EXCEPCIONAL
29 março, 2016
23 março, 2016
Francisco e o pardalito
Os livros são para construir, reflectir e partilhar.
23/03/2016
Brevemente partilharei a minha reflexão.
Grata pela vossa presença.
23/03/2016
Brevemente partilharei a minha reflexão.
Grata pela vossa presença.
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atalhos para o infinito,
ilustração,
Literatura,
reflexão
Ilustração
“O Francisco e o pardalito” (ilustração)
Intervenção da ilustradora na apresentação do livro infantil
23deabrilde2016
Abandonei a
ilustração exuberante do 1º livro do António, criada através de fotografias e
desenho digital e segui outro caminho, pensado inicialmente como minimalista, aproximando-me
o mais possível da ingenuidade do mundo da 1ª infância
Reflexões do percurso criativo:
·
A
ideia inicial foi uma aproximação a Osvaldo Cavandoli, desenhador italiano
que ficou famoso devido aos desenhos animados concebidos através de uma linha
horizontal, que se vai transformando nos personagens da história a contar
(https://www.youtube.com/watch?v=skb2gKR7rOk). Desta primeira inspiração
resultou apenas a linha horizontal que serve para dividir o texto da
ilustração.
·
Evoquei
os artistas plásticos que fazem um percurso de 17 anos de Escola, para
aprenderem a desenhar e depois quando terminam esse percurso ao nível superior,
andam a vida inteira a consolidar esse conhecimento e a tentar conseguir
transforma-lo criativamente. Mas há momentos que querem desenhar como as
crianças, para as crianças e já não sabem faze-lo. Precisam de mais alguns anos
para desaprender a desconstruir aquilo que aprenderam, mas com pouco sucesso.
·
Quando
o meu filho era muito pequeno, ficava deliciada com os desenhos dele… - a fase primária
do desenho, quando desenham tudo geométrico, com poucas ligações à realidade –
é uma fase embrionária da representação do real. É uma fase lindíssima, onde
cada um vê o que quer ver, mas é curta. Picasso,
Kandinsky e Miró integraram-se nesta fase do desenho tendo demorado décadas
para fazer a regressão ao mundo infantil e à respectiva representação abstrata.
“Primeiro desenhava como Rafael, mas
precisei a vida inteira para aprender a desenhar como as crianças.” Pablo
Picasso
Depois,
as crianças aprendem a observar o que está à sua volta e a estabelecer ligações
entre os seus neurónios, a articular conhecimento e começam a desenhar casas, árvores,
montanhas, a família… ainda sem proporcionalidade, sem perspectiva, sem escala…
também é uma fase interessante, rica em significados sobre a personalidade da
criança, mas já não é a mesma coisa!
·
Já
realizei diversas tentativas mas ainda não consegui aproximar-me à expressão
infantil – é um caminho muito difícil de fazer porque todos nós perdemos a
ingenuidade quando começamos a observar o mundo que nos rodeia. Isso dramático e
reflecte-se no desenho, é muito difícil fazer a tal regressão referida.
·
Esta
procura duma expressão infantil levou-me ao passado. Revi uma pintura do meu
filho com 2 anos realizada em 5 minutos. Convidaram-no para pintar e ele pegou
num pincel de forma decidida, sem qualquer hesitação, com 2 cores apenas, verde
e azul fez uma pintura abstracta bela e equilibrada, rematada de imediato com
um: Já acabei!
Os
artistas vivem sempre dois momentos dramáticos na criação de algo: o princípio
e o fim. A tela vazia, algo cheio de nada gera medo, insegurança e ansiedade.
No fim, saber o momento certo em devem parar, evitar “o mais” que será
certamente excesso e inviabilizará o sucesso, gera preocupação, hesitação,
indecisão e de novo a insegurança. A 1ª infância não sofre disto.
·
Tenho aprendido muito com os meus alunos sobre
muita coisa e eu apenas lhes ensino a não ter medo de desenhar - tal como o
Francisco que ensinou o pardalito a voar. Inicialmente ficam em pânico (os
alunos), quando peço a um aluno para subir para cima de uma mesa, e os outros têm
10 minutos para o desenhar utilizando apenas a caneta preta e o papel. É como
fazer trapézio sem rede. Não há borracha, não há afia, não há tempo para
comentários laterais, não há tempo para pensar, nem para criticar. É desenhar
sem medo, “dar o peito às balas” num ensaio equilibrado entre a análise e a
síntese do que se pretende ver e representar. Acreditem, os resultados são
fabulosos e o medo transforma-se em prazer e em aumento de auto-estima, porque
percebem que afinal conseguem desenhar. Pena que os ministros da educação
desconheçam isto!
