28 julho, 2021

LIVRO DAS FREGUESIAS

 


LIVRO DAS FREGUESIAS

          Passo pelo escritório do jornal para adquirir o livro das freguesias e deparo-me com um grande calhamaço, que o distinto Dr. Ribeiro Aires concebeu.

          Grande Livro penso eu, com letras maiúsculas.

          Por coincidência, enquanto pago o livro, o autor fala ao telemóvel com uma colaboradora do jornal, que lhe diz quem está com ela. Do telemóvel oiço a voz do meu amigo, dizendo que colocou lá uma foto minha.

          - Ui, espero que seja com cara de sábado, porque a de segunda-feira não presta. Respondi sorrindo.

          Saio do Pioledo e subo a avenida D. Dinis, que me presentei-a sempre com boas recordações do nª 18. Vou com o livro pesado numa das mãos tentando equilibrar a minha artrose da anca e sinto as sapatilhas a colarem-se ao chão.

          Penso nas brincadeiras que vivi no nº 18, penso de novo nas freguesias, as sapatilhas continuam a colar-se ao chão... ainda me vejo em criança no Largo que vem a seguir, ao qual eu chamava Largo do Diogo do Cão. Um largo moderno, sobre o qual nem todos os cidadãos entendem a sua assimetria, porque rompe com as regras tradicionais herdadas do urbanismo renascentista. Gosto desse largo e considero que lhe falta apenas uma pequena intervenção para reforçar a sua identidade. Tenho uma, na ideia.  

          .... continuam a colar-se, tento ver se pisei alguma pastilha elástica, confirmo que as sapatilhas não são as que comprei no chinês, ... recordo quando ia para junto da Escola Industrial ver as corridas dos cavalos na festa de Santo António. Nhac, nhac, fazem as sapatilhas.

.... nhac, nhac, nhac, nhac, não é pastilha elástica, mas é a exsudação das árvores (hoje estou a falar bonito!) composta de uma goma, que se deposita no chão, tornando-o brilhante e bom para caçar a mosquitada. Nhac, Nhac,. Nhac, Nhac, isto é o som da senhora Quelhas a subir a avenida, nhac, nhac, já imaginando que irei entrar no carro e as sapatilhas se colarão aos pedais, nhac, nhac. Sinto-me capaz de converter-me numa super-heroína e saltar para a parede, tipo Mulher-Mosca, a prima do Homem-Aranha.

          Nhac, nhac, sim, voltando ao livro das freguesias, grande trabalho de atualização, feito com rigor e critério, explicados logo no início. É o livro que obrigatoriamente estará sempre por perto, para consulta, para confirmação de dados e para fundamentar e referenciar em muitos outros livros.  Gostei do Pare! é impossível não referir Miguel Torga, e como é impossível, o melhor é abraçar com toda a força esta ideia de Reino Maravilhoso.

          Passo a citar uma expressão a propósito, inserida num relato da vida de Cícero:

          À mulher de César não basta ser honesta, deve parecê-lo (Vidas Paralelas de Plutarco). Não nos basta ser Reino Maravilhoso, é urgente parecê-lo. Chegou a hora, de aproveitar esta onda cultural que caracteriza o século XXI, a euforia da saída do confinamento, associando todas as potencialidades do mundo digital, e de facto parecê-lo. Tanta coisa que há a fazer, porém, está tudo neste livro!

Publicado em NVR 28/077/2021

21 julho, 2021

FUGIR A SALTO

Fugir a salto

O Estado Novo sempre condicionou a emigração, primeiro para evitar a saída de mão-de-obra e mais tarde para impedir a redução do número de soldados, necessários para a guerra nas colónias. Acabou o Estado Novo e a guerra, mas a história de Portugal é uma história feita de partidas e de regressos e eles continuam a partir, por vezes são os próprios governantes que aconselham...

 

              Hoje os mais jovens ignoram completamente o que era isto de ir a salto para outro país. Há dias vi-me na necessidade de explicar isto muito rapidamente a dois alunos.

              O que seria isto de fugir a SALTO?

