05 abril, 2026
03 abril, 2026
01 abril, 2026
Quando o mundo vira uma trágico-comédia.
Quando o mundo vira uma trágico-comédia.
Donald Trump conseguiu
transformar o mundo numa comédia perigosa, onde não se encontra lógica, nem
coerência, entre muitas vidas perdidas.
Quem diria que, numa
era de comunicação e de informação, a estratégia de política externa de um país
poderia transformar-se numa novela de episódios desconexos?
Contra a Venezuela e o
Irão — é um verdadeiro espectáculo de lógica confusa e objectivos tão claros
quanto um espelho embaciado.
Primeiro, temos o amuo
do Nobel da Paz.
Segue-se a Venezuela,
aquele país que, aparentemente, se tornou num objecto de obsessão de Trump,
como se fosse um episódio de um reality show político. Entre sanções que mais
parecem tentativas de jogar um jogo de Jenga com a economia de um país já
fragilizado, e declarações que mais parecem tweets de um fã de futebol que tenta
jogar futebol, a Venezuela virou o palco de uma guerra de narrativa: de um
lado, a luta pelo "democracia verdadeira", do outro, a tentativa de
derrubar um governo que, segundo Trump, é uma ameaça à estabilidade mundial. Entretanto,
capturam o Presidente Maduro e inundam as televisões com ele algemado a segurar
uma garrafa de água, vestindo moleton, olhos vendados… convenhamos, se a
intenção era ajudar o povo venezuelano, as sanções parecem mais uma forma de
mandar um presente de Natal com um pacote de rebuçados de hortelã, deixando os venezuelanos a
perguntarem se estão a jogar um jogo de xadrez ou uma partidinha do 1º de
Abril.
E o Irão? Aquele país
de cultura milenar virou o inimigo favorito do Twitter e do discurso político do
Sr. Trump, quase como uma novela de televisão que nunca termina e tem na
produção o guru sanguinário, da estrelinha de 6 pontas, que eu não atino a
escrever o nome. Entre acordos nucleares que mais parecem promessas de um
namoro que nunca começa, e sanções que parecem mais uma tentativa de fechar o
restaurante do amigo do bairro do que uma estratégia de paz, a relação com o
Irão é um verdadeiro espectáculo de incoerência. Afinal, se o objectivo era
evitar a proliferação nuclear, por que então apostar na pressão máxima que só
faz o país mais resistente, como um gato que não gosta de ser agarrado?
E isto agora é assim? Legitima-se
o poder invadir países, e querer decidir por quem lá vive?
Depois ai, ai, quero
ajuda!
Afinal era para ver a
vossa reacção!
Isto parece uma check
list de erros: promessas, sanções, vaidade, falsidade, provocação, ironia e declarações
de guerra que mais parecem frases soltas de um poeta confuso. Uma verdadeira
obra de arte da confusão internacional, onde a lógica foi deixada de lado e o
espetáculo continua, com uma plateia que tenta entender, mas só consegue
assistir, boquiaberta, à peça mais imprevisível do século. Às vezes o mais
incoerente é justamente o que faz mais sentido… para quem gosta de um bom caos.
O número dos
trapezistas e palhaços já foi, o que se seguirá? O que se seguirá para que o
Sr. Trump continue a ter as parangonas da informação?
Ah, claro, em nome da estabilidade
global imagino o Sr. Trump a cruzar os mares, vestindo a revolução empresarial,
onde apenas existe o sistema binário, o Deve e o Haver, para ocupar Cuba e, com
jeito, o Brasil. A táctica é sempre a mesma, primeiro promove-se a carência, a
instabilidade e o pânico, e depois toma-se conta com anuência da população no
desespero - “Make Cuba Great Again” .
Desta salgalhada toda
só se extrai uma coisa positiva: O Sr. Trump conseguiu uma indignação global,
quer se seja de esquerda ou de direita, vermelho, amarelo ou azul. A Gronelândia
ficará mais para o Verão devido às condições climatéricas. Ouvi dizer que a
famosa estátua da liberdade, oferecida pelos franceses, já fechou os olhos e
com as mãos tapou aos ouvidos. Sinto orgulho dos nuestros hermanos.
Na próxima semana
quando o leitor me ler, certamente, com a velocidade que o mundo vai, já teremos
novas realidades.
