08 setembro, 2021

HERMITAGE, S. Petersburg


 Quero que saibas que vale a pena, vale muito a pena.

Estive no Hermitage. Estou sufocada por tanta beleza. Lamento não ter uma memória de elefante para conseguir registar todos os detalhes. Cheguei a um ponto que estava absolutamente esgotada. A máquina fotográfica irá permitir rever com calma em casa. A escadaria principal ainda é mais interessante do que aquilo que eu conhecia através de imagens. Todos os pormenores são delicados. A dimensão é gigantesca, as salas sucedem-se e parecem ter sido construídas há menos de um ano, aliás uma caracterisitca do património arquitectónico russo.  Os pavimentos de madeira, os tectos, pilares de tods as formas e feitios. Delicadeza, delicadeza... e sapiência, quase nem olhei para as pinturas do espólio do museu, porque isso para mim é menor. Fiquei completamente absorvida pelo edifício. Gastaria aqui à vontade vários meses apenas para apreciar e fruir cada pormenor. Deixaram-me entrar sem protecção nas sapatilhas. Vou dormir embalada em mármores, lacados dourados, cores de marfim, composição arquitectónica onde tudo bate certo... a escala é grandiosa, mas necessária para conter tanta narrativa construtiva e proporcionalidade. Muita, muita arte. Vale a pena vir até aqui e sentir que viver é bom perante este espectáculo estético.

Boa noite

Diário de viagem, 3 de Agosto 2016






06 setembro, 2021

01 setembro, 2021

A nova Avenida


 A nova avenida

              Todos os projectos urbanos estruturam-se em motivações políticas, históricas, sociais, económicas e só depois, vem a estética, a ética e a sustentabilidade. São sempre projectos de grande complexidade, pouco compreensíveis pelo comum dos mortais, já que estes julgam superficialmente agora reforçados com o “webachismo”. A geometria tenta dar forma às funções, às questões colocadas, às condicionantes, entendida como a matéria-prima do desenho arquitectónico e engloba sempre diversas opções que podem sensibilizar, mais uns do que outros, tentando solucionar os pontos fracos que existem. A arquitectura, felizmente, não é matemática, com produtos únicos. A arquitectura faz-se de muitas soluções, conforme a época e o autor, por isso é tão interessante, porque desperta em nós avaliações e juízos de valor, diversos.

              A avaliação de um projecto urbano deve fazer-se conhecendo os antecedentes, pontos fracos e fortes, e os objectivos a atingir, para depois se atribuir valor ao que se realizou e avaliar. Se o projecto atingiu os objectivos será um sucesso, se não atingiu, será um mau projeto. Esta é a forma linear de reflectir, mas nem sempre a vida é linear e aquilo que se pensa hoje, talvez não se pense amanhã, sem que a mudança tenha que ser desconfortável ou contrariada.

              Na execução da obra e no confronto com a opinião pública, apela-se ao onírico, ao sonho, à filosofia estética, às teorias mais ou menos românticas e imaginadas, algumas absurdas e bizarras, para conquistar os mais cépticos, também pelo coração. Às vezes funciona, outras não. Acreditar que D. Sebastião regressará numa manhã de nevoeiro, acciona a nossa esperança e optimismo, Não resolve os nossos problemas, mas faz-nos bem. Sobre a nossa avenida já ouvi tanta coisa digna de uma fotonovela, que até resolvi esquecer. Por favor, digam a verdade e expliquem com clareza aquilo que não tem sensibilizado pela positiva a opinião pública.

              A avenida Carvalho Araújo já tinha sido intervencionada, pela Câmara PSD, tendo decepado a mesma, portanto não fazia sentido o PS manter um resto de jardim moribundo, só porque sim, subjugando-se a uma avenida em ruínas. Já escrevi sobre isso.

              Sobre o projecto actual, completamente minimalista, com forma contemporânea, todos fazem a analogia com a Avenida dos Aliados de Siza Vieira, também polémica, também minimal, também “clean” e árida, mas que encontra algum sentido na festa de S. João, em grandes eventos públicos e nas grandes manifs.

