10 julho, 2021

07 julho, 2021

REFLEXÃO VADIA

 

REFLEXÃO VADIA 

            Continuo enfastiada com o melodrama do ministro Cabrita, preocupada com o avanço da COVID, gosto de políticos independentes, veremos se irei continuar a apreciar Rui Moreira e sou fã métodos nitidamente intimidatórios do Juiz Carlos Alexandre... que querem, aprecio o estilo! Mas não me apetece escrever sobre isso.

            Na semana passada escrevi sobre esta mania recente das mulheres assumirem os seus cabelos brancos e agora vou escrever sobre os paradigmas masculinos, nesta reflexão vadia.

            Há muitos, muitos anos, um actor de cinema apareceu no ecrã para representar “Nove semanas e meia”. Usava uma barba mal feita de 3 dias. Actor despojado com estilo largadão, que fez suspirar as mulheres jovens. Homens novos, ficam bem com barba, sem barba, com bigode, com barba de 3 dias. O ar juvenil é que lhes confere alguma beleza. Este queria ir além disso, exteriorizando rebeldia com meia dúzia de pêlos a jogar à sueca sobre o seu rosto.

            A barba de 3 dias virou moda, não por parecer bem, mas, porque os homens são tremendamente preguiçosos e juntaram o útil ao supostamente agradável.

            45% dos homens preferem a barba por fazer – a preguiça soma e segue, sempre são 10 minutos que se poupam logo de manhã.

            Ao longo dos anos, a moda foi acertando a barba aos homens. Nas fotos antigas, os nossos bisavós aparecem com uma longa barba, símbolo de respeito e dignidade. Folheando os álbuns da família irão aparecer os homens de bigodinho fino ou estilo victoriano (os galãs, tipo Clark Gable), os homens de bigode revirado para cima ou guiador de bicicleta (bigode para vaidoso e excêntrico, tipo Salvador Dali), os barbudos dos anos 60 e 70 (os revolucionários, tipo Che), os bigodes farfalhudos, ou chevro, ou piaçaba (os pingamores canastrões, tipo Mastroianni), o bigode ferradura (para homens que nunca riem, tipo Charles Bronson), as super patilhas (suíça em forma de costeleta, tipo Ramalho Eanes,) o bigode âncora (com mosca, pêra e bigode, tipo Johnny Depp) e finalmente a barba da preguiça, que alguns acham muito charmosa - confessem a vossa ignorância sobre a arte pilosa facial!

            Uma barba de preguiça depois dos 50 anos, começa a branquear e envelhece. Há muitas décadas, um homem assim, nesse estado, só era possível e tolerável quando estava doente no hospital. Um homem de barba feita apresenta um ar muito mais jovem e saudável do que um barbudo.

            Diziam que beijar um homem sem bigode é como olhar para um jardim sem flores... Claro que isto é uma fake, uma teoria inventada por um homem com bigode.

            A empresa Gillette questionou várias mulheres e parece que as mulheres consideram os homens barbudos pouco atraentes ... claro que questionário de empresa que vende lâminas de barbear tinha que terminar assim, porém, há que considerar que toda a mulher gosta de um beijo bem dado, do tipo desentupidor de pia, ou seja, um beijo picante... mas, nunca confunda picante, com picante, ou seja, o picante fogoso, não quer dizer que de facto pica e arranha, provocando danos à cútis feminina. 

            A barba pode disfarçar a feiura e um bigode farfalhudo disfarça a cremalheira. Homens de corta palha exagerado, usem bigode!

            Uma barba pode ser o armazém dos restos da refeição, o microclima das bactérias, o habitat dos virús, o viveiro de ácaros e o paraíso dos fungos. É difícil realizar uma higienização adequada do rosto fora de casa e durante a rotina de trabalho, por isso em tempos COVID é fácil perceber que o corte e raspagem da barba é o mais indicado.

            A barba serve para disfarçar as rugas de expressão e as rugas da idade. Será que interessa esconder as rugas, se depois a calvice não engana e o perímetro do abdómen excede os 102 cm???

            A revista Super Interessante, na secção Ciência Maluca, refere que ter barba faz bem a saúde porque protege o portador de alergias e tosse e ainda é um protector solar. Os investigadores chegam à conclusão que o bigode serve como uma barreira de proteção contra as bactérias trazidas pela poeira, ou seja, faz um prolongamento dos pelos do interior do nariz, que tem a mesma função... lembrem-se disto antes de dar um chocho a um bigodudo!!!! Shlep!

            A Ciência Maluca assegura que, se a barba for longa e cobrir parte do pescoço, as inflamações na garganta podem durar menos tempo, porque a barba deixa a região mais aquecida. E eu acrescento que os cantores poderão evitar o cachecol para proteger as cordas vocais, se tiverem barba.

