A escultura Escada Infinita foi desenhada por Olafur
Eliasson e encontra-se em Munique, Alemanha.. A forma curva liga-se a si mesma,
criando uma estrutura contínua que parece mais uma ilusão de óptica. Difícil de
contemplar por um longo tempo sem ficar um tanto tonto, a escada de 9 metros
parece estar indo para cima e para baixo ao mesmo tempo. Esta escada em espiral
sem fim está localizada no exterior de um edifício da firma de contabilidade da
KPMG, em Munique, na Alemanha, o que facilita os passeios ou dá um rápido
treino nas pausas do almoço sem ter que se afastar muito.
05 outubro, 2017
23 setembro, 2017
AnimaiZ
AnimaiZ
Maria Amparo de
Oliveira Rainha apresentou a sua nova obra “AnimaiZ”, destinada ao público
infanto-juvenial, na tarde de 23 de setembro de 2017, no auditório do IPJ em
Vila Real.
Esta obra tem
um título invulgar, já que aproveitou a palavra “animais” para esta simbolizar
de A a Z relacionando-a com o conteúdo, expressando a ideia de dicionário.
AnimaiZ é de facto um livro de poesia sobre animais e que vai de A a Z.
A poesia é rimada e ritmada, a maioria está
construída em quadras, com uma linguagem concreta adaptada às exigências
juvenis, motivando o imaginário e proporcionando um melhor conhecimento de cada
espécie. Contém mensagens ecológicas e de protecção ambiental, descreve
habitats, o sistema alimentar de alguns animais, alguns aspectos anatómicos e
temperamentais, a sua locomoção, as migrações e a hibernação – os animais
escolhidos são diversos, uns mais conhecidos do que outros.
A ilustração é
de Alcina Rabaço Gonçalves que tem ilustrado todos os livros da Amparo - este
já é o terceiro. Neste livro a ilustração é muito realista, policromada, muito
exuberante, alternando planos gerais com planos de pormenor, introduzindo numa
dinâmica diferente em cada página, provocando conforto e curiosidade ao leitor.
Cada página tem uma cor concordante com o colorido da ilustração.
É muito
interessante associar a poesia aos animais certamente vai fazer sucesso entre
as crianças e jovens. Animais e crianças ou jovens é algo que combina bem. Qual
é a criança que não gostaria de ter um animal de estimação? Todas gostariam.
Quem fica insensível com momentos de ternura que alguns animais nos oferecem?
A apresentação
foi partilhada com a arquitecta Anabela Quelhas, que realçou a biografia da
autora e a sua resiliência em escrever, sublinhou a sua determinação em ser
professora, a forma de interagir com os pequenos leitores e divagou por uma
serie de memórias que lhe suscitou o livro AnimaiS – de Einstein até Walt
Disney, passando por Spilberg, Saramago, Luís Sepulveda e Albert Durer.
AQ
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Literatura,
personalidades
09 setembro, 2017
A BALLET STORY
Há espectáculos que são imperdiveis, Este é um deles.
‘A BALLET STORY’ VICTOR HUGO PONTES ‘A Ballet Story’ tem como ponto de partida o bailado clássico ‘Zephyrtine’, de David Chesky. No entanto, não se trata da representação teatral ou da ilustração da história original, mas de um exercício de abstracção que parte do movimento dos corpos no espaço em articulação com a música. Não há contos de fadas, nem elementos do maravilhoso ou do fantástico. A moral é outra, o desenlace, diferente. Em ‘A Ballet Story’ não sabemos se a história se ajusta à música ou se a dança se ajusta à história. A narrativa será fabricada por cada espectador (ou não). Não se trata de uma articulação linear entre música, narrativa e dança, mas sim de um processo de influências mútuas e afinidades electivas que originam uma peça manipulável de modos diversos e, tanto quanto possível, inteira. Numa coreografia que mistura sem complexos elementos do bailado, da dança contemporânea e do street dance, os sete intérpretes formam uma estranha tribo urbana, um grupo de seres talvez humanos, que vão ocupando a plataforma ondulada onde se encontram, num equilíbrio frágil entre o indivíduo e o colectivo. Não há contos de fadas, mas o ambiente permanece misterioso e intrigante do início ao fim. Direcção artística: Victor Hugo Pontes Música: David Chesky Versão musical: Fundação Orquestra Estúdio, sob a direcção do Maestro Rui Massena Cenografia: F. Ribeiro Direcção técnica e desenho de luz: Wilma Moutinho Intérpretes: André Mendes, João Dias, Joana Castro, Iuri Costa, Liliana Garcia, Marco da Silva Ferreira e Valter Fernandes. Figurinos: Victor Hugo Pontes Produção executiva: Joana Ventura Co-produção: Nome Próprio, Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura Apoio: Ao Cabo Teatro, Ginasiano Escola de Dança e Lugar Instável
Aqui fica para memória
https://www.youtube.com/watch?v=NsG7wkrk_18&feature=youtu.be
06 setembro, 2017
Moholy Nagy
Quando tinha 15 anos,
o meu pai presenteou-me com um livro de Moholy Nagy, “História ilustrada
de la evolucion de la ciudad” da editorial Blume. Nessa época este livro era um
luxo, as fotografias são a preto e branco, mas é um livro bem concebido, com
papel de qualidade e eu enchi-me de orgulho pois já nessa época me interessava
por cidades.
