22 outubro, 2021
GEOMETRIK
20 outubro, 2021
HYPERLOOP
HYPERLOOP
Quando tomei
conhecimento sobre a informação do Hyperloop, fiquei tão contente, porque
verifiquei que algo que eu sonho e imagino há tantos anos, pode ser realidade.
O leitor já
ouviu ou leu algo sobre isto?
Trata-se do
comboio hyperloop - comboio do futuro, supersónico capaz de fazer 600 km em
meia hora. Todos queremos anular ou vencer o tempo, viajar, fazer grandes distâncias,
no menor tempo possível. E como isso é possível? Sem ter grandes conhecimentos
da mecânica, imaginei sempre veículos a circular num tubo que permitisse alta
velocidade em total segurança, semelhante a uma minhoca gigantesca. Segundo
entendi o hyperloop é isso mesmo. Destaca-se um empresário norte-americano,
Ellon Musk, que já iniciou experiências nesse sentido. Nós que pensávamos que o
TGV seria o máximo, que estamos deslumbrados com a ligação Vigo/Madrid, agora
percebemos que o TGV é um parente longínquo do Hyperloop.
O Hyperloop
irá constar de uma cápsula que se desloca num tubo gigante de vácuo, com um
sistema de levitação magnética, permitindo movimento, sem gasto de energia eléctrica.
O vácuo permite eliminar o atrito, rentabilizando ao máximo a velocidade
atingida que pode ir até 1.200 km por hora, superior à velocidade do som e
reduz o custo com as infraestruturas. Mais pormenores construtivos, desconheço,
sei apenas que já há protótipo e pista para testes, no Texas.
Já
imaginaram Porto /Lisboa em 20 minutos? ou Porto/ Barcelona em menos de uma
hora? Que impacto financeiro terá no mundo? inimaginável. O prazo de 10 anos
para testes e aperfeiçoamento está quase a chegar ao fim, que novidades nos irá
trazer o ano 2023? Já falta pouco.
Em 2020 houve
notícia que a Virgin, do multimilionário Richard Branson, já está integrada
nesta corrida contra o tempo. O primeiro teste com passageiros, foi bem-sucedido
e o objetivo da empresa é colocar o comboio em funcionamento "ainda
durante a década de 2020". Andávamos tão absorvidos com os problemas da
pandemia que esta notícia escapou a muitos leitores.
Cada cápsula
conseguirá transportar 30 passageiros, à mesma velocidade de um avião, pelo
valor de um bilhete de autocarro. O sistema permite que o veículo deslize
silenciosamente, sem qualquer turbulência.
Sabemos que
começa em Portugal, a viagem de comboio mais longa do mundo. São 17.000 kms de
ferrovia que ligam a cidade do Porto, a Ho Chi Minh City,
no Vietname, fazendo as contas dá 1.428,3€. O tempo gasto é algo como 11 dias,
11 horas e 49 minutos, se fosse possível um directo.
Imaginem no
tal Hyperloop, em 14h10m, num directo, estaríamos no Vietname. Vamos “surtar”:
sairia às 8h da manhã, após tomar um cimbalino e uma torrada, na Estação de
Campanhã, e às 22h10m estaria a chegar a Ho Chi Minh City para me dirigir ao hotel,
fazer check in e preparar-me para uma tranquila noite asiática.
Cada vez há
menos impossíveis!
Publicado em NVR, 20/10/2021
19 outubro, 2021
Cieloastur
ANTECIPANDO a montanha, o frio, o abrigo e o lazer.
Hotel Rural Cieloastur
Parque Natural de las Ubinas La Mesa
Oviedo
13 outubro, 2021
7 de Outubro
7 de Outubro
Há umas
décadas preparava a tecnologia para o início do ano escolar que se iniciava dia
7 de outubro. A lousa, o ponteiro, o caderno de linha estreita, com o Camões na
capa e a tabuada na contracapa, uma pena para molhar no tinteiro da escola e
uma esferográfica com mola só para escrita especial, faziam parte deste kit
educacional que me permitia frequentar a escola. A tecnologia era fraca, mas a
data era excelente... a 7 de outubro regressávamos à escola iniciando um novo
ano lectivo.
