27 agosto, 2026

LEITURAS DE VERANO

 

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26 agosto, 2026

O VOTO DE MINERVA


 O VOTO DE MINERVA

Ao longo da história, a Humanidade tem criado expressões que, de forma criativa e simbólica, representam situações quotidianas, facilitando a comunicação e a compreensão rápida de conceitos complexos. O "voto de Minerva", termo que, actualmente, é utilizado para indicar o voto decisivo, que resolve um empate numa votação, especialmente comum em contextos políticos, judiciais ou administrativos, onde a decisão final pode depender de uma única pessoa com autoridade para desempatar.

A origem do "voto de Minerva" remete à mitologia, embora muitas vezes seja associada erradamente à deusa romana Minerva. Na verdade, a sua origem está na mitologia grega, onde ela é conhecida como Palas Atena, filha de Zeus e Métis. Atena era a deusa da sabedoria, da justiça, da paz e da razão, além de ser patrona das artes, da literatura, da filosofia, da música e das actividades intelectuais. A sua importância na cultura grega é imensa, e muitas histórias mitológicas ilustram a sua sabedoria e o seu sentido de justiça.

A história que realmente consolidou a ideia do "voto de Minerva" acontece na mitologia grega através do julgamento de Orestes, narrado na tragédia "As Euménides", de Ésquilo.

Orestes era filho do rei Agamémnon de Micenas e da rainha Clitemnestra, e irmão mais novo de Ifigénia.

Quando Agamémnon voltava da Guerra de Tróia, foi assassinado pela esposa Clitemnestra e o seu amante, Egisto. Orestes fugiu para Fócida, com medo de que também fosse morto pelo amante da mãe.

Mais tarde, quando já era adulto Orestes recebeu ordens do deus Apolo para se vingar, matando a própria mãe e Egisto. Ele praticou o crime e foi perseguido pelas as Erínias (ou Fúrias), deusas da vingança, que atormentam Orestes pelo matricídio, um crime hediondo. Orestes foge para o oráculo de Delfos, onde Apolo, (que lhe ordenara a vingança) o aconselha a ir à cidade de Atenas , buscar a protecção da deusa Atena. Pouco depois desse período, acabou por ser capturado e julgado.

A questão do homicídio de uma mãe pelo seu filho era um tabu antigo e considerado um crime de sangue, que despertava a ira das Fúrias, ou Erínias, deusas que puniam severamente os crimes de sangue e vingança familiar sobretudo o matricídio.

Atena padroeira da cidade de Atenas, surge antes da execução de Orestes e ordena a realização de um julgamento no local, cria o tribunal do Areópago em Atenas para julgar o caso, instituindo um corpo de juízes formado pelos 12 melhores cidadãos, visando resolver o conflito entre a vingança ancestral e a nova justiça.

O julgamento foi marcado por uma disputa acirrada entre as divindades e as testemunhas humanas, e terminou com um empate, onde os votos estavam divididos. Apolo actua como defensor de Orestes. Argumenta que Clitemnestra cometeu um crime superior ao matar o marido (um rei) e que o vínculo biológico da mãe não é superior ao do pai. Nesse momento decisivo, Atena, agindo como juíza suprema, deu o seu voto de desempate, o "voto de Minerva", que decidiu a absolvição de Orestes.

A decisão de Atena foi fundamental, pois estabeleceu um precedente jurídico importante. A deusa justificou o seu voto dizendo que, apesar do matricídio, ela própria por não ter mãe que a tenha gerado, a sua afinidade está inteiramente com o masculino e com a figura paterna, por isso a justiça deve ser ponderada, racional e capaz de superar a vingança cega.

Com a sua decisão, Atena também transformou as Erínias em Euménides, divindades benevolentes que passaram a proteger a cidade de Atenas, simbolizando a mudança de uma justiça baseada na vingança para uma justiça racional e ponderada.

Esse episódio mitológico é considerado uma das primeiras manifestações do conceito de justiça racional na história ocidental. A história de Orestes e o "voto de Minerva" simbolizam uma transição importante: do direito do mais forte ou da vingança pessoal para a justiça baseada na razão, na lei e na imparcialidade. A decisão de Atena, embora tenha sido tomada por uma deusa, acabou por consolidar a ideia de que, em momentos de dúvida ou empate, a decisão mais sábia e ponderada deve prevalecer — uma lição que perdura até aos dias atuais.

Assim, o "voto de Minerva" transcende o seu significado original, tornando-se símbolo de sabedoria e de decisão justa em momentos de impasse.

Que os deuses te sorriam. Alegra-te! Kairé!

