15 abril, 2016

ONDE O FRIO SE DEMORA


ONDE O FRIO SE DEMORA’
Companhia NARRATIVENSAIO
Encenação de LUÍSA PINTO

Onde o Frio se Demora’ fala sobre violência de género, ruptura, solidão e incapacidade para amar, num país marcado pela recessão e pelo envelhecimento. O texto resulta de conversas longas e sem filtros tidas com três pessoas residentes na área metropolitana do Porto e a repórter jornalista do Público Ana Cristina Pereira.
Três vozes de um país progressista e conservador, moderno e obsoleto, tranquilo e violento, em qualquer caso, desigual.
É uma proposta de teatro-documental. Uma brecha para um mundo feminino de desencontro, de desamor, de violência na intimidade – umas vezes evidente, outra súbtil. O interlocutor original desaparece. O espectador assume o seu lugar, faz as vezes de parceiro mudo.

Texto: Ana Cristina Pereira
Interpretação: Margarida Carvalho
Música original e interpretação ao vivo: Peixe (Ornatos Violeta e Pluto)
Fotografia e vídeo: Paulo Pimenta
Produção: Narrativensaio - AC

12 abril, 2016

29 março, 2016

23 março, 2016

Francisco e o pardalito

Os livros são para construir, reflectir e partilhar.
23/03/2016

Brevemente partilharei a minha reflexão.
Grata pela vossa presença.

Ilustração






 “O Francisco e o pardalito” (ilustração)
Intervenção da ilustradora na apresentação do livro infantil
23deabrilde2016 