·
Está
na moda o conceito que desenhar e pintar são acções terapêuticas, que
proporcionam relaxamento, bem-estar… muitos psiquiatras receitam aos pacientes para
contrariar o stress. Supermercados e
livrarias enchem-se de álbuns com desenhos para colorir, alguns com mandalas,
adicionando a filosofia da ligação entre o Eu e o Universo… Nunca estive de
acordo com isto. O acto criativo é um processo de grande ansiedade, de
sofrimento, de muita transpiração e pouca inspiração. Relaxamento só existe no
fim.
·
O
cérebro envia mensagens até à mão para desenhar, são 80cm de percurso mas este
não é tão direto e curto como aparenta. O percurso é rápido, mas longo, porque
percorre o nosso mundo interior e possibilita que este apanhe boleia e se
exteriorize. Mas temos medo. Tememos as críticas dos outros e as nossas.
Receamos a exposição do que somos, receamos o nosso auto-conhecimento e as
nossas fragilidades - já não temos a ingenuidade original que leva as crianças
a fazerem representações excepcionais sem qualquer censor crítico inibidor.
Dou
aulas a alunos com 12/15 anos, mas se fosse possível, gostaria de receber aulas
de crianças de 2 anos.
·
No
ano passado deram-me a oportunidade de acompanhar um trabalho realizado com
crianças de 3-5 anos e verifiquei como eles pegaram facilmente nos temas de Joan
Miró, recriando-o. Foi fantástico … não os assustava o papel em branco ou a
tela vazia, agarravam nos pinceis e desenhavam os temas de Miró, com grande
familiaridade. Aquelas crianças tinham a ingenuidade que Miró levou anos a
imitar. Quanto a mim, foi o artista plástico com formação superior, que melhor
conseguiu fazer essa regressão, sem perder o conhecimento da estética. Estas
crianças ensinaram-me muito.
·
Recordei
também a minha mãe, que não tendo qualquer formação artística, desenhava para me entreter – até hoje tenho
saudades dos desenhos dela, muito naifes, muito caricaturados (figuras com
corpos pequenos e rostos grandes, narigudos, de chapéu e bigode, saia plissada
para as mulheres….).
Um
belo dia estava a consultar um catálogo de azulejos para aplicar num
infantário, do qual tinha realizado o projecto de arquitectura e deparo-me com
uma linha de azulejos com um figurativo parecido aos desenhos da minha mãe. Isso
converteu numa fã do pintor português João
Vaz de Carvalho, autor desses azulejos. Não o conheço pessoalmente, mas
acompanho o evoluir da sua obra dentro deste seu estilo pictórico que tanto me
diz afectivamente.
Ilustração realizada:
Regressando ao livro, devido à
dificuldade de me expressar com desenho infantil, optei por uma representação “à
arquitecto(a)” que é a minha condição -
um esquiço contendo apenas o registo do essencial, desenhado com caneta preta
em poucos segundos com, traço seguro, rápido, alguma textura, alguns valores
contados, mas sem excessos, apenas com o rigor necessário que conduz ao
entendimento.
Tratando-se de uma obra infantil,
acrescentei alguns apontamentos coloridos, pois a cor é importante para os
pequenos leitores. Fugi um pouco da realidade e assumi apenas o recorte da
mesma, com apontamentos coloridos articulados com a cena registada, convertendo
esta ilustração num misto de desenho em grafito e de colagens.
Apontamento final:
·
Há
quem entenda que uma obra de arte tem de ser realista, com representação da
realidade que nos rodeia tal e qual ela se apresenta, devendo transmitir
mensagens ao observador, coincidentes com a intenção do autor. Isto significa
apenas dificuldade em entrar no mundo abstracto, no mundo onírico do imaginário.
