29 fevereiro, 2024
28 fevereiro, 2024
ANITA E O ANO BISSEXTO
Anita e o ano
bissexto
Estamos em ano
bissexto. Este mês tem 29 dias, mais um para trabalhar.
O ano bissexto serve
com frequência para fazer humor, porque quem nasce neste dia, só terá o seu verdadeiro
aniversário a cada 4 anos, o que fica económico para a família e amigos, e é
decepcionante para o aniversariante, que só recebe presentes de 4 em 4 anos.
Depois de certa idade, quando o cabelo grisalha, uns já têm bigode chinês, pés
de galinha e código de barras, todos gostaríamos de ter nascido no 29 de Fevereiro,
porque nos daria a certeza legítima, comprovada pelo CC, que não envelhecemos tão
rápido.
A contagem do tempo é
uma necessidade, para cada um de nós e para a sociedade, porém, é uma
necessidade unívoca, o tempo está-se a marimbar para nós, nunca para e é-lhe
indiferente a contagem e os anos bissextos.
O GRANDE ARQUITECTO deveria
estar naqueles dias do tanto faz, cansado de criar tanta coisa, concebeu o
tempo sem fornecer manual de instruções, e depois esticou-se no sofá celestial
a apontar o dedo para o infinito, pose parecida com a retratada por Miguel
Ângelo.
Os anjinhos papudos
questionaram-no:
- G. A. o tempo está
criado, desde que foi criado o universo e agora? Como se organiza algo
invisível e tão volátil?
- Tudo eu?! Tudo eu?!
Bastou-me criá-lo, agora entendam-se, deixo ao critério dos humanos. Sou
atemporal, não me vou ralar com isso, agora vou descansar, pois já terminei o
meu acto de Criação. Quem se sentir incomodado que o organize.
-
Então como se vai desenhar a barra cronológica da vida do Homem? Como saberemos
se os relógios da vida batem certo? Onde colocaremos a Revolução Francesa, o
nascimento do Messias ou o Homem do Neolítico? Os Humanos vão baralhar tudo,
solicitamos pelo menos um desenho IKEA (Ignorância Kombatida com Esquema da
Aprendizagem).
- Problema vosso…fui!
Para Adão e Eva, foi simples,
houve apenas 2 tempos: Antes da maçâ e depois da maçã – um sistema binário do
tempo.
Depois, foi correr
atrás de soluções. Sumérios, Egípcios, Chineses, Maias, Judeus, Muçulmanos e Romanos,
todos eles tentaram resolver o problema porque muitos chegavam tarde ao
trabalho, a idade dos filhos era pouco rigorosa, gerando problemas para saber
quanto deveriam entrar para os infantários, o tempo de festejar os equinócios
batia sempre errado, e até era complicado agendar os dias certos para começar e
terminar as guerras. Uma chatice! ainda não havia net e todos desconheciam que todos
andavam à procura do mesmo: a organização do tempo. Fizeram-se milhares de
contas, teses de mestrado, doutoramentos, ajudados pelos ciclos da noite e do
dia, da luz solar e da vela e sempre referenciados pela Lua, que também parecia
brincar com eles, ora gorda, ora magra, ora invisível.
Nós, neste lado do
mundo, levámos com o calendário inventado pelos Romanos; não foi fácil, depois
de milhares de contas, sobravam sempre 6 horas em cada ano, para grande
frustração destes. Copiavam anfiteatros gregos, inventavam coliseus, pontes e
aquedutos, mas eram incapazes de resolver o calendário, devido a umas míseras 6
horas. Repetiram-se contas, e as 6 horas continuavam, e não dava jeito nenhum criar
um dia com apenas seis horas, porque isso significaria baralhar o Sol e a Lua, o
sono das crianças e os horários dos hipermercados.
O Calendário criado em
Roma no século VI foi aprovado 10 séculos depois – não nos podemos queixar da
demora da aprovação do local do novo aeroporto de Lisboa. Levaram 10 séculos
para resolver as 6 horas a mais.