Quando vim para Portugal reduzi 1 quilo na minha bagagem para trazer esse meu
livro. Este livro sobre cidades já viveu em várias cidades pois reboco-o sempre
comigo. Nessa altura nem fazia ideia quem era Moholy Nagy . Já consultei outras
obras dele mas há dias cruzei-me pela primeira vez com o seu caminho.
Deparei com uma pintura original da sua autoria à minha
frente, no museu Thyssen em Madrid, e várias décadas sobre muita coisa passaram
na minha cabeça tal como um filme.
Gostaria de ter uma máquina para filmar o meu pensamento.
Apenas fiz uma selfie.
30 agosto, 2017
em maré de elogio rasgado
em maré de elogio rasgado
- Porque é que eles têm saudades de
Portugal? Achas que é lamechice?
- Devemos viver onde temos trabalho,
o resto é treta. E agora temos que saber andar de casa às costas,
permanentemente, pois teremos que fazer várias migrações ao longo da vida.
Voltamos a ser nómadas tal como os nossos antepassados.
- Sim, mas porque querem sempre
voltar ao país que não lhes garante trabalho?
Estava eu na conversa
sobre o que acima se enquadra em diálogo.
Porque querem voltar, porque
manifestam saudades, porque gostam de reencontrar portugueses onde quer que
estejam?
Eu nasci a sul do equador, sou uma
sem terra, pertenço a sítio nenhum, qualquer sítio me serve para viver, mas
considero que Portugal é um dos melhores países do mundo para se viver e
portanto as saudades e toda a lamechice que envolve a distância forçada deste
país, é compreensível. Vivemos aqui diariamente e não entendemos bem a dimensão
desse “bordado regional” que se chama saudade, único no mundo, que só nós
entendemos, quando estamos fora do país.
O sol, a morfologia variada, a
paisagem, o oceano atlântico como fronteira, a gastronomia e a localização na
Europa, são cinco de vários parâmetros a considerar.
Temos clima mediterrânico, cerca de
216 dias sem chuva, 3.000 horas de sol por ano, as temperaturas raramente
baixam dos zero graus centígrados, a paisagem é lindíssima – planície,
planalto, montanha, cerca de 526 praias, cidades cheias de património, os
portugueses são afáveis e acolhedores, mistura de várias raças, boa rede de
vias de comunicação, excelente e variada gastronomia, 900 anos de história, é
um país seguro, com baixos índices de criminalidade,…
Os portugueses não gostam de viver
com espartilho vivencial, gostam de convívio, agora cada vez mais na rua, gostam
de festejar as festas tradicionais, quer populares, quer as eruditas, gostam do
bailarico e dos foguetes no ar. Até os compreendo porque isto de andar
deprimido não leva a lado nenhum.
Isto é um povo com a cultura do
serão. Ninguém gosta de se deitar com as galinhas. O estar com alguém após o
jantar, seja a família em casa, seja os amigos no café ou na esplanada, é
essencial para o equilíbrio psicológico. O clima permite, exige e promove o
convívio social fora de casa.
Temos um país pequenino, mas temos
muitas cidades com história e com património – Lisboa, Porto, Coimbra, Viseu,
Braga, Guimarães, Évora,… cada uma com a sua gastronomia própria e agora
começamos a ter orgulho naquilo que é nosso e faz parte de nós, os nossos
artistas plásticos – Paula Rego, Cutileiro, Joana Vasconcelos, Graça Morais,
Bandarra, Amadeo, Almada – os nossos músicos – Abrunhosa, Rui Veloso, Camané, os
Xutos, Carminho – os nossos escritores – Saramago, Afonso Cruz, Lobo Antunes,…
temos os dois melhores poetas do mundo que fazem invejinha a muita gente –
Camões e Pessoa – temos o melhor vinho do mundo – Porto – aqui bebe-se o melhor
café do mundo e somos o pais-estado mais antigo da Europa.
Nós somos, os azulejos, a sericaia,
o queijo da serra, os canastros, as filigranas, o fito, a francesinha, a bica,
o bairro-alto, o Douro, a guitarra portuguesa, a alheira, as gravuras do Côa, o
barroco, os pauliteiros, o templo de Diana, a caravela, as marchas populares, o
galo de Barcelos, o futebol, os descobrimentos, o Favaios, Sintra, os cravos de
abril, o cantochão, o cacilheiro, a salsa e os coentros, o marnoto, as cavacas…
e isto só há aqui, em Portugal.
(Revoltando
os dias, em maré de elogio rasgado a Portugal)
Publicado em NVR a 30/08/2017
09 agosto, 2017
Relógio astronómico
Olhem para a minha cara depois de viver um voyeurismo tótó –
um sorriso à Mona Lisa, que não é carne, nem é peixe, um verdadeiro sorriso
amarelo, sem ofensa para a cor que eu adoro.