Se
assim fosse a arte tinha parado com Leonardo
da Vinci. Este é o génio da Humanidade, desenhou tudo o que havia a
desenhar com, rigor científico, rigor matemático, rigor anatómico, que quase
ninguém consegue atingir. Séculos mais tarde é inventada a máquina fotográfica
e então a realidade ficou muito fácil de captar e representar – a preto e
branco, a cores, tons sépia, claro, escuro…
Hoje o
que distingue uma obra plástica é a originalidade e a capacidade que tem para
surpreender e despertar interpretações e emoções individuais ou colectivas aos
observadores/receptores. A fuga para o imaginário é a forma como eu entendo e
valorizo a obra de arte.
Referência
a Salvador Dali com “Persistência da
memória” – obra sobejamente conhecida, já todos opinaram sobre a obra,
psiquiatras, psicólogos, pintores, sociólogos, poetas, arquitectos,
professores, críticos de arte… Já tudo se imaginou acerca daqueles relógios
deformados. Curiosamente, quando essa obra se tornou pública e alvo de tantas
opiniões/críticas, um jornalista entrevistou Salvador Dali, pretendendo saber a
grande teoria do autor sobre a mesma. Dali, como sempre, surpreendeu explicando
que desenhou os relógios após o jantar, do qual constava queijo Camember, que
tinha derretido no seu prato e daí a representação deformada dos relógios,
ridicularizando um pouco tanta teoria inventada.
“Como posso querer que os meus amigos
entendam as coisas loucas que passam pela minha cabeça, se eu mesmo, não
entendo?” Salvador Dali
Conclusão:
Fiz este apontamento, apenas porque
o autor do texto descobriu algo mais nestes desenhos, uma vertente didáctica –
a possibilidade de as crianças pintarem os desenhos.
Aqui fica uma homenagem à
ingenuidade das crianças, para mim tão interessante e que continuarei a
explorar para conhecer melhor.
Anabela
Quelhas
21 março, 2016
QUANTOS BRAÇOS TERÁ O MUNDO?
Quantos
braços terá o mundo?
Tenho dificuldade em ser
quem não sou, procurando-me entre contradições e o mais onírico dos meus
sonhos. Destruo os muros, as vedações de arame farpado e outras barreiras que
me são incómodas, que me condicionam e descubro novos horizontes, fugindo de
mim… fugindo de quem sou na verdade, vendo-me à distância e aproximando-me
novamente, adopto fantasmas, apuro visões, reforço convicções arquivadas ao
longo dos anos, redescubro outras que nunca tive, num ensaio dialéctico, que nunca
é gratuito.
Neste meu lirismo aprendente tenho dificuldade de ser quem
não sou.
Por vezes apresento-me outras personagens candidatas a mim,
para adopção, para aluguer temporário ou para residência permanente. Comparo-as
comigo, desenhando-lhe simetrias e translações, criando passaportes de vida que
no final não consigo utilizar. Crio sombras de chão e de vento, produzo
lágrimas de particulares ou de exageros, gerando energia crítica sobre mim,
sobre os outros e sobre o mundo, que se torna essencial para minha lucidez. A
sensibilidade e a rigidez articulam-se numa assimilação perfeita de ocasião. A
maleabilidade e o primarismo ora dão as mãos, ora se tangenciam sem rumo. A
doçura desconhecida, resgato-a de locais distantes no espaço e no tempo. Aceito
desafios, sou curiosa, ousada e atrevida, na eliminação de fronteiras, sem
pensar muito bem, onde é o meu lugar ou se tenho algum lugar. De onde sou? Questiono-me.
Sou de um mundo com raízes diversas e plurais nunca adivinhando o meu destino. Não
sei se sou terra, se sou fogo, se sou ar, terei uma amálgama de tudo diluída em
águas serenamente superficiais e revoltamente profundas, onde navego solitária
sem grandes tragédias.
Mas, continuo com dificuldade em ser quem não sou.
Só tenho comigo as empatias, riqueza acumulada pelos amigos
verdadeiros, alguns que mal conheço, perdidos neste mundo e nos outros que se
adivinham próximos, sendo sempre eu em todos os lugares, pacíficos ou não. Não
sei beneficiar das crenças que facilitam a vida e a resolução das adversidades,
que nos limitam a consciência todos os dias.
Quantos braços terá o mundo, para me acolher nesta
insatisfação diversa e sempre renovada que não se deixa tolher, nem moldar por
qualquer natureza?