No século XVI, o Papa
Gregório XIII (Ugo Boncompagni), conhecido como bom mediador de conflitos, deu
um murro na mesa e disse:
- Alto e para o baile,
vamos resolver definitivamente o problema das 6 horas, já estou farto disto!
Reuniram-se os
especialistas mais descomplicados da cabeça e nasceu finalmente o primeiro “Compendium”,
contendo a proposta dos anos bissextos, que constava na ideia simples de juntar
as 6 horas acumuladas em 4 anos, ao fim de 4 anos, adicionando mais um dia no
calendário, resultando nesta conta dificílima, 6 horas x 4 anos = 24 horas – enigma resolvido
que passou a denominar-se por Calendário Gregoriano, hoje utilizado em quase
todo o mundo.
Para os que ainda não
entenderam como saber se o ano é bissexto, façam a seguinte divisão: escrevam o
ano como dividendo, as 6 horas no divisor, os 4 anos no quociente, e depois é
fazer as contas, se der resto zero, significa que é ano bissexto, se não der,
não é:
- Não percebeste as
contas? Estudásses!
Publicado em NVR, 28|02|2024
24 fevereiro, 2024
22 fevereiro, 2024
21 fevereiro, 2024
SINTA COMO É GRANDE O UNIVERSO
Estávamos a tentar resolver o problema de umas canalizações cá em casa. O meu interlocutor é um homem que vai resolvendo problemas destes a quem eu vou solicitando sempre que a máquina de habitar resolve avariar sem aviso prévio. Conhecemo-nos há alguns anos e vamos conversando durante o trabalho. Por vezes rimos, de situações caricatas ou porque eu mando umas broeiradas no ramo das canalizações, propositadamente, para aligeirar trabalhos complexos e nem sempre bem cheirosos.
Ele
sabe de todas as fofocas da Bila, conhece meio-mundo e uma parte do outro e
acho-lhe piada, porque a conversa flui fácil e quase sempre bem-humorada, mas hoje
o diálogo foi ensombrado por uma nuvem cinzenta.
- Oh
sra. arquitecta, como é ter a sua idade?
- É
mau e bom, todos os dias dói alguma coisa, mas desvalorizo muitas situações,
penso sempre que depois da tempestade virá a bonança e rejeito tudo o que me
aborrece para depois tentar ser feliz todos os dias. Seria melhor voltar a ter
20 anos e saber o que sei hoje, para não cometer erros que cometi e não gastar
tempo com pessoas que o não mereciam… mesmo assim, é melhor chegar à minha
idade do que ficar pelo caminho. Chama-se a isto experiência de vida.
-
Tenho andado tão cismático, sou mais novo que a sra. arquitecta, mas os
cinquenta anos põem-me velho e isso não me sai da cabeça.
Fiquei
surpreendida, pareceu-me que o optimismo deste colaborador cedeu à depressão.
Ele não estava bem. Precisava de conversar.
- Até
andei na net e percebi que a maioria dos suicídios dos homens são na minha
idade.
Fiquei
cada vez mais preocupada e fui perguntando, se tinha algum problema de saúde,
financeiro ou familiar.
- Vivo
bem com a minha filha e tudo está bem com ela, mas ando com uns pensamentos sombrios.
Tentei
conversar aligeirando o seu desconforto, com aquela racionalidade que nos podem
recolocar no alinhamento da vida e com uma pitada de humor.
- É
religioso?
-
Quase nada?
- Se
acredita em Deus e na vida após a morte, tem imensa sorte, porque se pode
projectar em 2 vidas, e sabe que a outra lá estará à sua espera, portanto não é
necessário ter pressa, quanto mais tarde melhor, vamos ganhando experiência
nesta.
- E não
acreditando?