Aguardei pelas 12h para ver o relógio astronómico e
medieval, a funcionar, uma relíquia da cidade de Praga, concebido pelo
relojoeiro Mikulas, em 1410, que a determinadas horas adquire movimento através
de pequenas estátuas que contém.
40 graus ao sol, centenas de pessoas a aguardar pelas 12h,
para escolher estratégicamente um local ortogonal na horizontal (o que eu invento!!! J ), tive que dizer
muitos com licenças, muitos sorrys e vários pleases, e finalmente batem as 12
horas e apenas 2 estátuas vieram simplesmente espreitar e recolheram-se… não há
pachorra, que praga!
Diário de viagem, VIII/17 Praga
Apetece perder-me
Apetece perder-me por estas ruas, sem hora de regresso e
sem mapa. Dobrar cada esquina, obedecendo à curiosidade do olhar e ao desejo de
desvendar o desconhecido, sem rumo e sem destino, sem preocupações de sentido
ou direção. Gostaria de afagar cada porta e cada janela, confirmando a harmonia
naturalista da arte nova, a simetria da art decô e o geometrismo do cubismo
analítico… e quando estivesse perdida e já tivesse passado várias vezes no
mesmo lugar, chamaria um táxi para me levar de regresso ao hotel. Praga é uma cidade
para visitar sem mapa. É uma cidade para gerar paixão e regressões a várias
épocas. Parece que está á nossa espera, aguardando pacientemente a nossa
chegada, para se revelar e nos envolver em cada detalhe.
Diário de viagem, VIII/2017
08 agosto, 2017
Edifício Cordeiro
Identificar ruas e edifícios, é assinalar a história de uma cidade, é sublinhar a identidade local. É como passar rimmel pelas pestanas, tornando-as mais belas e elevando o nosso ego. Em Praga tudo se encontra bem assinalado e juntamente com a identificação das ruas, podemos encontrar os níveis de cheias dos rios Elba e Moldava, permitindo-nos avaliar e imaginar uma cidade inundada de água e outras placas que certamente os praguenses entenderão. Mas o invulgar deste registo é o facto dos edifícios antes de terem numeração, eram identificados por um elemento decorativo colocado na parte superior da porta principal. A casa cordeiro, é a que está assinalada nesta imagem, com o desenho emoldurado de um cordeiro, com paisagem de fundo e um elemento heráldico na parte inferior. Uma identificação muito naif que dá brilho a esta cidade.
Diário de viagem, VIII/2017
07 agosto, 2017
Aguardando Kafka
São 7h da manha, chego à janela de uma cidade que se abre para mim. Ensonada digo.lhe bom dia, e abraço.a. Recuo para um dia de primavera, lá longe em que se festejava a liberdade. Tal como eu era jovem, sonhadora, com flores nos cabelos e muito determinada a cumprir os meus ideais. (Primavera de Praga)
....
Sentada numa esplanada, na frescura possível da sombra de um sol ardente, penso no bizarro da vida, no imprevisível, naquilo que nunca poderia acontecer, mas que acontece. Sinto.me surreal, aguardando Kafka que deve chegar a qualquer momento, metamorfoseado de um insecto qualquer com aroma a Trdelnik. Pausa para saborear um pecena kachna. Faca e garfo aí vou eu. Uhhhh delicia!
....
Encerro o dia pela noite fora entre os reflexos do Elba e do Vitava, de queixo em repouso sobre a minha mão esquerda e sonho sonhos já acontecidos e outros que poderão acontecer. Recordo o paganismo dos eslavos lido num livro já sem nome na minha memória, os cristãos e os judeus.... e eu eternamente procurando de onde sou.
Diário de viagem VIII/2017
Café Alba
Sento-me no café Alba, vigiando as escadas que dão acesso à
igreja mais popular de Praga, Igreja de Nossa Senhora Vitoriosa.
Sobem e descem às centenas, pessoas de todo o mundo, crentes
e ateus, para homenagear, o Menino Jesus de Praga - estátua com estrutura de madeira e enchimento
de cera, ícone de devoção de muitos católicos. Reparo num casal de idosos, ela
com mobilidade reduzida, que chegaram de táxi. Falam espanhol da América do
Sul. Têm ainda uma dezena de escadas para subir. Ela arrasta-se
Um menino vaidoso que troca de roupa várias vezes e cujos
vestidos estão aqui também expostos numa sala da torre desta igreja barroca.
Ele
é ouro, ele é prata, ele é brilhantes, sedas, veludos, bordados e brocados. O
objecto em si não tem nada de especial, há cópias bem mais giras, em todas as
montras da cidade.
Aprecio a devoção e a fé e acho piada ao Menino, parece um
boneco com o qual as meninas religiosas vestem e despem… o poky game do
barrocão.
Encontro aqui o primeiro de vários…. Não sei como lhes
chamar…. Penitente, dobrado de quatro com os antebraços e joelhos apoiados no
chão, pedindo esmola. Permanecem horas nessa posição. O que será isto? As
práticas sadomasoquistas das religiões que me convertem em afastada e
observadora crítica.
Diário de viagem, VIII/2017
25 julho, 2017
08 julho, 2017
MBANZA CONGO
O centro histórico da cidade de Mbanza Congo, norte de
Angola, foi declarada pela Unesco como Património Mundial da Humanidade –
2017/07/08.
