19 outubro, 2019
17 outubro, 2019
Entre livros
Sou eu e a Ana Martins .
Conhecemo-nos em Viena, viajamos juntas por Viena, Bratislava, Budapeste e Praga, e nunca mais perdemos o contacto. A Ana é uma lutadora, uma menina mulher sem barreiras, que viaja pelo mundo, sozinha, sem qualquer problema, vendo-o, escutando-o e sentindo-o de outra maneira. Foi por causa dela que fiz uma edição áudio do meu livro “O fato que nunca vestimos” partilhando-a gratuitamente com a Associação de Cegos e Ambliopes. Há dois dias, em hora de adormecer oiço a voz da Ana no meu telemóvel, mostrando interesse em partilhar o meu livro num espaço “Entre livros” para muitas mais pessoas o poderem conhecer. A Ana tem formação superior, é psicóloga e sou sua fã, pela sua resiliência, sentido de humor, boa disposição, jovialidade e… e ainda por cima é lindíssima e pinta muito bem os olhos, faz-me ver o mundo de outra maneira e gosto de lhe descrever detalhes. Tenho pena de não estar contigo para te descrever a Opera de Garnier, talvez um dia nos encontremos de novo por esse mundo. Beijinhos.
09 outubro, 2019
FREITAS DO AMARAL
FREITAS DO AMARAL
A primeira
vez que vi Freitas do Amaral, o professor catedrático de Direito, foi através
da televisão, nos tempos de antena das 1ªs eleições legislativas (Abril de
1975). Éramos todos inexperientes na democracia e desconhecíamos a importância
dos media na divulgação de mensagens/informação. Nesses primeiros tempos de campanha
eleitoral, com tempos de antena muito limitados, onde muitos ficavam com o
discurso a meio, Freitas do Amaral surgiu no écran com o seu olhar de corvina assustada
e iniciava o tempo, fazendo o sinal da cruz. Esta gestualidade não colheu
grandes simpatizantes. Não havia sondagens, a informática estava em embrião,
certas contas ainda se faziam de lápis na orelha, nada se sabia de técnicas de
comunicação e marketing em campanhas eleitorais, como estas influenciam as
massas e havia de facto um grande número de votantes cristãos, a quem o sinal
da cruz de um democrata cristão, poderia assentar bem. Rapidamente reconheceu
que se tornava um pouco ridículo, num Portugal pós Abril, quase no final do
século XX, feito de homens de barbas ou grandes patilhas, numa campanha
eleitoral, onde vale tudo, menos “arrancar olhos”, apresentar-se com o sinal da
cruz.
Os tempos
eram de revolução, de punho no ar e grandes murais e seguiu-se o verão quente
de 75, recheado de assaltos a sedes de partidos e a rede bombista… a sociedade
extremou-se e Freitas do Amaral foi o rosto da direita portuguesa.
Distinguiram-se
quatro personalidades no espectro político, os verdadeiros pais da democracia
portuguesa (da esquerda, para a direita): Álvaro Cunhal, Mário Soares, Sá
Carneiro e Freitas do Amaral. O jogo era feito por estes quatro homens,
especialistas no direito, cada um representando um partido político, uns
cantando mais victórias do que outros, alguns marcados pelo exílio… o
equilíbrio da nossa sociedade deveu-se sem dúvida a estes quatro grandes. Cada
um com o seu estilo e fisicamente distintos, fizeram a alegria dos
caricaturistas portugueses, que regularmente popularizavam cartoons de sátira política.
Em 1986,
Freitas do Amaral, concorreu para Presidente da Republica representando o CDS
(partido que fundou) e o PSD (já órfão de Sá Carneiro) e os outros opositores foram
Mário Soares, Salgado Zenha, Maria de Lurdes Pintassilgo e Ângelo Veloso. Freitas
do Amaral teve mais votos, mas o sistema obrigou a uma segunda volta,
disputando o cargo com Mário Soares. Que me lembre, foram as eleições mais
participadas e agitadas, da democracia. O país dividiu-se em dois e a esquerda
teve que engolir o “sapo” identificado publicamente numa entrevista a Cunhal,
votanto maciçamente em Soares conferindo-lhe vitória, com mais 2% de votos do
que Freitas do Amaral.
Parecia mais
velho do que de facto era. Um dia descobri que ele não era tão velho como
aparentava e apesar de raramente aparecer com a sua mulher, esta era uma das
mais bonitas companheiras dos nossos políticos - uma beleza serena, delicada e
cuidada.
O grande
paradoxo deste senhor da política e das leis, deveu-se ao facto de ser sido
fundador de um partido e de o ter abandonado, sabe-se lá porquê. Sofreu o exílio
do seu próprio partido. Palavra, que isto sempre me fez confusão e foi esta a
razão pela qual me decidi escrever, reconhecendo a sua rectidão como líder. O
ardiloso Paulo Portas pareceu estar na base do seu afastamento e o super-paradoxo
é vê-lo aproximar-se da esquerda, exactamente do partido do seu grande rival,
Mário Soares. Um dia em entrevista teve a lucidez, a coragem e o humor para explicar,
referindo que não tinha sido ele que virou à esquerda, ele manteve-se no mesmo
sítio, o mundo é que tinha mudado, a engrenagem política também e o CDS teria rodado
para direita, onde ele não se integrava — um homem quase eleito pela direita,
acabou ao lado da esquerda.