[Emissão “Zeus não dorme”, descubra a mitologia grega na sua vida – Rádio Universidade FM – 24|25|26 de Julho de 2026]

Publicado em NVR 26|08|2026

"ALLEGRO" - Vinícius de Moraes


https://voca.ro/1gquBYMzJBKy

Voz: Graça Vilela

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19 agosto, 2026

Humor galego


 

"ROSTOS FINOS"- Graça Vilela

 


"ROSTOS FINOS"- Graça Vilela

https://voca.ro/18xSihMwH57Y

Voz: Graça Vilela

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FICAR EM PÂNICO

 

FICAR EM PÂNICO

A expressão “ficar em pânico” possui uma origem profundamente enraizada na mitologia grega, reflectindo uma antiga associação entre O medo súbito e as forças sobrenaturais. O termo “pânico” deriva do grego “Panikós”, relacionado com o deus Pã, uma divindade que personificava o medo repentino e avassalador, especialmente na natureza selvagem das florestas e das montanhas. Para compreender essa conexão, é fundamental explorar a mitologia de Pã e a evolução do conceito ao longo do tempo até a sua incorporação na linguagem moderna e na psiquiatria.

Na mitologia grega, Pã era considerado o deus dos pastores, dos rebanhos, das florestas e das áreas selvagens. A sua filiação é controversa. Supostamente, era filho de Hermes, o deus mensageiro, e de uma filha de Dríope. Quando nasceu a sua mãe ficou assustada ao ver o aspecto do seu filho recém-nascido (grotesco, semi-animalesco, com patas, cascos e chifres de bode, rosto disforme com a pele enrugada e o cabelo desgrenhado).

Hermes embrulhou então o pequeno monstro numa pele de lebre e levou-o para a montanha sagrada, o Olimpo, morada dos deuses. Ali o pôs ao lado de Zeus, mostrando-o aos outros deuses. Estes ficaram felizes ao ver a estranha criança divina, principalmente Dionísio, que mais tarde o integrou no seu ruidoso e caótico cortejo, pois era muito parecido com Sileno ou com os Sátiros.

O seu nome, Pã, foi-lhe dado pelos deuses olímpicos. Pan significa "tudo" (embora este termo nada tenha a ver com o deus).

A sua aparência semi-animalesca, com patas, chifres, rosto disforme e cabelos desgrenhados, reflectia a sua ligação com o mundo natural e o instinto primário e selvagem. Segundo as lendas, Pã possuía uma habilidade especial: o seu grito ou sopro podia provocar um medo súbito e irracional a quem o ouvisse, causando uma sensação de terror intenso e inesperado – o que, na antiguidade, foi interpretado como um “pânico” provocado por uma força divina ou sobrenatural.

A narrativa conta que Pã habitava regiões isoladas, como as florestas do Peloponeso, e que o seu grito podia assustar viajantes, caminhantes e até tropas em batalha. Essa capacidade de induzir medo repentino levou os gregos a associar o seu nome à experiência de terror súbito e inexplicável. Também é frequentemente associado à fertilidade, à Primavera e, fundamentalmente, a um insaciável apetite sexual. Representado como um sátiro (metade homem, metade bode), Pã simboliza o impulso sexual selvagem e descontrolado, assediando ninfas e rapazes, sendo também associado a práticas de bestialidade, como retratado em esculturas romanas.

Assim, a palavra “Panikós” passou a referir-se tanto ao deus quanto ao medo avassalador que ele simbolizava. Com o tempo, “pânico” passou a designar qualquer estado de medo intenso e descontrolado, seja na mitologia ou na linguagem quotidiana.

Ao longo dos séculos, o conceito de pânico evoluiu de uma força mítica para uma condição psicológica reconhecida na medicina e na psiquiatria. No século XIX, Sigmund Freud classificou o transtorno do pânico inicialmente como uma “neurose ansiosa”, caracterizada por ataques inesperados de ansiedade intensa. Esses ataques, que hoje chamamos de crises de pânico, aparecem de forma súbita, sem aviso prévio, dominando a vida do indivíduo que os sofre.

Os sintomas do transtorno do pânico incluem taquicardia, sudorese, tremores, sensação de falta de ar ou sufocamento, dor ou desconforto torácico, náusea, tontura, alucinação, despersonalização, formigamento, calafrios ou ondas de calor, além de medo de perder o controle, enlouquecer ou morrer. Esses sintomas aparecem de forma recorrente e inesperada, gerando um ciclo de ansiedade antecipatória — o “medo do medo” — que leva o indivíduo a evitar ambientes onde já experimentou esse medo, prejudicando a sua rotina social, profissional e emocional.

A associação com a mitologia é relevante não só pela origem etimológica, mas também pelo simbolismo do medo como uma força que surge de forma imprevisível, dominando a pessoa e afectando a sua qualidade de vida. O transtorno do pânico, portanto, não representa apenas uma resposta emocional, mas uma condição clínica que requer atenção e tratamento adequado.

A compreensão da origem do termo “pânico” ajuda a humanizar o fenómeno, reconhecendo-o como uma experiência antiga, mas ainda muito presente na vida moderna.

Que os deuses te sorriam. Alegra-te! Kairé!