Mbanza Congo é a capital do antigo Reino do Congo, do século
XIII.
A área classificada envolve um conjunto cujos limites
abrangem uma colina a 570 metros de altitude e que se estende por seis
corredores. Inclui ruínas e espaços entretanto alvo de escavações e estudos
arqueológicos, que envolveram especialistas nacionais e estrangeiros.
Referência para as pedras da fundação do antigo palácio
real, Tadi dia Bukukua (transformado em museu), o levantamento da missão
católica, da casa do secretário do rei, do túmulo da Dona Mpolo (mãe do rei Dom
Afonso I, enterrada com vida por desobediência às leis da corte) e do cemitério
dos reis do antigo Reino do Congo, as ruínas de Kulumbimbi, a árvore Yala
Nkuwu, o Súnguilo - local sagrado considerado tribunal tradicional
O fundador do reino do Congo Nimy-a-Luqueny, sendo uma
autoridade espiritual, quando chegou aquela região reconheceu na árvore Yala
Nkuwu o poder especial de pressagiar coisas boas ou más. E assim acontece até
aos dias de hoje.
As Ruínas de Kulumbimbi têm despertado interesse da
comunidade científica internacional pela sua singular arquitectura. É a primeira
igreja construída na África subsariana, por missionários católicos que faziam
parte da primeira expedição portuguesa liderada por Diogo Cão quando chegou a
Angola em 1482.
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Arquitectura,
cidades UNESCO
O FUNK DO PEDRO ABRUNHOSA
Experienciar um concerto de Pedro Abrunhosa é sempre bom e
fica registado na nossa memória para sempre. Existem sempre dois espectáculos, o
do palco e o que acontece entre o público. Todo o mundo sabe as letras, canta,
dança, responde aos desafios interagindo com o Pedro, como se este fosse alguém
muito próximo de nós, fazendo parte da nossa identidade. E ele de facto faz
parte de nós, pois a sua música, a sua voz, faz-se presente em diversos
momentos da nossa vida. É exactamente como ele diz, a música anula barreiras e
une-nos.
Hoje aconteceu de novo, desta vez ao ar livre, não
permitindo um certo intimismo que se gera nos espaços mais pequenos, mas a
entrada livre dá a oportunidade de participação a muitos que não têm outra
forma de o fazer.
Obrigada Pedro, por voltares mais uma vez ao Reino
Maravilhoso, acompanhado sempre de uma mensagem de paz e de amor, iluminando o
nosso mundo interior.
Vivemos tempos de esperança e a partilha da tua música
faz-nos acreditar ainda mais em que este país, ainda é um projecto possível. O
momento de evocação dos que perderam a vida há dias tentando salvar-se, foi
profundo e emocionante, mas houve outros momentos ternos e irrepetíveis.
Registo aqui o momento em que um casal de certa idade que assistia ao concerto
à minha frente, se abraçou ternamente ouvindo uma certa música, ainda
conseguindo vislumbrar romantismo através das tuas palavras. Foi lindo.
Pedro volta sempre. Fazes-nos
bem!
05 julho, 2017
Aguardo pelo Messias
Aguardo pelo Messias
Copiei esta
imagem da internet numa rede social. Não sei quem é o autor, alguém copiou de
alguém e eu copei descaradamente a seguir, mas sei com certeza que a sua
profissão é ser professor. Só um professor entende esta imagem que é um
verdadeiro pedido por socorro.
Um professor para
além ensinar e tentar educar (escrevo “tentar”, porque a educação adquire-se em
casa), lida com uma rede de problemas de grande complexidade que é o reflexo da
nossa sociedade, o bom e o mau, dispondo de poucos recursos e reinventando
estratégias para ser bem-sucedido, através de práticas resultantes de um
trabalho intrínseco à arte de ensinar e em paralelo, que consta em planear,
articular, partilhar, avaliar, acompanhar, reflectir. Até aqui, tudo bem… mas
exige-se algo verdadeiramente esgotante, sem grande visibilidade e utilidade, o
registo, a prova, a evidência em como fez e em como desempenhou bem o seu papel,
com se ensinar se convertesse num processo jurídico onde é necessário reunir
provas consistentes para exibir no tribunal. Ao professor não basta esgotar-se,
falando alto para se fazer ouvir, não basta interromper o seu raciocínio de
cinco em cinco minutos, para mandar calar, para evitar confusão na sala, para captar
a atenção dos distraídos, para dar autorização para ir ao WC, para… para…, não
basta fingir que não ouve comentários desagradáveis e rudes proferidos a baixa
voz, não basta estimular aqueles que de facto querem aprender, não basta
proteger os tímidos e os mais sensíveis, não basta refrear os mais rebeldes,
não basta servir de mãe, de pai, de psicólogo, de sociólogo, de pedagogo, de
enfermeiro, de mediador de conflitos, de amigo e de cúmplice, não basta cuidar
da socialização e das interações em grupo, não basta! o professor ainda deve ser
uma máquina de produção de documentos supérfluos, teoricamente correctos e
necessários, mas que na prática adormecem e apodrecem nos dossiers, reais ou
digitais.
