Voz: João Carlos Carranca
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Voz: João Carlos Carranca
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Paz
Cumplicidade
Alinhamento
Um caminho
Onde o vento fala
Onde o mar tem sempre algo para contar
Renasci para ser.
O COMPLEXO DE ÉDIPO
De uma forma geral,
todos sabem que o Complexo de Édipo se relaciona com a paixão de um rapaz pela
própria mãe e o sentimento de rejeição e ódio em relação ao pai.
O Complexo de Édipo é
uma teoria psicanalítica desenvolvida por Sigmund Freud no início do século XX,
chocando o mundo, e descreve uma fase do desenvolvimento psicossexual infantil,
geralmente entre os três e seis anos de idade. Nesse período, a criança
experimenta sentimentos de desejo pelo progenitor do sexo oposto e rivalidade
ou rejeição relativamente ao progenitor do mesmo sexo. Essa dinâmica é
considerada uma etapa normal do crescimento, cuja resolução adequada contribui
para a formação de uma identidade sexual saudável e para relacionamentos
futuros mais maduros.
Na tragédia grega
"Édipo Rei", escrita por Sófocles por volta do século V a.C., a
história de Édipo é apresentada como uma tragédia que envolve destino,
ignorância e acções inconscientes.
O rei Laio, pai de
Édipo, rei de Tebas, ouviu de um Oráculo de Delfos que o filho algum dia o
mataria e desposaria a própria mãe, a rainha Jocasta. Perturbado com a
revelação, o rei julgou que a melhor solução seria matar o menino antes que a
profecia se realizasse.
Diante da decisão
tomada, um pastor é convocado pelo rei para levar Édipo, que teria os pés
amarrados e seria deixado pendurado numa árvore no monte Citerão até ser
atacado pelas feras. Com pena, o pastor desobedece às ordens e leva o bebé para
sua casa. Por ser muito pobre, a família do pastor não consegue reunir
condições para criar Édipo e acaba dando-o ao rei Políbio, o rei de Corinto, e
à rainha Mérope, sua esposa, que passam a tratá-lo como próprio filho. O rapaz
cresce e recebe a revelação perturbadora de que havia sido adoptado. Édipo foge
para Delfos para consultar o Oráculo, e este confirma que no seu futuro matará
o seu pai e se casará com a sua mãe.
Transtornado com a
notícia, Édipo sai desvairado e encontra-se numa encruzilhada com o seu pai
biológico (que desconhecia) e com mais alguns acompanhantes. Édipo envolve-se
numa violenta disputa pelo direito de passagem, matando Laio após ser agredido.
É desse modo que a primeira parte da profecia se concretiza: o filho mata o
próprio pai.
Quando chega a Tebas, a
sua cidade natal, Édipo depara-se com a Esfinge, um monstro com corpo de leão,
asas de ave e rosto de mulher, que aterrorizava a cidade de Tebas devorando os
viajantes que não conseguiam decifrar o seu enigma.
“Que criatura pela manhã tem quatro
pés, ao meio-dia tem dois, e à tarde tem três?”
Édipo é o único a
desvendar o enigma. A resposta para a questão da Esfinge, era o HOMEM, que
gatinha com "quatro pés" quando é bebé, anda sobre dois quando é
adulto e utiliza três pernas quando envelhece (as duas que já carrega mais a
bengala).
Por resolver a questão
colocada pela Esfinge, esta sentindo-se derrotada, atira-se de um precipício.
Como recompensa por libertar a cidade, Édipo é aclamado como herói, coroado Rei
de Tebas e recebe a rainha viúva, Jocasta, como esposa, concretizando a segunda
parte da profecia. Juntos, Édipo e Jocasta chegam a ter quatro filhos (duas
filhas e dois filhos).
Quando consultam
novamente um Oráculo, Édipo percebe que o seu destino se concretizou. Desesperado,
arranca as órbitas dos próprios olhos, ficando cego e afirma que não quer ser
testemunha da própria desgraça e dos próprios crimes. A esposa/mãe, por sua
vez, a rainha Jocasta, suicida-se.
