01 abril, 2026

Quando o mundo vira uma trágico-comédia.

 


Quando o mundo vira uma trágico-comédia. 

Donald Trump conseguiu transformar o mundo numa comédia perigosa, onde não se encontra lógica, nem coerência, entre muitas vidas perdidas.

Quem diria que, numa era de comunicação e de informação, a estratégia de política externa de um país poderia transformar-se numa novela de episódios desconexos?

Contra a Venezuela e o Irão — é um verdadeiro espectáculo de lógica confusa e objectivos tão claros quanto um espelho embaciado. Quem diria que a guerra transformar-se-ia numa novela de episódios desconexos?

Primeiro, temos o amuo do Nobel da Paz.

Segue-se a Venezuela, aquele país que, aparentemente, se tornou num objecto de obsessão de Trump, como se fosse um episódio de um reality show político. Entre sanções que mais parecem tentativas de jogar um jogo de Jenga com a economia de um país já fragilizado, e declarações que mais parecem tweets de um fã de futebol que tenta jogar futebol, a Venezuela virou o palco de uma guerra de narrativa: de um lado, a luta pelo "democracia verdadeira", do outro, a tentativa de derrubar um governo que, segundo Trump, é uma ameaça à estabilidade mundial. Entretanto, capturam o Presidente Maduro e inundam as televisões com ele algemado a segurar uma garrafa de água, vestindo moleton, olhos vendados… convenhamos, se a intenção era ajudar o povo venezuelano, as sanções parecem mais uma forma de mandar um presente de Natal com um pacote de rebuçados  de hortelã, deixando os venezuelanos a perguntarem se estão a jogar um jogo de xadrez ou uma partidinha do 1º de Abril.

E o Irão? Aquele país de cultura milenar virou o inimigo favorito do Twitter e do discurso político do Sr. Trump, quase como uma novela de televisão que nunca termina e tem na produção o guru sanguinário, da estrelinha de 6 pontas, que eu não atino a escrever o nome. Entre acordos nucleares que mais parecem promessas de um namoro que nunca começa, e sanções que parecem mais uma tentativa de fechar o restaurante do amigo do bairro do que uma estratégia de paz, a relação com o Irão é um verdadeiro espectáculo de incoerência. Afinal, se o objectivo era evitar a proliferação nuclear, por que então apostar na pressão máxima que só faz o país mais resistente, como um gato que não gosta de ser agarrado?

E isto agora é assim? Legitima-se o poder invadir países, e querer decidir por quem lá vive?

Depois ai, ai, quero ajuda!

Afinal era para ver a vossa reacção!

Isto parece uma check list de erros: promessas, sanções, vaidade, falsidade, provocação, ironia e declarações de guerra que mais parecem frases soltas de um poeta confuso. Uma verdadeira obra de arte da confusão internacional, onde a lógica foi deixada de lado e o espetáculo continua, com uma plateia que tenta entender, mas só consegue assistir, boquiaberta, à peça mais imprevisível do século. Às vezes o mais incoerente é justamente o que faz mais sentido… para quem gosta de um bom caos.

O número dos trapezistas e palhaços já foi, o que se seguirá? O que se seguirá para que o Sr. Trump continue a ter as parangonas da informação?

Ah, claro, em nome da estabilidade global imagino o Sr. Trump a cruzar os mares, vestindo a revolução empresarial, onde apenas existe o sistema binário, o Deve e o Haver, para ocupar Cuba e, com jeito, o Brasil. A táctica é sempre a mesma, primeiro promove-se a carência, a instabilidade e o pânico, e depois toma-se conta com anuência da população no desespero - “Make Cuba Great Again” .

Desta salgalhada toda só se extrai uma coisa positiva: O Sr. Trump conseguiu uma indignação global, quer se seja de esquerda ou de direita, vermelho, amarelo ou azul. A Gronelândia ficará mais para o Verão devido às condições climatéricas. Ouvi dizer que a famosa estátua da liberdade, oferecida pelos franceses, já fechou os olhos e com as mãos tapou aos ouvidos. Sinto orgulho dos nuestros hermanos.

Na próxima semana quando o leitor me ler, certamente, com a velocidade que o mundo vai, já teremos novas realidades.

Publicado em NVR 01|04|2026


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