Os documentos
são imensos e agora felizmente já é tudo informatizado, reduzindo substancialmente
a quantidade de papel - as árvores agradecem. A grande papelada que a imagem
refere, já é uma papelada digital, mas que não deixa de ser uma catrafiada de
documentos distribuídos por pastas, subpastas e mini pastas que carregamos no
computador pessoal e que de pouco serve.
As salas dos
professores, onde se respirava alguma tranquilidade entre uma aula e outra, onde
todos carregavam energias para ir à luta, foram transformadas em algo parecido com
um call center, onde os professores
se sentam aproveitando o tempo para teclar desesperadamente documentos para
entregar aos coordenadores, aos diretores, ou aos encarregados de educação, olhando
apenas para os monitores, alucinados com as evidências da sua competência.
Documentos que ninguém mais lerá. Eventualmente se houver uma queixa ou uma
reclamação, todos terão informação escrita para exibir, ninguém lerá, mas
importa ter. Quem tem, é competente, quem não tem é um calaceiro incompetente.
Não interessa se o professor tem raciocínio, criatividade, memória, experiência,
se reflete sobre os desafios do dia-a-dia e tem a arte de gerar empatias com os
alunos, tentando dar a melhor resposta e o melhor de si. O que interessa é ter
muitos documentos para exibir e em ordem. Quem lê os documentos? Quem cruza a
informação? Poucos ou ninguém.
É necessário
ter papelada para mostrar e manter os professores ocupados. Porque os
professores são duma raça, que gosta de
praia e de piqueniques em todas as estações do ano e são os campeões das pontes
e das esplanadas. Ai do professor que dá uma negativa, se não tiver tudo
bem documentado e justificado! Ao aluno não basta não estudar, perturbar as
aulas, ter testes negativos e estar a marimbar-se para escola e para o cota do
prof. São necessárias análises, reflexões, estratégias, objectivos, articulações,
partilhas, reforços positivos, diálogos assertivos, motivações personalizadas,
trabalho colaborativo, comunicações aos DTs e aos encarregados de educação… e
não basta praticar-se é necessário escrever-se e repetir-se em diversos
documentos. E cada caso é um caso, feito de domínios sócio-afectivo, cognitivo
e psico-motor… agora multipliquem por 170 casos/professor, cada um com pai e
mãe, ambos a achar que o professor tem
boa vida, é um baldas, é um verdadeiro vilão cheio de preguiça e incompetência,
lerdo das ideias, não faz nada, passa a vida em férias e faz greves durante o
ano sempre em momentos errados, e ainda por cima faz queixa dos seus queridos e
adorados filhinhos que são sempre uns anjinhos e as más companhias é que lixam
tudo (esta é a imagem que a sociedade infelizmente resolveu construir nos
últimos anos sobre os professores). Como pais brilhantes, não lhes ensinam que se diz com licença, faz favor, obrigado, bom
dia e até amanhã, que não se dizem palavrões e que é obrigatório respeitar o
outro.
Mas voltando à
papelada… no meu tempo (não gosto da expressão, mas por vezes é imperiosa),
quando na pauta estava escrito 10 valores queria dizer que passei à rasquinha,
e ia ter os meus pais de trombas por umas semanas, quando tinha 8 valores
queria dizer que tinha andado a vadiar o 1º período e que os meus pais iriam
suspender tudo o que me desse prazer até eu recuperar, e quando tinha 14
valores, eu respirava de alívio, mas os meus pais ainda iriam perguntar porque
não tirei melhor nota e quando tinha 17 valores, finalmente os meus pais sorriam.
Numa escala de zero a vinte, com os números alinhados numa pauta, eu sabia
exactamente onde tinha acertado, onde tinha errado, e os meus pais não
precisavam de mais nenhuma explicação ou esclarecimento.
Ai, ai
papelada… aguardo com certa urgência pelo Messias do ensino, que entenda quão nobre
é a profissão que prepara a sociedade do futuro. Devolvam-nos o tempo que é
necessário para nos despirmos dos problemas da escola, o tempo para reciclar
informação, o tempo para regenerar a mente e a paciência, o tempo para
actualizar conhecimento. Devolvam-nos a dignidade, pois os nossos alunos são os
vossos filhos!
Anabela Quelhas
Publicado em NVR a 5/07/2017
13 junho, 2017
Anita nas folias juninas
Anita nas folias
juninas
Cheira a farturas, bem ensopadas em óleo
e açúcar, já há vários dias, anunciando o solstício de verão reflectido nesta modernidade
dos carros de farturas estacionados nas ruas dos centros urbanos, escondendo
jardins e edifícios barrocos interessantes. Ai de quem lhe enjoe o cheiro, pois
terá que conviver com esta realidade durante o mês de Junho, quer queira, quer
não, e passados uns dias, terá como paisagem, os doces da Teixeira fabricados
em Baião, agora misturados com fatias de Resende e os pormenores púbicos de S.
Gonçalo de Amarante.