Tínhamos 4
meses de férias, que davam para brincar, correr, subir às árvores, ir à praia
(iam poucos), descansar, ler e fazer tantas outras coisas fora de casa. Ajudar
os pais, também. Aprendi a descascar batatas, a limpar o pó, a carregar água, a
passar a ferro, a apanhar fruta, a coser botões, a fazer malha, a bordar, a
lavar loiça e roupa, a envernizar janelas e a fazer algumas reparações
domésticas, a apanhar fruta, a saltar à corda, a ouvir as histórias da minha família
e das outras. Televisão, quase não existia. Tínhamos todas as nossas horas de
lazer preenchidas. Gozávamos de uma liberdade desmedida com o tempo a passar
devagar, chegando e sobrando para tudo, para divertir e também para trabalhar,
ajudando os pais. Ninguém tinha relógio, ouvíamos as horas através do sino da
igreja que indicava a hora de recolher a casa para almoçar e jantar. Alguns dos
meus amigos almoçavam no campo à sombra de uma árvore, na hora da paragem da
labuta campestre. Eram tempos duros, mas de férias grandes e abastadas.
Não eram
os 4 meses de férias que nos retiravam capacidade de aprendizagem e nos limitavam
competências. Pelo contrário. Eram 4 meses de aprendizagem não académica
intensa, que favoreciam a motricidade e a potencialidade para resolver
problemas. Muitos viviam o verão descalços, em contacto com a natureza,
aprendendo aquilo que a família ensinava – aprendizagem de afectos e de sentido
de pertença aos lugares e às famílias. Alguns escapavam até ao rio para uma
banhoca. Brincar na rua, era bom, correr atrás do arco, saudável e viajar no
interior da dorna de uvas que ia para a vindima, tresloucado e radical.
Agora as
nossas crianças têm uma existência pobre, com experiências pobres, em frente de
uma televisão pobre ou com um tablet nas mãos. Os papás querem despachá-las o
mais cedo possível para a escola. Na segunda semana de setembro começam as
aulas, e lá vão eles para a escola, onde permanecem quase todo o dia. Contentes
por reencontrar os colegas da sua existência tão triste e tão amarrada à
tecnologia. Eles até pensam serem felizes olhando para um écran!
Pobres
deles, nem uma maçã sabem descascar! Não imaginam, como é pobre a partilha de
experiências, quando devem escrever ou falar sobre as suas férias... todos
contam as mesmas coisas, nenhuma aventura para partilhar, para além do jogo on
line. Não sabem descascar uma batata, não sabem recortar uma figura em papel,
todos trazem tesouras de pontas redondas, para ninguém se aleijar, coitadinhos,
alguns correm desajeitadamente...
Têm medo de saltar à corda, têm medo de saltar
ao eixo, têm medo de saltar ao saco. As suas sapatilhas são caras, de marcas
famosas, porém, não sabem apertar os atacadores. O seu imaginário é muito
limitado, na ausência do um banco de experiências e emoções. Nunca brincaram à
cabra-cega. Não sabem lançar um peão e desconhecem o que seja um ioió. Nunca
saltaram para dentro de uma poça de água. Nunca fizeram um baloiço de corda
suspenso numa trave, todos eles acham que os baloiços nascem nos parques
infantis. São jovens que vivem na escola
quase desde que nasceram, sem investimento afectivo e experiencial. Talvez
sejam felizes assim, não sei. Entre o tablet, o android e a televisão, pouco
resta.
Lá vão
eles após com 2 meses de férias recuperar aprendizagens e tentar digerir currículos
maçadores e enfastiantes, que não lhes ensinam a descascar maçãs, a coser
botões e a fazer o jantar. Tentam aprender aquilo que poucos aprendem em casa,
ser simpáticos, ser responsáveis e a ter respeito pelo outro. Gritam, quando
aparece um aranhão a querer atravessar a sala de aula e ficam intrigados com a “cama
do gato” que eu tento ensinar-lhes quando iniciamos a geometria.
Observo-os,
com a distância de várias décadas e tento adivinhar o seu abecedário da
felicidade, já com cerca de um mês de aulas, neste 7 de Outubro.
Publicado em NVR em 13/10/21
11 outubro, 2021
09 outubro, 2021
APITA O COMBOIO
APITA O COMBOIO
“2021, ano
europeu dos transportes ferroviários” constitui oportunidade para aprendizagem
e de reforço da parceria existente entre o Agrupamento de Escolas Morgado de
Mateus e o Espaço Miguel Torga. Em
terras nortenhas, o comboio tem sido um meio de transporte e de comunicação que
trouxe benefícios às gentes das cidades e das zonas rurais, abraçando a
transmontaneidade de memórias e de história, unindo geografias diversificadas,
diluindo contrastes e contribuindo para uma melhor qualidade de vida.