              A fuga para França na década de 60, devia-se à obrigatoriedade de fazer serviço militar, com grande probabilidade de ir para a guerra nas ex-colónias ou para procurar uma vida melhor.

              Essas fugas denominadas por emigração clandestina ou a “salto” envolveram milhares de portugueses e nem sempre terminaram bem. Assunto proibido até ao 25 de Abril e agora passados quase 60 anos, parece algo surreal para os mais jovens, que nem sabem o que é uma fronteira e muito menos a dificuldade em sair de um país com as “portas fechadas”. Perguntaram-me se iam de avião, de comboio ou de carro e ficaram absolutamente surpresos quando lhes expliquei que iam a pé, por caminhos escondidos para não serem bloqueados pelos guardas fronteiriços. Quem fosse apanhado ia preso e quem fugisse, alvejado. 

              - E eles sabiam o caminho? Iam pelo GPS?

              - Claro que não, seguiam vagas indicações daqueles que já o tinham feito ou daqueles que conheciam os trilhos e forneciam informações se lhe pagassem, os passadores.

              Fugia-se à miséria rural e urbana, fugia-se à probabilidade de morrer na guerra colonial, fugia-se à fome, fugia-se por incapacidade de matar sem saber porquê.

              A maioria era formada por homens, mas também fugiam mulheres e crianças, umas ao colo e outras pelo seu pé, pisando neve e gelo, atravessando rios, enfrentando ventos e tempestades. Muitos eram analfabetos e pouco experientes, desconheciam a língua francesa, tendo muitos problemas de integração e outros eram enganados na travessia da fronteira e de Espanha. Alguns, desapareceram, nunca chegando ao destino, não se sabe quantos. Muitos passaram fome, pouco dormiam e quando dormiam era ao relento, sempre alerta para não serem apanhados. Juntavam 10 ou 20 contos para pagar aos passadores que orientavam o salto da fronteira e não sobrava mais nada.[i] Outros até pediam dinheiro a algum familiar.

              Levavam uma trouxa ou uma pequena mala e caminhavam durante dias ao frio e à chuva, muitos dizem que foram 5 dias, utilizando o comboio, outros 30 dias, outros dizem 45, dependia da sorte e da rota que tomavam, estes últimos sempre a pé.

              Existem relatos impressionantes.

              - Fomos numa carrinha, escondidos atrás de fardos de palha, dormíamos em palheiros agrícolas, só andávamos de noite... demorámos 12 dias a chegar a Paris

              - Eu fui com os meus pais, tinha seis anos, o meu pai levava a minha irmã de dois anos ao colo e a minha mãe levava o meu irmão na barriga. Ainda hoje sinto a água gelada a travessar o rio, e depois ficar com as botas e as meias molhadas. A minha mãe chorava, queria voltar.

              - Atiraram sobre nós, em Portugal governava o Salazar e em Espanha governava o Franco, ninguém podia sair, porém, conseguimos passar para o lado da França e aí fomos ajudados pelos franceses.

              Há pessoas que foram detidas em Espanha e entregues à polícia portuguesa.

              Por vezes a humildade e a vergonha impedem que estas estórias sejam públicas. Preferem recordar o sucesso em vez das dificuldades, esquecendo-se de que os seus testemunhos de heróis resilientes são necessários para informar e esclarecer as novas gerações, que pensam que tudo se resolve de carro, de avião e de uber, com vouchers comprados na web.

              Deixar tudo para trás e ir ao desconhecido para salvar os que ficaram, converte-os em heróis ensinando-nos a ser menos críticos e mais solidários em relação aos refugiados que apenas tentam sobreviver.



[i] Naquela época ganhava-se 7 escudos por um dia de trabalho.

Publicado em NVR em 21/07/2021

TENHO PREGUIÇA


 

18 julho, 2021

17 julho, 2021

AUTO


BIENAL DE ARTE DE GAIA

JULHO 2021

16 julho, 2021

PARABÉNS, DOUTOR

 PARABÉNS, DOUTOR      


            Na quinta-feira passada tive o prazer de assistir à apresentação de mais um livro do meu estimado amigo Caseiro Marques. Ainda não li o livro, apenas apreciei a capa.