Como som de fundo, temos o que há de mais popularucho e pimba, com letras que fazem corar o próprio Quim Barreiros, anunciando carrinhos de choque, e agora a vanguarda da diversão, resultante da tecnologia carrosseleira, onde o cinto de segurança é essencial, tal como ter o estômago vazio, como se fossemos fazer uma endoscopia digestiva no hospital mais próximo, para não fazer feio, vomitando o hambúrguer, a bifana, a bejeca, e a tal fartura que assentou mal com o café, sobre os mirones que ficam em baixo.
Como som de fundo, temos o que há de mais popularucho e pimba, com letras que fazem corar o próprio Quim Barreiros, anunciando carrinhos de choque, e agora a vanguarda da diversão, resultante da tecnologia carrosseleira, onde o cinto de segurança é essencial, tal como ter o estômago vazio, como se fossemos fazer uma endoscopia digestiva no hospital mais próximo, para não fazer feio, vomitando o hambúrguer, a bifana, a bejeca, e a tal fartura que assentou mal com o café, sobre os mirones que ficam em baixo.
As festas juninas são mesmo assim!
Afastei-me propositadamente das noivas
de Sto António – não vá o diabo tecê-las!!! Alguém me pode acertar com o bouquet de noiva… às vezes pareço ter um
íman para atrair complicações. Vi-as ao longe, fora de alcance da maior atleta olímpica
lançadora de bouquets, discos ou
dardos, vestidas cada uma com 50 metros de renda de Sevilha, carregando consigo
baús cheiinhos de amor para dar, cumprindo um sonho de subir ao altar nas festas
de Sto António, mesmo que em grupo, com vestido a arrastar, véu e grinalda brancos
ou pérola. Mas que bem!!! - agora com muita selfie,
muita base, muito rimmel, muito eye liner, muito esfoliante, muito gel, muita
extensão, muito silicone, muito babyliss,
muito makeup, muito reafirmante, muito
under bra, muito fio dental, muito fitness, muito adelgaçante, muita
tatuagem, muito sérum, muita barba de 3 dias, muito jet bronze, muito laser…
(ufff) realizando as fantasias mais imaginativas a que qualquer mortal tem
direito e que consegue realizar com ajuda do chinês da esquina.
Meu Deus dai-me juízo até à hora da morte!!!
Oh meu Santantoninho, tu divertes-te à
brava, à custa destes encantamentos passageiros de nós pecadores de todos os
dias… quantos pontos fazes por cada um, no reino monótono do céu? Deve haver aí
competição séria, tipo caça ao Pokémon, só que transformada em caça ao casamento
de Sto António. Não vês que nunca ninguém foi feliz para sempre, mesmo os
abençoados por ti, e aqueles que dizem que sim, simplesmente mentem?… é muito
mais fácil mentir do que assumir a verdade. Dá muito menos trabalho!
Sabes também muito bem, que o casamento
não é solução para quem tem problemas financeiros! Sempre ouvi dizer que em
casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão!
….
O calor mantem-se depois das 19h
anunciando uma noite excelente para a folia, não precisarei de carregar o
casaco e sim a garrafa da água que depois de ingerida se descartará no lixo.
Optei por comida leve ao jantar, para
que o vestido acetinado cheio de brilho possa ficar justo, mas sem apertos e para
que não sobre nada para fora, do tipo estou a asfixiar, deixai-me tomar ar puro
do lado de fora do decote ou da cava - 3 sardinholas e pimentos, para evidenciar
o tempo deles, deglutidos com um branco fresquinho de Terras da Maria Boa. (ok,
pronto, uma cola zero calorias)
Rego o manjerico, ponho a erva-cidreira
à`janela, o alho-porro já está encomendado, assim como o lugar na esplanada
para na noite de S. João saborear o caldo verde, e o púcaro negro para o S. Pedro,
ajeito a pestana e o báton, penteio-me, deixo um cravo vermelho a navegar pelo
meu cabelo sob a luz do luar e cá vai a Anita para a folia. Já que é assim,
fazer o quê? Aproveito para me divertir.
Meu Santo António se tu vires passar
Algum rapaz sem par
Sozinho pela rua
Vai-lhe dizer que eu já tenho um balão
Um arco e uma canção
E a imagem tua
Faz um milagre, dá-me um lindo par…
(Cuca Roseta)
07 junho, 2017
…daria uma exposição para o mundo
A visita à exposição “ A cidade
global” que decorre no Museu Soares dos Reis no Porto, despertou a minha
curiosidade para a pintura que deu origem a toda a ideia da exposição.
Trata-se da pintura adquirida por
Dante Gabriel Rossetti, dividida em 2 partes, representando uma rua
renascentista, supostamente a Rua Nova dos Mercadores, localizada na Lisboa
manuelina dos séculos XV e XVI e que já levantou dúvidas sobre a sua autenticidade
alimentando uma polémica que parece não ter fim.
A história oficial é que esta(s)
pintura(s) terá sido descoberta pelas
historiadoras inglesas, Kate Lowe e Anne Marie Jordan Gschwend numa
mansão do século XIX, em Oxford cujo proprietário
era o conhecido William Morris, com quem trabalhou Rossetti.