[Emissão “Zeus não dorme”, descubra a mitologia grega na sua vida – Rádio Universidade FM – 10|11|12 de Julho de 2026]

Publicado em NVR 19|08|2026

15 agosto, 2026

12 agosto, 2026

"SAUDADES DO CORAÇÃO" - Fausto Guedes Teixeira


https://voca.ro/14MWdqov2tEP

Voz: Manuel Afonso

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AFRODISÍACOS


 

AFRODISÍACOS

Quando se ouve a palavra "afrodisíaco", alguns pensam que é uma palavra com origem em África, mas não, “Afrodisíaco” é directa e etimológicamente derivada do nome da deusa grega do amor, da beleza e da sexualidade, denominada por Afrodite.

A palavra “afrodisíaco” refere-se a substâncias ou actos que estimulam o desejo sexual, sendo uma herança cultural da Grécia Antiga.

Em Zeus não dorme, já se referiu a deusa Afrodite e hoje vamos explorar melhor a sua origem e as suas capacidades.

Afrodite é a deusa do amor, desejo e atracção, sendo muitas vezes considerada uma personificação da paixão e do prazer sexual. A sua origem mitológica remonta à sua alegórica relação com a fertilidade e a atracção amorosa, elementos essenciais nas culturas antigas para promover a continuidade da vida e da prosperidade.

Quem não se lembra da célebre pintura de Boticelli “O Nascimento de Afrodite”, ou Vénus para os romanos, que está exposta na Galeria Uffizi em Florença, Itália? A pintura representa a deusa emergindo do mar sobre uma concha, já mulher aparentemente adulta, conforme descrito na mitologia grega. Afrodite está nua em pose púdica, estilizada com formas alongadas, cabelo ruivo comprido, tentando tapar a nudez com as mãos e o cabelo, e olhar melancólico.

Agora vamos ainda mais atrás.

Afrodite nasceu do sangue de Urano, cujo sexo foi cortado pelo seu filho Cronos, e caiu ao mar. O esperma, que daí correu, misturou-se com a espuma das ondas e deu origem a Afrodite.

Também é tia de Zeus e é certamente a mais bonita e mais bondosa das deusas.

Casa-se com Hefesto um sobrinho neto, deus coxo, o que não constitui problema no mundo dos deuses.

Teve vários amantes, incluindo Áres, deus da guerra, do qual gerou o filho Eros. Afrodite além de ser bela, é charmosa e possui muito poder de sedução. Como divindade do amor exerce poder sobre todos os homens e sobre todos os deuses incluindo Zeus, este apesar de ser o deus todo poderoso passou parte da vida a perseguir o amor. Apenas três deusas resistem a Afrodite, porque pretendem permanecer virgens, Atenas deusa da guerra, Árthemis que prefere dedicar-se à caça, e Héstia deusa do lar. Todos os outros deuses cedem à lógica do amor de Afrodite. Zeus um dia resolve vingar-se, fazendo com que ela se apaixone, para saber o que é sofrer por amor.

Afrodite apaixona-se perdidamente, pelo jovem e belo Anquises, do qual tem um filho Eneias, figura da Guerra de Troia e cujo descendente é Rómulo, fundador de Roma.

Historicamente, diversas culturas associaram certos alimentos, plantas e substâncias ao despertar do desejo sexual, muitas vezes ligados às divindades do amor. Na Grécia antiga, por exemplo, alguns ingredientes considerados afrodisíacos eram usados em rituais religiosos e celebrações em homenagem a Afrodite.

O uso de certas especiarias, óleos aromáticos como o olíbano, e de plantas como a fenugreca e alimentos como tâmaras, mel, e frutos-do-mar, que simbolizavam a fertilidade e o prazer, refletem uma conexão simbólica com a deusa.

Em suma, a relação entre afrodisíacos e Afrodite é profundamente enraizada na simbologia da deusa como personificação do amor e da atracção. Essa conexão perpassa séculos de história, refletindo a universalidade do desejo e a sua veneração através das práticas religiosas e culturais em torno de Afrodite.

Que os deuses te sorriam. Alegra-te! Kairé!

[Emissão “Zeus não dorme”, descubra a mitologia grega na sua vida – Rádio Universidade FM – 26|27|28 de Junho de 2026]

Publicado em NVR 12|08|2026

08 agosto, 2026

Pintura AQ

 


Pintura AQ

Mercado Central de Valência

Mercado Central de Valencia, projectado em 1914, inaugurado em 1928.

È um dos maiores mercados da europa, marcante pela arquictura modernista.

Visitei de noite, o que permite um olhar mais enigmático.

A cobertura é constituída por originais cúpulas e telhados inclinados em diferentes alturas, enquanto o interior aparece revestido com diferentes materiais como ferro, madeira, cerâmica e azulejos policromados.

Foi desenhado pelos arquitetos Alexandre Soler i March e Francesc Guàrdia i Vial.

(Diário de Viagem AQ)