            - Gostei da capa, Teresa. Está muito bem, comentei com a sua companheira, enquanto ele assinava o seu livro para me oferecer.

            - É uma gravura que ele tinha no escritório. Esteve lá sempre. Não se lembra?

            Rebobinei a memória e de facto lembro-me dessa imagem pendurada no seu escritório localizado na Travessa da Portela, a imagem da Justiça personificada pela mulher a levantar a balança. Explicando isto melhor, pensava eu que seria a imagem da deusa grega Thémis  filha do Céu e da Terra, esposa de Zeus, o deus supremo, criadora de leis que organizavam os homens e guardiã dos juramentos dos mesmos. Mas afinal confirmando detalhes, agora em casa, descubro que quando a figura feminina tem os olhos vendados, representa a deusa romana Justitia. A venda nos olhos não significa que a justiça seja cega, mas que trata todos de igual forma.

            Quero registar aqui o meu apreço pela sua postura perante a vida. A sua avontade de escrever e partilhar o que escreve, revel o seu lado erudito e simultaneamente altruísta. E ele escreve. E agora que tem tempo, ainda escreve mais. A sua vida provavelmente ainda faz mais sentido, porque nos revela o que é, o que sente e o que o afecta. Ele não espera que a vida aconteça, ela faz acontecer.

            Conheço o Dr. Caseiro Marques há muito tempo, não como advogado, porque felizmente não precisei, mas temos cultivado uma bela amizade. Somos muito diferentes, mas temos desenhado convergências que nos aproximam, e uma delas é a escrita, para além das beldroegas que me oferece todos os anos e de que ambos gostamos de juntar à sopa.

            Foi ele que me convidou para escrever neste jornal, convertendo um passatempo num exercício regular, disciplinado e em liberdade, que muito me tem ajudado a evoluir no mundo da escrita.

            Politicamente não somos próximos, evito o assunto, mas após de ponderados os assuntos mais importantes da vida, descubro que ambos somos humanistas, apesar de ele acreditar em Deus e eu ainda não acreditar. Respeito o seu lado e ele respeita o meu.

            Tem sentido de humor, não é homem cinzento, gosto do seu apego a Carapito, é inteligente e astuto, gosta de rir, tem orgulho em ser fuzileiro e aprecio o seu encantamento genuíno pelo seu neto Francisco. Organiza uns passeios culturais entre gente próxima, de uma comunidade semi-rural, tendo-me permitido participar e com quem tenho aprendido e conhecido pessoas simples e sãs, como eu gosto.

            Tenho em memória uma bela visita a Aranjuez, à Corunha, a Segóvia e já saboreamos ao final dum dia quente madrileno, na Plaza Maior uns simples huevos com jamón, deliciosos.

            - O que é isso que vai pedir?

            - Ovos com presunto e batatas fritas.

            - E isso é bom?

            - Vai-me saber pela vida, a melhor ementa do mundo...

            Na quinta-feira no final da sessão, vira-se para mim e uma amiga comum, lembrando-se de uma pequena viagem que fizemos no sábado anterior para visitar a casa de Júlio Dinis...

            - Vós sois umas andarilhas, na próxima vez também quero ir convosco. Já disse à minha mulher. Convosco, ela deixa-me ir.

            Parabéns, doutor, continue assim.

Publicado em NVR, 14/07/2021

11 julho, 2021

LABIRINTO DA CASA DA PRELADA

 


LABIRINTO DA CASA DA PRELADA

A casa da prelada situa-se na cidade do Porto e foi projetada pelo arquitecto italiano Nicolao Nasoni. O Jardim da casa possui um dos maiores labirintos da Península Ibérica. Este labirinto é o único existe na cidade, construído no século XVIII. O Traçado do labirinto faz-se através de bucho e percorre-lo é ter a noção do vazio e do cheio, da organização e do caos, a promessa e a ameaça e finalmente o lugar da recompensa, ou seja, no centro situa-se uma grande araucária-de-norfolk com 30m de altura.

