05 junho, 2026
03 junho, 2026
A MAIS BELA MALDIÇÃO
A MAIS BELA MALDIÇÃO - livro
Autor Rui Couceiro, 2026
Foi com gula que comprei este livro,
sem ler a sinopse, opiniões… nada. Apenas gesto de gula construída por gostar
das obras “Baiona sem data para morrer” e Morro da Pena Ventosa”, do autor.
Pensei ser outro romance fabuloso e enganei-me. Em casa, abri o livro e
verifiquei que são 10 histórias que têm em comum os livros e o gosto de ler.
Estive para desistir, decepcionada,
pensando que Rui Couceiro, o autor, teria dificuldade em manter o nível literário
demonstrado em “Morro de Pena Ventosa”. Afinal nem todos os escritores
conseguem assegurar a sua genialidade em todas as obras.
Mesmo assim dei o benefício da
dúvida. Dou sempre aos livros 50 páginas para me seduzirem. Na página 50 já ia na 2.ª história sobre o
Castelo de Livros envolvendo a problemática da união das duas Alemanhas, antes
separadas pelo Muro de Berlim e já tinha decidido ler até ao fim.
O autor define que são histórias de
gente apaixonada por livros.
Cada história é uma surpresa e
torna-se viciante saltar de uma para a outra; Rabat, Berlim, S. Miguel nos
Açores, Toscana, S. Tomé e Príncipe, Pernambuco, Lucignana, Caxinas na Póvoa de
Varzim, Bogotá e Nova Iorque são os sítios onde se localiza cada história, nada
têm a ver umas com as outras, excepto uma verdadeira declaração de amor aos
livros e à leitura realizada por parte dos protagonistas e de Rui Couceiro, que
emerge de cada página. Rui Couceiro leva-nos numa viagem pelo mundo para
conhecer pessoas reais, que sofrem de uma singularidade no seu amor pelos
livros, revelando afectividades, reflexões sobre a vida e descrição ilustrativa
de lugares de geografias diversas, exteriores e interiores.
Escrever sobre livros e os seus
amantes pode parecer monótono, mas não, todas as histórias são interessantes,
contendo relatos biográficos daqueles que assumem a sua relação profunda com os
livros.
Foi um desassossego enquanto não li o
livro todo, aconcheguei-me a cada história literária narrada de forma delicada,
subtil e expressiva e dei comigo a imaginar que o autor teria material para um
segundo volume.
Esperava encontrar a Libreria Aqua
Alta que me encantou em Veneza, ou a Livraria Lello do Porto, a mais bonita do
mundo, ou até a história dos livros que foram angariados para os hospitais de
Angola, sob o nome "Um Livro, Uma Criança, Muitos Hospitais" coordenada
pelo jornalista Rui Ramos. Estas 3 histórias não ficariam nada mal neste livro…
ou ainda a Bibliothèque Nacional de France, as bibliotecas itinerantes da
Gulbenkian, o Real Gabinete Português de Leitura no Rio de Janeiro, a Cabine
telefónica de Somerset, a Biblioteca de Fernando Savater, ou a Word on the
Water de Londres. E a história daquele grupo que jogava póquer sem dinheiro,
mas com livros? Rui Couceiro tem material para escrever um segundo volume.
Um pormenor curioso, quando lia sobre
José Paulo Cavalcanti Filho, um apaixonado pela obra de Fernando Pessoa, acabei
por interceptar uma grande exposição realizada sob a sua curadoria, “Fernando
Pessoa: Plural como o Universo” que esteve patente na Fundação Calouste
Gulbenkian, em Lisboa em 2015, e que para mim foi um momento de referências
culturais gigantesco. A leitura também tem isto, inesperadamente faz cruzar
universos e de repente oferece-nos luz sobre vertentes que procurávamos ou que
desconhecíamos.
Gosto desta maldição de gostar.
Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, este
é um livro para todos os apaixonados por livros e para aqueles que não são, mas
deviam ser.
Publicado em NVR 03|06|2026
02 junho, 2026
Real Coliseu Portuense
Os tripeiros não atinam com touradas-
Já há mais de 150 anos que, no Porto, se tem a consciência
de que tourada não é espetáculo nem, muito menos, cultura, mas sim barbárie e
selvajaria!
Nesta imagem temos o Real Coliseu Portuense, localizado na
actual Rotunda da Boavista construído em 1889 e demolido em 1894. Foi sol de
pouca dura. O local quase que nunca serviu para fazer touradas, porque por aqui
esta tradição e "cultura" atrofia e não dá frutos. Nesse período foi
utilizado para espectáculos circenses e desportivos.
Quem quer ver touradas que vá à Póvoa.
