Quando o mundo vira uma trágico-comédia.
Donald Trump conseguiu
transformar o mundo numa comédia perigosa, onde não se encontra lógica, nem
coerência, entre muitas vidas perdidas.
Quem diria que, numa
era de comunicação e de informação, a estratégia de política externa de um país
poderia transformar-se numa novela de episódios desconexos?
Contra a Venezuela e o
Irão — é um verdadeiro espectáculo de lógica confusa e objectivos tão claros
quanto um espelho embaciado. Quem diria que a guerra transformar-se-ia numa
novela de episódios desconexos?
Primeiro, temos o amuo
do Nobel da Paz.
Segue-se a Venezuela,
aquele país que, aparentemente, se tornou num objecto de obsessão de Trump,
como se fosse um episódio de um reality show político. Entre sanções que mais
parecem tentativas de jogar um jogo de Jenga com a economia de um país já
fragilizado, e declarações que mais parecem tweets de um fã de futebol que tenta
jogar futebol, a Venezuela virou o palco de uma guerra de narrativa: de um
lado, a luta pelo "democracia verdadeira", do outro, a tentativa de
derrubar um governo que, segundo Trump, é uma ameaça à estabilidade mundial. Entretanto,
capturam o Presidente Maduro e inundam as televisões com ele algemado a segurar
uma garrafa de água, vestindo moleton, olhos vendados… convenhamos, se a
intenção era ajudar o povo venezuelano, as sanções parecem mais uma forma de
mandar um presente de Natal com um pacote de rebuçados de hortelã, deixando os venezuelanos a
perguntarem se estão a jogar um jogo de xadrez ou uma partidinha do 1º de
Abril.
E o Irão? Aquele país
de cultura milenar virou o inimigo favorito do Twitter e do discurso político do
Sr. Trump, quase como uma novela de televisão que nunca termina e tem na
produção o guru sanguinário, da estrelinha de 6 pontas, que eu não atino a
escrever o nome. Entre acordos nucleares que mais parecem promessas de um
namoro que nunca começa, e sanções que parecem mais uma tentativa de fechar o
restaurante do amigo do bairro do que uma estratégia de paz, a relação com o
Irão é um verdadeiro espectáculo de incoerência. Afinal, se o objectivo era
evitar a proliferação nuclear, por que então apostar na pressão máxima que só
faz o país mais resistente, como um gato que não gosta de ser agarrado?
E isto agora é assim? Legitima-se
o poder invadir países, e querer decidir por quem lá vive?
Depois ai, ai, quero
ajuda!
Afinal era para ver a
vossa reacção!
Isto parece uma check
list de erros: promessas, sanções, vaidade, falsidade, provocação, ironia e declarações
de guerra que mais parecem frases soltas de um poeta confuso. Uma verdadeira
obra de arte da confusão internacional, onde a lógica foi deixada de lado e o
espetáculo continua, com uma plateia que tenta entender, mas só consegue
assistir, boquiaberta, à peça mais imprevisível do século. Às vezes o mais
incoerente é justamente o que faz mais sentido… para quem gosta de um bom caos.
O número dos
trapezistas e palhaços já foi, o que se seguirá? O que se seguirá para que o
Sr. Trump continue a ter as parangonas da informação?
Ah, claro, em nome da estabilidade
global imagino o Sr. Trump a cruzar os mares, vestindo a revolução empresarial,
onde apenas existe o sistema binário, o Deve e o Haver, para ocupar Cuba e, com
jeito, o Brasil. A táctica é sempre a mesma, primeiro promove-se a carência, a
instabilidade e o pânico, e depois toma-se conta com anuência da população no
desespero - “Make Cuba Great Again” .
Desta salgalhada toda
só se extrai uma coisa positiva: O Sr. Trump conseguiu uma indignação global,
quer se seja de esquerda ou de direita, vermelho, amarelo ou azul. A Gronelândia
ficará mais para o Verão devido às condições climatéricas. Ouvi dizer que a
famosa estátua da liberdade, oferecida pelos franceses, já fechou os olhos e
com as mãos tapou aos ouvidos. Sinto orgulho dos nuestros hermanos.
Na próxima semana
quando o leitor me ler, certamente, com a velocidade que o mundo vai, já teremos
novas realidades.
Publicado em NVR 01|04|2026