            Abandonei a ilustração exuberante do 1º livro do António, criada através de fotografias e desenho digital e segui outro caminho, pensado inicialmente como minimalista, aproximando-me o mais possível da ingenuidade do mundo da 1ª infância
            Reflexões do percurso criativo:
·        A ideia inicial foi uma aproximação a Osvaldo Cavandoli, desenhador italiano que ficou famoso devido aos desenhos animados concebidos através de uma linha horizontal, que se vai transformando nos personagens da história a contar (https://www.youtube.com/watch?v=skb2gKR7rOk). Desta primeira inspiração resultou apenas a linha horizontal que serve para dividir o texto da ilustração.
·        Evoquei os artistas plásticos que fazem um percurso de 17 anos de Escola, para aprenderem a desenhar e depois quando terminam esse percurso ao nível superior, andam a vida inteira a consolidar esse conhecimento e a tentar conseguir transforma-lo criativamente. Mas há momentos que querem desenhar como as crianças, para as crianças e já não sabem faze-lo. Precisam de mais alguns anos para desaprender a desconstruir aquilo que aprenderam, mas com pouco sucesso.
·        Quando o meu filho era muito pequeno, ficava deliciada com os desenhos dele… - a fase primária do desenho, quando desenham tudo geométrico, com poucas ligações à realidade – é uma fase embrionária da representação do real. É uma fase lindíssima, onde cada um vê o que quer ver, mas é curta. Picasso, Kandinsky e Miró integraram-se nesta fase do desenho tendo demorado décadas para fazer a regressão ao mundo infantil e à respectiva representação abstrata.
“Primeiro desenhava como Rafael, mas precisei a vida inteira para aprender a desenhar como as crianças.” Pablo Picasso
Depois, as crianças aprendem a observar o que está à sua volta e a estabelecer ligações entre os seus neurónios, a articular conhecimento e começam a desenhar casas, árvores, montanhas, a família… ainda sem proporcionalidade, sem perspectiva, sem escala… também é uma fase interessante, rica em significados sobre a personalidade da criança, mas já não é a mesma coisa!
·        Já realizei diversas tentativas mas ainda não consegui aproximar-me à expressão infantil – é um caminho muito difícil de fazer porque todos nós perdemos a ingenuidade quando começamos a observar o mundo que nos rodeia. Isso dramático e reflecte-se no desenho, é muito difícil fazer a tal regressão referida.
·        Esta procura duma expressão infantil levou-me ao passado. Revi uma pintura do meu filho com 2 anos realizada em 5 minutos. Convidaram-no para pintar e ele pegou num pincel de forma decidida, sem qualquer hesitação, com 2 cores apenas, verde e azul fez uma pintura abstracta bela e equilibrada, rematada de imediato com um: Já acabei!
Os artistas vivem sempre dois momentos dramáticos na criação de algo: o princípio e o fim. A tela vazia, algo cheio de nada gera medo, insegurança e ansiedade. No fim, saber o momento certo em devem parar, evitar “o mais” que será certamente excesso e inviabilizará o sucesso, gera preocupação, hesitação, indecisão e de novo a insegurança. A 1ª infância não sofre disto.
·         Tenho aprendido muito com os meus alunos sobre muita coisa e eu apenas lhes ensino a não ter medo de desenhar - tal como o Francisco que ensinou o pardalito a voar. Inicialmente ficam em pânico (os alunos), quando peço a um aluno para subir para cima de uma mesa, e os outros têm 10 minutos para o desenhar utilizando apenas a caneta preta e o papel. É como fazer trapézio sem rede. Não há borracha, não há afia, não há tempo para comentários laterais, não há tempo para pensar, nem para criticar. É desenhar sem medo, “dar o peito às balas” num ensaio equilibrado entre a análise e a síntese do que se pretende ver e representar. Acreditem, os resultados são fabulosos e o medo transforma-se em prazer e em aumento de auto-estima, porque percebem que afinal conseguem desenhar. Pena que os ministros da educação desconheçam isto!
·        Está na moda o conceito que desenhar e pintar são acções terapêuticas, que proporcionam relaxamento, bem-estar… muitos psiquiatras receitam aos pacientes para contrariar o stress. Supermercados e livrarias enchem-se de álbuns com desenhos para colorir, alguns com mandalas, adicionando a filosofia da ligação entre o Eu e o Universo… Nunca estive de acordo com isto. O acto criativo é um processo de grande ansiedade, de sofrimento, de muita transpiração e pouca inspiração. Relaxamento só existe no fim.  
·        O cérebro envia mensagens até à mão para desenhar, são 80cm de percurso mas este não é tão direto e curto como aparenta. O percurso é rápido, mas longo, porque percorre o nosso mundo interior e possibilita que este apanhe boleia e se exteriorize. Mas temos medo. Tememos as críticas dos outros e as nossas. Receamos a exposição do que somos, receamos o nosso auto-conhecimento e as nossas fragilidades - já não temos a ingenuidade original que leva as crianças a fazerem representações excepcionais sem qualquer censor crítico inibidor.
Dou aulas a alunos com 12/15 anos, mas se fosse possível, gostaria de receber aulas de crianças de 2 anos.
·        No ano passado deram-me a oportunidade de acompanhar um trabalho realizado com crianças de 3-5 anos e verifiquei como eles pegaram facilmente nos temas de Joan Miró, recriando-o. Foi fantástico … não os assustava o papel em branco ou a tela vazia, agarravam nos pinceis e desenhavam os temas de Miró, com grande familiaridade. Aquelas crianças tinham a ingenuidade que Miró levou anos a imitar. Quanto a mim, foi o artista plástico com formação superior, que melhor conseguiu fazer essa regressão, sem perder o conhecimento da estética. Estas crianças ensinaram-me muito.
·        Recordei também a minha mãe, que não tendo qualquer formação artística,  desenhava para me entreter – até hoje tenho saudades dos desenhos dela, muito naifes, muito caricaturados (figuras com corpos pequenos e rostos grandes, narigudos, de chapéu e bigode, saia plissada para as mulheres….).
Um belo dia estava a consultar um catálogo de azulejos para aplicar num infantário, do qual tinha realizado o projecto de arquitectura e deparo-me com uma linha de azulejos com um figurativo parecido aos desenhos da minha mãe. Isso converteu numa fã do pintor português João Vaz de Carvalho, autor desses azulejos. Não o conheço pessoalmente, mas acompanho o evoluir da sua obra dentro deste seu estilo pictórico que tanto me diz afectivamente.