Este labirinto é ornamental, fazendo parte da composição de uma grande jardim e também tem função lúdica, da descoberta, evocando o Labirinto de Creta.  AQ


10 julho, 2021

07 julho, 2021

REFLEXÃO VADIA

 

REFLEXÃO VADIA 

            Continuo enfastiada com o melodrama do ministro Cabrita, preocupada com o avanço da COVID, gosto de políticos independentes, veremos se irei continuar a apreciar Rui Moreira e sou fã métodos nitidamente intimidatórios do Juiz Carlos Alexandre... que querem, aprecio o estilo! Mas não me apetece escrever sobre isso.

            Na semana passada escrevi sobre esta mania recente das mulheres assumirem os seus cabelos brancos e agora vou escrever sobre os paradigmas masculinos, nesta reflexão vadia.

            Há muitos, muitos anos, um actor de cinema apareceu no ecrã para representar “Nove semanas e meia”. Usava uma barba mal feita de 3 dias. Actor despojado com estilo largadão, que fez suspirar as mulheres jovens. Homens novos, ficam bem com barba, sem barba, com bigode, com barba de 3 dias. O ar juvenil é que lhes confere alguma beleza. Este queria ir além disso, exteriorizando rebeldia com meia dúzia de pêlos a jogar à sueca sobre o seu rosto.

            A barba de 3 dias virou moda, não por parecer bem, mas, porque os homens são tremendamente preguiçosos e juntaram o útil ao supostamente agradável.

            45% dos homens preferem a barba por fazer – a preguiça soma e segue, sempre são 10 minutos que se poupam logo de manhã.

            Ao longo dos anos, a moda foi acertando a barba aos homens. Nas fotos antigas, os nossos bisavós aparecem com uma longa barba, símbolo de respeito e dignidade. Folheando os álbuns da família irão aparecer os homens de bigodinho fino ou estilo victoriano (os galãs, tipo Clark Gable), os homens de bigode revirado para cima ou guiador de bicicleta (bigode para vaidoso e excêntrico, tipo Salvador Dali), os barbudos dos anos 60 e 70 (os revolucionários, tipo Che), os bigodes farfalhudos, ou chevro, ou piaçaba (os pingamores canastrões, tipo Mastroianni), o bigode ferradura (para homens que nunca riem, tipo Charles Bronson), as super patilhas (suíça em forma de costeleta, tipo Ramalho Eanes,) o bigode âncora (com mosca, pêra e bigode, tipo Johnny Depp) e finalmente a barba da preguiça, que alguns acham muito charmosa - confessem a vossa ignorância sobre a arte pilosa facial!

            Uma barba de preguiça depois dos 50 anos, começa a branquear e envelhece. Há muitas décadas, um homem assim, nesse estado, só era possível e tolerável quando estava doente no hospital. Um homem de barba feita apresenta um ar muito mais jovem e saudável do que um barbudo.

            Diziam que beijar um homem sem bigode é como olhar para um jardim sem flores... Claro que isto é uma fake, uma teoria inventada por um homem com bigode.

            A empresa Gillette questionou várias mulheres e parece que as mulheres consideram os homens barbudos pouco atraentes ... claro que questionário de empresa que vende lâminas de barbear tinha que terminar assim, porém, há que considerar que toda a mulher gosta de um beijo bem dado, do tipo desentupidor de pia, ou seja, um beijo picante... mas, nunca confunda picante, com picante, ou seja, o picante fogoso, não quer dizer que de facto pica e arranha, provocando danos à cútis feminina. 

            A barba pode disfarçar a feiura e um bigode farfalhudo disfarça a cremalheira. Homens de corta palha exagerado, usem bigode!

            Uma barba pode ser o armazém dos restos da refeição, o microclima das bactérias, o habitat dos virús, o viveiro de ácaros e o paraíso dos fungos. É difícil realizar uma higienização adequada do rosto fora de casa e durante a rotina de trabalho, por isso em tempos COVID é fácil perceber que o corte e raspagem da barba é o mais indicado.

            A barba serve para disfarçar as rugas de expressão e as rugas da idade. Será que interessa esconder as rugas, se depois a calvice não engana e o perímetro do abdómen excede os 102 cm???