Apesar de
ser um invento do século XIX, transformou-se na aposta do século XXI. As
alterações climáticas criam a tendência para o abandono do automóvel e do avião
e para uma valorização da rede ferroviária. As cidades estão a reorganizar-se,
requalificando os seus espaços e contando com esta forma de transporte mais
sustentável. Tratar o tema na escola significa informar e exercer influência
positiva sobre os nossos alunos.
APITA O
COMBOIO esteve presente ao longo do ano letivo como tema popular inspirador
para desenvolver conhecimento e experiências artísticas, dando a conhecer a
História e preparando os alunos para esta realidade ambiental. O desafio feito
pela biblioteca escolar, que é a estrutura que coordena esta parceria, tem um
matiz pedagógico transversal, com potencial multidisciplinar e aqui mostra-se a
vertente predominante artística, capaz de se visionar numa sala de exposições.
Considerando que se vive uma época atípica, a mostra apresentada é a
consequência de muito esforço, empenho, resiliência e criatividade que
caracterizam a identidade deste agrupamento e a personalidade torguiana.
Visite o
Espaço Miguel Torga e aprecie a exposição “Apita o comboio”. A exposição tem
entrada gratuita e está aberta ao público desde o dia 7 de outubro até ao dia 3
de novembro de 2021. A apresentação será dia 9 de outubro pelas 16 horas.
06 outubro, 2021
Mas, voltando à justiça, por onde anda?
Mas, voltando à justiça, por onde anda?
A nossa
letargia acordou com a notícia da fuga de João Rendeiro.
Se há coisa
que eu já desisti de entender é a Justiça. Refiro-me à justiça instituída no
nosso país. A Justiça cada vez se afasta mais do conceito de Justiça e do senso
comum.
Começa logo
por usar uma terminologia para o comum dos mortais ficar perplexo. Alguém já
recebeu uma notificação do tribunal? Uma escrita ortorrômbica comunica-nos algo
que não entendemos. Esse é o primeiro passo para nos afastarem da Justiça. No
meu caso, passo-me a mim mesma, um atestado de ignorante e pergunto-me sempre,
porque não aprendi nada disto na Escola? Recorro ao dicionário com frequência e
por vezes a um advogado para me traduzir, para ficar segura sobre o que me
querem, não vá eu ter-me esquecido de pagar alguma portagem. Deveria existir um
Google Justice Translate de acesso gratuito.
O Rendeiro
deu à sola. Estão-lhes destinados dez anos de prisão... ele se calhar não
entendeu a notificação do tribunal (brincadeira). Então ele é que tem de avisar
sobre o seu paradeiro? Será que os violadores domésticos cresceram em tal
número, que esgotaram as pulseiras electrónicas? (outra brincadeira)
As prisões
preventivas, as efetivas, as pendentes, as que transitaram e não transitaram em
Julgado... assim não vale, o homem baralhou-se e foi viajar para descomprimir! Foi
à vidinha dele! João Rendeiro, anunciou estar fora de Portugal e não pretender
regressar para cumprir as três penas de prisão efetiva a que foi condenado, num
total de 10 anos de prisão efetiva. Atitude muito responsável, ele não quer que
nos preocupemos. Eu também faço assim quando viajo, emito uma mensagem para a
família, para não se preocupar. Rendeiro, como muita gente gosta dele, anunciou
na net. O outro usava o Twitter, este nem sei como foi. Paciência tem ele,
desde 2017 que não fazia férias no estrangeiro e um homem como ele não
aguentou. Dia 19 de Julho informou que estava na Costa Rica. Entre 81 países
classificados como paraísos fiscais, escolheu a Costa Rica. Por ordem
alfabética ainda tinha 12 países antes da Costa Rica. Andorra é um saltinho, eh
pá mas ir para o Bahrain, Bolívia...Costa Rica diz aqui na web, fala-se
espanhol, clima tropical (o senhor já não é novo) “Apesar do impressionante
crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), da inflação baixa, das taxas
moderadas de juros e de um nível de desemprego aceitável, a Costa Rica
enfrentou, nos últimos anos, uma crise de liquidez devido à dívida crescente e
ao déficit orçamentário.” – isto é música para os ouvidos do sexagenário.
Dia 13 de Setembro,
farto da pasmaceira da Costa Rica, informou que estava em Londres – época de
saldos, compreende-se. Dia 28 de Setembro ele informou que não pretendia
regressar a Portugal. Pudera!!! Alguém no seu juízo perfeito regressa ao país
para ir para a pildra? Honestidade e pouca vergonha ele já provou que não tem. Agora
mostrou ponderação, entre Londres e a pildra ele optou por Londres. Na pildra
não falam inglês nem cumprem o five o’clock tea... daqui a 10 anos o homem tem
79 anos, com 79 anos ele vai fazer o què? Já nem o lar da 3ª idade da
Suazilândia o recebe!