Ilustração realizada:

            Regressando ao livro, devido à dificuldade de me expressar com desenho infantil, optei por uma representação “à arquitecto(a)” que é a minha condição -  um esquiço contendo apenas o registo do essencial, desenhado com caneta preta em poucos segundos com, traço seguro, rápido, alguma textura, alguns valores contados, mas sem excessos, apenas com o rigor necessário que conduz ao entendimento.
            Tratando-se de uma obra infantil, acrescentei alguns apontamentos coloridos, pois a cor é importante para os pequenos leitores. Fugi um pouco da realidade e assumi apenas o recorte da mesma, com apontamentos coloridos articulados com a cena registada, convertendo esta ilustração num misto de desenho em grafito e de colagens.

Apontamento final:

·        Há quem entenda que uma obra de arte tem de ser realista, com representação da realidade que nos rodeia tal e qual ela se apresenta, devendo transmitir mensagens ao observador, coincidentes com a intenção do autor. Isto significa apenas dificuldade em entrar no mundo abstracto, no mundo onírico do imaginário.
Se assim fosse a arte tinha parado com Leonardo da Vinci. Este é o génio da Humanidade, desenhou tudo o que havia a desenhar com, rigor científico, rigor matemático, rigor anatómico, que quase ninguém consegue atingir. Séculos mais tarde é inventada a máquina fotográfica e então a realidade ficou muito fácil de captar e representar – a preto e branco, a cores, tons sépia, claro, escuro…
Hoje o que distingue uma obra plástica é a originalidade e a capacidade que tem para surpreender e despertar interpretações e emoções individuais ou colectivas aos observadores/receptores. A fuga para o imaginário é a forma como eu entendo e valorizo a obra de arte.
Referência a Salvador Dali com “Persistência da memória” – obra sobejamente conhecida, já todos opinaram sobre a obra, psiquiatras, psicólogos, pintores, sociólogos, poetas, arquitectos, professores, críticos de arte… Já tudo se imaginou acerca daqueles relógios deformados. Curiosamente, quando essa obra se tornou pública e alvo de tantas opiniões/críticas, um jornalista entrevistou Salvador Dali, pretendendo saber a grande teoria do autor sobre a mesma. Dali, como sempre, surpreendeu explicando que desenhou os relógios após o jantar, do qual constava queijo Camember, que tinha derretido no seu prato e daí a representação deformada dos relógios, ridicularizando um pouco tanta teoria inventada.
“Como posso querer que os meus amigos entendam as coisas loucas que passam pela minha cabeça, se eu mesmo, não entendo?” Salvador Dali

Conclusão:
            Fiz este apontamento, apenas porque o autor do texto descobriu algo mais nestes desenhos, uma vertente didáctica – a possibilidade de as crianças pintarem os desenhos.
            Aqui fica uma homenagem à ingenuidade das crianças, para mim tão interessante e que continuarei a explorar para conhecer melhor.  

Anabela Quelhas 

21 março, 2016

QUANTOS BRAÇOS TERÁ O MUNDO?

Quantos braços terá o mundo?          