Publicado em NVR 01|04|2026
30 março, 2026
29 março, 2026
28 março, 2026
27 março, 2026
Adeus Inverno
Então, adeus, inverno, até o próximo ano,
guardarei em mim a tua lembrança fria,
pois na despedida há também esperança,
de um novo ciclo, de um novo dia.
AQ
26 março, 2026
SÉRGIO FERNANDEZ (1937-1926)
SÉRGIO FERNANDEZ (1937-1926)
Arquitecto
https://noticias.up.pt/2026/03/26/morreu-sergio-fernandez-professor-emerito-da-u-porto/
VILL'ALCINA
25 março, 2026
Velharias/antiguidades
Velharias/antiguidades
Nas grandes cidades
gosto de visitar mercados e espaços de venda de velharias. O meu gosto pelas
velharias é uma forma de me confrontar com o passado por meio de objectos em
desuso, mas que resistiram ao tempo. Alguém os dispensou para estarem ali
simultaneamente visíveis e incógnitos.
Procurar antiguidades é
uma aventura que mistura o espírito de Indiana Jones com a ansiedade de um coleccionador
em busca do objecto perfeito — aquele que faz o coração acelerar mais do que um
electrão em movimento. Essa procura rapidamente passa de um gosto para um
vício.
Nunca se sabe o que se
vai encontrar, portanto é como uma navegação sem destino e sem GPS. Caricaturando
parece que levamos uma lupa na mão, desvendando os mistérios do passado,
enquanto o nosso cérebro, equipado com a sabedoria de séculos de história,
tenta distinguir uma verdadeira relíquia entre várias réplicas de plástico.
O charme do caçador de
relíquias é que acredita que aquele objecto banal pode esconder uma história
fascinante. Como um mini Sherlock Holmes, o coleccionador treina o olhar, evoca
conhecimento rápido e um pouco de intuição para poder realizar uma avaliação
rápida, com o objectivo de comprar bom, único e barato; segundo estudos, é uma
combinação de experiências acumuladas e uma pitada de sorte, ou como dizem na
ciência, uma variável aleatória que dá aquele tempero especial à pesquisa.
Às vezes observo as
pessoas que compram com critérios diferentes dos meus, e interrogo-me sobre o
que motivou determinada compra. Uns preferem os “cacos”, outros, mobiliário,
joias, moedas, automóveis, livros, cassetes, discos, rádios, relógios e por aí
fora.
Há sempre peças únicas misturadas
com corriqueiras. A sorte sorri quando se encontra uma peça invulgar, única,
valiosa por uma pechincha.
Há também o lado
divertido dessa busca: as histórias fantasiosas que surgem, as negociações
quase dramáticas, e a esperança de encontrar um tesouro escondido no sótão da
avó de alguém ou na loja de antiguidades mais suspeita. Afinal, quem nunca
sonhou em encontrar uma peça única, que possa valer uma fortuna ou, pelo menos,
proporcionar uma boa história para contar aos amigos?
Normalmente lamento-me
por várias peças que perdi, por falta de dinheiro, por receio de arriscar ou
porque alguém se antecipou a mim.
O segredo para comprar
uma boa velharia reside no equilíbrio entre o conhecimento técnico e a
capacidade de "garimpar" em locais menos óbvios. Para encontrar peças
com valor real, deve focar-se na autenticidade, no estado de conservação e no
potencial de valorização.
Na próxima vez que o
leitor se aventurar na procura por antiguidades, lembre-se: além de uma
pesquisa científica, é uma jornada divertida, cheia de descobertas, surpresas
e, claro, uma boa dose de humor. Porque, no fundo, o segredo da busca por
relíquias é exatamente isso: uma mistura de ciência, sorte e uma pitada de
loucura.
Quando
procurar móveis procure por encaixes manuais assimétricos (em vez de cortes
industriais perfeitos) e acabamentos originais em verniz boneca ou cera.
Se o seu foco for prataria
e porcelana, verifique as marcas do fabricante - nomes famosos elevam
significativamente o valor. Se forem materiais avulsos, as antiguidades
genuínas (geralmente com mais de 100 anos) utilizam materiais sólidos e
técnicas de construção artesanais que as distinguem das réplicas modernas.
O conhecimento do design
e da história é um parâmetro necessário em todas as procuras, para evitar
comprar gato por lebre.