In “Ensaios de escrita, um
projecto sempre adiado” Anabela Quelhas
Publicado em NVR
02 fevereiro, 2016
23 dezembro, 2015
20 dezembro, 2015
11 dezembro, 2015
06 dezembro, 2015
05 dezembro, 2015
O Atlântico
A inspiração no final do dia, observando as neblinas cromáticas na transição da tarde para a noite e do outono para o inverno.
O Atlântico...
Olhando o horizonte, gerindo solidões de muitas paragens, feitas neste sítio a muitas horas, reflectindo sobre caminhos, seleccionando sonhos, apurando os sentidos e renovando os mesmos valores de sempre.
4/12/2015
31 outubro, 2015
O BAILE
O BAILE’
de Aldara Bizarro
ESPECTÁCULO QUE CRUZA INTÉRPRETES PROFISSIONAIS COM
ELEMENTOS DA COMUNIDADE E MÚSICOS DA BANDA DE MATEUS
O espectáculo participativo ‘O Baile’, coreografado por
Aldara Bizarro, com música original de Artur Fernandes, apresentado pela
primeira vez no Serralves em Festa de 2012, foi inspirado no filme ‘O Baile’,
de Ettore Scola (1983), e na memória dos bailes de bairro, de aldeias e de
vilas de Portugal. A partir da pesquisa dos bailes tradicionais e das várias
formas da dança, procurou-se recriar um baile contemporâneo, inspirado nas
ideias e percepções dos participantes e incluindo três níveis de envolvimento: os
profissionais (bailarinos, músicos e coreógrafa), as comunidades que ensaiaram
de propósito para o efeito e o público que assiste ao espectáculo e que acaba
por se envolver no baile de forma espontânea.
Um Baile que conta a história de uma localidade ou de um
bairro.
Concepção, direcção e coreografia: Aldara Bizarro
Interpretação/co-criação: Costanza Givone, Isabel Costa,
Bruno Rodrigues, Manuel Henriques, Diana Serrano e participantes da comunidade
Criação musical: Artur Fernandes (Danças Ocultas)
Interpretação musical: Artur Fernandes (concertina), Marco
Figueiredo (piano), Miguel Calhaz (contrabaixo) e elementos da Banda de Música
de Mateus
Desenho de luz: Francisco Tavares Teles
Vídeo: Catarina Santos
Produção: Jangada
Ensaiador musical: Marco Figueiredo
Co-produção: O Baile é uma iniciativa integrada no programa
do Serralves em Festa, realizada em parceria com o Manobras no Porto – Centro
Histórico 2011/2012
Jangada é uma estrutura financiada por Governo de
Portugal — Secretaria de Estado da Cultura/Direcção-Geral das Artes
27 outubro, 2015
Pretexto para estar
Pretexto para estar
As aulas
começaram, chegou o Outono, baixa a temperatura, passamos mais tempo em casa e
lembrem-se que as crianças gostam de ouvir ler.
Os papás,
hoje, podem faze-lo com livros em papel ou em formato digital, mas apresento já
uma vantagem do papel: pode cair ao chão e não parte, e por isso é mais prático
para ser utilizado nos momentos de ler histórias aos mais pequenos, antes de
dormir, ao serão, no fim-de-semana ou enquanto se espera por alguma coisa.
Porque é
importante ler histórias às crianças?
Ao ouvir
histórias, as crianças aproximam-se de outras realidades ou de fantasias, que
alimentarão o seu imaginário. As crianças gostam de conhecer a vida de outras
pessoas, para perceberem melhor a sua própria existência e os seus afectos…
porquê as pessoas se amam ou se odeiam? porquê riem e porquê choram? para
perceberem melhor os caminhos da vida, distinguindo o bem, do mal… para conviver
melhor com os seus medos e receios e confirmarem que o bem, deve sempre vencer.
A leitura reorganiza e reforça os seus frágeis valores que estão em contínua
formação. Isto passa-se com as crianças, mas se reflectirmos bem, acontece
connosco também.
Nunca
teremos tempo para viver todas as experiências que o mundo oferece, mas a
leitura dá-nos a possibilidade de viver mais, em menos tempo.
Como lidar
com a nossa solidão interior e com os contratempos e contrariedades,
resultantes desta vida louca de todos os dias, se não tivermos o escape de ler,
que nos devolve equilíbrio e bem-estar interior?