Tenho dificuldade em ser quem não sou, procurando-me entre contradições e o mais onírico dos meus sonhos. Destruo os muros, as vedações de arame farpado e outras barreiras que me são incómodas, que me condicionam e descubro novos horizontes, fugindo de mim… fugindo de quem sou na verdade, vendo-me à distância e aproximando-me novamente, adopto fantasmas, apuro visões, reforço convicções arquivadas ao longo dos anos, redescubro outras que nunca tive, num ensaio dialéctico, que nunca é gratuito.
         Neste meu lirismo aprendente tenho dificuldade de ser quem não sou.
         Por vezes apresento-me outras personagens candidatas a mim, para adopção, para aluguer temporário ou para residência permanente. Comparo-as comigo, desenhando-lhe simetrias e translações, criando passaportes de vida que no final não consigo utilizar. Crio sombras de chão e de vento, produzo lágrimas de particulares ou de exageros, gerando energia crítica sobre mim, sobre os outros e sobre o mundo, que se torna essencial para minha lucidez. A sensibilidade e a rigidez articulam-se numa assimilação perfeita de ocasião. A maleabilidade e o primarismo ora dão as mãos, ora se tangenciam sem rumo. A doçura desconhecida, resgato-a de locais distantes no espaço e no tempo. Aceito desafios, sou curiosa, ousada e atrevida, na eliminação de fronteiras, sem pensar muito bem, onde é o meu lugar ou se tenho algum lugar. De onde sou? Questiono-me. Sou de um mundo com raízes diversas e plurais nunca adivinhando o meu destino. Não sei se sou terra, se sou fogo, se sou ar, terei uma amálgama de tudo diluída em águas serenamente superficiais e revoltamente profundas, onde navego solitária sem grandes tragédias.
         Mas, continuo com dificuldade em ser quem não sou.
         Só tenho comigo as empatias, riqueza acumulada pelos amigos verdadeiros, alguns que mal conheço, perdidos neste mundo e nos outros que se adivinham próximos, sendo sempre eu em todos os lugares, pacíficos ou não. Não sei beneficiar das crenças que facilitam a vida e a resolução das adversidades, que nos limitam a consciência todos os dias.
         Quantos braços terá o mundo, para me acolher nesta insatisfação diversa e sempre renovada que não se deixa tolher, nem moldar por qualquer natureza?

In “Ensaios de escrita, um projecto sempre adiado” Anabela Quelhas
Publicado em NVR

02 fevereiro, 2016

BRASÍLIA

 3 poderes
 ponte Juscelino Kubitschek
 A Foto simbólica
Catedral linda

23 dezembro, 2015

20 dezembro, 2015

CONCERTO MEGACORO e Acrolat'in

(CLIQUE PARA AMPLIAR)

MORGADO DE MATEUS NO TOP - CONCERTO DE NATAL








11 dezembro, 2015

05 dezembro, 2015

O Atlântico


A inspiração no final do dia, observando as neblinas cromáticas na transição da tarde para a noite e do outono para o inverno.
O Atlântico...
Olhando o horizonte, gerindo solidões de muitas paragens, feitas neste sítio a muitas horas, reflectindo sobre caminhos, seleccionando sonhos, apurando os sentidos e renovando os mesmos valores de sempre.
4/12/2015

31 outubro, 2015

O BAILE

O BAILE’
de Aldara Bizarro

ESPECTÁCULO QUE CRUZA INTÉRPRETES PROFISSIONAIS COM ELEMENTOS DA COMUNIDADE E MÚSICOS DA BANDA DE MATEUS

O espectáculo participativo ‘O Baile’, coreografado por Aldara Bizarro, com música original de Artur Fernandes, apresentado pela primeira vez no Serralves em Festa de 2012, foi inspirado no filme ‘O Baile’, de Ettore Scola (1983), e na memória dos bailes de bairro, de aldeias e de vilas de Portugal. A partir da pesquisa dos bailes tradicionais e das várias formas da dança, procurou-se recriar um baile contemporâneo, inspirado nas ideias e percepções dos participantes e incluindo três níveis de envolvimento: os profissionais (bailarinos, músicos e coreógrafa), as comunidades que ensaiaram de propósito para o efeito e o público que assiste ao espectáculo e que acaba por se envolver no baile de forma espontânea.

Um Baile que conta a história de uma localidade ou de um bairro.
Concepção, direcção e coreografia: Aldara Bizarro
Interpretação/co-criação: Costanza Givone, Isabel Costa, Bruno Rodrigues, Manuel Henriques, Diana Serrano e participantes da comunidade
Criação musical: Artur Fernandes (Danças Ocultas)
Interpretação musical: Artur Fernandes (concertina), Marco Figueiredo (piano), Miguel Calhaz (contrabaixo) e elementos da Banda de Música de Mateus
Desenho de luz: Francisco Tavares Teles
Vídeo: Catarina Santos
Produção: Jangada
Ensaiador musical: Marco Figueiredo
Co-produção: O Baile é uma iniciativa integrada no programa do Serralves em Festa, realizada em parceria com o Manobras no Porto – Centro Histórico 2011/2012

