17 abril, 2011

ESTILHAÇOS DE CESARINY POR LUXÚRIA CANIBAL



Estava preparada para assistir a um registo punk à Mão Morta com muita luxúria e pitadas de canibal à mistura.
Arrastei uma amiga comigo.
À entrada pensei que talvez ela não apreciasse, fiquei na dúvida se iria ser seca para ela, mas…
Fomos presenteadas com um espectáculo de altíssimo nível.
Caramba fazem-se espectáculos tão bons em Portugal!
É um espectáculo de poesia, de leitura de textos, a maioria de Mário Cesariny, mas também de música. Adolfo Luxúria Canibal, declama calmamente sentado à mesa no centro do palco, iluminado por um candeeiro de mesa e os músicos acompanham. Não sei quem concebeu a parte musical, mas eu achei de altíssima qualidade. Já procurei na net alguns dos registos, mas não aparece nada. Não não imaginem que foi o seguimento dos registos musicais dos Mão Morta, pois imaginarão errado. Que pena não poder partilhar convosco! A voz de ALC a percorrer as palavras de Cesariny, com o timbre e entoação características só dele e aquela musica de fundo única, absorvente....adorei.
"Os poetas não passam de aprendizes dos mistérios do infinito"

08 abril, 2011

dura dita dura


dura
dita
dura

«Era uma vez um menino pequeno que vivia num país pequeno virado para o grande oceano. Dizia-se que nesse país grandes homens e homens de todos os tamanhos se tinham lançado pelo mar dentro à procura de outros países e de outros homens. Mas isso tinha acontecido há tanto tempo e o menino de que estamos a falar nunca tinha molhado os pés no mar...»
<< Um espectáculo de marionetas para todas as idades acerca da atmosfera de terror surdo que reinou durante meio século num país onde as paredes tinham ouvidos. Através do olhar atento, por vezes atónito, de uma criança bem amada mas permeável ao mal-estar dominante, pretende-se dar a conhecer um passado ainda próximo e tende contudo esbater-se nas “brumas da memória”
Teatro de sombras, animação de objectos, pequenas máquinas de cena e outras engenhocas cinéticas aliam ao texto narrado várias acções de construção plástica. Música e outros efeitos sonoros integram a dimensão narrativa e criam momentos de descompressão e diversão.
DURA DITA DURA É A HISTÓRIA DE UM MENINO, O BALTAZAR, QUE CRESCE ALGURES, NUMA TERREOLA PERDIDA DE UM PORTUGAL ESQUECIDO - MAS APERTADAMENTE VIGIADO E AUTO VIGIADO. BALTAZAR É MUDO, MAS NÃO SURDO. A SUA VIVACIDADE DE MENINO FORA DO BARALHO CONFLITUA MANIFESTAMENTE COM O OBSCURANTISMO QUE CARACTERIZA O PORTUGAL DOS PEQUENINOS. BALTAZAR É UM ESCÂNDALO DE SILÊNCIO NUM PAÍS SILENCIADO. MAS NÃO SE ESCOLHE O LUGAR E O TEMPO ONDE SE NASCE.>>

Texto e canção: Regina Guimarães
Encenação, cenografia e marionetas: Igor Gandra

“Era um pais onde se vivia mal e que se achava normal”- é o que permanece na minha memória.
Vi ontem e senti-me privilegiada por estar na plateia ainda por cima como convidada a ver um espectáculo, fascinante e tocante. Desde a primeira cena que o Igor nos induz a conhecer Baltazar e mergulhar no Portugal salazarista. O monólogo multifacetado e desenvolvido de forma dinâmica com os seus pequenos bonecos (figuras estilizadas), num cenário belo, meticuloso e genialmente concebido, articulando luz e som, deu um resultado final surpreendentemente belo.
Nunca esquecerei.
Muito obrigada!
Anabela Quelhas
8/04/2011