Os livros das
crianças, permitem-lhes explorar em simultâneo as ilustrações que reforçam a
história escrita e abrem janelas para mundos que elas não conhecem, despertando
a capacidade de ver, de observar, de analisar, e até de avaliar, articulando
texto e imagem, interiorizando, misturando e arrumando tudo dentro delas, para
utilizar mais tarde.
A leitura
para as crianças envolve algo mais – os afectos e a proximidade de quem elas
gostam mais. Algumas ainda não sabem ler, outras leem mal, outras leem bem, mas
todas adoram que alguém lhes leia contando uma história. Porque ouvir ler é bom.
Para os pequeninos, ler é aconchegante, é uma almofada de sonho, de aventuras
vividas em local seguro e sem nada a temer, pois estão acompanhadas por quem
mais confiam.
Papás,
larguem a telenovela e o futebol e aproveitem para criar um momento mágico na
vossa família, lendo uma história ao seu filho e depois conversar sobre a
mesma. Não leiam por obrigação, leiam por prazer. Fazer isso é tratar os
afectos e promove-los com luvas de seda e de cetim, como eles merecem.
Ele irá adorar.
Arranjem um
sítio confortável e encurtem distâncias. Para além da história, mostrem a capa,
as imagens, criem tonalidades de voz diferentes adaptadas às personagens,
deixem a criança questionar, folhear, apontar com o dedo… Se a criança já sabe
ler, dividam a leitura, fazendo duetos. Numa 2ª ou 3ª leitura, imaginem finais
diferentes. Coloquem sempre que possível uma pitada de humor em tudo, para que
resulte um momento de boa disposição susceptivel de despertar a vontade de
repetir outras vezes.
Os pais
passam cada vez menos tempo com os filhos, e não é a prenda oferecida num
momento qualquer e sem motivo, o tablet,
o computador ou as férias, que compensam essa ausência diária, mas sim estes momentos,
em que a leitura funciona também como pretexto
para estar.
Experimente,
inverter papéis, ser o seu filho a ler para si. Sentir-se-á a regressar ao
passado, deixando fluir memórias doces e ternas, esquecidas lá muito longe.
Publicado no NVR em 20/10/2015
16 outubro, 2015
26 setembro, 2015
Desconstrução da humanização
Desconstrução da humanização
Todos nós
parecemos actores da história da Bela Adormecida. Por vezes, mesmo sem
príncipe, parecemos sair da nossa letargia militante e acordamos para os
problemas do mundo.
O mundo
existe desde que é mundo, mal ou bem entra pela nossa casa todos os dias e a
todos as horas, mesmo sem pedir licença. Carregamos o mundo no telemóvel, no
tablet, no computador, diariamente num estado de adormecimento, egoísta,
consentido e aflitivo. Pontualmente acordamos com notícias, que a comunicação
social passa e repassa, forçando o conhecimento do receptor, assumindo a função
do despertador a tilintar logo de manhã junto da nossa existência.
Desperta-nos
e devolve-nos o mundo em que vivemos.
Acordámos
com o 25 de Abril, acordámos com o “acidente” de Sá Carneiro, acordámos com Timor,
acordámos com a tentativa de assassinar João Paulo II, acordámos com Mandela, acordámos
com a guerra do golfo, acordámos com Gorbachev, acordámos com a morte de Diana,
acordámos com a queda do Muro de Berlim, acordámos com a SIDA, acordámos com o
11 de Setembro, acordámos com o Acordo das Lajes, acordámos com o tsunami do
Índico, acordámos com o juiz Rui Teixeira, acordámos com a gripe A e com o
ébola, acordámos com o Duarte Lima, acordámos com a Madeleine Mcann, acordámos
com Obama, acordámos com a Troika, acordámos com o Pápa Francisco, acordámos
com o Salgado, acordámos com Charlie, acordámos
com a prisão de Sócrates, acordámos com a Grécia, acordámos com a fotografia do corpo da criança Síria a dar à costa,… acordamos
apenas com os ícones, podendo ser da desgraça ou não, transportando situações
diversas com grande complexidade de conteúdo, potenciando outras, e que criam ondas de solidariedade no apoio ou
no protesto, feitas desta massa colectiva que somos nós, humanos adormecidos.
Atitudes que se manifestam voláteis e efémeras….