 Jangada é uma estrutura financiada por Governo de Portugal — Secretaria de Estado da Cultura/Direcção-Geral das Artes

Humor


27 outubro, 2015

Pretexto para estar

Pretexto para estar

            As aulas começaram, chegou o Outono, baixa a temperatura, passamos mais tempo em casa e lembrem-se que as crianças gostam de ouvir ler.
            Os papás, hoje, podem faze-lo com livros em papel ou em formato digital, mas apresento já uma vantagem do papel: pode cair ao chão e não parte, e por isso é mais prático para ser utilizado nos momentos de ler histórias aos mais pequenos, antes de dormir, ao serão, no fim-de-semana ou enquanto se espera por alguma coisa. 
            Porque é importante ler histórias às crianças?
            Ao ouvir histórias, as crianças aproximam-se de outras realidades ou de fantasias, que alimentarão o seu imaginário. As crianças gostam de conhecer a vida de outras pessoas, para perceberem melhor a sua própria existência e os seus afectos… porquê as pessoas se amam ou se odeiam? porquê riem e porquê choram? para perceberem melhor os caminhos da vida, distinguindo o bem, do mal… para conviver melhor com os seus medos e receios e confirmarem que o bem, deve sempre vencer. A leitura reorganiza e reforça os seus frágeis valores que estão em contínua formação. Isto passa-se com as crianças, mas se reflectirmos bem, acontece connosco também.
            Nunca teremos tempo para viver todas as experiências que o mundo oferece, mas a leitura dá-nos a possibilidade de viver mais, em menos tempo.
            Como lidar com a nossa solidão interior e com os contratempos e contrariedades, resultantes desta vida louca de todos os dias, se não tivermos o escape de ler, que nos devolve equilíbrio e bem-estar interior? 
            Os livros das crianças, permitem-lhes explorar em simultâneo as ilustrações que reforçam a história escrita e abrem janelas para mundos que elas não conhecem, despertando a capacidade de ver, de observar, de analisar, e até de avaliar, articulando texto e imagem, interiorizando, misturando e arrumando tudo dentro delas, para utilizar mais tarde.
            A leitura para as crianças envolve algo mais – os afectos e a proximidade de quem elas gostam mais. Algumas ainda não sabem ler, outras leem mal, outras leem bem, mas todas adoram que alguém lhes leia contando uma história. Porque ouvir ler é bom. Para os pequeninos, ler é aconchegante, é uma almofada de sonho, de aventuras vividas em local seguro e sem nada a temer, pois estão acompanhadas por quem mais confiam.       
            Papás, larguem a telenovela e o futebol e aproveitem para criar um momento mágico na vossa família, lendo uma história ao seu filho e depois conversar sobre a mesma. Não leiam por obrigação, leiam por prazer. Fazer isso é tratar os afectos e promove-los com luvas de seda e de cetim, como eles merecem.
            Ele irá adorar.
            Arranjem um sítio confortável e encurtem distâncias. Para além da história, mostrem a capa, as imagens, criem tonalidades de voz diferentes adaptadas às personagens, deixem a criança questionar, folhear, apontar com o dedo… Se a criança já sabe ler, dividam a leitura, fazendo duetos. Numa 2ª ou 3ª leitura, imaginem finais diferentes. Coloquem sempre que possível uma pitada de humor em tudo, para que resulte um momento de boa disposição susceptivel de despertar a vontade de repetir outras vezes.
            Os pais passam cada vez menos tempo com os filhos, e não é a prenda oferecida num momento qualquer e sem motivo, o tablet, o computador ou as férias, que compensam essa ausência diária, mas sim estes momentos, em que a leitura funciona também como pretexto para estar.