- Se
não acredita, então só tem esta vida para viver, e é melhor não a desperdiçar,
porque depois da morte nada existe, é o vazio. A vida é feita de coisas boas e
más, ignore as más, viva cada momento, como se fosse único, e tente aproveitá-lo
o melhor possível. Não desperdice tempo com pessoas que não merecem, e pense
que vivemos, com ou sem companhia, num sítio espectacular. Sabe-se lá se o Céu da
religião tem só nuvens e nuvens, sempre de dia ou sempre de noite? Como
cheirará por lá? Pelo menos aqui temos variedade de sítios e de gentes, o que é
desafiador, portanto é melhor aproveitar o sol, a chuva, o frio. Se tem um
desgosto de amor, aprenda a dar valor a si mesmo. Nós somos sempre a nossa
melhor companhia. Todos nós temos a mania de colocar sempre os outros em
primeiro lugar, mas tudo tem limites. Nós nascemos sós e morreremos sós, no
intervalo da vida também devemos aprender a gostar de nós e pensarmos muitas
vezes em nós, em primeiro lugar. E não é pecado, nem censurável. Se não
estivermos bem connosco, não poderemos estar bem com os outros. Aprecie a vida,
faça aquilo que gosta, ofereça um bom presente a si mesmo. Se tiver dinheiro,
facilita. Olhe à sua volta, veja como o mundo é grande, e nós estamos aqui
metidos numa cozinha a limpar um sifão, como se o mundo fosse este lava-loiças.
- A
sra. arquitecta fala bem e com razão, por vezes nem sabemos porque andamos
chateados.
-
Falar com alguém é sempre bom. Viver é tão bonito, vou recomendar-lhe uma
coisa, sempre que possa vá assistir ao maior espectáculo do mundo.
- Como assim? Onde?
- Vá assistir ao pôr-do-sol. Escolha um bom sítio virado para o Marão ou no curso do rio Douro. É diferente todos os dias, sinta como é grande o Universo e tem oportunidade de assistir a toda essa grandeza, gratuitamente. Drama, drama é estar doente, ou ir comprar covilhetes quentinhos e já não haver, ou um dia o Sol cansar-se e desaparecer pelo tubo da canalização, o resto, é o resto.
- Eheheh a sra. arquitecta tem cada uma!14 fevereiro, 2024
Partilhando Pessoa
Partilhando Pessoa
Escrevi o meu texto
desta semana e perdi-o nas gravações apressadas e ensonadas, no final de uma
noite a chocar a gripe. Pastas e arquivos revirados, não o encontrei. Texto dedicado
às matrafonas do Carnaval, que encantam todos os que pretendem valorizar as
tradições do Carnaval das gentes de Portugal, tentando contrariar escolas de
samba e afins, que surgem muito ridículos no nosso território, de clima frio e quase
900 anos de História e Tradição, que se amplia para além da nacionalidade.
Não há nada que chegue
a um careto e uma boa matrafona, de mamas grandes, maquilhagem exagerada que
contrasta com barbas e bigodes, permitindo aos homens inverter a sua
personalidade durante o Carnaval, expressa através da “feminilidade” de umas
pernas musculosas a usar meias de vidro pretas, com costura perna abaixo,
rematando com uns sapatos ou sandálias maiores do que o número 42, onde lhe
caibam os pés.
Tive preguiça em
reescrever e regressei às minhas leituras.
Decidi partilhar Pessoa, num poema
que refere uma máscara, a sua, sobre a antiga e sempre atual questão «Quem sou
eu?», tão familiar a este poeta:
“Aquela
falsa e triste semelhança
Entre quem
julgo ser e quem eu sou.
Sou a
máscara que volve a ser criança,
Mas
reconheço, adulto, aonde estou,
Isto não é o
Carnaval, nem eu.
Tenho
vontade de dormir, e ando.
Ironia e
metafísica se misturam, num outro poema de Campos:
Estou morto,
de tédio também
Eu bato, a
rir, com a cabeça nos astros
Como se
desse com ela num arco de brincadeira
Estendido,
no carnaval, de um lado ao outro do corredor,
Irei vestido
de astros; com o sol por chapéu de coco
No grande
Carnaval do espaço entre Deus e a vida.”
E adiciono
mais este dedicado à vida:
“A vida é
uma tremenda bebedeira.
Eu nunca
tiro dela outra impressão.
Passo nas
ruas, tenho a sensação
De um
carnaval cheio de cor e poeira…”
07 fevereiro, 2024
Viver melhor depois dos 60, significa trabalhar?