            NÃO SE ENTUSIASMEM!

            Um estudo europeu revela que a barba de um homem tem mais bactérias do que o pêlo de um cão que não toma banho diariamente.

Publicado em NVR - 07/07/2021

05 julho, 2021

02 julho, 2021

30 junho, 2021

CABELOS BRANCOS

 

Cabelos brancos

              Não me apetece escrever sobre futebol, coca-cola que vale milhões, estupidezes do Medina e do seu adversário, proteção de dados, acidente do outro, que atropelou um individuo na A6 (por onde passa é só desgraças, vá de retro!), travão do desconfinamento, serviços públicos fora de Lisboa e Porto, que mesmo estando protegidos por acrílicos, só atendem por marcação através de um telefone que ninguém atende...

              Tenho encontrado mulheres que optaram por não pintar mais o cabelo, apresentando-se de melana branca, espantando os poucos vestígios de juventude que ainda sobreviviam no seu rosto.

              De cabelos brancos e máscara, eu passo por elas e nem as reconheço.

              Já todos nós estávamos preparados para aceitar aquelas mulheres que conforme envelhecem vão ficando loiras, para disfarçar a risca branca das raízes em crescimento. Mal digerido, mas pronto.

Dizem que há 7 motivos para deixar de pintar o cabelo:

1 –Cortar custos;

2 – Diminuir a preocupação da boa apresentação;

3 – Ajudar o seu cabelo a crescer;

4 – Os cabelos ficam mais bonitos e saudáveis;

5 – Mudar o visual;

6 – Favorecer o que é natural;

7 – Dedicar o seu tempo a outras coisas;

              Consulto a web e isto parece ser descrito como um acto de coragem que dignifica a mulher que aproveitou este ano e meio de pandemia e assumiu os seus cabelos brancos. Incrível!! Acto de coragem?!...

              Hummm dizem que o cinza, os cabelos grisalhos, são símbolos de maturidade e personalidade.

(Velhice mudou de nome, agora diz-me maturidade que é algo mais sofisticado e ilusório.)

              Junto desta conversa demagógica publicam as fotos de algumas figuras públicas ou artistas, bem penteadas e maquilhadas, com muito botox e muita hora gasta na maquilhagem (primário, sub-capa, pintura e acabamento) que foram sempre bonitas e serão sempre bonitas, independentemente da cor do cabelo.

              Estes sete motivos merecem o contraditório.

1 – Poupas na tinta e gastas no ácido hialurónico e no esticanço das rugas com linhas invisíveis. 

2- O foco da tua atenção abandona as raízes e passa para as olheiras que ficam maiores com os cabelos alvos. Algumas transportam olheiras tão grandes que parecem olharapos.

3 – Ajuda o cabelo a crescer... para quê se passas a vida a cortar as pontas?

4 – Sim os cabelos ficarão brancos, bonitos e saudáveis...tenho dúvidas, agora todos te olham com rosto de vóvó. Antes, a tua idade ao longe era indefinida, agora, ao longe, todos identificar-te-ão como mulher idosa, para não dizer velha.

5 - Sim mudas, o visual, mas para pior. Deixaste de ser balzaquiana e passaste para a bancada da geriatria;

6 – Nem tudo o que é natural é bom. Quem gosta de ter a mama caída, ou da pelagem da sovaqueira? natural? É, mas não é bom;

7 – Abandonaste o cabeleireiro e ficarás em casa a ver o Preço Certo;

              Pesando as vantagens e os inconvenientes, vou mazé ao cabeleireiro, tingir o cabelo como sempre o fiz.

              O Richard Gere é uma coisa, sempre foi novo, em velho, a Ministra da Cultura é outra coisa bem diferente, parece velha, sendo nova. Gere há só um, aquele e mais nenhum. A ministra está sempre com aspecto de desleixada com cabelo tipo espanador do pó.

              Se o teu marido elogiar o teu novo visual de cabeleira branca, desconfia, será melhor assumires o teu lado de detective para veres o que anda por ali, certamente encontra-se clandestinamente com outra mulher bem mais nova e de cabelo pintado, cheio de madeixas. 

              A teoria dos “negacionistas” da pelagem, não me atingem. Depois vêm aquelas que afirmam que no início é um choque, mas depois habituam-se... desenganem-se, não é como a coca-cola, que primeiro estranha-se, depois entranha-se naaaaa, é como usar fralda, ou aparelho para a apneia do sono. Primeiro olhas para o espelho e não te reconheces, verificas alarmada que os anos passaram e o teu cabelo parece polvilhado por farinha, depois, não te habituas, apenas te conformas, desistes um pouco de viver e convertes-te numa Cruella.