Quem explica
isto?
Quando
acordamos, manifestamos a nossa indignação exaltamos valores culminando com o
humanismo, que da esquerda à direita, todos julgamos possuir e defender. A televisão,
a imprensa e as redes sociais atiram-nos com os que fazem opinião, e estes opinam
numa operação de “baralhar e voltar a
dar” como se fossemos singelas cartas de um baralho obediente, apelando para a
história, para a politica, para a economia, para as culturas, para as lógicas
ilógicas de ocasião e para factos convenientemente esquecidos, exercendo o
contraditório, indignando e pondo em causa a breve indignação de cada um de nós,…
vêm os políticos, os jornalistas, os advogados, os analistas e até aqueles que tem grandes
responsabilidades no pais onde vivo, confrontando assertividade, com deturpação,
com demagogia e conseguindo com algum sucesso a desconstrução do pouco
humanismo que cada um ainda conserva em si e que tem a esperança preservar numa
perspectiva ingenuamente solidária. Esta digladiação informativa é fugaz, dura
dias ou poucos meses, e nós reagimos, opinando, mostrando a nossa indignação e
o nosso lado heróico pelo mediático, mas este desvanece-se em consonância com a
notícia que deixou de o ser, e voltamos a hibernar, adormecendo no nosso
castelo encantado, até ao próximo despertar.
Todos estes
casos têm apenas em comum, o processo, o acordar, a indignação inicial, a
indiferença posterior, o readormecer passado o impacto da novidade e do prurido
causado, e o esquecimento.
Entre uns e
outros, acontecem as vitórias e derrotas clubísticas que formam um mundo à
parte do nosso mundo, e os escandalozecos cor-de-rosa (aquela que fotografou
nua com quem, o outro que descasou e aquele que entrou nos Óscares) que
funcionam como bálsamos da desgraça, tipo prozac
providencial + Kompensan divino, ajudando-nos a esquecer e a mergulhar em mais
um sono dos justos. Sim, porque cada um de nós, comodamente deitados em posição
de Bela Adormecida, convence-se de que é justo, sossegando a consciência.
Entretanto,
enquanto dormimos, tudo continua a acontecer exactamente da mesma forma que nos
surpreendeu e indignou; nos cenários internacionais, num primeiríssimo plano, negócios
de armas, de guerra, de paz, de petróleo e de dinheiro e em 2º plano, lá
continua o desemprego, os sem-abrigo, os doentes, a má gestão dos dinheiros
públicos, o racismo, a mutilação genital feminina, os animais abandonados, a
poluição, a violência doméstica, a pedofilia, a prostituição, a exploração do
trabalho infantil, a caça aos elefantes, as máfias, a escravidão, a falta de
água, o cancro, os refugiados e toda a lista de indignidades e enfermidades,
cujos 7 pecados capitais, mais os veniais, são incapazes de conter e que vêm
sufocando este animal estranho, pretensamente racional e civilizado, que é o Homem
do século XXI.
Publicado no NVR - 23/09/2025
25 setembro, 2015
DOURO JAZZ
Olha!!!! Querem ver que por mera coincidência, ficamos na
mesma fila!!!
Se Deus nos juntou, algum defeito nos encontrou!!!.
Hoje foi Jazzim!!!!
Tiiiiirirititiritiritiiiiii tiiiii titritiritiritiiiiiii
Tataratiratatatrii, riiiii tataritaritaaaa
Primeiro estranha-se depois entranha-se!!!!
Aplauso para o Douro Jazz
Gostámos, aplaudimos, rimos e sorrimos e trauteámos.
Muito Bom.
22 setembro, 2015
Bom dia, cassiopeia espera-nos!
Oferece-me anéis,
colares, pulseiras,
Joias douradas, cravejadas
de todas as cores,
Jades, rubis e
ametistas
E eu quero as estrelas,
Brilhos de sedas e
cetins de noites escuras,
Bordados de lua cheia.
Oferece-me diamantes
E eu quero dançar,
pautas musicais, que só
nós ouvimos,
flutuando num salão qualquer.
Oferece-me tanzanitas
azuis,
E eu quero o abraço da
mesma cor,
Envolvente e único,
Nascendo da voz mais profunda
do mundo:
- Bom dia, cassiopeia
espera-nos!