            A revista Super Interessante, na secção Ciência Maluca, refere que ter barba faz bem a saúde porque protege o portador de alergias e tosse e ainda é um protector solar. Os investigadores chegam à conclusão que o bigode serve como uma barreira de proteção contra as bactérias trazidas pela poeira, ou seja, faz um prolongamento dos pelos do interior do nariz, que tem a mesma função... lembrem-se disto antes de dar um chocho a um bigodudo!!!! Shlep!

            A Ciência Maluca assegura que, se a barba for longa e cobrir parte do pescoço, as inflamações na garganta podem durar menos tempo, porque a barba deixa a região mais aquecida. E eu acrescento que os cantores poderão evitar o cachecol para proteger as cordas vocais, se tiverem barba.

            NÃO SE ENTUSIASMEM!

            Um estudo europeu revela que a barba de um homem tem mais bactérias do que o pêlo de um cão que não toma banho diariamente.

Publicado em NVR - 07/07/2021

05 julho, 2021

02 julho, 2021

30 junho, 2021

CABELOS BRANCOS

 

Cabelos brancos

              Não me apetece escrever sobre futebol, coca-cola que vale milhões, estupidezes do Medina e do seu adversário, proteção de dados, acidente do outro, que atropelou um individuo na A6 (por onde passa é só desgraças, vá de retro!), travão do desconfinamento, serviços públicos fora de Lisboa e Porto, que mesmo estando protegidos por acrílicos, só atendem por marcação através de um telefone que ninguém atende...

              Tenho encontrado mulheres que optaram por não pintar mais o cabelo, apresentando-se de melana branca, espantando os poucos vestígios de juventude que ainda sobreviviam no seu rosto.

              De cabelos brancos e máscara, eu passo por elas e nem as reconheço.

              Já todos nós estávamos preparados para aceitar aquelas mulheres que conforme envelhecem vão ficando loiras, para disfarçar a risca branca das raízes em crescimento. Mal digerido, mas pronto.

Dizem que há 7 motivos para deixar de pintar o cabelo:

1 –Cortar custos;

2 – Diminuir a preocupação da boa apresentação;

3 – Ajudar o seu cabelo a crescer;

4 – Os cabelos ficam mais bonitos e saudáveis;

5 – Mudar o visual;

6 – Favorecer o que é natural;

7 – Dedicar o seu tempo a outras coisas;

              Consulto a web e isto parece ser descrito como um acto de coragem que dignifica a mulher que aproveitou este ano e meio de pandemia e assumiu os seus cabelos brancos. Incrível!! Acto de coragem?!...

              Hummm dizem que o cinza, os cabelos grisalhos, são símbolos de maturidade e personalidade.

(Velhice mudou de nome, agora diz-me maturidade que é algo mais sofisticado e ilusório.)

              Junto desta conversa demagógica publicam as fotos de algumas figuras públicas ou artistas, bem penteadas e maquilhadas, com muito botox e muita hora gasta na maquilhagem (primário, sub-capa, pintura e acabamento) que foram sempre bonitas e serão sempre bonitas, independentemente da cor do cabelo.

              Estes sete motivos merecem o contraditório.

1 – Poupas na tinta e gastas no ácido hialurónico e no esticanço das rugas com linhas invisíveis. 

2- O foco da tua atenção abandona as raízes e passa para as olheiras que ficam maiores com os cabelos alvos. Algumas transportam olheiras tão grandes que parecem olharapos.

3 – Ajuda o cabelo a crescer... para quê se passas a vida a cortar as pontas?

4 – Sim os cabelos ficarão brancos, bonitos e saudáveis...tenho dúvidas, agora todos te olham com rosto de vóvó. Antes, a tua idade ao longe era indefinida, agora, ao longe, todos identificar-te-ão como mulher idosa, para não dizer velha.