              Ainda estou para saber porque raio os dados dos outros foram parar à Rússia e, porque o povão fica todo feliz com um empate no futebol.

Publicado em NVR em 30/06/2021

28 junho, 2021

il divino


 Os melhores mestres de sempre.

Conheço muitas obras destes meus mestres, ao vivo, em suporte real, fico sempre emocionada e serão sempre experiências multisensorias. Hoje tive oportunidade de viver tudo de novo dentro de um espectáculo multimédia na mostra imersiva que se encontra na Alfândega do Porto. No final as primeiras palavras que disse a quem me acompanhava, foram:

- Sinto-me feliz e agradecida com a vida, por ter oportunidade de viver estes momentos. 

Os melhores mestres de sempre.

Conheço muitas obras destes meus mestres, ao vivo, em suporte real, fico sempre emocionada e serão sempre ricas experiências  multisensorias. Hoje tive oportunidade de viver tudo de novo dentro de um espectáculo multimédia na mostra imersiva que se encontra na Alfândega do Porto. No final as primeiras palavras que disse a quem me acompanhava, foram:

- Sinto-me feliz e agradecida com a vida, por ter oportunidade de viver estes momentos. A minha vida faz todo o sentido.

25 junho, 2021

AS CEGONHAS DA BILA

 


AS CEGONHAS DA BILA

            Tenho acompanhado a vida das cegonhas que moram no ninho da entrada do Jardim da Carreira, através da partilha de vários registos do you tube, que um membro do grupo “Vila Real, Linda Princesa”, realiza quase diariamente.

            Os vídeos possuem títulos interessantes:

            - “Cegonhas ao sol”,” As cegonhas já não cabem do ninho”, “Cegonha bebé faz o primeiro voo”, “Após granizada a cegonha mãe apresenta vermelhão”, “As cegonhas bebés já estão maiores que os pais”, “Cegonhas pachorrentas”, “As paredes do ninho das cegonhas caíram” e por aí fora.

            O casal de cegonhas e a ampliação da família, diáriamente, vão-me ocupando e seduzindo.

            Sabemos que são cegonhas brancas que anteriormente migravam para sítios mais quentes para passar o Inverno, onde a sua alimentação era mais abundante. O Norte de África era o destino, umas ficavam em Marrocos e outras continuavam até à Mauritânia, Mali, Senegal, ou até mesmo à Nigéria. O seu comportamento está a mudar e muitas cegonhas, agora, permanecem o ano todo em Portugal, devido ao aquecimento global – cerca de 20.000. A maioria habita as zonas dos arrozais dos rios Tejo e Sado.

            A sua dieta é composta por insectos, peixes, anfíbios, répteis, pequenos mamíferos e pequenas aves, sendo capturada no chão e, recentemente, a partir dos aterros sanitários. Esta mudança, aumenta a probabilidade da sua sobrevivência, porém, as cegonhas jovens são todas migradoras.

            O casal é sempre o mesmo, já que são monogâmicos. Constroem um ninho grande, com pequenos paus e este será ampliado e melhorado nos anos seguintes.

            Nunca tinha visto um ninho de cegonhas em Vila Real. Em Trás-os-Montes a sua permanência é pouco comum; nidificam na Veiga de Chaves, na zona das Pedras Salgadas, na serra da Coroa e na zona de Miranda do Douro.

            As da Bila escolheram o centro urbano para fazer o ninho, sobre o resto da palmeira existente à entrada de um espaço icónico da cidade. Tenho-me deliciado a observar os preparativos para o primeiro voo das crias.

            Talvez algumas crianças ao ver as cegonhas, irão perguntar se serão elas que lhes irão trazer os irmãos, já que a cegonha, tem esse simbolismo colado, de trazer os recém-nascidos, acrescentando-se, de Paris. A lenda nasceu na Europa, que os recém-nascidos são encontrados em cavernas e são transportados num cesto para os futuros papás. Esta é a crença mais vulgar, mas existem outras que vão enriquecendo o imaginário dos humanos –alimentam os pais envelhecidos, matam os filhotes mais frágeis que não aguentam o voo da migração, a punição da infidelidade da fêmea, entre outras.

            A construção do ninho é realizada com diversos materiais, tais como galhos, folhas, pêlo ou até resíduos produzidos pelo homem. Descobri que há amigos das cegonhas, que tentam atrai-las para junto das suas casas ou até para o telhado das mesmas, facilitando-lhes o trabalho da construção do ninho, optimizando uma estrutura de base circular, com um metro de diâmetro, seguindo-se o entrelaçado de pequenos ramos – a web explica tudo. Alguns acreditam que ter um ninho de cegonha por perto, atrai a paz e a estabilidade financeira da família.

