12 fevereiro, 2017
18 janeiro, 2017
Decidi-me
Decidi-me
Inicialmente,
pensei não escrever a respeito, já que Soares não reúne todos os meus parâmetros
para o considerar um herói; surgem-me na memória outros mais qualificados, o
que não quer dizer que não tenha sido uma personalidade portuguesa de grande
destaque e um anti-fascista que merece o meu respeito. Após ter observado o
muito do que se publicou nos meios de comunicação social e especialmente nas
redes sociais, decidi-me.
Capas
de revista, 1ªas páginas dos jornais, exibiram as fotografias de Soares,
preferencialmente de várias décadas atrás. Os programas televisivos dedicados
ao futebol, que lotam as noites de segunda-feira, e que me fazem doer a
paciência, foram adiados ou resumidos, pois falar de Mário Soares teve
prioridade nos primeiros dias após a sua morte, suponho preparada. No facebook cada um publicou ou partilhou
algo sobre o tema, bitaites, escrita escorreita, likes e deslikes,… li muita grosseria e muito elogio
exagerado, palavras que oscilaram entre os extremos, a paixão inflamada e o
ódio requentado - intervenções
politicamente correctas, depoimentos estilo cobardolas, senhoras a
desfazerem-se em lágrimas como se tivessem grande intimidade com o nosso
ex-presidente da república, flores em grinalda e uma cerimónia nos Jerónimos
bem concebida, sóbria e de bom gosto. Não percebi a charrete puxada a cavalos,
no século XXI...
Alguns
aproveitaram para exibir ódios antigos, exteriorizando insultos e má educação, sem
qualquer tipo de filtro, dando visibilidade a muita ignorância, ressentimento e
deselegância. Tiveram todos os dias de vida de Mário Sores para vomitarem os
seus ódios, dispensáveis na sua morte e nos momentos de luto dos que lhe são
próximos.
Li
também elogios rasgados e inesperados, vindos de adversários políticos. Apreciei.
Percebi que a maioria dos portugueses colou a democracia a esta personalidade, principalmente a grande família socialista. Chamam-lhe Pai da Democracia, esquecendo-se que houve muitos pais e muitas mães igualmente importantes, alguns caídos no Tarrafal.
Percebi que a maioria dos portugueses colou a democracia a esta personalidade, principalmente a grande família socialista. Chamam-lhe Pai da Democracia, esquecendo-se que houve muitos pais e muitas mães igualmente importantes, alguns caídos no Tarrafal.
A
morte de Soares abriu novamente as mesmas feridas que ainda, ou nunca serão
saradas, sobre a descolonização. Aquela ideia que a nossa sociedade conseguiu,
com inteligência e com tolerância, integrar os regressados do ultramar, possui
também muitas fracturas, muita dor, muitos dramas, que alguns ignoram e outros querem
esquecer, disfarçados pelo tempo, que corre rápido, bálsamo da vida e das
consciências, grande aliado do esquecimento. No processo de descolonização
inevitável, as pessoas foram esquecidas, tanto os portugueses nascidos deste
lado, como do outro, mesmo os socialistas que também os havia… há ainda muita história
para desbravar e registar, muitos silêncios que teimam em queimar a dignidade
humana, muitos dissabores que prevalecem e alguma dignidade a resgatar.
…
e muitos esquecem que o europeísta que tanto admiram, meteu várias vezes o
socialismo e o humanismo na gaveta. Nunca foi fácil agradar à direita e à
esquerda, a gregos e a troianos e o fio da navalha brilhou diversas vezes.
Confirmei
mais uma vez, que os regressados das ex-colónias nunca lhe perdoarão a infeliz resposta
à pergunta sobre o processo de descolonização:
-
O que se há-de fazer a esses brancos?
-
ATIRÁ-LOS AOS TUBARÕES! (resposta atribuída a Mário Soares)
Nunca
se provou a veracidade desta afirmação e também, quanto eu sei, o próprio nunca
a desmentiu, apesar que não imagino Mário Soares a autorizar tamanha
barbaridade.
Talvez
Soares tivesse sido herói, se não tivesse co-existido com várias outras personalidades,
grandes lutadores anti-fascistas e amantes da liberdade,… alguém comparou os
funerais de Cunhal e de Soares. Pois!!!! Este último parece que teve tudo,
menos gente. Cada um que conclua.
Muitos
portugueses tiveram sapos para comer e eu comi o meu, direitinho sem hesitar. Mesmo
com os tubarões lá no passado do mar alto… respirei fundo, fechei os olhos,
apertei o nariz e engoli… depois tomei
um kompensan! Mal por mal…
Publicado em NVR !8/01/2017
03 janeiro, 2017
O PARAÍSO
Como será o paraíso?
A maioria dos pintores imaginam-no e representam-no à semelhança da natureza do planeta Terra... o mundos animal, vegetal e mineral em consonância equilibrada.
Para observar, reflectir e partilhar.
Rubens
Anónimo
David Miller
Chagall
Firebolide
El Bosco
Peter Wenze
Gauguin
Miguel Ângelo
Fátima Jorge
Tintoretto
Juan Sanchez
30 dezembro, 2016
100 anos de fotografia Leica
IMPERDÍVEL
FOTOGRAFIAS QUE DOCUMENTAM UM SÉCULO.
A maioria dos registos fazem parte da nossa cultura global.
Até 5/02/2017
Já fui ver 2 vezes.
Biblioteca Almeida Garrett, Palácio de Cristal no Porto.
Fiz registos rápidos e pouco rigorosos que servem apenas para lembrar mais tarde.
15 dezembro, 2016
NO LARÓ
No Laró do Natal!