02 abril, 2011

Perpetuum Jazzile - Africa

Perpetuum Jazzile - Avsenik Medley

Refresh póstumo


Recordo o teu sorriso e o olhar apurado sobre as coisas, emoldurado com os teus óculos em forma de octógono, que tudo observava numa perspectiva filosófica. Foi contigo que partilhei Camus, Simone de Beauvoir e Boris Vian, em noites de inverno, quando não apetecia sair, e o ler entre os cobertores sabia bem melhor. Eu rabiscava, mergulhada em dezenas de esquissos que iam invadindo o meu caderno de desenho preto, e como som de fundo, ouvia-te a estudar filosofia… por vezes em vez de estudar, era marrar… porque não dizer? por isso se ouvia!
Foi através desse som de fundo que conheci Durkheim, Sartre, Leibniz, Pascal, Descartes, … o eterno Platão e outros. O livro do Edgar Morin, o "Paradigma perdido", saltitava entre os teus móveis e por vezes vinha também visitar a minha papelada, cumprimentar o Aldo Rossi, Corbusier, Kenzo e o Leonardo Benevolo.
Tanta vez o Edgar Morin foi citado por ti! e até eu já tratava o Egas por tu.
Eu fumava e fumava, SG, e Gitanes nos momentos de desespero, e escrevia memórias descritivas e justificativas, que tu corrigias sem entender patavina do conteúdo. Reclamavas sempre: os arquitectos dizem cada coisa que ninguém entende! e tu ainda por cima não usas virgulas! sabes para que servem as vírgulas?.
Os diálogos oscilavam entre a Faculdade de Letras e a Escola Superior de Belas Artes, entre o Campo Alegre e S. Lázaro, entre o D. Januário Torgal e o Siza Vieira, entre textos filosóficos gigantes e projectos arquitectónicos. Os copianços também se faziam, eu por vezes dava e arquitectava ideias!!!!!!!! Para alguma coisa realmente útil servia a minha imaginação!... diziam....
Vivemos algumas cenas hilariantes pelas casas onde passamos. Certo dia uma dentadura amanheceu dentro das nossas canecas do pequeno almoço, a sorrir para nós. Partilhávamos refeições no “Vasquinho” e confeccionavas umas admiráveis almôndegas que batiam aos pontos as tristonhas omoletes substitutas das cantinas.
Convivia a organização com a ausência dela.
Convivia o estudo e o trabalho, com a diversão até altas horas da noite, dançando e pulando de alegria numa discoteca qualquer. Havia poucas discotecas na altura, mas isso não impedia diversão até fartar, nas festas de garagem. Até dançávamos o "Saturday nigth fever", o merengue e a marrabenta. Viamos todos os filmes do Bergman, e comentávamos até altas horas da noite, estabelendo comparações cinéfilas com outros registos. Amavas os registos indianos, eu entusiasmava-me com o cinema francês com o Jean Louis Trintignant. Suspendiamos tudo para ver ”A Gabriela, cravo e canela” … eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim, gabrieeeelaaaaa na voz inconfundível de Gal Costa do genérico da telenovela.
Ainda fizemos umas incursões no teatro TUP, no edifico do SICAP. No café tínhamos muito amigos comuns que nos acompanhavam nas horas de lazer. Usavas grande cabeleira de caracóis que contrastava com a minha grande cabeleira quase índia. Quase nos contrataram um dia para um evento de beleza capilar, porque não aceitamos?!
Estávamos convencidas que o futuro ficava a anos luz de distância e a terceira idade começava na véspera dos 30 anos.
Nos momentos de grande stress e de tristeza, o meu sentido de humor branqueava tudo. Como tu rias das histórias mirabolantes que eu te contava do Portugal profundo e de uma Angola que teimava em reinar no meu coração!
Acertávamos alegrias e tristezas, amores, paixões. Ambas de afectos violentamente interrompidos por Abril, mas que nunca puseram em causa as nossas convicções acerca da Liberdade. Falávamos de Moçambique e de Angola, apresentando-nos a Machava e o Kikolo, partilhando machimbombos, gingubas, picolés e shuingas, alimentando a saudade saboreando chávenas de chá no inverno e apreciando cubas livres bem geladas no verão.
Sentiamo-nos sempre incompletas, devido a alguém esquecido lá atrás do tempo. Eramos felizes, sem sermos plenamente felizes.
Decidiste partir! Será?
Até sempre amiga.
anabela

26 março, 2011

O ANO DO DRAGÃO

para ler, reflectir e aprender.

Mode Gakuen Spiral



Arquitectos Nikken Sekkei

Localização na rua principal em Nagoya, no Japão

Programa: 3 escolas (moda programação e informática)

Data: 2008

Pisos: +36

-3

Altura: 177m

Três torres com salas de aula são chamadas de ASAS . As torres “asas” criam uma curva orgânica, transformando a rotação. As torres em espiral aparentam mudar a sua fachada quando vista de diferentes ângulos, dando uma elegante impressão dinâmica.

As torres são emaranhadas de diversos aparatos ecológicos, como vidros duplos, e ventilação central natural. A estrutura central do prédio é uma estrutura cilíndrica e rígida. Como o pilar central de uma casa, esta estrutura proteje as torres contra ciclones ou terremotos.

19 março, 2011

Olá Pai

Olá Pai:

Estou perto de ti sem estar.

As nossas dimensões cruzam-se sem necessidade de catalogações terrenas que tudo parametrizam, classificam e justificam.

Sinto a tua falta, apesar de conversar contigo imensas vezes.

Saúdo-te todos os dias, mas falta-me a tua opinião, as tuas observações acutilantes de pessoa experiente e sensível. Falta-me a tua avaliação das coisas que elucidavam as minhas decisões.

Sinto-me sempre a tua filha pequena, frequentemente desobediente, mas sempre protegida por ti.

Hoje recordei-te a conversar com uma amiga, contei-lhe que me obrigavas a pentear o cabelo e traze-lo atado com uma fita azul: Era assim que eu saia de casa, e mal chegava à rua, todos os dias, tirava a fita do cabelo. Aos doze anos frontalmente te desobedecia e andava sempre de cabelos soltos. Passei à fase dos hot paints, das manifs revolucionárias, da fase da régua e esquadro....por aí fora.

Recordei tudo com um sorriso nos lábios.

Gostaria de fazer um replay e viver tudo outra vez retribuindo alguns carinhos que não soube retribuír.

Beijo, anabela

15 março, 2011

Orange Club



Lyon, France
Projecto de Arquitectura: Jakob+Macfarlane
Ano de Construção: 2011





15 fevereiro, 2011