              Hoje na mente dos cidadãos fica difícil a transição de um jardim arrumadinho, simétrico entre si, cheio de florzinhas organizadas, mais para ornamentação do que para ser vivenciado, para um novo desenho contemporâneo, em que será mais importante a vivência, do que a forma. Anteriormente o que terão pensado os vila-realenses quando lhe retiraram o seu terreiro junto à Sé e criaram um jardim muito bonitinho e arrumadinho, que não permitia a permanência das pessoas? Tentando não manifestar muito a minha concordância ou repúdio, leio assim esta intervenção:

1 – A tentativa para conquistar espaços para peões no centro urbano, está politicamente alinhada com a Europa e com os problemas ambientais que são de todos nós. Esta estratégia repete-se em diversas cidades europeias criando soluções que dificultam ou reduzem a circulação automóvel. É urgente reabilitar os centros urbanos e dar espaço que favoreça a residência e o lazer das pessoas. O lugar atrás da adufa, terminou há muito e o comércio tradicional colapsou, desde que as grandes superfícies se instalaram no território.

 2 – O desenho urbano da avenida abandona a simetria, porque os edifícios de topo não podem propor qualquer alinhamento, dado que ele nunca existiu. Puxou-se a circulação automóvel para o lado dos equipamentos – Hospital, Sé, Conservatório e CTT – beneficiou-se o lado dos cafés (saiu-lhes a sorte grande) com mais espaço. Este espaço pedonal não tem que ter passadeiras, porque o trânsito deve ser condicionado, portanto, a prioridade será sempre dos peões. Agrade ou não, é assim. Esta avenida deixou de ser zona de passagem e tenta ser zona de permanência. Veremos se resulta.

3 – A construção da barreira criada entre o edifício que simboliza o poder judicial e o resto da avenida, é o calcanhar de Aquiles desta avenida renovada. Refiro-me obviamente à antiga praça Luís de Camões. Se estivéssemos no tempo da outra ”senhora”, esta seria uma barreira conseguida, porém incoerente e frágil, porque a geometria parece pretender unir, com a eliminação da rua, mas em simultâneo separa. Há aqui algo que falha profundamente e os cidadãos perceberam logo isso, mesmo que não consigam teorizar.  A implantação do tribunal em cota alta já confere a este edifício a dignidade que se pretende para a instituição, reforçada pela sua escadaria com visão sobre a avenida. Os arquitectos do Estado Novo dominavam estes elementos muito bem e até de forma bela e harmoniosa. Aqui não se soube filtrar a memória e os elementos da história, traduzindo esta amálgama urbana num design criativo, em vez da reinvenção abusiva, com a intrusão de um muro. Segundo Aldo Rossi, a cidade deve reinventar-se para que os cidadãos vivam melhor, dentro de um contexto de dinâmica urbana equilibrada com a política como escolha. Espaços fluídos permitem dinâmicas variadas tão próprias das exigências do Homem do século XXI e será esse o segredo para aquisição de valor, que construirá identidade e memória colectiva do presente. Temos aqui uma boa proposta funcional e uma desagradável solução formal. O que correu mal? O anfiteatro é certamente um elemento positivo, mas ninguém gosta do muro, tendo sido já apelidado com nomes indignos. A ideia de um todo e de continuidade urbana, falha aqui completamente.

4 - Compare-se a foto virtual resultante do projeto, apresentada em sessão pública (1) pelo autor do projecto e a realidade (2) - eu diria que não bate a letra com a careta. O que é que se passou? Os vila-realenses sentem-se enganados porque não foi isto que lhes mostraram na simulação que consta na foto virtual. Isto é mau, por mais teorias que inventem. Fazem-se comparações com a Avenida dos Aliados no Porto, porém, aquele "laguinho, espelho de água, charquinho para murcões” ou o que lhe quiserem chamar, implanta-se numa cota inferior ao piso da avenida, o que o converte numa “volumetria negativa”, não confrontando nada, nem ninguém. Aqui falha isso, bastaria seguir o exemplo, ou seja, tomar atenção às cotas da morfologia, para que a volumetria não se transformasse em barreira abusiva e em impacto desagradável. Para o arquiteto, o muro “é um valor” que esconde “um segredo” do anfiteatro ao ar livre e cria uma espécie de varanda com vista sobre a avenida.[1] Uma varanda deve ter uma personalidade biunívoca, ter vista agradável e ser agradável à vista... esta não é, é uma experiência sensorial desagradável.