            Experimente, inverter papéis, ser o seu filho a ler para si. Sentir-se-á a regressar ao passado, deixando fluir memórias doces e ternas, esquecidas lá muito longe. 
Publicado no NVR em 20/10/2015

16 outubro, 2015

Os acontecimentos


Gostei da encenação, mas não apreciei o argumento. Há dias assim... argumento polémico qb.

26 setembro, 2015

Desconstrução da humanização

            Todos nós parecemos actores da história da Bela Adormecida. Por vezes, mesmo sem príncipe, parecemos sair da nossa letargia militante e acordamos para os problemas do mundo.
            O mundo existe desde que é mundo, mal ou bem entra pela nossa casa todos os dias e a todos as horas, mesmo sem pedir licença. Carregamos o mundo no telemóvel, no tablet, no computador, diariamente num estado de adormecimento, egoísta, consentido e aflitivo. Pontualmente acordamos com notícias, que a comunicação social passa e repassa, forçando o conhecimento do receptor, assumindo a função do despertador a tilintar logo de manhã junto da nossa existência.
            Desperta-nos e devolve-nos o mundo em que vivemos.
            Acordámos com o 25 de Abril, acordámos com o “acidente” de Sá Carneiro, acordámos com Timor, acordámos com a tentativa de assassinar João Paulo II, acordámos com Mandela, acordámos com a guerra do golfo, acordámos com Gorbachev, acordámos com a morte de Diana, acordámos com a queda do Muro de Berlim, acordámos com a SIDA, acordámos com o 11 de Setembro, acordámos com o Acordo das Lajes, acordámos com o tsunami do Índico, acordámos com o juiz Rui Teixeira, acordámos com a gripe A e com o ébola, acordámos com o Duarte Lima, acordámos com a Madeleine Mcann, acordámos com Obama, acordámos com a Troika, acordámos com o Pápa Francisco, acordámos com o Salgado, acordámos  com Charlie, acordámos com a prisão de Sócrates, acordámos com a Grécia, acordámos com a fotografia  do corpo da criança Síria a dar à costa,… acordamos apenas com os ícones, podendo ser da desgraça ou não, transportando situações diversas com grande complexidade de conteúdo, potenciando outras,  e que criam ondas de solidariedade no apoio ou no protesto, feitas desta massa colectiva que somos nós, humanos adormecidos. Atitudes que se manifestam voláteis e efémeras….
            Quem explica isto?
            Quando acordamos, manifestamos a nossa indignação exaltamos valores culminando com o humanismo, que da esquerda à direita, todos julgamos possuir e defender. A televisão, a imprensa e as redes sociais atiram-nos com os que fazem opinião, e estes opinam numa operação de  “baralhar e voltar a dar” como se fossemos singelas cartas de um baralho obediente, apelando para a história, para a politica, para a economia, para as culturas, para as lógicas ilógicas de ocasião e para factos convenientemente esquecidos, exercendo o contraditório, indignando e pondo em causa a breve indignação de cada um de nós,… vêm os políticos, os jornalistas, os advogados, os analistas  e até aqueles que tem grandes responsabilidades no pais onde vivo, confrontando assertividade, com deturpação, com demagogia e conseguindo com algum sucesso a desconstrução do pouco humanismo que cada um ainda conserva em si e que tem a esperança preservar numa perspectiva ingenuamente solidária. Esta digladiação informativa é fugaz, dura dias ou poucos meses, e nós reagimos, opinando, mostrando a nossa indignação e o nosso lado heróico pelo mediático, mas este desvanece-se em consonância com a notícia que deixou de o ser, e voltamos a hibernar, adormecendo no nosso castelo encantado, até ao próximo despertar.
            Todos estes casos têm apenas em comum, o processo, o acordar, a indignação inicial, a indiferença posterior, o readormecer passado o impacto da novidade e do prurido causado, e o esquecimento.  
            Entre uns e outros, acontecem as vitórias e derrotas clubísticas que formam um mundo à parte do nosso mundo, e os escandalozecos cor-de-rosa (aquela que fotografou nua com quem, o outro que descasou e aquele que entrou nos Óscares) que funcionam como bálsamos da desgraça, tipo prozac providencial + Kompensan divino, ajudando-nos a esquecer e a mergulhar em mais um sono dos justos. Sim, porque cada um de nós, comodamente deitados em posição de Bela Adormecida, convence-se de que é justo, sossegando a consciência.

