“pensar é entrar num labirinto”
Conheço Emerenciano há
muitos anos, lembro-me dele, assim de passagem, da Escola Superior de Belas
Artes do Porto, e tive que interagir com ele, mais de perto, posteriormente, devido
a um painel de azulejos, com desenho da sua autoria, que existe na biblioteca
de uma escola de Vila Real, há mais de vinte anos, desconhecido da maioria dos
cidadãos com idade superior a 30 anos.
A presidente do Conselho
Directivo, dessa época, Dra Glória Souto, deu-me completa liberdade para eu
escolher um artista plástico, capaz de elaborar um projecto pictórico para a
nossa biblioteca. Era uma grande responsabilidade, primeiro porque era um
investimento… e como todos sabem, o que menos há numa escola é dinheiro,
segundo porque seria o compromisso com uma imagem para durar décadas, teria de
ser consensual, contemporânea, intemporal, bela e inspiradora.
Escolhi Emerenciano.
Sentia-me seduzida por
algumas obras que conhecia, porém, o desafio era complexo.
Emerenciano ultrapassou
as minhas expectativas criando uma frase de suporte ao seu projecto, para essa
biblioteca, muito forte, profunda, que tem servido de reflexão a centenas e
centenas de alunos utilizadores desse espaço.
“pensar é entrar num
labirinto” a frase, desenhada e pintada no painel de azulejos, vejo-a todos os
dias e todos os dias me motiva para trabalhar e para não recear labirintos. A
frase revela que o pintor também é um pensador e provoca o labirinto dentro de
cada um de nós, que se completa com o desenho, a forma, a composição, a luz, o
movimento e a cor.
Creio que os jovens
alunos do 5.º ano, quando lhes apresentam o painel, na primeira visita à
biblioteca, iniciam o seu primeiro contacto formal com a filosofia. A ideia é
figurativamente composta pelo desenho de duas mãos, um olho e toda a
formalização do labirinto suportado pela linha de terra verde – a esperança de
que se chega sempre mais longe através do pensamento.
O seu painel
rapidamente atingiu outra dimensão; considero-o como uma peça que integra a
identidade nos nossos jovens e testemunho da origem de imensos labirintos, que
passam obrigatoriamente pelo conhecimento, pelo desenho de novos horizontes e
outras dimensões.
Na inauguração desta
obra, Emerenciano premiou a cidade de Vila Real com uma grande exposição
realizada no Arquivo Distrital – eu ainda não tinha máquina fotográfica digital
e as fotografias já não sei onde param.
Agora é o Douro que o
traz cá, através dos retratos de escritores e da sua escrita fictícia e
enigmática.
Gostei do nosso
reencontro. A obra de Emerenciano continua vasta e inconfundível.
Publicado em NVR, 13/09/2023
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