            Bora Lá, mãos à obra!... nunca esqueça que elas são todas criaturas bonitinhas e fofinhas, mas produzem excrementos e fazem alguns barulhos produzidos pela colisão do maxilar e da mandíbula. Estes barulhos fortes parecem castanholas e podem incomodar os esquisitos.

Imagem: https://www.youtube.com/watch?v=FQiyk_sUvok

Publicado em NVR 23/06/2021

23 junho, 2021

20 junho, 2021

NATURALIS

 


CHI PARDELINHA, HUGO E EU em Naturalis

19 junho, 2021

MULHERES


 Projectos que se iniciam...

Um caminho pensado há muito tempo e sem tempo para se concretizar.
Foram necessários 2 confinamentos no meu estirador.
Não sei se gostam.
O rebusco da cultura portuguesa,
                o favorecimento da aguarela de vieux chaine,
                            uma viagem rápida a Viana do Castelo,
                                        uma união feliz.
"Mulheres"
Anabela Quelhas

JANGADA DE PEDRA

 

JANGADA DE PEDRA

Realizador: George Sluizer

Adaptação da obra de José Saramago

*****

17 junho, 2021

Porque a vida é um momento.

Fazer um brake na rotina e sair por aí em boa companhia. Desligar os compromissos e accionar o alto-astral. Subir no funicular até ao Sítio, admirar a capelinha de Nossa Sra da Nazaré. Perceber a malha urbana vista em picado. Visitar a salga do peixe. Apreciar a boa gastronomia da praia da Nazaré, beber uma boa sangria, fazer compras interessantes, ser surpreendia, rir muito e trabalhar para o bronze. Porque a vida é um momento. 



 

12 junho, 2021

BALOIÇO DA NAZARÉ


 BALOIÇO DA NAZARÉ

em boa companhia, muito humor, muito relaxamento e boa comida. 

Uma pausa nas responsabilidades, emergindo do confinamento.

Casa da bonequinha.  

10 junho, 2021

CASA BONEQUINHA

 







Beco dos Cedros N-4, 2450-228 Nazaré


28 maio, 2021

PROJECTO MOSE

 


Projecto Mose

              Veneza é Veneza e eu pretendo lá voltar, para conhecer com mais detalhe os pequenos canais e observar melhor, um pouco fora dos principais percursos turísticos, a vida dos venezianos.

              Ontem passou um programa na TV sobre o eterno problema de Veneza, denominado, subida das marés provocando inundações e obrigando os turistas a passear de galochas. Percebi que há um projecto de engenharia que tentar salvar Veneza da submersão, já que, desde 1987 afundou 30 cm, ou seja, mais de 1cm por ano.

              Curiosamente o projecto de engenharia denomina-se “Mose”, associando-o a um protagonista religioso do Velho Testamento, chamado Moisés. Dizem que o profeta dividiu a água do Mar Vermelho permitindo a fuga do povo hebreu da perseguição do governo egípcio.

              Anteriormente os projetos para salvar Veneza baseavam-se em soluções aplicadas aos edifícios - solidificar as fundações das construções com betão armado ou tentar elevá-las do subsolo. Actualmente o projecto Mose inverte o problema com outra perspectiva sobre a solução. O projecto já esta feito e a fase da execução está concluída - um sistema de barragens e comportas metálicas, já tão utilizadas em outras situações menos complexas. Uma enorme barragem, formada por várias comportas são o sistema “simplificado” a aplicar permite não mexer na cidade e sim, mexer na água, daí o nome bíblico. A resolução de problemas encontra-se por vezes na desconstrução do mesmo e da sua envolvente, porque nem sempre as melhores soluções são as mais óbvias.

              São dezenas de barreiras móveis com trinta metros de comprimento e trezentas toneladas cada, estrategicamente posicionadas nas três aberturas que ligam a Lagoa de Veneza ao Mar Adriático. Este projecto de engenharia civil é tão fantástico, que o seu conceito e estratégia têm inspirado outras equipas de engenheiros, preocupados em resolver problemas relacionados com a água, tanto em Londres como em Amesterdão.

              Segundo o livro do Êxodo o profeta levantou os braços e conseguiu dividir as águas do Mar Vermelho para o seu povo atravessar. Hoje dizem que não foi o Mar Vermelho e sim o delta do Rio Nilo, explicando o investigador do Centro Nacional para a Pesquisa Atmosférica norte-americano, Carl Drews que, "... a descrição da separação das águas tem por base leis da física", atribuídas à acção do vento. “...um vento de leste a soprar a uma velocidade de um pouco mais de cem quilómetros por hora, durante oito horas, teria permitido afastar as águas (com 1,8 metros de profundidade). Uma faixa de terra lamacenta entre 3,2 e 4 quilómetros de comprimento e 4,8 quilómetros de largura teria ficado a descoberto durante quatro horas, com duas paredes de água de ambos os lados. Assim que o vento parasse, o caminho teria ficado alagado.”