Viver melhor depois dos 60, significa trabalhar?
Não consigo ficar passiva perante
aqueles que defendem que se deve adiar a idade da aposentação, porque a
esperança de vida aumentou, e é preciso conferir qualidade de vida aos mais
velhos através do trabalho.
Apresentam-se argumentos financeiros
disfarçados e algumas ratices para ver se a coisa pega. Apela-se à vida
saudável, à mão-de-obra experiente e especializada, ao saber desperdiçado, às
aspirações e à realização pessoal /profissional depois dos 60, desenvolvendo o
conceito de que trabalhar dá saúde e faz crescer.
Penso que querem fazer de nós totós!
Querem fazer crer à malta que os aposentados ficam sentados numa cadeira
pasmados para o infinito, e isso deve-se a não terem trabalho, horários,
responsabilidades e a não darem o corpinho ao mundo laboral.
Tadinhos dos velhinhos que não lhe
permitem uma realização profissional após os 60 anos! Durante mais 40 anos de
trabalho, não se realizaram, mas depois dos 60…
Este discurso altamente tendencioso e
demagógico é vergonhoso e ofensivo. Estes peritos em envelhecimento, não se
preocupam com os problemas dos trabalhadores na vida activa – se são bem
remunerados, horário semanal respeitado, estabilidade no emprego, competição saudável,
salários pagos a tempo e horas, gratificações, progressões nas carreiras, pausas,
respeito pelas mulheres grávidas, formação e outros assuntos do mundo laboral
pouco focados e respeitados, mas depois dos 60, os indivíduos no trabalho, estariam
em condições para lhe comerem a pele, a chicha e os ossos. Haja vergonha!
Na idade da aposentação, em Portugal
tardia, as pessoas querem descansar, não ter grandes responsabilidades, não ter
horários para cumprir, fazer o que lhes apetece e ter uma aposentação que lhes
permita ter uma final de vida despreocupado e de qualidade.
Esperança de vida maior não significa
que o ser humano deixou de ter problemas de saúde. A maioria, a partir dos 60,
tem problemas físicos e aqueles que tiveram uma vida profissional activa, mesmo
activa e desgastante, chega aos 60, arrasada. Sabemos que os idosos não são
todos iguais, por isso a generalização é perigosa.
Quem lava escadas durante 40 anos,
quer continuar a trabalhar?
Os trabalhadores da saúde, a fazer
horários irregulares, a tratar sempre de doentes, com grandes níveis de stress,
querem continuar?
Os policias com a vida em risco
diário, querem continuar?
Os professores que tentam educar os
filhos dos outros durante 40 anos, de mala às costas numa parte da sua
carreira, sendo alvo frequente de má educação por parte de alunos, querem
continuar a trabalhar?
Os empregados de café, cozinheiros,
todo o dia em pé, os primeiros a aturar as esquisitices dos clientes e os segundos
todos os dias a cheirar a alho, óleo fula e a estrugido, querem continuar?
Os agricultores, sempre dependentes
do tempo e dos agentes atmosféricos, todos os dias a cavar a terra, querem?
Os lixeiros, os advogados, os
militares, os operários, os arquitectos, os pescadores, os motoristas…
independentemente da profissão, há um desgaste progressivo e saturação, incompatível
com as condições físicas que se vão degradando.
Morremos mais tarde, mas morremos
doentes. A medicina, felizmente, evoluiu, mas a carcaça é a mesma, ou seja,
agora é possível estar doente mais tempo.
Curiosamente, os que defendem o
trabalho para os idosos, são pessoas com vida activa muito passiva, passam pelo
mundo do trabalho de forma confortável e pouco stressante. Ir trabalhar é como
ir tomar café, nem se questionam se os jovens precisam entrar mais cedo no
mundo do trabalho e auto-avaliam-se por excesso, sobrevalorizando o seu saber e
a sua experiência, não percebendo, por vezes, que o tempo deles já passou e que
estão desactualizados a fazer figurinhas deprimentes. Há algo denominado
voluntariado, para onde podem ir dar o litro, porém, não queiram arrastar os
outros para este caminho.