5 – Sobre a reposição do fontanário da aguadeira, que agora até foi promovida abusivamente a Maria da Fonte, a mudança de localização retoma a posição original e o enquadramento não arborizado, assume a forma de terreiro tal como existia antigamente.

6 - O “rego” ou “canal” de água, nem sei como o deva denominar e apreciar, parece-me invulgar, porém, ridículo, inicialmente pensava que seria uma linha de vapor para os dias de verão, mas enganei-me, nem isso, tem pontualmente alguns repuxos, que ainda não vi em funcionamento. Será a linha de água que se transforma em repuxos mais abaixo? Constituirá a referência à conduta de água que antigamente abasteceria o fontanário do Tabulado? Muitos se interrogam se a água é reaproveitada ou não. Expliquem por favor.

7 – O banco contínuo sugere a fila de espera da carreira, sem encosto, no alinhamento do canal - pormenores menores, onde não foco a minha atenção, deixo para a imaginação popular. Ter muito espaço para sentar é o que interessa.

8 – A substituição da calçada portuguesa que integra o nosso património imaterial, por placas de granito, empobrece a cidade, dizem os cidadãos.

9 – Mais pessoas e menos carros: objectivo conseguido. A circulação condicionada de veículos, que incomoda a maioria dos cidadãos, valida a política que se adoptou para esta cidade, ainda um pouco desajustada, mas com uma filosofia de base difícil de contrariar - a valorização das zonas pedonais, mesmo que nem sempre existam peões, dificuldades crescentes à circulação automóvel implicando o aumento das filas no trânsito. Este é o paradigma que resulta da reflexão sobre as grandes mudanças urbanas no sentido de minimizar os problemas ambientais. Queiramos ou não, isto anda tudo ligado e soluções geniais ainda não há, mas certamente terão de ser melhoradas as soluções actuais.

10 – Faltam árvores. Estas dificultam a organização espacial de grandes eventos, mas reduzem o impacto solar e beneficiariam a utilização diurna.

              Acabem lá com a escaramuça política em que esta situação se tornou, que será aproveitada na campanha eleitoral. Não tenho dúvidas que os vila-realenses invadirão a avenida, criticando ou não, porque estão sequiosos, de grandes espaços, de convívio e de cultura, e o espaço está lá. São necessárias mais árvores. É preciso mais estacionamento, sim. É preciso melhorar os transportes públicos, também. É preciso corrigir situações ao longo da cidade, evidentemente. Evidenciar os elementos históricos, repor situações e beneficiar as pessoas, parece-me legítimo e bom. Aparentemente a avenida parece fraccionada em 5 partes, é necessário explicar o seu fio condutor, a sua teoria de suporte e corrigir o que foi menos conseguido (Praça Luís de Camões) – assim se reforçará a nossa identidade.

              A vida faz-se vivendo, em espaços em constante mudança, mas quando tudo é bem explicado, melhor se digere, é urgente apresentar-se ao público a evolução histórica desta avenida até porque estão em causa dois milhões de euros. Tragam as explicações ao espaço público, já agora, ao terreiro. A mudança nem sempre é fácil de entender e de assumir. A mudança gera sempre conflitos, temos essa experiência durante 350 mil anos e sempre a reclamar.
Publicado em NVR 02/09/2021

[1] https://greensavers.sapo.pt/principal-avenida-de-vila-real-tera-mais-pessoas-e-menos-carros-obras-serao-concluidas-em-agosto/

31 agosto, 2021

Amesterdão


 

Escultura Bratislava


 Em Bratislava em 2017, numa manhã com um pouquinho de chuva. 

25 agosto, 2021

O C-17


 

O C-17

              As imagens transmitidas pela televisão e web são aterradoras.

              A fuga desesperada aos talibans que ocuparam pela força, Cabul, tiradas no aeroporto chegam a ser surreais.

              A terra é deles, mas o terror gera solidariedade que deve falar todas as línguas e ser transversal ao universo.