É urgente
abrir uma galeria de cromos famosos - Vale e Azevedo, Padre Frederico, Pedro
Caldeira, José Manuel Beleza, Fátima Felgueiras – tive que recorrer à net,
porque eles ficam fora tanto tempo, que a gente até se esquece deles.
https://eco.sapo.pt/2021/09/29/rendeiro-entra-no-clube-dos-fugitivos-famosos-em-portugal/
Mas, voltando
à justiça, por onde anda?
Publicado em NVR em 6/10/2021
02 outubro, 2021
Termas de Outariz
As burgas do casco histórico estão cerradas!!!! Todos
os planos tiveram que ser alterados. Tinha intenção de experimentar as burgas
do centro da cidade. Foi uma surpresa quando participei no Simpósio há um anos, sobre a rota termal e descobri as termas romanas e as piscinas públicas que
lhe estão próximas. Ora, como estão encerradas, indicaram-nos as Burgas de
Outariz, privadas, que ficam já no exterior da cidade. Foi bom acontecer este
imprevisto. Tive a possibilidade de utilizar as burgas exactamente entre as 19
e as 21 horas permitindo usufruir do entardecer, o por-do-sol e a noite.
Um edifício
bem concebido, na forma e na função, pelo meu colega galego Álvaro Varela
(2006/2008), com diversas infraestruturas para apoiar o lazer termal – bar,
esplanada, vestiários, sala de massagens, chuveiros, tanques de água fria e de
água quente cobertos e várias piscinas termais, com formas irregulares, todas
construídas em granito a céu aberto, com uma escala muito humanizada favorecendo o relaxamento em
espaço seguro e higienizado, com origens que remontam a época dos Romanos. Para
além do granito, a madeira predomina em todo o espaço edificado, integrando-o
na envolvente e nesta atitude muito conciliada com a natureza.
10
minutos em cada piscina, sair, refrescar e entrar novamente constitui o ritual
simples que permite usufruir desta cultura de termalismo, tão agradável e terapêutica.
O céu em
cima de nós, o sol a esconder-se, a escuridão a baixar, a iluminação de todos
estes espaços a abrir, colocada estratégicamente, convertendo este equipamento
em algo ainda mais intimista, relaxante e aprazível - o paraíso nocturno.
A água
passa dos 62 graus para 38-40 graus. Há piscinas mais quentes e outras mais
tépidas. Todas possuem barras metálicas para ajudar a descer e subir. O piso é
sempre em granito rugoso, antiderrapante. Todo o espaço possui elementos
vegetais que reforçam a integração e serenidade do local. Algumas piscinas
possuem ainda jatos de água proporcionando massagem, e uma delas é coberta por
uma estrutura de madeira.
A temperatura
baixou um pouco durante a noite outonal, vê-se o vapor de água a formar-se em
alguns pontos das piscinas tornando o ambiente reconfortante.
Fiquei positivamente
surpreendida com a calma, o som da água, a maioria respeita o pedido de
silêncio, a esta hora quase sem crianças, sem fotos, tudo acertado para
proporcionar relaxamento num sábado ao final do dia.
Adicionei
a experiência de sentir a chuva miudinha a cair suavemente sobre mim, refrescando-me
e suavizando a água termal. Sensação ótima, irei repetir outras vezes.
Alguns elementos técnicos:
Áreas: edificadas 2.010,87 m²
urbanização 3.344,19 m²
piscinas quentes: 359,68 m²/243,81 m³
piscinas frias:
18,48 m²/12,87 m³
As fotos das burgas são colhidas da web, já que não é
permitido tirar qualquer tipo de fotografia.
Diário de viagem – Termas de Outariz, 2/10/2021
29 setembro, 2021
O pessoal que não vai votar
O pessoal que não vai votar
O pessoal
está farto de votar?
Que raio de
democracia é esta em que um grande número de pessoas se demite do dever/direito
de votar?
Desde 1982 a
abstenção sobe como um balão.
É urgente
reflectir sobre isto. Como se pode
criticar as acções políticas, se depois cruzam os braços e não vão votar?
Antigamente
o aumento da abstenção justificava-se com a meteorologia – chovia, estava frio,
estava quente, um dia cheio de sol e a malta foi para a praia...