              Em Veneza não existe o tal vento, portanto foi necessário o recurso da engenharia civil, certamente mais eficaz e duradouro.

              Para conter as marés de tempestades, a instalação de 78 comportas metálicas submersas deverá impedir as três entradas da laguna de Veneza. Elas são retrácteis e, quando necessário, sobem até à superfície para evitar que a água do Mar Adriático inunde a cidade. Este é o maior projecto de infraestruturas da Itália, para dividir o mar e salvar Veneza.

              A barreira referida foi testada pela primeira vez em 2020, já com efeitos positivos – Mose impediu as inundações da tempestade Alex.

              Como estamos em Viana do Castelo, Espinho, Figueira da Foz, Lisboa e Vila Franca de Xira? Esperamos tranquilamente até 2050?

Publicado em NVR 26/05/2021

22 maio, 2021

O CASAMENTO WILDE


"O CASAMENTO WILDE"

Realizador: Damian Harris,

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20 maio, 2021

LIVROS

 

LIVROS         

            Ainda não sabia ler e já via a História da Carochinha, num livro de tecido da Majora Editora e como tinha imagens, as letras sempre se posicionavam direitas. Foi assim que os livros começaram a fazer parte da minha vida.

            Entrei para o mundo da leitura através da ilustração, fui devoradora dos livros de banda desenhada, naquela época em que diziam que a banda desenhada escrita em brasileiro não era aconselhada, porque passaríamos a escrever mal o português. Como naquela época eu falava Lusumbundu ou Angolês, não foi um factor determinante na minha formação.  Fui fã do casal Maga Patalógica / Mancha Negra, do Peninha e do Biquinho e obviamente do Super-Homem.

            O livro sempre foi uma companhia e um cúmplice do meu relaxamento.  Tenho a mania de ler em vários lugares e sempre que viajo, preocupo-me com o que quero ler, para colocar de imediato, o livro na mala, evitando esquecimento de última hora. Nunca consegui adormecer sem ser aconchegada entre as palavras escritas, que formam a ante-câmara dos braços de Morfeu. E confesso, sou daquelas que fico a segurar o livro após adormecer até as minhas tendinites reclamarem. Também dobro as folhas no canto superior. Que escândalo! é verdade. Sou uma leitora desorganizada que nem sempre tem um marcador de livro junto de si.

            Tive uma fase de deslumbramento, quando na entrada na idade adulta descobri a escrita de Simone de Beauvoir e do surrealista de Boris Vian, aquilo era outro nível! Éramos 3 amigos, que em qualquer lado, nos sentávamos a ler e depois passávamos horas a trocar opiniões sobre o que liamos, construindo uma leitura mais reflexiva.

            Pertenço àquele grupo um pouco “disléxico” que quando pega pela primeira vez num livro, o abre no fim e começa a folhear do fim para o princípio. Assino com o livro na horizontal e por vezes escrevo a data em que terminei a leitura, na última página.

            Tenho uma amiga que escrevinha tudo o que lê e já me disse, que antes de morrer, quer destruir todos os seus livros devido à escrita paralela e comentada, que certamente revelará muito de si.

            Raramente escrevo nas margens dos livros, recentemente sublinho algumas frases quando as palavras se harmonizam de forma poética e criativa; curiosamente são sempre autores portugueses. A propósito, na poesia, só leio autores lusófonos. Só as palavras portuguesas me emocionam.

            Gosto de cheirar um livro novo, mas confesso que já não o faço, num livro já lido por outra pessoa, imaginando a pegada de outro leitor, entre linhas, alterando o odor original. Detesto quem molha o dedo com saliva para folhear. Não gosto de ler um livro duas vezes, para mim, a leitura deve progredir para um final desconhecido. Também não gosto de badanas... são manias.

            Não gosto de livros de autores orientais, porque tenho imensa dificuldade em memorizar os nomes das personagens.

            Conforme avanço na idade, começo a apreciar um livro com letras maiores!!! Letras gordas, como dizem, não cansam a vista.      

            Tenho livros especiais – o de tecido, os sensoriais, o de braille, o livro objecto, o livro musical, o livro das letras 3D, o livro espelho, o livro xadrez, o livro reflexos, o livro do tempo, os pop up books, os string books, e flipbooks (lamento vão informar-se na web), o livro das horas, o livro quadro, os livros sem bonecos, os livros de ilustração cientifica, os livros de arquitectura, os livros de fotografia, os livros de animais, os de humor, os livros de filosofia... tenho um livro com as dimensões de 4X4X4 sobre o Mar e tenho um, ainda mais minúsculo, um mini dicionário de Francês-Português. Depois tenho todos os livros do Lobo Antunes e do Jorge Amado... porque sim!  e um diário com poucas folhas escritas, que parece um livro secreto com chave e aloquete.

