12 setembro, 2026

09 setembro, 2026

ACESSO AO ENSINO SUPERIOR

 


ACESSO AO ENSINO SUPERIOR

Os alunos de contextos socioeconómicos mais desfavorecidos enfrentam múltiplos obstáculos interligados, que dificultam o seu acesso e permanência no ensino superior – 3% na 1ª fase.

São menos inteligentes? Não, provavelmente até poderão ter capacidades superiores e competências para resolver problemas, já que a sua experiência de vida lida com carências, o motor que desperta o interesse, a vontade e a determinação.

Existem dois problemas para análise desta realidade, recheados de diversos factores estruturais e socioeconómicos.

De onde vêm e para onde vão estes alunos?

No ensino básico e secundário, as escolas são próximas ao local de origem destes alunos, o que facilita económicamente a sua frequência. Quando concluem o 3º ciclo e transitam para o ensino secundário, o nível de exigência aumenta e a competição entre alunos é desenfreada. O processo de selecção para entrada na universidade é um muro inultrapassável para os alunos carenciados.

No ensino secundário não se luta por uma classificação de 14, que poderá identificar um bom aluno, a luta é pelo 20. Apesar de as escolas proporcionarem apoios, é necessário muito mais. O apoio da família sensível a este processo é fundamental. É necessário ter condições de estudo em casa, não perder tempo em transportes escolares e usufruir de boas explicações extra-escola, com o foco de um bom treino para os exames. São três anos intensos e decisivos.

Alunos da classe média alta têm maior acesso a explicações particulares (apoio escolar privado e individual), materiais escolares complementares e actividades extracurriculares que enriquecem o currículo e a preparação para os exames nacionais e de ingresso, favorecendo a participação desses estudantes nos processos selectivos

Considere-se também o fenómeno de auto-exclusão - os jovens de meios desfavorecidos auto-excluem-se por considerarem que a universidade "não é para eles", optando mais cedo pelas vias profissionais. Antigamente a universidade funcionava como elevador de desenvolvimento social, agora, é considerado por muitos, uma perda de tempo – “para ter um emprego, o que interessa é ter uma boa cunha ou estar num partido político”. O conhecimento, só por si, não é valorizado, nem entendido. Não é dado como certo, que mais conhecimento pode abrir outras portas na empregabilidade.  Os modelos de sucesso divulgados na comunicação social induzem os jovens a descredibilizar a formação superior. Histórias de bilionários sem diploma ganham destaque – Cristiano Ronaldo, Bill Gates, Mark Zuckerberg, Amancio Ortega, Rui Nabeiro, Américo Amorim, Salvador Caetano, Jorge Mendes, Paulo Futre, Lionel Messi… - esquecem-se de alertar os mais ingénuos, que são uma minoria. 

Na universidade surge a segunda parte do problema – propinas, alojamento e deslocações.

Para alunos que precisam de mudar de cidade, o preço dos quartos ou residências universitárias constitui a maior barreira financeira. A escassez de alojamento público acessível agrava este cenário. Muitas famílias dependem da entrada rápida dos jovens no mercado de trabalho para complementar o rendimento familiar. Escolher estudar significa abdicar de um salário imediato. Embora, existam bolsas de estudo e contingentes de acesso para beneficiários da Ação Social Escolar, os critérios de atribuição baseados nos rendimentos declarados nem sempre reflectem a pobreza real ou o custo de vida actual das grandes cidades. Os transportes são mais um obstáculo: metro, autocarro, barco, trotinetes, tudo se transforma em euros… Ter um carrinho à porta e ir para a faculdade é outro andamento!!!!

Depois há que contar com os atrasos. O tempo que decorre entre a candidatura a uma bolsa de estudo e o primeiro pagamento financeiro obriga a um investimento inicial que muitas famílias simplesmente não conseguem suportar.

Essa disparidade evidencia a necessidade de acções mais incisivas para promover a equidade no acesso ao ensino superior, garantindo que estudantes de todas as classes sociais tenham oportunidades reais de ingresso e permanência na universidade. Não está a acontecer!

Publicado em NVR 09|09|2026

"DEZ RÉIS DE ESPERANÇA" - António Gedeão


https://voca.ro/1gpxVqjiIV86

Voz: Anabela Quelhas 

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06 setembro, 2026

05 setembro, 2026

VILA GARCIA DE AROUSA




VILA GARCIA DE AROUSA - GALIZA 


27 agosto, 2026

LEITURAS DE VERANO

 

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26 agosto, 2026

O VOTO DE MINERVA


 O VOTO DE MINERVA

Ao longo da história, a Humanidade tem criado expressões que, de forma criativa e simbólica, representam situações quotidianas, facilitando a comunicação e a compreensão rápida de conceitos complexos. O "voto de Minerva", termo que, actualmente, é utilizado para indicar o voto decisivo, que resolve um empate numa votação, especialmente comum em contextos políticos, judiciais ou administrativos, onde a decisão final pode depender de uma única pessoa com autoridade para desempatar.