A meteorologia
esgotou-se, e actualmente é urgente avaliar esta situação que se revela um
pouco dramática. É evidente a tendência, para muitos preferem fazer parte dos
problemas e nunca tentarem ser parte das soluções. Ser parte da solução é de
facto ser activo, consequente, ir votar, escolher, selecionar, contribuir para
a melhor escolha possível sobre quem gere este país. Ser parte do problema é
criticar quem faz, é inventar e reinventar questões, é ligar o complicómetro
criando obstáculos e seguir teorias obscuras colhidas nas redes sociais, mas
permanecendo sempre do lado do problema, alimentando-o e engordando-o até à obesidade.
A abstenção
justifica-se também pelo foco da eleição, se é para eleger deputados ou se é
autárquica. No primeiro caso vale o distanciamento como justificação da ausência,
no segundo vale a menorização da importância das mesmas. O resultado é o mesmo.
Segundo os
politólogos “Há 3 tipos de abstencionistas: o estrutural (o que não vota há
muito tempo), o segundo que é o que sabe que o partido que está mais próximo
dele não vai ganhar e o terceiro que é o que hesita entre o partido que vai
ganhar e o que é mais próximo dele“. Será?
Os cidadãos
vão-se afastando progressivamente do acto eleitoral e o sinal de alarme começa
a soar. No ano passado o “bicho” serviu de justificação, agora já poucos ligam
ao “dito cujo”...
A malta vai
ver os ciclistas a passar na rua, vai ao shopping a toda a hora, vai aos
concertos, vai esticar o esqueleto ao fim da tarde,... a malta vai até à praia,
vai para a esplanada, vai para a fila do Mcdonald’s... a malta até está com
saudades de ir para a discoteca, aguarda
ansiosamente uma black friday, e até dá a volta dos tristes ao fim da tarde e
bebe umas bejecas num bar ranhoso....mas, a malta acha uma seca ir votar!!! A
preguiça fala mais alto e deixam-se ficar pelo sofá a ver a Netflix praguejando
“que chatice, hoje as televisões vão dar eleições toda a noite!”.
É mais fácil
deixar os outros escolher, assim se escapa da responsabilidade, possibilitando
a frase batida “nem sequer votei nele”, ou seja, a responsabilidade é toda
entregue e de bandeja, aos 50% que levantaram o rabo do sofá e foram até à
secção de voto e nem sequer esperaram muito tempo para votar.
Não há
desculpas. Há irresponsabilidade e falta de reconhecimento e valorização por
todos aqueles que organizam o processo eleitoral e passam o dia nas mesas a
receber os eleitores.
Custa tanto
mudar mentalidades!
Ainda há os
resilientes que no local de trabalho ou no seu círculo de amigos, perguntam bem-intencionados,
“então não vais votar?” os argumentos do não, convertem os resilientes em perfeitos
idiotas e néscios do seu grupo, como se eles é que estivessem errados.
O Presidente
da República fez o apelo ao voto e até referiu, "É um voto decisivo. Nos
fundos europeus, a parte mais significativa vai ser gasta durante os quatro
anos pelos autarcas que são escolhidos, hoje". Nem assim!
Publicado em NVR, 29/09/2021
25 setembro, 2021
MOSTEIRO DE OSEIRA
O Mosteiro de Oseira (1123) – um gigante de granito
Localidade - Oseira, no concelho de San Cristovo de Cea,
província de Ourense.
Mosteiro medieval de fundação beneditina que ao longo da sua
história teve uma grande importância econÓmica e social para a comarca e terras
mais distantes.
3 claustros
Arquitetura românica e barroca.
Destaque para a sala capitular – colunas retorcidas, com
capitel transformado em palmeiras
Refeitório - peças que formavam uma conduta de água e
outras peças esculpidas (lapidário).
Tecto quase plano do coro alto, muito interessante. Uma abóbada plana construída em granito.
Formidável. Vale a visita.
*****
Diário de viagem - peregrinação pela Galiza à descoberta de terras medievais e dos seus mosteiros.
Cúpula
Sala capitular
Coro alto
Abóbada quase plana.
22 setembro, 2021
SER PROFESSOR
Ser professor
Algumas
profissões têm a sua origem na Antiguidade, é sempre bom estimar esses “pergaminhos”,
mas a acção de ensinar, nasceu antes da Antiguidade; ainda não havia História e
já se ensinava. A oralidade funcionava como canal didáctico, passando
informação aos aprendentes primitivos, sobre algo que se considerava
importante. A transformação da informação em conhecimento baseava-se
frequentemente no instinto de preservar a vida por parte do aprendente e a sua vontade
de se relacionar com o mundo – como fazer fogo, como safar-se de um mamute em
fúria, como caçar, como atravessar o rio...
