05 outubro, 2017

Catedral Patriarcal da Sagrada Ascensão de Deus





 Diário de Viagem - Veliko Tornovo - Bulgária
A Catedral Patriarcal da Sagrada Ascensão de Deus está localizada no topo da colina Tsarevets. Tem um acesso apenas pedestre. Vale o esforço da subida. O patriarcado de Tsarevets é uma fortaleza, muralhada e a Catedral Patriarcal fica no topo da elevação.
 Não considero relevante a situação arquitectónica bizantina. A decoração interior, que foi actualizada nas obras de reconstrução do século XX,  é fabulosa e invulgar. O pintor Teofan Sokerov, registou momentos importantes da história búlgara medieval, mas num traço modernista e libertário. Devido a esses murais, a igreja nunca foi reconsagrada e permanece inativa. As figuras representadas são enormes, com tonalidades de negro, cinza e vermelho, e criam um grande impacto no visitante. Eu não sou excepção. Nunca mais perderei esta memória.
































 


 



Escada infinita

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A escultura Escada Infinita foi desenhada por Olafur Eliasson e encontra-se em Munique, Alemanha.. A forma curva liga-se a si mesma, criando uma estrutura contínua que parece mais uma ilusão de óptica. Difícil de contemplar por um longo tempo sem ficar um tanto tonto, a escada de 9 metros parece estar indo para cima e para baixo ao mesmo tempo. Esta escada em espiral sem fim está localizada no exterior de um edifício da firma de contabilidade da KPMG, em Munique, na Alemanha, o que facilita os passeios ou dá um rápido treino nas pausas do almoço sem ter que se afastar muito.

23 setembro, 2017

AnimaiZ





 AnimaiZ
         Maria Amparo de Oliveira Rainha apresentou a sua nova obra “AnimaiZ”, destinada ao público infanto-juvenial, na tarde de 23 de setembro de 2017, no auditório do IPJ em Vila Real.
         Esta obra tem um título invulgar, já que aproveitou a palavra “animais” para esta simbolizar de A a Z relacionando-a com o conteúdo, expressando a ideia de dicionário. AnimaiZ é de facto um livro de poesia sobre animais e que vai de A a Z. 
          A poesia é rimada e ritmada, a maioria está construída em quadras, com uma linguagem concreta adaptada às exigências juvenis, motivando o imaginário e proporcionando um melhor conhecimento de cada espécie. Contém mensagens ecológicas e de protecção ambiental, descreve habitats, o sistema alimentar de alguns animais, alguns aspectos anatómicos e temperamentais, a sua locomoção, as migrações e a hibernação – os animais escolhidos são diversos, uns mais conhecidos do que outros.
         A ilustração é de Alcina Rabaço Gonçalves que tem ilustrado todos os livros da Amparo - este já é o terceiro. Neste livro a ilustração é muito realista, policromada, muito exuberante, alternando planos gerais com planos de pormenor, introduzindo numa dinâmica diferente em cada página, provocando conforto e curiosidade ao leitor. Cada página tem uma cor concordante com o colorido da ilustração.
         É muito interessante associar a poesia aos animais certamente vai fazer sucesso entre as crianças e jovens. Animais e crianças ou jovens é algo que combina bem. Qual é a criança que não gostaria de ter um animal de estimação? Todas gostariam. Quem fica insensível com momentos de ternura que alguns animais nos oferecem?
         A apresentação foi partilhada com a arquitecta Anabela Quelhas, que realçou a biografia da autora e a sua resiliência em escrever, sublinhou a sua determinação em ser professora, a forma de interagir com os pequenos leitores e divagou por uma serie de memórias que lhe suscitou o livro AnimaiS – de Einstein até Walt Disney, passando por Spilberg, Saramago, Luís Sepulveda e Albert Durer.
AQ


09 setembro, 2017

A BALLET STORY

Há espectáculos que são imperdiveis, Este é um deles.
‘A BALLET STORY’
VICTOR HUGO PONTES 

‘A Ballet Story’ tem como ponto de partida o bailado clássico ‘Zephyrtine’, de David Chesky. No entanto, não se trata da representação teatral ou da ilustração da história original, mas de um exercício de abstracção que parte do movimento dos corpos no espaço em articulação com a música. Não há contos de fadas, nem elementos do maravilhoso ou do fantástico. A moral é outra, o desenlace, diferente. Em ‘A Ballet Story’ não sabemos se a história se ajusta à música ou se a dança se ajusta à história. A narrativa será fabricada por cada espectador (ou não). Não se trata de uma articulação linear entre música, narrativa e dança, mas sim de um processo de influências mútuas e afinidades electivas que originam uma peça manipulável de modos diversos e, tanto quanto possível, inteira.

Numa coreografia que mistura sem complexos elementos do bailado, da dança contemporânea e do street dance, os sete intérpretes formam uma estranha tribo urbana, um grupo de seres talvez humanos, que vão ocupando a plataforma ondulada onde se encontram, num equilíbrio frágil entre o indivíduo e o colectivo. Não há contos de fadas, mas o ambiente permanece misterioso e intrigante do início ao fim.