A origem do "voto de Minerva" remete à mitologia, embora muitas vezes seja associada erradamente à deusa romana Minerva. Na verdade, a sua origem está na mitologia grega, onde ela é conhecida como Palas Atena, filha de Zeus e Métis. Atena era a deusa da sabedoria, da justiça, da paz e da razão, além de ser patrona das artes, da literatura, da filosofia, da música e das actividades intelectuais. A sua importância na cultura grega é imensa, e muitas histórias mitológicas ilustram a sua sabedoria e o seu sentido de justiça.

A história que realmente consolidou a ideia do "voto de Minerva" acontece na mitologia grega através do julgamento de Orestes, narrado na tragédia "As Euménides", de Ésquilo.

Orestes era filho do rei Agamémnon de Micenas e da rainha Clitemnestra, e irmão mais novo de Ifigénia.

Quando Agamémnon voltava da Guerra de Tróia, foi assassinado pela esposa Clitemnestra e o seu amante, Egisto. Orestes fugiu para Fócida, com medo de que também fosse morto pelo amante da mãe.

Mais tarde, quando já era adulto Orestes recebeu ordens do deus Apolo para se vingar, matando a própria mãe e Egisto. Ele praticou o crime e foi perseguido pelas as Erínias (ou Fúrias), deusas da vingança, que atormentam Orestes pelo matricídio, um crime hediondo. Orestes foge para o oráculo de Delfos, onde Apolo, (que lhe ordenara a vingança) o aconselha a ir à cidade de Atenas , buscar a protecção da deusa Atena. Pouco depois desse período, acabou por ser capturado e julgado.

A questão do homicídio de uma mãe pelo seu filho era um tabu antigo e considerado um crime de sangue, que despertava a ira das Fúrias, ou Erínias, deusas que puniam severamente os crimes de sangue e vingança familiar sobretudo o matricídio.

Atena padroeira da cidade de Atenas, surge antes da execução de Orestes e ordena a realização de um julgamento no local, cria o tribunal do Areópago em Atenas para julgar o caso, instituindo um corpo de juízes formado pelos 12 melhores cidadãos, visando resolver o conflito entre a vingança ancestral e a nova justiça.

O julgamento foi marcado por uma disputa acirrada entre as divindades e as testemunhas humanas, e terminou com um empate, onde os votos estavam divididos. Apolo actua como defensor de Orestes. Argumenta que Clitemnestra cometeu um crime superior ao matar o marido (um rei) e que o vínculo biológico da mãe não é superior ao do pai. Nesse momento decisivo, Atena, agindo como juíza suprema, deu o seu voto de desempate, o "voto de Minerva", que decidiu a absolvição de Orestes.

A decisão de Atena foi fundamental, pois estabeleceu um precedente jurídico importante. A deusa justificou o seu voto dizendo que, apesar do matricídio, ela própria por não ter mãe que a tenha gerado, a sua afinidade está inteiramente com o masculino e com a figura paterna, por isso a justiça deve ser ponderada, racional e capaz de superar a vingança cega.

Com a sua decisão, Atena também transformou as Erínias em Euménides, divindades benevolentes que passaram a proteger a cidade de Atenas, simbolizando a mudança de uma justiça baseada na vingança para uma justiça racional e ponderada.

Esse episódio mitológico é considerado uma das primeiras manifestações do conceito de justiça racional na história ocidental. A história de Orestes e o "voto de Minerva" simbolizam uma transição importante: do direito do mais forte ou da vingança pessoal para a justiça baseada na razão, na lei e na imparcialidade. A decisão de Atena, embora tenha sido tomada por uma deusa, acabou por consolidar a ideia de que, em momentos de dúvida ou empate, a decisão mais sábia e ponderada deve prevalecer — uma lição que perdura até aos dias atuais.

Assim, o "voto de Minerva" transcende o seu significado original, tornando-se símbolo de sabedoria e de decisão justa em momentos de impasse.

Que os deuses te sorriam. Alegra-te! Kairé!

[Emissão “Zeus não dorme”, descubra a mitologia grega na sua vida – Rádio Universidade FM – 24|25|26 de Julho de 2026]

Publicado em NVR 26|08|2026

"ALLEGRO" - Vinícius de Moraes


https://voca.ro/1gquBYMzJBKy

Voz: Graça Vilela

file:///E:/radio/audio/275%20.%20Allegro%20-%20Vinicius%20de%20Morais%20-%20GV.mp3