Quanto à “Rua Nova dos Mercadores”,
está dividida em dois painéis, é propriedade da Society of Antiquaries of
London e deu origem a esta exposição, "A Cidade Global", que exibe
cerca de 250 obras da época, entre mobiliário, pintura, tapeçaria, livros,
esculturas em marfim, manuscritos, animais embalsamados e outros objectos em
uso na época. É interessante a ideia de nos transportarem a cinco séculos
atrás, através das obras expostas, porém descodifica pouco a pintura referida
sobre a Rua Nova dos Mercadores – o vídeo exibido, sabe a pouco.
A representação expressa imensos
pormenores sobre aquela Lisboa que era um grande centro europeu e falta uma
análise detalhada da pintura de uma rua onde passava o mundo através dos
produtos vendidos, a mais rica da europa naquela época. Falta a história da
construção da rua, a explicação sobre a grade que divide a área dos cambista, a
característica dos edifícios com 3 ou 4 pisos, as colunas duplas, a
concentração de comerciantes de todas as partes do mundo, os produtos exóticos
vendidos e os modelos de negócio, a sua organização, a ocupação dos espaços que
se adivinha no desenho dos edifícios (apesar da referência à Casa de Guiné e da
Índia), o elevado número de escravos, o que transportavam, o traje dos
portugueses e de outras pessoas com diferentes origens, as pedras de bezoar,
etc..
Unir a informação contida nesta(s)
pintura(s) à informação escrita existente sobre essa época, daria uma exposição
para o mundo, uma exposição também global, a partir novamente de Portugal, tal
como aquela rua, justificando o nome da exposição. Infelizmente temos apenas um
“cheirinho”- uma exposição com informação
insuficiente, gerando pelo menos aos visitantes, a curiosidade que levará a
investigar posteriormente. As pinturas originais não as vi e a mega ampliação
que fizeram das mesmas, está colocada ao longo de uma comunicação horizontal da
exposição e não possui espaço suficiente para se realizar uma leitura global da
mesma.
Gostei de ver o rinoceronte
embalsamado que pertencia a D. Sebastião. Percebi à posteriori que não era o
mesmo que foi oferecido a D. Manuel e que talvez tenha sido a fonte de
informação para o desenho de Albrecht Dürer –primeiro rinoceronte vivo que
esteve na Europa desde o Império Romano.
Esqueci de
relatar que o único elemento informativo existente na entrada e na loja do
museu, é um calhamaço escrito pelas historiadoras, de custo avultado, que pesa
cerca de 3 kg, o que desmotiva qualquer um - Irão sobrar no final.
Publicado em NVR - 7/06/2017
30 maio, 2017
O FATO QUE NUNCA VESTIMOS
Anabela Quelhas—nasceu em Luanda, arquitecta, licenciada pela Escola Superior de Belas Artes do Porto, discípula do arquitecto José Maria Pulido Valente.
Desenvolve regularmente actividade relacionada com arquitectura, pintura, vitral, fotografia e artes gráficas, nomeadamente ilustração.
Professora profissionalizada do ensino básico e secundário. Autora de, diversos projectos pedagógicos /artísticos – seis premiados a nível nacional – exposições pedagógicas e registos digitais
Pratica o exercício da escrita criativa e da poesia.
Livro publicado:
"O FATO QUE NUNCA VESTIMOS"
ISBN: 978-972-8546-65-6
Depósito Legal: 424472/17
Capa: Anabela Quelhas
Impressão e Acabamento: Minerva Transmontana, Tip., Lda
Antigamente é que era bom?
São retratos dum país
rural, esquecido do mundo, localizados no tempo da “outra senhora” e por quem
muita gente ainda suspira, passados mais de cinquenta anos, revelando memória
curta e coração pouco ginasticado.
O registo de episódios enquadrados num regime
político asfixiante é descrito na primeira pessoa, inspirado nos olhares
interrogativos de uma garota curiosa e atenta a uma década entre 63 e 73. O
privilégio de ter crescido dividida entre duas províncias desse Portugal
imenso, uma do Portugal Continental e outra do Portugal Ultramarino,
Trás-os-Montes e Angola, deu-lhe uma visão aberta multifacetada, sem
preconceitos, sem amarras, sem pretensões de qualquer espécie e permanentemente
questionadora da vida e do mundo que a rodeava. É um testemunho aligeirado de
“como era” aqui no Portugal Continental, possibilitando uma leitura dinâmica e
descomprometida.
A ordem apresentada é
próxima à ordem cronológica da memória, mas sem um fio condutor real, permitindo
assim e também, uma leitura desorganizada e desconstruída.
Leia e compare este
país com o resto do mundo, e a sua dimensão temporal completamente desajustada
e fracturante. As contínuas referências presentes em rodapé, são janelas que se
vão abrindo, para contextualizar de forma ainda mais visível este olhar
juvenil.
Alguns leitores talvez
activem a memória e se revejam em algumas destas histórias.
Esta obra é a primeira
de uma possível trilogia, que constitui uma narrativa triplicada, localizada em
tempos e espaços diferentes, possibilitando ao leitor presenciar o
amadurecimento crítico do seu olhar, sobre o que a rodeava, onde a realidade se
sobrepõe ao imaginário ou ao contrário, consoante os casos e a inspiração.