            O aspecto gráfico do livro é muito importante. Tenho um livro que é uma obra de arte das artes gráficas. Não é propriamente um livro... é o catálogo da exposição “Fernando Pessoa - Plural como o Universo", que ocorreu na Fundação Calouste Gulbenkian em 2012. É um prazer apreciar a composição gráfica de cada página.

            Gosto de livros em papel mate. E gosto de livros assinados pelo autor. A mais bonita assinatura que tenho, pertence a Ondjaki, que assinou desenhando uma flor, tão feminina e tão carinhosamente dedicada a mim.

            Quando era criança, tinha os livros para colorir, há alguns anos criaram os moleskines, tão bonitinhos.

            Já escrevi um livro e já ensinei a fazer um livro gigante, onde cada folha era um lençol, permitindo às crianças deitarem-se dentro dele.

            Os livros para além de servirem para ler podem ter outras utilidades. Quando um livro já não nos interessa, ou já está ultrapassado, podemos reutilizá-lo como um volume objecto. Há dias a perna de uma cama partiu, e a enciclopédia britânica deu-me muito jeito para calçar a cama enquanto o carpinteiro não a veio restaurar. As páginas amarelas, dão para fazer cartuxos para as castanhas assadas no S. Martinho e para fazer verdadeiras esculturas com aproveitamento do livro aberto ou para fazer art quilling. Lembro-me de uma peixeira que vendia sardinhas e embrulhava-as nas ditas páginas com números de telefone.

            Há livros amaldiçoados – não descansei enquanto não li o livro de São Cipriano, passando rapidamente da expectativa juvenil à decepção. Antigamente havia livros proibidos, porque poderiam pôr em causa o regime político – convinha manter um povo ignorante e adormecido.

            Maio costumava ser o mês da feira do livro. Quando vivia no Porto aguardava com muita ansiedade esta feira, localizada no Palácio de Cristal, na Boavista ou nos Aliados. Passava por lá várias vezes, o dinheiro não abundava e escolhia criteriosamente o que comprava e lia compulsivamente. Até forrava as capas com plástico. Hoje compro livros ao longo do ano, e vão ficando em fila de espera até surgir a oportunidade da leitura.

            Há dias li “O vício dos livros” de Afonso Cruz, onde refere que Gabriela Cabal, pensa que os livros afastam a morte, ou seja, se estivermos a ler, a morte entretém-se a ver o que estamos a ler e distrai-se. Estou com sorte porque tenho sempre livros a meio, cuja conclusão vai sendo adiada Segundo esta teoria isso irá favorecer a minha longevidade. Lendo, vivemos mais do que uma vez, porque vivemos a vida descrita de cada personagem.

            Como trabalho numa biblioteca já encontrei várias coisas no interior dos livros – lembretes, poemas de amor, amores-perfeitos e papoilas meio secos, uma fita azul bebé, uma folha dobrada da publicidade de um supermercado, o recibo de compra, um cartão de cidadão, um desenho infantil...

            Um livro nunca se empresta, porque normalmente há dificuldades de retorno. Prefiro dar, do que emprestar. Odeio perceber que me falta um livro, e já nem sei a quem emprestei. Gosto que me ofereçam cheques para adquirir livros.

            Aprecio filas duplas de livros em estantes. O reencontro é sempre agradável. Tenho livros organizados por alturas, por épocas, por assuntos, por autores e finalmente livros desorganizados... daqui se conclui que os meus livros habitam o caos. Depois tenho os livros em PDF, uns legais outros clandestinos, recolhidos na ilusão que iria aliviar a minha bagagem nas férias... só teria que levar o tablet... descobrir que enjoo a ler num tablet, e não me consigo aconchegar às palavras digitais – inquieta-me que o tablet possa escorregar das minhas mãos e partir as palavras.

Publicados em NVR 19/05/2021


18 maio, 2021

DRESS A GIRL


Estou neste projecto desde Outubro de 2018. 

Vestir meninas e meninos carenciados por esse mundo fora é o objectivo.

Isto funciona porque é uma cadeia e faço parte dela.

Uns opinam, têm intenção de.... e nós fazemos ou arranjamos condições para se fazer.

Ver aqui

13 maio, 2021

URIAH HEEP

 


Hoje alguém me recordou esta música. Grata. 

12 maio, 2021

O FATO QUE NUNCA VESTIMOS

 




momentos simbólicos e marcantes

há 4 anos numa data com significado, entretanto já saiu o segundo volume e o terceiro está pronto para sair.