Sobre aposentação considero 3
questões:
- Os 60 anos deveriam ser a idade
limite ou 35 anos de descontos;
- É urgente criar a longo prazo um
plano sério de sustentabilidade do sistema que contrarie aposentações tardias;
- É fundamental apoiar a 3.ª idade ao
nível do conforto e da tranquilidade – contrariar e condenar todo o tipo de
violência contra idosos, criar lares com boas condições e acessíveis para
todos, assistência médica gratuita, apoio domiciliário, formação, criar
oportunidades para viajar, conviver e, obviamente, para quem quer trabalhar
mais, poder fazê-lo desde que isso não crie vícios no mundo laboral,
nomeadamente reduzindo oportunidades de trabalho para os mais jovens. O
voluntariado referido atrás também é um cenário possível, mas perigoso dentro
de certas circunstâncias, quando se transforma em mão-de-obra gratuita.
Vivemos uma sociedade com exigências
crescentes sobre os indivíduos. Descansar passou a ser considerado um obstáculo
ao sucesso. Os momentos de lazer entram nessa lógica: existe uma pressão para
se diminuir o máximo possível do tempo livre em todas as idades e a aposentação
é algo que complica esta lógica sombria do que é viver, desumanizando-nos.
É urgente democratizar o ócio. Isto
já era tema nas sociedades gregas e romanas antigas. Para Platão e Aristóteles,
“o ócio era visto como condição necessária para que alguns, designadamente os
filósofos, pudessem, livremente, dedicar-se à procura da verdade, encarada,
essa, sim, como “prática” autenticamente nobre.” O ócio não pode ser associado ao tédio, à malandrice, à
depressão, à inutilidade e ao vazio. Penso que não há registo de que o ócio
tivesse sido causa de eventual exaustão e, por esse motivo, dando origem a
qualquer tipo de síndrome de Burnout!
Deixem viver os idosos como querem,
sem pressão, sem compromissos e sobretudo abram-lhes portas para novos voos,
novas oportunidades, novos saberes, para o mundo da criatividade, sem
interferir no mundo do trabalho e facilitem a convivência com a família e com
os amigos, de forma DIGNA e HUMANA.
Os idosos são mais frágeis, mas não
são tolos! E se eles quiserem ser pasmados e inactivos, têm o direito de o ser.
Respeitem a sua liberdade e conforto!
Publicado em NVR 07|02|2024
06 fevereiro, 2024
03 fevereiro, 2024
01 fevereiro, 2024
24 janeiro, 2024
IVA ACIMA, IVA ABAIXO
IVA ACIMA, IVA ABAIXO
Proprietários dos principais
supermercados e outras catedrais de consumo têm atitudes de vorazes predadores
e nós de consumidores cordeirinhos e deslumbrados.
Anuncia-se o fim do IVA zero a partir
de Janeiro e a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) afirma,
sossegando-nos, que estão todos em condições, de forma tranquila e
transparente, de cumprir novamente a lei e repor o IVA destes produtos (…),
lembrou que se vai verificar, desde logo, um acréscimo de 6% no preço dos
produtos em causa (básicos). “Essa reposição não vai ser gradual, vai ser
imediata”, reiterou.
TOMA LÁ QUE JÁ ALMOÇASTE! A
competência revelada ao mais alto nível!
A Associação Portuguesa de Empresas
de Distribuição (APED) defendeu que a isenção de IVA para 46 categorias de
produtos foi uma medida “muitíssimo bem-sucedida, que permitiu uma poupança
significativa às famílias” e agora, acrescento eu, é preciso repor o IVA,
porque está na hora de ter ainda mais lucro do que aquele que tiveram, e que se
lixem as famílias com menores recursos.
Em 46 produtos básicos alimentares, o
IVA volta à taxa que tinha até abril do ano passado e os consumidores têm de o
voltar a pagar - coitadinhas das cadeias de retalho! Espanha prolonga IVA zero
na alimentação em 2024 - como ganham menos do que nós, compreende-se (LOL).