01 junho, 2026
31 maio, 2026
Edgar Morin
Morreu Edgar Morin.
Recuei à última parte da década
70 e ao seu livro “O PARADIGMA PERDIDO”, que me abriu algumas janelinhas para o
mundo, na verdade um livro que me ensinou a pensar.
Não é fácil falar com serenidade
daquilo que admiramos e daquilo que odiamos, por isso é sempre bom ler Edgar
Morin. Foi um pensador inquieto cruzando as ciências da natureza e as sociais e
da cultura, sempre na busca de uma compreensão mais funda do Homem.
“A humanidade vive uma época de
perigos incríveis e, ao mesmo tempo, de possibilidades de ultrapassar as
coisas. É por isso que não podemos ser cegos, não devemos ser otimistas de
maneira estúpida, mas é preciso estar presente porque esta é a nossa vida”.
Edgar Morin tem origem sefardita.
A sua relação com o judaísmo e com o Estado de Israel foi marcada por um
distanciamento crítico em relação ao sionismo, pela denúncia veemente da
opressão do povo palestiniano e por uma profunda defesa do universalismo. Até
ao fim da sua vida, manteve-se perplexo e indignado com a violência em Gaza,
denunciando o que apelidava de "silêncio do mundo" face ao sofrimento
e à humilhação da população palestiniana.
30 maio, 2026
29 maio, 2026
27 maio, 2026
DICIONÁRIO
DICIONÁRIO
Apresento-vos um livro
que passou de moda, jaz frágil e moribundo no extremo de uma prateleira pouco
acessível das nossas estantes, apenas a apanhar pó. Guarda palavras gordas e
magras, negras e brancas, loucas e criteriosas, doces e agressivas, beneméritas,
malvadas e odiosas, palavras gastas e outras quase virgens, e agora palavras
adormecidas, ou até em coma induzido pelas novas tecnologias.
O conceito de
dicionário é uma ferramenta fundamental na organização e compreensão da língua,
desempenhando um papel crucial na comunicação, no estudo e na preservação do
património linguístico.
As primeiras formas de
dicionários podem levar-nos até à Antiguidade, como os glossários e listas de
palavras utilizados por escribas na Mesopotâmia e no Egito, que buscavam
esclarecer significados e traduções de termos especializados. Durante a Idade
Média, surgiram compêndios mais sistematizados, muitas vezes ligados ao ensino
e à tradução de textos religiosos e académicos.
Sobre o primeiro
dicionário português a informação recolhida não é unânime. Diz-se que foi o
"Dictionarium Lusitanum" de João de Barros, publicado em 1555 (?).
Como primeiro grande dicionário bilingue em Portugal intitula-se Dictionarium
Latino-Lusitanicum (1569) e foi escrito por Jerónimo Cardoso. Será? Não sei. O
dicionário moderno, como o conhecemos hoje, começou a tomar forma no século
XVII, o "Dictionnaire de l’Académie Française", publicado em 1694 em
França.
A utilidade do
dicionário é vasta e multifacetada. Ele serve como uma referência confiável
para esclarecer dúvidas sobre o significado, a ortografia, a pronúncia, a
origem e o uso de palavras. Para estudantes, escritores, tradutores e
profissionais de diversas áreas, o dicionário é uma ferramenta indispensável
para aprimorar a precisão e a riqueza do vocabulário. Além disso, desempenha um
papel importante na preservação da língua, documentando mudanças linguísticas e
introduzindo novos termos ao longo do tempo.
Actualmente, o
interesse pelos dicionários permanece elevado, porém, em suporte digital.
Muitas pessoas preferem consultar dicionários online ou aplicativos de
linguagem, que oferecem acesso instantâneo a uma vasta quantidade de
informações, além de actualizações constantes e funcionalidades adicionais.
Essa substituição gradual faz com que os dicionários impressos sejam
considerados quase obsoletos ou de uso mais restrito, muitas vezes reservados a
colecções, estudos académicos ou àqueles que valorizam o método tradicional de
pesquisa.
Assim, a secundarização
do dicionário-livro reflecte uma mudança cultural e tecnológica na forma como
acedemos e utilizamos o conhecimento linguístico nos dias de hoje. Quem não
conhece o dicionário Priberam da Língua Portuguesa e o Google Tradutor?
Quando era jovem, ai de
quem aparecesse na aula de Português sem o famoso dicionário, mais conhecido
por calhamaço, que funcionava como lastro da minha pasta e a transformava com
sucesso em arma de arremesso e desenvolvia-me os bíceps.
Mesmo na era digital, o
seu valor académico permanece inalterado, continuando a ser um aliado
indispensável na jornada da aprendizagem.