              Apesar de se apresentarem agora 20 anos depois, como mais moderados e respeitadores, não queria estar na pele daquela gente, especialmente sendo mulher.

              O aeroporto abarrotava de gente e o que mais me impressionou, foi a invasão da pista e as pessoas subirem para o avião ou agarrarem-se na parte exterior do mesmo, em atitude de desespero, mesmo sabendo que do lado de fora do avião ninguém iria conseguir sair dali. Chama-se a isto a fuga para a sobrevivência. Uns caíram, outros foram atropelados e outros morreram. Alguns conseguiram levantar voo e ainda sobrevoar Cabul e caíram. Outros ficaram esmagados na descolagem. 

              A imagem do interior do avião parecer ser fake, mas o drama persiste. 640 pessoas a bordo deste avião preparado para uma lotação de 100 pessoas, e mais uns milhares, retiradas noutros aviões nos dias seguintes. O C-17 foi uma amostra para o mundo.

              Neste conflito, nunca sei qual é o lado da razão, nunca conheço todos os antecedentes, nem as estratégias da política internacional. Sinto-me pequenina e frequentemente manipulada, apesar do meu esforço de clarificar questões, mediante este gigantesco tabuleiro de xadrez. São os americanos, é a Rússia, são os mujahidins, é o Osama Bin Laden, é a Al-Qaeda, é a revolução afegã...  desconheço quem é a dama, o rei, os cavalos, os bispos e as torres, porque umas vezes são uns, outras vezes são outros, oscilam entre as pretas e as brancas e o tabuleiro quadriculado é um espaço ilusório e disforme, cheio de buracos negros, armadilhas e diplomacias internacionais trilhadas em caminhos miméticos e violentos. Cada um tem o seu valor e o seu movimento, ora em ataque, ora em defesa...só reconheço os miseráveis peões, as mulheres e as crianças, seres considerados menores e sem direitos, que sofrem abusos constantes, sem poderem ter uma vida digna e livre, ou melhor, se podem, na verdade, resistir e sobreviver – um drama humanitário. Por vezes tudo parece tranquilo e equilibrado até que um xeque-mate surpreende a nossa inércia boçal, sempre com a tradução em sofrimento dos peões.

              Cada vez mais gosto de viver onde vivo, onde tudo se poderá resumir, se a avenida tem árvores ou não, se temos um rego com vaporzinhos e qual a sua função, para que servem passeios tão largos na minha rua, onde não passa ninguém, as reclamações do condutor do carro dos bombeiros contra a rua larga, de acesso estreito, o muro do tribunal, o banco corrido que parece a espera da “carreira”, a calçada à portuguesa que foi à vida...

              Ufa, gosto mesmo disto, desta paz tão pouco problemática e destes confrontinhos de cacaracá, que não matam, nem ofendem ninguém. 

              Não quero outra vida!!! Como sou feliz!

Publicado em NVR, 25/08/2021

24 agosto, 2021

Carralcova



Carralcova (Arcos) - antecipando e repetindo.

Quando o silêncio completa a nossa agitação, o bálsamo dos desencontros transforma-se em diversos sorrisos.

Vale a pena viver. Aqui o tempo pára e passa depressa - uma ampulheta incompreensível. 
 

20 agosto, 2021

QUELHAS APARTMENT

 



QUELHAS APARTMENT

Ver e rever para passear numa das cidades mais belas do mundo - Porto.

18 agosto, 2021

ETIMOLOGIA DOS PAÍSES

Etimologia dos países

              Tive curiosidade em consultar um atlas etimológico, descobrindo a origem dos nomes dos países, para preencher tempo de ócio.

              Sempre achei piada ao nome de Irão, e todos que terminam em ão, dando-me ideia que seriam países muito grandes associando ao sufixo aumentativo, mas após estudar o assunto, descobri muita coisa interessante. A maioria dos nomes relaciona-se com as características do território, algo que ocorreu com a colonização ou ligada ao seu colonizador. Percebi que Cristóvão Colombo e Fernão de Magalhães apadrinharam muitos lugares e os países orientais apelam mais à essência da natureza, aos fenómenos solares e aos valores.