5 - Sim mudas, o visual, mas para pior. Deixaste de ser balzaquiana e passaste para a bancada da geriatria;

6 – Nem tudo o que é natural é bom. Quem gosta de ter a mama caída, ou da pelagem da sovaqueira? natural? É, mas não é bom;

7 – Abandonaste o cabeleireiro e ficarás em casa a ver o Preço Certo;

              Pesando as vantagens e os inconvenientes, vou mazé ao cabeleireiro, tingir o cabelo como sempre o fiz.

              O Richard Gere é uma coisa, sempre foi novo, em velho, a Ministra da Cultura é outra coisa bem diferente, parece velha, sendo nova. Gere há só um, aquele e mais nenhum. A ministra está sempre com aspecto de desleixada com cabelo tipo espanador do pó.

              Se o teu marido elogiar o teu novo visual de cabeleira branca, desconfia, será melhor assumires o teu lado de detective para veres o que anda por ali, certamente encontra-se clandestinamente com outra mulher bem mais nova e de cabelo pintado, cheio de madeixas. 

              A teoria dos “negacionistas” da pelagem, não me atingem. Depois vêm aquelas que afirmam que no início é um choque, mas depois habituam-se... desenganem-se, não é como a coca-cola, que primeiro estranha-se, depois entranha-se naaaaa, é como usar fralda, ou aparelho para a apneia do sono. Primeiro olhas para o espelho e não te reconheces, verificas alarmada que os anos passaram e o teu cabelo parece polvilhado por farinha, depois, não te habituas, apenas te conformas, desistes um pouco de viver e convertes-te numa Cruella.

              Ainda estou para saber porque raio os dados dos outros foram parar à Rússia e, porque o povão fica todo feliz com um empate no futebol.

Publicado em NVR em 30/06/2021

28 junho, 2021

il divino


 Os melhores mestres de sempre.

Conheço muitas obras destes meus mestres, ao vivo, em suporte real, fico sempre emocionada e serão sempre experiências multisensorias. Hoje tive oportunidade de viver tudo de novo dentro de um espectáculo multimédia na mostra imersiva que se encontra na Alfândega do Porto. No final as primeiras palavras que disse a quem me acompanhava, foram:

- Sinto-me feliz e agradecida com a vida, por ter oportunidade de viver estes momentos. 

Os melhores mestres de sempre.

Conheço muitas obras destes meus mestres, ao vivo, em suporte real, fico sempre emocionada e serão sempre ricas experiências  multisensorias. Hoje tive oportunidade de viver tudo de novo dentro de um espectáculo multimédia na mostra imersiva que se encontra na Alfândega do Porto. No final as primeiras palavras que disse a quem me acompanhava, foram:

- Sinto-me feliz e agradecida com a vida, por ter oportunidade de viver estes momentos. A minha vida faz todo o sentido.

25 junho, 2021

AS CEGONHAS DA BILA

 


AS CEGONHAS DA BILA

            Tenho acompanhado a vida das cegonhas que moram no ninho da entrada do Jardim da Carreira, através da partilha de vários registos do you tube, que um membro do grupo “Vila Real, Linda Princesa”, realiza quase diariamente.

            Os vídeos possuem títulos interessantes:

            - “Cegonhas ao sol”,” As cegonhas já não cabem do ninho”, “Cegonha bebé faz o primeiro voo”, “Após granizada a cegonha mãe apresenta vermelhão”, “As cegonhas bebés já estão maiores que os pais”, “Cegonhas pachorrentas”, “As paredes do ninho das cegonhas caíram” e por aí fora.

            O casal de cegonhas e a ampliação da família, diáriamente, vão-me ocupando e seduzindo.

            Sabemos que são cegonhas brancas que anteriormente migravam para sítios mais quentes para passar o Inverno, onde a sua alimentação era mais abundante. O Norte de África era o destino, umas ficavam em Marrocos e outras continuavam até à Mauritânia, Mali, Senegal, ou até mesmo à Nigéria. O seu comportamento está a mudar e muitas cegonhas, agora, permanecem o ano todo em Portugal, devido ao aquecimento global – cerca de 20.000. A maioria habita as zonas dos arrozais dos rios Tejo e Sado.