Além do dicionário
tradicional, existem outros tipos de dicionários, cada um com funções
específicas: Dicionário de Línguas, de Sinónimos e Antónimos, Dicionário
Etimológico, Dicionário de Rimas, Dicionário Visual, Dicionário Técnico ou
Especializado e outros mais, alguns muito apelativos contendo imagens,
facilitando a consulta e a memorização.
Eu ainda tenho o velho
dicionário de Eduardo Pinheiro publicado pela Livraria Figueirinhas, que
cumpriu a função, comigo e com as minhas irmãs, em dois continentes, os dois
volumes da Lello Universal e vários de línguas. Também tenho um dicionário
minúsculo de Francês-Português, que me livrou de algumas faltas de material com
a Madame Lamy. Preciso deles? Não! Quero vendê-los? Também não! Eles são a
prova de que a aprendizagem não se processa por osmose, pois há muitas palavras
que nunca utilizei, nem pretendo. UFA! UFA! Sobrevivi.
Publicado em NVR 27|05|2026
26 maio, 2026
25 maio, 2026
24 maio, 2026
22 maio, 2026
21 maio, 2026
20 maio, 2026
A CAIXADE PANDORA
A CAIXA DE PANDORA
Na mitologia grega, a
Caixa de Pandora (na verdade, um jarro) era um presente de Zeus para Pandora, a
primeira mulher, criada por Hefesto a mando de Zeus. O presente constava de uma
caixa
E o que continha a
caixa?
Continha todos os males
e desgraças do mundo, como doenças, dor, a guerra, a fome, o ódio, a discórdia,
a inveja, as doenças do
corpo e da alma, mas continha também a esperança, que ficou retida no fundo. A
caixa estava lacrada, e Zeus deu ordem expressa de nunca a abrir, pois continha
os males destinados à humanidade como punição.
Vencida pela
curiosidade, e desconhecendo o seu conteúdo Pandora abriu o recipiente, libertando
uma nuvem de todos os males (doenças, miséria, discórdia, etc.) que passaram a
afligir toda a humanidade.
Assustada, Pandora
fechou a tampa rapidamente, mas já era tarde. Apenas a esperança ficou presa na
caixa, que deu aos humanos a força para suportar as adversidades.
Este mito explica a
origem do sofrimento humano e a importância da esperança para enfrentá-lo,
tornando-se uma metáfora para atos que desencadeiam consequências
imprevisíveis. Adverte também sobre os perigos da curiosidade excessiva e as
consequências irreversíveis das acções humanas, especialmente quando há
desobediência a ordens divinas.
Hoje, a expressão "abrir a caixa de
Pandora" por vezes é utilizada de forma leviana, e parece conter algo de
mágico, na verdade significa "a origem de todos os males" é usada
para descrever acções que geram consequências negativas, imprevistas e
incontroláveis.
Apesar dos males, a
Esperança que ficou na caixa simboliza a resiliência humana e a capacidade de
perseverar diante das adversidades. Por isso dizemos que a Esperança é a última
a morrer.
A esperança é
considerada uma força inesgotável que sustenta o ser humano, ajudando a superar
momentos de crise, dor ou desespero. Antes da desistência total (desesperança),
a pessoa mantém a expectativa de que o amanhã trará algo melhor, agindo como
uma protecção contra o desânimo profundo.
Que os
deuses te sorriam. Alegra-te! Kairé!
[Emissão “Zeus não dorme”, descubra a
mitologia grega na sua vida – Rádio Universidade FM – 08|09|10 de Maio de
2026.]
O silêncio do kisanji na Rádio Portimão
19 maio, 2026
Ruinenberg
O Ruinenberg, ou “morro das ruínas”, é uma colina histórica em Potsdam com ruínas artificiais do século XVIII que ainda atraem visitantes pela sua beleza e vistas do Palácio Sanssouci.
Localização: bairro Bornstedt, ao norte do Parque Sanssouci em Potsdam.
A colina foi
transformada por Frederico II da Prússia em 1748, quando mandou construir um
reservatório de água no topo para fornecer água às fontes e jardins do palácio.
Para decorar a área, foram criadas ruínas artificiais inspiradas em estilos
clássicos e romanos, incluindo um coreto, um portal e restos de uma parede que
lembram um teatro romano.
Durante o
século XVIII e início do XIX, tornou-se moda na Europa construir ruínas
artificiais nos jardins aristocráticos, como reflexo do neoclassicismo e do
romantismo. O Ruinenberg exemplifica essa tendência com:
Monopteros
(templo circular)
Colunas dóricas
e jónicas
Pequenas
pirâmides e paredes em ruínas, simulando estruturas antigas
No século XIX,
Frederico Guilherme IV melhorou o projeto paisagístico, adicionando a Torre
Normanda, referência à arquitetura medieval, completada em 1846
Muitas das
estruturas foram destruídas durante a Segunda Guerra Mundial, mas foram
meticulosamente reconstruídas no século XX, mantendo o visual das ruínas
originais.