Mais
tarde, no Antigo Egipto surgem as pessoas já especializadas em ensinar. Em
Esparta a educação (já mudei de palavra) iniciava-se aos sete anos, já com uma
estrutura de aprendizagem, com o objectivo de preparar meninos saudáveis e
transformá-los em jovens guerreiros e, meninas capazes de gerar crianças
saudáveis. Aparece a figura de tutor sem ganhar nada. Os atenienses um pouco
mais preocupados com o equilíbrio entre o corpo e a mente, já estavam num patamar
organizacional mais elevado, considerando o tutor professor, uma profissão remunerada,
que se dividia da seguinte forma: os páidotribés, que cuidavam do
desenvolvimento intelectual; os grammatistés, responsáveis pela leitura
e a escrita; e os kitharistés, que se ligavam ao desenvolvimento físico.
Na
Roma Antiga poderíamos evocar os especialistas em retórica e os lud magister.
No início da Idade média o ensino é remetido quase exclusivamente para as
instituições religiosas e depois surgem as primeiras universidades.
Registo
aqui a minha homenagem ao nosso rei D. Dinis, que tendo uma visão consciente do
núcleo cultural português, e a rede de ligações com a Igreja, sentiu a
necessidade de se repensar conceitos relacionados com o pensamento e a cultura,
com consequência no rumo social, político e económico do nosso país e fundou a
primeira universidade portuguesa, exterior às ordens religiosas e capaz de
sustentar a renovação do pensamento português. D. Dinis incentivou as escolas, valorizou a
ciência e tinha consciência da necessidade de romper com os princípios
ultrapassados da Igreja, obviamente reforçando o seu poder como rei.
Evoquei
o D. Dinis para referir que o ensino e a educação são eixos estruturantes em
todas as sociedades.
Quem
sabe mais, é mais capaz de resolver problemas e contribuir para a evolução da
sociedade. O professor é a principal peça desta dinâmica de ensinar e aprender.
No Japão, o professor é a única profissão que não tem que se dobrar perante o
Imperador, porque a consideram a profissão mais nobre de todas. Por aqui, o
professor para além de ganhar mal, ter vida nómada e dever estar sempre com o
conhecimento actualizado, confronta-se diariamente com as inúmeras falhas da
educação familiar dos seus alunos, que empobrecem a sua acção na Escola, é alvo
de muitas criticas infundadas e injustas sobre a sua acção, perpetuadas pelos
pais dos aprendentes, possui uma tutela que passa a vida a reformar o que já
está reformado (como se vivêssemos num tempo, com pensadores capazes de
inventar teorias pedagógicas todos os anos), saturando a acção do professor com
constantes burocracias, relatórios e planos que ninguém lê, distraindo-o da sua
principal função que é ser agente do processo de ensino-aprendizagem.
Quero
aqui elogiar a paciência e a resiliência dos professores, que pensam mais nos
aprendentes do que neles próprios, evitando conflitos com estes e as suas
famílias, digerindo com dificuldade progressiva, a má educação e ameaças de que
é alvo, minimizando as suas lutas laborais, aceitando a sua progressão lenta,
quase estática da sua carreira, carregando congelamentos nunca descongelados, aceitando
por vezes más condições de trabalho e a prepotência de alguns directores, ignorando as injúrias, de uma parte da
sociedade, dirigidas a toda a classe profissional (por um mau professor, pagam
todos) e tolerando os “achismos” pedagógicos que abundam na nossa sociedade,
por parte daqueles que desconhecem o valor do processo educativo e se demitem
da sua função de pais educadores.
Como
sabemos a educação tem múltiplas vertentes e agentes educativos, onde a família
representa um núcleo muito importante. Como se educa um filho, se estacionam em
sítio errado em frente à escola, se passam no sinal vermelho, se utilizam
asneiras na sua comunicação oral, se criticam o professor, se não colocam o
lixo no sítio certo, se premeiam o seu filho por tudo e por nada, se nunca se
sentaram com ele a ler uma história e a explicar-lhe porque existem os maus e
os bons... se não lhes exigem respeito pela hierarquia familiar? Expliquem-lhes
que os professores são pagos para lhes ensinar e se os aprendentes não se
empenharem, não usufruem da ida à Escola. Expliquem-lhes que aprender exige
esforço e respeito. Cuide das horas de sono do seu filho, porém, não o obrigue a
ir para a cama, com os pais a ver televisão ou a jogar no computador – os exemplos
estão sempre em casa. Sobretudo, pense que a Escola não é um armazém de
crianças.