            Entretanto, enquanto dormimos, tudo continua a acontecer exactamente da mesma forma que nos surpreendeu e indignou; nos cenários internacionais, num primeiríssimo plano, negócios de armas, de guerra, de paz, de petróleo e de dinheiro e em 2º plano, lá continua o desemprego, os sem-abrigo, os doentes, a má gestão dos dinheiros públicos, o racismo, a mutilação genital feminina, os animais abandonados, a poluição, a violência doméstica, a pedofilia, a prostituição, a exploração do trabalho infantil, a caça aos elefantes, as máfias, a escravidão, a falta de água, o cancro, os refugiados e toda a lista de indignidades e enfermidades, cujos 7 pecados capitais, mais os veniais, são incapazes de conter e que vêm sufocando este animal estranho, pretensamente racional e civilizado, que é o Homem do século XXI.
Publicado no NVR -  23/09/2025

25 setembro, 2015

DOURO JAZZ



Olha!!!! Querem ver que por mera coincidência, ficamos na mesma fila!!!
Se Deus nos juntou, algum defeito nos encontrou!!!.
Hoje foi Jazzim!!!!
Tiiiiirirititiritiritiiiiii tiiiii titritiritiritiiiiiii
Tataratiratatatrii, riiiii tataritaritaaaa
Primeiro estranha-se depois entranha-se!!!!
Aplauso para o Douro Jazz
Gostámos, aplaudimos, rimos e sorrimos e trauteámos.
Muito Bom.





22 setembro, 2015

Bom dia, cassiopeia espera-nos!


Oferece-me anéis, colares, pulseiras,
Joias douradas, cravejadas de todas as cores,
Jades, rubis e ametistas
E eu quero as estrelas,
Brilhos de sedas e cetins de noites escuras,
Bordados de lua cheia.
Oferece-me diamantes
E eu quero dançar,
pautas musicais, que só nós ouvimos,
flutuando num salão qualquer.
Oferece-me tanzanitas azuis,  
E eu quero o abraço da mesma cor,
Envolvente e único,
Nascendo da voz mais profunda do mundo:
- Bom dia, cassiopeia espera-nos!
AQ

12 setembro, 2015

O FASCISMO DOS BONS HOMENS’

 
 
O FASCISMO DOS BONS HOMENS’
TRIGO LIMPO TEATRO ACERT

‘O Fascismo dos Bons Homens’ é um espectáculo concebido a partir do romance comovente e satírico ‘A máquina de fazer espanhóis’, de Valter Hugo Mãe.
...
‘A máquina de fazer espanhóis’ é, já por si, um retrato da nossa portugalidade. Na situação que vivemos actualmente o texto ganha ainda mais sentido e mais sentidos. E é uma ferramenta espectacular, um ponto de partida único e motivador para quem, como nós, adora contar histórias.
O Trigo Limpo Teatro Acert, ao colocar em cena um espectáculo baseado neste texto, pretende, não só, contar a história de António Silva, personagem central e narrador do romance, mas também a do lar ‘A Feliz Idade’, o nosso lar, o nosso Portugal de agora mas antigo, por vezes, muito antigo mesmo…

Entre o trágico e o cómico, esta aventura de final de vida ganha, em palco, uma dimensão que nos remete novamente para o mundo do ‘faz de conta’, essa fantástica brincadeira que, em pequenos nos permite ‘reinar’ e, já adultos, nos reaproxima da menoridade. Tudo isto atravessado de poesia.

Adaptação e encenação: Pompeu José
Composição e direcção musical: Filipe Melo
Cenografia: Zétavares e Pompeu José
Desenho de luz: Luís Viegas e Paulo Neto
Interpretação: António Rebelo, Hugo Gonzalez, João Silva, Pedro Sousa, Pompeu José, Raquel Costa, Sandra Santos