Entendo pouco de economia, este sobe
e desce de impostos, esta engenharia financeira do consumo, sempre contra o
consumidor, porém, entendo do marketing aguerrido e feroz de algumas empresas,
especialmente as alimentares. Se eu mandasse acabava com as campanhas publicitárias,
os saldos, promoções, compensações, cartões de compras, que acumulam pontos
convertidos em dinheiro, que depois descontam na bomba de gasolina X, no
restaurante Y, nas parafarmácias Z e ainda em certas lojas de
electrodomésticos. Nas nossas carteiras há um mundo de talões, cada um com a sua
data, que me deprimem e me menorizam como cidadã livre. De certa forma faz-me
lembrar as relações de dependência esclavagista, que tiveram muito sucesso,
antigamente.
Agora um dos grandes supermercados,
até nos premeia com um vídeo no telemóvel denominado O SEU ANO DE POUPANÇA, utilizando
o nosso primeiro nome, como se houvesse grande cumplicidade entre nós, que
informa e nos parabeniza pelo consumo: quantas vezes usamos o cartão,
lembra-nos quanto poupamos ao longo do ano 2023, marcas associadas, quais são
as lojas amigas, qual o produto que mais consumimos, lembra-nos quanto poupamos
na bomba de gasolina (e eu associo à minha triste figura sempre a procura dos talões
dentro da minha carteira, durante o abastecimento) e afirma que a nossa receita
do ano foi deliciosa, acompanhada de elementos simbólicos de uma cozinha.
Acrescenta informando que + de 4,3 milhões de famílias usaram o cartão, + 2,7
milhões de utilizadores, registados, + de 11 milhões de prémios oferecidos.
Parece que nos deveríamos orgulhar do sucesso desta empresa. O vídeo só tem 2
falhas: não comunicar o seu lucro anual, para nós consumidores carpirmos em
conjunto, e partilhar a quantia de pessoas que recorrem a bancos alimentares e
refoods, para percebermos e aclamarmos os pecadilhos desta engenharia do marketing
consumista.
Esta relação de consumo irrita-me,
porque ela é (nem sei como a classificar)… aterradora talvez; além de nos
pressionar com preços e campanhas, gera nos consumidores a frustração e a
fidelização inconsciente, obrigando-os a consumir segundo os seus padrões:
- Até 21/1 use no (supermercado X) o
seu cupão de 15% de desconto.
- Até 14/1 utilize no (supermercado
X) os restantes 20,02€ que acumulou no seu cartão.
Ou seja, além de consumidores, temos
que ser atentos, porque temos prazos-limite para consumir, para não deitar tudo
a perder nos euros acumulados.
23 janeiro, 2024
21 janeiro, 2024
20 janeiro, 2024
17 janeiro, 2024
AS 5 APRENDIZAGENS
As 5 aprendizagens
Hoje pela manhã, falava
com alguém, que nem conheço presencialmente, sobre os problemas dos jovens de
hoje, com dificuldade em entender o seu papel na sociedade, as expectativas
elevadas que geram frustrações equivalentes e a desresponsabilização sobre a
vida social e política do país.
Cada geração tem as
suas problemáticas, e para entenderem a sua circunstância, deverão fazer muito
mais além do questionar, culpabilizar os outros, ir a festivais, ter os
melhores telemóveis e procurar prazer, fácil, rápido e depressa, recorrendo a
substâncias químicas.
Há 5 aprendizagens que
estão invisíveis na minha resiliência e sentido critico, perante o que me
rodeia, tendo como consequência uma certa frieza no trato de algumas situações,
porque as desdramatizo.
1 – Quando eu tinha
sete anos, o meu pai ensinou-me a construir uma parede, carregando tijolos,
ajudando a misturar o cimento, a areia e a água e ainda experienciando a linha
de prumo, a colocação de tijolos para travar a parede e acamar a argamassa com
a colher, para que a parede fosse bem feita e aprumada. Estava frio e sem luvas
– nesta lição aprendi a valorizar o que tenho e aquilo que ele me deixou, interiorizando
que o esforço, o empenho e o conhecimento são essenciais para atingir o
sucesso.
