04 abril, 2025
"O COLCHÃO DENTRO DO TOUCADO" - Nicolau Tolentino
02 abril, 2025
A leitura abre uma porta rápida e fácil para o mundo
A leitura abre uma porta rápida e fácil para o
mundo
O Dia Internacional do Livro Infantil, comemora-se
hoje dia 2 de abril, situando-se no dia do nascimento de Hans Christian
Andersen, um dos mais célebres contadores de histórias, simbolizando a magia
das palavras e o poder da imaginação, que os livros podem despertar desde os
primeiros anos de vida.
Esta data é uma oportunidade valiosa para reflectir
sobre a importância da leitura na vida das crianças, que todos os dias se devem
aproximar deste mundo.
A promoção da leitura deve começar cedo, mesmo
antes de as crianças saberem ler. É fundamental que o ambiente familiar e
educativo ofereça experiências que estimulem o contacto com a literatura. Os
pais e cuidadores desempenham um papel crucial nesse processo, podendo
introduzir o hábito da leitura mediante momentos de leitura compartilhada e
pelo exemplo. Essa prática não apenas fortalece o vínculo entre pais e filhos,
mas também cria um espaço seguro para o diálogo e a troca de ideias.
As crianças que ainda não sabem ler, sabem ver
e interpretar imagens, e com ajuda da família, memorizam o que lhe lêem e pedem
o reconto, para melhor interiorizarem o seu conteúdo; nasce aqui o interesse, a
curiosidade, a descoberta, a construção de novas geometrias entre os seus neurónios
e o reforço dos laços afectivos com quem lhes abre caminhos na sua imaginação.
Os benefícios da leitura na infância são
imensos. Ela não só proporciona prazer, mas também enriquece o desenvolvimento
da criança em múltiplas dimensões. A leitura estimula a criatividade, a
imaginação, o pensamento crítico e a empatia. Além disso, ao explorar
diferentes histórias e culturas, as crianças ampliam a sua compreensão do mundo
e desenvolvem competências emocionais que as ajudam a lidar com as suas
experiências quotidianas. Eu diria que a leitura abre uma porta rápida e fácil
para o mundo.
Neste contexto, o tema deste ano, "A
liberdade da imaginação", proposto pelos Países Baixos, ressalta a
importância de incentivar as crianças a sonhar e a explorar novas ideias
através da literatura.
No Dia Internacional do Livro Infantil, é
essencial que todos — pais, educadores e a sociedade em geral — se comprometam
a cultivar o amor pela leitura nas novas gerações. Que possamos, juntos, criar
um ambiente onde a literatura seja uma parte integrante e celebrada na
infância, facilitando que cada criança tenha a oportunidade de desenvolver as suas
próprias asas de imaginação.
Quem lê na primeira infância, é provável que se
transforme em leitor quando adulto. E quem lê sabe mais.
Publicado em NVR 02|04|2025
"HISTORIA DA CAROCHINHA" - história tradicional portuguesa
31 março, 2025
Encontro com "Sonho causado pelo voo de uma abelha ao redor de uma romã um segundo antes de acordar"
Gosto de +
Pensei que era uma tela grande, enganei-me. Aqui estou eu a dar Escala.
"Sonho causado pelo voo de uma abelha ao redor de uma romã um segundo antes de acordar" de Salvador Dali. Um título tão grande, que explica quase tudo sobre esta pintura surrealista. Um dos momentos marcantes da minha visita ao Museu Thyssen em Madrid.
(Diário de Viagem)
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26 março, 2025
AMARELO TANGO - Nicolau Santos
PARCERIA
PAPA-MUSEUS
“Papa-museus”
Alguma vez se sentiu
cansado e frustrado depois visitar um museu?
Quem não?
Se é um “papa-museus”
como eu, percebe certamente a que me refiro. Querer ver tudo em pouco tempo,
rentabilizando ao máximo as visitas, exige boa condição física e intelectual, mas
encerra com essa sensação.
Há pequenos museus e há
museus megalómanos, e alguns ainda têm a própria arquitectura do espaço, que
acrescenta obrigatóriamente muito interesse e atenção.
O Museu do Louvre em Paris, é o museu mais
visitado do mundo. A relevância arquitetónica do edifício e o seu espólio, implicam
milhões de visitantes por ano; o seu acervo é de aproximadamente 38 mil objectos
artísticos realizados desde a pré-história até o século XIX.