Avalie se a peça
precisa de restauro profissional. Móveis que exigem logística complexa
(desmontagem e transporte) devem ser comprados a preços mais baixos. Evite o
Valor Sentimental, o preço de mercado não considera o apego emocional do
vendedor.
Em mercados de usados,
o preço inicial é raramente o final; esteja preparado para negociar com base
nos defeitos ou na necessidade de restauro. E não esqueça, quando se interessar
por uma peça, não mergulhe de imediato no negócio. Primeiro manifeste interesse
por outras peças, e quando sentir o cansaço do vendedor, é o momento para
mencionar aquilo que, na verdade, lhe interessa. Se pretende um bom negócio
procure um ferro-velho em vez de um antiquário.
Publicado em NVR|25|03|2026
24 março, 2026
23 março, 2026
22 março, 2026
21 março, 2026
20 março, 2026
19 março, 2026
18 março, 2026
POESIA
POESIA
A poesia é uma forma
de expressão artística que ultrapassa as palavras, utilizando as próprias palavras,
permitindo transmitir emoções, pensamentos e experiências de maneira profunda e
muitas vezes universal.
Desde os tempos
antigos, a poesia desempenha um papel fundamental na cultura e na história das
sociedades, sendo uma ferramenta poderosa de comunicação, resistência e
reflexão. Ela tem a capacidade de tocar o coração e emocionar a alma das
pessoas, despertando sentimentos e promovendo a conexão entre indivíduos e a
sociedade, além de preservar tradições e identidades culturais.
No contexto da poesia
lusófona, essa importância amplia-se ainda mais, pois ela reflecte a
diversidade e a riqueza cultural dos países de expressão portuguesa, afirmada
em diversos territórios. A poesia lusófona abrange uma vasta gama de estilos,
temas e expressões, temas clássicos de amor e saudade, reflexões contemporâneas
sobre identidade e sociedade que abordam questões sociais, políticas e
ambientais. Poetas como Fernando Pessoa, Cecília Meireles, Mia Couto, Alda Lara
e Cesário Verde, entre outros, representam essa diversidade, cada um
contribuindo com uma visão única do mundo, marcada por influências de
diferentes histórias, idiomas e tradições.
O que dizer de Camões,
reconhecido como o maior poeta da língua portuguesa e uma figura cimeira da
literatura universal? A sua obra, funde o génio erudito do Renascimento com uma
sensibilidade popular, explora a fundo a condição humana, o amor contraditório,
as mudanças do tempo e a epopeia dos Descobrimentos Portugueses, elevando a
língua a um patamar de excelência.
A poesia lusófona é
especialmente importante pelo seu papel na formação da identidade e na
resistência cultural, sobretudo em contextos de colonização e pós-colonização.
Ela serve como meio de manter viva a história, as memórias e os valores das
comunidades, promovendo o orgulho pela herança cultural e incentivando a
reflexão sobre o presente e o futuro. Além disso, a poesia lusófona enriquece o
panorama literário mundial, trazendo vozes únicas que contribuem para um
diálogo intercultural mais amplo e rico.
A poesia, é uma
ferramenta essencial para fortalecer a cultura, promover o entendimento mútuo e
celebrar a diversidade do mundo. Ela continua a inspirar gerações, demonstrando
que, por meio da palavra, é possível construir pontes de esperança, resistência,
criatividade e liberdade. É uma ferramenta rigorosa, meticulosa e ousada
exigindo uma introspecção do leitor. A poesia não é um consumo passivo; é um
impacto dialético. Ela exige que o leitor abandone a superfície e mergulhe no
próprio silêncio para encontrar sentido nos versos que lê. É um exercício de
paciência e coragem. Se a poesia é ousada, o leitor precisa de ser, no mínimo,
um cúmplice disposto a ser transformado.
O processo poético que
obriga o leitor a olhar para dentro não é apenas estético, mas sim uma
arquitetura do pensamento simbólico. Para que a poesia deixe de ser apenas
palavras e se torne um espelho policromático, ela utiliza mecanismos de
desestabilização do sentido comum.
Destabilize-se!
[21 de Março, Dia
Mundial da Poesia]
Publicado em NVR 18|03|2026



