2 – Com dez anos
mostrou-me com detalhe, o que era um musseque por dentro, sem “mimimis”, sem “não
podes ver porque é demasiado mau” e explicou-me que os emigrantes em Paris,
viviam em “Bidonvilles”, algo semelhante a este habitar sem condições, agravado
por 9 meses de frio; senti o cheiro a pobreza, e a visão de “embriões” de
habitação precária, que a sociedade teimava em esconder – nesta lição de
sobrevivência aprendi a respeitar o outro, tomei consciência de como era
privilegiada, que teria de ser sempre solidária com os mais pobres e os menos
capazes e mais tarde, que o território se articula sempre com a política.
3 – Com a minha avó Felisbela,
pensei que ela nada me poderia ensinar, já que tinha mais 60 anos do que eu, e
nem imaginava quem eram os Rolling Stones; afinal ela soube sobreviver a uma viuvez
precoce, educar cinco filhos e ainda ajudar os outros – aprendi a respeitar quem
ensina e percebi que os mais velhos têm um banco de informação invejável sobre
o “saber fazer”; eles já testaram muito daquilo, que os mais novos pensam, que
inventaram.
4 - A minha mãe
habituada a partidas e a chegadas tinha a capacidade de converter qualquer
espaço, em espaço confortável – aprendi com ela que é sempre possível fazer melhor,
com poucos recursos, desde que haja criatividade e amor.
5 – Tive um explicador
de matemática que conseguiu abrir muitas janelinhas da minha mente, encarando a
matemática como um desafio e não como um problema – este meu mestre ensinou-me
a organizar a vida, a nunca perder o Norte e saber sempre aquilo que não quero.
Cada um terá as suas 5
aprendizagens, 5, 6, 7… tudo aquilo que forma os nossos valores e a nossa personalidade;
e quando tudo se apresenta confuso, quando a sociedade se apresenta corrupta, e
desnorteada, há que desconstruir a nossa geografia e encontrar a nossa matriz
para podermos reencontrar o nosso caminho. Nunca ceda à desilusão, nunca se
abandone à desistência, não se habitue à crítica fácil e frequente, sem
analisar o seu contributo para a sociedade ser melhor; aprenda a relativizar e
deixe o passado lá no sítio dele, preocupe-se com o presente e pense sempre que
este dia pode ser o último.
Conclusão, não esperem
pelos 3 Reis Magos, não esperem por D. Sebastião, não se iludam com um regime
político melhor do que a democracia. Não esperem que os outros façam aquilo que
vocês não fazem. A cama que fazemos é aquela que teremos para nos deitar. Nunca
fuja aos problemas, e às suas responsabilidades, porque este ou aquele não agiu
de forma correcta. Interrogue-se: Qual foi a minha contribuição para resolver o
problema?
Nada acontece na sua
vida? Faça acontecer!
Publicado em NVR 17/01/2024
15 janeiro, 2024
Museo dei Bozzetti
Estou bem, estou numa cidade de artistas.
Pietrasanta, perto de Lucca, em Itália.
Conhecida como cidade museu a céu aberto, na verdade não sei
de são esculturas temporárias ou permanentes. Gostei especialmente da coluna
gigante, não anotei o nome do autor.
Esta é uma cidade que nos últimos seculos tem sido um
cruzamento de artistas vindos de todo o mundo. Sob o governo Medici, foram
abertas pedreiras de mármore e aqui se aprendia a trabalhar com esse material.
(Diário de viagem 27/04/2012)






















































































































































