Direcção artística: Victor Hugo Pontes
Música: David Chesky
Versão musical: Fundação Orquestra Estúdio, sob a direcção do Maestro Rui Massena
Cenografia: F. Ribeiro
Direcção técnica e desenho de luz: Wilma Moutinho
Intérpretes: André Mendes, João Dias, Joana Castro, Iuri Costa, Liliana Garcia, Marco da Silva Ferreira e Valter Fernandes.
Figurinos: Victor Hugo Pontes
Produção executiva: Joana Ventura
Co-produção: Nome Próprio, Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura
Apoio: Ao Cabo Teatro, Ginasiano Escola de Dança e Lugar Instável
Aqui fica para memória
https://www.youtube.com/watch?v=NsG7wkrk_18&feature=youtu.be

06 setembro, 2017

Moholy Nagy

Quando tinha 15 anos,  o meu pai presenteou-me com um livro de Moholy Nagy, “História ilustrada de la evolucion de la ciudad” da editorial Blume. Nessa época este livro era um luxo, as fotografias são a preto e branco, mas é um livro bem concebido, com papel de qualidade e eu enchi-me de orgulho pois já nessa época me interessava por cidades.
Quando vim para Portugal reduzi  1 quilo na minha bagagem para trazer esse meu livro. Este livro sobre cidades já viveu em várias cidades pois reboco-o sempre comigo. Nessa altura nem fazia ideia quem era Moholy Nagy . Já consultei outras obras dele mas há dias cruzei-me pela primeira vez com o seu caminho. 
Deparei com uma pintura original da sua autoria à minha frente, no museu Thyssen em Madrid, e várias décadas sobre muita coisa passaram na minha cabeça tal como um filme.

Gostaria de ter uma máquina para filmar o meu pensamento. Apenas fiz uma selfie.

30 agosto, 2017

em maré de elogio rasgado

em maré de elogio rasgado
- Porque é que eles têm saudades de Portugal? Achas que é lamechice?
- Devemos viver onde temos trabalho, o resto é treta. E agora temos que saber andar de casa às costas, permanentemente, pois teremos que fazer várias migrações ao longo da vida. Voltamos a ser nómadas tal como os nossos antepassados.
- Sim, mas porque querem sempre voltar ao país que não lhes garante trabalho?
Estava eu na conversa sobre o que acima se enquadra em diálogo.

            Porque querem voltar, porque manifestam saudades, porque gostam de reencontrar portugueses onde quer que estejam? 

            Eu nasci a sul do equador, sou uma sem terra, pertenço a sítio nenhum, qualquer sítio me serve para viver, mas considero que Portugal é um dos melhores países do mundo para se viver e portanto as saudades e toda a lamechice que envolve a distância forçada deste país, é compreensível. Vivemos aqui diariamente e não entendemos bem a dimensão desse “bordado regional” que se chama saudade, único no mundo, que só nós entendemos, quando estamos fora do país.
            O sol, a morfologia variada, a paisagem, o oceano atlântico como fronteira, a gastronomia e a localização na Europa, são cinco de vários parâmetros a considerar.
            Temos clima mediterrânico, cerca de 216 dias sem chuva, 3.000 horas de sol por ano, as temperaturas raramente baixam dos zero graus centígrados, a paisagem é lindíssima – planície, planalto, montanha, cerca de 526 praias, cidades cheias de património, os portugueses são afáveis e acolhedores, mistura de várias raças, boa rede de vias de comunicação, excelente e variada gastronomia, 900 anos de história, é um país seguro, com baixos índices de criminalidade,…
            Os portugueses não gostam de viver com espartilho vivencial, gostam de convívio, agora cada vez mais na rua, gostam de festejar as festas tradicionais, quer populares, quer as eruditas, gostam do bailarico e dos foguetes no ar. Até os compreendo porque isto de andar deprimido não leva a lado nenhum.  
            Isto é um povo com a cultura do serão. Ninguém gosta de se deitar com as galinhas. O estar com alguém após o jantar, seja a família em casa, seja os amigos no café ou na esplanada, é essencial para o equilíbrio psicológico. O clima permite, exige e promove o convívio social fora de casa.
            Temos um país pequenino, mas temos muitas cidades com história e com património – Lisboa, Porto, Coimbra, Viseu, Braga, Guimarães, Évora,… cada uma com a sua gastronomia própria e agora começamos a ter orgulho naquilo que é nosso e faz parte de nós, os nossos artistas plásticos – Paula Rego, Cutileiro, Joana Vasconcelos, Graça Morais, Bandarra, Amadeo, Almada – os nossos músicos – Abrunhosa, Rui Veloso, Camané, os Xutos, Carminho – os nossos escritores – Saramago, Afonso Cruz, Lobo Antunes,… temos os dois melhores poetas do mundo que fazem invejinha a muita gente – Camões e Pessoa – temos o melhor vinho do mundo – Porto – aqui bebe-se o melhor café do mundo e somos o pais-estado mais antigo da Europa.
            Nós somos, os azulejos, a sericaia, o queijo da serra, os canastros, as filigranas, o fito, a francesinha, a bica, o bairro-alto, o Douro, a guitarra portuguesa, a alheira, as gravuras do Côa, o barroco, os pauliteiros, o templo de Diana, a caravela, as marchas populares, o galo de Barcelos, o futebol, os descobrimentos, o Favaios, Sintra, os cravos de abril, o cantochão, o cacilheiro, a salsa e os coentros, o marnoto, as cavacas… e isto só há aqui, em Portugal.

(Revoltando os dias, em maré de elogio rasgado a Portugal)
Publicado em NVR a 30/08/2017