11 maio, 2021

ESCRAVIDÃO

 


ESCRAVIDÃO

          A escravidão existe desde há milhares de anos. Constituía uma prática comum e banal, o ser humano assumir propriedade sobre outro ser humano, este último, denominado por escravo. Este, ou era transacionado como um bem material, uma mercadoria em melhor ou pior estado, ou era usufruído por ser um prisioneiro de guerra. O proprietário poderia vender, comprar, agredir, trocar e dispor essencialmente como mão-de-obra completamente gratuita. As transações faziam-se como se de um animal se tratasse, apreciando a idade e a saúde através dos dentes, da musculatura, das mãos e dos pés. Os velhos eram velhos, transportavam doenças, sofriam de artrite e nada valiam – aliás, o período de validade de um escravo africano que trabalhava nas plantações das Américas era de 5 anos, aos 30 anos estavam “gastos”. As mulheres eram duplamente usadas, no trabalho e na reprodução.

          O comércio de escravos, uniu continentes; África era o grande abastecedor do mundo, não só através dos colonizadores, mas também de bolsas de comunidades negras onde era praticada e explorada em continuidade.

          A escravidão era algo aceite pela sociedade, todos pareciam viver bem com isso, excepto os escravos, obviamente. O facto de serem pagãos facilitava o acto de contrição das religiões mais humanistas, tornando a escravidão      mais justa perante Deus. Pensavam eles. No século XV, a Igreja Católica condenou a escravidão – algo apenas teórico, sem efeitos práticos, visto que no Brasil até ao século XIX, a Ordem dos Beneditinos era uma das maiores proprietárias de escravos.

          Em Portugal, no século XV atingiu-se o auge desta prática.

          Portugal foi o primeiro país abolir a escravatura. Quando aprendi isso na escola, fiquei toda orgulhosa, porque no meu espírito infantil, não cabia o conceito de se ser dono de alguém, porém, esqueceram-se de me informar que Portugal foi um dos grandes países do atlântico a fazer comércio global de escravos vindos de África e que entre 1450 e 1900, terá traficado cerca de 11 milhões de pessoas.

          Escravatura...

          A abolição da escravatura foi iniciada de forma muito rudimentar pelo Marquês de Pombal e só se concluiu, de facto, a meio do século XIX.

          Todos os relatos que nos chegaram até aos nossos dias são epopeias de sofrimento, sadismo, horror e desumanização, completamente inconcebíveis na contemporaneidade (será?), muitas vezes associando escravidão com Inquisição.

          Transcrevo para múltiplas refexões:

[O padre encarregue do processo ainda lamenta não ter chegado mais cedo ao local do crime. "Conheço muito bem as manhas dos escravos” – diz ele nos autos – “eles fecham a boca para deixarem de respirar e morrerem. Se tivesse chegado mais cedo, chegava-lhe fogo à boca, ela era obrigada a respirar e não morria.”][1]

          Outras formas de escravatura surgiram e evoluíram. Homens e mulheres, rapazes e raparigas, vivem situações de grande  vulnerabilidade, são vítimas de tráfico humano, servidão, trabalho forçado, trabalho infantil, casamento forçado, exploração sexual, exploração para pagamento de dívida, bem como outras formas de exploração - crimes que indignam e envergonham a nossa condição de seres humanos.

          E o problema não é dos outros... é de cada um de nós! Cada um, quando nasce, conquista a oportunidade de viver uma vida segura e livre. É impensável que um ser humano possa negar a outro humano esses direitos básicos utilizando o medo, a ignorância e a clandestinidade, para explorar, enganar, limitar as suas acções física e psicológica.

          Em Portugal, entre 2014 e 2015, o Observatório do Tráfico de Seres Humanos, do Ministério da Administração Interna, sinalizou 193 presumíveis escravos e deu conta de 40 condenações de traficantes. E o que foi feito?

“POR QUE LUTAMOS CONTRA A ESCRAVIDÃO MODERNA

No Walk Free, lutamos para que os silenciados recuperem as suas vozes. Há quem diga que o problema é muito difícil, que existem questões mais urgentes ou que este é um desafio a ser resolvido pelos governos. Acreditamos que nada é mais importante do que a vida humana. Podemos e devemos fazer tudo ao nosso alcance para acabar com a escravidão moderna.”[2]

          Este mês, fomos desagradavelmente “surpreendidos” por mais um foco que denuncia práticas de escravatura em Odemira. Quantos outros haverá? E nós preocupados, com proteção de dados, liberdades individuais, audiências, futebol.... a Cimeira Social Europeia a realizar no fim de semana no Porto, irá ignorar esta problemática?



