Morreu Edgar Morin.
Recuei à última parte da década
70 e ao seu livro “O PARADIGMA PERDIDO”, que me abriu algumas janelinhas para o
mundo, na verdade um livro que me ensinou a pensar.
Não é fácil falar com serenidade
daquilo que admiramos e daquilo que odiamos, por isso é sempre bom ler Edgar
Morin. Foi um pensador inquieto cruzando as ciências da natureza e as sociais e
da cultura, sempre na busca de uma compreensão mais funda do Homem.
“A humanidade vive uma época de
perigos incríveis e, ao mesmo tempo, de possibilidades de ultrapassar as
coisas. É por isso que não podemos ser cegos, não devemos ser otimistas de
maneira estúpida, mas é preciso estar presente porque esta é a nossa vida”.
Edgar Morin tem origem sefardita.
A sua relação com o judaísmo e com o Estado de Israel foi marcada por um
distanciamento crítico em relação ao sionismo, pela denúncia veemente da
opressão do povo palestiniano e por uma profunda defesa do universalismo. Até
ao fim da sua vida, manteve-se perplexo e indignado com a violência em Gaza,
denunciando o que apelidava de "silêncio do mundo" face ao sofrimento
e à humilhação da população palestiniana.

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