              Começando por Portugal, cuja origem Portus Cale remonta à sua fundação– Porto vem do latim e Cale é nome de território que curiosamente também significa porto, assim teremos um porto em duplicado, com a certeza que tem origem nas cidades do Porto e de Gaia.

              Cada investigador cria a sua teoria, com analogias e conclusões muito próprias e assim se faz a História.

              Ora vejam:

Espanha – terra dos coelhos, segundo os cartagineses encontraram este território infestado de coelhos, quem diria...

França – terra dos ferozes;

Inglaterra – canal estreito:

Irlanda – terra da fartura:

Itália - terra dos bezerros:

Noruega – caminho do Norte;

Rússia -. remadores;

México - umbigo da Lua:

Bahamas – baixa-mar;

Bermudas-sempre associei aos calções compridos, afinal o navegador espanhol que as descobriu chamava-se Juan Bermundêz;

Cayman – crocodilo;

Honduras - água profundas (funduras);

Argentina – terra da prata (argentum);

Brasil -- vermelho cor de brasa, proveniente do brésil extraído das árvores e serve para tingir. Curiosamente a bandeira nada tem a ver com o simbolismo do nome.

Bolívia – República de Simón Bolivar;

Venezuela  - pequena Veneza. Quando Alonso de Ojeda passou pela Venezuela em 1499, lembrou-se da cidade italiana por causa das casas onde vivam os indígenas, que ficavam à beira da água – ou, em alguns casos, no meio do rio, erguidas em palafitas – formando uma espécie de cidade alagada similar à europeia.

Angola – N’gola, rei;

Benin - terra do aborrecimento e da Irritação;   

Camarões – para quem gosta, aqui há em abundância;

Egipto - derivada de hūt-kā-ptah, “Templo (hut) da Alma (ka) do Deus Ptá”, marido da deusa Sekhmet na mitologia. Em grego, foi simplificado para Gea Ptah, “Terra de Ptah”, e daí virou Aegyptos.

Etiópia – terra dos bronzeados;

Gabão – sobretudo;

Libéria- livrelândia – o país foi fundado como assentamento de escravos libertados nos EUA que aceitaram retornar ao continente africano.

Irão – terra de nobres;

Bangladesh – país do sol;

Japão – terra do sol nascente;

China – império do meio;

Tailândia – terra dos homens livres;

Papua Nova Guiné - Nova África de Cabelo Cacheado

              Um dos nomes mais curiosos encontrados foi Nauru, sendo um país da Oceânia. O nome verdadeiro deste minúsculo país é “A-nao-ero” que significa “vou à praia para deixar os meus ossos”. Essa era a frase utilizada pelos primeiros povoadores, para indicar que os seus ancestrais, após vários dias de navegação, estavam a morrer quando chegaram a esta ilha, salvando a vida.

Publicado em NVR, 18/08/2021

16 agosto, 2021

CURADORIA DIGITAL DOS ARTISTAS PLÁSTICOS DE ANGOLA

 É um espaço em permanente construção, obviamente, e para o aumentar basta contactar a autora e sugerir-lhe os nomes que possam estar em falta.


Mais de duzentos artistas plásticos listados por ordem alfabética.
VER AQUI

AUTORA: Anabela Quelhas

AGRADECIMENTOS: João Pedro Fonseca e Tomás Gavino Coelho.

13 agosto, 2021

SEXTA-FEIRA 13 - DESENKELHANDO








Costumamos dizer que amigos de verdade são os que estão ao teu lado em momentos difíceis... Mas não!
Amigos verdadeiros são os que suportam a tua felicidade!





 

11 agosto, 2021

GUIÃO


Pintura: Anabela Quelhas

 GUIÃO 

              É tempo de passear e fazer visitas a exposições e museus.

              Como devemos agir perante estas visitas em que seremos invadidos por muita informação que não dominamos?

              Entramos ou fugimos?

              É sempre melhor entrar e aceitar todos os estímulos a que vamos ser sujeitos.

              Quem não tem formação artística, fica inseguro não sabendo distinguir o que é mais importante e receia sair dali com a sensação de não ter aproveitado na totalidade esta experiência tão particular.