[1] https://rr.sapo.pt/2017/03/25/pais/a-ultima-escrava-portuguesa-morreu-em-lisboa-nos-anos-1930/noticia/79112/

[2]https://www.walkfree.org/

levei-te flores




 levei-te flores.

amarelas.

a cor que nos ilumina através dos raios solares oferecendo-nos energia e vida. A cor do ouro, da eterna juventude e do poder divino.

a cor da minha saudade.

levei-te flores singelas para junto do sítio onde repousas.

numa dimensão qualquer do tempo e do espaço, sorris.

07 maio, 2021

ESPLANADA, nome feminino

 


ESPLANADA, nome feminino

1. Terreno descoberto. 2. Planura, planície. 3. Chapada. 4. [Fortificação]  Terreno plano, largo e descoberto, na frente de fortificações ou de um edifício. 5. Lugar ao ar livre com mesas e cadeiras onde se come ou se tomam bebidas, refrigerantes, café, etc.

Consultei o dicionário e seleccionei o 5. 

O que nos diz a História sobre esplanadas? Estar na esplanada parece ser hábito recente, com menos de 100 anos. Antes, os cafés e restaurantes dispunham apenas do seu espaço limitado, definido no seu interior; espaço fechado, pouco arejado por vezes, protegido do sol, da chuva, do vento e do arejamento, onde a iluminação artificial reinava, assim como o frúfrú dos cetins, tafetás e organzas das toilettes das senhoras, cujos odores se misturavam numa orgia sem fim, entre o mofo, o perfume, a nafetalina, a gordura da cozinha, o tabaco, o café, o sabão e a cera.

Só após a 2ª Guerra Mundial e perante os consumidores teimosos e desejosos de sol e de paz, é que os serviços de restauração foram abandonando o conceito conservador e bafiento do espaço fechado, mal arejado, tantas vezes o espelho do país politicamente fechado e sombrio, como era o nosso - um país de grande território, mas fechado à inovação e à autonomia, sombrio, porque triste, desconfiado e ”orgulhosamente só”. Todos temos a memória dos pequenos tascos, que para além de fechados, pequenos, sombrios também tresandavam a vinho, porém, onde era frequente comer-se um escabeche delicioso. Os consumidores foram exigindo novos espaços mais adaptados às estações do ano, beneficiando do clima maravilhoso que tem o nosso país, permitindo mais de seis meses de temperatura agradável para "esplanada" – algo mais assertivo com a cultura mediterrânica, que por muitos anos esteve arrumada na gaveta. Aqui, o sol tisnava a pele dos trabalhadores das encostas do Douro, nas grandes cidades europeias, usufruía-se do sol em qualquer recanto. Pensando bem, o que faltava, na verdade, era tempo de lazer e ultrapassar a barreira do recato. Esta forma de viver a vida, saindo do interior de quatro paredes, foi retratada por vários pintores, em registos famosos. Cadeiras fora do café em fila estreita, em passeio esguio já as havia desde o século anterior, especialmente numa Lisboa envergonhada e amordaçada, mas esplanadas é algo de coração maior, de espaço amplo de rua e múltiplo que cabe, repartindo-se, em muitos sorrisos.

Um dia o país sombrio colapsou, os retornados e refugiados invadiram-no desejando sol e replicar um pouco a qualidade do lazer que traziam das colónias tropicais… e bem mais tarde, surgem os turistas, muitos deles provenientes do norte da Europa, com sol rafado todo o ano e muito disputado entre todos.

 Esta liberdade de se estar, olhar à volta sem barreiras, de namorar os recantos da cidade, de ver e ser visto, de deixar a manhã espreguiçar-se no sabor de uma torrada, deixar a tarde correr sem tempo, mergulhar na luz dourada dos finais do dia e transitar para a noite tépida, até os amigos se lembrarem que têm que ir para casa, é dar mais sentido à vida, e mais significado aos pequenos prazeres.   

A pandemia retirou-nos esse prazer. Nunca tínhamos percebido que sentar numa esplanada e soltar o olhar, enquanto se tomava um café ou se saboreavam umas batatas fritas, que seria um prazer tão grande. Só agora percebemos este pequeno grande prazer que fazia parte das nossas vidas. Teremos esse prazer de volta e deveremos cuidar-nos para que permaneça.

Não me interessa se ainda corre um arzinho fresco, se tenho ou não um guarda-sol a proteger-me, vou sentar-me nas esplanadas que frequentava e todas as outras que irei conhecer, vou semicerrar o olhar e tentarei confessar-lhes o meu amor. 

Oublicado em NVR, 5/05/2021

06 maio, 2021

Escada

 

O gozo da matemática e da geometria. Já desenhei algo parecido. Tudo tem que bater certinho, caso contrário parece obra do arquitecto do Asterix.


A RAPARIGA DINAMARQUESA

 



A rapariga dinamarquesa
Realizador: Tom Hopper
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03 maio, 2021

02 maio, 2021

30 abril, 2021