AQ
12 setembro, 2015
O FASCISMO DOS BONS HOMENS’
O FASCISMO DOS BONS HOMENS’
TRIGO LIMPO TEATRO ACERT
‘O Fascismo dos Bons Homens’ é um espectáculo concebido a partir do romance comovente e satírico ‘A máquina de fazer espanhóis’, de Valter Hugo Mãe.
...
‘A máquina de fazer espanhóis’ é, já por si, um retrato da nossa portugalidade. Na situação que vivemos actualmente o texto ganha ainda mais sentido e mais sentidos. E é uma ferramenta espectacular, um ponto de partida único e motivador para quem, como nós, adora contar histórias.
TRIGO LIMPO TEATRO ACERT
‘O Fascismo dos Bons Homens’ é um espectáculo concebido a partir do romance comovente e satírico ‘A máquina de fazer espanhóis’, de Valter Hugo Mãe.
...
‘A máquina de fazer espanhóis’ é, já por si, um retrato da nossa portugalidade. Na situação que vivemos actualmente o texto ganha ainda mais sentido e mais sentidos. E é uma ferramenta espectacular, um ponto de partida único e motivador para quem, como nós, adora contar histórias.
O Trigo Limpo Teatro Acert, ao colocar em cena um espectáculo baseado neste texto, pretende, não só, contar a história de António Silva, personagem central e narrador do romance, mas também a do lar ‘A Feliz Idade’, o nosso lar, o nosso Portugal de agora mas antigo, por vezes, muito antigo mesmo…
Entre o trágico e o cómico, esta aventura de final de vida ganha, em palco, uma dimensão que nos remete novamente para o mundo do ‘faz de conta’, essa fantástica brincadeira que, em pequenos nos permite ‘reinar’ e, já adultos, nos reaproxima da menoridade. Tudo isto atravessado de poesia.
Adaptação e encenação: Pompeu José
Composição e direcção musical: Filipe Melo
Cenografia: Zétavares e Pompeu José
Desenho de luz: Luís Viegas e Paulo Neto
Interpretação: António Rebelo, Hugo Gonzalez, João Silva, Pedro Sousa, Pompeu José, Raquel Costa, Sandra Santos
Entre o trágico e o cómico, esta aventura de final de vida ganha, em palco, uma dimensão que nos remete novamente para o mundo do ‘faz de conta’, essa fantástica brincadeira que, em pequenos nos permite ‘reinar’ e, já adultos, nos reaproxima da menoridade. Tudo isto atravessado de poesia.
Adaptação e encenação: Pompeu José
Composição e direcção musical: Filipe Melo
Cenografia: Zétavares e Pompeu José
Desenho de luz: Luís Viegas e Paulo Neto
Interpretação: António Rebelo, Hugo Gonzalez, João Silva, Pedro Sousa, Pompeu José, Raquel Costa, Sandra Santos
O RÚSTICO AVEC
O RÚSTICO AVEC
Nas duas últimas
décadas, as cidades e as aldeias portuguesas foram inundadas por exemplares da
arquitectura “catalogada” como “arquitectura rústica”. Ressalvo, não é um
estilo, é uma técnica de construção.
O que é o
rústico? O rústico aplicado à construção e mais especificamente às paredes,
traduz-se numa ausência de acabamento e de “arte”, aparentando aspecto
grosseiro, rude, sem grandes detalhes construtivos e apuramento no acabamento.
O senso
comum associa este aspecto visual à ruralidade, ao romantismo do sentimento
campestre, influenciado por vezes na importação de modelos de outros países e
na linha do “country” da decoração de
interiores, retirando-lhe as componentes, histórica e científica, da situação
portuguesa.
Cada época
tem uma forma de construir, articulada com o conhecimento científico, os
materiais da região, as ferramentas disponíveis, a capacidade económica do
proprietário, articulando-se com as regras de bem construir, aplicadas sabiamente
pelos mestres pedreiros que existiam antes destes dias baralhados que vivemos
nas últimas décadas, de uma globalização nem sempre inteligente.
A arte de
bem construir de um pedreiro, orienta-se por regras bem definidas e consta de
um saber acumulado ao longo de muitos anos, com conhecimento passado de geração
em geração, de mestre para aprendiz, com muitos dias e anos de prática e de muitos
calos nas mãos.