              Se a visita foi programada, aconselho a que leia antes, algo sobre o que irá ver, porque assim já possuirá antecipadamente, um complemento de informação, permitindo-lhe aproveitar melhor a visita.

              Não gosto de áudio-guias, porque sei selecionar o que me interessa, mas o áudio-guia dar-lhe-á informação organizada e no tempo certo.

              Certamente será surpreendido por alguma coisa, porque normalmente, estes são espaços onde a criatividade abunda. Deixe-se surpreender, ou até emocionar, mesmo que não entenda as razões, abra o seu coração e a sua mente, para que a emoção se instale dentro de si. Depois tente perceber o que sente e como a mensagem o afectou, primeiro a emoção e depois a razão.

              Nunca tente memorizar tudo, porque somos humanos e a nossa capacidade de concentração e memorização é limitada. Quando visitar um grande museu, tente vê-lo por partes. Alguns dos maiores museus do mundo, já têm vários percursos seleccionados para o ajudar nesse sentido. É mais fácil rentabilizar pequenas exposições do que exposições gigantescas, quanto menos obras, mais seleccionadas elas estão pelo seu curador.

              Quando se tem a percepção que não irá voltar a esse lugar, fotografe, ou adquira um catálogo ou guia, com boa fotografia, que o ajudará, a arrumar a informação quando voltar a casa, favorecendo a sua aprendizagem e enriquecendo o seu mundo interior.

              Deve ir só ou em grupo? As duas possibilidades podem ser boas. Só, tem mais autonomia, pode demorar o tempo que lhe agradar, mas em grupo poderá trocar opiniões e conversar sobre o que viu.

              Leia pequenas placas informativas e outros materiais.

              Aproveite também para apreciar a envolvente, os espaços, o edifício. Faça alguns intervalos e paragens. Experimente sentar-se em algum lugar e deixar o tempo correr, fruindo a situação, apreciando também os visitantes e as suas expressões perante o que veem.

              Não se sinta frustrado se no fim já não se lembra do que viu no início, certifique-se que conseguirá partilhar parte da experiência com alguém. Isso já é bom.

              Passados uns dias, veja as fotografias e passeie pelo catálogo e verá que tudo se harmonizará na sua memória e no seu conhecimento. 

              Não resultou? Não tem problema, vá até à esplanada e tome uma bebida bem fresquinha, porém, nunca pense:  

              - Aquela pintura até eu pintaria...

              Mas, não pintou! Dahhh

              Boas férias.

Publicado em NVR, 11/08/2021

10 agosto, 2021

Antecipando

Antecipando um sonho de muitos anos. Palace Hotel do Bussaco uma pequena jóia da arquitectura portuguesa.



 

07 agosto, 2021

Segóvia


 Diário de Viagem - mais uma vez em Segóvia em boa companhia, cidade linda de Castela. Não me canso de fotografar o aqueduto romano - 160 arcos. Aqui nesta foto, vê-se lá ao longe. Desta vez é para dedicar mais tempo ao Bairro Judeu e à Sinagoga. Não perdoarei uns huevos com jámon à hora do pôr-de-sol que aqui é quase sempre esplendoroso.

04 agosto, 2021

O GLÚTEN DA LIBERDADE

 


O GLÚTEN DA LIBERDADE

            A opinião pública divide-se quanto ao luto nacional pelo desaparecimento de Otelo Saraiva de Carvalho. Nunca alguém foi tão visivelmente questionado, como este caso que, reacendeu ódiozinhos amarfanhados, recordou Abril e ainda as conturbadas acções terroristas que têm abalado a nossa jovem democracia.

            Esta agitação levou-me a investigar sobre o significado do luto nacional e o seu critério de selecção. Verifiquei que o luto nacional pode ser decretado pelo falecimento de personalidade, ou ocorrência de evento, de excepcional relevância... e segue-se uma lista enorme dos lutos já decretados. Confirmei alguns casos, surpreendi-me com outros que assinalam a nossa História. Ora vejam:

            - D. Luísa de Gusmão mereceu 2 anos de luto nacional;

            - A rainha D. Maria I. um ano de luto nacional;

            - A Rainha D. Maria II teve menos consideração, 6 meses;

            - D. Carlos apenas 4 meses ultrapassado e muito por Eduardo VII do Reino Unido, que teve direito por parte de nós, portugueses, a 6 meses de luto carregado e 6 meses de luto não carregado, sabe-se lá porquê!