No
início de um novo ano lectivo, desejo sucesso a todos os professores e lembro
que têm um enorme poder nas suas mãos - um professor pode ser um influenciador.
Acreditem no que fazem e accionem esta competência porque assim poderão mudar o
mundo, sem receios. O professor pode orientar, sugerir, demonstrar, influenciar
de forma positiva para que os seus aprendentes sejam informados, activos, críticos
e capazes de resolver problemas.
Nunca
esqueçam de uma pitada de humor.
Plantem
o pensamento crítico na mente das criancinhas, a responsabilidade, a sociabilidade,
a organização e a liberdade estruturada, conjugando o respeito por si e pelo
outro. Quando a sociedade perceber esta dinâmica talvez respeitem mais o
professor e favoreçam as suas sinergias.
Publicado em NVR, 22/09/2021
15 setembro, 2021
ELEIÇÕES À VISTA
Eleições à vista
Eleição
é um processo de escolha de alguém ou entidade, para ocupar um cargo, auscultando
a vontade de todos. Na organização das sociedades, desde que o homem optou pela
vida sedentária tornou-se necessário escolher os mais fortes e mais capazes
para desempenharem certas funções e que representassem a comunidade.
A
nossa sociedade está organizada assim e parece-me bem. A democracia
caracteriza-se exactamente pelas bases poderem eleger os seus governantes
através do voto. A eleição parece ser o ponto-alto de qualquer democracia.
O
voto quer dizer que a nossa sociedade, apesar dos conflitos, dos erros e da
corrupção, continua a permitir que cada cidadão tenha uma posição activa e
avaliativa, que se traduz no acto eleitoral.
É
importante termos vários partidos para podermos escolher uma das equipas.
Eleições com partido único, como era no tempo do “antigamente”, são estranhas e
monótonas porque já sabemos quem irá ganhar. Não é possível haver surpresas e
muito menos mudar.
Já
assisti a muitas campanhas eleitorais e estou sempre atenta às técnicas do marketing
utilizadas na publicidade de cada partido, onde tudo é importante. Sobre a imagem
do candidato, todos querem apresentar com rosto saudável, todos querem parecer
ter à volta de 40/50 anos, simpáticos, que transmitam confiança,
responsabilidade, inteligência e maturidade. Ninguém quer parecer um chato,
desmazelado e com mau hálito. O fatinho e a gravata foram substituídos pela
camisa simples de colarinho aberto. Antes, posar sem gravata, conotava-se a
bandalhice, agora pode significar que o candidato é homem activo que põe as
mãos na massa. Os modelos e padrões alteraram-se. A cor do fundo dos cartazes,
este ano domina o verde. É também importante a simbologia das cores, verde simboliza
esperança. As cores próprias de cada partido foram-se diluindo no sentido de
captar melhor algumas franjas de eleitorado pouco informadas. O texto deve ser
curto, criativo e marcante. As pessoas têm preguiça de ler. Fica difícil
arranjar texto criativo depois de tantas campanhas eleitorais. Alguns textos
podem ser alvo de piadas, de brejeirice que pode ensombrar a campanha eleitoral
– há muitos tesourinhos deprimentes por este país fora.
Todos
sabem que não sou filiada em nenhum partido e apesar de muitas e variadas vezes
não saber o que quero, sei sempre o que não quero. Por vezes sou irónica... o
humor permite-me digerir melhor os “sapos” da vida. Sempre tive esta opção de
saber o que não quero e até creio que Woody Allen deve-me ter lido em algum
lugar (brincadeira). Talvez tenha sido Friedrich
Nietzsche quem inventou “Eu não sei o que quero ser, mas sei muito bem o que
não me quero tornar.”
Saber
o que não se quer, significa que conhecemos o nosso interior, os nossos
labirintos mais profundos e rejeitamos tudo aquilo que contraria a nossa
natureza; permite-nos logo à partida em qualquer situação, eliminar uma parte
dos cenários que se nos apresentam, em que a maturidade nos dá a certeza que
nem vale a pena discutir, e em simultâneo confere-nos uma grande abertura para
o futuro, a inovação e a mudança.