Conclusão:
Quando não há cão, caça-se com um gato. Adorei.
In Diário de
Viagem – Anabela Quelhas
18 maio, 2026
16 maio, 2026
15 maio, 2026
14 maio, 2026
13 maio, 2026
OS LIVROS MAJORA
"A HISTÓRIA DA CAROCHINHA” e os livros MAJORA no
programa Karranca às quartas, na Rádio Portimão.
Podem ouvir AQUI
CAIR NOS BRAÇOS DE MORFEU
CAIR NOS BRAÇOS DE MORFEU
As propriedades revigorantes do sono são amplamente
conhecidas, e a ausência dele pode gerar uma série de problemas de saúde.
Muitos estudiosos continuam a investigar de que maneira essa actividade, que
ocupa praticamente um terço das nossas vidas, interfere no funcionamento do
organismo. É comum ouvirmos pessoas celebrarem uma noite de sono reparador
dizendo que “caíram nos braços de Morfeu”.
Mas, afinal, de onde vem essa expressão?
A expressão "cair nos braços de Morfeu" é uma
metáfora que descreve o acto de adormecer de forma profunda, tranquila e
reconfortante, quase como um sono hipnótico. Essa locução remete à mitologia
grega, na qual Morfeu é o deus dos sonhos. Representado com asas poderosas,
Morfeu tem a capacidade de se mover silenciosamente durante a noite, viajando
rapidamente pelo mundo para visitar os seres humanos enquanto dormem, moldando
e influenciando os seus sonhos. Ele é um dos mil filhos de Hipnos, o deus do
sono e de Pasiteia (deusa do relaxamento, do descanso ou das alucinações), e
neto da deusa primordial da noite, Nix.
Segundo a mitologia grega, Morfeu adormecia os mortais
tocando-os com uma folha de papoila, mergulhando-os num sono propício à
experiência dos sonhos. Os gregos acreditavam que uma noite bem dormida e os seus
efeitos positivos só poderiam ser explicados pela presença dessa divindade nos
sonhos.
A imagem de corpos entrelaçados ao dormir, ou de estar nos
braços de Morfeu, é uma metáfora clássica tanto na literatura quanto na nossa
vida real. Quando alguém diz que “caiu nos braços de Morfeu”, refere-se ao
momento em que a pessoa abandona a consciência para mergulhar num repouso
reparador, como se estivesse a ser acolhida pelo próprio deus. Estar sob os seus
braços significa, portanto, estar sob a protecção da divindade que governa o
mundo dos sonhos.
Voltando à mitologia, quando Hipnos, pai de Morfeu, precisa
de enviar uma mensagem a um mortal através do sonho, envia um de seus filhos.
Os filhos, Fobetor e Fantaso, imitam animais ou objetos inanimados, como
árvores ou utensílios, nos sonhos dos mortais. Contudo, Morfeu tem uma função
especial: pode assumir a forma de qualquer ser humano. Nenhum outro filho imita
tão bem, reproduzindo o andar, o rosto, a voz, as palavras e até as roupas de
cada pessoa.
Assim, Morfeu pode assumir diversas formas de cada um de nós
e de outros personagens que surgem nos nossos sonhos. Essa capacidade de
caracterizar e representar o sonho inspirou Freud ao desenvolver as suas
teorias sobre a ligação entre os personagens do inconsciente e as nossas
experiências oníricas.
Foi justamente por meio dessa expressão e da história de
Morfeu que um dos mais potentes analgésicos existentes, a morfina, recebeu esse
nome.
A associação deve-se ao facto de que a morfina é extraída da
papoila, a mesma planta que, na mitologia, Morfeu utilizava para adormecer os
mortais. Além da sua origem, a morfina possui propriedades sedativas potentes,
induzindo o sono e aliviando a dor.
Em conclusão, embora a mitologia não tenha bases científicas,
é inegável que uma noite de bom descanso é, de certa forma, divinal. Afinal, o
sono reparador é um presente que nos conecta com uma cultura que explica a
origem do mundo, fenómenos naturais e comportamentos humanos por meio de
deuses, heróis e seres sobrenaturais.
Que os deuses te sorriam. Alegra-te! Kairé!
[Emissão “Zeus não dorme”, descubra a mitologia grega na sua vida – Rádio
Universidade FM – 24|25|26 de Abril de 2026.]












