Se há coisa
que eu gosto de fazer é andar no “laró”- todos os motivos são bons, todas as
oportunidades são únicas e irrepetíveis, invento razões mais ou menos bem
elaboradas - portanto identifiquei-me de imediato com este livro do meu amigo
António Caseiro Marques.
Não sou dos
lugares onde permaneço quase uma vida, apenas porque quem nasceu na savana
africana, se orientou através do Cruzeiro do Sul e sentiu “a linha recta que é
curva, lá para os lados da intersecção do Zulmarinho com o rio Kuanza” (inspiração
J.C. Carranca), nunca mais será de sítio algum, entrando para o grande rol dos
órfãos de terra, dos desterrados, dos angustiados ansiosos, dos cidadãos do
mundo eternamente solitários e fora de órbita.
(escrevi solitários, não escrevi sozinhos)
Não sou uma
caminheira de montanha, sou uma andarilha urbana, mas percebo o apelo à
montanha que nos oferece esta obra. Essa massa gigantesca e telúrica, que
existe desde sempre e permanece silenciosa, geologicamente supostamente estática
(nada é estático! J), concebida sabe-se lá por quem, estratificada em
camadas, algumas ainda desconhecidas, veste-se superficialmente de formas
policromadas diversificadas, belas, sempre renovadas, em constante mutação, estabelecendo
um diálogo profundo, intimista e misterioso, com o António, mexendo com ele,
tornando-o mais humano, mais sábio e mais divertido. O maciço, estrada irregular
de gigantes, sem oceano à vista, que se converte no mar do nosso olhar, que nos
espera sempre e não pára de nos surpreender, toca-o de sobremaneira como beirão
de Carapito, de coração enorme, generoso, onde cabem muitos e outros lugares.
Este livro,
não o entendo como livro dos caminheiros de montanha, mas sim, um registo de
sentires de quem gosta e investe no “laró” e na sua filosofia. Sim, porque o “laró”
tem toda uma filosofia e uma ciência intrínsecas. O dicionário diz-nos que “laró”
é sinónimo de não fazer nada, descanso, vida ociosa, sem trabalho…
… quem
acredita nisto?
Quem anda no
“laró” não descansa! Abandona o sofá e os chinelos, mete-se por caminhos
íngremes, cultiva calos nos pés, vive tudo menos o ócio… Andar no “laró” exige
preparação física, agilidade mental, racionalidade, capacidade de decisão e sensibilidade
para realizar narrativas afectuosas para com o sítio e sobre os sítios - perfil
exclusivo dos desassossegados que procuram saber sempre mais sobre este planeta
azul. Deprimidos, acomodados, ociosos, conformados com a desgraça e de mal com
a vida, nunca entenderão o matiz destes seres humanos.
E sobre o sítio….
“Começa-se
sempre pelo sítio, quando se pretende contar algo contextualizado num lugar -
aquela cruzinha que se faz no mapa para marcar um espaço, duas pequenas linhas
concorrentes, que focam a nossa atenção, dividindo o sitio do resto do universo.
O sítio será,
• o espaço de
permanência dos que habitam, a plataforma geológica, que sedentarizou aqueles
seres humanos.
• o
território feito de vários lugares que permanece de geração em geração, fazendo
a simbiose ente o passado e presente e onde os seus habitantes deixam a marca
das suas existências.
• o
testemunho sempre renovável da história, das vivências e dos sonhos dos Homens.”
In “O fato que nunca vestimos” de Anabela Quelhas
…
este induz-nos a evocar os nossos próprios sentires de cada sitio que já olhámos,
interpretámos e reservámos na nossa memória.
Faltou um
mapa desenhado pelo punho do autor – o mapa do “laró” renovado e aumentado.
Para
surpresa minha, verifiquei que entrei numa das suas descrições, o que me enche
de orgulho, já que como verdadeira andarilha, gosto da partilha daquilo que
conheço e sei, ajudando os amigos a sonhar comigo, replicando e multiplicando
aquilo a que sou sensível.
Para
finalizar recordo e configuro o verdeiro amor que este senhor tem por Lisboa:
(em véspera de Natal,
eu cheirando a aromas de pinhões, passas e canela, com a colher de pau numa mão
e telemóvel na outra, confeccionando algo saboroso, que todos comem e choram
por mais, no sítio mais perigoso do mundo: a minha cozinha…, de atenção recortada
entre uma mesa geometricamente decorada, que acolheria duas dezenas de pessoas
para consoar, a porta de entrada para a abrir, a campainha não parando de
tocar, as gargalhadas dos mais pequenos já no quintal perguntando pelo Pai
Natal, o polvo a fumegar, diversos pratos já repletos de manjares natalícios
espalhados entre a sala e a cozinha … )
- Estouuu? como vai minha amiga?!!!! (voz inconfundível de alguém
não ocioso e bem disposto, que sabe bem ouvir) Estou aqui junto ao Tejo, a
olhar o Cais das Colunas, vendo as iluminações de Natal e lembrei-me de lhe
ligar… sabe eu gosto muito de Lisboa, estudei aqui, volto sempre que posso… o
rio, o Mar da Palha, a baixa pombalina, Alfama… réu catrapéu, patati, patatá, blá, blá, blá…
… no Laró do Natal!
(que inveja! Inveja mesmo! no bom e no mau sentido)
(há poucos minutos chega uma mensagem…)
- Vamos buscar o Francisco. Só regressamos no domingo. Mande
fotos de ontem. Ob bjs CM
(oh mais “laró”, ele não pára!)
Anabela Quelhas
Publicado em NVR
14 dezembro, 2016
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