Na
política, profissionalmente e no meu mundo afectivo sei o que não quero. Não
sou daquelas pessoas que dizem que não lhes interessa a política. Sou política,
preservo o meu sentido crítico e agrada-me votar. Se não votar sinto-me incapaz
de criticar. Nestas eleições autárquicas, irei votar como sempre fiz. Na minha
cabeça mistura-se o conhecimento, as minhas opções e sonhos e quando já estou
baralhada acciono o botão da emergência, que se chama ideologia. A ideologia
funciona como algo que permite aferir situações, quando os discursos e as práticas
são confusos e contraditórios. O desgaste político, a manipulação dos media,
por vezes torna necessário, regressar à História das Ideologias, para nos
sabermos reorientar. A ideologia é quase um “GPS” deste trilho cheio de
obstáculos, armadilhas e demagogias. Ligo o meu “GPS” algumas vezes, porque no
final, tem que prevalecer o humanismo. O humanismo é o meu partido político.
Se
forem contra o SNS, se forem indiferentes à violência doméstica, se criticarem
a liberdade da mulher em abortar, se contrariarem a eutanásia argumentando ingenuamente
com os cuidados paliativos, se confundirem
pobreza com falta de vontade de trabalhar, se apelarem ao lucro empresarial em
detrimento de salários dignos, se apoiarem o radicalismo de não aceitar o nosso
passado histórico, se forem homofóbicos, se tentarem criar teorias para
branquear a corrupção, se não defenderem a escola pública e o direito à
educação, quem fizer humor idiota sobre pedofilia e maus tratos, se não
respeitarem os direitos humanos – eu estou sempre do outro lado.
Um, diz que Vila Real à frente
Outro, diz que vamos juntos
Outro diz que mudar está nas nossas
mãos.
-
Credo, terei que votar com os cotovelos, sei lá!
Oublicado em NVR, 15/09/2021
11 setembro, 2021
UM MINUTO DE SILÊNCIO
A primeira vez na vida que cumpri um minuto de silêncio foi por Salvador Allende, em 12 de Setembro de
1973.
Ainda não se
adivinhava a revolução e o silêncio era um estado comum de sobrevivência, mas
cumprir um minuto de silêncio, homenageando uma personalidade que deixou de
existir neste mundo terreno, era uma postura desconhecida para mim. Ou a
personalidade era importante e fazia-se luto nacional, com bandeira a meia
haste ou era uma postura subversiva de impensável concretização.
Só vim a descobrir o seu verdadeiro significado anos mais tarde, pois eu,
adolescente, nascida e criada neste país condicionado pela desinformação, nem
sabia quem era Salvador Allende.
Viajava de
comboio, entre as cidades do Porto e de Lisboa, ainda não havia comboios alfa,
a CP apenas dispunha de foguetes e rápidos, o que para a época era um luxo,
pois viajava-se confortavelmente e mais rápido do que de automóvel.
Lembremo-nos que de Bragança a Lisboa eram nove horas de distância
(parafraseando a letra de Xutos e Pontapés, Para
ti Maria).
Era uma tarde
quente de final de verão, e eu permanecia em pé, junto às janelas do corredor
de acesso, a apanhar as lufadas de ar fresco, no meu rosto de adolescente. Tudo
para mim era novidade e eu gostava de me armar à janela do comboio, com os
meus cabelos ao vento, exibindo o meu equilíbrio e a minha
desenvoltura do saber estar à
janela fingindo concentração na paisagem - coisas de adolescente de quem se
imagina a desfilar, permanentemente, na passarela da vida.
Apercebi-me
que o comboio desacelerou, entrou numa marcha cada vez mais lenta, até que se
imobilizou no meio do Ribatejo – os campos de arroz eram a paisagem. Não
percebi o que se passou. Pelo rosto dos passageiros, nem eles perceberam.
De repente,
alguém entrou na carruagem onde viajava, deslocou-se rapidamente pelo corredor,
cruzou- se comigo um jovem e passou-me para a mão um panfleto, onde se
apelava para se fazer um minuto de silêncio em memória de Salvador Allende e
explicando o golpe militar no Chile, tendo eu lido apenas as letras maiores.
Surpreendida,
seguindo com o olhar aquela personagem
que rapidamente desapareceu no final do corredor, senti a mão do meu pai, a
puxar-me delicada- mente para dentro da cabine, correndo a porta de vidro.
Não foi
preciso explicar nada a ninguém! Descodifiquei em segundos o olhar e a
atitude do meu pai. Rapidamente, sentei-me e escondi o panfleto sob a minha
almofada do assento.
Momentos mais tarde, tendo o comboio readquirido a sua marcha, dois indivíduos vestindo total- mente de preto, passavam revista ao comboio. Acercaram-se da nossa cabine, abriram a porta de correr e espreitaram.
Todos
nós fingimos dormir.
in "O FATO QUE NUNCA VESTIMOS" - Anabela Quelhas
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