Voltando ao complexo de Édipo,
evocado tantas vezes de forma gratuita, aconselha-se prudência, porque a
comparação é em sentido figurado, aplicada por vezes a um apego emocional
excessivo ou uma dependência extrema em relação a um dos pais, que se reflecte
na vida adulta, mas não tem certamente a evolução da tragédia grega.
Que os deuses te sorriam. Alegra-te! Kairé!
[Emissão “Zeus não dorme”, descubra a mitologia grega na sua
vida – Rádio Universidade FM – 28|29|30 de Agosto de 2026]
Publicado em NVR 30|08|2026
Voz: Anabela Quelhas
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Está no Museu Cappella Sansevero em
Nápoles, Itália.
A rede detalhada que
cobre o homem foi esculpida directamente num único bloco de mármore - trabalho solitário, pois nenhum
assistente quis ajudar com medo de estragar a peça.
O
EMBURRECIMENTO DA SOCIEDADE (2)
Falta saber se o
emburrecimento é uma consequência, ou se é planeamento.
O emburrecimento das
pessoas é um excelente instrumento para derrubar democracias. A sociedade
moderna parece condicionar as pessoas a pensar de forma superficial e distraída
com fofoca de situações menores. Como a
atenção se fragmenta, a curiosidade se perde e a profundidade do pensamento se
torna cada vez mais rara? A Cultura do Emburrecimento revela os mecanismos por
trás dessa transformação.
A questão é: se o
emburrecimento das pessoas é uma consequência natural de processos sociais ou se
é um resultado deliberado de estratégias de manipulação complexas e
multifacetadas. De um lado, podemos argumentar que a sociedade moderna, com a
sua constante exposição a informações fragmentadas, tecnologias de distração e
uma cultura de superficialidade, contribui para um empobrecimento do pensamento
crítico e profundo. Nesse sentido, o emburrecimento seria uma consequência das
próprias dinâmicas sociais, económicas e tecnológicas que favorecem a rápida
troca de informações superficiais, dificultando a reflexão aprofundada.
Eu diria que pensar
dói!
Por outro lado, há quem
defenda a ideia de que esse processo de emburrecimento é, em parte, planeado ou
incentivado por interesses específicos. Alguns teóricos sugerem que certos
grupos ou instituições podem beneficiar-se de uma população menos crítica, mais
facilmente manipulável e menos inclinada a questionar a sociedade e as
múltiplas questões que a envolvem. O emburrecimento das massas torna-se uma
ferramenta para facilitar a manutenção do poder e a derrubada de democracias,
que dependem de cidadãos informados, activos, interventivos e capazes de pensar
de forma autónoma.
A cultura do
emburrecimento, portanto, revela-se como um mecanismo consciente ou
inconsciente que actua na formação de uma sociedade cada vez mais superficial,
onde a atenção se fragmenta, a curiosidade se perde e a profundidade do
pensamento se torna uma exceção. A proliferação de conteúdos rápidos, o
estímulo ao consumo imediato de informações e a banalização do conhecimento
contribuem para esse cenário, tornando a sociedade moderna cada vez mais
distraída e menos capaz de refletir criticamente sobre os eventos e as ideias
que moldam o mundo.
Reconhecer esses
mecanismos é fundamental para compreender os desafios actuais e buscar
estratégias que promovam uma cultura de reflexão, aprofundamento e pensamento
crítico, essenciais para a preservação das democracias e do desenvolvimento
humano.
Mais dois exemplos do
emburrecimento (1- consequência. 2 – planeado para manter o poder):
“1 - Há alguns anos
todos se orientavam pelas vias de comunicação através da sinalização das
estradas e com um mapa. Hoje se não tiverem o GPS perdem-se. Um dia destes fui
abordada por um automobilista que procurava a saída para a A4, e eu perguntei:
- Dirige-se para
nascente ou para poente?
Pois, desconheciam!…”
“2 - O Ministro da
Educação disse que, evidência científica diz que até aos 30 alunos a qualidade
do ensino não sai prejudicada.
Basta fazer contas, a
atenção do professor dividida por 30 alunos é inferior quando dividida por 20.
Algumas pessoas
acreditam.”
QUE EMBURRECIMENTO!
Publicado em NVR 23|09|2026
sem título - José Luís Peixoto
Voz: Graça Vilela
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