Quanto tempo seria necessário
para ver todas as obras de arte do Museu do Louvre, com olhos de ver?
O Museu conhecendo esta
problemática, já possui diversos percursos para que o visitante possa seleccionar
o que mais lhe interessa e simplificar a sua visita.
Sabendo que nós, os
seres humanos, apenas temos até 90 minutos seguidos de concentração (estou a
ser optimista), o que nos restará depois de uma visita ao Louvre? Chegamos a um
ponto e esgotamos a nossa capacidade.
As obras de arte estão
nos museus, os livros nas bibliotecas…
Ninguém vai a uma
biblioteca e lê todos os livros, porque um livro demora horas ou dias para ser
lido. Para ver com olhos de ver uma obra de arte é algo semelhante. Reparem, quem
fez uma pintura ou uma escultura demorou dois meses, um ano, dois? E nós
demoramos menos de dois minutos para ver essa obra. Considero que é até ofensivo
para o autor, porque não nos damos tempo para observar e interpretar a mensagem
do mesmo, e muito menos elaborar a nossa interpretação. A superficialidade com
que, muitas vezes, observamos as obras de arte, contrasta com o tempo que
levamos para apreciá-las e com o tempo que os seus criadores dedicaram para
produzi-las.
Talvez isto explique a
nossa sensação de cansaço e frustração pela nossa falta de capacidade para absorver
tanta informação.
As entradas nos museus
raramente são gratuitas e a maioria das vezes, pretendemos aproveitar uma viagem,
um passeio para visitar vários museus em pouco tempo. O que fazer?
1 - Deve preparar-se em
casa, consultando informação sobre o que irá visitar. A internet é uma ajuda
preciosa.
2- Utilize o áudio
guia, para obter informação fidedigna e libertar o olhar durante a visita.
3 – Se for acompanhado,
tente realizar o seu percurso autónomamente, porque irá ser mais proveitosa, utilizando
o seu ritmo e tempo, consoante as suas preferências. Se tiver que ser
acompanhado, escolha o amigo certo.
4 - Se entrar preparado,
poderá considerar a hipótese de investir mais tempo nas obras mais
significativas ou naquelas que mais lhe interessam, atendendo sempre à sua limitação
em termos de concentração.
5 – Se tiver que dividir
a atenção entre as obras de arte expostas e as características do espaço, por
vezes peças de arquitectura únicas e muito especiais, e se permitirem recolha
de imagens, não hesite em fotografar, para mais tarde poder rever a visita,
activar a memória e melhorar a sua pesquisa posterior, se for necessária.
Na verdade, no final,
se lembrarmos 10% do que vimos, já é muito. Acredito que uma boa visita é
quando o impacto do trabalho que vimos permanece connosco por muito tempo. Ter
o tal amigo por perto pode ser muito útil para trocar opiniões. Quando podemos
mencionar algo para os amigos e conectá-lo com a nossa vida quotidiana,
interiorizamos melhor o conhecimento, tornando-o mais significativo. Esse é o
tipo de impacto que um artista quer ter.
Tente parar e reflectir
sobre o impacto do que viu, o que significa para a sua vida quotidiana e na sua
relação com o mundo – tenho o hábito de escrever sobre o que vi. O convite à
reflexão após a visita torna-se um ponto crucial, pois a arte não é apenas para
ser vista, mas para ser sentida e interiorizada.
Se lhe for possível, revisite
obras especiais – a emoção talvez seja ainda maior. Além disso, a sugestão de
revisitar obras especiais e reflectir sobre o impacto delas nas suas vidas é
fundamental para criar uma conexão mais profunda com a arte.
Já repeti diversas
vezes Vieira da Silva, Amadeo, Graça Morais, Batarda, Armanda Passos, Almada
Negreiros, Chichorro, Nadir Afonso, Aurélia de Sousa, Cruzeiro Seixas,… aqui no
nosso Portugal, enriquecendo-me cada vez mais nas novas visitas.
Partilho convosco uma
obra muito especial, que merece muito tempo para observação, porque as
mensagens e interpretações são inesgotáveis: “Tentações de Santo Antão” de
Bosch exposto no Museu de Arte Antiga em Lisboa - é uma obra complexa e cheia
de simbolismo, que realmente merece tempo e atenção para ser plenamente
apreciada.
Publicado em NVR, 26|03|2025