Pelas
atrocidades que vejo no meio envolvente, eu diria que, actualmente, pedreiros, já há poucos. Trolhas sim, pedreiros não!
Não vou mais derivar por aí. Registo
apenas que ao observar certas obras de recuperação e restauro nesta fase da
regeneração urbana de algumas cidades, vejo maus exemplos, que muita gente
aplaude sem sentido, manifestando apenas uma ignorância arquitectónica
exuberante.
O rústico avec!!!!
Enuncio uma regra simples que
desconstrói o aplauso de muitos, nesta região granítica e telúrica, carente de
bons pedreiros. O rústico que é para manter rústico, ocorre sempre que as
molduras de vãos do edifício não são peças especialmente talhadas, aparelhadas
e tratadas, assumindo rudeza similar ao resto da construção e localizam-se no
mesmo plano. Num edifício em que existem panos de parede rudes, mas existem
também molduras de vãos, talhadas e trabalhadas, quer dizer que o aparelho
rusticado é para cobrir com outro material (reboco e pintura, azulejo, aqui no
Norte) e as peças bem desenhadas e bem talhadas, são apenas essas que devem
ficar à vista (molduras, cunhais, rodapés, cornijas, platibandas e elementos
decorativos) e normalmente destacam-se, porque se situam num plano ligeiramente
exterior (são salientes). Como toda as regras, esta também tem excepções.
Fácil e simples! Os edifícios
barrocos são autênticas “bíblias” da construção, e nós temos muitos onde aprender.
Olhem as paredes da nossa cidade e
constatem os disparates que por aí se têm cometido. Mas nada está perdido, logo
que a razoabilidade inunde as consciências, estas situações são possíveis de
reverter. Abstenho-me de mencionar aqui os casos mais escandalosos, para evitar
constrangimentos. Vejam com olhos de ver e descubram.
Publicado em NVR - 8/09/2015
03 setembro, 2015
A propósito de Ceuta.
A propósito de Ceuta
No
dia 21 de Agosto de 2015, fez 600 anos que os portugueses tomaram Ceuta e
mudaram o destino de um pequeno país localizado no extremo de um continente,
abrindo portas para um mundo novo.
Reservando-me
a comentar sobre a área polemica deste acontecimento histórico (a matança de
Ceuta), reconheço que talvez tenha sido esta, a porta principal para a
globalização do mundo e é disso que nos devemos orgulhar, portugueses
complexados com as colonizações, e que os outros países têm e mantêm sem grandes
arranhões na sua dignidade.
Ceuta
é hoje o território de contacto entre dois continentes, com uma história que
tem Portugal como personagem principal. A História existe e gosto de
conhece-la, orgulhando-me ou não dela. E nesta história há sempre várias histórias,
a história carniceira (transversal a todos os países e a todas as épocas) e a
história da aventura e do conhecimento. Nestas coisas da violência, a história
e a expansão de todos os impérios é feita sempre à custa de vidas humanas. Nada
me escandaliza sobre o que se passou há 600 anos, porque a vida humana era
barata nos conceitos do Homem da época, escandaliza-me sim, a história
contemporânea dentro de um contexto de um Homem civilizado que todos
pretendemos e assumimos ser. (Os norte americanos continuam a viver num
território que pertence aos índios, e revelam-se ferozmente contra as
emigrações, enfim… )
Desloquei-me
à cidade do Porto para visitar duas exposições sobre o assunto. Uma localizada
no World Discovery, em Miragaia e outra localizada na Biblioteca Municipal do
Porto, em S. Lázaro.
Sobre
esta última, exposição ilustrada e
inspirada nos excertos do texto da Crónica da Tomada de Ceita de Zurara, que
conta com a participação de 10 ilustradores, devo
assinalar como de grande qualidade - simples, elucidativa e esteticamente bela.
Associar os arcos do claustro do edifício à mostra, através de suportes
semi–transparentes, convertem esta exposição em algo surpreendente e original.
O presidente Rui Moreira e a sua equipa, estão
de parabéns. É preciso pensar, antecipar, organizar e depois partilhar a tempo
e horas!
Consultei a agenda cultural aqui
do nosso burgo real – feira das velharias, futebol, observação das estrelas,
circuito de Vila Real…..,
….temos como personagem ilustre,
D. Pedro de Meneses, que a maioria desconhece quem é.
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