24 maio, 2017
… que estratégia foi essa?
- O que vai ser esta semana?
(ACM)
- Talvez a onda dos produtos
naturais e o sarampo sarampelo… (AQ)
- Oh isso já passou! (ACM)
- Pois!!! e esta semana há muito
assunto para abordar… (AQ)
Sobre
Fátima, com todo o respeito, nem liguei a televisão, porém alguém levou a
fotografia da família para benzer, não vá o diabo tece-las, apesar que adorei
os cartoons de João Vaz de Carvalho.
Sobre
a victória do Benfica… os festejos à volta de uma escultura que foi imaginada
por um sportinguista… prefiro o azul.
Resta-me
o Salvador Sobral. Lembro-me dele num dos programas “Ìdolos”, ainda um menino
de 19 anos, mas já com muita pedalada, mas muito imaturo. Agora isto! Admiro-o
porque persegue os seus sonhos e vai à luta, e ele foi à luta apesar que agora
tem um sabor segundo ele é agridoce. Passou por Madrid, Maiorca, Barcelona, …
Poderia
ter tirado o seu cursinho de psicologia, ser tradutor, fechado em casa com o
dicionário do lado esquerdo, a gramática do lado direito e computador ao
centro, contabilizando palavras, mas foi á luta, para fazer aquilo que gosta,
que é cantar…. E quando se gosta é mais provável haver sucesso.
Um
músico amigo, que tal como eu navega em contra-corrente, classificou o poema como delico-azeiteirote,
e eu concordei, pois é fraquinho, fraquinho, comparado com os poemas de Guinot
“Às vezes é no meio de tanta
gente
Que descubro afinal aquilo que
sou
Sou um grito
Ou sou uma pedra
De um lugar onde não estou”
ou
de Ary dos Santos,
“Olhos de amêndoa
cisterna escura
onde se alpendra
a desventura.”
que
foram à Eurovisão e perderam. E essa de amar pelos dois, tem muito que se lhe
diga, tirando pais e irmãos, normalmente não resulta, mais ano, menos ano, a
relação claudica e sucumbe estrondosamente, gerando chorudos honorários aos
psiquiatras. Não aconselho mesmo! No amor tem que ser como as contas à moda do
Porto, tu pagas o teu e eu pago o meu e pronto, ficamos amigos para sempre
A
figura de Sobral contrariou o estereótipo festivaleiro – casaco engelhado e de
defunto falecido de 3 números acima, onde os ombros não encaixam, sobrando
forma e tecido, cabelo em tótó, barba em desalinho, voz meiga, doce e expressão
de olhar de ursinho de peluche – assim como a melodia, na onda cibernauta…
convenceu e venceu. Mas oh Salvador tens de explicar melhor essa história, pois
o puzzle ainda não está completo! O que é que aconteceu mesmo? Tops, sondagens,
versões noutras línguas… que estratégia foi essa tão bem sucedida?
É
uma canção bonita, mas não é maravilhosa – uma la la land da música que
derreteu os corações empedernidos, que sempre valorizam o lado dramático da
vida do cantor, e este infelizmente parece que tem um melodrama na sua vida.
Temos uma canção simples, genuína, intimista. Cantas bem, tens voz de anjo, com
sentimento e com expressão, transmites emoção, nós sabemos, mas normalmente não
chega…. Tu dás tudo, mas recebes nada.
Penso
que a máquina “FESTIVAL da EUROVISÂO” quis dar uma arejada, não ficando atrás
da máquina do prémio nobel da literatura, sorte a do Salvador, porque para o
Dylan, tanto fez como faz. E o nosso primeiro já lhe deu os parabéns com
sorriso de orelha a orelha. Oh Costa isto não é só tomar conta dos miúdos do
outro, num sábado de manhã, agora é preciso organizar o festival do próximo
ano, muito brilho, muita luz, muito glamour, muito botox, muito plástico,
muitas horas extraordinárias, muitos efeitos especiais, muito IRS a rolar….
Depois queixem-se.
- PARABÈNS SALVADOR ao menos tu
estás na maior, é assim mesmo!!! (MEC).
Publicado em NVR - 24/05/2017
20 maio, 2017
CONVITE
Anabela Quelhas tem o prazer de convidar V. Exa para o lançamento do seu livro "O fato que nunca vestimos".
Anabela Quelhas, arquitecta e professora, aventura-se nos caminhos da escrita e brevemente apresentará o seu primeiro livro como escritora. Será um caminho novo entre vários que gosta de percorrer em simultâneo, arriscando criticas e comentários em contramão. O seu território são as artes plásticas, porém a sedução pelas palavras levam-na a ser ousada e criar uma trilogia autobiográfica de ensaios de escrita, da qual a primeira parte “O FATO QUE NUNCA VESTIMOS” será brevemente partilhada com a comunidade vila-realense, a 11 de Maio de 2017, pelas 21h15m no Centro Cultural Regional de Vila Real e com a comunidade angolana, no dia 20 de Maio de 2017, pelas 19h na Casa de Angola em Lisboa
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