            - Hitler, 3 dias, valeu-lhe as câmaras de gás e outras atrocidades;

            - Salazar, 4 dias, apenas um dia a mais do que o anterior;

            - Samora Machel e o Imperador Hirohito do Japão – 3 dias cada, desconheço se Agostinho Neto e Amílcar Cabral tiveram o mesmo tratamento;

            - General Spínola, 2 dias, não bastava 1? Mas como dirigente do MDLP teve direito a 2 dias.

            Que raio de coerência é esta?!

            - Eusébio, Amália Rodrigues, Nelson Mandela e Papa João Paulo II, levaram pela mesma medida, 3 dias.

            - António Arnaut, grande responsável pela criação do Sistema Nacional de Saúde teve 1 dia, superado pelo Manuel de Oliveira com 2 dias.

            - Carlos do Carmo, fadista, foi considerado equivalente a Álvaro Cunhal, figura histórica e carismática da resistência ao fascismo.

            As pessoas questionam-se, opinam e todos parecem ter razão. Todos lembram Otelo como o herói e o estratega do 25 de Abril, que libertou este país da guerra colonial e do antigo regime ditatorial. E todos lembram também a sua ligação às FP25, apesar de ter sido julgado e amnistiado. Dizem que uma ação não pode invalidar a outra. Mas parece que sim, que pode. A sua ação no 25 de abril não invalida o seu envolvimento nas FP, porém, a sua ligação às FP25 invalida que se considere e se atribua o ritual do luto nacional, à figura que devolveu a liberdade a este país. É uma matemática estranha.

            Pouco me interessa o luto, o que constato é a azia que tudo isto provoca a certas e muitas pessoas. Nos mais jovens, existe uma ausência de significado e simbolismo sobre a revolução. Pensam que a revolução se fez de telemóvel na mão ou no sofá, como se faz nos jogos digitais. Nos mais velhos parece não haver o entendimento, que numa revolução se pode viver ou morrer, sair-se victorioso ou derrotado e portanto, quem a faz, não são os anjinhos do céu, são homens de armas na mão capazes de as usar, matando ou morrendo. Não se pode comparar um revolucionário com a irmã Lúcia. Não se pode minimizar uma revolução, nem compará-la com uma peregrinação a Fátima. São contextos, épocas, objectivos, estratégias e agentes distintos.

            Se reflectirmos bem sobre a maioria dos nossos heróis, verificamos como são sanguinários, possuindo uma contabilidade gigantesca de mortos e feridos. O nosso rei Fundador, quantos matou e quanto roubou?

            Samora Machel teria sido presidente sem Otelo?

            Sem Otelo, estaríamos nós aqui hoje, a falar e a escrever livremente?

            O reconhecimento e o percurso da História são inalteráveis, a memória não se apaga. Não queiram converter uma revolução militar em algo “light sem açúcar, sem glúten e sem aumentar o colesterol” desta vida, que tenta viver no fio da navalha entre o Bem e o Mal.

            Penso haver um esquecimento propositado sobre os capitães de Abril. Salgueiro Maia tinha o currículo limpo, Melo Antunes também e não tiveram luto nacional. Desvalorizar a sua acção, é desvalorizar a revolução, desprovendo-a de actos simbólicos para relativizar o que foi antes.

            Faltam 3 anos para as comemorações do 25 de Abril. Muita “tinta” irá correr através dos canais de comunicação, cavar-se-á um fosso cada vez mais significativo, entre os que festejam e valorizam e os que sentem verdadeiras comichões devido ao glúten da liberdade.  E afinal o que interessa o luto nacional? NADA e se o critério for duvidoso, ainda interessa menos.

            Retiro desta amálgama política, logicamente, todos os familiares das vítimas, sejam elas quais forem, e em que época, porque a sua dor merece todo o respeito do mundo.

Publicado em NVR 4/08/2021

02 agosto, 2021

FASES DE UMA NARRATIVA

 FASES DE UMA NARRATIVA

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