            A sua dieta é composta por insectos, peixes, anfíbios, répteis, pequenos mamíferos e pequenas aves, sendo capturada no chão e, recentemente, a partir dos aterros sanitários. Esta mudança, aumenta a probabilidade da sua sobrevivência, porém, as cegonhas jovens são todas migradoras.

            O casal é sempre o mesmo, já que são monogâmicos. Constroem um ninho grande, com pequenos paus e este será ampliado e melhorado nos anos seguintes.

            Nunca tinha visto um ninho de cegonhas em Vila Real. Em Trás-os-Montes a sua permanência é pouco comum; nidificam na Veiga de Chaves, na zona das Pedras Salgadas, na serra da Coroa e na zona de Miranda do Douro.

            As da Bila escolheram o centro urbano para fazer o ninho, sobre o resto da palmeira existente à entrada de um espaço icónico da cidade. Tenho-me deliciado a observar os preparativos para o primeiro voo das crias.

            Talvez algumas crianças ao ver as cegonhas, irão perguntar se serão elas que lhes irão trazer os irmãos, já que a cegonha, tem esse simbolismo colado, de trazer os recém-nascidos, acrescentando-se, de Paris. A lenda nasceu na Europa, que os recém-nascidos são encontrados em cavernas e são transportados num cesto para os futuros papás. Esta é a crença mais vulgar, mas existem outras que vão enriquecendo o imaginário dos humanos –alimentam os pais envelhecidos, matam os filhotes mais frágeis que não aguentam o voo da migração, a punição da infidelidade da fêmea, entre outras.

            A construção do ninho é realizada com diversos materiais, tais como galhos, folhas, pêlo ou até resíduos produzidos pelo homem. Descobri que há amigos das cegonhas, que tentam atrai-las para junto das suas casas ou até para o telhado das mesmas, facilitando-lhes o trabalho da construção do ninho, optimizando uma estrutura de base circular, com um metro de diâmetro, seguindo-se o entrelaçado de pequenos ramos – a web explica tudo. Alguns acreditam que ter um ninho de cegonha por perto, atrai a paz e a estabilidade financeira da família.

            Bora Lá, mãos à obra!... nunca esqueça que elas são todas criaturas bonitinhas e fofinhas, mas produzem excrementos e fazem alguns barulhos produzidos pela colisão do maxilar e da mandíbula. Estes barulhos fortes parecem castanholas e podem incomodar os esquisitos.

Imagem: https://www.youtube.com/watch?v=FQiyk_sUvok

Publicado em NVR 23/06/2021

23 junho, 2021

20 junho, 2021

NATURALIS

 


CHI PARDELINHA, HUGO E EU em Naturalis

19 junho, 2021

MULHERES


 Projectos que se iniciam...

Um caminho pensado há muito tempo e sem tempo para se concretizar.
Foram necessários 2 confinamentos no meu estirador.
Não sei se gostam.
O rebusco da cultura portuguesa,
                o favorecimento da aguarela de vieux chaine,
                            uma viagem rápida a Viana do Castelo,
                                        uma união feliz.
"Mulheres"
Anabela Quelhas

JANGADA DE PEDRA

 

JANGADA DE PEDRA

Realizador: George Sluizer

Adaptação da obra de José Saramago

*****

17 junho, 2021

Porque a vida é um momento.

Fazer um brake na rotina e sair por aí em boa companhia. Desligar os compromissos e accionar o alto-astral. Subir no funicular até ao Sítio, admirar a capelinha de Nossa Sra da Nazaré. Perceber a malha urbana vista em picado. Visitar a salga do peixe. Apreciar a boa gastronomia da praia da Nazaré, beber uma boa sangria, fazer compras interessantes, ser surpreendia, rir muito e trabalhar para o bronze. Porque a vida é um momento. 



 

12 junho, 2021

BALOIÇO DA NAZARÉ


 BALOIÇO DA NAZARÉ

em boa companhia, muito humor, muito relaxamento e boa comida. 

Uma pausa nas responsabilidades, emergindo do confinamento.

Casa da bonequinha.  

10 junho, 2021

CASA BONEQUINHA

 







Beco dos Cedros N-4, 2450-228 Nazaré