16 setembro, 2026

O EMBURRECIMENTO DA SOCIEDADE (1)

 

O EMBURRECIMENTO DA SOCIEDADE (1)

No século da informação, estamos imersos num mundo onde dados, notícias e conteúdos circulam incessantemente, muitas vezes fora do alcance da reflexão profunda. Vivemos na era em que o acesso à informação é quase instantâneo, a internet e as redes sociais a geram um fluxo constante de novidades. No entanto, essa abundância de dados muitas vezes distancia-nos do verdadeiro entendimento, transformando o conhecimento numa colecção de factos dispersos e superficiais. Nem sei se chame a isso de conhecimento.

O que é realmente o conhecimento? O conhecimento vai além de simplesmente acumular informações. O conhecimento é a compreensão crítica e contextualizada dessas informações, a capacidade de relacionar conceitos, questionar e reflectir sobre o que aprendemos. É uma construção mental que envolve interpretação, análise e aplicação prática, permitindo-nos usar a informação de forma consciente e significativa em diversos contextos. Assim, enquanto o século da informação nos oferece recursos incríveis, o conhecimento verdadeiro reduz-se— aquele que nos faz pensar, questionar e transformar a nossa visão do mundo. Ou seja, a sociedade está a emburrecer e o mais caricato não se dá conta disso. A informação “vive” fora da nossa cabeça, enquanto o conhecimento “vive” dentro.

Muitos argumentam que, devido ao crescimento do consumo dos meios digitais, redes sociais e entretenimento de baixo nível, as pessoas têm perdido a capacidade de pensar criticamente, reflectir profundamente e valorizar conhecimentos mais complexos. Esse suposto "emburrecimento" pode ser percebido na diminuição do interesse pela leitura, na superficialidade das discussões públicas, na aceitação de informações sem questionamento e na redução de capacidade em resolver problemas e tomar decisões.

O acesso facilitado à informação, mesmo que às vezes superficial, também pode ser visto como uma ferramenta de democratização da mesma, mas “não há bela sem senão”. O papel da educação será capaz de enfrentar os desafios do mundo contemporâneo e travar o emburrecimento? Aqui fica o desafio para a reflexão e deixo um exemplo, mas há muitos.

A tabuada é informação que já não se decora. A escola ensina a encontrar o caminho para essa informação – a máquina de calcular, o computador e a internet; e tudo após de ter havido compreensão dos conceitos matemáticos.

Porém, a importância de decorar e saber a tabuada é fundamental para o desenvolvimento das habilidades matemáticas das crianças e estudantes em diferentes contextos. Quando a tabuada é memorizada, as operações básicas de multiplicação e divisão tornam-se mais rápidas e automáticas, facilitando o entendimento de conceitos mais complexos. Além disso, a memorização da tabuada ajuda a aumentar a confiança e a autonomia na resolução de problemas matemáticos, além de promover o raciocínio lógico e a agilidade mental. Essa habilidade também serve como base para aprender operações com números maiores e para avançar em áreas como álgebra, geometria e outras disciplinas relacionadas. Portanto, decorar e saber a tabuada é uma etapa importante no processo de aprendizagem matemática, contribuindo para o desenvolvimento cognitivo e para o sucesso escolar dos estudantes.

Hoje, num supermercado, um jovem tinha comprado 6 unidades de um refrigerante e não entendia o registo da caixa. O verdadeiro problema é que não sabia a tabuada e estava sem telemóvel. Que emburrecimento!

Publicado em NVR 16|09|2026

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