cápsulas de detergente
concentrado da máquina de lavar a loiça, mordendo-as até que o revestimento
solúvel rebente, libertando o detergente líquido e espumoso. O objetivo é
filmar a reacção de aversão, o vómito ou a espuma que sai da boca de quem aceita
o desafio, partilhando o vídeo para ganhar popularidade e likes.
• O
paracetamol – o desafio consiste em tomar comprimidos de paracetamol até ir
para o hospital. Entretanto, os participantes filmam-se e quem ganha é aquele
que fica mais tempo hospitalizado.
Isto tem alguma piada
ou interesse? Não tem e é muito perigoso.
Porém, isto não é
recente, há uns anos um dos programas da televisão mais visto pelos jovens, constava
de filmagens com desafios completamente loucos, que colocavam em risco os
protagonistas e os outros que tentavam imitar.
Então, por que os
jovens se sentem atraídos por tais desafios, mesmo sabendo do perigo de morte
ou sequelas graves? A resposta está na combinação de factores biológicos,
psicológicos e sociais.
Nas redes sociais,
especialmente em plataformas como TikTok, surgem desafios que envolvem acções
extremas e perigosas, voltados principalmente para os jovens, que buscam
reconhecimento, validação e sentimento de pertença.
Essas acções, além de
serem perigosas, não têm qualquer valor de entretenimento ou benefício real.
Pelo contrário, representam uma busca por adrenalina e validação social que
pode custar vidas.
Durante a adolescência,
o cérebro ainda está em desenvolvimento, especialmente as áreas responsáveis
pelo controle de impulsos e pela avaliação de riscos. Essa fase aumenta a
sensibilidade ao desejo de novidade, recompensa instantânea e aprovação social.
As redes sociais potencializam esse comportamento ao oferecer uma validação
rápida e acessível mediante “likes”, comentários e partilhas, criando uma
ilusão de reconhecimento e pertença dentro de grupos virtuais. Para muitos
jovens, participar de desafios perigosos torna-se uma forma de se sentirem
únicos, importantes e valorizados, mesmo que temporariamente.
Quando algo se torna
repetitivo e viral, o cérebro tende a interpretar essa acção como algo valioso
ou aceitável. Assim, o comportamento de colocar a saúde em risco passa a
parecer normal, e a capacidade de recusa diminui.
O paracetamol é um
comprimido "extremamente acessível" na casa de qualquer pessoa,
porém, torna-se "nocivo" quando consumido em quantidades elevadas.
Segundo as Ordens dos
profissionais ligados à saúde, a dose máxima diária para um adulto saudável é
de quatro gramas. Os comprimidos (de 500 miligramas ou 1 grama) devem ser
ingeridos em intervalos de 4 a 6 horas. A ingestão excessiva de paracetamol
constitui um sério risco para a saúde: insuficiência hepática aguda, alterações
graves da coagulação, hipoglicemia, encefalopatia, lesão renal aguda e morte.
Somente através de uma
conscientização coletiva e de uma comunicação clara podemos evitar que esses
desafios, que parecem apenas uma brincadeira, causem tragédias. Afinal, a saúde
e a vida não podem ser objecto de experiências nocivas ou de busca por
popularidade a qualquer custo.
Publicado NVR 11|03|2026

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