Hoje os
jornais referem: “Um Homem que fundou um partido e morreu politicamente só”. (in
Público on line).
Publicado em NVR
11 setembro, 2019
Cidade e identidade
Cidade e identidade
A cidade é o
repositório de histórias por excelência.
Todos temos
uma identidade global e uma identidade nacional fundamentada num repertório do
grande colectivo, que nos converte em cidadãos de uma determinada época.
Depois, o
grande grupo de cidadãos do mundo, divide-se consoante o território onde habita
e constrói identidades mais personalizadas, com vertentes fortes de pertença,
de ligação aos lugares onde permanece e onde vive de forma mais ou menos
sedentária. Cada cidadão cria ligações aos lugares de memória antiga, de
memória intermédia e de memória presente. Os primeiros são espaços
arqueológicos que provocam grande orgulho sobre o passado longínquo, os
segundos geram dinâmicas das histórias do próprio individuo (onde nasceu, onde
se baptizou, onde namorou, onde fazia maroteiras com os amigos, onde se casou,
onde trabalhou, onde participou em eventos, onde se localizaram histórias
contadas pelos avós… ) e os terceiros, espaços urbanos mais recentes, vão-se
interiorizando e cristalizando em cada um.
Os elementos
de memória urbana são constituídos por edifícios civis, edifícios religiosos,
as ruas, as avenidas, os jardins, os coretos, os rios, as pontes, os
equipamentos colectivos e as árvores, testemunhas silenciosas, vivas, que nos
presenteiam com sombra, cor e odores. Tudo isto é como o fundo da tela de uma
pintura que interage com a figura principal representada na mesma, que neste
caso é cada um de nós. Quando o fundo se altera, a figura permanece, mas já não
é a mesma, porque lhe foi retirado algo familiar que interage com a sua
identidade. A inscrição das histórias urbanas realiza-se de forma diferente em
cada um, mas sobre o cenário comum a todos. Isto vale o que vale, uns valorizam
outros não, nunca pensaram nisto, porém, os lugares de memória são factores de
estabilidade social. A nossa identidade é aquilo que nos distingue dos outros,
que reforça a nossa auto-estima e que nos faz amar os sítios e convém manter-se
harmoniosa.
A cidade é o
suporte espacial das identidades. Os cidadãos transformam espaço, em lugares, apropriam-se
deles, os seus lugares, porque lhes atribuem conteúdo, simbolismo e geram
comportamentos personalizados. Misturam a sua trajectória com os processos espaciais
e as histórias aproximam-se e unem-se.
É perigoso
mexer com a identidade urbana. É necessário preservar os lugares para que a
identidade urbana e de cada um, sejam preservadas também. Sem memória, não há
diferença, não há singularidade.
A cidade
como organismo vivo em permanente e saudável crescimento, necessita também de
novos cenários urbanos a localizar nos novos espaços, para poder haver novas
leituras urbanas em contextos contemporâneos, enquadrados em narrativas
arquitectónicas actuais e até de vanguarda, não pondo em causa a identidade
referida, ou seja, novas intervenções em novos espaços.
O perigo em
mexer nos lugares é que são agressões irreversíveis. Não dá para voltar para
trás e repor situações anteriores.
Publicado em NVR - 11/09/2019
Etiquetas:
Arquitectura,
reflexão,
revoltando
22 agosto, 2019
EXPOSIÇÃO PICASSO - palácio das artes, Porto
Chama-se Pablo Picasso Suite Vollard e é uma colecção
inédita de 100 gravuras desenhadas por Picasso entre 1930 e 1937. Este pela
pela primeira vez em exposição em Portugal, de
Maio a Setembro de 2019, no
Palácio das Artes, no Porto.
Esta exposição, organizada pela Fundación MAPFRE em
colaboração com o Museu da Misericórdia Porto e a Taylor's Port, surge no Porto
por iniciativa de Charlotte Crapts, comissária de arte. A colecção de gravuras é considerada uma das
mais importantes do século XX, tendo sido criada para o marchand de Ambroise
Vollard. No entanto, devido à sua morte inesperada num acidente de carro, em
Julho de 1939, esperou vários anos até ser finalmente exibida ao público.
A minha reportagem de má qualidade, serve apenas de memória,
para lembrar mais tarde e ainda o registo de certos pormenores que revelam a
delicadeza do traço de Picasso na representação de homens e mulheres e que me
sensibilizaram. Nestas gravuras consegue-se descobrir o exercício de
antecipação de outras obras integradas no cubismo, que adquirem posteriormente
outra força e expressão - Guernica, mulher de dois rostos, mademoiselles de
Avignon...
Uma nota de agrado em relação ao Palácio das Artes que está
tão bonito.
Subscrever:
Mensagens (Atom)


